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História Um Caso de Baker Street - Capítulo 9


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Notas do Autor


Boa leitura.

Capítulo 9 - Capítulo IX


Acordo abraçado a alguém, e me aconchego ainda mais no abraço, sem perceber. Abro um pouco os olhos, para ver se isso se tratava de algum tipo de sonho, e dou de cara com Sherlock, me abraçando também. Eu fico sem reação, e passo a o observar enquanto dorme, ele me aperta ainda mais no abraço, e meu rosto fica praticamente no peito dele, minhas mãos estão nas costas, e cabelo dele. Eu começo a ficar nervoso, mexendo nos cachos macios, e delicados que se emaranhavam nos meus dedos e bato rapidamente, e bem devagar nas costas dele, para o acordar, e me tirar daquela situação. Ele cheira meu cabelo, se chegando ainda mais, e quando eu percebo que realmente estávamos colados, ele se desgruda de mim, e se levanta.

— Bom dia. É... Espero que ninguém tenha visto isso.

— Onde estamos? – Ele observa, começo a perceber o local ao nosso redor, e estávamos em outro tipo de galpão, ou no mesmo local, com uma cama no meio, conosco em cima, claro.

Eu olho para Sherlock, e ele já estava se levantando.

— Precisamos sair daqui. Vamos, John. – Eu me levanto também, e quando olho para ele, um cara se põe como sombra do mesmo.

— Sherlock! – O aviso, já que eu estava do lado paralelo a ele, da cama, Sherlock se vira como para quem já estivesse pronto para entrar numa briga. 

Num movimento rápido, eu pulo encima da cama, e me ponho ao lado dele, um pouco mais desajeitado do que imaginei; mas o faço. 

— Pelo visto dormiram bem... – O homem que mais tem cara de vendedor de algo barato, do que segurança, pelo porte, tamanho, postura, e jeito mais lento, e passível de falar. 

Enfim, até o sorriso, lhe foi um diferencial; bem, o curto momento silencioso que tivemos foi quebrado quando uma voz branda, vem de todos os lados:

— Parem de tagarelar, e saiam logo daí!

— Acho que devemos sair.

— Ai meu Deus, você ainda acha?! Vamos sair logo daqui.

— Espera, que cheiro é esse?

— Você está fumando?

— Estava...

— Não estou acreditando nisso...

— É por aqui gente.

— O que é aquilo?

— Sei lá.

— Você trabalha aqui, e não sabe o que é?

— Sim. Não, na verdade eu não trabalho aqui.

— O quê?!

— Vamos, John. – Sherlock pega no meu braço, e apressa o passo. — Não diga nada, mas me parece que tem uma bomba aqui.

— Espera, uma o quê?! – Solto o braço dele e o encaro parando no portão, enquanto o outro olhava para o teto, pegando algum tipo de cigarro no bolso. 

— Ssshhhh... Vamos logo, pode explodir a qualquer momento. 

— E você veio me falar isso agora?

— Sim, o que você queria que eu fizesse? Contasse na frente deles o que eles contaram perto de mim, enquanto eu fingia desmaio?

— Você fingiu?! 

— Aê! Vocês já tinham reparado que aquele relógio tá com a hora errada? – O cara aparece inesperadamente, enquanto fuma, e aponta para uma tela que mostrava uma contagem regressiva de 50 segundos.

— Não é um relógio, sua anta, aquilo é um cronômetro!

— O que mede o vento?

— JOHN! – Desisto de tentar falar com o louco do cigarro, e suposto guarda da oposição, respiro fundo para não o bater ali, e corro ao lado de Sherlock, estávamos literalmente no meio do nada, só havia plantas, terra, Sol, e um ar quente, ardente.

— Onde nós estamos? Isso aqui não é Londres, ou Europa, estamos perto do inverno, a bomba está perto de explodir. – Eu ouço barulho de tiros ao longe, e me assusto ainda mais, espero que não estejamos no Afeganistão, não agora, com Sherlock. — Você ouviu isso? Foi tiro! Estamos perto de um embate, pensa em como nos tirar daqui. – Ele fica na pose meio estranha de pensar e entrar no mundo de pensamentos dele.

— Eu não sei! Eu não sei!

— Pense, Sherlock! PENSA! – Agarro a cabeça dele enquanto ele fecha os olhos, e segura as têmporas, com os dedos tremendo. 

Eu fico o observando, por mais que meus instintos de sobrevivência estivessem em colapso um com o outro agora, Sherlock me acalmava, ou ao menos, saber que morreria ao lado dele, já era algo totalmente abençoado, e prazeroso para mim. Sem querer, eu devo ter dado um sorriso, e assim que ele abriu os olhos, me olhou sorrindo. Ele está sorrindo, e um pouco ofegante, de talvez viajar no Palácio da Mente dele, ou seja lá o que ele faz com os olhos fechados. 

— Estamos em casa. – Ele diz sorrindo, e segurando meus ombros com um ar aliviado.

— Hey, o quê? – Pergunto, e ele me abraça. — Como assim, estamos em casa?

— Olhe, John. Observe, bata o pé no chão. – Eu olho ao meu redor, sem entender nada, vejo o meu pé, e o bato no chão, a poeira não se levanta, e um som de madeira aparece.

Eu olho para aquilo assustado, e penso em provavelmente estar louco, e já morto.

— John, fecha os olhos. – Ele coloca os dedos nas minhas pálpebras, com delicadeza, e começamos a rodar. — Não tem mais areia, gente drogada, galpão, plantas desérticas, bomba, ou tiros. Ham? Está ouvindo John? Os carros, buzinas, e o silêncio angelical de Londres? 

E aos poucos realmente tudo vai mudando, como se um lugar estivesse se transformando em outro. Logo Sherlock tira os dedos de mim, e eu abro os olhos, sentindo uma alegria imensa explodir, como forma de êxtase inocente de uma criança que ganha o que pediu no Natal, ou aniversário. Eu o abraço, e ele me abraça de volta.

— Ainda não acabou John. – O momento mais reconfortante agora vai embora.

— Sim, mas como sabias que estava aqui?

— Não teria como termos ido tão longe de Londres em pouco tempo, sem perceber.

Me ponho a pensar, e percebo que isso era óbvio demais.

— É. – Ele se vira, e abre o meu notebook, que sempre fica encima da mesa, esperando desesperadamente para que eu dê atualizações ao meu blog. — O que está fazendo? – Me aproximo dele que teclava como um louco.

— Estudar, John! Temos que estudar!

— Sobre o quê? Isso que aconteceu?

— Claro, ele é um hipnólogo, e um dos bons. Todas aquelas pessoas, que estavam no galpão, foram hipnotizadas.

— Incluindo você? – O olho com desconfiança, como se uma luz iluminasse cada canto escuro da minha mente, ok, agora ele deve não ter mais segredos.

— Sim, mas não se preocupe, ele me liberou quando você estava lá.

— Como posso confiar em você agora?

— Deveria, já que estamos aqui.

— Huumn. – Me afasto um pouco dele, e me sento, ele me olha, revira os olhos, e senta de frente pra mim.

— Eu tenho uma chave de ativação da hipnose na minha mente.

— Sabia! Você pode ser marionete dele a qualquer momento!

— Não se eu dominar a hipnose, e puder excluir essa chave da minha mente. – Ele pega o meu notebook e fica de cócoras na própria poltrona, com o notebook apoiado nos joelhos.

— Então, é isso? – Olho para a janela, para a luz bailando no corpo nu da fina cortina branca, e me lembro da pureza angelical da minha filha.

Como alguém pode fazer tal conosco? Principalmente com ela, que é literalmente um bebê!

— Sim, John, enfim algum tipo de diversão. – Olho para Sherlock, e respiro fundo ao saber que tudo o que ele fala não é uma brincadeira.

— Ok, estou fora. – Me levanto da poltrona, e ele pega na minha mão.

— Não me deixe aqui. – Sempre foi raro vê-lo implorar, mas nunca vi, alguém tão desesperado para não ficar só, como antes. — Por favor. – Ele se senta normal, e coloca o notebook no colo.

— Eu preciso dar uma volta.

— Estou indo contigo. – Ele diz me soltando, e se levantando.

— Não precisa.

Ele bota o notebook de volta na mesa, e se olha no espelho, acima da lareira.

— Vai assim? – Tento desistir da ideia de tentar fazê-lo não ir.

— Qual o problema?

— Seu cabelo... Ele está um pouco desorganizado. – Ele se aproxima de mim, e me vira para o espelho. — Viu?

— Pensei que não se importasse com isso.

— E continuo não me importando, mas você se importa, então... Que amigo seria eu, caso te deixasse sair assim? – Me lembro do que havia acontecido no galpão.

— Sobre... Sobre o galpão em que estávamos, é...

— Sim? – Agora estou com medo de falar, e de ser tudo da minha cabeça.

— Ele era real? O primeiro, onde vi minha irmã, e sua irmã, e minha filha.

— Sim.

— Então aquilo foi verdade?

— O quê? – Ele parece não saber, será que foi hipnotizado para isso, ou apenas para aquilo?

— O gás do sono, o fato de que elas estão presas lá, e de que estávamos no mesmo local.

— Sim, foi verdade. – Ele se põe pensativo.

Meu telefone começa a tocar, e eu vou pegá-lo no chão da escada, onde não sei qual o motivo dele estar lá. Molly está me ligando.

— Quem é?

— Molly. – Eu atendo. — Hey.

— Hey... Tudo bem?

— Ham... – Lembro dos acontecimentos horríveis que presenciei em menos de uma semana, mas decido curtir o momento de quem sabe, arranjar uma madrasta para Rosie, quando tudo isso estiver acabado. — Sim, e com você? – Eu fecho a porta, pois Sherlock estava me olhando, e estava me deixando incomodado.

— Bem, bem, estou bem, tudo está bem. – Ela me parece um pouco nervosa.

— Que bom. – Eu dou um riso, não acredito que tem como ter momentos de felicidades, onde posso fugir de tudo, e fingir que nada está acontecendo.

Sherlock aparece na cozinha, e abre a porta, me olhando com um bule na mão, e uma xícara na outra.

— Eu quero tomar café, John.

— Agora não. – Sorrio para Molly não perceber.

— Eu estava pensando se...

— Sim?

— John. – Eu me viro de costas para Sherlock, o ignorando completamente.

— Está ocupado?

— Não, não, não. O que estavas falando mesmo?

— John, eu quero café. – Sherlock puxa meu cotovelo do braço na qual eu estava segurando o celular. — Agora.

— Escuta aqui, eu estou no telefone, coloque a água para ferver. – Falo cochichando enquanto Molly fala alguma coisa no telefone.

—...para esquecer um pouco das coisas, o que acha?

— Acho perfeito. – Ela ri do outro lado, e eu olho para Sherlock que está colocando a água para ferver. — Muito, muito bom.

— Será amanhã, à noite. Vou te mandar meu endereço.

— Sim... Sim.

Sherlock de costas, me parecia mais uma estátua grega, essa roupa fina, o deixa mais delineado, cada curva reta, e masculina, porém suave, e delicada. Como alguém pode ser desse jeito? Como todas essas características podem se encaixar numa só pessoa? Ele me parece tão inocente às vezes. Me pergunto se ele realmente transou com aquela garota. Bem, ao menos a beijou... Queria tanto provar dos beijos dele. Ou o colocar contra a parede, ficar maior que ele... Ver do que ele é capaz, e mostrar que não brinco em serviço. Espera! Mais que merda é essa que tô pensando?!

— John?! – Molly quase aos berros no telefone, ativa a função de ouvir, que eu havia deletado temporariamente.

— Sim, então amanhã, certo?

— Não, na sexta, amanhã eu terei que ficar no necrotério. Tem certeza de que não está ocupado? 

— Sim... – Falo muito fraco, e vago, lhe dou um pigarro, retirando meu olhar do corpo escultural do Holmes, olhando para o chão, percebo que estou excitado, ponho uma mão cobrindo, e me viro para não dar chance de cair novamente; a escada me fitava com uma seriedade e frieza indescritível. — Sim. – Agora sim, foi uma afirmação firme, e segura.

— O que eu faço agora John? – Sherlock aparece do nada atrás de mim, e eu tomo um susto por não esperar aquilo nesse momento. — Desculpa, eu não queria te assustar. – Me viro para o olhar.

— Meu Deus, Sherlock! – Ponho a mão no coração que se mantém acelerado.

Ele continua me olhando com atenção, com o bule cuspindo vapor erguido em mãos.

— O café, pega o pó de café, e misture.

— John? O que houve?

— Nada, tomei um susto apenas.

— Sherlock está aí? 

— E o açúcar?

— Não está comigo. – Começo a perder a paciência, por não poder fazer o que quero com ele. — Então, amanhã eu te pego?

Não vou deixar ele tirar a chance de me satisfazer com uma mulher.

— Onde?

— Não sei!

— Sim, mais tarde nos falamos, diz a Sherlock que mandei um abraço.

— O quê? Não, espera!

— Tchau, John. – Ela desliga, eu não tenho coragem de tirar o celular do ouvido, e direciono meu olhar fixado em Sherlock, que está jogando a água quente na pia.

— Não quero mais café. – Ele vai embora e pega o notebook novamente.

— Você. – Vou atrás dele, e fico o olhando com raiva.

— Eu?

— Sim! Você estava me atrapalhando de propósito! – Ele para pensativo, e olha para o lado, com o olhar em outra dimensão.

— Não, eu só queria um café.

— Você sabe fazer um café sozinho!

— Agora sei, muito obrigada. – Ele sorri, e volta o olhar para o computador.

— Não tô acreditando nisso, você não existe! – Me viro, e decido sair agora antes que eu me estresse novamente.

Pego o meu celular, e ponho no bolso, ele me olha com atenção. 

— Ah sim, vamos!

— Não. Você vai ficar, qualquer coisa me ligue, preciso tomar um ar.

— John...

— E não me siga! – Desço as escadas.

Vou na direção da ponte de Westminster, é sempre bom olhar o rio passar, os carros e pessoas passarem por lá, a vida agitada, e pacífica de Londres. Em pouco tempo, eu chego no meu destino, e fico lá, sentado num banco de praça, olhando para o horizonte com uma mistura de edifícios antigos, e totalmente modernos. Algumas crianças estavam passando, apontando para a London Eye, me lembro da minha filha. Um frio, como um arrepio me adentra no peito, e eu luto para não chorar em público. Eu vejo uma criança parecida com a Rosie, andando, e olhando para mim, como se... Por algum acaso me conhecesse. Eu me levanto, e vou atrás dela, e daquela excursão escolar.  Eles param para tirar foto com a London Eye logo atrás, como paisagem. Talvez seja a foto da turma, já que estamos no meio do período escolar, mas um pouco antes do inverno, já com o ar gélido do mesmo, realmente, um período perfeito para a foto. Uma professora nota que estou por perto, e se aproxima de mim, ficando ao meu lado, para provavelmente ver quem eu estava fitando.

— Sua filha?

— Parece muito. – Sorrio para não chorar. — Americana? – Tendo mudar de assunto.

— Brasileira, mas de família britânica. O que houve com ela?

— Foi sequestrada.

— Ah, perdão.

— N-não precisa se desculpar.

— Deve doer.

— Você não faz ideia.

— Imagino, essa olheiras não estão aí à toa, eu acho... – Pela primeira vez, a olho com atenção, e ela me lembrava um pouco Sherlock. — Onde está a mãe?

— Eu... Morreu. – Ela me olha supresa, e antes que falasse qualquer coisa, eu disparo: — Mas já faz um tempo, foi horrível, mas melhorei. À propósito, sou o Doutor John Watson. Qual seu nome? – Deixo minha mão no ar, enquanto sorrio simpaticamente, e ela logo a aperta, sacudindo, e sorrindo.

— Professora Hampston, Julie Hampston, prazer em conhecer, Sr. Watson. 

— John, me chame pelo nome, professora.

— Então me chame de Julie, John. – Ela sorri, e percebo que se Sherlock não me atrapalhar, estarei tendo dois encontros numa só semana.

— Claro. – Sorrio, e a aluna parecida com minha filha se aproxima a puxando pela mão, bem delicada, me olhando tímida.

— Professora... Eu quero pipoca! – Lembro de Sherlock, e percebo que estava demorando mais que planejei.

— Bem, parece que estás ocupada, não vou te atrapalhar. – Eu pego um pedaço de papel, e começo a pôr o meu número.

— O quê? Não, não, sem essa.

— Aqui, toma meu número, mais tarde nós terminamos. – Ela pega o papel, e sorri.

Eu sorrio novamente de lado, e vou logo embora, preocupado com Sherlock. Passo na frente de um vendedor de pipoca, e compro pipocas para todas as crianças da turma, o pago em seguida, e ele segue seu carrinho para o grupo, a professora me olhava ao longe, com a menina em mãos, eu me viro, e sigo meu caminho. Pego o meu telefone, e ligo para ele. Ele não atende, eu começo a suar frio.

— Porra, atende Sherlock!

Assim que entro na rua em que moramos, sinto alguém me seguindo. Eu entro num beco, mudando minha direção, e espero a pessoa entrar também. Eu me escondo atrás de um latão de lixo, e assim que o homem entra, e passa por mim, me procurando, eu me levanto, e pego uma garrafa quebrada.

— Quem é você?! – Digo nervoso, e ele se vira devagar.

Ele retira o capuz do casaco, e Sherlock se mostra diante de mim.

— Mais que porra é essa?!

— Eu tinha ido comprar café.

— Você! – Eu passo as mãos pela cabeça, tentando não gritar, e não chamar atenção da vizinhança logo ali, perto de onde moramos. — Em casa conversamos. – Sigo caminho irritado.

Ao chegarmos lá, ele passa por mim, e se senta, me olhando. Eu fecho a porta, e respiro fundo.

— Você estava me seguindo?!

— Não. – Levanto as sobrancelhas, e ele desvia o olhar.

— Que parte de "Não me siga!" você não entendeu?!

— Eu não estava lhe seguindo.

— Ok, você estava me seguindo. Por quê? – Ele fica em silêncio. — Por quê?!

— Fui comprar café.

— Ok... Ok, ok. Agora faça o seu café, e me deixa em paz.

— Você sentiu minha falta?

— Como assim?

— Quando me levaram?

— Um pouco, das partes boas, claro. – Vou até o banheiro, e fecho a porta, sem querer falar, ou ouvir mais nada.

Claro que senti falta de você, por mais que eu não queira dizer, senti mais falta sua do que da minha filha. Isso é tão errado, por que sempre ajo assim? Devo ter algum tipo de problema. Isso deve já ser verídico, se não, qual a serventia da psicóloga? Ela deve saber de tudo isso, mas quer que eu descubra... Eu olho para o meu reflexo no espelho, aqueles olhos queriam fitar o par azul que está do lado de fora. Eu começo a morder minhas bochechas para não gritar ali mesmo. Meus olhos começam a ser encher, e ficarem vermelhos, meu cabelo se move, e se bagunça com o tremor dos meus braços que agarram a pia com força. Nunca na minha vida havia ficado tão confuso.

— Eu também te amo... – Cochicho para o espelho, na esperança de ser Sherlock ao invés de mim.

Vou chorar baixinho embaixo do chuveiro, sentado na banheira, esperando que ele não ouça o choro desesperado de uma criança que ama, mas tem vergonha. Que ódio daquele homem! Que vergonha de tudo isso, sou um fraco, covarde.

Ao terminar o "banho", eu subo, e me tranco no quarto, prefiro deixar essa tristeza sair, mas tenho que fazer isso sozinho.

— John? – Sherlock bate na porta depois de quase uma hora em que eu havia me trancado.

— Preciso ficar sozinho.

— Quer conversar? – Claro que quero, entra, vem aqui, me consola, deixa eu me confessar, não sei se você lembra, mas fiquei tão confuso quando você se declarou para mim.

— Não, me deixa sozinho. – Respondo sério, implorando para que ele insistisse em mim.

Ele vai embora, as sombras dos seus pés desaparecem por baixo da brecha da porta, e logo escuto seus passos se distanciando, descendo os degraus rapidamente, daquele seu jeito calmo, e único que já devo ter dito por aqui. É acho que ele não irá insistir, pelo visto ele não conseguiu deduzir isso...  Como alguém pode ser tão oito e oitenta num só modo, de uma só vez? Eu volto a minha atividade, que por enquanto vem sendo ver as nossas fotos, de quando éramos felizes, a minha preferida, é a que estamos juntos, eu, Rosie, e Sherlock, sorrindo. E como sempre Sherlock não estava olhando para a câmera, mas sim para mim, ou para o pacote embrulhado chamado de bebê. Os passos começam a aparecer, e eu vejo a sombra dos pés do que espero se Sherlock na parte debaixo da porta, eu consigo ver facilmente por estar sentado no chão, encostado na cama, e de frente para a porta. Logo vejo um pano cobrindo a brecha que tenho para fora do mundo.

— Sherlock? – Você insistiu! Você insistiu! Até isso você conseguiu deduzir, não deveria ter duvidado de ti! Eu me sinto alegre, mas ainda triste por não poder aproveitar dessa alegria; mas que vexame seria! Principalmente na situação em que nos encontramos.

— Sim?

— O que você está fazendo?

— Irei dormir, boa noite, John.

Eu me levanto, e abro a porta, ele cai nos meus pés, por estar encostado no travesseiro que estava na porta.

— O que é isso?

— Quero dormir John.

— Sim, eu sei. Mas... – Eu aponto para os meus pés, onde ele continuava deitado, com o travesseiro. — Por que você está aqui?

— Não quero dormir no meu quarto.

— Ok, durma na minha cama. – Ele olha para mim, se levanta, e passa por mim.

Eu vou na direção dele, e pego meu travesseiro, e meu lençol. Queria poder te acompanhar mas sou orgulhoso o bastante de não deitar contigo. Continuarei sofrendo essa tentação, creio que você até é assexuado, ou apenas hétero mesmo e que nunca imaginaria ter algo principalmente comigo! — Boa noite.

— Tá indo pra onde?

— Dormir na sua cama.

— Por que? – Eu franzo as sobrancelhas o olhando, sério mesmo que ele quer dormir comigo? Creio que não, deve ser peças da minha mente, ele só deve estar com medo de o levarem, ou de nos matarem, sei lá.

— Olha, eu durmo aqui no chão, ok?

— E a sua perna?

— O que tem ela?

— Vai piorar, pega um colchonete. – Ele diz, e se vira, se cobrindo por completo.

— Olha, eu deveria estar aí, você que veio tomar meu lugar na cama, e ainda quer que eu durma no chão, com um colchonete?! – Ele se vira só com o rosto descoberta, e olha para mim dos pés à cabeça.

— Se quiser dormir no chão, fique à vontade. – Eu rio irônico, não acredito que eu estou apaixonado por esse idiota esquisito e folgado, e decido repetir isso, já que a noção não está muito presente comigo agora, ele se vira.

— Não acredito que eu estou apaixonado por esse idiota esquisito e folgado... – Falo baixo pondo a mão na boca, e ele se vira, se descobre e senta me olhando.

— Não entendi.

— Você é um idiota, esquisito, e folgado. – Ele fica me olhando com atenção, e se deita na ponta da cama.

— Deita comigo.

— Não, olha, vou tomar uma água, quero ficar sozinho por enquanto.

Ele continua calado, sentado, me olhando como um gato espiando um humano de uma janela.

— Boa noite. – Eu apago a luz, e fecho a porta.

Chego na cozinha, e tomo minha água, me sento na minha poltrona, e fico olhando para a poltrona de Sherlock. Volto para a cozinha, e decido tomar uma boa dose de whisky. Volto para minha poltrona, e fito a poltrona dele. Logo no final da segunda dose, eu sinto uma vontade imensa de sentir o cheiro da poltrona dele, que tem o cheiro dele, impossível não ter, já que apenas ele senta ali. Eu fico de joelhos no assento, e sinto o cheiro do couro falso, entrar facilmente e se alojar no meu cérebro, amanhã minha cama estará com esse cheiro; assim espero. Eu sinto vontade de beijar o couro daquela poltrona como se fosse ele, nunca fiquei tão excitado. Eu dou um selinho, continuo com vergonha do que estou fazendo, mas quem irá nos separar? Até a morte ele driblou! Vou o beijando, até me desequilibrar e derrubar whisky pela poltrona.

— Droga! Droga! – Falo baixinho para ele não escutar, e querer ver a "água", e a situação em que estou.

Corro para a cozinha, e deixo o copo por lá, volto com um pano, e vou enxugando, sinto o cheiro de álcool ao longe, e decido passar desinfetante, mas o cheiro ficar muito forte. Então, logo tenho uma boa ideia: esfregar uma roupa de Sherlock em toda a poltrona, até ela voltar para o cheiro original. Vou na roupa suja, e pego algumas camisas manchadas de produtos químicos, e vejo uma com uma coisa branca... Espero que não seja o que eu estou pensando. Enfim, agora estou esfregando a primeira camisa com força para pegar o cheiro.

— Que merda, que merda. – Decido pensar positivo. — Vai dar tudo certo.

Quando finalmente o cheiro ficou, percebi que as camisas estavam com um cheiro insuportável de tudo, eu as ponho logo no fundo. Finalmente irei dormir, ponho o pé na escada, e penso que não daria muito certo eu estando lá no quarto com ele, principalmente com a vontade imensa que eu estou de ao menos foder algo, ou alguém. Lembro que o quarto dele está livre, ok, não darei muitos detalhes da minha jovem perversão, mas só sei que não melei as roupas de cama dele, só o cheiro que me impregnou todo. Até consegui salvar o travesseiro, e uma grande parte do lençol, a outra eu passei uma água, enquanto ainda estava quente. A noite rapidamente cai, como um suicida na ponta de um prédio não, não gosto muito dessa ideia, na ponte, prestes a dar um mergulho ao lugar mais quente do mundo, não tenho outra escolha se não ser cristão, quer saber, que se foda todo mundo! Eu sou bi, e agora sou agnóstico! Não tenho mais escolha, se não ser honesto comigo mesmo! A felicidade da minha auto aceitação me deixa cansado, bem, não foi só ela que me fez perder as forças...



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