História Um Caminho Para Dois - Capítulo 5


Escrita por: ~

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Categorias Doctor Who
Personagens 12º Doctor, Amelia "Amy" Pond, Clara Oswald, Rory Williams, The Master
Tags Clara Oswald, Doctor Who, John Smith, Twelve, Universo Alternativo, Whouffaldi
Visualizações 41
Palavras 1.927
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 5 - Amor e Ódio


Fanfic / Fanfiction Um Caminho Para Dois - Capítulo 5 - Amor e Ódio

Clara parecia tão feliz quando me recebeu que prometi que não iria estragar aquele jantar, mesmo que fosse insuportável ficar no mesmo recinto que o Danny. A boa notícia era que eu não precisaria olhar pra cara dele, a má era que eu ainda conseguia sentir aquela presença na mesa. Como um encosto.

 

- John Smith é um nome bem comum, né? - ele perguntou, a boca dele devia estar cheia de comida pelo jeito que sua voz soou. Gostaria que se engasgasse, iria me poupar muito esforço.

 

- Meus pais não eram muito criativos. - respondi.

 

- Você é escocês? Eu notei isso no seu sotaque.- disse Clara, sentada à minha frente.

 

- Sim, eu venho de uma cidade pequena chamada Gallifrey.

 

- Acho que nunca ouvi falar.

 

- Ninguém ouviu. Ela fica no meio do nada.

 

Não sentia a menor saudade daquele lugar. Fugi na primeira oportunidade que tive e nunca mais voltei.

 

- Seus pais ainda são vivos? - Danny quis saber.

 

Eu queria mandá-lo calar a boca enquanto eu conversava com Clara mas segurei aquele impulso.

 

- Não que eu saiba.

 

Ficamos em silêncio depois disso. Só ouvi o barulho dos nossos talheres batendo nos pratos. Foi muito desconfortável.

 

- Esse jantar está uma delícia, Clara. - comentei, querendo falar com ela. Era mesmo um bom rosbife, então não precisei mentir.

 

- Obrigada, John, mas na verdade foi o Danny quem fez. Eu sempre digo que ele não devia se esforçar muito por causa da perna quebrada, mas...

 

- Minha perna está bem, querida, vou tirar o gesso em breve e, não se ofenda, mas sua comida não é das melhores.

 

- Eu cozinho bem! Mais ou menos...

 

- Bem, Clara, na próxima vez você pode cozinhar pra mim. - disse, sem me importar com qualquer subentendido na frase.

 

- Na próxima vez eu deixo ela me ajudar. - disse Danny.

 

Clara achou graça.

 

- Você me deixar ajudar, Danny? Até parece...

 

- Clara, do jeito que você fala parece que eu sou um controlador. John vai sair daqui pensando coisas horríveis sobre mim.

 

- Imagine! Que ideia! - falei, o sarcasmo escorria pela minha boca. Minha promessa particular de que não iria estragar o jantar estava ficando cada vez mais distante.

 

- John é muito observador. Ele sabe a verdade. - disse Clara.

 

- Ah, é? Mesmo sem enxergar?

 

- Danny!

 

- Foi só uma brincadeira...

 

Eu não disse nada. Cortei mais um pedaço da carne, que não estava tão boa assim pra falar a verdade, e demorei bastante tempo mastigando a comida. Lembrei de quando estava no hospital depois do acidente e alguém tinha que me alimentar porque eu sempre errava minha boca e ficava com o rosto sujo. Pelo menos ali eu não estava fazendo aquilo.

 

- Então você já foi médico, John? - Danny perguntou. - Foi o que a Clara me disse.

 

- Danny...

 

- O quê? Só perguntei.

 

- Sim, já fui médico. - respondi, sem muita vontade. - E o que você é, Danny?

 

Que nome mais ridículo!

 

- Ah, eu era um soldado, mas larguei isso.

 

- Danny é professor na mesma escola que eu ensino. - Clara explicou.

 

- Hum... Educação Física, entendi.

 

- Não, Matemática. - disse Danny.

 

- O que tem ela?

 

- É o que eu ensino. Matemática.

 

- Mas você era um soldado.

 

- Sim.

 

- E se as crianças tiverem dúvida sobre Matemática?

 

- Eu respondo, sou o professor de Matemática.

 

- Desculpe, eu não estou entendendo.

 

- Odiava que meu pai era médico. - Clara interrompeu. - Ele passava tanto tempo fora de casa, eu quase nunca o via.

 

- Você tem família, John? - Danny perguntou.

 

Fechei a cara.

 

- Não.

 

- Deve ter sido muito solitário pra você quando teve que deixar de ser médico.

 

- Danny, o que é isso?! - Clara reclamou

 

- Eu tive ajuda. - respondi, borbulhando de raiva.

 

- Espero que não se importe que eu pergunte mas, como foi que você ficou cego?

 

- Claro que ele se importa. Danny, não seja grosso!

 

- Eu tive um acidente. - respondi, falando mais alto que eles.

 

- Que tipo de acidente?

 

- Danny, pare com isso!

 

- Do tipo que não é da sua conta.

 

- Deve ter sido um trauma e tanto pra você, não é? - Danny continuou, como se eu não tivesse falado. - Ser um médico importante e de repente não ser nada.

 

- Chega, Danny!

 

Larguei meus talheres no prato fazendo muito barulho. Clara deve ter se assustado, pensando que eu ia começar uma briga. Até que gostaria, mas só iria fazer papel de bobo sem enxergar um palmo à minha frente. Me levantei, arrastando a cadeira.

 

- Desculpem, lembrei que tenho algumas coisas para fazer ainda hoje.

 

Ouvi Clara arrastar a cadeira dela também.

 

- Não vá tão cedo. Ainda nem comemos a sobremesa.

 

- Não estou com fome.

 

Apanhei meu bastão no bolso e o desdobrei.

 

- Deixe o homem ir, Clara, ele deve ser muito ocupado.

 

Percebi então que Danny era tudo menos estúpido, ele sabia encontrar meus pontos fracos. De repente senti Clara ao meu lado, segurando minha mão. Gostava quando ela fazia aquilo, mas naquela hora me senti um imbecil e não sabia o motivo.

 

- Por favor, John, não vá.

 

A voz dela soava como uma súplica, ou talvez tinha sido minha imaginação. Queria muito que ela gostasse de mim da mesma forma que eu gostava dela mas parecia impossível. Não só porque ela tinha um maldito namorado, mas também por causa do meu histórico complicado. Éramos incompatíveis. Soltei a mão dela, mesmo que aquilo me custasse muito.

 

- Nos falamos depois, Clara.

 

Até dizer o nome dela doía. Não me dei ao trabalho de me despedir do Danny. Usei meu bastão para encontrar meu caminho até a saída. Normalmente não me deixaria abater assim. Normalmente não desistiria de conquistar alguém que gostava, mas eu não era mais aquele homem. Danny tinha razão no fim das contas, eu era só um velho cego e tinha que me acostumar com aquilo.

 

********

 

Quando vi John sair pela porta tive vontade de chorar, gritar e bater em alguém tudo ao mesmo tempo. Ele mal tinha tocado na comida, nós não conversamos sobre nada e Danny foi um idiota completo.

 

- Bem, você conseguiu o que queria, Clara. - ouvi-o dizer atrás de mim. Me virei para encará-lo.

 

- Do que você está falando?!

 

- Por favor, não me diga que você ainda não percebeu.

 

- Percebi o quê? Que você é um bruto?!

 

Ele riu.

 

- Aquele homem quer ir pra cama com você. Pelo amor Deus, não me diga que ele está conseguindo te enganar.

 

- Não seja idiota! Ele é um amigo da família... ou era, talvez agora ele nem queira mais saber de nós.

 

- Um amigo da família? A última vez que ele visitou vocês foi quando você era bebê. Foi só por acaso que ele apareceu na festa de aniversário do seu pai.

 

- Como você sabe? Talvez eles conversem o tempo todo.

 

- Ele é um babaca, Clara, um homem desses não têm amigos.

 

- Se quer saber, Danny, o único babaca nesse jantar foi você.

 

- Por que você o defende tanto? Sim, eu fui grosso, mas ele estava com raiva de mim o tempo todo sem motivo algum.

 

- Ele não estava com raiva! Aquele é só o jeito dele, ele é sarcástico.

 

Danny me olhou muito sério.

 

- Clara, eu já conheci muitos homens como o John. Eles não se importam com ninguém, só querem saber de si mesmos. Você vai se magoar ficando perto dele.

 

- Você acabou conhecê-lo! Não sabe nada sobre ele.

 

- E você sabe? O que você sabe sobre ele, Clara?

 

Olhei para o relógio de pêndulo que ele me deu. Estava na estante da sala, nem pude dizer isso a ele.

 

- Sei que ele é corajoso, gentil e amável. Não me importo com o que ele fez ou deixou de fazer no passado.

 

- Sim, você sempre pensa o melhor das pessoas e é por isso que me preocupo.

 

Danny apanhou suas muletas encostadas na mesa e se levantou. Ele se aproximou de mim e tudo que eu queria fazer era sair correndo, mas fiquei ali parada.

 

- Eu não quero que você converse mais com ele, Clara.

 

Foi como se eu tivesse recebido um choque.

 

- O quê?

 

- Ele é um homem muito perigoso. Não quero que você se machuque.

 

- Ele é meu amigo!

 

- Você pode até vê-lo assim, mas ele não quer ser só seu amigo.

 

Fechei as mãos em punhos, a raiva já tomava conta do meu corpo.

 

- Você não pode me dizer o que fazer, Danny, eu não sou uma criança.

 

- Clara, eu só estou protegendo você. Eu te amo.

 

- Se você amasse não me obrigaria a fazer isso!

 

- Não estou te obrigando, mas não posso vê-la se machucar. Aquele cara só vai te fazer sofrer.

 

Nunca tive tanta raiva do Danny antes. Ele já me irritou e teve ataques de ciúmes daquele jeito, mas nunca me proibiu de fazer nada.

 

- Você sempre faz isso. Sempre discute comigo quando faço amizade com outro homem.

 

- Não são ciúmes. Eu falo sério, Clara!

 

- Você está me fazendo escolher entre o John e você! Se eu continuar falando com ele então você vai me deixar e se eu deixar de falar com ele...

 

Fiquei sem saber como completar a frase. O que me veio na cabeça foi “vou perder a única coisa que me faz feliz” mas soava dramático demais... ou talvez fosse verdade.

 

- Não sabia que era tão complicado assim. - disse Danny. - Pensei que seria fácil pra você deixar de falar com alguém que acabou de conhecer.

 

- ”Fácil”?!

 

- Mais fácil do que deixar seu namorado de dois anos, sim.

 

Não consegui explicar mas a sensação que eu tinha era de que estava mais próxima do John do que do Danny.

 

- Clara... você ainda me ama? - Danny me perguntou.

 

- Eu... amo.

 

- De verdade?

 

Não respondi. Pensei na Amy e em como ela estava contente com o casamento, ainda que estressada, ela sempre amou o Rory e eles já estavam juntos há muito tempo. Queria algo assim, mas parecia tão inalcançável. Talvez aquilo fosse mentira, talvez o relacionamento deles fosse turbulento. Ora, todos os relacionamentos não têm problemas?

 

- Clara?

 

- Eu não sei, Danny... agora eu estou com raiva de você.

 

- Só agora?

 

- Bem, você tem me irritado muito ultimamente... mas isso não quer dizer que deixei de amar você.

 

Assim que disse isso pensei no John e em como queria que ele tivesse ficado. Gostava de passar o tempo com ele. Talvez ele tenha sido mesmo um desses médicos arrogantes ou tenha usado várias mulheres, mas ele mudou bastante. Sabia que sim.

 

- Você gosta dele, não é? Não minta pra mim, Clara.

 

Queria dizer que John era só um amigo e seria muito estranho por causa da idade dele, mas não consegui.

 

- Talvez seja só uma queda passageira. - eu disse.

 

- Talvez não seja.

 

Ficamos nos encarando por um bom tempo e tudo que eu conseguia pensar era que John devia estar com muita raiva de mim e nunca mais falaria comigo.

 

- Ele não vai deixar de falar com você. - disse Danny, adivinhando meus pensamentos.

 

- Como você sabe?

 

- Ele é um babaca, mas não é estúpido.

 

 


Notas Finais


"John Smith" parece elegante e tal mas é um "João da Silva" inglês. Por isso que o Doutor escolhe esse nome pra se disfarçar, é muito ordinário (me pergunto se a Doutora vai continuar usando ou se ela sabe que é um nome masculino, gostaria que ela continuasse usando rsrs)

Danny não vai durar muito tempo na história, então não precisam bater em mim.

Espero que tenham gostado do capítulo.

=***


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