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História Um caminho para dois - Capítulo 13


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Notas do Autor


Espero que gostem do capítulo. O próximo sai próximo sábado.

Obrigada a quem comentou!

Já sabem o que fazer :) Se puderem comentar e dizer o que acharam, eu ficarei mais animada pra continuar!

Podem me seguir no Twitter (usuário: ukitaketai).

Capítulo 13 - Pelos caminhos de Nagoya I


Depois de pegar a única mala que trouxe, Rin vestiu o casaco que trazia à mão, ajeitou a bolsa transversal no corpo e marchou até sair da plataforma de desembarque, procurando ansiosamente por alguém que tivesse ido buscá-la.

Depois de longos cinco minutos de agonia, em meio aos outros passageiros, ela finalmente avistou uma pessoa que conhecia muito bem indo ao encontro dela.

Emocionada por não ver o irmão há meses, por estar finalmente de volta, Rin esqueceu as pessoas ao redor, as reações e até mesmo da língua padrão, pois com a família falava um dialeto completamente diferente. 

–Mano! – ela exclamou no dialeto que os dois compartilhavam, largando assim a mala  para correr para abraçá-lo.

Hakudoushi permaneceu parado até que a irmã o alcançou. Mãos nos bolsos da calça, porte reto, testa franzida. Ele analisava cada feição dela.

Antes de ir embora, ela estava extremamente pálida e magra. Agora parecia até ter recuperado um pouco da cor do rosto. Tinha algumas olheiras, mas para ele aquilo era normal desde que ela fazia o primeiro ano da faculdade.

Sem ligar para quem passava, ela o abraçou pela cintura.

–Senti sua falta. – ela murmurou contra o corpo dele.

–Eu não senti nem um pouco. Até adotei outra irmã. – ele mentiu para provocá-la, ignorando um olhar estreitado dela – Onde está sua mala?

–Ali. – ela apontou para o local onde havia deixado – Vamos para casa? Vamos, vamos, vamos, vamos?

–Já estamos indo, já estamos indo! – Hakudoushi respondeu com um evidente alívio. Dirigindo-se até a mala e empurrando-a facilmente com uma das mãos, abraçou a irmã com o outro braço e começou a levá-la para fora da estação.

–Como estão papai e mamãe?

–Com de saudades de você. – ele respondeu calmamente – Na família ninguém fala de outra coisa a não ser a sua volta... E falando nisso... Como foi a viagem?

–Um pouco cansativa, tive que acordar cedo pra arrumar algumas coisas antes de pegar o trem. – Rin respondeu, esticando os braços – Quero me jogar na cama cedo. Estou com saudades do meu quarto.

–E como é Tokyo? – ele perguntou num tom indiferente. Não estava realmente interessado em saber sobre a cidade, mas era bom manter Rin falando a respeito de qualquer coisa enquanto organizava os pensamentos.

–Muito grande, muito cheia, muito fria, muito barulhenta... – ela falou, listando nos dedos – Ah, sabia que as pessoas lá têm o toalete no mesmo lugar que a banheira? Ou com a janela do banheiro voltada para a cozinha?

Hakudoushi franziu a testa em confusão. Como as pessoas poderiam morar em lugares com aquele tipo de planejamento?

–E conheceu muitas pessoas por lá?

–Ah, sim! – ela falou, alegremente – Muitas! Quer que eu te conte sobre todos?

–Depois que chegarmos - o rapaz parou perto de um carro e abriu o porta-malas para colocar a mala de Rin cuidadosamente dentro.

–Por que está com o carro do Aya? – ela franziu a testa ao ver o veículo que pertencia ao companheiro do primo.

–O carro é agora do Jakotsu. Uma longa história. Ele vai te contar os detalhes.

–Hm. – Foi tudo o que ela conseguiu murmurar. O que havia acontecido? Geralmente Jakotsu contava tudo para ela.

–Ele pediu pra te buscar. Acho que por causa do que tem nessa mala.

Rin revirou os olhos. É claro que o primo estilista tomaria cuidado extra com as roupas da marca dele.

Hakudoushi uniu o dedo médio com o polegar e acertou a testa da garota.

–Vamos, entra logo.

–Ai, ai, ai – ela exclamou, franzindo a testa – Por que fez isso?

Hakudoushi entrou no carro e deu a partida, ligando o GPS calmamente como se não tivesse feito nada.

Ajeitando-se no banco ao lado dele, Rin estava pronta para resmungar e choramingar ao mesmo tempo.

Para a surpresa dela, Hakudoushi virou o rosto de deu-lhe um sorriso brincalhão.

–Bem-vinda de volta, Rin. Senti saudades.

o-o-o-o-o

Depois de quase uma hora de trânsito ruim, finalmente os dois chegaram à casa que há algumas gerações pertencia à família Nozomu, em um bairro de classe média alta da capital da região de Aichi. Hakudoushi desceu primeiro e ajudou Rin a sair do carro. Tirou depois a mala de dentro do veículo e acompanhou a irmã, agarrada ao braço, até o portão de entrada da casa.

Depois de digitar o código e esperar o portão abrir, Hakudoushi a surpreendeu mais uma vez: jogou Rin por cima do ombro e carregou tanto a mala quanto a irmã ao mesmo tempo.

–Hakudoushi! – ela exclamou.

–Chegamos! – Hakudoushi da entrada, correndo pelo jardim e alcançando a porta – Ela chegou!

–Hashi, os vizinhos vão ouvir! – ela gritou mais forte ainda.

–Até eles estavam espoerando por você. – ele entrou na sala de estar e jogou a irmã no enorme sofá.

–Sério mesmo? Eles não têm o que fazer? – ela perguntou, arregalando os olhos.

–Rin! – uma senhora idosa apareceu na sala seguida de um senhor mais idoso ainda. Depois começou a falar no dialeto do que os irmãos compartilhavam – Bem-vinda de volta, Rin-chan.

Mama! Papa! – ela exclamou na mesma língua, pulando do sofá e acertando Hakudoushi com um chute, caindo em cima dele.

–Ora, ora... – a mãe falou, escondendo a boca tradicionalmente atrás da palma – Veja só como são unidos!

–Sai de cima! – ele gritou.

–Você é quem tava no caminho! – ela falou irritada – Sai de baixo!

–Eu preparei um lanche. Você deve estar cansada. – a mãe falou.

–Vou levar essa mala pro quarto... – Hakudoushi pegou Rin e jogou por cima do ombro – Ops, mala errada.

–Engraçadinho. – ela estreitou os olhos.

O irmão ignorou o olhar e a colocou no chão, pegando a mala de verdade para levar ao quarto dela.

–Pai... – ela falou quase chorando – Viu só como ele me trata?

–A vida na capital é boa também, não? – ele perguntou, fechando ainda mais os olhos pequenos e abraçando a garota – Você parece mais sorridente do que quando saiu daqui... E parece mais adulta também.

A garota deu um sorriso tímido e baixou o rosto para esconder o vermelho que ficou visível.

–Você não quer subir pra trocar de roupa antes de comer? – a mãe sugeriu – Aproveite pra ver as mudanças que fizemos no banheiro.

–Oh... – Rin forçou um sorriso – Claro, eu desço em uns 10 minutos.

–Perfeito. – ela deu um beijo na testa dela – Teruo tem razão. Você parece maior mesmo.

Rin viu os pais irem para a cozinha e subiu as escadas de casa com nostalgia. Ela pertencia àquele lugar. Não havia dúvidas.

Ao entrar no quarto, viu Hakudoushi sentado na cama dela, olhos fixos no celular, mala fechada e em pé em um canto.

Yo. – ela murmurou ao entrar.

Os olhos lilases deixaram o display do celular para olhá-la seriamente.

–Hmm... mamãe falou que fizeram uma reforma no banheiro.

O maxilar de Hakudoushi travou por um momento.

–Foi ideia do papai. – ele explicou – Por precaução depois do que aconteceu com você.

–Oh. – ela murmurou – Eu imaginei que ele fosse mandar fazer alguma coisa.

Rin sentou-se ao lado dele e deu um suspiro cansado.

–Você pode emprestar o celular? Eu preciso enviar uma mensagem para uma pessoa.

–Eu nem pergunto mais o que aconteceu com o seu. – ele deu um suspiro cansado também e fechou os olhos, entregando o aparelho para ela.

Rin abriu a bolsa transversal e tirou de um caderninho de lá.

–As pessoas ainda usam isso? – Hakudoushi franziu a testa como se nunca tivesse visto algo parecido.

–Eu uso. – ela falou com orgulho – Tudo gira em torno de celulares agora. Só falta uma criança nascer segurando um desses.

O irmão revirou os olhos. Ela mais uma vez queria mostrar aos outros que não dependia de tecnologias.

Rin levou menos de dois minutos para escrever um texto e enviar para uma pessoa. Depois devolveu o aparelho para ele com um sorriso de agradecimento. 

–Quer sair hoje à noite? – ele perguntou.

–É uma boa ideia. – ela deu um sorriso – Vamos fazer um passeio com papai e mamãe pra ver as feirinhas de artesanato no centro? 

–No carro de Jakotsu? – ele deu uma piscadela.

–Fechado.

o-o-o-o-o

Depois de comerem à tarde, Rin voltou para o quarto acompanhada de Hakudoushi para entregar as compras que ele havia pedido para ela trazer de Tokyo. Com a bagagem jogada no chão, Rin sentou-se ao lado do irmão na ponta da cama, tirando um embrulho pardo de dentro de um dos compartimentos.

–Aqui está o Malice Mizer... – Rin falou para ele, entregando-lhe um CD de capa bizarra – Este aqui é a versão deluxe do primeiro álbum do Dir en Grey, este outro é o novo álbum do Alice nine e... Por que você mesmo não comprou isso aqui? Vende em todas as lojas.

–Eu quis que você comprasse, oras. – ele deu de ombros.

–A loja que vende isso lá é muito bonita. E é enorme. Acho que nem a daqui é tão grande. – ela comentou abrindo os braços exageradamente.

Hakudoushi bufou. É claro que não poderia ser maior que a que existia em Nagoya. Rin nem conhecia a loja local para afirmar que a da capital era maior.

–Vou escutar enquanto você se arruma. – ele pegou todos os presentes e preparou-se para ir embora.

Antes de sair, porém, ele parou ao ouvir a irmã falar:

–Não vai me perguntar nada do que aconteceu em Tokyo?

O rapaz congelou na entrada do quarto, mão segurando os presentes enquanto a outra apoiava-se na batente da porta. Deu um suspiro e voltou para junto da cama, sentando-se novamente na beirada, permitindo que Rin o abraçasse.

–Eu senti muita falta de todos vocês... – ela murmurou depois de minutos ainda daquela forma.

–Devo imaginar que não tenha sido fácil. – Hakudoushi falou de olhos fechados.

Rin mexeu a cabeça em sinal afirmativo e deu outro sorriso: 

–Mas eu encontrei algumas pessoas maravilhosas lá.

–Eles te trataram bem?

–No começo foi difícil, mas conheci um grupo com quem me dei muito bem. – ela começou – Sango-chan e Kagome-chan são minhas amigas. Vou a todos os lugares com elas. Miroku é namorado de Sango e Inuyasha é o de Kagome. Ah, e tem também o irmão de Inuyasha, ele estuda na mesma sala e também nos damos bem. Ele me deu carona hoje até à estação.

Hakudoushi ouvia com atenção, tentando gravar os detalhes. O terapeuta dela, Sakaki Masuo, o instruiu a deixá-la conversar sobre o assunto o máximo possível.

–Mas não esqueço os primeiros dias, sabe? – ela começou, baixando o rosto. Os olhos estavam marejando – Às vezes eu me imaginava conversando com ele e fazendo perguntas. Sakaki-sensei disse que isso poderia ajudar um pouco.

Antes de ir embora, ela quase não falava sobre o assunto. E às vezes tinha ataques intensos de choro como se estivesse também sentindo dores físicas. Sakaki havia falado que era parte do processo de luto.

Particularmente, Hakudoushi mesmo nunca havia procurado um quando criança, depois de perderem os pais, mas aquilo era algo que variava de uma pessoa a outra.

A irmã precisou. Ele, porém, aprendeu a superar sozinho algumas coisas.

–Você contou pra alguém de lá o que aconteceu com você?

Rin limpou os olhos com o braço direito antes de responder:

–Contei pra uma pessoa. Mas ele fez como você e só ouviu.

–Como Sakaki-sensei. – ele refletiu – Falando nele, vai marcar um horário?

–Acho bom, né? – ela deu um sorriso tímido – Vou ligar esta semana.

O irmão afastou o cabelo que atrapalhava a testa dela e beijou o local.

–Vá se arrumar. Daqui a pouco vamos ao festival.

Rin apenas confirmou com a cabeça e viu o irmão se levantar e ir embora do quarto.

o-o-o-o-o

Na manhã seguinte, Rin acordou sem estranhar o ambiente.

Sim, admitia que sentia falta do quarto. Sabia que o apartamento em Tokyo não era dela. Era como se estivesse com uma sensação constante de empréstimo.

Aquele apartamento não era dela.

Mas ali era diferente. A cama tinha o conforto que ela já conhecia. A poltrona do canto de leitura, perto das prateleiras com os livros preferidos e outros ainda a serem lidos, parecia que aguardava há meses pelo retorno dela. A antiga mesa de estudos, com alguns livros, cadernos de anotações e os antigos diários, estava arrumada para recebê-la. Até as cortinas que bloqueavam a entrada do sol tornavam tudo ali mais agradável.

Levantou-se e rumou ao banheiro do quarto, recém-reformado durante a estadia dela na capital.

A porta agora era deslizante e ela viu uma banheira grande agora com apoios de metal e dois degraus com tapete antiderrapante.

A cômoda que antes ficava próximo da banheira foi substituída por armários fixos no alto da parede. Não havia mais possibilidade de ninguém se machucar.

Meses antes de tomar a decisão de mudar, ela teve um acidente ali e ficou três dias desacordada. Ela não lembrava o que havia se passado e só soube pela família que escorregou e bateu a cabeça em uma cômoda.

Deu um suspiro pesado e pegou o roupão para jogar em cima da roupa de dormir. Usaria o toalete do corredor e depois tomaria banho para se preparar para a chegada do primo.

Quase uma hora depois, desceu as escadas da casa e foi direto para a cozinha, onde o irmão, o pai e a mãe a aguardavam.

–Bom dia! Bom dia! Bom dia! – ela falou para cada um.

–Bom dia! – os três falaram ao mesmo tempo.

–Oba, bolinho de polvilho! – Rin sentou-se ao lado do irmão, pegando um para levá-lo à boca.

–Vamos sair depois que Jakotsu chegar. – Hakudoushi falou enquanto tomava goles de suco de laranja – Já está pronta?

–Sim. – ela falou depois que terminou de mastigar o bolinho e tomar um gole de suco servido pela mãe.

De repente, Rin largou um pão que enchia de geleia ao escutar uma voz conhecida ecoar pela casa. Ela se aproximava aos poucos da cozinha vindo do portão da casa, passando pelo jardim, atravessando a sala. Depois ficou mais e mais estridente.

–CRIANÇAS, CHEGUEI! – um rapaz de 28 anos, cabelos amarrados, bem vestido, com um terno caríssimo e uma pele tão bem cuidada que causava inveja em todas as mulheres, entrou na cozinha de mãos erguidas e andou até a mesa como se desfilasse. Aproximou-se de Rin e a levantou, forçando-a a abraçá-lo.

–Ja-Jakotsu... – ela murmurou, um pouco assustada com aquela entrada triunfal – Como você está?

–Minha prima favorita! - Jakotsu falou, visivelmente emocionado – Senti tanto sua falta... Foi uma coisa tão terrível ver aquelas modelos que não se comparavam a você, nenhuma roupa caía tão bem nelas quanto em você... – ele tirou um lenço finíssimo do bolso do terno e enxugou o canto dos olhos com o máximo de delicadeza – Aquelas bobas... Nenhuma delas prestava e todas ficavam apaixonadíssimas por esse Hakudoushi como se ele fosse bonito. Eu não sei o que leva uma mulher a gostar de alguém que não penteia nem os cabelos direito.

Hakudoushi cuspiu o suco e acertou o jato na cara do o pai que lia tranquilamente o jornal do dia.

–Desculpe... – ele murmurou ao ver o rosto molhado do mais velho e o olhar furioso dele.

–Jakotsu... – a senhora Nozomu ajudava o marido a limpar o rosto – Já tomou café, meu filho?

–Sim, minha vovó favorita. – o rapaz correu para abraçá-la, dando-lhe um beijo em cada face – Planejei meu dia muito bem pra passar todinho ao lado de Rin-chan e de Hashi-chan.

–Não me chame assim! – Hakudoushi protestou.

–Que legal, Jakko... – Rin se intrometeu rapidamente para evitar uma possível briga – Mas você não tem coisas pra fazer na sua agência?

Jakotsu levou uma das mãos à testa num gesto dramático.

–Aquelas modelos anoréxicas... Sempre me dando dores de cabeça. – ele balançou a cabeça em outro gesto dramático – Não, não tenho. Dispensei toda a agência hoje e só vou cuidar da próxima coleção na semana que vem. Esta semana será dedicada aos meus passeios com você.

–E... o Aya? – ela perguntou, olhando para os lados procurando pelo companheiro de longa data do primo.

Um silêncio tenebroso se fez. O ambiente ficou escuro. O rosto de Jakotsu ficou sombrio. Os pais e o irmão gesticulavam e balançavam a cabeça como se o assunto fosse tabu e ela não devesse trazer à tona.

–Nós... nos separamos. – ele falou dramaticamente, voltando a enxugar lágrimas invisíveis do canto dos olhos – Nada mais estava dando certo nosso relacionamento e brigávamos muito... Achamos melhor nos separar e fazer a divisão dos nossos bens.

O choque ficou visível no rosto de Rin.

–Até a empresa? Com quem ficou?

–Ficou comigo, claro. Aquele idiota não sabe comandar nem a vida dele, imagine a minhaempresa. – ele fungou ruidosamente e procurou passar dignidade no rosto – Mas tive que procurar um novo apartamento. O metro-quadrado desta região deve ser o mais caro de todo universo. Fiquei aqui por uma semana até encontrar um que me agradasse. À propósito, arrumei seu closet. Há pelo menos duzentas novas peças pra você usar.

Um vento frio passou pela sala e deixou Rin arrepiada. Querendo mudar de assunto, ela comentou:

–Er... – ela procurou ficar mais calma depois da informação. Duzentas novas roupas. Podia até se dar ao luxo de usar uma para cada dia do ano – Eu já vi que está fazendo muito sucesso com sua coleção.

–Foram todos inspirados em você. – ele levou novamente o lenço aos olhos para enxugar algumas lágrimas que só ele conseguia sentir – Não sabe o quanto eu senti falta da minha musa inspiradora!

Jakotsu assoou o nariz dramaticamente e jogou o lenço sujo no colo de Hakudoushi, que recuou enojado.

–Vamos, vamos sair. – Rin percebeu a cena e resolveu mudar logo de assunto antes que Hakudoushi resolvesse pular no pescoço do primo – Vocês podem me esperar por um minuto? Vou preparar uma sacola pro clube.

–O tempo que você quiser, querida. Hashi-chan fará companhia para mim – o primo falou, abraçando Hakudoushi, que começou a espernear nos braços dele.

–Rin, vai logo arrumar suas coisas! – o irmão implorou.

A garota deu um sorriso e saiu correndo.

Sim, era bom estar de volta.

o-o-o-o-o

Em um clube muito movimentado, Hakudoushi observava tranquilamente a irmã nadando na piscina, admirando o fato de ela estar tão bem e parecendo mais feliz de quando saiu dali, meses antes.

Jakotsu, ao lado dele, passava um vidro inteiro de bronzeador nos braços e nas pernas, contando inúmeras fofocas da sociedade para Hakudoushi, sabendo que o primo fingia prestar atenção.

–Está tão pensativo, Hashi... – Jakotsu o fez sair daqueles pensamentos – Está com dor de barriga?

Ignorando a pergunta idiota do primo, ele falou sério:

–Pensando em coisas tristes... Prefiro não comentar. – era claro que ele pensava. Ele ainda não conseguia esquecer a imagem da irmã após a morte daquele rapaz e do acidente que ela teve no banheiro. Rin estava praticamente só pele ossos nessa época, e agora ela sorria e se divertia em uma piscina como se não tivesse passado por nada. 

–Coisas tristes? – o primo falou, fazendo cara de desgosto – Rin-chan está aqui, melhor não pensar nessas coisas, meu caro. Ainda mais que ela parece mais contente e recuperada.

–Eu sei, é que... – ele fechou os olhos e deu um suspiro cansado – Não sabe o quanto estou aliviado em ver como ela tá agora.

Jakotsu seguiu o olhar dele e observou a prima por alguns minutos.

–Hashi...

–O quê?

–Ela está com um ar tão diferente do que quando saiu daqui... Será que ela tá apaixonada?

O primo lançou um olhar incrédulo. Como era possível que ele pensasse naquelas coisas tão desconexas com a realidade? A irmã se apaixonar por alguém com um pouco mais de um ano depois de ter perdido o noivo?

–É sério. Meu radar não falha pra essas coisas. – ele empinou o nariz para mostrar um ar de superioridade – Você vai ver como consigo descobrir se ela tá com alguém lá.

–Não tem ninguém. – ele garantiu – Ela teria me contado.

–Contado? Pra você? – ele falou com um tom de ironia e desprezo – Você teria pegado um trem pra capital pra caçar o sujeito.

–Teria mesmo. – ele confirmou com um sorriso meio maligno.

–Eu sei que você também quer saber, seu danadinho... – cutucou a cabeça do primo com o dedo – Seu ciumento.

Hakudoushi deu um soco na lateral do rosto do primo.

–Ai, mas que cara mais estressado! – Jakotsu reclamou ao massagear o local.

Hakudoushi passou a observar um ponto próximo a Rin com mais atenção. Havia um homem ali que era mais do que suspeito.

–Pra quem você tá olhando, Hashi?

Ignorando o primo, Hakudoushi levantou-se e foi na direção do sujeito que avistara. Ele parecia ter uns trinta anos, estava acima do peso, sentado em cima de uma das esteiras. Tinha um celular na mão e parecia estranhamente animado com o movimento da piscina. Estava tão concentrado no que fazia que nem percebeu a aproximação de outra pessoa.

Yo. – ele falou apenas para ver o outro se tremer todo ao vê-lo em pé na frente dele – Tá achando interessante filmar minha irmã?

O sujeito se levantou para correr e Hakudoushi o segurou pelo ombro com uma mão e agarrou o celular com a outra.

Felizmente estava destravado. Havia fotos e vídeos não apenas de Rin, mas de outras jovens que estavam na piscina – adolescentes inclusive.

–Mas você é um cara muito observador mesmo. Fotos e filmes em alta resolução? O que ia fazer com tudo isso? – ele o segurava pelo ombro para impedir que escapasse e apertou com força o celular na outra trincando a tela – Vamos bater um papo com os seguranças?

Minutos depois, Hakudoushi retornava para perto de Jakotsu, que havia observado toda a cena.

–Como você consegue perceber essas coisas? – ele perguntou com os olhos por cima dos óculos escuros.

–Eu tenho um... como você chama? Um radar quanto se trata de Rin. – ele ainda tinha em mãos o celular, agora completamente destruído.

Jogou o aparelho em cima do primo que, enojado, atirou para cima de um grupo que jovens que conversava distraidamente, acertando a cabeça de alguém.

–Ai, Hakudoushi, que nojo... Sabe-se lá com que mão esse sujeito tocava nisso.

Hakudoushi fechou os olhos com irritação e limpou depressa a mão na toalha de Jakotsu, arrancando um grito estridente do primo.

–Hashi! Jakko! – Rin aproximou-se correndo dos dois.

–Tá se divertindo ? – o irmão perguntou, dando um sorriso.

–Bastante... Só a piscina ficou mais cheia agora... – ela jogou uma toalha em cima de uma das esteiras e deitou-se, colocando os óculos escuros – Vocês viram que o segurança encontrou um desses malucos que gostam de filmar mulheres sem permissão?

–Não! – Jakotsu fez-se surpreso, a mão tocando o rosto com fingido espanto – É mesmo?

–Jakko... Por que você se melou de bronzeador? – ela perguntou, impressionada com a quantidade de creme que o outro tinha passado no corpo.

–Preciso cuidar da pele, recomendação do meu novo dermatologista, um homem maravilhoso, o melhor médico desta região. – ele deu um suspiro sonhador e apaixonado – Tão bonito também... pena que não seja gay.

–Mas se você exagerar, vai acabar tendo algum problema de pele e terá que voltar pra tratar. – ela ponderou.

Jakotsu deu uma piscadela de esperteza e Rin sentiu uma gota escorregar pela lateral do rosto.

o-o-o-o-o

Dois dias depois, Jakotsu voltou à casa dos primos com uma enorme pilha de mais roupas, todas que mandara fazer para Rin durante o período que ela esteve ausente de Nagoya.

No quarto dela, o estilista fazia a prima provar alguns modelos ignorando a presença de Hakudoushi sentado na poltrona do canto de leitura da irmã.

–Quer dizer que existe esse fã-clube seu por causa das minhas roupas? – ele perguntou extremamente interessado na história que Rin contava da capital sobre as fotos do Gossip Cop.

–Não é bem um fã-clube. Acho que não expliquei direito... Eles costumam fazer uma enquete semanal com os melhores modelos que usei. Eles tiram foto praticamente todos os dias de mim.

–Eles podem tirar fotos suas sem pedir? – Hakudoushi franziu a testa.

–O tempo todo. – Rin murmurou – É constrangedor às vezes.

–Também é... estranho. Uma enquete de moda por aplicativo de mensagens. – ele franziu a testa – Parece ser divertido no fim, mas pelo que percebi, você não gosta muito.

–As suas roupas fazem muito sucesso lá. – ela virou o corpo, braços esticados para ele fazer marcações com giz no tecido na altura do ombro dela – Só as de inverno foram um problema. É tão frio lá que usei o casaco direto por cima das roupas.

–Oh. Que pena. – ele lamentou, ainda concentrado na tarefa – Vou tomar providências sobre isso para o próximo inverno. Você estará lá ainda, né?

–Sim. – ela confirmou.

–Você não volta pra cá nas festas de fim de ano? – Hakudoushi perguntou com a testa franzida. Parecia intrigado com aquilo. Ela não iria voltar no feriado nacional para ficar com a família? 

A pergunta pegou Rin de surpresa. Ela não havia pensado ainda o que fazer até o terceiro e último período. Ela sequer lembrava do próprio aniversário, quiçá das festas do Ano-Novo. 

–Claro que volto... – ela murmurou com a incerteza evidente na voz.

–Você não tinha pensado nisso, né? – Hakudoushi perguntou num tom de acusação, com uma leve suspeita de que Rin estava se acostumando demais com a vida na capital.

–Eu só havia esquecido. – ela deu de ombros – Não é um grande problema.

Um silêncio constrangedor dominou o quarto.

–Bem, eu vou providenciar os modelos pro frio. – Jakotsu quebrou o silêncio – Seja aqui ou em outra cidade. O inverno é sempre mais ou menos a mesma coisa.

Na parte da saia, o rapaz colocou dois alfinetes para prender um pouco acima do normal.

–Como está este aqui? – ela perguntou, desfilando sob os olhar aprovador de Jakotsu – Ficou bom?

–Não está mostrando muito as pernas dela, Jakotsu? – Hakudoushi perguntou franzindo a testa – Ela nem costuma usar nesse tamanho.

–Você pode falar direto pra mim isso, Hakudoushi. – Rin falou irritada – Eu tô na sua frente. 

Jakotsu olhou para ele como se o primo tivesse vindo de outro planeta.

–Hashi – ele assumiu o ar mais sério do mundo – Está só dois dedos acima do joelho dela. Isso é normal.

–É mais curto do que ela usava antes.

–Seu cérebro é curto, isso sim. – o primo rebateu, irritado – Rin pediu que saia fosse um pouco menor.

–Você pediu isso? – Hakudoushi quase gritou para a irmã.

–Não fale assim com ela, seu animal. – Jakotsu falou num tom de aviso.

–Eu uso o que eu quiser, não tenho que pedir aprovação sua pro que eu vou vestir. – ela mirou-se no espelho ignorando o irmão – A saia pode ser mais curta pra mim, sim.

–Pois é! – Jakotsu a defendeu.

–E cansei de usar boinas no inverno. – ela completou.

–Isso mesmo e... O QUÊ? - Jakotsu pareceu chocado com aquela última informação – Rin, eu lancei essa moda! Do que você tá falando, menina??

Hakudoushi ia abrir a boca para reclamar, mas a voz da mãe soou da cozinha:

Hashi, telefone pra você!

Lançou um último olhar de aviso à irmã antes de sair do quarto e deixá-los sozinhos.

–Não ligue para seu irmão – Jakotsu falou ao terminar de ajustar o comprimento da saia no corpo da garota – Só está dando uma de irmão ciumento e protetor. Eu vou ajeitar isso como pediu antes que ele volte pra nos atrapalhar.

O rapaz terminou de medir usando a palma das mãos para anotar os números em um caderno de bolso, tendo sua concentração quebrada quando escutou a prima chamá-lo:

–Jakko...

–Sim? – ele perguntou, sem erguer a cabeça para olhá-la.

–Se um homem... – ela começou, depois franziu a testa e parou de falar – Hm... Deixa pra lá.

–“Se um homem” o quê? – ele levantou a cabeça imediatamente, a curiosidade evidente no rosto. 

–Não, é que... – ela sentiu o rosto ficar mais quente que o normal – Eu conheci uma pessoa lá...

Os olhos de Jakotsu arregalaram e brilharam enormemente em ansiedade, aguardando a continuação.

–É que... – ela sentou-se na cama e baixou o rosto, deixando Jakotsu ainda mais curioso em saber o que era – É que...

–Quer que eu chame Hakudoushi pra ajudar a falar? – viu a prima encontrar o olhar dele e ficar nervosa – Sabe que ele é especialista em arrancar esses assuntos.

–Você não me acha muito infantil com essas roupas, né? – ela franziu a testa e torcia as mãos em nervosismo – Quando contei sobre esse negócio da enquete de moda, eu lembrei que fiquei em dúvida se eles faziam isso porque realmente gostavam do que eu vestia ou se era pra tirar sarro. Esse... rapaz que estuda comigo... Ele fica furioso quando vê que postam essas fotos sem autorização. Disse uma vez que ia tomar providências pra que isso não acontecesse mais. Agora eu me pergunto se não é porque é eu pareço mais nova... Nos restaurantes continuam pedindo minha identidade, sabia?

–Ah... Era só isso? – ele pareceu menos animado. Era mais uma coisa simples do que realmente uma grande novidade sentimental, o que seria mais interessante de ouvir.

–Sim... Achava que era outra coisa? – ela franziu a testa em dúvida.

–Eu achava que ia me contar sobre os homens de Tokyo... Queria saber se valem a pena mais do que os daqui. – ele mentiu para disfarçar.

Rin revirou os olhos enquanto ele terminava de escrever e fechava o caderno para dar atenção a ela.

–Sinto muito por Aya. – ela falou de repente.

–Não sinta, querida. Eu não sinto nada mais. Chega um momento que a gente precisa saber quando não vale mais a pena.

Rin deu um sorriso. Jakotsu superava as coisas tão facilmente. Ela queria ser daquela forma.

–Em resumo, você quer mudar um pouco o visual, sem parecer uma brega que nem as mulheres de Tokyo ou a Hamasaki Ayumi?

–Ela é brega? – ela parecia chocada com a informação.

–Horrorosa, pra falar a verdade, mas não desvie da minha pergunta. Eu preciso pensar nos novos modelos pro outono-inverno.

–Ah, sim! – ela respondeu de imediato, vendo o primo novamente abrir o caderno para anotar aquela informação – Se for possível, claro. Não sei o que poderia mudar... Talvez usar mais vestidos?

–Vou pensar. – ele fechou o caderno com força e autoridade como se fosse um investigador – Você sabe que tudo passa pela minha aprovação. Esse rapaz que ficou irritado com essas enquetes é amigo seu?

–Sim. – ela deu um largo sorriso – Ele é um dos que mais me aproximei. A Sango-chan e o namorado dela são também do curso e meus amigos. Ah, e tem também Kagome-chan e o...

–Okay, okay, eu quero fotos. Quero ver com quem minha prima anda em outra cidade.

Os olhos dela foram até o computador fechado na outra ponta da cama.

–Eu tenho algumas. Ainda estou organizando as fotos pra mandar imprimir e fazer um álbum.

–Não tem problema. Pode mostrar as que já tem. Tira essa roupa antes.

Cuidadosamente Rin tirou o modelo que usava na frente do primo para que ele fizesse depois os devidos ajustes, vestindo rapidamente a roupa que usava antes da provação.

Sob um olhar atento de Jakotsu, que dobrava o tecido para ajustes, ela sentou-se na cama e abriu o computador. Lá procurou e encontrou uma foto que tivesse o grupo todo reunido.

–Achei. – ela deu um sorriso e abriu espaço para o primo sentar perto dela.

Rin mostrou uma foto de quando foi ao Café Stay Happy, no dia que havia completado um ano da morte de Aki. Um atendente havia tirado a foto a pedido de Miroku, minutos antes de o grupo mandar fechar a conta para ir embora. Era possível ver o rosto de quase todo mundo.

Apenas Sesshoumaru não olhava para a câmera. Ele segurava uma xícara de chá nas duas mãos e olhava um ponto em frente a ele à mesa.

–Esse aqui é Miroku-sama. Ele geralmente tira as fotos e faz as enquetes. Ele é muito engraçado na maioria das vezes. Outras vezes faz algumas brincadeiras duvidosas.

–Hm. – ele murmurou olhando com interesse as pessoas da foto – Tem um charme. Bem sexy. É esse que é o seu amigo? 

–Ele é meu amigo, mas não era dele quem eu falava. É esse aqui. – ela apontou Sesshoumaru na foto.

–Hmm... – ele ergueu uma sobrancelha – Ele é bem... bonito.E está olhando pra você.

Rin franziu a testa e olhou a foto com mais atenção. Não tinha notado aquele detalhe. Apenas percebeu que Sesshoumaru não olhava na hora para a câmera.

–PUTA MERDA, RIN! – Jakotsu gritou no ouvido dela, assustando-a – Quem é esse gato aqui?

–Ah, ele é... Inuyasha, irmão desse meu amigo.

Jakotsu uniu as mãos e encostou no rosto, olhos sonhadores.

–Ele é adorável. Esse ar rebelde e mal humorado... – deu um suspiro – I-nu-Ya-Sha. Eu quero conhecê-lo!

Rin deu um sorriso sem graça.

–Ah, essas aqui são Kagome-chan e Sango-chan. Elas são as únicas amiga que fiz lá. Mas tenho mais contato com Sango-chan. Ela é namorada de Miroku-sama e...

Rin parou de falar ao ver Jakotsu franzindo a testa para alguma coisa que via na foto.

–O que é isso na sua mão? – ele finalmente perguntou, olhando extremamente sério para a prima.

A cor sumiu do rosto dela.

Como ela poderia ter esquecido? A mãoestava visível na foto. E ainda era da época que estava com os dedos quebrados.

–Ah... eu... – ela começou a ficar nervosa, coração acelerado – E-Eu que-quebrei dois dedos lá.

Quem quebrou os seus dedos?

Rin engoliu em seco.

–Como você sabe que foi alguém?

–É claro que foi uma pessoa. – ele asseverou, irritado – Se fosse acidente, você teria nos avisado. Quem fez isso com você?

Rin baixou o rosto envergonhada.

–Eu me defendi de um cara e tentei acertar um soco da forma que Hashi me ensinou. Mas acho que não fiz direito e quebrei os dedos. – ela umedeceu os lábios – Por favor, não conte pra ele. Ele vai ficar furioso comigo.

–Por que ele ia ficar furioso com você? O que esse cara fez pra você ter que dar um soco nele?

–Ele... hmm... ele me beijou à força. – ela tinha o rosto extremamente vermelho.

O primo parecia que ia ter uma síncope. A boca abriu e não saiu voz, os olhos estavam arregalados a ponto de não conseguirem piscar.

–Ele fez O QUÊ? – ele começou num fio de voz, ficando mais estridente no final para enfatizar a pergunta.

–Jakotsu... – ela murmurou – Eu não quero lembrar. Foi muito constrangedor. Todo mundo soube por lá. As fotos ficaram circulando por dias.

–E o que aconteceu com o sujeito? Por favor, me diga que ele mudou de país ou eu mesmo vou lá pra enfiar a mão na cara dele.

–Jakko...

–Rin, o que você tá me contando é muito grave. Os homens na capital fazem isso normalmente com as mulheres? Estou preocupado agora com você lá. O que o seu amigo fez?

–Hmm... eu não sei bem, mas o cara sumiu da faculdade. Eu nunca mais o vi. Um deles disse que ele desapareceu depois que a reputação ficou destruída com o que ele fez comigo.

Jakotsu continuava com a testa franzida em preocupação, maxilar travado como se estivesse se contendo para falar alguma coisa.

–Mas você vai contar pra Hakudoushi, né?

Rin balançou a cabeça timidamente para confirmar.

–Eu não sei como ainda. Ele fica um pouco irritado quando eu falo sobre as coisas da capital. – ela virou o rosto para o lado para esconder a vergonha de ter que contar aquilo – Por favor, não fique bravo comigo também. Eu não contei pra não preocupar ninguém.

–Rin, eu fiquei "bravo" quando tive que deixar o apartamento pro Aya na divisão de bens. Eu tô furioso agora. – olhou para os braços e apontou um ponto minúsculo empolado perto do pulso – Sinto até minha pele mais irritada agora. Olha aqui, olha!

A prima deu um suspiro pesado. Ela não havia se preparado para contar sobre o que acontecera. Se Jakotsu estava reagindo daquele jeito, o que Hakudoushi faria?

–Rin. – o estilista pegou as mãos dela nas dele – Você está bem mesmo por lá? Foi apenas essa coisa horrível que aconteceu? Ou teve mais coisa?

–Os meus amigos me ajudaram nessa época. Eu fiquei muito aborrecida com tudo. Pensei em largar tudo e voltar pra cá. As pessoas me achavam muito nova pra estar no último ano. Acho que até esse grupo com quem eu ando agora achava isso, tive que me esforçar muito pra tirar notas altas e me destacar. – ela olhou novamente a foto da cafeteria e lembrou-se dos primeiros dias na faculdade.

–Hm... Típico de gente da capital. Esse seu amigo te tratava assim também?

–Ah, ele... – ela passava o dedo nos lábios, lembrando-se de um beijo de Sesshoumaru – É, ele foi bem irritante no começo... Mas ele me ajudou muito depois.

Jakotsu sorria de modo brincalhão.

–O... O que foi? – Rin perguntou, meio confusa. Ela achava que tinha falado sério, mas...

–É que... – ele começou - Eu tenho certeza absoluta, minha linda prima, de que esse amigo que você diz que foi tão irritante no começo deve ter feito de tudo pra você ficar por lá.

Rin arregalou os olhos e ergueu o rosto, corando ainda mais ao ver o sorriso divertido do primo crescer.

 



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