História Um amor tatuado(r) - Capítulo 12


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
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Palavras 2.025
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 12 - Onze


Raphael

Bianca está entrando na igreja, como está linda, não consigo ver bem todos os detalhes do seu rosto por causa do véu, usa um vestido em renda com mangas 7/8, colado no busto e cintura, saia ampla em tule. Caminha em minha direção, ainda não acredito que ela aceitou o meu pedido de casamento. Quando Bia chega ao altar, retiro o véu que esconde o seu lindo rosto, e quem me olha é Júlia, não Bia.

Acordo. Que droga de sonho foi esse?

São cinco e vinte e três da manhã, sei que não vou mais dormir, decido correr, faz alguns dias que relaxei, vestindo a roupa de corrida, faço os exercícios de aquecimento aqui mesmo na sala, chegando na rua começo devagar e vou aumentando o ritmo, percorri cinco quilômetros e me dou por satisfeito.

Voltando para o apartamento, paro em uma barraquinha que vende água e coco gelado, compro um coco e observo os casais correndo, é uma coisa tão simples e rotineira que talvez eles nem percebam o quanto é importante ter alguém para compartilhar esses pequenos momentos, Bia vem na cabeça, como quero compartilhar momentos pequenos e grandiosos ao seu lado.

Mas será que ela também quer?

Chegando no estúdio, ouço a risada da Bia, é um som que me faz ficar feliz, só por saber que ela está bem, Sophia também da risada, é bom ver minha Irmãzinha feliz depois de todas as decepções que ela já passou.

— Bom dia! Meninas.

— Bom dia! — Diz as duas, e voltam a sorrir.

— Se não for incômodo, posso roubar a Sophia por alguns instantes.

— Lógico, só não demora!

É bom ver a Bianca descontraída novamente comigo.

— Sim, senhora!

Sophia me acompanha ao escritório, deixo ela passar e fecho a porta.

— Vocês estão bem próximas né!

— Estamos, ela é muito engraçada, a conversa flui, e não é nada pedante por ter um diploma, essas coisas que você já sabe. 

— Ela sabe que você está sabendo de nós?

— Não. Esperei ela contar, mas ela é reservada, talvez nunca conte, até vocês ficarem juntos.

— Bia é especial!

— É, já sabe como vai resolver essa situação?

— Não, mas vou resolver. E a primeira parte é com você.

— Comigo?

— Sim, você está responsável de fazer o contrato dela e contar que vou assinar a carteira de trabalho com todos os pré-requisitos.

— Está querendo segurar ela por no mínimo um ano, esperto, mas isso não garante que ela ficará com você.

— Eu sei, mas vou ter um ano para tentar fazer com que ela queira fazer parte da minha vida!

— Ela despertou seu lado romântico!

— Nem vem, só despertou uma vontade de algo mais, ainda não descobrir o que significa.

— Se você não quer assumir que está caidinho, não sou eu que vou apontar o dedo, é meio óbvio.

— Não é não!

— Há é sim. Enzo me perguntou ontem sobre vocês?

— Mentira, você está zoando.

— Não estou, Lucas ficou interessado na Bia e queria saber se vocês tinham algum rolo, Enzo disse que não estava sabendo de nada, mas que era melhor não mexer com ela, já que Bia não aparenta ser de curtição.

— Eu vi Lucas babando, não parou de olhar pra ela.

— Igual a você.

— Verdade, mas já sabia que não era só atração, mesmo não querendo admitir.

— Eu sei irmãozinho, só queria avisar que tem mais um na jogada.

— Nem me fale, já basta o outro.

— Já lhe disse que Bernardo não é perigo, ela só o tem como amigo.

— Tá.

— Não precisa ficar emburrado, agora que sei, está muito mais do que óbvio que ela também sente algo por você.

— Veremos.

Sophia sai, a primeira e única cliente da manhã chega, a tatuagem dela é extensa nas costas, faço todo contorno, e depois começo a colorir e dar vida ao desenho que é uma bosque com arvores, rosas e flores variadas, no ombro esquerdo está uma linda fenix com as assas em amarelo, laranja e vermelho, sobrevoando o bosque. A fênix está terminada e uma tulipa roxa, a finalização vai demorar mais umas três sessões, mas o resultado será muito bonito.

Sophia me avisa que vai almoçar fora com Bianca, quando entrega o meu almoço que Bia escolheu, um bife de cupim bem passado com molho madeira, salada, feijão tropeiro, arroz, purê de macaxeira e suco de graviola, depois de almoçar, fecho o estúdio e vou comprar um presente para Sophia, entrando na joalheria vejo alguns colares e pulseiras, nada me agrada, a atendente diz:

— Posso lhe ajudar senhor?

— Pode.

—Tem algo em mente?

— Nada específico, gostaria de algo significativo para minha irmã que está esperando o primeiro filho.

— Temos gargantilhas lindas ou pulseiras, vou pegar os estojos, só um minuto.

Contínuo olhando a prateleira e vejo uma gargantilha de ouro com um pingente de rosa vermelha, vou leva-lo.

— Voltei, senhor!

— Gostei desse.

— É uma linda gargantilha. Quer olhar essas do estojo?

— Não, obrigada! 

— Embrulho com papel de presente ou quer uma caixa?

— Quero uma caixa.

— Temos varias, de veludo em tons vermelho, azul, marrom e preto; temos uma outra opção em madeira revestida, mas essa só está disponível na cor branca.

— Quero a branca.

— O pagamento será a vista ou no cartão?

— Cartão.

Voltando para o estúdio, só queria poder abraçar Bia, um gesto tão pequeno e íntimo que estou sendo privado por causa dos meus erros.

A tarde passa vagarosamente, e ainda não tenho ideia do que fazer para Bia me perdoar, sei que a magoei, não só pelo fato de ter dormido com a Júlia, mas como a tratei depois, mesmo estando com raiva não tinha esse direito, da forma que posso ficar com outra pessoa ela também pode, só o pensamento de outro homem tocando o seu corpo, nem quero pensar.

Não queria sair, mas já dei uma mancada com a Sophia essa semana, não vou dar outra, se não aparecer ela ficará chateada, porque Enzo vai pensar que ainda estou com raiva dela ir trabalhar com ele, antes estava, agora agradeço, não imagino outra maneira que conheceria Bianca.

Antes de ir para casa deles, vou na Bia, só para ve-la, sentir o seu cheiro, e chama-la para ir comigo, mesmo já sabendo da sua resposta. Tocando a campanhia, não imagino como Bianca irá ficar com a minha intromissão no seu jantar, mas quando abre a porta não estava preparado, precisei de todas as forças pra não beija-la.

— Oi Raphael! Você por aqui! 

Bia está só de toalha, cabelo molhado, os pingos que cai pelo seu corpo lhe causando arrepios, como a quero na minha vida, sou direto e digo:

— Vim te chamar para sair! Ou não! — Olhando seu corpo enrolado na toalha,minha única vontade é retira-lá e possuir seu corpo, fazendo com que ela esqueça que está magoada, convence-la a tentar um relacionamento comigo. — Você sempre abre a porta assim? Espero que não! — E espero que não mesmo.

— Acabei de sair do banho! 

— Percebi! 

— Hum, seu convite vai ter que ficar para outro dia! Vou ter visita hoje, na verdade estava me arrumando.


Não sei se é uma boa resposta ou não, já que sua recusa é por ter um compromisso já marcado.

— Há é, posso saber quem? 

— Mesmo não sendo da sua conta vou responder, Bernardo! 

— O mauricinho! 

— Olha, ele tem nome e você sabe qual é, não gosto quando você fala assim dele, é falta de respeito com alguém que não te fez nada! 

— Nisso podemos discordar!? 

— E o que ele te fez? 

— Em primeiro lugar, vai passar a noite com você, em segundo, só não gosto dele. 

Não gosto dele porque sei que ele tem sentimentos por você, ele é uma escolha melhor, vocês juntos parece o casal perfeito, odeio admitir.

— Isso não é desculpa, se me lembro bem você já sabia do meu compromisso com ele, ouviu quando estava no telefone e foi embora. 

— Não vou negar, mas pensei que você iria preferir a mim a ele! 

— Não é questão de preferir e sim de comprometimento Raphael, somos amigos a muitos anos, não nos víamos a alguns meses, e vamos matar a saudade. Na real, nem sei porque estou te explicando tudo isso!  TCHAU! Preciso me vestir! 

Comprometimento, isso foi uma tapa sem mão, outra, ela quer dizer que não sei o que é comprometimento, mas, sei, e quero ter esse comprometimento com ela.

— Eu espero! 

— Espera o que? 

— Você se vestir! 

— Lógico que não, Bernardo já vai chegar e seria muito estranho você aqui! 

— Porque? 

— Porque você é meu chefe e esse é um jantar de amigos. — Essa doeu, sou o chefe, nada mais, Bia faz aspas quando diz chefe e a toalha quase cai. — Então, até amanhã, beijos! Tenha uma ótima noite! 

— Terei! — Estou furioso. 

— Olha Raphael, preciso mesmo ir! Não quero ser indelicada. 

Me aproximo, fico a centímetros da boca dela, ficamos assim por alguns segundo, sinto seu cheiro, seu corpo se arrepiar com minha proximidade, o desejo que ela está sentindo é evidente, o meu também. Sussurro no seu ouvido: 

— Se divirta Bianca! 

Dou um beijo no seu rosto e vou embora, sinto Bianca me observar ir, antes de sair do seu campo de visão, Bernardo passa por mim, paro e o cumprimento com um aperto de mão, Bia tem que saber que sou civilizado, que respeito o seu espaço.

Chegando no apartamento de Sophia falo com a galera, espero o momento certo e digo que preciso falar com ela, chamando  me para cozinha.

— Aconteceu algo?

— Não, só queria te entregar isso.

  — Abraço e beijo seu rosto três vezes, vi em algum lugar que trás sorte. — Parabens! Caçula. Mamãe. Esposa. Filha. Irmã. Te Amo!

— Te amo, seu bobão!

— O que temos aqui?

— Só abrindo para descobrir.

— Que lindo, Rapha!

— Meio que simboliza, crescimento e mudança, é o que você está vivenciando.

— Obrigada! — Lágrimas rolam pelo seu rosto. — Obrigada, por me apoiar, por brigar comigo quando disse que iria sairia do estúdio, foi importante saber que você me queria por perto, que mesmo quando discordamos você ainda assim, estaria lá para mim.

Sophia me abraça, a abraço com a mão esquerda e faço carinho em seu cabelo com a direita, ela precisa do meu carinho como estou precisando do seu.

— Se fosse outra pessoa, não terminaria bem essa noite!

— Se quer um abraço é só pedir Enzo?

— E eu lá quero abraço de marmanjo, vim buscar umas bebidas.

— Já estamos mesmo saindo. — Sophia enxuga as lágrimas em um papel toalha. — Minha sorte é estar sem maquiagem.

— Você fica linda de qualquer forma! — Diz Enzo.

— Quero só ver, quando estiver toda inchada, redonda feito uma bola.

— Vai ser a bola mais linda do planeta.

— Não estou reconhecendo você!

— Também não. — Enzo sorrir. — Deve ser os hormônios, que está me afetando também.

— Imagina só, nós tendo hormônios extras, isso não vai dar certo.

Saímos rindo da cozinha, Lucas está me olhando e estou evitando ele, porque sei que quer perguntar da Bia e não vou lhe dizer nada, ou melhor, vou dizer que ela tem alguém sim, pra que ele nem chegue perto, mas ele não fala nada.

Bebi um pouco, vou voltar de táxi e amanhã Sophia leva o carro, pegando minhas chaves, vejo as chaves do apartamento de Bia, se ela me deu, posso usar.

Quando abro a porta devagar para não acorda-la, fico sóbrio na mesma hora quando vejo Bianca dormindo nos braços do mauricinho, perco o chão, acreditei que eram só amigos, fecho a porta da mesma forma que abrir, não quero que ela saiba que estive aqui. Chegando em casa, deito no sofá e adormeço.



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