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História Um contrato para amar - Capítulo 16


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Capítulo 16 - Capítulo 14 - Hurts my ego


Fanfic / Fanfiction Um contrato para amar - Capítulo 16 - Capítulo 14 - Hurts my ego

Harmmer

Durante a viagem para a casa do lago, Ben pediu para ligar a rádio, os garoto ama música tanto quanto a mãe.

—Eu amo Shawn Mendes! —Ben falou, empolgado 

—Meu sonho é casar com ele porque ele é um príncipe —Emeraude acrescentou, com um sorriso bobo nos lábios.

Senti um pouco de ciúmes pela frase, mas resolvi não dar chilique por isso, preferi observar seu sorriso cantando a música do astro canadense.

Ainda não consigo me acostumar com fato de que terei que abrir mão de nós dois, da nossa família.

Eu não acredito que precisei passar por tudo isso durante todos esse meses para amadurecer, eu precisei de um contrato para amar.

—Não,eu sei que você me ama —murmuro, confiante.

Ela revirou os olhos.

Na minha casa do lago,não tinha nada para comer, além de ter muita coisa pra gente organizar, Emeraude e eu tivemos que ir às compras antes deles finalmente conhecer a propriedade, e deixamos Ben numa brinquedoteca.

Fomos a um mercado no centro da cidade fazer as compras.

—Sabe, eu não entendo como você pode ainda ter esses pensamentos retrógrados sendo que eu sou negra —ela comentou, pela milésima no dia.

—Você enlouqueceu demais, já disse que eu não sou racista.

Eu vou senti tanta falta desses debates políticos com ela.

—Sim, você é. Aliás todos nós somos racistas, machistas, homofóbicos e outras merdas, é estrutural —rebate, calma —Harmmer, você riu daquela piada idiota que seu tio idiota fez sobre mim.

Minha mãe fez um almoço de família, só que nem todos da minha família são liberais como meus pais.

—Eu achei engraçado, não imaginei que fosse uma piada racista.

—Ah, não imaginou. Vou repetir para você então "Quais são as três coisas que um nigga não pode ter? Mancha vermelha, uma marca roxa e um emprego", isso foi uma piada racista a partir do momento que ele falou "nigga".

"Nigga" é um termo racista?

—Não foi porque ele quis, nem porque eu quis. E você também usa o termo "nigga".

—Harmmer, ele usou o "nigga", Brancos usavam como algo perjorativo, eu sou mulher negra e posso utilizar —explicou, me deixando sem palavras —Só que você não entende nada disso, você é um playboy mimado e privilegiado.

—Eu não sou privilegiado, eu já sofri muito.

Ela cruzou os braços e me olhou debochadamente, quando ela iria retrucar, uma situação chamou nossa atenção, um garoto negro estava sendo revistado e acusado de roubo na frente do mercado.

Ela não hesitou em ir para o meio da confusão e eu a segui.

—Senhorita, se afaste! —o homem comandou.

Tentei puxar a Emeraude, mas ela se soltou e logo indagou:

—Por que vocês estão o imobilizando?

—Porque foi informado no nosso rádio que ele é suspeito de roubo.

—Eu juro que não roubei nada eu paguei pelo chocolate. Eu só estava aqui para comprar chocolates para minha namorada, ela está de TPM.

—Não, você estava roubando!

—Acusar alguém sem provas é crime, se configura como injúria. Comece a medir suas palavras, senhor!

—Ah, quem é você para mandar em mim?

—Emeraude , bacharel em direito pela universidade de Harvad —respondeu, com muito orgulho em sua voz.

Fiquei muito feliz ao escutar isso, o orgulho que ela coloca para falar isso.

—Leve a mim e o garoto para a sala das câmeras de segurança e ligue para os pais ou responsáveis pelo garoto.

—Soltem o garoto! — comandei.

Rapidamente ele me obedeceu e nos conduziu até a sala de câmeras depois da chegada dos pais do garoto. Ele mora no bairro, os pais são médicos. Ficamos uma hora e meia olhando as imagens e só provou o que Emeraude afirmou o tempo inteiro, o garoto foi vítima de racismo.

Ao sairmos do mercado, a mãe do garoto disse:

—Vamos processar esse mercado, meu filho acabou de ser vítima de racismo. Quanto te devemos?

—Nada, eu o fiz porque era o certo, eu me formei na área porque queria combater as injustiças sociais que nossa etnia ainda sofre em pleno século 21.

Senti algo muito esquisito agora, uma vontade louca de gritar para o mundo inteiro que essa mulher incrível é a mãe do meu filho e minha noiva, mas lembrei que não apenas a primeira é real, enquanto que nosso relacionamento nem mesmo existe de verdade, temos apenas um contrato e futuramente esse será quebrado.

—Senhorita Colby, queremos que você se torne nossa advogada, é o mínimo depois do que fez pelo nosso filho.

—Será uma honra.

—Quando eu sair da escola vou ser um advogado como você, porque profissionais como você vão precisar de muito apoio.

—Será uma honra ter um profissional como você como um colega ou até mesmo um sócio.

Nos despedimos da família e entramos no carro, quando estávamos na metade do caminho eu disse:

—Você deve ser uma advogada bem brigona e determinada.

—Era, parei de exercer a profissão.

—Por que?

—Meu ex chefe abusou sexualmente de mim e eu o denunciei, ele pagou um policial amigo dele e sumiu com as provas e o caso foi arquivado, depois ele destruiu minha reputação e eu não consegui emprego em lugar nenhum. Aliás, apesar de ser da Morrell Ross, Mason me colocou como consultora jurídica e meu cargo foi para o filho do sócio dele —respondeu, se encolhendo no banco.

Senti um ódio tão grande ao escutar isso, se eu vejo esse desgraçado, eu mato, levanta a mão para essa mulher ou para qualquer outra para ver o que eu sou capaz de fazer.

—Que horror! Que maldito, um cara desses merece morrer…

—Ninguém merece morrer, Harmmer! —ela me interrompeu.

—Ele te estuprou, claro que merece!

—Ninguém tem o direito de tirar a vida de alguém, eu só queria que ele pagasse da forma correta. Eu sou contra a pena de morte, porque se há prisão perpétua no país, por que existir pena de morte?

—Para punir desgraçados como esse homem que te estuprou.

—Você se esquece que o código penal desse país é muito cruel, principalmente com a população negra e periférica. Pena de morte só serve para matar o meu povo, porque quando olhamos as estatísticas a maioria que vai para o corredor da morte são negros, Harmmer!

Fiquei em silêncio, vi a raiva e a indignação em suas palavras. Confesso que a militância dela me irrita porque fere meu ego.



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