História Um Amor Plus Size - Capítulo 27


Escrita por:

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Kim Taehyung (V), Park Jimin (Jimin)
Tags Bullyng, Chim Chim, Gordas, Gordinhas, Imagine Jimin, Imagine Jungkook, Imagine Taehyung, Jimin, Jungkook, Kookie, Plus Size
Visualizações 185
Palavras 4.894
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Famí­lia, Festa, Ficção Adolescente, Hentai, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Florence + The Machine - Shake It Out
Escutem <3


Boa leitura.

Capítulo 27 - Shake It Out


Fanfic / Fanfiction Um Amor Plus Size - Capítulo 27 - Shake It Out

Uma semana depois

Os dias passaram e Antonella nem viu, sua vida se resumia a arrumar a casa e ficar o dia trancada, as visitas de seus amigos se tornaram diárias, inclusive Taehyung, que sempre perguntava como ela estava e se havia acontecido algo, ela sempre respondia a mesma coisa: “Eu estou ótima, pare de se preocupar”, sempre a mesma mentira.

A verdade mesmo é que estava insuportável ficar no mesmo espaço que Nicholas, sempre receber o olhar atravessado do pai e ainda a voz amarga dele. Tudo se tornou pior depois dela falar abertamente que havia sim tentado suicídio e que ele era cego por não ver bem na sua frente os motivos disso. A cada dia o Bennett era mais amargo, principalmente depois de Tone bater o pé e negar-se ir a escola durante aquela semana infernal. Nicholas disse-se decepcionado, e a resposta dela foi sincera.

— Eu estou decepcionada a mais tempo que você, papai, seja bem-vindo ao meu clube. — Depois desse fatídico dia, pai e filha não trocaram mais uma palavra entre si.

Saiu de suas lembranças ‘pra prestar atenção em sua realidade. Antonella parou de frente da sala de aula, suspirou fundo e bateu à porta, esperou que fosse aberta e sorriu para a professora de química. Olhou de relance para dentro da sala, mas sem prestar atenção de verdade em algum rosto além do de Alice e David que estavam sentados ali perto da entrada.

— Eu deixei a justificativa com o diretor. Ausência por doença. — Sorriu já entrando na sala. A professora respondeu algo e mandou-a sentar-se sem fazer barulho, ela estava passando slides de uma explicação.

Antonella parou em pé na sua costumeira carteira e pôs a bolsa sobre a mesa. Sem pretensão alguma olhou para frente e viu o lugar de Jimin vazio, achou que ele houvesse faltado e de certa forma estava feliz por isso, porém, foi só sentar-se em sua cadeira e olhar para onde o reprodutor de imagens da professora estava, que viu, duas bancas depois do projetor, a cabeleira ruiva. Suspirou ao notar que os olhos dele estavam sobre si, mas não sustentou aquele olhar, arrumou-se na cadeira e ignorou a existência do Park o restante da aula toda.

Quando a aula acabou, o lanche da manhã iniciou. Antonella havia ido ‘pro colégio apenas após sua segunda sessão com a psicóloga, e somente depois que a mesma perguntou do que a Bennett estava fugindo e se encontrava no colégio. Suspirou algumas vezes no fim da sessão e pensou sobre a pergunta feita – aquilo soou quase como um desafio, por isso Antonella arrumou-se e conversou com Bruce para passar uma nota falsa de ausência justificada – foi complicado e teve que prometer explicar tudo depois a ele, assim como falou sobre estar indo a uma psicóloga e que tinha a ver com ela sua ausência durante a semana.

No fim, lá estava ela, tendo que encarar Jimin lhe olhar com um cenho franzido e fazendo um pedido de conversa entre eles. Não demorou muito para o Park ir até a Bennett e pedir:

— Vamos conversar? Por favor? — Ele levou as mãos para os lados da porta, e fez um esforço para não prestar atenção em como ela havia mudado com aquele cabelo curto, e em como ficou lindo – era linda de para ele, linda demais.

— Sai da minha frente. — Ela o mandou, a voz saiu baixa e totalmente autoritária.

Estava na frente da porta, mas o ruivo impedia sua passagem, atrás de si estavam Alice e David, cujos queriam empurrar Jimin dali e passar, mas, por conta de um gesto recebido da amiga Tone, calaram-se e esperaram observando-os. No fundo, pensavam que a menina aceitaria o pedido dele.

— Só uma conversa! Eu preciso dela e sei que você também, por favor, Antonella. — Ignorou a fala dela.

— Jimin, tudo que eu preciso de você, nesse momento, é distância. — A voz saiu calma, carregada com uma expressão de nojo. Jimin perdeu o chão pela milésima vez naquele mês.

O que faria? Forçar não podia, nem queria também, tudo que tinha ‘pra fazer era se afastar e dar passagem a menina, assim como ela queria. Jimin estava preso na fala dela e sentia um peso maior depois da frase dura que ouviu. Ele estava muito, muito ferrado.

Na hora do lanche foi a vez de Jungkook rever a Bennett dando de cara com ela no corredor para o refeitório. Se encararam, ela esperando que ele saísse, ele sem acreditar que depois de uma semana ela voltou à escola. Seria engraçado se a expressão da Bennett são fosse de indiferença, enquanto Jeon mostrava uma de surpresa e – incrivelmente – esperança. Apreciou a mudança de visual dela, era uma diferença grande e mesmo que gostasse mais de cabelos longos, os fios curtos de Antonella lhe deixaram encantado também.

— Tone- — Tentou, mas foi impedido de falar qualquer coisa.

— Não, Jeon! Não peça nada, apenas desvie do meu caminho e siga o seu. — Fria demais, fora totalmente do que a personalidade da menina era no geral. Jeon assustou-se com a forma dela, teve medo instantaneamente ao pensar que havia matado a Antonella de sorriso bonito e transformado-a numa garota… vazia. Sabia que era capaz pessoas tornarem-se assim depois de uma grande queda, e ouvir Tone daquele jeito lhe fez temer.

— Tone, eu só- — Novamente, não pôde concluir.

— Quer conversar. — Encarou-o. — Eu sei. Jimin também queria, mas sabe, eu não quero e quando um não quer, dois não tenta. Já que você não vai sair, eu saio. — Antonella empurrou-o, não com agressividade, apenas para ter passagem.

Ela não queria falar com eles, não queria vê-los e nem ouvi-los, ela queria apenas esquecer tudo.

Jungkook, assim como Jimin, não forçou nenhuma aproximação, deixou que ela passasse e ignorou o olhar franzido de Alice sobre si, assim como ignorou David ali.

Dias antes Jimin e Jungkook conversaram sobre tudo que envolvia Antonella e prometeram que tentaria apenas ter o perdão dela, mas nenhuma outra aproximação diferente poderia ser feita, caso contrário, o outro poderia impedir aquele que tivesse essa atitude. Foi a forma que encontraram de não discutir mais sobre quem gostava mais dela e de nem estimar ciúmes com conversas bobas infundadas.

E mesmo que a vontade de ambos fosse ligar o foda-se ‘pra aquele trato, tentariam seguir a risca com ele e deixar Antonella livre para perdoá-los quando pudesse, ou simplesmente estivesse preparada para isso.

[…]

A semana passou lenta demais para todos os terceiranistas, inclusive – talvez principalmente – para Antonella, que já não aguentava mais ir para a escola. Justo ela, uma menina tão estudiosa. Ela queria mesmo é que aquele ano acabasse de uma vez, e quando viu no calendário que dentro de menos de cinco meses se livraria de vez daquelas aulas e daquele ensino médio de uma vez, a felicidade foi imediata. Passaria de qualquer jeito, era uma aluna excelente.

— Então está ansiosa para o fim do ano. — Noêmia afirmou. Ela estava em uma sessão com a preta e comentou sobre ficar feliz com o fim de ano escolar.

— Não! Não é pelo fim do ano, na verdade, nem gosto dessa época do ano. Estou ansiosa pelo fim do ano letivo e fim de idas a escola, me livrar dessa rotina que já me esgotou a muito tempo. — Nunca havia dito aquilo a alguém, pois ela mesma nunca percebeu que se sentia tão mal com aquele ano antes, só depois de dado espaço para falar, foi que ela desabafou.

— Mas depois disso tem a faculdade, então essa rotina volta com mais intensidade, não? — Entender o perfil do cliente ajuda na terapia.

— Faculdade… — A Bennett estendeu a palavra faculdade, uma clara mostra de que havia assunto por trás daquela decisão de seguir curso em uma faculdade.

— Você quer ir a faculdade, Antonella? — A pergunta saiu terna.

— Eu nunca pensei que fosse dizer isso na minha vida ‘pra alguém, mas depois de olhar ‘pra mim e procurar minhas vontades, eu notei que… não! Eu não quero fazer faculdade agora.

— Bem, você e muita gente no mundo não querem. Mas, Antonella, faculdade era uma certeza sua, se não é realmente assim, então o que deseja fazer depois que concluir o ensino médio? — Noêmia não era contra uma mudança de pensamento, na verdade, a profissão dela servia como isso, para ajudar seus clientes numa mudança de pensamento ou qualquer evolução psicológica, mas ali diante de Tonelle, Abranches queria mais do que um simples não sei, queria um talvez, um sim ou um não.

Antonella pensava em que resposta dar, mas ela ainda não tinha essa em questão.

[…]

Dias depois.

Andando pelos corredores, Jimin suspirou ao fixar o olhar nas costas de Antonella uns metros a frente dele, estavam voltando do laboratório de biologia para a sala de aula junto a turma toda reunida. Fazia um mês, um maldito mês, que Jimin tentava se aproximar de Tonelle, mas todas as tentativas eram cortadas pela mesma, numas delas recebeu um grito que foi notado por pessoas ao redor e, diferente do que essas pessoas acharam, o Park suspirou e assentiu, saindo então do caminho da Bennett. Decidiu não tentar mais, decidiu deixar estar e esperar por um absoluto nada!

Jungkook passou por algo parecido, mas desistiu um tempo antes, ele finalmente aceitou que não teria – não agora – chance alguma de receber um perdão, por isso preferiu apenas acompanhar os dias, mesmo que se arrastando.

— Você vai para a sessão hoje? — Alice perguntou a Antonella alto o suficiente para Jimin escutar.

— Vou sim. — Sentou-se na carteira. — Mas depois da aula de português só. — As ida à psicóloga estavam sendo muito úteis para a Bennett, mesmo que no começo tenha evitado se entregar às perguntas, agora a própria menina fazia questão de falar.

Jimin sentiu a garganta coçar com vontade de perguntar que sessão era aquela. O Park comentou com Jungkook que toda segunda Antonella saia no mesmo horário da escola e chegava tempo depois, viu a forma que ele ficou com a informação e soube que o Jeon investigaria. E fez.

Quando estava na fila ‘pra pegar o almoço, Jungkook entrou do seu lado furando a ordem da fila.

— Ela vai a um psicólogo. — Foi o que o Jeon falou ao chegar do lado do ruivo. — São idas semanais, toda segunda ela chega as dez e meia e sai as onze e meia.

— Ah. — Jimin franziu o cenho pensando que, talvez, o motivo de Antonella começar a fazer sessões num psicólogo fosse o que eles fizeram com ela. Aquele pensamento o colocou ainda mais no fundo do poço. — Como sabe disso?

— Capitão do time de futebol. — Deu de ombros. — Eu pedi um favor e um dos caras do time perguntou isso ao David. — Jungkook encarou Jimin, assim como o Park fez com ele.

— Ele contou o motivo dela ir? — Eles sabiam, sentia a mesma desconfiança de que Antonella apenas ia para saber lidar com o que fizeram a ela… sentiam essa culpa em si.

— Não, disse que ela apenas aceitou a indicação da Alice e agora está indo. — Virou-se tirando o olhar do outro. — Ela está adorando. — Repetiu a informação que teve. Se encararam, ambos querendo ignorar aquilo, pois a culpa batia violentamente nos dois.

Jimin desviou o olhar para trás de Jungkook e o mais novo levou o próprio olhar na mesma direção. Antonella pisava firme no chão, os braços estendidos ao lado do corpo e o olhar sempre a frente, estava indo para a sala. Jungkook conferiu a hora assim que ela passou por eles – sem olhá-los – e bufou. Eram doze horas da manhã.

— Será que é por nossa culpa? — Jimin fez a pergunta que Jungkook se fazia. O Jeon encarou-o, a expressão deixando claro que acreditava no sim daquela pergunta, porém, em vez de responder, apenas desviou o rosto, não queria responder tão claramente, era como se doesse menos assim.

— Nossa, vocês dois conversando juntos? O que houve? É o fim dos tempos? — A voz feminina – e estridente – soou perto demais para o gosto de Jungkook.

— Não torra a paciência. — Jimin perguntou encarando Fernanda.

Aquela garota causava arrepios de dor no corpo de Jimin, sentia certa repulsa por ela. O Park sempre era alvo de cantadas de Fernanda, até mesmo quando namorava ela se insinuava para ele. Era… irritante.

— Oh, Jimmy, não trate sua Nandinha assim! — Fez bico e se aproximou do rapaz, enquanto isso ele revirou os olhos. As mãos femininas agarraram a gola da camisa de Jimin como se fossem arrumá-la, mas antes que mexessem em algo, o Park as parou e retirou Fernanda de si.

— Quer alguma coisa, Fernanda? — Jimin perguntou com sua costumeira expressão de descontentamento quando estava perto daquela menina.

— De você? Com certeza, sim! — Um sorriso ladino nasceu no rosto dela, coisa que só fez Jungkook sorrir se divertindo com a cena e Jimin rolar o olhos de novo.

— Saiba que não tenho nada a dar a você. — Jungkook riu da situação, estava achando graça mesmo. Jeon sabia que Fernanda era louca ‘pra ter algo com Jimin, diversas vezes tentou fazer com que os dois ficassem, mas desistiu assim que seu ex-amigo deixou clara a falta de interesse. No fundo, entendia ele muito bem.

— Normal. — Respondeu. Ela segurou novamente a gola do ruivo e forçou o peso se aproximando da orelha dele. Num sussurro disse: — Eu que quero dar a você. — Jimin sentiu seu lóbulo ser preso pelos dentes de Fernanda e chupado logo em seguida, o susto que teve fez com que franzisse o cenho semicerrando os olhos e segurasse forte os pulsos dela. — Não se assusta, gatinho! — Ela riu.

— Me solta, Fernanda. — Tentava não gritar com ela.

— Ué, por quê? — Fernanda gostava da dificuldade que Jimin colocava ‘pros dois ficarem, mas acreditava que no fundo ele queria tanto quanto ela.

— Porque eu quero! — Jungkook ignorou os dois do seu lado, não ajudaria Jimin a se livrar da grudenta, ao contrário, deixaria os dois se resolverem sozinhos, enquanto isso olhou em volta e parou a visão num trio que vinha em direção a fila.

Jungkook estava quase na entrada do refeitório, já que a fila era enorme e fez com que os alunos saíssem da ala de refeição. Os olhos do coreano bateram imediatamente em Antonella que vinha com seus amigos. Viu David ser parado por um dos integrantes do seu time – especificamente Daniel – e ganhar liberdade ‘pra furar fila onde ele estava. Travou o maxilar quando Tonelle foi abraçada por Daniel e o mesmo depositou um beijo na bochecha dela. Quis desviar o olhar, mas não conseguia, estava mais focado em controlar a vontade de ir até lá e tirar o braço dele de sobre ela.

— Ei, cara, me ajuda aqui! — Fernanda ria agarrada ao pescoço de Jimin, enquanto ele começava a se irritar mesmo com a atitude dela. — Jungkook! — Chamou mais irritado.

— Se vira! — Foi o que recebeu de resposta. Olhou para o outro notando que ele encarava algo, levou o olhar até o ponto mirado por Jungkook e franziu ainda mais o cenho para o que assistiu: Antonella sorria sem graça ‘pra Daniel, enquanto tirava o braço dele de cima de si.

Fernanda olhou torto ‘pra Jimin quando sentiu ele apertar seus braços com força e lhe empurrar. Ela olhou para onde Jungkook e Jimin olhavam com raiva e franziu o cenho, era apenas Daniel do lado de Antonella e seus amigos.

— Que foi? — Ela queria saber, por que eles estavam olhando para lá? — Por que estão olhando ‘pra balofa e os amigos dela? — A questão pegou os garotos de supetão, mas a palavra “balofa” foi o que chamou a atenção deles. Numa troca de olhar breve entre os coreanos, um deles se pronunciou:

— Não chame ela assim. — O mando saiu baixo de Jimin, além de não sustentar o olhar interrogador de Fernanda. A garota se perguntou o porquê dele pedir aquilo, encarou a expressão sem graça do Park e franziu o cenho, lembrava da cena dele no parque junto à Antonella, aquilo mexia consigo. Uma dúvida em Fernanda acendeu.

— Por que? Você sempre chamava ela assim. — Recordou aquele fato. Foi preciso um suspiro longo da parte de Jimin quando o mesmo sentiu aquilo bater violentamente na sua consciência. — A propósito, por que você parou de mexer com ela, Jungkook? — Jeon encarou Fernanda como se ela houvesse acabado de perguntar a maior atrocidade do mundo. Ele respirou fundo e encarou-a.

— Por que não conta ao Jimin a sua novidade, Fernanda? Aposto que ele ‘tá interessado. — Jungkook quis rir quando viu o olhar mortal que recebeu do mais velho, mas ignorou totalmente o falatório da menina ao seu lado e os bufos de Jimin e prestou atenção em Antonella.

David cercou com o braço esquerdo os ombros da Bennett, aquilo impedia que Daniel se aproximasse e lhe tocasse mais uma vez.

Jungkook não sabia, mas Antonella se incomodava com os abraços que o garoto vinha lhe dando. Não era nada pessoal, de verdade, achava-o um cara legal, simpatizava com ele e até o achava bonito, mas, mesmo assim, seu corpo repelia os abraços recebidos de Daniel, não aceitava de alguma forma e sem porquê aparente, aquilo consumia a consciência de Antonella e fazia-a se sentir culpada, até tentava aceitar de bom grado tais contatos, mas, no fim, sempre lançava um olhar para David pedido um socorro, assim, sempre que Daniel se afastava, David corria para salvá-la e lhe abraçar como agora, às vezes era Alice que o fazia.

E se Jungkook soubesse desse sentimento estranho, com certeza, ele mesmo ajudaria a menina, mesmo sendo bem capaz Tonelle preferir ser abraçada por Daniel a ficar próxima do Jeon.

[…]

Antonella encarou bem a expressão da sua psicóloga durante uns bons segundos, esperava alguma fala dela depois de contar sobre o bullying que sofreu.

— Está me dizendo que sofreu bullying por quase quatro anos e, que ainda esse ano, dois garotos apostaram ‘pra ver qual dos dois ficariam com você primeiro? — Noêmia queria confirmar e saber que não era um delírio de sua mente e que não escutou errado.

Antonella assentiu, não possuía força ‘pra falar.

Noêmia não tinha motivos para duvidar de Antonella, nenhum mesmo! Num momento de instabilidade, Abranches suspirou tensa e se recostou à cadeira que estava sentada, encarou bem os globos oculares brilhosos da Bennett e refletiu. Bem, Noêmia é uma psicóloga e está no seu momento de trabalho, deve ser totalmente profissional, mas isso não anula o fato dela ser humana e ser empata – na verdade, ser empata é preciso para a profissão que seguia –, talvez, por isso, encarava Antonella sem saber muito bem o que falar no momento.

Em sua carreira profissional de psicóloga, Abranches já lidou sim com clientes que sofreriam ou sofreram bullying, ela já ajudou muitos assim e soube lidar bem, mas a cada novo cliente com esse tipo de trauma, uma nova forma de argumento devia ser dado, pois cada caso tem sua forma própria de ser cuidada. Abranches estava tentando apenas pensar bem antes de falar qualquer coisa.

— Eu não contei antes, porque não me sentia confortável ‘pra falar. Foi uma época bastante ruim. — Tonelle falou depois do silêncio que a mulher fez.

— Eu entendo. — Suspirou encarando a garota. — Eu tenho muitas perguntas, tentarei escolher as principais. — Avisou, recebeu um assentimento da mais nova. — Alguém sabe? Além de você e os envolvidos?

— Eu contei ‘pro meu pai sobre o bullying quando acontecia enquanto eu estava no ensino fundamental e aí meu pai deu um jeito. Quando o bullying passou ‘pro ensino médio eu contei ‘pro diretor da escola, ele é muito amigo do meu pai, quase um tio ‘pra mim e me ajudou como pôde. — Noêmia assentiu. — Eram dois agressores, um é emancipado pela mãe, o outro eu não sei. Como um responde por si mesmo, exigir que ele parasse era o mesmo que fazer nada. Já esse que ainda tem familiar, ele apenas pegava algumas suspensões. — Suspirou. — Mas só até eu parar de ir me queixar… — Então Tonelle lembrou dos momentos mais vergonhosos da sua vida. — Não tinha jeito, eles sempre faziam as mesmas idiotices, não tinha fim. Meus amigos, às vezes, paravam na diretoria por tentarem me defender, então eu percebi que só estava trazendo problemas ‘pra eles. — Os olhos começaram a queimar e o medo de chorar lhe apossou. — Quando eu estava sozinha os agressores vinham e faziam as piadas, eu preferi ficar quieta, me peguei desejando o fim das aulas apenas, preferi guardar ‘pra mim já que nada surtia resultado. E assim se seguiu mais de dois anos de bullying no ensino médio. — Noêmia encarou sua cliente pensando na próxima pergunta.

— E a aposta? — Engoliu em seco depois de perguntar.

— Foi meio que o ponto final de toda a opressão. — Franziu o cenho e logo sorriu minimamente e amargamente. — O pisão final. — Sentou-se ereta e encarou a psicóloga. — Os dois pararam de vez de me azucrinar depois que eu descobri a verdade da aproximação deles, na verdade, tentam ainda ter meu perdão. — Noêmia assentiu calma para ela, primeiro ouvia para depois dizer algo sensato e útil. — Eu notei que a vida toda fugi dos meus problemas, pensar nisso me faz sentir um fracasso enorme nos ombros. — Enrugou a testa em desprezo.

— Antonella, como você lidou com essa fase da sua vida? — Tone mostrou uma expressão de confusão, ela acabara de falar que fugiu de seus problemas, por que ela perguntava algo já respondido? Será que Tone não foi clara? Quando a Bennett pensou em responder, Noêmia prosseguiu. — Não estou falando sobre suas ações de evitar denunciar o bullying e esconder tudo isso, eu estou falando sobre como lidou psicologicamente com o sofrimento no silêncio. O que fazia com a dor?

Foi aí que Antonella parou e olhou no fundo dos olhos da psicóloga procurando um indício de resposta em sua própria mente, mas tudo que achava era um nada. A verdade é que Antonella, dia após dia, menosprezou seus problemas e deu importâncias demais a outras diversas coisas, nunca parou ‘pra chorar por conta do que passava na escola, pois o que passava em casa tomava seu tempo: a ausência do pai; o desprezo da mãe; a solidão funda que às vezes se via afundada e era quase palpável. Se Tonelle está sã é por ainda ter contato – mesmo que forçado – com os humanos da sua escola, além, é claro, dos seus fiéis amigos Alice e David.

— Antonella? — Noêmia lhe despertou, fazendo-a responder:

— Eu não lidei. — Ergueu os ombros num sinal de desespero. — Eu simplesmente ignorei. — Um choque atingiu, Tonelle. — Eu subjuguei a dor que o bullying me causava, porque… porque eu achei que, se deixasse isso me afetar, eu estaria sendo fraca! — Ela sentia agora o peso que, mesmo com a descoberta da aposta, ela não notou. — Eu me anulei, sem motivo algum. Eu acho. — Estava confusa. Tone não gostava de pensar no problema de sofrer agressões, ela respirava forte e seguia como se nada houvesse acontecido – mal sabia que aquilo estava a matando por dentro.

É verdade que Tonelle havia chorado bastante depois que acordou ao lado de Jungkook e desde então só vinha chorando e chorando, mas chorar não é lidar com a dor, é desabafar usando lágrimas.

Noêmia encarou Antonella pensando no que ouviu e no que diria a ela, mas apesar de ter várias perguntas, Abranches decidiu fazer uma analogia. Com um respiro fundo, começou:

— Depois de anos trabalhando com a mesma coisa, o profissional tende a criar características próprias quando o assunto é o seu trabalho. — Antonella encarou a psicóloga em dúvida, se questionou se ela não diria nada a respeito do que acabara de responder, se faria aquele assunto morrer ou dissipar-se – coisa que, incrivelmente, a Bennett não queria. — Você pode reconhecer o livro de um autor se souber bem como é a maneira que ele escreve, as manias e as… voltas que ele dá nas palavras. — O olhar de Tone acompanhou Noêmia se por de pé e ir até uma cômoda a menos de dois metros de distância de sua mesa. Durante o caminho ela falava: — Psicólogos não são diferentes, eles desenvolvem técnicas de abordagem, de trabalho e de ajudas próprias depois de certo tempo atuando na profissão. As técnicas não dão certo com todos os clientes às vezes, mas são próprias e assim criamos nossa forma de ajudar. — Noêmia encarou sua cliente e sorriu. — Gosta de música, Antonella? — A menina assentiu observando sua psicóloga apoiada a um aparelho reprodutor de som sobre a cômoda. — Eu gosto de usar a música nas minhas sessões, ela é terapêutica. — Suspirou. — Desperta emoções. — A preta retinta mexeu em algo no som e voltou a sorrir para Antonella, logo uma música deu-se inicio na sala. — Aprecie e preste bastante atenção na letra.

Noêmia voltou a se sentar, enquanto Tonelle encarou o aparelho reprodutor depois de olhar de soslaio para a Abranches. A música era desconhecida para ela, mas parecia ter uma letra bonita.

 

Remorsos se acumulam como velhos amigos

Aqui para reviver seus momentos mais sombrios

Não vejo uma saída, não vejo uma saída

E todos os fantasmas saem para brincar

 

E cada demônio quer seu pedaço de carne

Mas eu gostaria de guardar algumas coisas pra mim

Gostaria de deixar minhas questões definidas

É sempre mais escuro antes do amanhecer

 

Antonella abaixou o olhar prestando atenção na letra, enrugou o espaço entre as sobrancelhas e encarou sua psicóloga brevemente, decidiu não dizer nada e prestar atenção àquela letra.

 

E eu fui tola e cega

Nunca consigo deixar o passado pra trás

Não vejo uma saída, não vejo uma saída

Estou sempre carregando esse cavalo nas costas

 

E todas as suas questões, tal ruído de sofrimento

Esta noite eu enterrarei esse cavalo na terra

Pois gostaria de deixar minhas questões definidas

É sempre mais escuro antes do amanhecer

 

Liberte-se, Liberte-se

Liberte-se, Liberte-se, oh whoa

Liberte-se, Liberte-se

Liberte-se, Liberte-se, oh whoa

 

É difícil dançar com um demônio nas costas

Então, liberte-se dele, oh whoa

 

Mais algumas estrofes tomaram conta da sala, enquanto Antonella deixava lágrimas caírem, mesmo que estivesse de olhos fechados. Ela sentia aquela música em si, aquela conhecida sensação de que algo foi feito para nós.

 

Oh woah, oh woah

E eu cansei desse meu coração sem graça

Então, esta noite vou arrancá-lo e recomeçar

Pois gostaria de deixar minhas questões definidas

É sempre mais escuro antes do amanhecer

 

Liberte-se, Liberte-se

Liberte-se, Liberte-se, oh whoa

Liberte-se, Liberte-se

Liberte-se, Liberte-se, oh whoa

 

É difícil dançar com um demônio nas costas

Então, liberte-se dele, oh whoa

E é difícil dançar com um demônio nas costas

E com metade de uma chance

Eu tomaria alguma coisa de volta?

É um bom romance, mas me deixou tão destruída

É sempre mais escuro antes do amanhecer

Oh whoa, oh whoa

 

Perdida na música, o choro de Tonelle se tornou soluçante quando um trecho diferente da música foi cantado, ele possuía um som mais baixo, servia apenas para ressaltar a letra do momento.

 

E estou condenada se eu fizer

E condenada se não fizer

Então, aqui estou para brindar no escuro

Ao final da minha estrada

E estou pronta para sofrer

E pronta para ter esperança

É um tiro no escuro mirando direto na minha garganta

Pois buscando pelo paraíso, encontrei o demônio em mim

Buscando pelo paraíso, encontrei o demônio em mim

Bem, que se dane

Vou deixar acontecer comigo

Noêmia sorria minimamente vendo Antonella chorar, a garota tentava conter os soluços e engolir os gritos na garganta, não queria deixar a psicóloga ver claramente que ainda estava muito quebrada por tudo o que lhe aconteceu ao longo da vida. É, ela sentia um peso grande ainda na garganta, empurrar ele para baixo como sempre fazia não estava dando jeito, talvez o jeito fosse libertar ele – mas ali? Levou a mão até a boca quando um soluço saiu mais alto do que o esperado.

A preta negou ainda sorrindo, abriu a gaveta ao seu lado direito e retirou de lá um pacote de lenços de papel, os passos dela foram ouvidos e, antes que Antonella olhasse para frente, sentiu um toque em seu ombro, levou os olhos ‘pra cima e aceitou o pacote de lenços que Noêmia lhe estendia.

— Chorar não é lidar, mas serve como um escape temporário. — Foi o que a Bennett ouviu. — Ninguém vai ouvir seu choro, então chore. — A mão da psicóloga ainda repousava no ombro da menina e com um leve movimento Noêmia fez carinho ali, logo depois apertou o local e retirou a mão. Tone não viu exatamente quando a preta voltou para sua cadeira, mas ouviu a voz dela soar limpa em sua cabeça. — Enterrar nossos sentimentos como se assim eles fossem sumir acaba nos sufocando, é preciso lidar com eles de maneira saiba, afinal, antes de procurar respostas, você tem que saber as questões e, ‘pra isso, é preciso conhecer o sentimento e deixar ele tomar o espaço necessário. — Noêmia sorriu de lado quando viu que o choro de Antonella havia cessado. — Assim fica mais fácil de se libertar e de tirar o ‘demônio’ das suas costas.

A Bennett encarou-a bem, os olhos ainda lacrimejavam e o rosto estava vermelho. Num movimento lento ela assentiu, havia entendido algo, e mesmo que pensar nas dores passadas lhe afligisse, ela compreendeu que fugir também não traria bons resultados.

A sessão continuou muito bem, Antonella não chorou mais e saiu daquela sala com uma certeza: tiraria aquele ‘demônio’ das costas, assim dançaria mais leve e feliz.


Notas Finais


Link do MV oficial da música - https://www.youtube.com/watch?v=WbN0nX61rIs
(a música é linda, confiram!)


A
U

Pois é gente... pois é...
Cada vez mais perto do nosso fim, e bem, talvez ainda tenham três capítulos, mas sem promessas.
Eu espero que tenham gostado e não parem de ler a fic, o fim vai ser lindo, eu vou me esforçar pra ser!
<3

Então, me digam, acham que Tone perdoa Jimin e Kookie?
Acham que Tone vai conseguir tira esse demônio de suas costas?
E nosso Tae? Onde será que ele fica nessa história?

Vejam logo mais no Globo Repórter (by: Julia)

Até mais! Beijos <3 amo vcs!


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