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História Um Amor Proibido - Gumlee - Capítulo 80


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Notas do Autor


[...] O poder do perdão transcende o ódio e a raiva. Perdoar é amar. [...]

Capítulo 80 - Reencontros e Despedidas


Fanfic / Fanfiction Um Amor Proibido - Gumlee - Capítulo 80 - Reencontros e Despedidas

POV Flame

Assim que descemos as escadas, Bete nos ofereceu uma mesa farta com bolos e pães. Ainda não tinha sinal da minha mãe. Jason com certeza sairia de casa se não fosse pelos olhinhos de pena que Bete fez na sala de estar quando ouviu que ele iria dar um “pulinho” no CandyPop. Mesmo assim, ele foi o mais rápido que pôde. Pouco tempo depois, entramos no meu carro. Ele não tirava da cabeça, de jeito algum, aquela ideia idiota de ir atrás do Nick. Como eu não fazia ideia de onde o castanho morava, fui guiando o carro de acordo com as referências do moreno ao meu lado. No caminho, descobri que a moto dele estava presa no departamento de polícia até segunda ordem. Dava para ver nos olhos dele o ódio que ele sentia por terem tirado, talvez, a coisa que ele mais ama no mundo.

— Tem certeza que é aqui? Você não disse que ele mora num apartamento? – As referências dele nos levaram até uma rua fechada cheia de boates que em algum momento eu já tinha passado a noite enchendo a cara.

— Ele não trabalha hoje. E antes de me perguntar “como você sabe disso?”, eu descobri isso enquanto estava lá dentro na delegacia.

— E o que isso tem a ver com o fato de a gente ter vindo pra cá?

— Você sabe onde estamos?

— E-Eu acho que sim. Eu já vim aqui e frequentei algumas dessas boates.

— Todas elas?

— E como eu vou saber? Sei lá. Talvez, eu não sei. Responde logo a minha pergunta. O que viemos fazer aqui, Jason?

— Acho que vai ser divertido. Vem comigo. – O moreno saiu do carro e fechou a porta com um cuidado que eu nunca tive.

— Divertido?? Você só pode tá de brincadeira comigo. – Travei o carro e segui ele.

Andamos pouco até chegar num beco estreito. Era sério que ele tinha me levado justo para um beco?

— Na última vez que você esteve em um desses, você foi parar na cadeia. – Pus minhas mãos nos bolsos enquanto olhava para todos os lados tentando gravar cada detalhe sabe-se lá por quê.

— O que você quer? Quer que eu fique com trauma e não entre em mais nenhum beco na vida? Não sou tão trouxa assim. – Finalmente chegamos numa porta cheia de pedrinhas coloridas penduradas em fios que formavam uma cortina na entrada.

Passamos por um corredor breve e escuro. Até o momento, só tinha visto caras entrando ou saindo por aquela cortina. Alguns com roupas de couro e eu não entendia o porquê de eles usarem roupas assim num dia de sol ensolarado com seus quase 40°C. Assim que passamos por uma outra entrada mais larga, que dava para um imenso salão, entendi onde estávamos.

— Isso é...

— Uma boate gay? É a sua primeira vez aqui, então, seja bem-vindo. – Jason não tirava um sorrisinho bobo do rosto.

— Uau. Esses caras não sentem calor usando essas roupas não? – Acompanhei com o olhar um loiro gato que passou no meio da gente.

— Continua olhando e você vai descobrir.

— Eu não... – Parei de falar quando percebi que apesar do colete de couro, o loiro não tinha nada cobrindo a bunda. — Agora eu entendi.

— Viu. Aqui é um paraíso. – Jason estava amando rir da minha cara, mas nunca parava de olhar para todas as direções.

— Droga, aquele cara é um gogoboy? Sempre quis colocar um dólar num gogoboy. Quando eu era só hétero, os rapazes e eu já chamamos uma garota, que fazia mais ou menos esse trabalho, em casa, mas eu sempre senti que só peitos não eram o bastante. Esses caras são perfeitos. – Mordi meu lábio inferior.

— Ei! Eu ainda tô aqui, sabia? – Jason me deu um tapa forte na cabeça.

— Ai! Doeu, caralho!

— Que bom que doeu. Agora anda que a gente veio procurar o... – Jason paralisou e ficou olhando fixo na direção de um cara sentado de costas no bar.

Ele não ficou congelado, é claro. Começou a andar firme e rápido. Jason chegou bem perto do cara que usava um moletom verde e um cap de policial. Como a luz era péssima, não dava para ter certeza da cor do cabelo dele. Num piscar de olhos, vi que o estrago já estava feito. Jason segurou o cara misterioso pela gola e deu-lhe um soco. Alguns copos de cerveja que estavam no balcão caíram espalhando estilhaços de vidro pelo chão e pelos banquinhos. Todo mundo que dançava ou bebia no salão parou para ver aqueles dois se matando. Assim que os apartei, descobri quem era o “cara misterioso”. Para a minha pouca surpresa, era o Nick.

— Seu desgraçado! – Jason estava com o lábio cortado devido ao soco que o castanho devolveu.

— O que deu em você, caralho?! Ah, então o ruivo também veio. Vê se controla o seu namorado!

— Você é um cuzão! – Jason era forte, então eu colocava muita força para tentar segurá-lo.

Houve uma movimentação no salão e um monte de conversas paralelas. Logo, dois caras altos, musculosos e com as mesmas vestes de couro, seguraram Jason e Nick cada um e os arrastaram para fora. É claro que os dois não saíram numa boa. Resmungaram durante todo o caminho até o beco.

— Fora! E não voltem até resolver seja lá o que vocês têm. – Um dos dois caras nos olhou de um jeito que me deu arrepios.

— Aposto que os três se pegaram e um deles se arrependeu. – O outro cara disse enquanto entraram novamente para a boate.

— Ah deixa eu adivinhar. O grandão tá certo, é isso? Depois que a gente fodeu, você se arrependeu, Jason? Vê se cresce, porra! – Nick tirou o cap e apertou-o firme nas mãos.

Não sabia o que fazer no meio dos dois. Nós três respirávamos como se tivéssemos voltado de uma maratona.

— Você é muito sonso. E você, Flame, não acredito que me impediu de acabar com a cara desse safado. Esse desgraçado fez o que fez e você fica do lado dele?

— Eu não tô do lado de ninguém. Se eu não apartasse, vocês iam chamar mais atenção do que precisamos agora. Atenção da polícia. Atenção que você não pode receber. Tá querendo voltar pra cadeia, Jason?

— Vocês dois são loucos. Eu quero distância de vocês. – Nick ameaçou ir embora.

— Não ouse! Como pôde, Nick? Você tá aí com esse sorrisinho idiota no rosto. Você sabia que eu tava preso e não deu as caras o dia inteiro naquela delegacia por um motivo! Você é um covarde!

O castanho desistiu de ir embora e olhou de volta com uma expressão que me deixou com dúvidas. Não sabia se ele estava se sentindo arrependido ou culpado. O que eu podia ter de certeza era que algo no que Jason disse mexeu com ele. Desisti de ficar no meio dos dois. Passei a mão na cabeça preocupado. Eu não sabia ainda o que dizer.

— Eu não sei do que você tá falando. – Nick olhava para o chão enquanto falava.

— Não adianta mais esconder, porra! A gente já sabe que você trabalha pra dois adolescentes de merda! Eu e o Flame já sabemos que você se aproveitou da gente e tirou fotos nossas enquanto a gente dormia! – O moreno transparecia tanta raiva que uma veia na sua testa saltava a ponto de romper.

— E-Eu não... – Finalmente os olhos do castanho começaram a brilhar. — Não sei nada sobre isso de adolescentes. Eu só... – Lágrimas escorreram do rosto dele.

— Cala a boca! Eu só quero perguntar uma coisa, Nick. – Uma pausa longa tomou o beco. — Por quê?

— E-Eu não sabia que...

— Por quê? – Jason era cirúrgico nessa tecla.

— Você foi preso por minha causa e...

— Por quê? – O moreno não cansava.

— Aquele cara disse que era seu amigo e...

— Por quê?!

— Eu não sei! Eu não sei, tá legal! Eu não sei! – Nick socou a parede e encostou a testa no concreto por uns segundos.

— Você disse que um cara falou que era meu amigo? – Demorei, mas soube o que dizer, finalmente.

— Eu não... Ele... Eu não quis fazer nada disso. Eu não tenho nenhum motivo pra ter ferrado com vocês. E quando eu cheguei na delegacia e descobri que você estava preso e eu vi todas aquelas fotos. As fotos que eu tirei, eu não...

— Responda à pergunta do Flame. – Jason parecia mais calmo.

Era nítido que apesar do ódio e da decepção, Jason ainda tinha algum apreço pelo castanho. Ele não aguentava vê-lo chorando na frente dele.

— Um cara alto e magro, cabelo preto e liso veio até mim dizendo que era amigo de todos vocês. Ele veio com uma conversa estranha dizendo que estaria com vocês, mas que não podia ir porque tinha uma viagem importante. O filho da puta contou que precisava de algumas fotos de vocês. Eu neguei, é claro. Era loucura. Mas aí...

— Mas aí o quê? – Jason me fitou e alternou o olhar de volta para ele.

— Vocês podem nunca me perdoar, eu vou entender.

— Conta o resto, Nick. – Insisti.

— Ele me ofereceu uma grana. Uma bela grana. E eu aceitei. – Nick começou a balançar a cabeça positivamente. — Todo mundo acha que policiais ganham uma nota preta, mas não é verdade. A sorte grande não atinge a todos. Eu sou só um grão de areia na hierarquia do departamento. Eu tenho dívidas, eu tenho contas, como qualquer um. Eu precisava do dinheiro. E depois o que podia acontecer de ruim? Era só um cara querendo pregar uma peça nos amigos. Eu nunca quis meter vocês em encrenca.

— Por dinheiro, Nick? É sério que tudo isso foi por dinheiro? – Jason caminhou uns três passos de costas e esfregou as mãos no rosto com raiva.

— Podem me julgar à vontade. Vocês têm todo o direito. Como eu disse, eu não quero o perdão de vocês. Eu que tenho que pedir desculpas. Desculpa. Desculpa, Jason. Desculpa, Flame.

— Por dinheiro... É inacreditável. – Jason sorriu irônico.

— Jason, já chega. Ele não teve a intenção.

— Como não teve a intenção?

— Você tá de cabeça quente e se recusa a entender. Ele é só mais uma vítima daqueles dois desgraçados. Ele foi uma vítima do “J”, como nós.

— Ele não foi preso ou teve o passado revivido em público num telão!

— Já chega. Vamos embora, Jason. – Pus a mão no peito dele e pude sentir como o seu coração batia acelerado.

— Vamos. Droga, Nick. – Ambos suspiramos.

— Antes de vocês irem, talvez seja pedir demais, só que eu sei que não vou ficar bem se eu não perguntar. Vocês entenderam que eu não fiz nada disso com a intenção de magoar? Eu não fiz. – O rosto dele continuava marcado por rastros de lágrimas.

— É claro que não fez. É só que... Eu preciso de um tempo pra isso tudo. Ainda é demais pra mim. – Jason fitou o castanho nos olhos por um longo tempo.

Eu apenas assenti com a cabeça na intenção de deixar claro que eu tinha entendido. Dei passos rápidos e acompanhei meu namorado. Ele ainda estava tenso, então passei as mãos pelas suas costas e massageei firme seu pescoço. Não sabia para onde ir. E quando isso acontece, apenas um lugar é o local certo para ir. Decidi que precisávamos dar uma passadinha no CandyPop.

Minha pouca proximidade com o castanho talvez tenha sido a causa de eu tê-lo perdoado tão rápido. No entanto, algo no fundo me dizia que Jason só precisava de um tempo distante. Ele tinha praticamente o perdoado também. O “tempo” destila o ódio, mas também pode ser capaz de curar.

***

POV Marshall

O funeral aconteceu como qualquer outro. A família do Gumball era maior do que eu pensava. Os familiares ocupavam as duas fileiras da frente de bancas de ambos os lados. Cada um subia até o altar, ficava em frente ao púlpito e discursava sobre como lembrava da falecida Ashley Candy. Gumball e eu estávamos sentados lado a lado na banca mais próxima do altar. Apesar da morbidez da ocasião, meu Chiclete estava lindo de terno. Era a primeira vez que o via daquele jeito. Cada testemunho parecia se perder no caminho até os meus ouvidos. Eu estava distante. Distraído.

— Você tem certeza que tá tudo bem? – O rosado sussurrou no meu ouvido.

Despertei com a sua voz e olhei surpreso para o lado. Pensei em mil respostas que eu podia dar para aquela pergunta. Eu podia contar que tinha saído do armário para a minha mãe e que não ter recebido nenhuma palavra como resposta estava me matando, mas, não parecia certo. Aquele dia era importante demais para o Gumball, não podia ficar dividindo os meus problemas. Esbocei meu melhor sorriso e segurei a mão dele como resposta.

— Tá tudo bem.

— Então tá. – Senti que ele não colocou muita fé no meu sorriso.

O que eu podia fazer? Ele me conhecia. Não dava para esconder mais nada para o Gumball. Mesmo assim, ele fingiu bem e continuou prestando atenção na cerimônia.

— Gumball, você pode vir até aqui e proferir algumas palavras? – A voz do padre ecoou pela igreja.

Era a vez dele de dizer tudo o que lembrava da mãe. Apertei suas mãos com força e apoiei-o com a minha melhor feição de conforto para a ocasião. Ele estava bem. Não tinha chorado até o momento e sorria singelo. Agora minha audição parecia recuperar os sentidos perdidos no caminho do som. Meu foco inteiro era ele. Meu rosado era o meu mundo. Ele estava belo em frente àquele pedaço de madeira. Sua voz era a coisa mais linda que eu ia ouvir sem a menor dúvida durante aquele dia inteiro.

— Eu tô com você. – Disse cada palavra apenas com o movimento dos meus lábios.

— Eu tô com você. – Repeti bem baixinho.

Apenas eu pude ouvir. E era mais do que o suficiente.


Notas Finais


Estou com o coração na mão depois desse capítulo. Tudo tem se encaminhado para o fim, então, por isso, decidi que o momento de fechar cada ponta soltou já chegou. Essa ponta solta com Nick era muito importante e espero que tenham entendido meus motivos de ter feito o que fiz. Beijos!


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