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História Um coração para o demônio - Capítulo 5


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Notas do Autor


BOA LEITURA! ❤

Capítulo 5 - Se serás minha ruína, serei a sua


Fanfic / Fanfiction Um coração para o demônio - Capítulo 5 - Se serás minha ruína, serei a sua

Ciel paralisou, esperava qualquer coisa, menos os lábios da criatura grudados no seu.

Uma linha de choque percorreu a espinha do garoto, aliás, de ambos ali presentes, pois o jovem pôde sentir os tremores no corpo do outro também.

Os dois estavam assustados, incapazes de se separarem, horrorizados em como algo tão errado, demônio e humano, parecia tão certo naquele momento.

No céu, a luz da lua iluminava os dois homens sentados perto do lago, escondidos pelas grandes árvores que o rodeavam. Ambos sentados em um tronco velho, se encaravam com um brilho nos olhos, a mesclagem de cores dançando com a noite, destacando o vermelho dos olhos de um, aninhando-se com os azuis do outro. Uma bela troca de olhares, mostrando a paixão presente nos ali sentados.

Eu… será que posso te dar um beijo?” o mais alto perguntou, bochechas corando em meio a pergunta.

O acompanhante pareceu pensar na pergunta, seus olhos azuis encarando o outro com intensidade. Um pequeno sorriso brotou de seus lábios e ele pegou nas mãos do outro, balançando a cabeça em um gesto positivo e escondendo a vermelhidão de seu rosto em meio aos fios de cabelos que caíam sobre sua face.

Mais nada precisou ser dito, com a resposta que tanto queria, o homem ergueu o queixo de sua companhia, esbanjando um sorriso de alegria quando mais uma vez os olhos se cruzaram, finalmente selando os lábios nos dele em um beijo calmo, mas cheio de sentimentos. Ambos os corações quentes na noite fria, sabiam que tendo a lua como testemunha, nunca esqueceriam daquele momento tão significativo.

Sebastian passou as mãos pelos cabelos de Ciel em um gesto carinhoso, não sendo capaz de perceber quando uma única e fina lágrima escapou de seus olhos vermelhos. O passado nunca deveria ser lembrado… principalmente os momentos que o marcaram. 

O garoto pressionou os lábios de volta e outra linha de choque foi sentida, está envenenando-os. Diferente da outra, era dolorida, intensa como uma tempestade cheia de trovões.

No pequeno vilarejo, em meio a uma roda de moradores, um homem estava com as pernas e mãos amarradas. Seus olhos vazios olhando para alguém em destaque no meio de tantas pessoas… um jovem de olhos azuis, cujo o olhar não transmitia nada mais que o mais puro desprezo em sua direção.

Mataste cinco pessoas e colocaste fogo em duas casas, apenas para proteger o seu amor doentio por outro homem. Serás punido por todos, Sebastian” Um velho homem dizia, olhando com pena para o miserável amarrado.

O homem, Sebastian, não disse nada.

Pedras começaram a ser jogadas por toda a parte de seu corpo, o sangue rapidamente encharcando suas roupas.

Deu última olhada para o garoto de olhos azuis… que ainda o olhava com ódio.

Nunca se esqueça que… um dia… eu te amei

O demônio mordeu o lábio inferior do outro, arrancando uma tira de sangue. Ciel quebrou o beijo, gritou e debateu-se, assustado com a dor repentina e as imagens estranhas que tomaram conta de sua cabeça agora há pouco.

Sebastian não o soltou, segurou os dois braços do garoto e rosnou em tom de ameaça, sua postura assemelhando-se a de uma fera sem sentindo.

— Sentimentos… quem precisa deles?! - Indagou em um grito para si mesmo, assustando ainda mais o adolescente a sua frente. O pequeno corpo em suas mãos tremia diante a situação, observando com horror, que a cada segundo que se passava, os olhos do demônio pareciam transmitir mais ódio, suas íris queimando feito fogo em brasa.

O aperto em si começou a ficar doloroso, ao ponto da respiração do garoto acelerar e pequenos grunhidos saírem de seus lábios. Se continuasse nesse ritmo, acabaria com ambos os braços quebrados.

— Pare com isso! - Pediu em meio a dor, ciente de que o aperto nem era o mais doloroso no momento, o que doía, de fato, era o seu coração.

Sebastian estreitou os olhos, rangeu os dentes e olhou em volta como se estivesse procurando algo.

— Dane-se o seu feitiço, maldita bruxa… - Sua voz estava carregada de raiva. — Ele ainda funcionará se eu matar essa escória?

“Ele enlouqueceu”

Sebastian soltou o braço direito de Ciel, mantendo o outro em um aperto firme. Sua mão agora sem nada foi diretamente para o peito do garoto, seus lábios curvando-se em um sorriso satisfeito. Havia decidido, faria o coração deste humano desprezível, dar a sua última batida.

— Aaaah!!! - Garras substituíram suas unhas, a mão se tornando negra e perfurando o peito do garoto. Queria apreciar por mais tempo o sangue que pingava de sua pele para o chão, no entanto, sua mente estava nublada, seu único pensamento sendo o de tirar a vida do lixo a sua frente.

Tirou suas garras do peito do jovem, ganhando outro grito doloroso, colocou uma certa distância entre sua mão e a vítima, apenas para o perfurar em maior velocidade. Determinado, o demônio fez assim como queria, “voou” suas garras em direção ao peito do garoto mais uma vez, e, desta vez, seria a última.

Ciel arregalou os olhos com a cena, ele iria matá-lo! Não sendo capaz de desviar o olhar, observou perplexo a mão que vinha em sua direção ser jogada para longe, junto ao corpo do demônio que derrubou várias carteiras durante o processo.

O garoto caiu de joelhos no chão, impactado demais para fazer qualquer coisa. Tudo que conseguia ouvir eram as batidas desenfreadas de seu coração.

Sebastian levantou-se irado, penas negras esvoaçando ao seu redor, mostrando claramente sua raiva. Insistente, andou mais uma vez até o garoto, agarrando o braço esquerdo do mesmo, puxando-o para perto. Ele era esperto… o feitiço não o impedia de chegar perto de Ciel, obvio, mas se o machucasse, a proteção jogaria-o para longe. Conclusão: Era só matá-lo em menos de um segundo, antes que a ameaça fosse sentida.

Errado.

Foi capaz apenas de aumentar o aperto no braço do garoto, quebrando-o, antes que novamente fosse jogado para longe dele.

Ciel gritou de dor, lágrimas embaçando o seu olhar. Não entendia o que estava acontecendo… por que diabos o demônio estava enlouquecido e ao tentar feri-lo seriamente, estupidamente arremessava-se para longe?

A dor o fez acordar de seu pequeno estupor de horror, mas também o fez incapaz de mexer-se.

— Maldita!!! Eu ainda queimarei você, guarde as minhas palavras!!! — O demônio gritava enfurecido. A raiva em seu olhar não parecia nem sequer perto de desaparecer. Seus rosnados eram ensurdecedores, fazendo as janelas da escola se quebrarem, obrigando Ciel a deitar-se no chão completamente, buscando proteger-se dos estilhaços de vidro.

“Quem ele está ameaçando?” O pequeno se perguntava em meio a toda confusão. A criatura era uma caixa de surpresas e Ciel não gostaria de ficar para conhecer a próxima. Levantou-se com dificuldades, tentando andar em direção a porta.

Notando a fuga do humano, Sebastian fez a porta fechar-se com um estrondo. — Você só saíra daqui morto. - Suas palavras eram duras, a voz rouca e ameaçadora, deixando claro que não estava desistindo.

— Me deixe em paz!!! - Ciel gritou agoniado, não aguentava mais a situação. Se o filho da puta queria matá-lo, que assim o fizesse. Mas que parasse de mexer com o seu psicológico.

— Oh, você não sabe como eu gostaria. - Sebastian tentou feri-lo de longe, arremessando todas as carteiras da sala em direção ao garoto, seus olhos brilhando róseo a cada vez que a madeira se quebrava em vários pedaços, ao chegar perto do menino.

A raiva o consumiu e a criatura pegou um único pedaço de madeira, concentrando todo o seu poder sobre ele e o mirando na cabeça do pirralho. A madeira atravessou a barreira invisível, perfurando o campo de proteção de Ciel. O demônio ficou ansioso, mas o pedaço arremessado desviou, quase raspando no alvo almejado.

— Como… - Havia concentrado todo o seu poder, porque não funcionava?

Algo em seu bolso brilhou e o demônio notou que era o velho pedaço de papel da bruxa. Aquela vadia…

Seu corpo pareceu relaxar por um momento, foi então que ele pegou o papel e leu a nova mensagem.

“Esse feitiço se fortalece conforme os seus passos, Sebastian. O fato de não conseguir machucá-lo, é obra sua.”

O demônio franziu o cenho, notando a mensagem apagando-se e outra surgindo.

“Demônios não são capazes de sentir nada, nenhum sentimento… Então eu lhe pergunto, não notou nada de diferente está noite?

Parabéns por despertar o primeiro sentimento em intensidadeem seu estado mais puro que apenas os com um coração são capazes de sentir. Parabéns por despertar a raiva.

Sebastian jogou o papel no chão, ciente de que ele voltaria para o seu bolso. A bruxa estava certa… deixara sua esperteza de lado, deixando a raiva nublar seus passos. Pequenas faíscas são comuns, mas não em escalas de imensas proporções. Não queria acreditar, mas não seria burro novamente e ignorar este novo fato.

Olhou para o humano responsável por sua ruína e sentiu a raiva faiscar mais uma vez em seu corpo. Tentou acalmar-se, não queria deixar-se ser dominado de novo… precisava achar um jeito de impedir isso de ir mais além.

Só há uma coisa que demônios devem sentir: Prazer na desgraça alheia.

E era isso a única coisa que queria sentir pelo humano, e, oh, com paciência, ele chegaria lá.

Andou até o pirralho, notando o medo em seu olhar, admirando o sangue no peito que sujava seu uniforme e o braço distorcido.

— Fique longe de mim! - Sebastian sorriu, ignorando o pedido da criança e o colocando entre seus braços, segurando-o feito um bebê.

— Irei te levar para casa.

O garoto o olhou perplexo e o demônio saltou pela janela, andando pelo início de noite afora, carregando o menor em seus braços.

— Qual o seu problema? - Ciel perguntou, não acreditando no que estava acontecendo.

Sebastian não respondeu.

 

...

 

Em poucos  minutos, já estavam dentro do quarto do jovem.

O demônio o depositou sobre a cama e deu de ombros, parando quando o pirralho irritante, mais uma vez, abriu a boca.

— Por que você está fazendo isso?

— Não darei satisfações de minhas ações para uma escória humana.

Ciel cerrou o olhar, ainda que seu braço e peito doessem, sua boca continuou a abrir-se sozinha.

— Pare de implantar ilusões na minha mente, eu odeio esse jogo doentio e não quero jogá-lo com você!

Isso intrigou a criatura… não havia mexido com a mente do humano imbecil.

— Que tipo de ilusões? - Perguntou curioso.

O jovem o olhou inquieto, como se Sebastian devesse saber exatamente ao que ele se referia.

— Você sabe do que eu estou falando… essas ilusões patéticas de um passado distante.

Sebastian estreitou os olhos, girando os calcanhares e ficando de frente para o garoto.

— Me explique melhor. - Exigiu impaciente.

Ciel rangeu os dentes, cansando das brincadeiras infelizes.

— Foda-se…

Sentindo que estava perdendo algo importante, o demônio mostrou as presas em um rosnado de ameaça.

— Eu disse para me explicar!

Surpreso pelo tom ameaçador e autoritário, Ciel fechou os olhos.

— Essa brincadeira idiota, onde você é um humano e fica correndo atrás de mim, se declarando. - Falou cansando, suas pálpebras pesadas.

O demônio arregalou os olhos.

— Como se você pudesse se apaixonar por alguém… não tinha uma fanfic melhor para inventar? - Debochou, ciente de que estava sendo bastante atrevido, mas se o demônio queria apenas ferrar com sua mente, então não havia motivos para medir as palavras, com medo de sua garganta ser cortada.

Sebastian o ignorou, ocupado demais em seus próprios pensamentos.

Fechou os olhos e fez algo que aprendeu com um shinigami que conhecera; A como achar uma única alma em meio a tantas… Concentrou-se, fixando o nome de Cedric em sua mente, encontrando o laço vermelho em meio aos tantos brancos e o puxando. E a direção apontada era…

O garoto a sua frente, Ciel Phantomhive.

Raiva mais uma vez brilhou em seus olhos vermelhos. Se não tivesse surtado mais cedo, o estardalhaço estaria feito agora.

Cedric havia reencarnado e agora vivia outra vida, uma vida ao qual não se lembra do humano podre que já fora um dia. E aqui estava Sebastian, um demônio, por sua causa.

— Eu entendo a minha personificação no sonho, quem amaria você?

Oh, ele não poderia ter escolhido piores palavras…

Dente por dente.

Estava caminhando em direção a ruína mais uma vez por culpa dele... não deixaria a porra do destino zombar de si, o arruinaria também!

O lixo humano estava tão ferrado…

— Durma bem, Cedric.

Desapareceu pela janela, deixando um garoto confuso demais da conta e com dor para trás. Os pequenos dedos pressionaram os próprios lábios, lembrando-se do beijo e incapaz de saber porque a lembrança não o trazia repulsa...


Notas Finais


Vou dar uma pausa agora, mas já volto para postar o restante! o/


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