História Um bom negócio. - Capítulo 5


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Categorias Harry Potter
Personagens Draco Malfoy, Harry Potter
Tags Draco Malfoy, Drarry, Harry Potter, Pos-guerra, Romance, Top!harry
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Palavras 2.070
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 5 - Capítulo 5


— Amigo, que fique registrado que acho isso uma loucura! — Ron protestou.

    O ruivo encontrava-se sentado em sua cama, as pernas abertas e o corpo a ser apoiado por seus cotovelos, que estavam no colchão. Apesar da postura displicente, sua expressão era de preocupada.

    — O que pensa que Draco vai fazer, Rony? Me morder? — Zombou, fazendo uma careta para o amigo, que retribuiu na mesma moeda.

    — Não sei. — Deu de ombros, mas ainda o fitava desconfiado. — Eu só acho eles bizarros. Todo o time de corrida. Não sei se já percebeu, mas os rostos deles são estranhamente…

    — Exoticamente ameaçador? — Ofereceu num palpite. — Alienígena e sexy?

    O com sardas se tremeu na cama, como se um calafrio houvesse percorrido sua espinha, fazendo careta.

    — É exatamente isso. — Concluiu.

    Ao invés de responder a Ronald, Harry se virou em direção ao espelho redondo que guardava no canto de seu quarto. Com ele conseguia ver seu corpo inteiro. Não era magro, muito pelo contrário, o futebol americano havia lhe dado músculos, mas não o suficiente para parecer grande.  A pele negra clareava na testa onde jazia a cicatriz de raio, que ia até o início da ponte de seu nariz grande e estreito. Seus olhos esverdeados eram sempre escondidos e emoldurado por seus óculos redondos, mas ao meus seus lábios grossos casavam bem com o rosto anguloso e a barba por fazer. Os cachos cresciam por todos os lados, negros e grossos, cheios de pontas. Trajava uma blusa preta simples dobrada na manga e um jeans claro, que combinava com seu allstar vermelho. Por cima disso a blusa de janela xadrez vermelha e preta para o aquecer.

    A diferença entre ele e o corredor era discrepante. Draco era magro e alto, de coxas grossas e poucos músculos. Sua beleza era estrangeira e impressionante, além do fato do garoto viver bem vestido e perfumado. O Malfoy não era básico, ou simples — ou qualquer coisa parecida com os homens com quem costumava se relacionar. Ainda assim, se sentia terrivelmente atraído pela expressão sempre séria e o humor ácido.

    — Estudar com ele tem realmente me ajudado, não custa nada que eu retribua o favor. — Distraía-se enrolando as mangas do casaco. — É só poesia.

    —  Eu sei bem que não se trata só de poesia. —  Reprimendou o amigo com os olhos a o espetar. —  Quer dizer, é o seu lugar favorito!

    —  É o lugar favorito de muita gente. —  Rebateu. — Por exemplo de Astória, e é por isso que vamos para lá. —  Sorriu convencido.

    — Continuo dizendo que é uma péssima ideia. — Insistiu, deitando-se na cama para fitar o teto. — Eu conheço você, Harry James Potter. E você pode até ter medido bem sua reação, mas sei que você continua sendo o garoto do ensino fundamental que escrevi o nome do Malfoy no seu caderno.

    A cabeça quase virou em 360 no momento em que ouviu aquilo. Os olhos arregalaram-se em direção a Ron, mas era difícil manter-se sério quando as bochechas se encontravam terrivelmente quentes e vermelhas.

    —  Cala a boca! —  Falou entre dentes. Cada letra era uma ameaça. —  Só foi uma queda boba!

    —  Que durou dois anos! —  Insistiu o melhor amigo. —  Fala sério, Harry! Foi assim que você se descobriu gay!

    —  Eu estou ajudando o garoto, só isso. Pare de fazer suposições malucas, Weasley. —  Insistiu em tom ameaçador.

    —  Certo, você é quem sabe. —  Deu de ombros, finalmente desistindo.

    Antes que qualquer um deles pudesse dizer alguma coisa a campainha tocou. Imediatamente o capitão do time de futebol seguiu em direção a porta, a fim de receber Draco, que provavelmente estava lá embaixo.

    —  Bom encontro. —  Cantarolou Ron.

    —  Não é um encontro. —  Respondeu Harry no mesmo cantar.

    No andar de baixo a voz do Weasley não passava de um sussurro distante, o suficiente para fazê-lo esquecer daquela conversa desagradável. Formou um sorriso pequeno com os lábios e abriu a porta para contemplar um muito elegante Malfoy. O garoto alvo trajava um blazer azul marinho e uma calça de igual cor. Sua blusa era cinzenta, e seu allstar combinava com ela.

     — Potter.  — O dono dos óculos redondos foi capaz de sentir os olhos prateados grudados em si, fazendo sua pele queimar. O esguio o fitou de cima abaixo, sem pudor algum, e então sorriu de canto.  — Roubou seu look de um mendigo?

    Tentou reprimir a careta e o socou fraco na altura do ombro, o fazendo rir.

     — Não seja estúpido, Malfoy. Assim você não vai conquistar a garota.  — Advertiu, embora estivesse claramente se divertindo.

    Caminhavam juntos em direção a seu carro, um new beatle preto de segunda mão que havia comprado com o dinheiro de seu trabalho de férias, como instrutor de um acampamento no Texas.

     — Está brincando?!  — Gargalhou o corredor, com uma das mãos na porta do carona e a outra apoiada no carro. Sua cabeça pendia levemente para trás, e seus olhos se encontravam fechados.  — Faz parte do meu charme!

     — Tente não parecer tão narcisista, garotas não gostam disso.  — Entrou no carro, esperando o outro fazer o mesmo.

     — O que você entende de garotas, afinal?  — Sentou-se Draco, colocando um dos pés no painel do carro.   — Todos sabem que você é gay. — Apesar da entonação, nada em sua expressão corporal mostrava incômodo.

     — Bom, eu sei o suficiente para saber que Astória está esperando que você mude.  — Pausou, soltando um suspiro cansado. Os olhos encontravam-se focados na estrada.  — Vamos lá, todos sabemos que você é bonito, tem dinheiro e tudo o mais. É o partido perfeito, mas falta… Como eu posso dizer?  — Pigarreou. — Falta decência. Você é um completo babaca, e todos querem pegar o babaca. Mas ninguém quer namorar um babaca. Está entendendo?  — Gesticulou com uma das mãos.

    Buscou os olhos cor de lua pelo retrovisor, encontrando um nada satisfeito Malfoy. Ele parecia estar realmente ofendido, mas não manifestou nada disso. Apenas permaneceu quieto e de braços cruzados, olhando reto.

    Estacionou em frente a um pequeno estabelecimento de tijolos vermelhos e porta de madeira, saltando no carro com um sorriso admirado no rosto. Chegar ali sempre o fazia se sentir mais leve e livre, até mesmo na companhia de um Draco rabugento, nada conseguia lhe tirar a magia do lugar.

     — Então quer dizer que você vem a esse lugar no meio do nada o tempo inteiro?  — Questionou o platinado, caminhando um pouco atrás de si.

     — Sim.  — Harry não demonstrou muito interesse. Sabia que eventualmente aquela conversa iria acontecer.  — Depois de perder meus pais aqui era o único lugar em que me sentia realmente feliz. Declamar poemas faz eu me sentir mais em paz comigo mesmo, suponho.

     — Isso acontece comigo através da corrida.  — Confessou o colega de escola. — É uma experiência quase transcendental, não é?

     — Com certeza.  — Concordou, balançando a cabeça para cima e para baixo. — Por muito tempo foi a forma que encontrei de permanecer são.

    — O que houve com eles, se me permite perguntar. — Ele foi gentil. Pela primeira vez na vida ouvira a voz do esguio sem nenhum traço espinhento, mas suave e macia a entrar em suas orelhas.

    Novamente pensou se queria responder aquilo. A perda dos pais ainda era uma ferida aberta, que doía cada vez mais ao longo do tempo, mas continuava sendo profunda e delicada.

    — Meu pai morreu vítima de violência policial. — Contou quase num sussurro. Pensar naquilo era terrível, e ainda mais horroroso quando sabia que isso ainda podia acontecer consigo a qualquer momento. — Ele estava no quintal de casa a noite quando um policial o confundiu com um bandido e atirou. — Prosseguiu, sentindo o peito apertar. — Minha mãe morreu alguns meses depois, vítima de depressão. Morei com minha tia por uns meses até meus padrinhos me adotarem, e foi isso.

    — Eu sinto muito por isso, Potter. O mundo não é justo para as minorias. — Murmurou taciturno. — Meus pais ainda acham que minha bissexualidade é uma fase. — Passou a mão pela nuca, soltando o ar devagar pelas narinas.

    — Você gosta mesmo da Astória? — Mordeu a língua para se repreender, mas era tarde demais.

    — Eu gostei muito.

    E essa foi a última coisa que o platinado disse antes de entrar no recinto.

    O café era escuro, com luzes azuladas para a iluminação, com exceção da que ficava sobre o palco, amarela. As mesas eram redondas e de madeira, com duas cadeiras cada e no canto do recinto havia o balcão com diversos doces. Atrás dele ficava o caixa e as máquinas de café, e alguns garçons passavam de madeira discreta antes os espaços vazios, para servir os demais.

    — Esse lugar é incrível…. — Sussurrou o mais alto, inclinando-se levemente para as palavras chegarem com mais facilidade em seu ouvido.

    — E lá está a vítima. — Colocou uma mão discretamente na cintura de Draco para guiá-lo até a cadeira, o esperando sentar e fazendo o mesmo na cadeira a sua frente. — Está com suas amigas, mas acho que vai ser uma boa oportunidade. — Moveu a cabeça, apontando para a mesa logo atrás de si.

    Astória trajava um vestido vermelho que combinava com seus lábios. O cabelo estava preso por um arco, jogado para trás e escorrendo liso. Seus olhos redondos e grandes estavam focados em seu drink colorido, e ela ria de algo que suas amigas haviam acabado de dizer.

    — E ela também. — Falou o Malfoy, quase hipnotizado pela imagem da garota.

    Aquilo o incomodou profundamente. Tentou pensar em qualquer outra coisa, principalmente em como seu melhor amigo estava errado e ele só estava fazendo seu trabalho a ajudar Draco, em troca de uma maravilhosa nota em História.

    — É só ir lá e falar com ela. — Encorajou. — Diga que vai dar uma festa, lá vamos partir pra segunda fase do plano. Seja decente!

    — E você vai fazer o que? — Inclinou-se em sua direção, ambas as mãos sobre a mesa e um vinco entre seus olhos.

    — Me apresentar. — Sorriu, se levantando.

    Pela primeira vez em muito tempo estava nervoso para se apresentar. Podia sentir as palmas suando, mas era tudo culpa dele. Estar ali, tão vulnerável sobre o palco, em frente a Draco Malfoy era uma tortura. Talvez Ron estivesse um pouco certo. Havia sido terrivelmente apaixonado pelo garoto, perdendo o interesse ao notar como o platinado só fazia o que o próprio quisesse, o que deixava um rastro grande de corações partidos — e Harry não queria ser mais um desses.

    Quis, por muito tempo, ser menos comum para que pudesse o impressionar. O fazer ficar, como ele nunca ficava em seus relacionamentos românticos ao longo dos olhos. Queria que ele percebesse que era diferente dos outros, mas aos poucos foi caindo no esquecimento, até aquela ideia ser apenas uma lembrança distante.

    Tinha as duas mãos no cabo do microfone. Pigarreou e então fechou os olhos.

“We hold these truths to be self-evident

that all men are created equal

that they are endowed by their creator

with certain inalienable rights

Among these life, liberty and

the pursuit of happiness

unless you're loud and black

and possess an opinion

then all you get is a bullet

A bullet that held me at bay

A bullet that can puncture my skin

take all my dreams away

A bullet that can silence

the words I speak to my mother

just because I'm

other

A bullet – held me captive

gun in my face

your hate misplaced

White skin, light skin

but for me not the

right skin”

As pessoas estalavam os dedos quando abriu os olhos. Sorriu, confiante e então olhou para a mesa de Astória, onde ela e Draco pareciam conversar, rindo. Uma das mãos dele estava sobre as dela, e o polegar circulando sobre a pele da garota.

No momento em que o esguio colou os olhos nos do dono dos cabelos escuros, ele sussurrou algo no ouvido da Greengrass e caminhou em sua direção, ambos os braços abertos e um sorriso enorme em seu rosto.

    — Deu certo! — Celebrou. — Você é um gênio, Potter!

    — Brilhante. — Resmungou ele, girando seus olhos brevemente.

    O caminho para casa foi silencioso, com o Malfoy trocando de estação de rádio de cinco em cinco minutos, balbuciando coisas ininteligíveis para ele mesmo, até que finalmente estava na porta de sua mansão. O de olhos esmeraldinos parou o carro e tirou o cinto, para que pudesse se inclinar sobre o corpo do outro e abrir a porta dele.

    — Durma bem, sim? — Desejou. Tinha o tronco voltado para ele e uma mão no volante.

    — Obrigado por hoje. — Agradeceu o esguio. — E você foi sensacional no palco. — Piscou, deixando o carro.

    Harry tinha certeza de que seu coração seria capaz de explodir.

 


Notas Finais


O poema é um poema declamado por Reggie Green, personagem da série "Dear white people"

https://medium.com/neworder/o-poema-de-reggie-green-d55e661fb1b3

aqui a tradução.


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