História Um bilhete para você - Capítulo 1


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Categorias Julian Brandt, Kai Havertz
Personagens Julian Brandt, Kai Havertz
Tags Julian Brandt, Kai Havertz, Kaixjulian
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Palavras 3.747
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Crossover, Fluffy, Romance e Novela
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Hallo!
Então, essa one tinha guardada há um tempinho e pensei em compartilhar, tá bem levinha porque foi algo que escrevi para passar o tempo.
Desculpem qualquer erro!

Capítulo 1 - Único


– É como dizem: o não você já tem.

– Animador, Leon. Obrigado.

Balancei a cabeça, me sentindo cada vez mais derrotado.

– Ai Julian, não faz essa cara! Você não pode desistir! – Joshua incentivou mais uma vez.

– É, mano. Não desiste, sério. – Leon deu um soquinho em meu braço e sorri sem muita emoção.

A disposição de Joshua e Leon para tentar me colocar para cima era comovente, mas a cada dia isso ficava mais difícil quando eu começava a pensar em como era tolo por ter me apaixonado por outro cara. E como se isso já não fosse novo e assustador o suficiente, era meu amigo e companheiro de time.

Uma maravilha.

Não sei exatamente quando passei a gostar dele de uma maneira tão diferente. Eu sentia bastante carinho por ele e por todo o seu jeito tímido, mas brincalhão, admirava sua dedicação e esforço, independente se era treino ou jogo e lembro o quão orgulhoso fiquei quando ele fez o primeiro gol – em um empate contra o Wolfsburg na temporada 16/17. Apenas houve um momento que percebi que gostava quando ele me abraçava durante o fim do jogo, como gostava de conversar com ele e como ficava incomodado com sua proximidade com outros companheiros, principalmente Kevin.

– Eu estou tentando, mas... – Fiz uma careta.

O medo nem era de me declarar, era de ser afastado e rejeitado.

E eu podia aguentar qualquer coisa, menos Kai deixando de ser meu amigo.

Por gentileza da vida eu consegui passar o resto do treino sem pensar em Kai ou qualquer coisa relacionada e fiquei tão cansado que durante a noite eu só queria deitar em minha cama e dormir, mas tinha esquecido que era a final de um torneio que a seleção alemã sub-19 estava participando e nos reunimos todos no salão do hotel para assistir.

Eu simplesmente amava quando me juntava com a seleção. Ainda com um grupo misto e não definido, era bom poder passar um tempo com velhos conhecidos como Leon e Joshua e ainda assim conviver e aprender com jogadores mais antigos.

Me sentei ao lado de Leon, já que Joshua parecia mais interessado em fazer o ombro do meu xará Weigl de encosto.

E, claro, também tinha isso: sabendo da sexualidade dos meus companheiros, encontrava uma forma de me sentir eu mesmo. Não sabia como os outros reagiriam se alguém do grupo se anunciasse gay, no entanto, não se importavam com a proximidade de Weigl e Kimmich, ou da aproximação repentina de Bernd e Marc-André, ou com a maneira que Benni e Hummels pareciam um casal juntos há mais de oitenta anos.

Só que a maioria devia pensar que eram relações como a de Reus x Götze x Schürrle, a verdadeira e genuína amizade, cheia de brincadeiras e de sua própria linguagem, então, não valia muito dizer como reagiriam.

– Hmm, parece que resolveram focar na pessoa certa, não é, Julian? – Leon comentou em tom de brincadeira enquanto a televisão mostrava o rosto concentrado de Kai.

Por que tão bonito? Muito meu sonho de consumo acordar e dar de cara com aqueles olhos azuis meio puxados e brilhantes.

– Leon, cala a boca. Se não eu juro que...

Parei. Merda, contra Joshua eu tinha alguns argumentos, já contra Goretzka não.

– Não tem nada para usar para me ameaçar, eu sei! – Leon riu.

– Mas posso descobrir. – Fiz bico.

– Depois você descobre, Sherlock Holmes, atenção que o jogo já vai começar.

Eu prestei atenção no jogo, o máximo que consegui porque estava matutando algo para provocar/ameaçar Leon e porque a cada vez que ouvia o sobrenome de Kai, meu coração palpitava mais rápido.

– Eu tive uma ideia! – Joshua se aproximou assim que o jogo acabou. Kai e os garotos haviam ganhado por 2x0.

Arqueei as sobrancelhas.

– Suas ideias são um pouco controversas, Kimmy. – Leon falou.

– Você é que não sabe executar elas direito, Leon. – Revirou os olhos. – Enfim, por que não se passa por um admirador secreto?

– Um stalker?

– Não. Admirador, é diferente.

– O que vocês estão tramando? – Weigl se aproximou acompanhado de Bernd e Joshua sorriu para o moreno.

– Estamos tentando arranjar um jeito do Julian descobrir se o Kai gosta dele também.

Bati a mão na testa.

– Eu já tinha reparado, Julian. – Bernd sorriu. – Você fica diferente perto do Kai. É tipo Leon com o Meyer.

Leon fechou a cara imediatamente.

– E você com o Stegen.

– Ouvi meu nome? Rodinha gay e ninguém me chama? – O goleiro do Barcelona riu parando ao lado de Bernd.

Ao menos éramos os últimos no salão e não tinha mais ninguém para ouvir a vergonhosa conversa.

– Não me parece uma boa ideia.

– É sim! Quer dizer, ele conhece sua caligrafia? Porque ele pode até ter visto você assinando coisas, mas é diferente de escrever um texto, por exemplo.

Neguei encarando Joshua.

– Não é muito arriscado?

– É, mas... se você ficar perdendo tempo, algum dia pode ser tarde demais.

– Eu te ajudo, Julian. – Bernd sorriu colocando a mão em meu ombro.

Sorri agradecido.

– Só... tenha certeza que é isso mesmo que quer, okay? Não aja por impulso e no momento mais decisivo e importante pule do barco, pode sair muito mais machucado do que machucando alguém. – Leon aconselhou e senti pena ao ver a tristeza em seu olhar, ele nem precisava falar mais nada.

Assenti. Boa ou não, era melhor eu começar a preparar os bilhetes.

***

Quero todo o teu espaço
e todo o teu tempo.
Quero todas as tuas horas
e todos os teus beijos.
Quero toda a tua noite
e todo o teu silêncio.

 

P.S.: É de um escritor brasileiro, Mário Quintana. Wendell traduziu para mim e achei tão lindo e tão condizente com o que sinto que pensei que você poderia gostar.

P.S.: Adorei o novo corte, você ficou lindo!”

 

– Ah, eu adorei! – Benny riu, assim como o resto dos jogadores no vestiário e eu acompanhei a risada para disfarçar.

A ideia de Joshua estava indo bem e pouco a pouco, via como Kai ficava balançado pelo admirador secreto e, meio sem querer, todo o time já sabia que ele andava recebendo bilhetes e era uma diversão para todos as declarações de toda a semana.

E quase todo mundo já sabia quem era o responsável por aquilo. Aparentemente eu não conseguia esconder que gostava de Kai, sorte que ele não enxergava isso, porque depois de dois meses de bilhetes ainda não tinha chegado a conclusão de quem era.

– Wendell, me diz quem é, por favor! – Kai choramingou. – É sério, gente, já que vocês juram de pé junto que não é uma brincadeira, me digam quem é o bendito! – Pediu fazendo bico.

Deuses, me ajudem a não cometer uma loucura e me declarar no vestiário.

– Se você soubesse quem é, o que faria? – Kevin indagou e todos passaram a encarar o caçula do time.

– Eu... bom... não sei, acho que conversar com ele?

– Só conversar? – Incentivei, precisava dizer algo antes que ele desconfiasse.

– Não sei. Se eu tivesse ao menos a mínima noção de quem é, daria ao menos um beijo. Não seria bom? – Arqueou as sobrancelhas me encarando.

– Não sei, nunca te beijei para saber é bom ou ruim. – Dei de ombros, os rapazes riram com a vermelhidão no rosto fino de Kai. – De qualquer modo...

– ... podíamos te dar uma ajuda. – Kevin ofereceu e quis jogar minha chuteira na cara dele.

Kai sorriu animado.

– Sério?

Kevin assentiu.

– Tudo bem, vamos lá. Deixa ver um jeito de descrever ele sem ser muito específico. – Bailey se fingiu de pensativo. Ninguém ia perguntar minha opinião sobre isso?

Se Bernd ainda estivesse ali eu sabia exatamente o aquele diria “É sua chance, se declara”. Mas bom, ele estava em Londres e eu não tinha culhões ainda.

Engoli em seco e lancei um rápido olhar a Bernd que balançou a cabeça.

– Usa um número entre 10 e 21.

Passei os olhos por Kai novamente e gelei. Os olhos azuis brilhantes e um pouco puxados me encaravam fixamente e então me toquei que talvez ele já sabia.

***

Eu devo ter surtado lá pelas nove horas da noite do mesmo dia. Até demorei, para falar a verdade.

Sorte que agora estávamos com uma pequena folga e eu não teria que encarar Kai pelos próximos dois dias, os quais pretendia passar dentro de casa sem fazer nada.

E nesse momento estava andando de um lado para o outro, decidido a cessar os bilhetes porque agora que Kai já sabia... eu não tinha a mínima noção do que fazer.

Eu não sei porque você tá tão surtado. Não é bom que ele já saiba? – Leon falou do outro lado da tela e parei de andar.

Concordo com o Leon. – Joshua falou e suspirei.

– É bom e não é, porque não sei como vai ser agora.

Podia começar conversando com ele. – Leon deu de ombros.

– Eu sei, mas... – Comecei segundos antes de ouvir batidas na porta. Eu sabia quem era o único que batia na porta mesmo com uma campainha do lado. – Falo com vocês depois. Tchau. – Abaixei a tela do notebook.

Eu estava caminhando em direção a porta, mas bem que parecia que era para minha morte. Não entendia como o fato de gostar de Kai me deixava tão nervoso e inseguro, como nunca aconteceu antes e era por isso que eu tinha certeza de que era amor.

Respirei fundo e contei até três.

Kai sorriu, envolto nas roupas de frio, ainda vi alguns resquícios de flocos de neve em sua roupa e cabelo e quis envolvê-lo no meu abraço mais quente ao perceber que tremia e a ponta do nariz estava vermelha.

– Não devia ficar andando sozinho a essa hora, tá nevando muito. – Dei espaço para ele entrar.

– Eu sei. Mas não estava fazendo nada em casa e sabia que você também estava à toa, pensei que talvez seria bom uma companhia. – Sorriu de um jeito inocente e praguejei por dentro, aquele jeito de garoto tímido que ele fazia às vezes acabava comigo!

Tentei ao máximo dissipar qualquer clima ou assunto que pudesse remeter a bilhetes e admiradores secretos e agi da melhor maneira que amigos agem, conversamos sobre tudo e todos, comemos besteiras, tentamos assistir um filme de comédia sem sucesso e lá pelo final da terceira hora de Kai no meu apartamento ele estava com os pés estirados em cima do meu colo, bebendo uma baita xícara de chocolate quente que insistiu para eu fazer, enquanto eu dividia minha atenção entre o filme de romance na TV e rir das meias infantis dele.

– Elas são uma gracinha, Jule! – Comentou revirando os olhos.

– Eu não compraria uma dessas!

– Foi presente do Kevin, eu também não compraria. – Sorriu. Senti meu estômago remoer com a menção do nome de Kevin e um breve sentimento de ranço tomou conta de mim e ideias de morte mirabolantes pipocaram em minha mente.

– Você e Kevin são bastante próximos, não é? – Falei despretensioso, sem realmente o encarar.

Kai balançou a cabeça em sinal de mais ou menos.

– Somos bons companheiros, nada demais. – Deu de ombros.

Às vezes parece que são mais que isso... – Balbuciei de forma quase inaudível.

– Hm? Não entendi, pode repetir? – Kai pediu confuso.

– Estava dizendo que não vou deixar você voltar para casa a essa hora, ainda mais sozinho. – Menti.

Kai revirou os olhos.

– Posso andar muito bem sozinho.

– Pode não. Não discuta, baby boy. – Provoquei, como um dos caçulas do time, ele já estava acostumado com as brincadeiras. – Já volto. – Kai ergueu as pernas e levantei do sofá. – Seu cabelo tá bonito hoje! – Falei enquanto passava ao seu lado e aproveitei sua distração para transformar os fios negros em um verdadeiro ninho de passarinho.

O moreno resmungou e jogou uma almofada em mim, e eu gargalhei tentando desviar do objeto, mas acabei sendo atingido com uma força grande demais para uma almofada.

– Desculpa! – Kai se levantou segurando o riso enquanto eu massageava a região atingida do meu rosto. – Sou uma visita horrível, não sou? – Arqueou as sobrancelhas e o tom da sua voz evidenciava o divertimento.

– É sim. Péssima visita, aliás. Fica atacando o anfitrião com almofadas. – Pressionei minha bochecha.

Kai me encarou por alguns segundos e sorriu, o mesmo sorriso que recebi mais cedo no vestiário. Levantei com pressa e um pouco desconcertado e segui pelo corredor com o intuito de deixar o quarto extra minimamente apresentável, só me preocupava com ele quando meus pais viam me visitar ou quando alguns amigos apareceriam.

Mesmo que minha vontade fosse que Kai dormisse na minha cama, agarradinho comigo.

– Julian, seu celular. – Kai surgiu na porta de supetão e me assustei um pouco.

Peguei o celular um pouco preocupado, já se passavam das duas e notícia boa nunca chega nesse horário. Fiquei ainda mais preocupado ao escutar a voz chorosa de Leon e demorou mais de uma hora para que eu conseguisse acalmá-lo – já que era a única coisa que eu podia fazer, o problema era entre ele e Max e mesmo que eu quisesse interferir, não era certo.

Quando voltei para a sala o corpo de Kai estava relaxado no sofá e ele me deu um sorriso um pouco triste ao ver minha expressão preocupada.

– Tá tudo bem? – Sentou-se e colocou uma almofada em seu colo, dando dois tapinhas nela em seguida.

Me deitei um pouco receoso. Será que ele tinha noção do quanto aquele pequeno gesto era mais do que parecia para mim?

– O Leon está com problemas... – Mordi o lábio inferior. Era um segredo, no fim das contas; os relacionamentos, os amores escondidos e ainda não declarados, não tinha noção se Kai percebia ou sabia de algo, ainda mais considerando a diferença de clubes e o nível de seleção.

– Max. – Ele sorriu. Suas mãos se embrenharam em meu cabelo em um carinho bem-vindo.

– Você sabe?

Eu percebi. – O sorriso. O mesmo sorriso do vestiário. – Eles ficam diferentes perto um do outro, dentro do campo, inclusive.

Arqueei as sobrancelhas.

– Espero que não tenha reparado nisso durante o nosso jogo contra eles.

– Acredite, dentro do campo só há uma coisa que consegue roubar meu foco e não é nenhum deles, apesar de Leon chamar tanta atenção. Ele é muito bonito. – Deu de ombros.

– É sim.

Pelo menos uma vez consegui disfarçar o ciúme.

– Acho que vou dormir. – Murmurou.

– Também vou.

Levantei e no fundo, enquanto Kai me seguia pelo corredor, senti vontade de colocar ele entre a parede e perguntar se ele já sabia de tudo e estava tentando preservar nossa amizade ou tinha algum sentimento romântico por mim, o mínimo que fosse.

Mas a única coisa que consegui dele foi um “boa noite” acompanhado de um sorriso contido e olhos azuis brilhantes.

***

Para o meu próprio bem e preservação da minha sanidade, dei fim a ideia dos bilhetes uma semana depois da noite que Kai passou na minha casa. E claro que o fim repentino gerou comentários no vestiário e até lamentações da parte de Kai, mas com o passar dos dias a falação a respeito foi diminuindo e eu podia ficar mais tranquilo em momentos como agora, em que o time todo está fazendo um lanche antes de viajar para o próximo jogo.

– Eu fiquei horrível, apaga, pelo amor dos deuses do futebol.

– Nem fodendo. Para começo de conversa, a foto é minha. – Kai retrucou colocando o celular em cima da mesa.

– Mas é eu que tô na imagem! – Reclamei.

– Eu que tirei. É minha. Sem discussão.

Balancei a cabeça, não adiantaria em nada ficar discutindo com ele aquilo, por mais que minha cara denunciasse que não tinha tido a melhor das noites e meu cabelo estivesse um ninho de rato em consequência do treino, a foto tinha sua beleza, ainda mais por ter sido tirada em um momento que o sol resolveu aparecer e iluminar todo o salão o deixando com uma bela iluminação para fotografia e Kai não perdeu tempo em captar o brilho dos meus olhos e meus lábios formando uma linha fina enquanto eu saboreava o café.

– Para quê ficar tirando foto minha se nunca me envia? – Arqueei as sobrancelhas.

Kai fingiu que nem foi com ele e comentou algo baixinho próximo ao ouvido de Kevin que riu alto.

Dessa vez não consegui disfarçar bem a cara de ciúme.

Eu adorava Kevin, mas qual a necessidade de estar sempre tão próximo de Kai?

– Julian, disfarçar às vezes é bom. – Jonathan sussurrou me assustando.

– É um pouco difícil, sabe. – Resmunguei.

Kevin só deixou Kai quando o moreno sentou ao meu lado no ônibus e continuou assim no avião e, para minha surpresa, nós dois iríamos ficar no mesmo quarto já que Jonathan trocou com o Havertz sem me avisar absolutamente nada. E eu não queria colocar nada em minha cabeça, mas o que tinha levado Kai a trocar de quarto assim?

– Você está chateado, Julian? Digo, está com raiva por ter de dividir o quarto comigo? – Kai indagou de maneira inocente enquanto eu mexia em minha mochila a procura de uma muda de roupa. – Eu posso pedir Tah para trocar de novo, ou Benny.

– Não! De onde tirou essa ideia que poderia estar chateado?! – Respondi com certo desespero e senti meu rosto queimar.

Kai ergueu uma sobrancelha escura.

Eu vou ficar louco se não sentir o gosto desse garoto logo.

– Não passamos mais tanto tempo juntos como antes. Desde que comecei a receber aqueles bilhetes, você se afastou um pouco. – Kai abaixou um pouco a cabeça.

Deixei ele triste! Ótimo!

– Me desculpa, é só que... enfim, não tem desculpa para isso. – Suspirei derrotado. – E esses bilhetes, hein? Já descobriu quem escreve?

Jogar verde para colher maduro.

– Não. – Fez careta.

Senti o alívio tomar conta de mim. Ah! Podia até voltar a mandar os bilhetes para ele agora!

– Espero que descubra logo. – Sorri.

– Eu também.

***

Depois do jogo o que eu mais queria era dormir durante o maior tempo possível antes de ter de pegar um voo de volta para Leverkusen, mas Kai não parecia muito disposto a me deixar fazer isso, muito menos Leon que não parava de me mandar mensagens.

– Você está irritado. – Kai me encarou com seus belos olhos azuis meio puxadinhos e balancei a cabeça negativamente enquanto digitava um “vai foder e me deixa em paz” para Leon. – Ah, está sim. Impaciente também, e nervoso. Eu te deixo nervoso, Julian? – Perguntou com a maior casualidade possível.

Corei imediatamente.

– É, eu deixo. – Ouvi uma risada baixa e dei uma olhada pelo quarto, tentando dispersar minha vergonha.

– Acho que não dá mais para eu adiar isso. – Falou andando até a porta do quarto e a trancando. – Hora de conversamos sério e sermos sinceros um com o outro, Julian. – A voz de Kai saiu séria e mantive minha cabeça baixa, sem coragem de o encarar. – Eu gostaria de que olhasse para mim, loiro. – Pediu e suspirei.

Ergui os olhos e encontrei os seus, brilhantes, maliciosos e decididos.

– Eu percebo muitas coisas. Você fica diferente perto de mim, Jule.

– Sério que sou tão óbvio assim? – Deixei meus ombros caírem e Kai riu.

– É, não tanto. Mas mais do que quem quer guardar segredo deveria ser. Me diz: de onde partiu a ideia?

– Kimmy.

– E imagino que ele supôs que eu não reconheceria sua caligrafia porque a maioria das vezes que vejo você escrevendo é dando autógrafo, não é? – Assenti. – Bom, eu não sei se você se lembra, mas você me mandou um presente de aniversário... – Tirou um papel do bolso da calça e empurrou em minha direção.

Um bilhete, parabenizando-o pelo aniversário de dezoito anos, coisa que eu nem lembrava que tinha escrito.

Balancei a cabeça negativamente.

– Agora é a parte que me diz que sou um idiota e que é melhor nem sermos mais amigos? – Arrisquei e ele deu de ombros.

– Ou pode ser a parte que eu te beijo.

Engasguei com o nada e comecei a tossir. Kai, preocupado, veio em minha direção e deu alguns tapinhas em minhas costas.

Sentei na cama tentando normalizar minha respiração.

– Me beijar?! – Disse em mistura de surpresa e incredulidade.

O moreno mordeu o lábio inferior. Ah, bebê, não faz isso...

– Ou não, se você não quiser. Eu só pensei que talvez pudéssemos... eu não quero te obrigar a fazer nada que não queira, Julian. – Envergonhou-se e a sua expressão estava tão fofa que meu único ímpeto foi sorrir.

Encarei minhas mãos, desconcertado. Qual é, parecia que era a primeira vez que eu estava em uma situação assim! Deveria estar menos nervoso, não era nem de longe o meu primeiro beijo, porém, o fato de ser Kai e eu nunca ter sentido algo assim por alguém, me deixava tão diferente.

– Acho que você precisa de um tempinho para pensar, não é? – Kai cruzou os braços, sorrindo um pouco triste.

Balancei a cabeça e me ergui.

– Já pensei. Só me beija, Havertz. Apenas isso.

Um arrepio percorreu minha espinha ao ver o brilho tão diferente nos olhos azuis e os lábios rosados se curvarem em um sorriso extremamente malicioso.

Fiquei sem saber exatamente o que fazer, mas Kai parecia bem no controle de tudo quando segurou meu rosto e passou os polegares em minha boca com fascínio.

Fechei os olhos sentindo sua respiração tão próxima e com nervosismo senti seus lábios tocando os meus. Se havia uma sensação equivalente àquela, talvez fosse a mesma sensação de quando fiz meu primeiro gol como jogador de futebol profissional e não era exagero dizer que estava até mais feliz no momento. Agarrei a camisa dele com mais força e uma das mãos de Kai permaneceu em meu rosto enquanto a outra foi para minha cintura a apertando.

O beijo logo evoluiu para algo mais apressado e necessitado e deixei um suspiro escapar antes de tomar mais controle da situação e transformei o beijo em um ato mais molhado forçando minha língua contra a do moreno.

– Uau! – Kai riu quando nos separamos.

Ele com os lábios avermelhados era a coisa mais sexy nesse mundo.

– Agora sim seria um bom momento para uma foto, se eu soubesse que você ficava assim, tão irresistível, depois de um beijo... porra, Julian. – Grunhiu. – Eu gosto tanto de você. E dos seus bilhetes.

Ri envergonhado.

– Inclusive, tenho um para você. Carrego desde do dia que descobri que você gostava de mim.

Me entregou dessa vez um bilhete com um aspecto muito mais desgastado e com cara de quem foi dobrado inúmeras e inúmeras vezes.

Desdobrei o papel e aumentei mais ainda o sorriso em meu rosto.

“Aceita namorar comigo?”

Aceitava e como aceitava, e dessa vez não precisava de um bilhete para dizer.


Notas Finais


Tschüss!


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