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História Um Caso de Baker Street - Capítulo 4


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Notas do Autor


Boa leitura.

Capítulo 4 - Capítulo IV


Acordo, aparentemente horas depois, por estar claramente de noite e, bem, percebo que já estava eu em casa. Novamente, na cama de Sherlock; me pergunto se tudo aquilo não foi um sonho louco, se minha filha agora estava com o louco e insano do Holmes, que desde o princípio foi coisa da minha mente, e que eu deveria parar de tomar tanto café, ou chá antes de dormir. Me levanto num estrépito, e como um louco, vou andando pela casa um pouco tonto; deve ser essa maldita dor de cabeça de novo.

— Sherlock? Rosie?! – A casa estava vazia.

Começo a pensar que eles estão talvez lá em cima, devem estar brincando com os brinquedos, ou ela deve estar dormindo já, e o Holmes? Bem, ele pode ter dado uma saída, ou deve estar lá em cima com ela, dando-lhe lições de moral desnecessárias. Subo as escadas com dificuldade, pois meu corpo estava um pouco dolorido; realmente o nosso psicológico é incrível. Ao chegar no meu quarto o vejo vazio, chego perto o bastante do berço, para o ver arrumado, com os ursos e outras pelúcias o adornando. Não havia ninguém no quarto, na casa, ou talvez no prédio. Eu estou sozinho. Me ponho na frente do espelho, e enxergo que tudo o que fiz, foi mera fantasia. A faixa branca meio amarelada está enrolada em minha cabeça, meu nariz está roxo, assim como meu olho esquerdo, e uma parte da minha bochecha, meu rosto, minhas mãos, meus braços, todos estão arranhados e cortados, com Band-Aids aqui e ali para ajudar na cicatrização. Toda a minha alegria momentânea murcha, eu volto a descer as escadas, e me sento na minha poltrona. Fico olhando para a poltrona de Sherlock, e para a janela atrás da dele, que emanava um brilho frio, porém angelical. Onde será que ele está agora? Com o tédio me abraçando, e fazendo juras que não me abandonaria nunca, começo a ver minha filha engatinhando do sofá, até a minha direção, ela se levanta, não entendo o porquê mas me parece que ela está crescendo.

— O quê?

Sherlock abre a porta, e estende a mão para ela, que se torna uma loira linda, esbelta, uma verdadeira mistura minha e de Mary.

— Que porra é essa?! Sherlock?! Rosie!

Eles se beijam com amor, com calor, com paixão. Eu me levanto irado.

— Sherlock!

Eles param, e se viram para mim. Ela vem em minha direção, eu me sinto intimidado. Ela para, aponta uma arma para mim, e o rosto dela se transforma no da Mrs. Hudson.

— Peguei você. - Ela atira, eu pulo da poltrona, num susto.

— Sherlock! Rápido, me traga o chá.

Eu estava deitado na cama, estava tudo gélido ao meu redor, meu cobertor parecia neve. Eu estava molhado de compressas de pano, e em minha boca, só sentia o gosto de chá, mas não consigo identificar de qual seria. Mrs. Hudson estava me olhando com atenção, Sherlock estava em pé ao lado dela, lhe entregando uma xícara de chá, quentíssima, por sinal.

— Andou tendo pesadelos, John?

— Oh, Sherlock, não o aborreça, não está vendo que ele está queimando de febre?

— Sim, eu tive um pesadelo.

— Como foi?

— Eu não vou dizer.

— Por que você não vai me dizer?

— Por que foi ruim.

— Claro que foi ruim, se fosse bom se chamaria sonho.

— Rapazes! – Mrs. Hudson nos adverte.

— Que tédio!

— O quê houve comigo?

— Entrou numa briga de bar, enquanto me procurava.

Mrs. Hudson me olha surpresa, com olhos arregalados, mas não ousa falar nada.

— Nunca briguei pelo meu marido. – Finalmente ela deixa escapar o que aqueles olhos arregalados me gritaram.

— Mrs. Hudson, eu não sou gay!

— Por isso que teve um pesadelo comigo?

Eu me sinto corar, mas tento dar a impressão de que toda essa cor é de raiva.

— Sim, Sherlock! O que mais seria?!

— Várias outras coisas, John.

— E o caso, você achou a minha filha, Sherlock?

— Ainda não, John.

— Mas, e a faca? – Me lembro do urso, da bala, daquela história de autópsia e tudo mais. — Você a achou? Onde ela está? – Não consigo saber se estou ainda falando da faca, ou da minha filha.

— Irei ao laboratório. – Ele diz colocando o pires da xícara de chá na mesa, perto da Mrs. Hudson.

Eu seguro o braço dele com força.

— Dessa vez, eu vou com você. – Eu o encaro por alguns segundos, seriamente.

— John, você não pode sair ainda. – Mrs. Hudson me adverte.

— Eu sou um doutor, Mrs. Hudson, não precisa se preocupar.

Me levanto, soltando o braço dele devagar. Ele fica parado. Eu olho para eles, e me vejo vestido com uma camisa folgada, e maior que eu, que não me pertencia, e com um calção folgado, de dormir.

— É... Preciso que vocês saiam, porque eu preciso trocar de roupa. – Mrs. Hudson sai, e Sherlock continua parado, eu o olho e levanto as sobrancelhas.

Ele me encara mais um pouco, se vira, e sai. Eu tranco a porta, e troco de roupa. Ao ficar decente, eu abro a porta de uma só vez.

— Sherlock?

— Vamos, John.

Ele diz, e se dirige às escadas, eu o sigo. Ao chegarmos no laboratório, eu fico o observando, Molly, como sempre, nos auxilia ao analisar a faca, eu explico o motivo de estarmos lá.

— Acredito que não há com o que se preocupar, já que você e o Sherlock, estão resolvendo. – Ela sorri para mim, eu sorrio de volta, nós ficamos nos olhando.

— Holandesa! – Sherlock diz, nos olhando alternadamente.

— O quê? – Pergunto sem entender, o olhando.

— A adaga, a madeira desse cabo só pode ser encontrada na Holanda.

— Então, é isso! Ele é Holandês, certo?

— Talvez. Vamos, John, temos passaportes para comprar. – Ele se levanta, guardando a adaga na parte interna do casaco.

— Até mais ver, Molly. – Sorrio para ela, e vou me indo.

— Até... Ah, espera! – Ela vem na minha direção, e pega o próprio telefone, e o entrega para mim; eu a olho sem entender.

— Ele já possui um celular. – Sherlock diz se aproximando de mim.

— Oh, não, não, é... Bem...

— Seu número, John. Ela quer o seu número.

— Ah, ok... – Eu digito meu número, e o deixo para que ela salve. — Pronto, aqui está. – O entrego; nossas mãos se tocam, e ela sorri um pouco envergonhada.

Nós vamos embora, e no meio do caminho o meu celular toca: Uma mensagem foi recebida. Eu abro a mensagem.

Oi, Dr. Watson.
- MH

Eu sorrio pela formalidade, e decido responder.

Olá, Mrs. Hopper.
- JW

Aperto em enviar, e sorrio olhando para a janela. Estaria tudo perfeito, se minha filha estivesse aqui. Continuo nesse estado de espírito, até que me vem uma dúvida.

— Sherlock, como você sabia que ela queria meu número?

— Foi óbvio demais, John. Pense!

Me ponho a pensar... E claro, realmente era óbvio demais! Se ela me entregou o celular, óbvio que era para se comunicar! Como sou estúpido.

— O celular, se ela me entregou o próprio celular desbloqueado naquela hora, claro que era para pôr meu telefone, certo?

— Essa parte é tão óbvia que até Rosie o saberia. Mas, tem algo mais John... Pense.

Me ponho a pensar novamente, mas fico sem entender.

— Não entendo... Foi o fato dela não ter me chamado de Doutor, ou de Watson?

— Não, John! Os olhares, a pupila dilatada dela, e o sorriso nos olhos, meio tímido, meio selvagem; os sorrisos, que vocês trocaram, foi algo totalmente de flerte, a direção dos pés dela, sempre virados para você. E o rubor, nas bochechas, de quando ela te entregou o telefone, e você não soube o que fazer.

Eu fico sem o que dizer.

— Ela gosta de você, John.

— Hum. Você está com ciúmes?

Ele fica me olhando, sem me responder, e volta a olhar para a janela.

— Não vai me responder? – Fico o olhando, esperando por uma reação, ele se mantém constante. — Ok.

Uma mensagem chega. Era de Molly, eu vejo a notificação, mas não a abro para não responder.

— Não vai respondê-la?

— Ainda não.

— Por quê?

— Porque quer que eu responda?

— Só não quero que ela lhe troque, e você comece a visitar aqueles sites pornográficos e de namoro novamente.

— Pensei que não visse problemas neles.

— Não vejo problemas nele, vejo em você, que ultimamente vem pesquisado mais coisas relacionadas a...

— Sherlock! – Eu o interrompo indicando o motorista do táxi, que estava ouvindo com atenção.  — Nos desculpe.

O senhor desvia o olhar para a frente novamente, sem indicar reação. A viagem se vai em silêncio, até que o Holmes me mostra o que o perturba.

— Não entendo o porquê de tanta felicidade, John.

— Eu não estou feliz.

Ele apenas me olha, e logo chegamos no aeroporto. Nós compramos as passagens, e ficamos esperando a próxima viagem, que seria às nove horas da noite. Eu me levanto, e decido ir pra casa, fazer as minhas malas.

— John, aonde você vai?

— Em casa.

— Eu vou com você.

— Não precisa, eu trago sua mala também.

— Vamos. – Ele vai andando na frente, e abrindo a porta de um táxi para que eu pudesse entrar.

***

Nós já embarcamos no avião, e estamos na metade do caminho. Estou começando a ser vencido pelo sonho, mas Sherlock não me deixa dormir. Ele fica me acordando, e tentando discutir com a aeromoça. Eu me levanto, e vou ao banheiro. Acabo dormindo sentado no vaso. Me acordo acho que poucas horas depois com alguém batendo na porta. Percebo o que havia feito, e me apresso para lavar as mãos e sair. Abro a porta, e vejo praticamente todo mundo na fila, com um olhar irritado direcionado à mim. Eu sorrio sem graça, e tento passar sem ser linchado, enquanto eles me xingam e a aeromoça tenta manter a calma, eu sento ao lado de Sherlock, e ele está e continua olhando para frente, concentrado, calado, misterioso. Penso se ele não viu, ou ouviu isso que acabei de sofrer; não, claro que notara. Fico quieto, olhando para frente, o imitando, e tentando ignorar quem acabara de ir ao banheiro, e estava me xingando, ou esbarrando em mim, de propósito, porque estou na ponta.

— Dormiu bem, John?

— Sim. – Demoro para responder, pois tive que me conter para não perguntar, "nossa, como você sabe que dormi?" , ele é Sherlock, obviamente que já sabia.

Ao descermos do avião, vimos dois sujeitos, um casal, com essa placa " Rosie Watson, de 221B Baker Street " , eu começo a ficar tenso, e chamo a atenção do Holmes.

— Sherlock.

— Eu vi, que tal comermos, John?

— Comer?! Sherlock! Minha filha, eles estão esperando a minha filha!

— Acredito que você goste de um sushi. – Ele começa a andar para longe do casal que estava lá para pegar minha filha.

— O quê você está fazendo?! – Digo o puxando, e o encarando sem entender.

As pessoas começam a olhar, e isso me deixa desconfortável, eu o solto, ele arruma o próprio casaco, e volta para a direção.

— Se quiser conhecer quem são os sequestradores, me siga.

Eu olho novamente para a placa, para aquele casal, volto meu olhar para o casaco esvoaçante do Holmes e o sigo. Ele pede uma mesa, e se senta perto da janela, eu sento de frente à ele.

— Já os achou? – Olho pela janela para o casal, e olho para Sherlock novamente.

— Você assustou a nossa presa, John.

Olho para o casal mais uma vez, a mulher está falando ao telefone, eles olham em nossa direção, e largam a placa, vindo para onde estávamos.

— Sherlock, eles estão vindo.

— Eles não sabem quem somos, diferente do homem sem barba, sentado na mesa sete.

Eu olho para o homem que estava ao telefone, sentado só; ele olha para mim, se levanta, e pega uma mala, desligando o telefone, e colocando no bolso. Nós nos levantamos, ele começa a correr, começamos a correr atrás dele; o casal fica na nossa frente, justo na porta do estabelecimento, ele corre, ficando ainda mais longe; Sherlock empurra o homem, ele cai, a mulher bate na minha cara, eu fico desorientado, e vejo Sherlock correndo atrás dele, eu dou uma rasteira na mulher que tropeça por cima do homem que estava de quatro, e volto a correr atrás de ambos. Vejo Sherlock parado olhando para os lados, em meio a uma multidão, de pessoas, e veículos. Aquilo era a saída do aeroporto.

— Onde ele está?

— Ele entrou no carro, porém o carro estava vazio. Deve ter pego uma moto, ou se misturado com a multidão.



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