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História Um estranho conhecido - Capítulo 13


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Capítulo 13 - Oitavo Dia - Parte 1


Fanfic / Fanfiction Um estranho conhecido - Capítulo 13 - Oitavo Dia - Parte 1

Passei a geleia na torrada enquanto olhava envolta e via pela janela do meu quarto uma rua movimentada.

Comi hipnotizada pela movimentação, era tão normal e calmante que eu apenas ficava observando, não acreditava que realmente estava ali.

Mãos se apoiaram nos braços da minha cadeira e senti o roçar da barba de Matteo na minha bochecha, evitei sorrir.

-Você parece triste.- ele murmurou baixo.- Tem algo que eu possa fazer para animá-la?

-Que surpresa, você se importa.- coloquei a torrada no prato e bati as mãos levemente enquanto tirava os grãos.

-Não fale assim, Helena.- a boca dele roçou na minha bochecha.- Você sabe que eu me importo, assim como se importa comigo.

-Como?- virei o rosto e nosso narizes se tocaram.

-Você se importa comigo.- ele sorriu e encarei os olhos azuis escuros na minha frente.- Não precisa falar nada, eu sei.

-Mas eu não...

-Levante e vista uma roupa.- ele saiu do meu lado e foi até a porta que ligava os nosso quartos.- Vamos passear.

Voltei meu rosto até a rua movimentada e terminei de comer a torrada enquanto eu me levantava e ia até o armário.

As vezes eu tinha medo quando ele falava isso, nunca sabia para onde íamos, não sabia se eu devia me preocupar.

Mesmo assim eu peguei um short jeans claro e uma blusa listrada, torcia para que não fossemos em algum lugar muito arrumado, já que ele não gostava de avisar para onde íamos e eu tinha que adivinhar.

⚜️

O carro parou e eu observei o lugar, parecia um cais, e apenas tive a certeza quando a porta abriu e dei a volta no carro ficando ao lado de Matteo.

-Gostou?- ele perguntou enquanto víamos o iate particular.

-O iate é seu, você que deveria gostar.- falei calma e senti o olhar dele recair em mim.

-É bom que você goste, vamos pra Inglaterra por aqui.- ele me observou enquanto eu virava o rosto para ele.

-Não vou entrar aí se formos sozinhos.- me afastei.

-Eu sei pilotar um iate e vão ter cozinheiros e empregados, não vamos estar completamente sozinhos.- ele deu um passo.- Vamos, não faça disso uma coisa ruim.

-Se ficar sem gasolina? Se quebrarmos no meio do mar?- franzi as sobrancelhas.

-É um canal, Helena, chegamos na Inglaterra em algumas horas.- ele estendeu a mão.- Prometo que estará segura.

-Não confio em você.- tentei fingir que já não tinha tomado minha decisão.

-É aí que se engana.- ele se aproximou e pegou minha mão.- Você confia, e é isso que a deixa tão irritada.

Matteo virou e vi as costas do terno dele enquanto entravámos no iate, nem em mil anos eu acreditaria que estava fazendo isso.

A mão dele apertou a minha quando ele me ajudou a entrar no iate, logo depois eu o soltei, mas isso não tirou o sorriso convencido dele.

Cruzei os braços enquanto entrava em una área bem ensolarada, havia uma mesa quadrada e várias cadeiras, em frente a mesa havia uma cozinha completa ao ar livre.

-Quer que eu mostre seu quarto?- ele perguntou inocente.

-Não pense que isso é alguma coisa.- esperei ele tomar minha frente.

-Fazem oito dias que estou conhecendo você, mas sei quando mente.- ele abriu a porta e deu em um corredor.

-Geampeou meu celular?- franzi as sobrancelhas.

-Não foi preciso.- ele parou e virou ficando de frente para mim.- Eu não faria isso, Helena.- a mão dele tocou meu rosto.

-O meu quarto.- segurei o pulso dele e o afastei.

-Aqui.- ele abriu a porta do seu lado direito.

Passei por ele roçando sem querer meu braço pelo dele, mas até esse simples movimento pareceu errado, por que lá estava ele de novo, sorrindo para mim.

-Quando vai desistir?- murmurei enquanto me virava e se tava na cama de frente para ele.- Quando vai cansar de mim e me mandar embora?

-Acha que é uma brincadeira ainda.- ele assentiu colocando as mãos nos bolsos.- Eu entendo. Mas não sou de desistir, Helena.- os olhos dele brilharam ao olharem para mim.- Ainda tenho noventa e um dias, vou aproveitá-los.

-E depois desses noventa e um dias?- franzi as sobrancelhas.

-Você poderá ir embora.- ele me contou e eu fiquei perplexa.- Continuar sua vida e eu a minha.

-Está mentindo...

-Não, estou falando a verdade.- ele segurou a maçaneta.- Se você não se apaixonar por mim em noventa e um dias, poderá ir embora.

Engoli em seco quando ele fechou a porta, não esperava que fosse tudo tão simples assim, agora era tão simples.

Era só eu não me apaixonar por ele, deveria ser fácil, deveria estar pulando na cama, mas algo em mim ficou tocado.

Tocado por que ele parecia estar falando a verdade, é claro que se ele não me sequestrasse não precisaria me deixar ir.

Mas havia algo na forma que ele falava que eu não conseguia pensar direito, como se tivesse uma pilha atrás da minha orelha, e ela me mandasse fazer o oposto do que eu queria fazer.

Eu estava dividida, por que Nate e nenhum outro nunca me fizeram sentir o que eu sentia com ele, nunca  fizeram eu me sentir desejada, mas ele sim.

⚜️

Finalmente sai do quarto e encontrei ele, não havia como descrever a cena que eu estava vendo agora.

Matteo estava sem o blazer do paletó e a camisa branca estava aberta e fora da calça, e ele estava fazendo alguma coisa para comer.

Sentei em uma das cadeiras de perna longa perto da bancada e quando ele virou sorriu ao me ver, então se aproximou e pegou uma taça.

-Estou curiosa.- apoiei o queixo na mão.- Como sabia meu vinho e flores favoritos? 

-Eu pesquisei sobre você.- ele apenas falou enquanto enchia a taça com o meu vinho favorito.

-Mas como pesquisou essas informações?- franzi as sobrancelhas.- Não aparecem na internet.

-Você dúvida muito de mim, querida.- ele colocou a taça na minha frente.- É verdade, eu pesquisei muito, mas consegui o que queria.

Levantei o olhar e ficamos nos encarando, o sorriso dele se tornou fino e eu precisei lembrar de onde estávamos.

-Você cozinha?- voltei o olhar para as panelas.

-Sim, é uma habilidade pequena comparada a outras.- eu sorri, ele sempre dava um jeito de o envolver.- E você, sabe cozinhar?

-Minha família é tradicional, assim como a sua.- bebi um pouco do vinho.- Aprendemos a cozinhar antes de andar.

-Então parecemos um par perfeito.- ele observou enquanto eu me encostava na cadeira.

-Tradicionalmente eu teria que casar com um espanhol.- levantei as sobrancelhas.- E você com uma italiana.

-Isso é verdade.- o olhar dele ficou sério.

-Não tinha pensado nisso, tinha?- percebi que eu estava certa quando ele abaixou a cabeça.

-É algo que não estava em meus planos.- ele voltou a mexer na panela.

-Agora, vai ter que me deixar ir.- minha voz soou menos feliz do que eu esperava.

E deve ter sido por isso que ele parou de mexer, foi inteligente ao desligar o fogo e tampar a panela antes de virar e me encarar.

-Não vou deixar você ir.- ele balançou a cabeça enquanto vinha até mim.- Ainda temos noventa e um dias.- ele rodeou a bancada.

O observei quando ele se aproximou e cada mão segurou um joelho meu, ele sorriu enquanto abria minhas pernas.

Eu não consegui, não consegui dizer não, então ele continuou, abriu completamente minhas pernas e ficou entre elas.

-Sabia que uma hora você iria ceder.- ele colocou os quadris contra os meus.- Mas precisa dizer, precisa dizer que me quer.

-Você está usando isso contra mim.- murmurei.- Sabia que Nate nem me tocava.

-Ele não soube dar valor a você.- Matteo levantou meu queixo e nos encaramos.- Mas eu dou, tocaria em cada parte de você, todos os dias, todas as noites....

-Ainda não entendo, você quer que eu me apaixone por você ou que eu diga que o quero?- fechei os olhos quando ele beijou minha orelha.

-Eu quero os dois.- ele sussurrou.- Um complementa o outro.

-É uma pena que vá ficar apenas na sua imaginação.- a minha mão foi até o peito quente e nu dele.

Afastei ele e Matteo me observou enquanto eu fechava as pernas e descia da cadeira, rodando até a ter entre eu e Matteo.

-Tem medo de mim?- ele percebeu.- Tem medo do que posso libertar você?

-Não tenho medo de você.- ele sorriu quando falei isso.

-Deveria ter, sabe quem ele é.- una voz atrás de mim me fez pular de susto.

Olhei para trás e vi um homem de terno, não o conhecia, mas ele parecia una versão mais velha, mais baixa e mais séria de Matteo.

Senti a os dedos de Matteo segurarem o cós do meu short e me colocarem para trás da bancada e um pouco atrás dele.

-Estava aqui o tempo todo?- Matteo perguntou.

-Sim.- ele olhou para mim.- Você está certa, Helena, somos muito tradicionais.

-Todos sabem, então.- Matteo pareceu sombrio.

-Que você arranjou uma paixonite? Sim, todos sabem.- ele balançou a cabeça.- Tudo bem se fosse italiana, até mesmo americana.- ele sorriu.- Mas uma espanhola?

-Sabe como gosto de brincar com fogo.- olhei bosta Matteo e ele nem me notou.

-É bom que se livre dela antes que Bella saiba.- ele o aconselhou.- O pai dela deixou bem claro que é a favor da união de vocês.

-Quem é você?- perguntei, por que ao que parece, Matteo tinha ficado calado.

-Gosto de me chamar de conselheiro.- ele levantou una sobrancelha.

-Devem ter muita coisa para falar.- comecei a ir na direção da escada.

-Helena...

Tirei o braço antes que Matteo o pegasse, desci as escadas e fui até a ponta do navio enquanto me sentava em um banquinho acolchoado.

Devia estar feliz por ele ter aparecido e estar colocando juízo na cabeça de Matteo, deveria estar aliviada por ele começar a pensar que eu não devia estar ali.

Ouvi um ruído e logo olhei para trás, mas antes de ver quem era ali atrás eu senti duas mãos nas minhas costas enquanto me empurravam para fora do iate.

A água estava fria, estava tão fria que eu não conseguia mexer meu corpo tentando conter o calor, eu iria morrer naquela água gelada, iria morrer e ninguém saberia onde meu corpo estava.




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