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História Um anjo sujo de sangue (repostando) - Capítulo 5


Escrita por: Sherlocknininha

Notas do Autor


Boa leitura ❤️

Capítulo 5 - Eu não acredito mais que as uvas estão verdes


 A surpresa de John foi ao ver que a roupa que Sherlock havia comprado para ele, era igual à sua, diferente apenas no tamanho. Watson achou estranho, mas logo percebeu o que o detetive pretendia, “uma performance em dupla”, só podia ser isso visto que a boate não tinha uniforme ou algo assim. “Dançar juntos”, essa ideia deixava John inquieto, nada, nada a vontade, porém ele decidiu que não questionaria mais. “Seja o que Deus quiser”. Ele apenas perguntaria a Sherlock para ter certeza de que esse era realmente o plano. 

 

Agora ele iria experimentar a roupa para ver como ficava, tinha certeza que seria tão justa quanto a detetive. Watson Seguindo para o quarto com a caixa vermelha em mãos, colocou na cama, despiu se e as vestiu. As roupas apertavam um pouco, principalmente as coxas e os bíceps do médico, marcavam também a sua barriga. John percebeu ter ganhado alguns músculos depois que veio morar com Sherlock, isso devido às perseguições e as corridas matinais que começou a praticar depois de ter se mudado para o 221.

 

Watson se olha no espelho e gosta do que vê, “ficou bom”, John estava aliviado, a roupa não era extravagante como ele imaginava. Ele dá uma voltinha no espelho e, de costas, ele avalia como ficou, realmente, o corte da calça valorizava muito, principalmente por trás. John lembra de como Sherlock havia ficado, “uma bunda realmente bonita”. E lá estavam os pensamentos impróprios do médico outra vez, ele negou com a cabeça na tentativa de afastá-los. Por fim ele dá uma ajeitada na gola, apertada, mas não sufocante. O tamanho ficou perfeito, na verdade, parecia haver sido feita em medidas exatas para John, Sherlock de fato era observador. John estava distraído e nem percebeu quando Sherlock chegou à porta do quarto.

 

— Ficou muito bom de fato!

 

— Deus! Que susto! — John tinha realmente se surpreendido, ele se virou encarando o detetive — Sherlock tinha acabado de sair do banho, cabelos ainda um pouco úmidos. A aparência impotente de sempre, muito bem vestido, abotoando alguns botões de sua camisa roxa. 

 

— Você vai sair?

 

— Vamos. Nós dois vamos jantar fora.

 

— Não lembro de ter concordado em jantar fora hoje.

 

— Eu falei para você assim que cheguei com as roupas hoje mais cedo.

 

— Eu não ouvi, eu estava dormindo!

 

— Ah, por isso estava tão quieto. — Ele dá uma pausa — É para o caso, vamos esclarecer algumas coisas com o dono da boate. Você vai?

 

John suspira:

 

— Vou. 

 

— Bem, então vamos, se apresse porque o motorista dele virá nos buscar às 8:30 e já são 7:35.

 

John fuzilou Sherlock com um olhar. Mas ele não disse nada, apenas seguiu para o banho. 

 

(….)

 

Watson se despiu e entrou no box do banheiro, Sherlock acabou de sair dali, ainda estava quente, ainda tinha o cheiro do Shampoo caro de Sherlock, era delicioso. John suspirou profundamente e tentou não pensar nisso, ligando a água, ele foi para debaixo do chuveiro, deixando a água limpar seu corpo enquanto ele tentava limpar e organizar sua mente.

 

John sempre sentiu uma atração pelo detetive. Desde o primeiro encontro no São Bartolomeu, quando John era apenas um homem quebrado, e Sherlock que parecia enxergar até a alma das pessoas, viu algo nele. Desde o primeiro caso, quando John mal conseguia andar e Sherlock o chamou para correr com ele. John gostou de Sherlock desde o primeiro minuto. Mas não era recíproco e o detetive deixou isso claro, muito claro, desde aquele primeiro jantar.

 

Naquele dia, quando John tentou demonstrar seu interesse, ele quis se sutil “sondar o terreno para reconhecimento” ele estava nervoso e era a primeira vez que ficava assim depois de muito tempo, naquele momento Sherlock não era muito além de um desconhecido, tudo que John sabia sobre ele era que: ele ajudava a Scotland Yard e que era extremamente inteligente brilhante e lindo, mas isso qualquer um poderia ver. John nunca reparou isso em outro homem, e está aí, esse era o principal motivo de deixá-lo tão inquieto, era a primeira vez que se sentia assim em relação a um homem.

 

Ele resolveu ser cuidadoso com as palavras afinal, o detetive era esperto o suficiente para ler as entrelinhas, e de fato ele foi, mas a resposta não era a desejada por John “Casado com meu trabalho”, John tentou desconversar, mas não estava convencido de que Sherlock acreditou. De qualquer forma Sherlock pareceu não estar focado na conversa do outro, John estava grato por isso. 

 

Depois disso Watson passou a se martirizar pela quase declaração. "Esqueça John, você está apenas impressionado com a capacidade dedutiva e inteligência desse homem”, não confunda as coisas, você não é nenhum adolescente para ficar assim”.

 

Com o desastre dessa primeira investida e o "fora" que levará do detetive, John construiu com Sherlock uma amizade sólida, apesar do temperamento do outro . Por fim, Watson passou a dizer com uma convicção extrema para si e para outras pessoas: "Eu não sou gay”, "Não estou interessado” " Sherlock é apenas meu amigo" ". Depois de repetir isso muitas vezes, por um momento ele próprio chegou a acreditar que fosse de fato verdade, que o que sentia era apenas fraternal, amizade, mas agora ele não podia mais negar, os seus sentimentos estavam transbordando e o afogando. O soldado estava em uma batalha interna, e, claramente, estava perdendo. O que restava para o médico agora, se então assumir? Assumir pelo menos para si mesmo que gostava de forma romântica do detetive. A admiração nos primeiros dias evoluiu para uma atração que com o tempo se tornou algo mais forte. Um sentimento que John nunca havia experimentado antes, que ele só pode sentir agora por aquele "detetive exibido de mente brilhante”. Ali, durante aquele banho que parecia ter durado horas, John decidiu que tudo bem, tudo bem gostar assim de Sherlock, era só não deixar transparecer. 

 

(…) 

 

Após o banho, John se vestiu, arrumou os cabelos, colocou o seu perfume, se olhou no espelho para uma última checada. Ele estava nervoso mas estava pronto. Descendo as escadas encontrou Sherlock lá. Olhando para o celular ele percebeu que ainda eram 8:10 O detetive estava concentrado olhando as fotografias do caso. “o caso”, John pensou.

 

— Sherlock sobre… — ele dá uma pausa — sobre a apresentação. Vai ser algo em conjunto, quer dizer nós dois juntos. — John senta na poltrona.

 

— Sim, exatamente isso.

 

— Certo.  

 

Sherlock estava admirado pelo fato de John estar tranquilo e aparentemente lidando bem com isso.

 

— Espero que não se importe. Perguntei a Grerry como funcionava as apresentações e ele me relatou que as coreografias podem ser individuais ou com mais pessoas, optei por fazermos juntos. Considerando que você não sabe dançar muito bem, eu posso ajudá-lo se algo der errado.

 

— Entendi. Obrigado! — Depois de um período calado, John é levado a pensar, que na noite seguinte ele vai está performando uma dança sensual com Sherlock em uma boate. Ele sorri com a ideia.

 

— Porque está rindo, John? — Sherlock agora afasta as fotos e passa a olhar para o Watson.

 

— Não é nada. É que essa vai ser de longe a pior vergonha que já passei na vida. 

 

— Eu não diria a pior, já passamos por muitas outras, seria só mais uma para coleção.

 

— Obrigado, Sherlock. — Watson diz ironicamente. — Estou bem mais tranquilo agora.

 

— Oh John, estou apenas brincando. Confie em mim, você vai se sair bem. Afinal, duvido que seja tão ruim quanto fala.

 

— Diz isso porque nunca me viu dançar.

 

— Se vai te deixar mais calmo, eu já pensei na coreografia perfeita, simples até um iniciante.

 

— Se eu fosse você não criaria muitas expectativas — Antes do detetive responder John completa — Então já são 8:20, para onde nós vamos mesmo Sherlock?

 

Os dois levantam, na expectativa de que a qualquer momento o motorista vai estar chegando.

 

— Trata-se da casa dele, um lugar afastado. O homem é um bancário, com muitos outros negócios, a boate é só mais um deles. Pelo que parece ele não gosta de ser associado a ela, poucas pessoas sabem que ele é o dono do lugar.

 

— Algo bem... bem "chique'' então? — John estava receoso.

 

— Acredito que sim, porquê?

 

— Bem, talvez eu devesse ter vestido algo melhor. — John diz esticando o seu suéter. 

 

— Bobagem John! Vamos recolher informações para um caso e não para alguma festa. Afinal, você está perfeito.

 

— Obrigado! — Watson fala adquirindo um tom rosado nas bochechas.

 

— Você não deveria se importar com coisas tão idiotas.

 

— Diz isso porque está sempre elegante — John diz olhando o terno de Sherlock, tecidos finos, provavelmente bem caros

 

— Eu não me importo. Você se esquece que eu fui para Palácio de Buckingham Envolvido em um lençol?

 

John estava tenso, por tudo que havia pensado durante o banho e pelo caso, mas por um momento ele foi levado até aquele dia e aquela cena:

 

— Sim — Watson relembra a cena e começa a rir — Sim, você fez.

 

Sherlock acompanha John, nas risadas. E é contagiante.

 

— E não podemos esquecer a cara de Mycroft — Sherlock completa.

 

— Mycroft ? achei que aquela fosse a rainha.

 

Agora os dois gargalhavam. John olha para Sherlock tentando controlar o riso, Sherlock continua a sorrir e “é tão bonito”, John pensa, o som da risada do detetive é tão agradável.

 

— Você com certeza continua sem se importar com essas coisas. — Ele olha para o detetive — Veja só, quem vai para um jantar “chique” com purpurina atrás do pescoço? — John diz levando a mão ao pescoço do cacheado mostrando onde o brilho ainda estava.

 

O clima mudou completamente. As risadas são interrompidas, a mão de John continua ali, ele move os dedos e pode sentir o cabelo macio de Sherlock, passando para a nuca do outro, o médico faz uma leve carícia. Talvez tenha sido impressão dele, mas o cacheado pareceu arrepiar com o toque. John sente o coração batendo rápido e forte. John se aproxima mais do outro, o seu olhar é levado até os lábios de Sherlock. Mas cedo eles estavam rosados e cintilantes devido ao brilho labial, agora não tinha nada disso, mas ainda assim, continuavam “lindos”, “tão perfeitos, arcos de cupido, aparentemente tão macios”, “Cristo deveria ser ilegal ter uma boca como essa”. A mente de John é um turbilhão, todos os pensamentos são em torno do detetive. “Quando eles ficam tão perto?” John se questiona. Sentindo a respiração do detetive se misturar a sua, ele firma a mão por trás da cabeça do cacheado. Agora uma corrente elétrica parece passar pelo corpo do detetive e essa corrente aparentemente se estende até a mão de John, porque rapidamente ele saiu de onde estava como se tivesse recebido uma forte descarga.

 

John afasta seu corpo do detetive bruscamente, e coça a cabeça, ele está com o rosto corado de vergonha e desvia o olhar. 

 

— Hum, Você deveria, deveria lavar isso. — A sua voz não sai tão firme quanto pretendia. 

 

— S-sim . É que é difícil sair. — Sherlock se perde nas palavras — Só,só espere um pouco. — Ele sai rapidamente em direção ao banheiro.

 

Quando Sherlock saiu Jonh enfim voltou a respirar… 

 

“O que foi isso Watson?", ele se questiona. A sua mão ainda quente, ele ainda sentia a pele macia de Sherlock sob seus dedos. “Sherlock ficou desconcertado?, ele percebeu, que eu iria beijá-lo? Droga Watson". Ele se martiriza. Parecia que seu corpo adquire vontade própria quando estava perto do detetive. “Isso está saindo do controle. Como eu vou dançar com ele, se só de tocá-lo eu fico assim?"

 

Alguém na porta tira John de seus pensamentos, é o motorista do proprietário da boate. Watson se prepara para chamar Sherlock, mas antes de pronunciar seu nome o detetive aparece e eles seguem até o carro. 

 

John não olha para Sherlock, mas tem certeza que o detetive está olhando para ele, pois sente aquelas esferas azuis queimando em sua direção, aparentemente o lendo como da primeira vez. John tem medo porque é totalmente transparente agora. Eles entram no carro, o detetive parece ter deixado de olhar para John, Watson agradece internamente por isso. Ambos seguem o percurso assim, quietos.

 


Notas Finais


E foi isso.
Espero que tenham gostado!☺️


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