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História Um coração para o demônio - Capítulo 8


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Notas do Autor


Eu tenho uma paixãozinha nessa capa aqui (E um amor por essa cena no anime/mangá)

BOA LEITURA! ❤

Capítulo 8 - Sem lógica, mas eu entendo


Fanfic / Fanfiction Um coração para o demônio - Capítulo 8 - Sem lógica, mas eu entendo

Dentes finos e pontiagudos, acompanhados de um olhar ansioso para atacar seu alvo, usando como objeto de defesas suas próprias garras afiadas e feitas para arrancar nada mais e nada menos que sangue.

Que gatinho atrevido… Sebastian riu e aproximou-se do animal arqueado no sofá, pronto para ferir se continuasse a entrar em seu espaço. Ignorou os ataques e curou a pata quebrada do felino com um toque. Observou-o relaxar, mas seus olhos continuavam a encará-lo com desprezo.

O demônio não tinha nenhuma afeição por qualquer espécie da terra, mas admitia que gatos despertavam sua curiosidade e atraiam a sua atenção. Talvez por serem independentes e não lamberem os pés de seus “cuidadores” como os idiotas dos cachorros… Cachorros, urgh! Detestava esses caninos idiotas e fedidos que eram tão fiéis as escórias humanas.

Pegou-se apalpando as pantufas das patas do animal, ignorando os arranhões depositados em sua cara sem nenhum receio. Quanta ingratidão com quem havia acabado de lhe fornecer ajuda… ele gostou disso. Nenhuma regra instiga você a ter uma obrigação amigável com quem lhe estender a mão. Gratidão é um sentimento, sentir-se obrigado a retribuir um favor é outra coisa. Fazer favores por gentileza ou empatia não requer algo em troca, mas parece que os humanos esquecem disso, e quando não são recompensados, ofendem.

Seus olhos ficaram sem brilho por um momento, sua linha de raciocínio sendo interrompida por lembranças antigas. Ele deu amor, mas não foi retribuído e isso escureceu seu coração na época. Seu eu passado, era o perfeito exemplo de dar e esperar algo em troca. Tão patético… pegou-se mais uma vez deixando a raiva florescer em seu peito. Irritava-o profundamente o fato do quanto isso ainda o afetava, ele não amava aquela escória humana, mas estava a ponto de enlouquecer com os gestos e ações inexplicáveis que fizera nesse curto período de tempo. Sentia-se queimar em ódio a cada vez que via Cedric no pirralho, deixando-o confuso quando raiva e apreciação o adornavam com força. A vontade de querer pintar a pele branca com sangue, mas de também acariciar como a mais bela e linda porcelana. O que seus inimigos diriam se o vissem nessa situação deplorável?

Como se o universo o estivesse escutado e consentindo uma resposta, uma presença que ele conhecia muito bem apareceu no andar de cima da casa, descendo lentamente a escadaria e finalmente, dando as caras.

— Ao que devo a honra de sua visita? - Sorriu para o outro demônio, sua face plena, escondendo a hesitação em seu interior. Claude não era alguém fácil de se dobrar, principalmente agora que sentia seus poderes restringidos pelo feitiço.

— Então é verdade… - Riu, dando um passo a frente. — Eu sabia que você era um tolo, mas não acreditei quando me disseram que fora pego por uma simples bruxa. - Seus olhos amarelos pareciam divertidos.

Sebastian irritou-se com o comentário, sabia que as notícias no submundo corriam rápido, mas não esperava que todos já soubessem disso. Sentiu seu orgulho ameaçado com as palavras do outro, mas não deixaria um demônio que nem ao menos consegue ter uma refeição almejada, desdenhar de seus poderes.

— Vejo que continua rancoroso sobre aquela alma. - Sua língua escorregou as palavras com veneno. — Se gastasse o tempo aprimorando seus poderes de persuasão, não teria a perdido para mim.

Os olhos de Claude brilharam róseo e penas negras começaram a esvoaçar atrás de Sebastian. Ambos os demônios em processo de voltar a forma original, analisando um ao outro para ver quem cederia a honra do primeiro ataque. Sebastian, não podendo negar que a aura do outro demônio estava sobressaindo sobre a sua pela primeira vez, sabia que não conseguiria escapar dessa sem consequências. Sem dúvida, preferia encerrar essa batalha em pouco tempo, mas infelizmente teria que jogar inteligente se quisesse se sobressair. Desapareceu do cômodo assim que sua verdadeira forma fora totalmente exposta, deixando um Claude sedento para trás e um gatinho bastante curioso sobre o que seus olhos viam.

O outro demônio sorriu, havia demorado tanto tempo para encontrar o desgraçado do Sebastian e não perderia seu rastro facilmente, principalmente agora que sabia que ele por algum motivo, não poderia ir muito longe. Faria o pagar por ter devorado aquela alma, mesmo sabendo que um "colega" estava trabalhando em conseguir um contrato. Maldito trapaceiro.


 

...


 

Ciel chegou em casa uma hora mais tarde que seu horário normal, indo diretamente para seu quarto sem verificar se Angelline estava em casa, pois como era de costume, já sabia que não. Colocou sua mala em cima da cama e observou seu rosto no espelho. Aparência lamentável. Seus olhos estavam inchados por ter chorado, os cabelos meio bagunçados e o hematoma que Maurice deixara em sua bochecha, estava bem exposto em um feio tom de vermelho. Suspirou cansado e sentou-se de frente para a janela, vendo as primeiras estrelas brilharem no céu. Sua mente continuava uma confusão e ele sentia-se estranhamente vazio, quase triste, mas sem sentir o sentimento profundamente dentro de si, como se Sebastian tivesse levado com ele um pouco do preenchimento que o formava como Ciel Phantomhive. Pequenas ondas de frustração e raiva percorreram seu corpo, havia dito que não mais sentiria medo do demônio, mas aqui estava ele, com dificuldades de calcular seus próximos passos por não conseguir parar a tremedeira em seu corpo. Mas, pensando bem, não era medo da criatura, mas da certeza do incerto. Tudo havia se tornado imprevisível e ele ainda não era capaz de lidar com o fato de ter sempre que esperar o inesperado.

Ele se sentia tão estranho e anormal. Tinha plena ciência que conviver com uma criatura infernal mudaria a vida de qualquer ser humano, mas o problema era o ódio que ele não sentia por Sebastian. Isso fazia dele uma má pessoa? Não é como se ele gostasse do demônio também, apenas não conseguia odiá-lo, por mais que tentasse. Sabia que o outro era perigoso e deveria manter distância, mas algum ímã invisível parecia puxar seu corpo para perto do dele, como se houvesse uma conexão escondida que ele desconhecesse, mas devesse descobrir. Agora, mesmo Sebastian sendo o motivo de sua tristeza, era apenas isso. Somente sentia-se triste, algumas vezes com raiva, com certeza, mas nada como aquele sentimento intenso de querer o desaparecimento dele do universo. Era loucura, mas não burlaria seus pensamentos em relação a isso, algo lhe dizia que apenas arranjaria uma dor de cabeça muito maior se continuasse a lutar contra eles. Não havia lógica nessa sua linha de raciocínio, mas ele estranhamente a entendia.

 

 

[SEBACIEL]


 

Outra segunda-feira.

Uma semana se passou desde a última vez que Ciel vira Sebastian naquele estreito beco. Os últimos dias não haviam sido fáceis na escola, mas sem o demônio por perto, as coisas pareciam se encaixar lentamente no lugar, seus pequenos 15 minutos de fama como o “surtado” já sendo considerado entre os estudantes como uma piada velha, cuja a graça já havia se perdido em algum momento dentre tantas repetições. 

Isso deveria deixar o jovem contente, mas sentia-se inquieto. No começo achou que eram os diversos pensamentos que adornavam sua mente, mas agora sabia que o motivo era a falta de presença daquele ser em todos esses dias. Não era apenas a incerteza do que aconteceria, mas a sensação ruim na boca de seu estômago e as pequenas ondas de dores no meio de seu peito. Isso o fazia lembrar daquelas cenas de filme, onde você sente que alguém que é de seu afeto irá se machucar, então ele fez questão de fazer vista grossa com Angelline e Soma, e felizmente nada fora do comum aconteceu com nenhum dos dois.

Agora que a noite havia caído, Ciel olhava atentamente o brilho das estrelas com seu único olho descoberto. Ele estava do lado de fora de sua casa, sentado no balanço de uma árvore em meio as rosas brancas. Sua Tia já havia ido dormir há cerca de duas horas e esse fato fez o garoto lembrar-se de que já era tarde. Mas ele estava sem sono… sua cabeça pendeu para o lado e ele observou a escuridão da casa vizinha. Nenhuma luz acessa, nenhum barulho, nenhum sinal de vida. Suas pernas se mexeram antes que seu cérebro pudesse dar uma ordem negativa a está ação, em segundos, encontrou-se encarando a porta de entrada do lugar antes observado. Seu corpo arrepiou-se ao lembrar do que aconteceu na última vez que esteve ali, mas a inquietação em saber o que o demônio estava tramando gritou mais alto que seus receios no momento.

Uma, duas, três batidas e nada. O garoto meio que já esperava não ser recebido, então levou sua mão a maçaneta e para sua sorte ou azar a porta estava destrancada. Ele a abriu de uma vez, ansioso. Como na primeira visita, seus olhos enxergaram apenas a escuridão e desta vez não havia a luz do dia para iluminar o cômodo da sala.

Ciel fechou a porta atrás de si para não levantar suspeitas dos vizinhos e tateou a parede na procura do interruptor, agradecendo mentalmente quando os seus dedos o acharam e a luz se fez presente, iluminando o ambiente. Diferente do que pensava, não ficou aliviado agora que estava enxergando devidamente, pelo contrário. O demônio não estava a vista em nenhum lugar e isso só fazia as batidas de seu coração acelerarem.

Mesmo com luz a sala parecia escura e sem perceber seu olhar captou cada detalhe do lugar. Preto e marrom escuro dominando as cores dos móveis e tudo parecia tão antigo/velho, definitivamente uma decoração sofisticada inspirada no século passado. Era tão diferente de quando a família de seu amigo ainda vivia ali, tanto, que nada o lembrava de Alois.

Suspirando fundo ele subiu a escada e ficou parado no corredor. Maldito demônio que gostava do escuro… ele achou uma porta e entrou nela, ficando feliz de ter achado o interruptor ao lado da mesma. Vendo a enorme cama de casal, Ciel sabia que ali era o quarto da criatura e uma pergunta rodeou por sua mente: Demônios dormiam?

— Sebastian? - Ele chamou meio confiante.

Não achava que o demônio havia ido embora, não depois de mostrar uma certa obsessão por ele ou aparentar ter um grande motivo para lhe atormentar. Mas, aonde ele havia ido parar? Ciel tomou a liberdade de sentar-se na cama, pensativo. — Aí! - Deu um pulo quando sentiu garras ferirem seu braço. Olhou para trás e não acreditou no que viu. — Você?

Poderia não ter passado nem cerca de 10 minutos com o animal, mas reconheceria aqueles olhos azuis cheios de orgulho em qualquer lugar. — É realmente você… - Afirmou baixinho para si mesmo, sua mente rapidamente ficando mais confusa com isso. Primeiro achou que o demônio reviveu o felino, mas a ideia disso parecia irrealista demais. Optou por aceitar que Sebastian o havia enganado e o que vira naquele dia no beco, fora apenas o que o demônio quis que visse. Apesar da raiva que cresceu em seu interior por esse truque baixo, a curiosidade de saber o motivo do gato ainda estar vivo era mais predominante. Qual era o problema daquele demônio idiota? Isso com certeza o intrigou a níveis preocupantes, ainda mais quando viu a pata do animal perfeitamente normal.

— Saia de perto de mim. - Ordenou ao ver o gato lambendo sua mão e levantou-se. — Hmm, qual o seu nome? - Riu para si mesmo, claro que o animal não iria o responder. Franziu o cenho quando o gato pareceu o olhar com superioridade e certa braveza. — Fico feliz de que esteja bem, mas você está tão irritante quanto ele!

O menino saiu do quarto e voltou para a sala. Sebastian não estava na casa e agora já era hora de voltar para a sua. Acabou que essa sua vinda, assim como da outra vez, terminou por lhe dar mais perguntas que respostas. Ele já estava chegando na porta quando um tremor o fez parar. Os livros perfeitamente alinhados da estante foram caindo um por um, ao mesmo tempo em que os quadros caíram da parede.

De pé atrás do sofá, ele viu Sebastian em sua verdadeira forma. O demônio pareceu crescer os olhos ao lhe ver em sua casa, mas não teve tempo de esbanjar uma reação maior, não quando outra criatura igualmente feia chegou em alta velocidade e atacou o outro. Ambos pareciam feridos e cansados, suas auras fazendo Ciel sentir-se fraco e doente. O pior de tudo era o fato de que ver Sebastian tão ferido, só fizera aquela dor em seu estômago voltar. “Temos algum tipo de ligação?” Ciel sabia que pensar nisso era loucura, mas algo como isso explicaria tantas coisas.

— Parece que você tem visita. - O demônio de olhos amarelos parou os ataques e olhou para Ciel com interesse aparente em seu olhar. — Não sabia que era um suicida, Phantomhive.

O garoto não respondeu, seu corpo paralisado agora que vira a merda em que havia se enfiado. E o pior, ele conhecia aquela voz…

— Eu estou aqui Claude. - Sebastian desferiu um golpe no outro, ganhando novamente a sua atenção. Aquele maldito moleque tinha que aparecer para complicar as coisas! Estava tão fraco que o “charme” usado para se esconder de outras criaturas sobrenaturais iria se desfazer em dois minutos. Ele deveria ter mantido distância do colégio ao sentir a aura de Claude, mas a sede de incomodar Ciel era sedente demais para simplesmente ignorar as oportunidades.

Mais golpes.

Mais sangue.

Mais objetos quebrados.

E então Sebastian ficou fraco o suficiente para não mais conseguir manter sua forma original, tornando-se na humana sem o disfarce. Os olhos de Claude arregalaram-se, faíscas de ódio cintilando no amarelo vivo de seu olhar. Algo clicou em sua mente com essa informação, o lugar onde estavam nesse exato momento e o fato do maldito ter estado debaixo de seu nariz todo esse tempo, atuando também como um professor e escondendo sua verdadeira natureza de outros demônios. — Alois Trancy. - Sibilou entre dentes, entendendo que Sebastian havia levado uma alma de seu interesse pela segunda vez! Ele sabia que o pirralho havia feito um contrato no momento em que perdeu seu rastro, mas tinha que ter sido com esse imbecil presunçoso?

— Amaciar a carne sem comê-la apenas a deixa servida para outro. - Cuspiu sangue ao final da fala, mas não deixou que o sorriso desaparecesse de seus lábios.

Ciel colocou ambas as mãos no estômago, a dor que não o deixara em paz a semana inteira, agora se intensificando e sendo mais que um simples incômodo. 

Claude estava decidido a acabar com Sebastian ali, mas assim como ele, estava fraco após tantos dias nesse jogo de caça. A forma original de um demônio é o melhor para se manter em uma batalha, mas também pode dificultar as coisas se estiver muito fraco. A aparência humana armazena um pequeno estoque de poderes e não permite que tudo seja usado, dando a chance de uma recuperação. Já a demoníaca não possui limites e pode levá-los a morte se usarem tudo mesmo depois de se desgastarem. 

— Pro-professor? - Ciel sussurrou assustado ao ver aquele demônio de antes agora perfeitamente (Se você ignorasse os hematomas) transformado em seu professor de física. O adolescente quase riu da própria desgraça, isso explicava o motivo de não suportá-lo.

— Eu tinha certeza que você era o tipo de humano esperto demais para fazer um contrato, mas veja onde você está. - Disse com desprezo, seu olhar alternando entre o garoto e o inimigo.

— Eu não fiz e nem pretendo fazer contrato nenhum. - Respondeu sem pensar, sua língua nunca perdendo a oportunidade de retrucar uma afronta. Isso fez o “professor” ganhar uma expressão maliciosa em sua face, um novo brilho satisfeito cintilar em seu olhar e sua boca abrir-se em gargalhadas divertidas.

— Eu já vi isso uma vez há cinquenta anos… então você está preso a ele? - Olhou para Sebastian. — Isso é tão interessante. Creio que você saiba que se matá-lo, você morre junto. Mas ninguém sabe o que acontece se alguém fora do feitiço se intrometer entre os destinados. Que tal descobrirmos agora?

Ciel e Sebastian estavam de olhos arregalados, ambos muito surpresos por motivos diferentes. Vendo os dois distraídos, a outra criatura não deu tempo para  que processassem nada da onda de choque em suas cabeças, logo tratou de ir com toda a força de suas garras na direção do humano. Finalmente teria sua vingança.

— NÃO!

Sebastian gritou assustado. Dessa vez não foi seu corpo que pareceu se mover sozinho, mas sim sua vontade de proteger o garoto. Sem parar para pensar no que estava acontecendo, o demônio tirou forças de onde nem sabia que tinha e entrou na frente de Ciel, recebendo todo o impacto do golpe em sua barriga. Agora, havia três seres chocados naquela sala.

Mas Claude não parou seus ataques, ficando frustrado a cada vez que mirava no pirralho e o outro aparecia na frente como uma perfeita muralha. Seria lindo, se na realidade não fosse patético um demônio estar protegendo um mortal. 

— Chega! - Os olhos de Sebastian brilharam um róseo quase vermelho, e ainda segurando o garoto com força em seus braços desferiu um golpe perigoso no outro demônio, soltando um suspiro que ele nem sabia que estava segurando ao ver que conseguira atingi-lo.

Com isso Claude desapareceu e Sebastian sabia que não seria incomodado tão cedo novamente. Sem mais perigo por perto, seu corpo lembrou-se dos ferimentos e caiu com um estrondoso baque no chão, sem soltar Ciel que ficou por cima dele, tremendo. O mais novo segurou as palmas das mãos no peito do demônio e ergueu a cabeça para encarar seus olhos. A criatura parecia quase sem vida. 

— V-você está bem?

Sebastian riu, cuspindo sangue.

— E o que te importa, pirralho?


Notas Finais


Iti, que o demônio salvou o Cielzinho shaushau e vamos de capítulo nove pessoal! o/


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