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História Um demônio no paraíso - Capítulo 8


Escrita por: ClaireBraun

Notas do Autor


🤍 Boa leitura!

Capítulo 8 - Uma semana


“Eu não quero conversar sobre isso
Sobre como você partiu meu coração
Mas se eu ficar aqui apenas um pouquinho mais
Se eu ficar aqui, você não ouvirá meu coração?”

Rod Stewart – I don’t want to talk about it

 

Annie passou por ele, esbarrando de propósito em seu braço, mas ele não disse nada. Ele entrou no quarto, e fechou a porta devagar.

- Você está arrumando suas malas porquê? Você... não vai ficar aqui?

Ri, debochada.

- Você acha mesmo que eu vou ficar aqui depois do que você fez?

Ele caminhava lentamente na minha direção, mas eu permanecia de costas para ele. Estava procurando forças para encará-lo, respirando fundo para não derramar minhas lágrimas na frente dele.

- Ester...

- Meus parabéns, inclusive. – disse, virando de frente para ele. – Seu amigo deve estar frustrado de ter perdido pra você. Agora imagino que você esteja se sentindo vitorioso, provando para ele que você pode ter a mulher que quiser na sua cama.

- Olha, eu não vou negar que eu fiz a merda da aposta com ele, tá?! Eu fiz sim, fiz, e me arrependo! E eu sei que isso não é atitude de homem, mas eu fiz aquela aposta sem pensar, eu só estava estressado com ele enchendo meu saco!

- Ah, e agora você vai jogar a culpa nele? Que homem responsável, jogando sua culpa em cima dos outros!

- Não estou jogando a culpa nele, a culpa é minha, eu sei disso! Mas Ester, eu não quis me aproximar de você só por causa dessa aposta! Eu não pensei na aposta quando você estava comigo na quinta feira, não pensei na aposta quando você estava dançando comigo ontem, nem quando transamos! Eu só lembrei dela antes de chegarmos na minha casa ontem, mas simplesmente por medo de você descobrir e me odiar por isso!

- Você acha mesmo que eu vou acreditar no que você diz? Eu sou uma pessoa, Jean, não um objeto que você pode usar e descartar! Eu tenho sentimentos! Se você não sabe o que é isso, problema seu, mas isso não te dá o direito de brincar com os sentimentos dos outros!

Ele me fitava, aflito. Seus olhos expressavam um certo medo, e ele estava parado.

- Olha, Jean, eu não esperava um romance com você, sabendo como você é. Não esperava que você virasse meu namorado ou qualquer coisa desse tipo, e mesmo sabendo quem você era, eu quis ficar com você. Quis, pelo menos uma vez na minha vida, fazer algo espontâneo, sem ficar pensando nas consequências disso. Eu só queria esquecer um pouco do mundo lá fora e aproveitar isso, essa viagem. Eu fiquei o mais longe de você que pude, sabendo que estar perto de você não me levaria a nada, mas depois do que você me disse na quinta, eu fiquei com aquilo martelando na minha cabeça, sobre você dizer que era melhor eu me arrepender de fazer do que não fazer, e eu decidi arriscar, chutar o balde, essa merda toda. Mas eu não sou assim, Jean, eu não sou uma pedra! E você sabe exatamente como eu sou, sabe como sou sentimental, e mesmo assim você levou isso adiante! Você não se importou se o que você estava fazendo me magoaria, eu fui simplesmente o prêmio, o troféu da sua corrida de merda!

Caminhei na direção dele, enquanto uma lágrima solitária escorria pelo meu rosto, e com a sensação de meu peito estar sendo rasgado. O encarei, olhei em seus olhos, e concluí:

- Tudo o que você fez e disse todo esse tempo foi simplesmente pra sair vitorioso, não foi? Sobre gostar da minha voz, sobre me querer perto, sobre arrependimentos... Eu preferia mil vezes passar minha vida inteira arrependida de nunca ter me envolvido com você, do que estar assim agora. Eu espero que esteja satisfeito com o que você fez.

- Ester, eu nunca precisei me esforçar tanto pra ter uma mulher! Você foi bem difícil pra mim, mas quando eu consegui te convencer, eu não me senti vitorioso, eu só fiquei feliz porque teria você em meus braços! Você despertou algo em mim, não sei dizer, que me fez querer ter você perto independente desse caralho de aposta! Eu quero você perto de mim, eu não menti! Eu não menti sobre nada do que eu disse! A noite que passamos foi mais do que só sexo, eu juro!

- E foi o que, Jean? Vai dizer o que, que está apaixonado por mim? Faça-me o favor, me poupe dessas palavras vazias. Não fale de amor, não fale de sentimentos dos quais você não conhece!

Ele se aproveitou da curta distância que estávamos, e me agarrou forte, beijando meus lábios. Tentei empurrá-lo para longe, mas seus braços eram fortes demais. Mordi com força o lábio dele, e isso fez ele se afastar, levando a mão ao lábio instintivamente, e assim que ele me olhou com os olhos arregalados, eu dei um tapa forte em seu rosto.

- Você é o pior tipo de homem que existe! Não quero ficar um só dia a mais nessa ilha!

- Por favor, Ester, não vá embora...

- Eu já disse que não vou ficar aqui!

- Eu juro que te deixo em paz, que não apareço na sua porta se você não quiser, mas fique, por favor. Eu não quero ser o motivo de suas férias terem sido arruinadas.

- Você já arruinou, Jean. Eu só quero ficar o mais longe de você que eu conseguir, nunca mais te ver!

- O que eu preciso fazer pra que você fique? Me diga, eu faço qualquer coisa!

O fitei por um segundo ou dois, e depois perguntei:

- Isso é outra aposta?

- O quê?

- Você quer que eu fique pra provar que você consegue tudo o que quer? é isso?

- Porra, claro que não! Eu já disse, eu quero você perto de mim! Quero te provar que eu não sou o tipo de homem que você acha que eu sou! Talvez eu fosse, há uma semana atrás, mas eu não sou mais! Por favor, eu só estou te pedindo uma... – Ele levantou o indicador pra mim. – Uma chance. Se o que tivemos noite passada significou algo pra você, por favor, me dê só uma chance.

- Não se aproveite da minha fraqueza, Jean. Você sabe que o que aconteceu entre nós na noite passada significou muito pra mim. Não queria que significasse, mas eu não posso controlar meus sentimentos, só minhas ações com base no todo. E ficar perto de você não me traz nada de bom, eu já constatei isso.

- Eu faço o que você quiser. Por favor, eu... eu não sei como agir, eu só sei que estou disposto a fazer qualquer coisa pra me redimir, pra que você me perdoe...

Podia ver a súplica nos seus olhos, e seu lábio agora sangrava, por conta da mordida que eu havia dado.

- Eu juro, Ester, eu juro que se você ficar, vai ser como se eu não estivesse aqui. – disse, me segurando suavemente pelos braços. - Eu não vou bater na sua porta, não vou te importunar com ligações nem com mensagens no seu celular, mas me deixe pelo menos tentar fazer com que você enxergue que você não é como as outras, que eu te-

- Não! – interrompi bruscamente, botando o dedo indicador bem na frente de seu rosto. - Não se atreva a usar palavras que você não conhece o significado, eu já disse! Eu não vou cair na sua conversa, não uma segunda vez!

Ele engoliu em seco, e baixou sua cabeça por um segundo, respirando fundo. Depois, pediu mais uma vez:

- Só fique. Por favor.

O fitei por alguns momentos. Pensei sobre tudo. Tentava ser racional, mas amar alguém é uma merda. Você sempre pensa que as coisas, no fim, dão certo. A maldita esperança de um “felizes para sempre”. Eu odiava ser assim.

Depois de algum tempo com ele me esperando uma resposta, disse, cruzando os braços:

- Tá, eu fico. Mas só porque seu hotel é muito bom, e ainda por cima, vai ser de graça. Não vou deixar que você atrapalhe minhas férias. – Ele sorriu, mas eu logo continuei. – Mas não pense que isso é porque aceito suas desculpas. Se quer mesmo me provar que estou errada em relação a você, e quer que eu te perdoe, você vai ter que trabalhar duro pra isso. Você tem uma semana.

 

 


Notas Finais


🤍 agora o rapaz vai ter que ralar pra conseguir a cocota de volta


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