História Um Estranho no Fim do Mundo - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Tags Adolescente, Drama, Pós-apocalipse, Romance
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Palavras 1.055
Terminada Não
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Primeiro capítulo de uma história própria, escrevi faz mais de um ano e nunca dei continuidade, espero saber oq acharam.

Capítulo 1 - Vida


Meu nome é Quentin, mas pode me chamar de Q, escrevo isso sem a esperança de que alguém leia, pois acho que estão todos mortos, mais vou contar mesmo assim, talvez esta seja a bíblia do novo mundo, ou talvez um monte de folhas que vão cobrir o meu corpo quando eu morrer. Bem vamos começar!

    Já houve três momentos em que a vida teve que começar do zero, quando um meteoro caiu na Terra á duzentos milhões de anos, quando dilúvio lavou o planeta, e agora, pela nuvem roxa que cobriu o mundo, criando demônios sem olhos.

    Há um ano a Coréia do Norte lançou o vírus Croatoan sobre os Estados Unidos, eu nunca vou me esquecer, estava na minha casa em Detroit, era um lugar afastado, em um lugar cheio de árvores, lembro-me de estar sentado perto da janela da varanda, olhando o balanço que meu irmão Andy brincava mover-se ao vento, eu gostava de ver o vento fazer o seu trabalho, eu estava escutando Space Oddity de David Bowie tocar no rádio, e então, bem junto com o refrão da música começou o soar das sirenes da cidade.

    Meu pai, John, correu para pegar meu irmão que estava no quarto brincando com o seu boneco do Superman, enquanto isso minha mãe Martha me chama pelo nome. -Quentin, precisamos ser rápidos, não á tempo. - E mesmo com o perigo ela não foi estúpida, doce como sempre, ela me estendeu sua mão direita para que eu a acompanhasse, eu a peguei e fomos até a porta do sótão, meu pai veio correndo com meu irmão no colo, e o boneco sem sair da sua mão, reluzia.

    Rapidamente descemos sem olhar para trás, e enquanto descíamos as sirenes criavam uma espécie de trilha sonora, meu pai voltou e fechou a porta e quando voltou até nós e nos disse com um sorriso no rosto -Merda de russos!

    Bem, no sótão tinha um sofá velho que veio com a casa quando nos mudamos, minha família nunca teve coragem de se desfazer dele, nos sentamos nele e esperamos, foi a pior espera da minha vida, os segundos pareciam horas, e os minutos anos, talvez não para Andy, ele não tirava os olhos daquele boneco, acho que pensava que o Superman ia criar vida e nos salvar, então o chão tremeu a primeira vez, acho que o rádio caiu no chão e aumentou o volume sozinho, pois agora conseguia-mos escutá-lo, estávamos escutando a música ser abafada pela sirene, tocava One More Kiss Dear do Vangelis.

    O chão tremeu a segunda vez, e com isso veio o fim da sirene, então nós começamos a nos olhar, como se estivéssemos nos despedindo, meu pai colocou seus braços sobre mim e meu irmão, naquele momento eu acreditei que aquilo me salvaria, ele nos abraçou e nos disse -Vai dar tudo certo. - Uma lágrima escorreu pelo rosto da minha mãe, então meu pai deu a mão a ela, sem me soltar e a Andy.

    De entre as tábuas do teto começou a sair uma fumaça roxa, nós a olhamos sem entender, pelo menos eu não a tinha entendido, só entendi que era o fim, eu olhei para meu irmão no colo do meu pai. -Vai ficar tudo bem.. feche os olhos. - Disse a ele sussurrando.

    Ele sorriu e fechou os olhos e em seguida eu também, foi nesse momento que a fumaça tomou conta do lugar, só consegui escutar meu pai dizendo para minha mãe que a amava.

    Essa foi a última coisa que eu escutei antes de apagar, antes de perder tudo o'que conhecia e amava, eu só não sabia disso, e enquanto meus pais sufocavam, eu apenas dormi, a fumaça teve efeito diferente em mim, não sabia o porque, mas aconteceu.

    Sabe de uma coisa, eu sonhei, sonhei enquantos eles morriam, sonhei que estava em uma praia fria e que tinha pegadas na areia, eu então segui as pegadas, segui até que elas de repente acabavam, e assim me deixando sem uma direção a seguir, me deixando sózinho, só hoje eu entendi, que esse sonho se tornou realidade.

    Depois de algumas horas eu acordei, só conseguia ver tábuas de madeira, estava olhando o teto, eu queria ter continuado vendo aquelas tábuas para sempre. Me levantei e não vi nada, virei para a direção do sofá procurando a minha família e achei, meu pai estava com meu irmão no colo e minha mãe estava deitada de forma que apoiava a cabeça no braço do sofá, só que agora eles estavam diferentes, estavam mortos.

    Só quando cheguei perto dos corpos percebi uma coisa que aquela fumaça havia roubado da minha família, ela roubou os olhos, a fumaça tirou isso além da vida deles.

    Eu não aguentei ver aquilo, então subi as escadas correndo e fui em direção da saída, ao passar pela porta da frente vi o céu atrás das árvores, ele estava roxo, continuei correndo até a hora em que eu cai, então vomitei nas folhas que cobriam o chão, não havia os normais sons dos pássaros, não havia sons, não havia mais vida, quando eu saí de casa nessa hora eu não sabia que seria a última vez que eu estava em lá.

    Então me levantei do chão e segui em frente, sem olhar para trás, chorando.

    Continuei até encontrar uma casa, era a casa de um dos meus vizinhos, os Adams, ao chegar na varanda bati na porta, e então cai no chão, e enquanto meus olhos fechavam eu vi uma imagem desfocada, a imagem de uma criança segurando um boneco, essa imagem se foi junto a minha consciência.

    Você que está lendo, você conhece o valor da morte de quem se ama, ela vale um pedaço de você mesma, eu conheci esse valor nesse dia, eu me senti vazio após esse dia.

    Quando eu desmaiei eu vi a imagem da criança, mais nesse dia eu não sonhei novamente. Enquanto eu estava no chão o vento carregava as folhas e trazia uma chuva, as gotas tocavam meu rosto desacordado se misturando as minhas lágrimas.

    Me desculpe contar tudo isso, essa era a parte mais triste da minha história, então decidi contar ela no começo para que você tenha a sensação de melhora quando ela terminar, ela melhora sim, confia em mim, ou então confie no Superman.



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