História Um amor tatuado(r) - Capítulo 8


Escrita por:

Postado
Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Visualizações 9
Palavras 2.114
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 8 - Sete


Bianca


Estou ansiosa, aflita se o Raphael estava agindo daquela forma por ter ficado comigo e se arrependeu, mas não vou ficar com paranoia, quando ele chegar resolvo essa situação.

Tomo o meu café, ainda estou de camiseta e calcinha, tomo um banho, decido o que usar, um vestido preto justo, meia arrastão preta e uma bota marrom de cano curto, faço um coque, estou pronta para mais um dia de trabalho.

Entro no estúdio e não encontro Sophia, quem está na mesa da recepção é Raphael, na cadeira da frente mexendo no celular, quando me vê entrando me olha de cima a baixo e não sei se está gostando ou reprovando, pouco me importa, posso me vestir como quiser, mas a verdade é que me importo e se for sincera coloquei essa roupa para chamar a sua atenção.

— Bom dia, Phael!

— Bom dia!

— Cadê a Sophia?

— Ela não vem hoje, melhor não vem agora pela manhã, talvez apareça a tarde ainda não confirmou.

— Porquê?

— Ela teve que resolver um problema pessoal! Você pode tomar conta de tudo sem a ajuda dela?

— Sim. Aprendi a fazer todo o trabalho no primeiro dia. Olha se não estiver gostando dos meus serviços, pode dizer que não vou ficar com raiva. Posso arrumar outro trabalho, não quero que o que aconteceu entra nós interfira na sua avaliação ao meu desempenho profissional, e se sinta forçado a alguma coisa.

— Você quer deixar de trabalhar aqui? O que te fez pensar que quero te despedir?

— Não, é que você estava estranho ontem, foi embora e nem olhou direito para mim, então achei que estava arrependido, que talvez tivesse pensado que fiquei com você pelo trabalho, quero deixar bem claro que não foi isso, mas acho que isso você já sabia.

— Sim.

— Sim?

— Sim, já sabia. Ninguém passa um final de semana como ficamos por causa de trabalho, aquela entrega não foi manipulação, não se finge o que aconteceu entre a gente Bianca.

Quero dizer que o final de semana ao seu lado foi incrível, poderíamos repetir, que quero conhecê-lo melhor, estar ao seu lado é o que desejo, que desejei desde o primeiro momento, mas ele deixou bem claro que foi só um momento de atração, nada mais, então não falo.

— Então estamos resolvidos.

— Sim, estamos.

— Posso fazer uma pergunta?

— Pode!

— Porque você estava daquele jeito ontem?

Ele me olha e ponderar algo, sinto que algo o incomoda, quando finalmente vai falar, fecha a boca, balança a cabeça.

—Não nos conhecemos tão bem para dividir os meus problemas.

Essa doeu! Se ele queria me magoar consegui, até o jeito dele falar mudou. Tenho vontade de dizer que ele foi grosso sem motivo, que só estava querendo ajudar, se não o conheço bem para compartilhar os seus problemas não deveríamos compartilhar a cama.

Mas a culpa é minha. Não deveria ter cedido ao desejo de ficar com um homem que mal conheço, ele não falou nenhuma mentira e é justamente por isso que doe mais, abri uma exceção para ele é para mim, queria deixar as coisas fluírem, olha no que deu, as lágrimas vêm aos olhos, mas não as deixo cair, não na frente dele. Não tenho resposta para lhe dar, só balanço a cabeça, vou para o meu local de trabalho, fingo está fazendo alguma coisa importante no computador, não consigo olhar para Raphael agora.

Ele percebe, porque se levanta e vai para o seu escritório. Recebo algumas ligações, alguns clientes vieram para marca suas sessões, já que queriam tatuagens do catálogo, confesso que não imaginei que tantas pessoas faziam tatuagens e em lugares que nem quero pensar.

Assim minha manhã passa rápida, esqueço os problemas que enfrentarei já que terei que conviver com Raphael todos os dias, aprender a controlar os meus sentimentos por ele, seguir em frente.

Vou almoçar na casa da minha mãe.

— Bênção mãe.

— Bênção filha! Deus que te ilumine. — Me abraça e beija. Amor de mãe é tão bom— Como você está? Essa roupa está linda, mas muito ousada para trabalhar não filha?

Tudo que vivi nos últimos dias passa como um filme, queria tanto contar o que me aconteceu, mas quem procurou o problema que resolva, esse é só meu.

— Estou bem, estava com saudades, cadê o pai?

— Já já chega.

— E a roupa, é apropriada já que o local não é formal, já me olham esquisito, se me vestir com as roupas que usava no Banco nem sei como eles reagiriam.

— E porque eles olha estranho para você?

— Há mãe, porque sou quem sou, eles são da turma descolada, são tatuados, são uma espécie diferente.

— Falando assim, parece que são de outro mundo.

— É exagero meu mãe, conheci pessoas legais que fazem parte da turma descolada, que são super diferentes, nem por isso me senti excluída do grupo por não ser parecida com eles.

— Fico feliz em escutar isso filha, você precisa se divertir, fica muito em casa e acaba esquecendo que tem vida fora dela.

— Há mãe, não é bem assim. Mas se a senhora fica mais feliz sabendo que descobrir vida fora da minha casa, então vou contar que sair na sexta com uma amiga, Sophia, dancei muito, me divertir como a muitos anos não fazia.

— Que bom! Me conta tudo.

Conto tudo, menos às partes que envolve Raphael, sinto um prazer tão grande em compartilhar o que vivi com minha mãe e reviver lembrando de todos os momentos.

— Filha, você por aqui! Sua mãe não me avisou.

— Vim para almoçar e voltar no mesmo pé pai.

— Sentimos sua falta no sábado filha.

— Desculpa pai, não estava com vontade de sair.

Detesto ter que mentir para meus pais.

— Mas você está bem filha?

— Estou pai, estava contando a mãe a correria do novo trabalho, que sair na sexta, acabei preferindo ficar em casa no final de semana.

— Seu cabelo está diferente!

— Gostou?

— Sim, está bonito, você está diferente também filha, está namorando?

Meu pai sempre foi melhor em detectar os meus relacionamentos do que mãe, mas nem tenho o que contar, essa é a verdade.

— Não estou pai, só resolvi mudar o visual, estava com a mesmo a muito tempo, fiquei enjoada de me olhar e ver a mesma coisa.

— Não tem mais nada a me contar?

Minto. Na verdade não estou mentindo, já que não estou mesmo com Raphael.

— Não. Só trabalho. Me encontrei por um acaso com Bernardo na sexta, ele voltou de viagem.

— Trás ele para almoçar com a gente!

— Vou combinar com ele.

— Então vamos comer já que você não vai demorar muito.

— Vamos.

Comemos e conversamos, o que sempre fazíamos quando morávamos juntos, às vezes sinto falta, muita falta, mas queria ter o meu próprio canto e dá a eles a privacidade merecida e quem sabe com isso, minha mãe aceitaria a proposta de casamento, nunca me meti para não tomar partido, mas gostaria que ela aceitasse que ele é diferente e fosse feliz com ele, não que ela não seja, só que compartilhassem a vida como um casal comum. Me despeço querendo ficar, mas o compromisso me chama.

Entro no estúdio atrasada e Raphael está novamente na recepção.

— Desculpa a demora, teve um acidente no caminho, por isso demorei mais do que o esperado.

— Tudo bem! Não apareceu ninguém mesmo.

— Certo.

— Olha queria me desculpar com você!

— Pelo quê?

— Pela forma que te tratei mais cedo, dizendo que não te conhecia, que não dividiria os meus problemas com você. Fui grosso, não era essa a minha intenção.

— Tudo bem Raphael, você não falou nenhuma mentira. Não nos conhecemos, sexo não faz com que nos conheçamos, e outra a nossa relação e estritamente profissional, o que aconteceu foi só um momento e nada mais, foi bom mais acabou como já sabíamos que acabaria, não temos que ficar cheios de delicadeza só porque transamos. Não sou nenhuma adolescente que vai ficar te cobrando porque te dei uns beijos na hora do intervalo no colégio.

Ele fica calado por um momento e diz:

— Entendo. Não queria que as coisas ficassem estranhas entre nós.

— Não vai, pode ter certeza. Sou uma profissional e sei dividir as coisas. Só perguntei porque fiquei preocupada, talvez poderia ajudar de alguma forma. Mas você fez bem em me lembrar que mal nos conhecemos e não tinha o direito de perguntar. Eu que peço desculpas por isso, acabei criando essa situação, não era a minha intenção.

Quando Raphael iria me responder a cliente chega, ele me olha e vai em direção a cliente que já é sua conhecida ou até amiga, não tenho como saber.

Sophia me manda uma mensagem dizendo que não vai aparecer, perguntou se está tudo bem, e diz que tem novidades, mas que só vai me contar pessoalmente, lhe respondo que está tudo certo, que não deve se preocupar.

Assim a tarde passa, como já sei que Raphael fechará só vou avisar que estou saindo.

— Raphael estou indo se você não vai mais precisar de mim.

Ele me olha como fez na minha casa, fico toda arrepiada e tenho que me lembrar que isso não deve mais acontecer, depois de um tempinho finalmente fala.

— Não, pode ir. Até amanhã.

— Tchau.

Sempre gostei de andar na rua observando as pessoas, as suas expressões. E imaginar como seria ser diferente do que sou, de me imaginar como a criança que passa despercebida pela calçada e não percebe o azul do céu, ou do carro que se aproxima muito rápido e pode causar um acidente, se seria mais fácil ser uma máquina.

Vou para a pizzaria pegar uma pizza grande de calabresa com queijo extra, por que hoje quero comer até passar mal e assistir a um filme bem traumático para culpá-lo por chorar. Não vou gastar o meu tempo pensando no que fiz, pois já está feito e não sou de ficar me arrependendo, isso não irá me levar a lugar nenhum.

Quando saiu da pizzaria dou de cara com Bernardo.

— Boa noite Bia!

— Boa noite Berber!

— Ainda não esqueceu essa brincadeira né, e eu aqui pensando que tinha ficado no passado.

— Passado nada. — Risos. — Nunca vou esquecer, você bêbado querendo dizer o seu nome e só conseguindo dizer Berber e não lembrava o resto.

— Culpa dos meninos que roubaram no jogo, acabei bebendo mais do que era humanamente possível. — Ele sorrir e é tão lindo. — Está perdida por aqui?

— Vim pegar uma pizza como pode ver, e qual é a sua desculpa? O que faz por aqui?

— O Alberto está morando aqui perto e convidou a turma para a casa nova, como não sei cozinhar vim buscar umas pizzas assim não chego com as mãos vazias.

— Hum, sei. Olha meus pais te chamaram para almoçar lá. Iria te ligar amanhã, fazer o convite pessoalmente é bem melhor.

— Vou é só marcar. Vamos jantar ou almoçar essa semana? Você prometeu!

— Vamos jantar e depois assistir filme como antigamente.

— Quando você fala antigamente me sinto um velho, aceito. É só me dizer o dia, se quiser desmarco com o pessoal e como essa pizza com você.

— Nada de fura o compromisso, na quinta está bom para você?

— Está ótimo. O que devo levar?

— Nada.

— Vou levar pizza e suco de uva?

— Aonde você vai conseguir suco de uva?

— Não sei. — Risos. — Mas vou levar.

— Leva só a pizza se faz questão, sabe que uva não falta lá em casa.

— O que você vai querer beber? Lá em casa não tem nenhuma bebida.

— Vou beber suco de uva com você. Os tempos de bebedeira acabaram, já faz algum tempo.

— Eu sei, mas você nunca foi de beber muito.

— Agora bebo menos ainda, só um copinho ou outro para socializar.

— Muito bem. Está dirigindo?

— Estou.

— Mas não vai beber né.

— Acho que não, se beber deixo o carro na casa do Alberto e pego um táxi.

— Muito bem. Assim não acaba tendo um acidente.

— Sim mamãe.

— Olha quem estava falando mesmo de coisas que ficaram no passado.

— Touché.

Nos abraçamos, vou para casa cumprimentando algumas pessoas pelo caminho.

Chegando em casa coloco a pizza na mesa da cozinha, vou tomar um bom banho, coloco uma camisola. Ligo a TV e vou pegar a pizza, estou morta de fome. Assisto ao filme Apenas uma Noite, e é tão triste, como duas pessoas podem dividir a vida sem se conhecer de verdade, será que é sempre assim?



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...