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História Um contrato entre nós - Capítulo 3


Escrita por: DanielleCps

Notas do Autor


Olá gente! Tudo bem?
Aqui estou eu de novo ^^ Espero que vocês gostem do capitulo. Ele foi feito com muito amor e carinho.

Capítulo 3 - Capitulo 3 - Annelise


Escuto as passadas pesadas de meu irmão indo em direção a garagem e sei que a conversa não foi boa, não que as anteriores tenham sido diferentes.

- Mãe, você precisa de alguma coisa? - Desço as escadas e me aproximo da mulher sentada no sofá do hall. 

- Preciso de outro filho. - a sua voz é seca e contida. - Se Deus tivesse me permitido ter dois filhos, não estaríamos passando por essa situação. 

- Infelizmente sou mulher. - respondo desgostosa. 

- Eu perdi dois meninos entre a sua gestação e a de seu irmão. - Ela não parece ter escutado minha resposta anterior. - Então, quando você nasceu, em nossa última tentativa, eu tive que lidar que havia dado a luz a uma mulher e que ela não poderia levar o nome da família adiante, caso acontecesse algo com Draco. 

- Sinto muito por isso. - respondo de forma mecânica, após alguns segundos de silêncio. 

Fico ali, de pé, observando aquela mulher que deveria fazer o papel de mãe para mim e para Draco. Mas ela era somente minha progenitora e nada além disso. Nada daquele famoso carinho maternal que as pessoas diziam que mãos deviam ter pelos seus filhos. 

- Conversei com o seu pai ontem a noite sobre você. - ela fala me tirando de meus próprios pensamentos. - Você retornará para o colégio interno assim que as férias de inverno terminar. 

- Vocês disseram que eu poderia frequentar a escola normal. 

- Mas percebemos que você será melhor educada dentro do colégio. - ela se levanta e esboça um sorriso forçado. - Você precisa aprender muito mais do que apenas história, geografia e matemática. - Minha mãe caminha em direção a biblioteca da ala oeste. 

- Eu tenho aulas de etiqueta desde que me conheço por gente. - respondo a seguindo de perto. - Eu sei tudo o que preciso saber. Além do que, tenho somente mais 6 meses até concluir minha educação básica. 

- Você precisa aprender a ser uma boa esposa também, Annelise. - ela continua a andar. - Você terá um bom casamento assim como Draco. 

- Você quer me arrumar um casamento arranjado?

Por um momento me senti jogada em algum século em que casamentos arranjados eram a coisa mais comum do mundo. Narcisa falava de mim como se eu fosse uma mercadoria prestes a ser vendida. 

- Em alguns meses você poderá casar legalmente, Annelise. - Minha mãe ignorou meu comentário. - Precisamos arranjar um bom casamento para você e tirar o foco dos deslizes do seu irmão. 

- Você está louca, mãe. 

- Tenha mais respeito por mim, Annelise. - minha mãe agora estava a poucos centímetros de mim, com o dedo em riste, próximo ao meu rosto. - Nunca mais quero ouvir você me insultando dessa maneira. 

- Não existem mais casamentos arranjados na família real e você quer empurrar um a mim? - Eu me afasto. - Não ache que vou casar só porque você quer. 

- A nossa família é muito mais tradicional que a família real. Muito mais antiga, Annelise. - ela respondeu entrando pela enorme porta de carvalho escuro da biblioteca. - E nossa família só é prospera porque o dever sempre veio a frente de qualquer outra coisa. E vamos continuar assim. 

Minha proximidade com os meus pais se resumiam as fotos tiradas para as revistas. Essas eram as únicas lembranças que tenho de colo e abraço. Logo depois eu ia para o colo de alguma baba o assessor e acabava o momento feliz. 

Narcisa e Lucius estavam sempre viajando para representar a Coroa e a família real em eventos pelo mundo. Nós éramos o segundo plano, talvez o terceiro. 

Teremos uma recepção dentro de duas semanas aqui em casa. - ela me informa. - Faremos um baile de outono. Você precisa de um vestido novo de noite. 

Eu sinto um nó se formando em minha garganta, porque agora eu, mais do que nunca, sei que ela está a procura de um marido para mim. Narcisa está focada em casar um de seus filhos e parece querer começar por mim, já que Draco se mantem distante de suas garras o tanto quanto pode. 

Observo ela sentar-se na cadeira atrás da enorme mesa escura e ligar o computador. Em poucos instantes parece completamente absorta em sua nova tarefa de organizar um jantar onde eu serei a mercadoria principal. 

Penso em me refugiar em meu quarto, mas acabo mudando de ideia quando sinto o cheiro de bolo recém assado vindo da cozinha. Era tudo o que eu precisava junto com um belo copo de leite com chocolate para tirar as ideias insanas que começavam a pipocar em minha mente. 

- Bertha… - entro na enorme cozinha já gritando. - Onde…?

- Oi Anne, tudo bem?

Otto era o homem mais bonito que eu já havia visto em minha vida. Irmão mais novo do Principe Herdeiro, companheiro de time de Draco. Os cabelos escuros, quase pretos e os olhos negros faziam um belo contraste em seu rosto anguloso. 

- Ah… Olá, Vossa Alteza. 

Eu sempre tinha a impressão de que todos os espaços ficavam sufocantes quando Otto estava por perto. Me permiti observá-lo por alguns instantes antes de me obrigar a fazer algo. Ele se apoiava na pedra da enorme ilha que havia na cozinha. Um prato com um pedaço de bolo generoso estava a sua frente, ainda soltando fumaça. 

- Desde quando você me trata por pronomes formais? - Otto dá outra garfada no pedaço  de bolo que estava a sua frente. - Bertha acabou de tirar do forno, acho que você deveria pegar um pedaço antes que eu coma tudo, sabe?

- Minha intenção é justamente essa, Otto. - respondo indo em direção ao bolo que está na bancada. - Meu irmão saiu faz mais de hora já. 

- Eu estou sabendo. - ele me acompanha com os olhos. - Foi ele mesmo quem me pediu para vir buscar os sticks que ele esqueceu. 

- Faz algum tempo que eu não vejo você. - comento enquanto pesco um pedaço de bolo no meu prato e me sento no banco ao lado dele. 

- Os treinos andam consumindo meu tempo, Anne. Você sabe, as coisas não foram exatamente fáceis no último ano. 

Eu observo aquele homem na minha frente que estava pegando farelinhos de bolo com as pontas dos dedos. Eu o conheço desde sempre, mas minha primeira lembrança o envolvendo foram há muitos anos atrás, quando eu tinha 5 anos e ele 6. Eu estava comendo um pedaço de bolo, assim como esse e ele resolveu puxar minhas tranças e eu caí da cadeira. 

- Eu sinto muito por tudo o que aconteceu. - falo sincera. - Estou muito feliz que você esteja recuperado e de volta ao time. 

- Eu fui um babaca com você, não? - Ele me encara pela primeira vez. - Nós nunca conversamos… 

- Faz quase 3 anos, Otto. - Levanto e vou atrás de outro pedaço de bolo. - E sei que você tinha toda a razão quando disse que só havia sido um beijo. 

Não tinha sido só um beijo para mim. Tinha sido o meu primeiro beijo com o cara que eu era apaixonada desde sempre.

- Eu não quis magoar você, Anne. - Seu tom de voz é baixo e sei que está sem jeito. 

- Você não me magoou. Fica tranquilo, Otto. - numa tentativa de não o encarar, faço o mesmo que ele e vou juntando os farelos de bolo com as pontas dos dedos. - Além do que, já faz muito tempo. 

- Eu sei, mas… 

Bertha surge na porta trazendo os enormes sticks interrompendo nossa conversa em definitivo. 

- Senhor Otto, peguei todos tacos que estavam no armário do menino Draco. 

- Muito obrigado, Bertha! - Otto dá um beijo estalado na bochecha de nossa governanta. - Seus bolos continuam tão maravilhosos como quando eu era criança. 

- E vejo que vocês dois quase comeram metade do bolo sozinhos. - Bertha sorri cúmplice para mim. - Venha outras vezes, Sr Otto. 

- Pode deixar, Bertha. Tem dias que eu só quero um pedaço do seu bolo e um chocolate quente. - Seus olhos negros caem sobre mim. - Foi bom te ver, Anne. 

- Foi bom te ver também, Otto. 

Eu o observo andar e parar. 

- Você vai ao jogo de sexta feira?

- Acredito que sim. - É inevitável não sorrir para ele.

- Nos vemos lá, então. 

E dessa vez ele realmente vai embora.

- Minha mãe quer me arranjar um casamento e eu não quero. - desabafo enquanto pego os dois pratos e levo para pia. - Eu não quero casar assim. 

- As coisas podem mudar, minha querida. - Bertha tira alguns itens, provavelmente para fazer a janta. - Você tem alguns meses até seu aniversário de 18 anos. Não deveria ficar pensando nisso com tanto afinco.

Eu lavo os pratos com cuidado, levando muito mais tempo do que realmente deveria. Meus pensamentos estão caóticos. Confusos. 

- Você está pensando em Otto. 

- Não sei se, algum dia, eu deixei de pensar nele, Bertha. - admito. 

- Eu vi vocês dois crescendo. - ela sorri pegando o prato molhado de minha mão e secando com o pano de prato logo em seguida. - E sempre soube o quanto você gostava dele, minha querida. 

- As vezes eu acho que já nasci gostando de Otto. - bato minhas mãos molhadas na calça jeans. - Eu gostaria de ter a oportunidade de gostar de outras pessoas, Bertha. 

- E por que você não tenta? - Bertha tira uma faca de corte das gavetas logo abaixo da ilha. - Existem muitas pessoas nesse mundo, minha criança. 

- Eu não me vejo casando com outro homem que não seja Otto, Bertha. - admito mais para mim do que para ela. - Eu acho que, secretamente, sempre desejei isso. 

Bertha me observa com carinho, mas noto aquele resquício de dó em seu olhar. Ela sempre me escutou e me aconselhou quando o assunto era Otto e se preocupou quando eu contei que enfim, tinha ganho meu primeiro beijo do homem da minha vida. “Cuide do seu coração, menina” ela tinha dito tantas e tantas vezes e aparentemente, eu não escutei. 

- Você é uma romântica incorrigível, Annelise. - ela sorriu enquanto corta vegetais com perfeição. - Você tem quase 18 anos, minha menina. Só isso! Entendo o quanto goste do Sr. Otto, mas vou te dar um conselho de uma velha: Existem amores que precisam amadurecer para ser vivido. Então, siga sua vida, conheça pessoas, divirta-se. Tenho certeza que se for para vocês ficarem juntos, esse negócio chamado destino vai dar um jeito. 

Talvez Bertha tivesse razão. Eu deveria entregar as coisas nas mãos do destino e esperar que o melhor fosse feito. 

 


Notas Finais


É isso, minha gente :)
Bom, Annelise e Otto são personagens 100% de minha autoria e eu tenho muito amor por eles, para ser sincera.
Espero que vocês gostem, porque podem ter certeza que foi escrito com muito carinho.
Beijos e até o próximo capitulo


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