História Um Belo Erro - Dramione - Capítulo 8


Escrita por: e MillaLyra8

Postado
Categorias Harry Potter
Personagens Draco Malfoy, Gina Weasley, Harry Potter, Hermione Granger, Luna Lovegood, Personagens Originais, Ronald Weasley
Tags Draco Malfoy, Dramione, Hermione Granger
Visualizações 1.352
Palavras 3.945
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Hentai, Romance e Novela, Terror e Horror
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


E aí, gente! Beleza?

Vamos ao capítulo, sem enrolação.

Capítulo 8 - Um Convite Importante


Acordei no outro dia de manhã com a cabeça latejando de dor e, ao olhar para o lado da cama, vi que Ronald dormia ali, com a boca aberta e roncando sonoramente. Senti meu estômago embrulhar quando lembrei da mensagem de Luna na noite anterior, me informando que ele não estava na Crow’s e me levantei da cama antes que ele acordasse e tentasse puxar qualquer tipo de assunto. Eu não estava com cabeça e precisava estar impecável para trabalhar. Saí do quarto sorrateiramente e fui para o banheiro, tomar o banho frio rotineiro de “bom dia”, para me dar energia e me despertar.

Já acordada e sem parecer alguma espécie de zumbi, eu fiz a minha maquiagem, colocando um batom um pouco mais escuro que o que eu costumava usar e passando um fino delineador preto nos olhos. Deixei os cabelos soltos e fui escolher a roupa do dia. Eu não ia me anular e me deixar abater por causa do ocorrido com Rony. Eu não dependia dele, afinal, eu estava com a editora na palma da minha mão, por conta do contrato milionário de Draco. Se o Ronald achava que eu seria a mulher boazinha e recatada depois de descobrir uma mentira dele, ele estava muito enganado, pois agora sim ele iria ver quem era Hermione Granger.

Depois de quase dez minutos encarando o closet como uma leoa que observa um bando de zebras para decidir qual é a melhor a ser cassada, escolhi uma calça de um tecido que imitava couro e uma camisa de seda preta, que era toda transparente e seria colocada por cima de um sutiã preto de renda. Me vesti e me senti poderosa como há tempos eu não sentia e para completar o visual coloquei um sapato de salto alto preto. Aprovei a minha imagem ao olhar no espelho, notando que eu estava bem mais sexy do que em todos os outros dias, e peguei minha bolsa e minha pasta, saindo de casa sem nem comer nada, já que o meu escritor sempre levava comida para a sala e dividia comigo. Entrei no meu carro e dei a partida, rumando para a editora, tomando o caminho que passava pela casa de Draco, já que eu o daria carona até lá, e buzinei quando parei em frente à sua porta, me olhando por alguns segundos no retrovisor para checar se a maquiagem ainda estava intacta. Ele logo desceu as escadas da casa correndo e abriu a porta do carro, entrando no banco do passageiro da forma destrambelhada  e espalhafatosa de sempre e já tentando me perturbar logo cedo com as suas provocações peculiares.

— Se você acha que eu vou sair toda vez que você buzinar na minha porta, está muito enganada, eu não sou o seu put...a que pariu, Hermione! – Ele arregalou os olhos na minha direção, me olhando de cima a baixo lentamente. – O que foi que aconteceu com as suas roupas de velha?

— Ficaram no armário por um dia. – Eu sorri e voltei a dar partida.

— Que fiquem lá por mais algum tempo, então. Vai ser bem mais fácil escrever tendo essa visão do paraíso na minha sala.

Eu ri com isso, me sentindo vitoriosa, de certa forma, e nós fomos conversando sobre amenidades durante todo o resto do caminho até o trabalho. Chegamos na Crow’s em menos de dez minutos e eu deixei o carro com o manobrista, como era o meu costume, descendo de lá e pegando todas as minhas coisas no banco traseiro.

— Deixa eu te ver. – Draco pediu e eu coloquei a mão na cintura, fazendo uma pose engraçadamente sensual.

— Você devia se vestir assim mais vezes, sabia? – Ele sorriu, apoiando a mão na minha lombar e me guiando até o elevador. – Você está sexy! Retiro o que eu disse anteriormente. Ter você vestida assim na mesma sala que eu só vai me distrair e me impedir de trabalhar direito… estou fodido!

— Idiota! Saiba que só porque você falou isso, eu vou usar roupas assim sempre. – Sorri e ele riu, revirando os olhos. Nós fomos até a nossa sala abraçados e quando chegamos ele se sentou no seu cantinho do divã e eu fui para a minha mesa ligando todos os equipamentos para trabalhar, mas logo fui interrompida pelo telefone tocando.

— Hermione, é a Luna, estão te chamando no andar de produção. Você pode vir até aqui, por favor?

— Claro que sim! Vou agora, chego em dois minutos. Obrigada. – Eu sorri para o telefone e o coloquei no gancho. – Draco, eu já volto. Tenta não destruir nada enquanto isso tá?

—Quem era? – Ele perguntou, me olhando com cara de cachorrinho abandonado e eu tive que segurar a risada. – Onde você vai? Eu posso ir também?

— Era só a Luna, pra falar que estão me chamando lá na produção. – Eu sorri e dei um beijinho no topo de sua cabeça. – Deve ter acontecido alguma coisa. Eu já volto. Fique aqui quietinho e atenda o telefone se tocar, ok? Comporte-se. – Eu sorri, saí da sala sem dar chance para que ele me contestasse e fui até o andar de cima ver o que diabos tinha acontecido, por sorte encontrei com a Gina no elevador e ela abriu um sorrisão ao me ver e me puxou para um abraço apertado.

— Quando foi que você ficou tão gostosa, amiga? – Ela perguntou brincalhona, me olhando dos pés a cabeça. – Meu Deus, até eu quero te pegar hoje, acho melhor esse elevador chegar rápido no seu andar, se não eu não respondo por mim. Estou começando a duvidar da minha heterossexualidade...

— Que exagero! Não se esqueça que aqui tem câmeras de vigilância. Se você me agarrar, todo mundo vai ver você abusando da minha inocência enquanto eu não tenho para onde fugir. – Eu revirei os olhos, ao som de sua gargalhada e logo eu já tive que descer e caminhar até as mesas no fundo das salas de impressão, vendo todos trabalharem normalmente. – O que houve, gente? Algo errado? Me chamaram?

— Olha o que acabou de sair da máquina? – Luna sorriu erguendo um livro com a capa macabra e eu arfei de surpresa, reprimindo um gritinho histérico, o segurando em minhas mãos como se fosse uma joia cara e preciosa e o abrindo para sentir o cheiro característico de livro novo que eu amava, quase gemendo de prazer e felicidade pelo resultado do meu trabalho bem feito. – Ah… ficou lindo! O Draco vai pirar! Posso ficar com esse exemplar? Eu sei que já o li e revisei inteiro, mas é importante pra mim. Posso?

— Vá rápido. – Luna sorriu e pegou mais um da grande pilha de caixas. – E leve este para o Draco.

— Obrigada. Você é a melhor. – Eu sorri e beijei o seu rosto, indo embora saltitante até que ela me chamasse e eu a olhasse por cima dos ombros. – O que foi?

— Você está linda. – Ela sorriu e eu agradeci com um aceno de cabeça, voltando para a minha sala pelas escadas de emergência por causa da impaciência  e ansiedade em esperar o elevador. Quando estava abrindo a porta para sair da escada ouvi a voz de Ronald ecoar pelo corredor, brigando com um dos outros editores. Ele parecia transtornado e eu rezei para que ele não me visse enquanto eu abria a porta e corria para a minha sala (porque se isso acontecesse, seria capaz de brigarmos), me trancando lá dentro com Draco, que franziu o cenho ao me ver e depois abriu um sorriso cretino.

— Tá fugindo de um apocalipse zumbi? Veja direito, pode ser só o seu marido… – Ele perguntou com o seu tom de voz zombeteiro e eu revirei os olhos, contendo um sorrisinho.

— Olha o que eu tenho aqui e não vou te dar! – Eu cantarolei animadamente, mostrando o livro impresso e ele e fazendo uma dancinha da vitória. Ao ver a sua mais nova obra prima pronta em minhas mãos, ele arfou de surpresa, colocando o computador de lado e correndo para ver de perto. Para a minha surpresa, ao invés dele pegar o livro que eu segurava, ele me abraçou pela cintura, me ergueu no colo e me rodopiou.

— Obrigado! – Ele disse com a voz embargada e beijou o meu rosto demoradamente, só então pegando o livro da minha mão e apreciando a capa. – Ficou do caralho! Você é a melhor! Eu sabia que tinha feito a escolha certa… Obrigado! Eu não sei nem como te agradecer por isso!

— Posso ser a primeira a receber um autógrafo, como prova de sua gratidão? – Pedi, mordendo o lábio inferior para conter o sorrisão orgulhoso que eu tinha vontade de exibir para o mundo e ele sorriu, assentindo e se inclinando um pouco sobre a minha mesa para escrever na parte interior da capa. Quando ele terminou e me entregou o livro, com um sorriso no rosto, eu tomei um pouco de ar, ansiosa para ler o que ele tinha escrito.

“Para a minha editora preferida, que no dia de hoje está incrivelmente sexy, todo o meu respeito, carinho e amor.

Esse livro vai junto com o meu coração escravo e a minha eterna promessa de subserviência. Não disse em que circunstâncias.

Do seu autor e prostituto nas horas vagas, Draco Malfoy”

Dei uma gargalhada com isso e sorri, dando um beijo bem apertado em sua bochecha e o deixando com marca de batom, que ele não se importou em tirar. Passamos o resto do dia trabalhando no seu novo projeto, sobre um hospício mal assombrado. Pedimos comida online e eu nem sequer me incomodei com o cheiro de bacon do seu Hambúrguer, que empesteou a sala. As horas que passamos juntos naquele dia foram maravilhosas, mas infelizmente tudo o que é bom dura pouco e o expediente uma hora teria que acabar, me obrigando a voltar para a minha vidinha sem graça. Eu deixei Draco em sua casa, recebendo um beijo da vovó Myra, que veio até o carro só para isso e depois dirigi até o meu apartamento, notando que Ronald ainda não estava lá, para variar, e que eu não ficava mais surpresa com isso. Preparei uma sopa de caneca, daquelas que se compra em mercado, na forma de pozinho e ela fica pronta somente ao misturar com água quente, porque eu estava com preguiça de cozinhar. Depois de comer, quando eu coloquei a tigela na pia para subir, colocar o meu pijama e zapear a TV em busca de algo interessante para assistir, o meu celular tocou com um número desconhecido na bina. Estranhei, mas atendi, poderia ser importante, afinal.

— Alô?

—  Boa noite, eu gostaria de falar com a Sra. Hermione Granger, por favor.

— Sou eu. – Eu voltei a me sentar, apoiando os cotovelos na mesa da sala. – Quem é?

— Meu nome é Josh Sloper. Sou gerente administrativo do Ocean Way Hotel em Miami, tudo bem? – Franzi o cenho, estranhando a ligação, mas respondi mesmo assim.

— Er… tudo. – Disse, hesitante e ao mesmo tempo curiosa. – No que posso ajudar?

— Estou ligando porque teríamos uma sessão de autógrafos com o escritor Stephen King daqui a um mês em meu hotel, mas ele teve um imprevisto familiar e não poderá comparecer no evento, infelizmente. Então eu entrei em contato com algumas editoras para saber de escritores do mesmo gênero que poderiam substituí-lo e vi que o Draco Malfoy está lançando um livro novo essa semana e que você é a editora chefe dele.

— Sim, ele está com um novo livro… “Hotel De’ Moarte” é o título, e de fato, eu sou sua editora chefe. – Eu sorri, mordendo o lábio inferior, começando a sentiu o típico frio na barriga que ocorria quando uma coisa importante estava prestes a acontecer. – Como eu posso ajudá-lo, senhor?

— Exatamente. Eu gostaria de saber se ele não estaria interessado e disponível para este evento. – Ele pigarreou e eu peguei um bloquinho e uma caneta para anotar as informações importantes. – Faremos a venda dos livros durante a tarde e depois uma sessão de autógrafos, seguida de um coquetel. Você viria com ele e o acompanharia durante todo o evento, obviamente. Ambos ganhariam estadia de luxo em nosso hotel por todo o final de semana, alimentação e a passagem para vocês e um acompanhante cada um. É só falar que aceitam e me passar o nome de quem virá que eu resolvo tudo.

— É claro que ele aceita! Eu não tenho dúvidas disso, pode contar conosco. – Eu sorri, dando socos no ar. – Eu só preciso conferir a questão dos acompanhantes, quantos são e quem são. Posso te mandar isso por e-mail até o final do dia?

— Claro. Vou enviar o meu e-mail por mensagem de texto e ficarei aguardando notícias suas. Fico feliz pela parceria e agradeço muito pela sua atenção.

— Eu que agradeço, até mais. – Desliguei o telefone sorridente, pronta para ligar para o Draco e dar a notícia, quando o aparelho voltou a vibrar em minha mão, me assustando. Dessa vez era o Rony e eu atendi mais animada do que faria em uma situação normal. – Você não sabe o que eu acabei de conseguir! – Anunciei animada e ele gaguejou, provavelmente estava pronto para falar alguma coisa assim que eu atendesse a chamada e eu interrompi a sua linha de raciocínio.

— Er… o que?

— Uma noite de autógrafos em um hotel em Miami para o Malfoy! – Eu completei animada, batendo palminhas e ele engasgou.

— É sério? – Ele perguntou parecendo chocado, embora não houvesse um vestígio de orgulho ou felicidade na sua voz. Franzi o cenho pela sua reação e pigarreei antes de perguntar:

— Claro que é sério! Por que eu mentiria?

— Não, não é isso… é que… – Ele bufou. – Eu não achei que você fosse se sair tão bem no trabalho…

É claro! Revirei os olhos, me segurando para não suspirar em frustração. Ele não botava fé nenhuma em mim. E eu achando que ele ficaria orgulhoso do meu trabalho por ter conseguido para o Draco um evento tão importante e que renderia ainda mais lucro para a empresa. Fui tirada do meu próprio mundo pela sua voz alterada.

— Hermione? Você me escuta? – Escutei um barulho de batida e deduzi que ele tivesse dado um soco em alguma superfície de madeira, por conta da irritação. – Maldição, essas empresas de telefonia celular estão cada vez piores!

— Estou aqui. – Respondi desanimada. – Desculpa, eu me distraí. Você disse alguma coisa importante?

— Só que hoje eu vou precisar passar a noite na empresa.

— De novo? – Franzi o cenho.

— É. – Pude notar uma certa impaciência em sua voz. – Algum problema?

— Ah… não. – Menti. – É que eu acho você devia vir pra casa e dormir um pouco, ficar tantas noites sem dormir vai te fazer mal... – Eu tentei convencê-lo a vir enquanto brincava com a barra da minha camisa.

— Não me diga o que eu devia ou não fazer, Hermione, você não manda em mim. – Ele praticamente rosnou no outro lado da linha e eu me sobressaltei na cadeira, ficando em silêncio. Um silêncio que durou muito tempo, porque eu não sabia como reagir a esse tipo de grosseria. – Me desculpe, não quis ser rude. – Ele bufou. – Me avise da data dessa tal viagem para que eu possa ir com ele, então.

— O que? – Eu franzi o cenho. – Você ir com ele? Que história é essa?

— Você não acha que vai com ele, acha? Porque eu não vou permitir isso!

— Ronald, eu vou a trabalho. – Eu disse isso no meu tom mais professoral, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo e a ideia dele fosse absurda. – Eu consegui a porcaria do evento. É justo que eu vá!

— Não é questão de justiça, Hermione. Você é a minha esposa e você não vai sozinha com ele. E ponto final.

— Ronald…

— Não tem Ronald. – Ele me interrompeu secamente. – Não quero mais falar nesse assunto.

—Tenho certeza que ele vai cancelar o evento se eu não for. Você sabe como ele é… ainda mais depois daquela briga de vocês no escritório. – Anunciei e Rony bufou, contrariado, mas eu continuei. – E se ele não for, além de ser uma tremenda falta de consideração, vai pegar mal para a Crow’s e vamos deixar de lucrar uma boa quantia.

Essa era a minha melhor arma e quando eu ouvi o seu suspiro derrotado, dei um soco no ar em comemoração.

— Que seja. Eu preciso ir. – Ele anunciou e rudemente desligou na minha cara, mas eu nem me importei. Tratei de discar rapidamente o número de Draco e ele me atendeu animado.

— Acabaram de me ligar de Miami! O cara disse que falou com você! – Eu nunca o tinha visto tão feliz e isso me fez abrir um sorrisão. – Caralho! Você é a melhor! Estou tão feliz que poderia te dar um beijo na boca!

— Epa! Vai com calma, que eu sou casada. – Eu disse entre as gargalhadas. – Que bom que você gostou! Te liguei para te contar, mas foram mais rápidos!

— Eu amei! Amei muito! Essa viagem vai ser foda! Nós vamos… nós… Espera! – Ele ficou um segundo em silêncio, antes de voltar a falar. – Você vai, né?

— Claro que sim! Acha que eu perderia isso? Por nada nesse mundo! – Eu sorri e ele suspirou aliviado.

— Certo… Certo então! Eu... – Percebi que ele estava tentando conter a euforia. – Vou falar com a minha avó sobre isso! Eu...  Até amanhã! Obrigado por tudo!

– Até! E parabéns! – Eu sorri e desliguei o telefone.

Coloquei o celular sobre a mesa, me espreguicei, escutando o barulho das minhas articulações estalando e dei um bocejo preguiçoso antes de me levantar e preparar uma xícara de chá de camomila. Mais uma noite sozinha, enfim. Eu poderia assistir a algum filme, ler alguma coisa leve ou até mesmo ir para a varanda escrever sobre algum casal que namorava na praia. É, isso mesmo, vou escrever.

Depois de pegar a xícara quente e voltar para a sala, me sentando na mesma cadeira para saborear a bebida, uma ideia louca me passou pela cabeça: e se Ronald, mais uma vez, estivesse mentindo sobre estar trabalhando? Não… não pode ser… ele não mentiria duas vezes seguidas, mentiria? Bom, não mentiria se estivesse fazendo a coisa certa.

O celular sobre a mesa chamava a minha atenção em uma espécie de flerte, eu o olhava, ele olhava para mim e eu tentava conter os meus impulsos de pega-lo e usá-lo para descobrir a verdade sobre essas noites de trabalho de Ronald. Eu conseguia imaginar a cara da minha mãe se me flagrasse pensando em uma coisa dessas. Ela com certeza diria “Hermione, a boa esposa não pressiona e não desconfia. Você deve apenas aceitar os horários do seu marido e garantir que você esteja sempre ao lado dele o apoiando em todos os momentos que ele precisar”. Revirei os olhos com isso e tomei mais um gole do meu chá. A lei principal sobre o comportamento da esposa exemplar é não infernizar o marido. Tentei desviar a atenção ligando a televisão e zapeando pelos canais de TV a cabo, a procura de algum programa interessante, mas a curiosidade foi ainda mais forte.

As malditas regras diziam que não deveríamos incomodar o marido com perguntas e desconfianças, mas isso não significa que eu não possa descobrir por outros meios, meios ainda mais eficazes, já que havia grande probabilidade dele contar alguma mentira ou dar uma desculpa esfarrapada se eu o colocasse contra a parede. O celular me atraiu mais uma vez, ainda mais forte que antes e eu o peguei, tamborilando ansiosamente com os meus dedos sobre a tela apagada, antes de apertar o botão central, colocar a senha e digitar o número de Luna. Dois toques soaram antes que ela finalmente me atendesse com a doçura de sempre em sua voz.

— Oi amiga!

— Lu, oi! Como você está? – Eu perguntei, tentando ser educada e manter a calma.

— Ainda estou na Crown’s com a Gina, acredita? Tivemos um vazamento de tinta em uma das impressoras e mais de duzentos livros foram manchados e arruinados, estamos tentando ver os custos para reciclar o papel, já que se jogarmos tudo fora teremos um prejuízo descomunal. Está uma loucura por aqui. – Ela bufou e eu me senti aliviada. Talvez, com este problema, Ron estivesse realmente trabalhando para tentar resolver tudo. Ela voltou a falar em seguida. – Precisa de alguma coisa de mim?

— Na verdade, sim, eu preciso. – Eu disse hesitante e ela ficou em silêncio, esperando que eu continuasse a falar. – Você saberia me dizer se… por um acaso… o Rony está na editora agora?

— Com certeza não. Não está. – Ela respondeu de forma assertiva e eu reprimi um suspiro derrotado. – Ele saiu faz mais ou menos uma hora e eu estou praticamente na porta da sala dele. As luzes estão apagadas e a sala vazia. Por que?

— Ele disse que não viria pra casa para trabalhar durante a madrugada…

— Pode ser que ele esteja trabalhando de outro lugar. Com um cliente, escritor, parceiro... sei lá... – Ela disse cautelosamente. – Ele não estava negociando com o dono daquela livraria que vai abrir no shopping novo do centro da cidade?

— É… estava. – Eu encolhi os ombros. – Mas eu duvido que aquele senhor, dono da livraria, trabalharia de madrugada...

— É bem esquisito, mesmo. – Ela disse pensativa. – Tive uma idéia, vou até o meu computador para ver se ele está logado no sistema da empresa. Espere um minuto…

— Certo. – Eu mordi o lábio inferior enquanto passava o dedo pela borda da xícara, esperando ansiosamente a sua resposta, que não demorou nem três minutos para vir.

— Amiga, ele não está no sistema, nem logado na nuvem e nem online no chat. – Ela suspirou. – Eu sinto muito, mas acho que ele realmente não está trabalhando agora.

— Ok. – Eu disse simplesmente. – Obrigada, Lu.

— Por nada. É… eu realmente sinto muito, amiga.

Depois de me despedir e desligar o telefone com ela, eu levei as mãos ao rosto e contive o choro de frustração que estava entalado na minha garganta. Por que ele estava mentindo pra mim? O que ele fazia quando ficava noites e mais noites fora de casa? Minha cabeça estava cheia de perguntas que eu mal tinha ideia das respostas e tentava não pensar no pior. Eu seria obrigada a passar mais uma noite sozinha naquela cama imensa, sem nada pra fazer e nem ninguém para conversar. A não ser que… É claro!

Eu peguei mais uma vez o celular sorrindo com a minha ideia genial e torcendo com todas as minhas forças para que ela desse certo, apertei um número específico na lista de chamadas realizadas recentemente e esperei ansiosamente durante alguns toques até ser atendida.

— Não é possível que você já esteja com saudades de mim! – A voz arrastada e zombeteira de Draco soou do outro lado da linha e isso foi o suficiente para que toda aquela coisa ruim se dissipasse. Quase suspirei de alívio ao sentir o meu peito toneladas mais leve do que minutos antes, mas quando ele voltou a falar comigo, eu despertei do meu transe. – Você me ligou para ficar em silêncio? Que porra é essa?

— Não! – Eu sorri.

— Então o que foi?

Mordi o meu lábio inferior, contendo um sorrisinho que teimou em surgir antes de responder:

— Você está ocupado hoje?

— Não. Não estou. Por que? Precisa dos meus serviços de gigolô? – Ele perguntou zombando de mim e eu ri.

— Tá a fim de vir aqui? Eu realmente preciso conversar.

— Aconteceu alguma coisa? – Seu tom de voz, que antes era leve e divertido ficou sério e confuso de repente e eu entortei os lábios, pensando. – Hermione?

— Aconteceu… quer dizer… não… não sei. – Gaguejei. – Você pode vir? Por favor...

— Tô levando sorvete. – Ele disse simplesmente antes de desligar e eu sorri, me jogando de forma displicente no sofá da sala.

 


Notas Finais


Bom, por hoje é só!
Como alguns de vocês sabem, a Milla (@MrsNobody8) vai ter uma prova importante para fazer no domingo e vai passar a semana estudando, por conta disso ela não vai aparecer muito por aqui. Vamos todos mandar boas energias para os estudos dela e para que ela passe na prova, certo? Conto com vocês para isso! Todos na torcida!

Obrigada por TODOS os comentários maravilhosos nos últimos capítulos, demoramos para responder, mas amamos ler, de verdade! Comentem sempre!

E muito obrigada aos novos favoritos, sejam muito bem-vindos! Espero que estejam gostando!

É isso! Vocês são demais!

Beijos e até a próxima segunda!


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