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História Um Amor Venenoso - Capítulo 9


Escrita por:


Notas do Autor


Olá, olha o que temos aqui!
Mais um capítulo pra compensar a fome de ler se vocês!
Haha!

Boa leitura!

Capítulo 9 - Um Novo Mundo


Fanfic / Fanfiction Um Amor Venenoso - Capítulo 9 - Um Novo Mundo

14 de Abril de 1336 - Porto de Le Havre, França.

   Estava frio aquela manhã então cobri a cabeça com a capa que havíamos comprado em uma das lojas da cidade de Le Havre, no Norte da França. Eu olhava para as gaivotas que sobrevoavam as velas do navio que nos levaria para o Novo Mundo, a Inglaterra. Eu sentia o cheiro salgado do mar e pude perceber que minha pele estava úmida, muitos marinheiros descarregavam malas e malas, alguns levavam barris de comida e água para o sustento dos passageiros, que eram em sua maioria, nobres que iriam atravessar o mar para chegar ao país inglês. Eu estava sentada em um banco de madeira, observando a movimentação enquanto estava atenta a conversa de lado que Elijah estava tendo com Geralt.
  
     O Conde retirou uma média bolsa pesada de seu paletó e deu-a para o bruxo:
      
     - Espero que isso consiga proteger a garota e meu sobrinho. Posso contar com você para protegê-la?


     Geralt olhou espantado para a bolsa e franzindo as sombrancelhas, olhou para o Conde:


     - Temos dinheiro o suficiente, não precisa...


     - Quero garantir que a garota e a criança tenham do melhor. Posso ter falhado em protegê-la da loucura e possessão de meu irmão, mas quero que neste novo mundo, ela e a criança estejam seguras e bem amparadas.- disse ele firme. - Pegue, Geralt.


      O bruxo pegou, olhando sério, quase como que com raiva, para ele e por alguns minutos, Elijah me encarou. Parecia estar me analisando e projetando algo em sua mente brilhante e justa.


     - Chegarão em Brighton em dois dias?- disse ele ainda olhando para mim.


     - Sim, se a maré for favorável.- disse Geralt.


     - Tem conhecidos lá?- perguntou o vampiro, olhando para o bruxo.


     - Alguns velhos amigos.


     - Ótimo. Se precisar, vá até a corte do rei, explique a situação para o Conde de Manchester, ele odeia Niklaus tanto quanto qualquer um de nós. 


     Geralt ficou em silêncio o encarando.


     - E Geralt...- disse Elijah, como um sussurro:- Quando chegar a hora eu confio em você em cuidar dos dois com a sua vida e acho que isso não será um problema, visto que a garota tem certas afeições por você e não duvido que você também não as tenha.


      Neste momento eu apertei a mão para não olhar para os dois. Eu apenas ouvi Geralt bater no ombro de Elijah e se afastar, sendo seguido pelo olhar do Conde. 


     Na proa no navio o capitão gritava:


     - Todos a bordo!
  
     Eu me levantei com dificuldade, já chegava a algumas semanas para a criança nascer e com toda a delicadeza, Geralt ofereceu o braço para que eu me apoiasse. Eu sorri para ele e o mesmo continuou a encarar o Conde. Pedi licença para Geralt e caminhei até o vampiro.


    - Seu barco já vai zapar, Madeleine.


    - Eu sei, só...- eu o olhei nos olhos e franzi as sombrancelhas. Ele carregava um olhar compreensivo e firme, era como se soubesse de meus pensamentos. Ele sorriu e disse:


     - Me mande cartas quando meu sobrinho ou sobrinha nascer. Espero que eu tenha acabado com Niklaus antes disto e então os visitarei.


     - Agradeço por ter nos salvado. Por tudo, aliás.-, disse a ele. Hesitei em chegar perto, mas segurando em seu antebraço, apoiei meu peso e alcancei suas bochechas com um beijo, ficando na ponta dos pés. Ele por um instante não respirou e corou, em seguida, me afastei e sorri.


     - Um até breve, doce Madeleine, tenha uma boa viagem.


     Eu acenei me afastando e segui ao lado de Geralt, que seriamente me conduzia para dentro do barco de madeira.



      Seguimos para o primeiro andar, onde ficavam os quartos mais confortáveis e mais cheirosos. Conforme se dormia para andares mais baixos, a qualidade piorava e o cheiro ficava cada vez pior, sem contar com o barulho dos ratos dos porões do navio. Entramos em uma cabine de madeira iluminada por velas um tanto românticas e uma cama de casal larga o bastante para que nós dois dormissemos bem separados. 


    Por um dia e meio inteiro eu sofri quando saímos de terra firme, havia algumas rajadas de vento no mar e isto era suficiente para me deixar enjoada o dia inteiro. Passei a manhã daquele dia enjoada e vomitando algumas vezes, deitada sobre a cama, tendo calafrios e alguns tremores. Geralt parecia um tanto preocupado pois eu mal comia, nada me descia, apenas chás de ervas frescas e um pouco de caldo de proteínas.


    Ele sentou-se a beira da cama e me ofereceu um chá, eu sentei-me com dificuldade e olhando para ele, peguei o chá e sorri, agradecendo.


     - Isso é muito estranho. Você está mais quente.- disse ele tocando em minha testa.


     - Deve ser a mudança climática.- disse a ele.


     Geralt entortou a boca, um pouco descontente. E pegando a xícara de minhas mãos, disse:  


     - Não pode tomar algo quente, precisa tomar um banho gelado.- disse ele se levantando e pegando alguns baldes, encheu a banheira.- Venha tomar um banho enquanto eu busco algum médico entre os passageiros.


     Eu me levantei com dificuldade, pois a dor no corpo era forte e pisando os pés no chão, andei três passos e senti uma forte dor abaixo da barriga.


      - AI! - gritei, o que fez Geralt voltar para dentro do quarto.- Geralt!! - sussurrei olhando para baixo.


      - O que foi?- disse ele com raiva e chegando perto encarou a poça de água entre meus pés.- Porra! Fique aí e deite-se, eu vou chamar um médico.- disse ele, um tanto desesperado e saindo correndo pelos corredores do navio.


     Pouco minutos depois, Geralt surgiu acompanhado de um senhor grisalho um tanto baixo e gordo. Ele retirou o chapéu ao me olhar e disse:


     - Minha nossa, ela está em trabalho de parto. Mil perdões, minha senhora, sou Charles Richtmann.- disse ele com um forte sotaque alemão.


      Eu segurava forte os lençóis e sorrindo brevemente, voltei a me contorcer. 


      - Faz alguma coisa, homem!- esbravejou Geralt.


      - Certo, certo.- disse ele correndo de um lado para o outro. Pegando toalhas e lencóis, buscando algo nas gavetas e pegando uma velha tesoura, trouxe ao pé da cama, onde eu estava deitada com as pernas fletidas.- Meu rapaz, você como o pai deve ficar de apoio, vá buscar água quente e me ajude.


      Geralt correu para trás do biombo, onde pegou a chaleira dentro da lareira e despejando a água quente no balde, trouxe para perto do médico. A imagem dos dois homens apavorados seria cômica se eu não estivesse gritando de dor. Geralt ficou atrás do doutor, mordendo a unhas enquanto o médico pegando a barra dos meus vestidos e levantando, me deixou a mostra da cintura para baixo.


      - Ela já está avançada nas dilatações.


      Geralt franziu as sombrancelhas e virou-se de costas. 


      - Meu rapaz, vá para perto de sua esposa!- gritou o médico. Geralt fechou a cara para o médico e sentando-se ao meu lado, apoiou minha cabeça em seu peito e segurou minha mão que suava e tremia.- Milady, preciso que faça força...


      - Não consigo. Está doendo de mais.- gritei ao final, com a contração que parecia torcer minha entrenhas.


      - Se não fizer força, seu bebê morrer. Entendeu? Agora faça força. Força!!!


     Ele abriu ainda mais minhas pernas, enquanto eu gritei apertando forte a mão de Geralt, que olhava com assombro o que saía de dentro de mim.


      Meu fôlego havia sucumbido e eu apenas fechei os olhos, exausta, sobre o peito de Geralt. E um silêncio perdurou, até que um choro ecoou no quarto. Eu abri os olhos e vi o médico pegar um dos lençóis e limpar o rosto sujo de sangue do pequeno bebê em seus braços, ele o enrolou em um lençol e feliz o trouxe em meus braços.


      - Meus parabéns, milady, é uma menina.


      Meus olhos parejavam e ao pegar aquele pequeno ser em meus braços, chorei ao tocar a pele branca de minha filha.


      - Olá,  querida.- sussurrei, quase sem fôlego.


      - Meus parabéns, meu jovem.- disse o médico ao bater no ombro de Geralt, que parecia estar encantado com o bebê. Olhávamos para aquele bebê branco e pouco gordinho, ela era pequena para uma bebê normal, mas sua beleza era esplêndida.- Como se chamará?


     - Delphine.- sussurrei ainda admirando-na.


     - Que belo nome.- disse o médico, sorrindo.- Bem, agora que a bebê está bem, devo ir. Está tarde...


      Ele se afastou e antes que cruzasse a porta, disse a ele:


      - Obrigada, Dr. Charles.- sorri para ele.


       Ele sorriu e saiu fechando a porta.


      Eu ainda encarava a beleza da bebê, que respirava tão rápido e tão silenciosamente que as vezes eu chegava mais perto para ouvi-la melhor. Passei com dedos na testa alva da garota e reparei os fios quase louros de seus cílios. Eu olhei para Geralt e disse:


     - Quer pegá-la?


     Ele me encarou e se afastando sentou-se a beira da cama.


      - Não precisa temer. Não vai deixá-la cair.- disse a ele. E me olhando nos olhos, distanciou os braços fazendo um semi círculo para pegar a bebê. Me ajoelhei com dificuldade e me inclinei para depositá-la nos braços dele, que a pegou firme, apesar de seus olhos nem piscarem para ela. - Viu?


       A bebê piscou algumas vezes de olhos fechados e em seguida os abriu, revelando os olhos azuis, como os de Niklaus. Isso fez com que Geralt sorrisse e sussurrou:


      - Como podem ser tão delicados e tão perfeitos?


      Eu apoiei a lateral do rosto nos músculos do braço dele e suspirando, segurei em uma das mãos dela e disse:


      - Eu não sei, mas meu mundo está mais feliz com ela agora.




17 de Abril de 1336 - Brighton, Inglaterra.

    Atracamos no porto de Brighton na manhã do dia 17 de Abril naquele ano, eu descia a rampa pouco úmida pois o tempo estava nublado aquela manhã e me despedia de alguns nobres e marinheiros que conheciam Delphine como a bebê da tempestade, pois na noite em que ela nascera, os ventos estavam terríveis sobre a embarcação.


    Geralt alugou uma carruagem para que nós saíssemos o mais breve possível do porto e seguissemos ao centro. Não demorou para perceber que as cidade inglesas eram mais evoluídas que as francesas, haviam paralelepípedos nas ruas que guiavam para o centro, ao invés do barro da França. Haviam mais comércios, alguns vendiam suas coisas em mesas montadas nas calçadas e todos pareciam andar atrasados para algo. Por uma hora seguimos dentro da carruagem até uma estalagem bem no centro da praça principal da cidade. Desci com Delphine em meu colo, coberta com inúmeras mantas que mal se podiam vê-la, segui entrelaçada ao braço de Geralt, que pagou o cocheiro e o dispensou. Seguimos a dentro, fugindo do vento frio que cortava nossos rostos. A hotelaria era bem limpa, clara e parecia ser encarregada de abrigar os mais altos nobres, Geralt se aproximou do balcão e falando inglês, pediu um quarto para nós e o melhor serviço, visto que tínhamos ainda Delphine conosco.


     Naquele final de tarde, já havíamos recebido o jantar no quarto, pois Geralt desconfiava de que podíamos ser descobertos por algum informante de Niklaus. Eu estava diante da lareira, meus pés sobre uma banqueta almofadada com a sola dos pés aquecidas pelo calor do fogo, e sentada na poltrona com uma parte dos ombros a mostra, dava de mamar para a pequena Delphine, que por vezes sorria para mim enquanto mamava.


     Na janela, Geralt olhava para nós, por alguns minutos ele ficou admirando-nos, sentado no parapeito interno do quarto. Estava com vestes simples, uma calça branca e uma camisa desabotoada que mostrava todo o seu peito. Seu cabelo estava mais limpo e penteado, e encostado a cabeça na parede, nos admirava. Eu lhe lancei um olhar e sorri.


    - Tenho quase 100 anos e jamais vi algo tão bonito como vejo agora.- disse ele, sorrindo para mim.


    Sorri para Delphine e tocando em seus cabelos ruivos alaranjados, desenhei a perfeição do rosto preenchido e adormecido dela em meu seio.


     - A missão está feita, já pode seguir seu caminho.- disse a ele.


     Geralt me encarou, olhando para mim com uma expressão de que me admirava o tempo todo, olhou todos os detalhes de meu rosto e olhou para Delphine.


      - Não vou lhes abandonar agora, se é o que diz. Farei isso quando eu tiver a certeza de que estão seguras, e se você assim quiser me tirar de sua vida.- disse ele.


      Sorri para ele e voltei a Delphine, tocando as bochechas rosadas da garota, pensando.


      - Acho que nós duas precisaremos de você, Geralt. 


      - Então ficarei.- disse ele, olhando para mim com ternura.


Notas Finais


Obrigada por lerem e até a próxima!
Comentem, please!
Estou curiosa para o que esperam da fic!!

Beijinhooos


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