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História Um dia no Planeta Vermelho - Capítulo 1


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Notas do Autor


Olá!

Alguns dias atrás a minha irmã pediu a minha ajuda para corrigir um texto que ela fez para a aula de redação e eu gostei do tema, então aqui está o resultado!

Espero que gostem! Boa leitura <3

Capítulo 1 - Capítulo Único


Entre o dia do resultado do concurso e o dia da viagem eu vivi no piloto automático e nada me fazia entender que realmente realizaria essa vontade incontrolável que sempre tive de visitar o grande planeta vermelho. Eu não conseguia imaginar direito como isso seria, como me sentiria durante essa experiência, mas definitivamente não perderia nada desse momento.

Eram 4 da manhã de sábado e já estava na base, esperando a equipe de astronautas que me levaria para Marte. A base era inteiramente metálica e isso era ligeiramente nostálgico, não havia cantos, nem beiradas, tudo era meio redondo e pouco mobiliado. Eu estava sentada em uma das poltronas, perdida em meus próprios pensamentos enquanto fingia ler alguns folhetos que peguei na entrada e vi três homens entrando na sala com passos ritmados.

Eles me explicaram como vestir o traje espacial, como usar os comunicadores, como me comportar na nave e, principalmente, como agir em Marte. Toda a explicação terminou em três instruções básicas: “não toque em nada que você não conheça”, “não remova o traje sob nenhuma circunstância” e “não traga nada para casa”

Regras ditas, eu estava mais do que pronta para finalmente conhecer o Planeta Vermelho. A viagem em si não foi das melhores, a pressão é muito grande, você não consegue se mexer e sentir a gravidade se esvaindo ao seu redor é uma coisa assustadora. Fiquei olhando pelo painel enquanto via o céu azul ir se escurecendo até dar lugar ao vácuo escuro, que em seguida se tornou pontuado de luzes e que, após algumas horas, começou a dar lugar ao grande e imponente Planeta Vermelho.

Quando a nave se acoplou à base na superfície de Marte, todos descemos para a câmara de saída e nos equipamos com os grandes trajes brancos e seus capacetes transparentes. Testes feitos, tudo funcionando perfeitamente dentro e fora do equipamento e, assim, finalmente a porta se abriu.

A primeira coisa que vi foi a fina fumaça avermelhada de óxido de ferro que abraçava cada mínimo detalhe ao nosso redor. Tudo era vermelho, para cima, para baixo, para trás, para frente e para os lados, uma imensidão vermelha, da cor da guerra, mas também da cor do amor. Dei os primeiros passos pela rampa metálica e finalmente repousei o pé do meu traje na superfície rochosa do planeta, me sentindo derrapar levemente nas pedras mais soltas.

Eu estava maravilhada, se de longe Marte já parecia íngreme, de perto era ainda mais. Eu enxergava muitas elevações de pedra e de algumas subia uma fumaça avermelhada leve, parecia quente, mas além do fato do traje me impedir de ter qualquer contato com o mundo lá fora, a temperatura média nesse planeta é bastante negativa.

A atmosfera pesada era quase que totalmente composta por dióxido de carbono, os meus olhos ardiam com aquele tom sanguíneo ao meu redor e a cor já começava a afetar o meu humor, colocando na minha cabeça uma leve ira inexplicável e, possivelmente, incontrolável.

Caminhamos por algumas horas e tudo era rocha e fumaça, até que ao virar em uma grande elevação e olhar para o céu vermelho de Marte eu vi suas duas luas. Fobos era grande e relativamente homogêneo, era o medo, era filho de Marte e estava próximo, próximo o suficiente para algum dia se chocar com o planeta. Deimos, por outro lado, era bem pequeno, ficava longe e só uma face sua podia ser vista, ele era o pânico, irregular e fora de órbita, irmão de Fobos.

Horas e horas foram gastas nessa admiração, tanto que nos sentamos em algumas rochas para observar os satélites flutuando acima de nossas cabeças. Após isso, continuamos a exploração e, na ausência do espetáculo celeste anterior, tudo voltou a ser rocha e fumaça, até que encontramos um monte de rocha e fumaça que era especial. Chegamos ao Monte Olimpo, um enorme amontoado de rochas, o segundo maior do sistema solar. Parecia um simples agrupamento aleatório de pedras avermelhadas, mas havia ali a mais pura história. Quanto tempo será que aquelas pedras levaram para se amontoar tanto? Quantas tempestades devem ter acontecido até aqui?

Tudo registrado na minha mente, seguimos caminhando. Nessa altura, eu já estava me sentindo meio febril, já fazia mais de dez horas terrestres que nós estávamos caminhando e, após mais uma virada estratégica, chegamos finalmente ao Valles Marineris. Era um grande cânion que podia ser visto a quilômetros de distância da superfície do planeta, como uma grande rachadura no meio dele. Pode ter sido água, magma, ventos, qualquer coisa capaz de causar impacto e erosão suficiente e eu estava ali, sentada em sua borda, olhando para aquela imensidão de terreno bem em frente aos meus olhos.

Depois de admirar as reentrâncias superficiais, de fingir respirar todo aquele metano e amônia que me envolviam e de escutar as histórias divertidas dos meus acompanhantes, avistamos ao longe uma parede avermelhada avançando lentamente na nossa direção. Bom, Marte sem tempestade de poeira não seria Marte e nós estávamos preparados para isso. Um de meus colegas tirou do bolso do traje uma pequena caixinha de metal, que ao ser jogada no chão se ampliou e nos envolveu em uma grande caixa de material transparente capaz de nos proteger até a tempestade passar.

A primeira pedrada me assustou, mas depois de passar meia hora no meio de uma chuva de rochas avermelhadas e poeira eu acabei me habituando a ver seus diferentes formatos e as variações de tons de vermelhos que se chocavam na parede transparente que me separava da morte iminente. Quase uma hora depois a tempestade finalmente cessou e nós pudemos retomar o caminho de volta calmamente.

Ao retornar para a base, tive a certeza de que essa foi a visita mais doida que eu já fiz na minha vida e nunca imaginei que veria Marte de tão perto, que sentiria a sua ira e que gostaria disso. As belezas que vi aqui ficariam para sempre guardadas em mim, as coisas que senti jamais me abandonariam.

A viagem de volta para a Terra foi igualmente ruim, mas dessa vez meu coração estava cheio de alegria e a mente cheia de inspiração. Ao remover os trajes e voltar para a sala para me despedir e agradecer por essa experiência, descobri que havia uma sonda na superfície do planeta que nos fotografou em diversos momentos. Havia fotos de nós três observando as luas, o Monte Olimpo e o grande cânion Valles Marineris, mas também encontrei fotos das nossas risadas, das pausas para descanso e das nossas caretas durante a tempestade.

Eu passei um dia em Marte e esse dia seria multiplicado por uma vida inteira, já que as lembranças do Planeta Vermelho sempre estariam comigo, ressoando na minha arte e nos meus pensamentos, pintando minha vida de vermelho da melhor forma possível. 


Notas Finais


Foi isso!

Um abraço e até mais <3


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