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História Um Caso de Baker Street - Capítulo 5


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Notas do Autor


Boa leitura.

Capítulo 5 - Capítulo V


— Droga, se ao menos conhecêssemos o local!

— John, abra o Google Maps, agora!

Eu rastejo os dedos pelos meus bolsos, e ambos estão vazios. Meu coração acelera, deve ter ficado na mesa da lanchonete e restaurante.

— Meu celular ficou lá, vou buscar.

— Vamos.

Ao chegarmos lá, nossas coisas foram levadas, tanto malas, como o meu celular. Decido falar com o gerente do local.

— Com licença, senhor, poderia chamar o seu gerente?

— Aqui estou, algum problema?

— Bem, é... Meu amigo e eu estamos numa investigação, e ao perseguimos o suspeito, acabamos deixando nossos pertences aqui.

— Vocês não são daqui, são?

— Não, não somos.

— Huumn...

— Ingleses, somos policiais detetives da realeza. – Sherlock aparece do meu lado, o analisando, com certeza.

— Da realeza?! Ora, por que não me disseram logo?! Venham, venham... – Ele vai andando até o interior do estabelecimento. — Sabe, provavelmente meus homens pegaram suas malas, e pertences para liberar a mesa. Então, não precisa ter preocupações. – Ele fica sorrindo para gente.

— Claro, acredito que não haverá mal algum se todas nossas coisas, estiverem intactas. Ao resolver esse caso, tenha certeza de que a rainha ouvirá e falará em seu nome. – Sherlock diz enquanto estamos subindo por um elevador.

Assim que chegamos ao andar requisitado, o gerente vai na frente, e começa a falar com algumas pessoas que aparentemente trabalham lá, nós paramos na frente do elevador, num local parecendo mais um escritório, onde havia várias pessoas utilizando computadores, e outras andando de um lado para o outro com maletas, ou papéis, eu mudo o meu olhar para Sherlock.

— Sério? A rainha? – Falo baixo para que ninguém além de nós dois, ouça.

Ele olha pra mim, e ficamos com aquele ar de riso. O gerente volta para onde estávamos, e tentamos ficar sério.

— Falei com alguns dos meus empregados, e eles não retiraram coisa alguma de nenhuma mesa nos últimos vinte minutos. – Começo a observar os empregados deles falando entre si, e vejo o homem do casal que havia nos derrubado, eu bato disfarçadamente no braço de Sherlock.

— Entendo... Então, você conhece mesmo todos os seus empregados? – Sherlock diz, e segura meu braço, o gerente olha para os braços dados.

— Sim, claro, porquê? – Ele sorri meio de lado para ele, e eu olho para ver se Holmes iria fazer alguma coisa, ele sorriu também, eu seguro o braço dele com a mão, e aperto um pouco.

— O que está fazendo? – Falo perto do ouvido dele, baixinho para o outro não ouvir.

— Apenas assista. – Ele muda a atenção para o gerente novamente, e sorri falsamente. — Se conhece todos, poderia por favor me dizer, qual o nome daquele? – Sherlock aponta tentando disfarçar.

— Ah, claro. Espera... Ele não trabalha aqui. – Os caras começam a andar na nossa direção, com uma expressão não muito agradável.

Sherlock corre e me puxa para dentro do elevador. A porta se fecha, e começamos a ouvir tiros. 

— Precisamos visitar uma casa. – Sherlock diz com a tranquilidade de sempre.

— O quê?! – Eu o olho incrédulo. — Temos que saber quem são aqueles caras, e pegar as nossas coisas! Não visitar uma casa!

— Você acha que eu estou brincando? – Ele olha sério para mim, e a porta do elevador se abre.

Eu não respondo nada, e saio na frente. Não demora muito para que ele me passe, e comece a guiar o caminho. Pegamos um táxi, e fomos para a bendita casa, que por sinal, é o Museu de Anne Frank, a casa que virou museu, para ficar mais claro. Não conseguimos entrar por não ter agendado nada, mas logo notamos uma praça, e que para a nossa surpresa, o homem do algodão doce estava. Sherlock e eu nos escondemos atrás de um arbusto, ainda perto do museu, o homem chegou quase agora, e por isso, notamos a presença dele primeiro. Ele atende o telefone, e começa a dar gritos, a xingar, e logo joga o telefone longe, na pista; mas logo se apressa para o pegar, o limpa, e coloca no ouvido novamente. 

— Temos nosso homem. – Sherlock cochicha sem ao menos piscar olhando para ele.

— Vamos pegá-lo! – Sussurro com sangue nos olhos, eu realmente preciso saber a razão daquele desgraçado ter pego a minha filha, e como ele o fez.

— Calma, John. Precisamos esperar pelo momento certo.

— Você pode esperar, mas eu não irei. – Eu pego a minha arma, que estava em minha cintura, e ponho-a em mãos. 

Sherlock me segura pela perna na qual levou a consequência de um tiro, ela dói um pouco, porém não exito, e o olho seriamente.

— John... Agora não.

Eu puxo a minha perna, e me levanto de vez, miro na perna do homem, e atiro. Ele cai e começa a gemer de dor, eu vou andando até onde ele está. Ele olha para mim assustado, pega uma faca, e tenta se matar. Eu sou a interrupção, ficando encima dele, segurando o pulso fortemente com na qual ele estava com uma faca. As pessoas começam a se atrair para aquele tipo de acontecimento. 

— Onde ela está?!

— E-ela quem?

— Minha filha! Rosamund Watson!

— John, já chega.

— Eu não sei do que estás falando! Por favor, sai de cima de mim! 

Eu aperto minha perna por cima do local do tiro que ele levou, ele grunge de dor. Sherlock põe a mão no meu ombro, eu o olho, e logo sinto minhas lágrimas saírem. Nunca imaginei que seria capaz de chorar de ódio e tristeza ao mesmo tempo. Eu volto minha atenção para ele novamente.

— Pra quem, você trabalha? – Tento me acalmar, para não parecer tão ruim aos olhos das pessoas, e às câmeras dos celulares ao nosso redor.

— Para mim. – O desgraçado ainda sorri, eu aperto ainda mais a perna dele.

— Para quem você trabalha?! – Esqueci todas aquelas pessoas ao meu redor, e somente o via, na verdade, nem ele mais era visível para mim, estou mesmo cego de raiva.

— Moriarty! 

Minha visão volta, eu foco nele com todas as minhas forças, e lhe dou um murro na cara.

— Para quem você... – Ele me interrompe, chorando, vermelho e sangrando.

— Moriarty! Moriarty! 

— Ok, quem fez essa faca? – Sherlock mostra a faca para ele, ele sorri e sussurra algo.

— Responda!

Sherlock me levanta de cima dele, e fica o olhando com atenção, eu fico meio desorientado. Meus instintos se dobram quando ouço o pino de uma granada cair no chão.

— CORRE! – Grito à plenos pulmões.

Rapidamente, eu seguro o braço de Sherlock e corro para atrás de uma árvore centenária. Eu olho para o homem deitado, ele sorri e grita:

— É MINHA! 

A  explosão não poderia ser menor, nossa sorte foi aquela árvore, e as ambulâncias chegarem logo após, por provavelmente alguém ter chamado enquanto ainda estava discutindo com aquele homem. Tudo havia acontecido tão rápido, que apenas agora pude notar o quão próximo estou do Holmes, ele me abraça.

— Não temos mais nada para fazer aqui, vamos pra casa.

— Não. Sherlock! Mas, e aquele casal? E aquele tiroteio no aeroporto?

— Acredite em mim, John. Se a pequena Watson estava aqui, provavelmente ela deve estar muito longe de nós. Ou... – Ele sai de perto de mim, e olha ao redor. — Perto demais... 

Um carro sai zarpando, e nos chama a atenção, tento correr atrás, mas só consigo ver o final da placa, que por sinal, era britânica. 

— Era ela! Era ela!! 

— Está na hora de pegarmos um barco.

— E as nossas coisas? Nossos passaportes, estavam tudo lá.

Ele tranquilamente pega o celular, digita algum número e o coloca no ouvido. Após algum tempo, o ouço falar:

— Sim, preciso de uma segunda via de todos os documentos meus, e de John, para amanhã. Não, eu não estou perguntando. Ele não está aqui. 

— Ah, eu estou sim! – Sherlock ergue as sobrancelhas para mim, e me passa o telefone.

— Alô?

— Dr. Watson, eu vi o que você fez, obrigado por ter salvo a vida dele. 

— De nada, olha, apenas queremos os documentos.

— Eu posso te ajudar a encontrar sua filha, você sabe, certo?

— Sim, nos ajude, por favor. — Acabo suplicando.

— Pois então, trate de ser um bom rapaz, pegue e abra a maleta que Sherlock está indo pegar, dentro dela estará algum dinheiro para vocês utilizarem de forma sábia, e dormirem por aí, enquanto não consigo seus documentos.

— Ok, então porque não traz logo a minha filha?

— Tem coisas em que não posso me meter diretamente, e essa situação é uma delas.

— Então o que garante que vou lhe obedecer?

— Nada, meu irmão já é obediente o bastante.

— Huumn. Era só isso?

— Sim. Ah, tem mais uma coisa...

— O quê mais?

— Não fique, de jeito nenhum, longe de Sherlock, lembre-se que um galho é mais fraco do que dois. – Ele desliga na minha cara, eu olho para o telefone, e medito no que ele disse.

— John, você já havia se hospedado na Holanda antes? – Sherlock me trás de volta à triste realidade.

— Hã? Não. Apenas passei de carro, mas foi muito rápido.

— Que bom, isso já deve adiantar o bastante.

— Ah, sim. Sim. Claro. – Fico olhando para a pista por onde minha filha estava, dentro do carro.

— Vamos John, teremos que arrumar um local para ficar.

Continuo pensando na minha filha, me sentindo um desgraçado, fraco, inútil. Todo o tipo de felicidade que havia tido um dia, agora estava longe de tentar se encontrar comigo, nunca pensei que isso acontecia, e sim achava que era algo resultante do uso das drogas. Mas não, o mundo realmente perdeu as cores, os sons, eu havia caído num tipo de rede num espaço desconhecido, e negro, sem som, sem calor, sem nada, apenas minha sombra de tristeza me corroendo, dos pés, e subindo devagar, me fazendo gritar, sem poder abrir a boca, me mexer, ou algo do tipo.

— John?! – Sherlock está olhando para mim, com profundos olhos inocentes azuis, será que algum dia aqueles olhos viram o que estou vendo? Será que os olhos dele já viraram para trás, e viu a escuridão que nos preenche? — John! Vamos. – O táxi havia chegado, mas tão rápido... Há quanto tempo estive caindo? Só poderei descobrir quando cair.

Em pouco tempo havíamos percorrido quilômetros, Sherlock ficou me olhando incessantemente, por todo o trajeto. A tristeza do meu vazio sobe como um vulcão, e transborda nos meus olhos, eu apoio minha cabeça sobre meus joelhos, jogando meu corpo pra frente. Talvez eu esteja com vergonha de mostrar para Sherlock, e o taxista, que eu sou mais fraco e frágil que muita criança sequestrada como a minha. Eu esqueço o mundo de fora, e entro no local onde continuo caindo, até por fim, conseguir ver um tipo de brilho branco no final, foi Sherlock passando a mão pelas minhas costas, e parando em meu ombro. Eu abro os meus olhos devagar, e viro a cabeça em sua direção.

— Eu conheço esse olhar, John.

— Você não entende. – Me sento em postura, um pouco nervoso, o olhando, e tirando sua mão de cima de mim.

— Eu entendo.

— Não, você não entende, porra!

— John...

— Claro que você não entende, nem se quer é normal!

Pareço dar um choque de realidade para ele, e o mesmo fica submerso em alguma coisa.

— Pare o carro.

— Senhor, não posso parar aqui, precisamos estar numa rua com estacionamentos disponíveis.

— Pare o maldito carro! – O motorista freia bruscamente, eu retiro meu cinto.

Eu desço do carro, no meio da pista, sem olhar para trás.

— John!

Eu me viro para Sherlock, e algo bate em mim, claramente devo ter sido atropelado. Eu caio, e novamente apago.



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