História Um coração como o seu - Capítulo 1


Escrita por: ¢

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Categorias (G)I-DLE
Tags (g)i-dle, Dawoon, Fluffy, Shuhua, Shuqi, Yuqi
Visualizações 12
Palavras 1.126
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Fantasia, FemmeSlash, Ficção Adolescente, LGBT, Universo Alternativo
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


yay! bem, resolvi repostar e transformar em três partes *o* (não desistam da minha insegurança :c)


obrigada a quem chegou até aqui, hihi
espero que gostem <3

Capítulo 1 - Um


Cobriu as orelhas com o cabelo ainda úmido, de uma forma que as maçãs de seu rosto ficassem escondidas e seus olhos, sombreados. As pontinhas das orelhas e os olhos roxos a denunciavam como uma fae — seres que possuíam traços, como marcas de nascença, que os diferenciavam dos humanos e lhe davam poderes. Mas Yuqi gostava dos seus traços, pois desde pequena ouve de seu irmão mais velho que eles foram desenhados à mão, como o rosto de uma boneca de porcelana.

Isso a fazia sentir-se melhor consigo mesma.

Contudo, os olhares duvidosos direcionados para si não a permitiam viver uma vida tranquila e uma adolescência normal. E um fator ainda a deixava mais constrangida: Yuqi fora presenteada com o dom da empatia, ou seja, era capaz de sentir a emoção das pessoas que estavam ao seu redor. Só que as emoções não eram como códigos de um sistema, onde você pode decifrar, entender e até criar; as emoções eram complexas, e atropelavam umas às outras.

Adolescentes, por si sós, já tinham mudanças drásticas de humor, e poderiam ir do drama para uma energia festeira em um pulo, mas disso Yuqi já sabia. A tristeza, contudo, era o sentimento que mais julgava ser complexo, porque trazia à tona outras formas de sentir a dor: poderia ser perda, culpa, saudosismo e até mesmo o desejo de que tudo acabe. Geralmente, quando passava por essas pessoas, Yuqi andava cabisbaixa e tentava não ajudar.

O fato era: humanos não lidavam bem com pessoas que diziam a verdade. Yuqi sabia das verdades por trás de todas as mentiras contadas, também sabia a tristeza que sentiam enquanto se divertiam numa roda de amigos e até mesmo o desconforto de casais indo ao primeiro encontro.

Yuqi observou Shuhua descer a escadaria da faculdade, segurando a saia cor de rosa para não arrastar no chão. Era impossível não dizer que ela ficava linda usando aquela roupa, mas era óbvio que Yuqi não se atreveria a soltar uma palavra.

Outro detalhe importante sobre os fae era que eram incapazes de mentir. Poderiam mascarar a verdade, não responder à pergunta ou até mesmo tentar desviar o assunto, mas nenhuma mentira deixava seus lábios.

— Eu passei a aula inteira de nutrição pensando em sorvete de baunilha, então você está intimada a ir comigo. — Shuhua era mestre em inventar mentiras para desentocar Yuqi de casa.

— Eu tenho opções? — No mesmo instante, Shuhua balançou a cabeça, negando.

— Eu sei que você não gosta de baunilha — Shuhua segurou em seu braço, como as meninas faziam com os namorados, mas Yuqi tinha exatamente a mesma altura que Shuhua, o que fazia o ombro da taiwanesa roçarem no seu —, então podemos comer um de chocolate amargo... É o meu segundo predileto. — disse, como se fosse um fato nunca dito antes.

Já estava perto de anoitecer, mas ambas não tinham pressa em ir para casa. Yuqi, por sua vez, sentia um frio incômodo no estômago por estar em público, tão exposta aos olhares. Shuhua era um antídoto; a fazia sentir-se tão à vontade que os olhares pareciam normais.

— Soube que a prova foi difícil... Você foi mal? — Fez uma careta.

— Hm, foi como as outras. — E era verdade. As outras provas não foram tão difíceis como Yuqi achou, ainda que tenha sido um pouco complexa.

— O que houve? — Era ela que deveria saber ler emoções e não Shuhua, mas a taiwanesa sabia quando alguma coisa estava errada; era uma consequência de anos de amizade, mas Yuqi gostava.

“É agora ou nunca”, pensou. Agora entendia o motivo de sentir a ansiedade saltando nos casais que passavam pela rua. Yuqi sentiu milhões de borboletas no estômago antes de abrir a boca, mas não era agora.

— Eu não me sinto muito à vontade. — Era assim que mentia: contando-lhe uma outra verdade, uma que Shuhua quisesse ouvir.

— As pessoas já estão se acostumando com a presença de vocês e uma hora esses olhares vão acabar... Eles não podem olhar ‘pra sempre. — Shuhua encarou todos os que estavam olhando para a chinesa e semicerrou os olhos. Yuqi percebeu, com o canto do olho, que alguns disfarçaram e desviaram o olhar. — Viu? Não vão mais olhar.

Yuqi entrelaçou o elástico em seus dedos para esconder um sorriso.

— Você não é nada ameaçadora. — Shuhua poderia ser comparada a um filhote de coala.

— Você e a sua sinceridade... Eu vou ser obrigada a deixar de ser sua amiga. — Shuhua escondeu um sorriso atrás da mão. — Ei! O que eu ‘tô sentindo agora?

Esse era o problema; assim como era o antídoto para a vergonha de Yuri, Shuhua também era imune aos seus encantos, como se estivessem equilibradas. Não era como se a chinesa não sentisse absolutamente nada, mas era como se todas as emoções estivessem conectadas e aparentes ao mesmo tempo: como um misto de felicidade e angústia.

— Você está feliz por comer sorvete. — Não era preciso ter poderes para adivinhar isso.

— Ah, você me conhece tão bem. — Sorriu, empurrando a tigela vazia para longe da mesa.

Todos os dias eram assim. Yuqi levantava, colocava roupas parecidas, ia para a aula e esperava Shuhua, sua melhor amiga, saltitar pelos degraus até a grama. A sorveteria era uma parada extra que às vezes faziam, mas nunca podiam ficar muito tempo.

Shuhua logo avisou que precisava retornar à casa.

Era tão difícil dizer algo sem parecer grossa. “Eu gosto de você” lhe parecia tão sem graça, enquanto que “Eu estou apaixonada por você” era desesperador demais. Yuqi precisava do momento perfeito, das palavras certas e uma pitada de sorte, por isso carregava o trevo em seu peito.

Segurou o pequeno colar e o apertou.

— Shuhua? — chamou, enquanto paravam perto da parada de ônibus. — Eu queria... — Esperou e olhou olhar em volta, então percebeu que seu cabelo estava preso atrás das orelhas, o que as deixava evidentes. Colocou os fios na frente de seu rosto novamente e fora recebida por Shuhua com braços cruzados e batidas dos pés.

— Você fica tão bonita quando deixa suas orelhas aparecerem. Elas me lembram morcegos... — Shuhua era apaixonada por morcegos e adorava compará-los com a melhor amiga.

Shuhua inclinou-se e puxou os fios de Yuqi para trás, deixando suas orelhas à vista. Mordeu o lábio inferior e cruzou os braços.

— O que queria dizer? — Nesse momento, algumas cenas de doramas passaram por sua cabeça. Sempre há um momento onde um dos personagens principais tenta declarar seu amor e é interrompido, o que o faz deixar para depois ou então correr para dizer a verdade. E Yuqi estava num impasse.

Como um passe de mágica, o ônibus de Shuhua chegou e a menina embarcou, dando-lhe um abraço antes. Não houve tempo nem mesmo para um “até logo”, ainda que seus lábios tenham se mexido por um instante.


Notas Finais


vocês gostaram? aaa
eu estou aberta a sugestões, é que eu quero treinar e melhorar minha escrita :c enfim, comentários são mais que bem vindos, hihi

como já estão prontos, o próximo capítulo sai amanhã à noite e o último sai na terça!


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