História Um Ano - J-Hope (Jung Hoseok) - Capítulo 5


Escrita por: ~

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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, V
Tags Imagine Jhope, Jhope, Jikook, Jung Hoseok, Vkook, Vmin
Visualizações 83
Palavras 2.494
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Fluffy, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 5 - Borboletas no estômago


  [ Moon ]

   Os pesadelos que me perseguiram durante aquela imensidão escura e vazia eram perturbadores, mórbidos, me fazendo questionar que situações doentias passam por meu subconsciente. Acabo deixando a ideia de dormir de lado, visto que o último pesadelo que tive me deixará inquieta por dias, o mesmo envolvendo as duras palavras de Kim Taehyung; "Morra, Moon, morra!".
   
  - Não pense tanto nisso... -tento acalmar-me, mesmo sabendo que é algo um tanto quanto improvável.-

  Com um movimento calmo faço meus pés nus tocarem o chão gélido, dando-me uma sensação ainda mais morta, a mesma corre meu corpo, cada centímetro dele, sensações e mais sensações incômodas, fazendo-me estremecer, arrepiar e entristecer. Com a coragem -que eu já não tinha- me pus a levantar daquela cama, caminhando até o banheiro do quarto, sendo levada a passos lentos, inaudíveis, fazendo-me sentir um espectro. Me deixo parar à frente do espelho, o mesmo reflete uma garota, porém, eu praticamente não a reconheci; os cabelos bagunçados, dignos de alguém que quase não pregara os olhos, lábios vermelhos, assim como as bochechas e o nariz, entregando as lágrimas derramadas durante o tempo que se passou. Tentei ignorar as bolsas que formavam-se abaixo de meus olhos cansados, me pus a tomar um banho quente, porém rápido, apenas para tentar deixar as inseguranças do dia escorrerem de mim junto a água quente que agora me tocava. Permiti molhar-me por completo, tentando suportar os ombros que agora tremiam, as lembranças de toda uma vida invadindo minha mente, provocando uma dor mórbida por todo meu corpo.

 - Pare de doer! -ordeno à meu coração, meus órgãos, meu corpo- Pelo menos uma vez na vida, pare de doer! -exclamo alto, tentando levar para longe o corpo inútil que, a cada dia, falhava ainda mais.-

  O banho demorara mais que o planejado, porém, fora necessário, necessário para que eu me sentisse -pelo menos um pouco- mais leve e, até mesmo, viva. Não estava paciente para prolongar minha estadia naquele quarto, com pressa peguei as primeiras vestes que vi, resultando em um visual composto de uma camisa xadrez vermelha, um jeans rasgato, um casaco de lã preto e um sapato qualquer no mesmo tom. Arrumei meus cabelos de um jeito despreocupado, reparando nas pontas ressecadas que eu precisava cortar. Ao pegar meu celular pude ver que ainda faltava meia hora para os sinais do colégio tocarem, eu sinceramente não me importava. Agarrei meus fones de ouvido, minha mochila e corri pelas escadas.

 - F-filha? -Rosemary chamou-me, porém, eu não me sentia bem, não queria encará-la nesse momento, optei por fingir não ouvi-la.-

  O sonar indecifrável, unindo ruídos e poucos sons conhecidos em pausas longas e contínuas tomavam minha mente, sabia que, se algo pudesse me acalmar, seria a música experimental, sendo ela apenas uma junção de ruídos -algumas vezes- impossíveis de se entender. Taehyung nunca gostou e nunca entendera o porque de eu gostar, não o culpo por isso, a maioria das pessoas não entende a essência da música experimental, sendo ela um conjunto de sensações. As músicas me levam para algo que não entendo, apenas sinto, a imaginação me deixa a entender cada música como uma trilha sonora, talvez de um sonho que desejam tornar realidade ou, quem sabe, um acontecimento desconhecido transmitido através de inocentes ruídos. Em toda minha vida a música arrancava-me de momentos ruins, porém, naquele momento... Ela nada fizera, apenas me deixou mais e mais inquieta.

 - Taehyung idiota! -murmuro, chutando o que parece ser uma lata amassada de um refrigerante genérico.- Sempre idiota! -murmuro novamente, fungando.-

  Foi naquela noite que eu percebera como Kim Taehyung chegou a tornar-se meu porto seguro; sempre apoiava-me nele, em todos os momentos, sejam eles felizes ou tristes, Taehyung sempre fora meu protetor, a pessoa que me fazia rir, esquecer de meu destino lamentável... Eu queria acabar com tudo, conversar com Taehyung, mas aquela não era uma discussão comum, ele fora duro, assim como fui teimosa. Eu me perdi em devaneios e despertei ao ver que chegara ao prédio do colégio, suspirei de forma pesada, lembrando do dia que Kim Taehyung pois-se à frente de mim.

  - Droga... -resmungo, levando a destra à meu rosto, querendo afundá-lo nela mais e mais, funguei novamente, me sentia uma completa idiota, Taehyung tinha razão ao ter desconfiança de Hoseok, eu mesma tinha desconfianças... Mas pelas palavras que ele disse à mim...- Não perturbe-o mais, ele poder ter amizades melhores! -exclamo, soltando um riso sem graça, sentindo minha garganta fechar e os olhos marejarem novamente, porém, neguei-me a chorar naquele lugar.-

  Com passos lentos e silenciosos adentrei o local, percebendo a pouca movimentação que o mesmo possuía, observando-o pude ver que estava como em todos os outros dias; o grupo de líderes de torcida no gramado, exalando felicidade, seus corpos suados entregando o treino pesado, mais ao lado os alunos da aula de artes, todos se permitindo deslumbrar com o tom alaranjado que tomava o céu -pouco antes- cinza, ao canto jovens do clube de cálculo, considerados o futuro das matérias exatas, sempre lutando por ampliar seus conhecimentos. Tudo naquele manhã era identica às outras, porém, ela carregava sensações totalmente diferentes. Quando percebi estava na sala, a qual usaria como refúgio temporário de tudo e todos, pude respirar em alívio a não ver praticamente ninguém nela, não deveria ser diferente, afinal, ainda demoraria para o início das aulas. Me dei ao luxo de acomodar-me em minha típica mesa ao lado da janela, puxando por cima de mim meu capuz, cruzando os braços sob a mesa e, pelo menos em um momento, esquecendo das inseguranças que rodeavam minha vida.


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 - Moon? -um tom de voz baixo e preocupado ecoou por minha mente, me despertando do coma. Abri os olhos lentamente, tentando organizar minha mente.- Está viva? -

 "Infelizmente..." -pensei.

  Levantei meu rosto e tive a visão de Jung Hoseok bem próximo à meu rosto, causando em mim um afastamento abrupto, a situação ficara um pouco mais constrangedora ao notar que o rosto do rapaz ruborizou, o mesmo virou-o à janela, puxava a gola de seu casaco, me deixando um tanto quanto hipnotizada. A aparência do rapaz era surreal, seu rosto sendo iluminado pelos doces feixes de luz laranjada, o rosto avermelhado, Jung era como uma obra de arte fora do museu... O rapaz engoliu em seco, me dando o prazer de ver seu pumo de Adão em movimento.

 - P-por que está corada? -indagou-me. Franzi o cenho por achar que eu deveria lhe perguntar tal coisa.- E-esquece... Eu só queria saber se estava dormindo... -completou, obviamente desejando afastar o assunto.-

 - Estava. -respondi direta.-

 - Desculpe, eu não queria te acordar... -murmurou, podia sentir sua hesitação de longe. Hoseok realmente não conseguia disfarçar nada, admirava isso nele.- Moon eu... -

 - Você? -indaguei, já que o rapaz obviamente não terminaria sua fala, eu não o obrigaria caso realmente não desejasse completar, mas minha curiosidade permanecia estampada em meu rosto. O rapaz abriu e fechou os lábios diversas vezes, isso até suspirar de forma pesada e me encarar sério.-

 - Posso ir em sua casa mais tarde? -seu semblante era de frustração, eu sabia que não era o que pretendia me dizer e, por mais que estivesse morrendo de curiosidade, não o obrigaria a se expor.-

 - Pode, claro, eu não costumo ter companhia as tardes. -falei sorrindo, mesmo que aquela frase me fizesse sentir um peso em minhas costas. Pude observar o rapaz sorrir largamente, me dando uma pequena felicidade.-


  A aula correra de forma normal, totalmente normal, me trazendo um pouco de alívio, voltar a ser invisível me deixava alegre, não era o tipo de pessoa que se sentia confortável em ser exageradamente extrovertida, a observação era minha fiel companheira. Me pergunto o porque observar as figuras alheias me traz um pouco de segurança, talvez ver e imaginar o longo futuro das pessoas à minha volta preencha superficialmente o vazio que se estende dentro de mim. Quem sabe?!. Após parte das aulas o barulho estridente anunciou o intervalo, fiquei um pouco grata, já que as aulas do nosso "amado" professor de geometria eram um tanto quanto pesadas. Eu me vi pronta para dormir novamente, isso se Jung Hoseok não insistisse em enturmar-se comigo, trazendo sua cadeira para próximo de minha mesa, me dando pontadas de curiosidade do porque o garoto estar insistindo tanto comigo. Estava prestes a falar algo, porém, o rapaz soltara um sorriso largo, repleto de amor, tirando de meus pulmões qualquer ar que neles haviam.
 
  "Faça essas borboletas pararem..."- penso, desejando que todas as borboletas em meu estômago deixem de viver.-

 - Moon, o que quer fazer hoje? -o jovem escorou seus cotovelos em minha mesa, pousando seu rosto em suas mãos, me dando uma bela visão do mesmo.-

 - Não faço ideia. -respondo sincera, eram poucas as visitas que eu tinha e, quando tinha, elas procuravam planejar as atividades que seriam feitas, já que eu nunca animava-me para nada.- O que você gosta de fazer? -indago, curiosa diante a possibilidade de saber os interesses do rapaz.-

 - Hm... Geralmente era Lena que decidia o que faríamos... -murmurou, deixando que um bico se forme em seu rosto perfeitamente desenhado.-

 - Não perguntei quem decide o quê, perguntei o que você gosta. -suspirei, encarando o rapaz que parecia estático diante minha fala.- Desculpe eu... Apenas não estou muito animada. -desviei meu olhar à superfície da mesa; surrada.-

 - Aconteceu alguma coisa? -perguntou e eu não evitei olhá-lo, Jung tinha algo diferente, algo que movia meu corpo, um desejo de admirar sua imagem por todos os segundos que ainda me restavam.-

 - Podemos... Sair daqui? -pergunto, olhando em volta e me certificando de que ninguém fosse escutar-me. No momento o curioso é Jung, que apenas assente freneticamente, o brilho em seus olhos é insano, me deixando um pouco acanhada.-

 
             [ Jung Hoseok ]

  Nos levantamos de forma rápida, Moon tomou a direção, olhando em volta, percebi que ela tomava um caminho quase deserto. O prédio do colégio era grande, extenso, portanto, os corredores lotavam-se apenas nos finais das aulas, o que nos facilitou passar despercebidos. Por mais que Moon tivesse pernas curtas, andava de forma rápida, me deixando surpreso, tendo que acelerar meus próprios passos até alcançar os dela, porém, parei ao vê-la iniciar uma subida por um lance de escadas, as escadas não eram o problema, mas sim o fato daquele local ser proibido aos alunos. Moon se virou para mim, seus olhos vidrados em minha imagem parada, a garota sorriu ladino, quase como se prevesse minha reação.

 - Está com medo, Jung Hoseok? -debochou e, antes que eu proferisse algo, inclinou-se e agarrou minha mão, entrelaçando nosso dedos e me puxando ao nosso destino.-
 
  Desde então o silêncio tomou conta do ambiente, deixando que o barulho dos passos ecoem pelo local, me vejo focando naquela sensação macia e quente. Nossos dedos estavam entrelaçados de forma desajeitada, junto à um emaranhado de sensações, podia sentir o gelado de seus anéis tocando minha pele, porém, não tomavam meu corpo, o calor estranho que eu sentia era forte demais... Intenso demais...

 - Hey, Jung! -ela soltou drasticamente minha mão, me fazendo a encarar de forma confusa, fico ainda mais confuso ao ver que estamos à frente da porta que dá acesso ao terraço.-

 - Espera, nós não vamos entrar ai, não é mesmo? -indaguei nervoso, não era de quebrar as regras, me sentia incomodado, quase sujo.-

 - Vai ficar tudo bem -ela sorriu, um sorriso esperançoso e acolhedor, eu já vira diversos sorrisos em minha vida, mas nenhum chegou a eriçar os pelos de minha nuca como esse.- Não fique babando pela minha beleza, venha logo! -quando percebi ela já estava no terraço, o vento jogava seus cabelos para o lado, a fazendo soltar uma gargalhada alta... Eu nunca havia a visto tão feliz.-

  Adentrei o terraço ainda com receio, sabia que, caso fossemos pegos, teríamos sérios problemas, porém, assim que atravessei aquela porta... Senti que todos os meus medos tivessem sido levados pelo vento, forte e rápido, jogando meus fios escarlates para trás, me deixando observar a imagem à minha frente com clareza. Eu não me referia à paisagem... Mas sim à Moon, que observava tudo ao seu redor com cautela, cuidado, como se desejasse guardar em sua memória cada pedacinho daquele local, cada folha de árvore, cada pequena pedra, cada brisa. Meu corpo poe-se a reagir de forma estranha, acelerando meus batimentos cardíacos, fazendo-me suar frio e sentir coisas estranhas em meu estômago.


 "Borboletas no estômago."


  Eu a vi se movimentar lentamente, encostando seu corpo à barra do terraço, a única coisa que nos impedia de cair do lugar. Com passos silenciosos eu fui até ela, parando à seu lado, mas não pretendia falar nada, sentia que não precisava, Moon parecia totalmente encantada com a vista, mas me deixou surpreso, já que sinto que viera aqui diversas vezes... Talvez esse lugar fosse realmente surpreendente, algo que, a cada vez que olhamos, traz algo novo, uma sensação nova. A partir de tal momento eu percebi uma das coisas que sentia por Moon, sendo ela uma admiração, uma grande admiração; a garota não era uma pessoa que se preocupava com popularidade, ou roupas caras, assim como acessórios de marca, ela se mostrava, a cada dia, uma pessoa simples, guardando em seu coração as pequenas maravilhas que o mundo lhe dava. Eu desejava ser como ela, poder ter a felicidade em coisas simples... Mas... Talvez eu esteja mudando, pois agora, vendo seu sorriso, eu percebo que nunca me senti tão feliz...
 
 - Jung... Você está chorando? -seu semblante preocupado tomou-me por completo, fazendo-me acordar de todos os devaneios que possuiam minha mente.-

 - C-chorando? -gaguejo, percebendo minha vista embaçada e meu rosto levemente úmido.-

  Moon aproxima-se de mim, que acabo ficando estático perante sua ação, me olhando fixamente ela leva suas mãos gélidas à meu rosto, enxugando as lágrimas que deixei cair involuntariamente. Eu poderia tentar dar-lhe diversos motivos por estar chorando, entretanto, senti que nenhum deles seria real. Ela não me indagou novamente, apenas acariciou minhas bochechas, talvez tentasse acalmar-me... Mal sabia ela que eu nunca havia me sentido tão calmo em toda a minha vida. Em um movimento impulsivo -porém, desejado- ergo minhas mãos, tocando os pulsos da garota, que agora me encarava de forma mais intensa, tudo à nossa volta silenciou, estávamos apenas nós dois naquela imensidão, naquele universo, tudo que pude ouvir foram bateres de asas.


 "Borboletas no estômago..."


  - Não faça isso, ou eu vou me apaixonar... -murmurou Moon, abri meus olhos para lhe olhar, ela exibia um sorriso pequeno, porém, cheio de sentimentos, seus olhos se fecharam e suas bochechas tomaram um tom levemente rosado, já eu, tinha certeza que estava tomando um vermelho mais forte que meu fios de cabelo.- Vem, vamos voltar para a aula... -sussurrou, novamente pegando em minha mão e me levando consigo até a sala.-


 

 


  Por algum motivo... As borboletas continuavam a voar, porém, em sincronia.

 
 



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