História Um amor tatuado(r) - Capítulo 10


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
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Palavras 2.757
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 10 - Nove


Bianca

Hoje é o último dia da Sophia, já estou sentindo a sua falta, se fosse outra não teria me dado essa chance de trabalhar no estúdio, e provavelmente com esse mercado de trabalho estaria desempregada. 

Andando pela rua constato que conheço poucas pessoas da localidade onde moro, mas é o normal da vida moderna, pouco convivemos com nossos vizinhos, acabamos esquecendo que devemos nos relacionar com pessoas fora do trabalho e familiares. 

Antes de ir para o estúdio, compro dois mistos e café, na padaria do seu Joaquim. 

— Bom dia, Sophia! 

— Bom dia, Bia! 

— Como está se sentindo hoje? 

— Estou bem, mas já estou sentindo um pouco de saudades disso tudo. — Sophia faz um gesto com as mãos para o estúdio. — E do chato do Rapha, que vamos acabar nos vendo menos, e de você que em tão pouco tempo virou uma grande amiga. 

— Também vou sentir a sua falta, comprei para você! — Entrego os sanduíches e o café. 

— Obrigada, estava mesmo com fome! Se continuar comendo assim antes dessa gravidez terminar estarei pesando uns cem quilos. 

— Ou mais! 

Rimos, continuamos conversando até Raphael chegar, depois de ontem a tarde ele só tratou de assuntos estritamente profissional comigo, até pensei em me desculpar mais ele tinha colocado uma barreira tão intransponível entre a gente, que preferir deixar o assunto para lá. Raphael nos cumprimenta, chama a Sophia que volta minutos depois muito satisfeita com algo que o Raphael lhe disse. 

— Rapha disse que escolhi muito bem minha substituta, minha última missão é fazer o contrato de um ano, com a carteira assinada. 

— SÉRIO! 

— Seríssimo, se você quiser reincidir o contrato tem que ter no mínimo três meses depois de assinado. 

— Certo, mais só saiu daqui se o Raphael me expulsar. 

— Você vai querer expulsar ele primeiro, ele e esse humor maluco, é difícil de suportar. 

— Quando estiver muito irritada com ele te ligo, você me ajuda a driblar o humor dele, e manter a minha sanidade. 

— Combinado, o que vai fazer hoje a noite? 

— Jantar com Bernardo e assistir uns filmes, porque? 

— Queria te convidar para jantar lá em casa, vai um pessoal lá hoje, comemorar o estúdio do Enzo, mas tudo bem, se divirta com o bonitão, agora não esquece de amanhã, a inauguração vai ser na terça-feira, se de passa lá na hora do almoço. 

— Amanhã está garantido, na terça vou ter que olhar os horários das sessões do Raphael, para vê se mesmo que me atrase um pouco chego a tempo da primeira sessão depois do almoço. 

— Tudo bem, mais não quero perder o contato com você. 

— Não vamos, iremos nos encontrar nos finais de semana, feriados, vou te apresentar minha mãe e meu pai se você quiser. 

— Quero sim, admiro esse seu jeito familiar, que nos dias de hoje são raros, minha mãe vai te adorar, a primeira amiga que tenho certeza que ela vai gostar. 

— Obrigada pelo elogio, assim fico até envergonhada, espero mesmo que ela goste de mim. 

— Ela vai, pode confiar no que estou dizendo. 

O dia passa voando, não sei se é porque não queria que ele acabasse tão cedo, hoje a Sophia estava inspirada, mostrando vídeos engraçados da internet, lendo textos profundos de sabedoria de alguns escritores que gosta, gostei da maioria deles, ela é muito inteligente e desconfio que é mais nerd que eu, Sophia surpreende quem a julga pela á aparência rebelde, uma pessoa de um coração lindo, que está disposta a ajudar independente de quem é... hoje quando saímos para almoçar Sophia viu um menino na rua que nem tinha me dado conta, o chamou e perguntou se ele já tinha comido, ele respondeu que não, pediu que ele nos acompanhasse e lhe disse para pedir o que quisesse, no começo ele ficou desconfiado, mas a fome falou mais alto e ele acabou nos acompanhando, para um menino de rua ele até estava bem limpo, sabia comer direitinho, me apertou o coração sabe que aquele menino provavelmente vai virar um homem e continuar morando nas ruas, esse gesto de Sophia só confirmou o que já sabia em relação ao seu caráter. 

Estou indo comprar as pizzas, observo mais uma vez às pessoas vivendo as suas vidas sem pensar nas pessoas ao seu redor, lembro da conversar que tive com a Sophia quando chegamos no estúdio 

— Sophia achei tão bonito o que fez pelo Bruno (com apenas nove anos, passando por tanto sofrimento, seus olhos cor de avelã que mostram todo o sofrimento vivido nas ruas, de estatura mediana para sua idade me faz pensar que é pela falta de alimentação que é tão franzino), e dava para ver que o fez por que se importava com ele, e não pra chamar a atenção de terceiros. Foi um belo gesto! 

— Assim vou ficar envergonhada! 

— Não fique! Essa não é a minha intenção. 

— Sempre fiz isso, com adultos ou crianças, mas com crianças já que elas não deveriam passar por esse tipo de situação, frio, fome, abandono... e outras coisas que nem quero pensar. Sempre imaginei que não é fácil morar na rua, os perigos que eles devem passar, agora que vou ser mãe ou melhor que sou mãe, não paro de pensar que poderia ser o meu filho, aquele menino, vai que acontece algo comigo... que morra, Enzo arrume uma louca que maltrate o menino e que a única saída que ele ache seja fugir, ficar sozinho no mundo. Me corta a alma! — Uma lágrima rola pelo rosto dela. — Sei que o Enzo é e sempre foi um homem responsável, isso me tranquiliza e Rapha tem muitos defeitos, mas nunca deixaria um filho meu sozinho no mundo, ele morreria procurando, nunca descansaria até encontra-lo. Mesmo assim doe imaginar. Gostaria de pode fazer mais, mas não posso. 

— Entendo a sua angústia, sinto o mesmo em relação às muitas pessoas que estão passando fome, frio, presas em lugares que nem dá para descrever, a quantidade de pessoas que morre por fome nos dias de hoje é absurda e mais absurdo são os caminhões de comida que vão para os lixos, que poderiam salvar muitas ou até todas essas pessoas. 

— Verdade... — Sophia fica analisando o que acabei de falar, o seu rosto sempre iluminado mostra a tristeza que está sentindo, por todas as pessoas que estão sofrendo nesse planeta. — Vamos mudar de assunto, vou acabar chorando feito uma louca e colocar a culpa nos hormônios. 

— Vamos! Conta dos preparativos do casamento? 

E assim, o sorriso nos lábios da Sophia voltam e aos pouco a felicidade chega aos olhos.
Voltando no momento presente entro na Pizzaria para pegar as três pizzas extra grandes, uma de calabresa com queijo extra a outra com camarão e atum e por última a preferida do Bernardo quatro queijos com frango desfiado. 

Não quero, mas estou pensando no Raphael e no que irá fazer hoje, se vai sair com a outra lá (que despeitada estou sendo, a moça não fez nada comigo), na semana passada ele estava na boate, provavelmente é aonde estará hoje, nos braços de outra. Fico com o coração apertado em constatar o óbvio, me importo mais do que deveria, ele quis me propor que ficássemos juntos, mas nem pelo que senti quando o vi pela primeira vez e nem depois que ficamos juntos, me prestaria a essa situação de ser mais uma das muitas ou sei lá o que.  

Atravesso a rua em direção ao prédio de moro, que é de uma arquitetura antiga, mesmo não entendendo muito do assunto não deixo de apreciar a sua beleza, tem uma cor que parece vermelho envelhecido, na entrada tem um vitral antigo, sei pelo estilo do desenho de anjos e flores diversas, mas uma em particular chama a atenção, uma Tulipa vermelha e branca, ela é tão bem detalhada que se olhar por muito tempo consigo sentir o seu cheiro, sua pétala aveludada. 

É quando escuto uma buzina, um homem grita;  

— Sai da frente, louca. Está querendo morrer? 

Penso que sou eu na estrada, mas é uma jovem com seus quinze anos ou mais que andava despreocupada com os carros que por sua vez estavam freando para não bater nela. 

Subo para o meu apartamento quase que correndo, tenho que aguardar minha bagunça organizada e tomar um banho. 

Deixo as pizzas na mesa na cozinha e vou tomar meu banho, um banho morno e demorado para relaxar, lavo os cabelos e relaxo por quase meia hora. 

Indo pro quarto lembro novamente do Raphael e de quando o vi pela primeira vez, a campanhia toca e já imagino ser o Bernardo, mas não é, olho no olho mágico e vejo um Raphael muito arrumado e seu perfume tomou conta do meu olfato, abro a porta. 

— Oi Raphael! Você por aqui! 

Tento parecer casual, sei que ele sabe ou imagina que tenho algum compromisso hoje, tanto por ter escutado a ligação como os comentários com a Sophia. 

— Vim te chamar para sair! — Diz com a cara mais inocente que consegue fazer. — Ou não! — Olhando para o meu corpo enrolado na toalha, que tinha esquecido que era a única coisa que estava cobrindo o meu corpo. — Você sempre abre a porta assim? — Diz e não sei se está com raiva ou sendo sarcástico. — Espero que não! 

— Acabei de sair do banho! 

— Percebi! 

— Hum, seu convite vai ter que ficar para outro dia! Vou ter visita hoje, na verdade estava me arrumando. 

— Há é, posso saber quem? 

— Mesmo não sendo da sua conta vou responder, Bernardo! 

— O mauricinho! 

— Olha, ele tem nome e você sabe qual é, não gosto quando você fala assim dele, é falta de respeito com alguém que não te fez nada! 

— Nisso podemos discordar!? 

— E o que ele te fez? 

— Em primeiro lugar, vai passar a noite com você, em segundo, só não gosto dele. 

— Isso não é desculpa, se me lembro bem você já sabia do meu compromisso com ele, ouviu quando estava no telefone e foi embora. 

— Não vou negar, mas pensei que você iria preferir a mim a ele! 

— Não é questão de preferir e sim de comprometimento Raphael, somos amigos a muitos anos, não nos víamos a alguns meses, e vamos matar a saudade. Na real, nem sei porque estou te explicando tudo isso!  TCHAU! Preciso me vestir! 

— Eu espero! 

— Espera o que? 

— Você se vestir! 

— Lógico que não, Bernardo já vai chegar e seria muito estranho você aqui! 

— Porque? 

— Porque você é meu chefe e esse é um jantar de amigos. — Faço aspas com as mãos e a toalha quase caiu, ainda bem que tenho um bom reflexo. — Então, até amanhã, beijos! Tenha uma ótima noite! 

— Terei! — Pelo seu tom de voz, sei que está furioso. 

Fico furiosa com a sua afirmação, ele não precisa jogar na minha cara que vai ter uma ótima noitada sem a minha presença. 

— Olha Raphael, preciso mesmo ir! Não quero ser indelicada. 

Raphael se aproxima, fica a centímetros da minha boca, ficamos assim por alguns segundo, posso sentir o seu cheiro, seu gosto na minha boca, seu toque no meu corpo, estou toda arrepiada só com a sua aproximação, ele não precisa fazer nada que já fico assim, o desejando, quando penso que vai me beijar, sussura no meu ouvido: 

— Se divirta Bianca! 

Da um beijo no meu rosto e vai embora, fico o observando ir, Bernardo deve chegar a qualquer momento, preciso me vestir e com esse pensamento o vejo cruzar com o Raphael que o cumprimenta como velhos conhecidos, que não sei se isso foi um bom sinal ou que ele não liga mesmo pro fato de outro homem estar comigo. 

— Boa noite, Branca! 

— Boa noite, Bê! Entra. — Dou um abraço no meu amigo, que está lindo como sempre. — Vou por uma roupa, já volto! 

— Se for por mim pode continuar assim! 

— Muito engraçado, você né! — Dou língua para ele que sorrir. — Palhaço! 

— Muito adulto de sua parte! 

— As pizzas estão na cozinha, coloca no micro-ondas para esquentar. 

— Vou por, mas ainda quero saber porque não deixou que trouxesse as pizzas! 

— Nada demais, já tinha encomendado e outra está bem pertinho de casa, não custava nada... agora deixa de dengo, que preciso me vestir.  

— Vai, vou organizar tudo para jantarmos! 

Entrando no meu quarto, penso no que acabou de acontecer comigo, Raphael mexe mais do que deveria, mas não tenho controle dos meus sentimento quando o assunto é ele. 

Visto a roupa que já tinha separado, lingerie preta com renda vermelha, short branco de algodão e camiseta regata vermelha, depois de pentear o cabelo que irei deixar solto. 

— Bê, desculpa a demora! 

— Tudo bem, Branca! Agora conta o que está rolando entre você e o tatuado. 

— Não tem muito o que contar, ele é meu chefe e só. 

— Pensa que está enganando quem? 

— Tá bem! Nós ficamos e brigamos. Agora não sei em que pé estamos, e depois que ficamos ele ficou com outra. 

— Isso é intenso, complicado, mas dramático do que imaginei. 

— É... não quero pensar nisso, preciso colocar minha cabeça no lugar, mas perto dele não consigo raciocinar direito. 

— Sei bem como é! — Diz e sei que ele está pensando na sua ex. — Também não quero pensar em pessoas que nos faz perder o raciocínio ou qualquer outra coisa. Hoje vamos nos divertir e rir das minhas piadas. 

— Suas piadas são horríveis. 

— Seja boazinha com o seu amigo! 

— Ainda bem que meu amigo voltou! O galanteador foi passear? — Olhando para ele com a sobrancelha arqueada. — Ou está aqui ainda? 

— Com certeza está aqui em lugar descansando, mas vai ficar quieto por hoje. Sabe que perto de você preciso deixá-lo fora de ação. 

— Sei... — O abraço forte, estava com mais saudade dele do que imaginava, nossas conversas despreocupas, nossa interação suave como nunca tive com outro homem, Bê é uma das poucas pessoas que sei que daria a vida por mim. — Como senti a sua falta! Menino maluquinho! 

— Também senti a sua! 

Ficamos abraçados por um longo período, como se isso estivesse fazendo com que os meses separados deixasse de existir. 

O celular toca, avisando que recebi uma mensagem, dou um beijo no rosto do Bê que retribui, é da Sophia dizendo que está muito animado lá, que se quiser posso aparecer mais tarde já que a festa vai até tarde, diz que me divirta com Bernardo, respondo e volto para comermos, estou faminta e ele também deve estar. 

— Vamos Comer? — Digo. 

— Vamos! Estou morto de fome. — A barriga dele ronca confirmando. Damos gargalhada e começamos a comer. — O que vamos assistir Branquinha? 

— A mula sem cabeça e Capitão pirata! 

— Você só pode estar de brincadeira! 

— Estou é. — Faço cara de inocente. — Estou!
Baixei vários filmes, tem de tudo é só escolher um, mas tem um que sei que você irá adorar. 

— Então começaremos com esse! 

Continuamos comendo, conversando e rindo muito, com ele tudo fica fácil. Vamos para sala assistir filmes e comer pipoca que o Bê fez, mestre pipoqueiro. Abro o sofá cama para nós deitar e assistir o filme, não sei em qual momento ao certo dormi encostada no braço do Bê. 

Acordo com o barulho da porta sendo trancada ou destrancada, olho em sua direção e não vejo nada, estava sonhando, me mexendo saindo do braço do Bê o acordo sem querer. 

— Já é tarde! 

— É, mas pode ficar onde está, não vai para casa a essa hora. 

— Certo. Você vai para onde? 

— Vou pegar um pouco de água e ir para minha cama. Quer alguma coisa? 

— Não. Obrigada! 

— Volte a dormir! 

— Boa noite! 

— Boa noite! 

Vou pegar a água, mas a sensação da porta sendo fechada ou aberta não sai da cabeça, antes de ir para o meu quarto confiro e está trancada como deixei, vou dormir que amanhã tenho trabalho, e vou acordar mais cedo já que Bê está aqui e tem que ir para casa de arrumar para o trabalho.




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