1. Spirit Fanfics >
  2. Um homem de sorte >
  3. Capítulo quatro

História Um homem de sorte - Capítulo 4


Escrita por:


Notas do Autor


LEIAM AS NOTAS FINAIS, RECADINHO IMPORTANTE LÁ!

Oi meus amores, tudo bem com vocês? prometi postar semana passada e acabei pecando nesse quesito, mil desculpas, fiquei muito atarefada, alem de que...COMECEI OUTRA FANFIC! Quem gostar da minha escrita, vou deixar o link nas notas finais.

Socorro 92 fav, eu to muito feliz, vocês podem ouvir meus gritos dai?

No cap de hoje, o flashback é do Justin na guerra. GENTE, eu só percebi que não sei NADA de guerra, quando comecei a escrever isso, vou dar umas pesquisadas prometo, mas NÃO ME JULGUEM, dei meu melhor hahaha

Boa leitura!

Capítulo 4 - Capítulo quatro


Fanfic / Fanfiction Um homem de sorte - Capítulo 4 - Capítulo quatro

Você disse que me amava

Eu disse que te amava também

O que aconteceu com isso?

O que aconteceu com isso?

 

Los Angeles, Califórnia

05:19 P.M.

P.O.V. Justin Bieber

Ao entrar na minha casa pela primeira vez em oito anos, senti o impacto de milhões de memórias ali vivenciadas. Eu morava há duas residencias de distância de Ryan e depois daquela declaração a respeito de Isabelle eu simplesmente não consegui continuar ali. Tive de vir embora. Mas o que eu queria ? Que ela tivesse parado a porra da vida dela em minha função? O que eu esperava ? Que ela estivesse me esperando no aeroporto de braços abertos com a porra de um sorriso no rosto ? Pra falar a verdade qualquer uma dessas opções seriam ilusões demais, conheço Clark o bastante para saber que quando ela dá as costas pra algo é algo imutável. E bom, a garota tinha desistido de nos dois há quase uma década atrás. 

Será que valeria de alguma coisa se eu lhe dissesse que sinto muito ? É tarde demais para pedir desculpas agora ?

Observei a minha sala, diferente do Mundo lá fora, ela ainda estava intacta, da mesma forma que eu havia deixado antes de ir pra guerra. Em cima da estante, retratos empoeirados de uma juventude distante se encontravam expostos, joguei a mochila no sofá e fui em direção a cozinha, com a garganta seca eu necessitava mais do que tudo de um copo de água naquele momento.

Me servi para em seguida subir pro segundo andar da casa, não vivia em uma mansão, pelo contrário, a minha residência era pequena comparada as outras da região, mas era confortável. Naquela parte da arquitetura, existiam somente duas portas, uma dava entrada pro banheiro enquanto a outra assegurava o acesso ao meu quarto, passei pelo corredor e entrei nessa, aspirando o ar do local. Por deuses, era como se o cheiro dela ainda estivesse ali. Decidi que tomaria um banho, ao menos na teoria a água deveria ajudar em tamanho incômodo dentro de mim

Fui em direção ao closet, peguei uma calça de moletom antiga decidindo dispensar o uso da cueca e de uma camisa, sai do quarto indo até o banheiro, assim que estive dentro do mesmo, comecei a tirar as minhas vestes do exército, seria estranho depois de tanto tempo usar algo diferente daquelas roupas. Notei que havia uma toalha ali, suspirei pesado adentrando no boxer ligando por fim o registro.

O impacto da água quente contra o meu corpo foi fenomenal, fechei os olhos, apreciando aquele momento. Na guerra, ninguém tomava banho, lavávamos as axilas e só,  focávamos mais em sobreviver do que qualquer outra coisa. As marcas depositadas ao longo do meu corpo me faziam recordar das situações em que ganhei cada uma delas, não havia sido uma experiência agradável.

Lavei o meu rosto, puxando por fim alguns fios de cabelo para cima, esfreguei minhas têmporas e abri os olhos em seguida, fixando-os em um ponto aleatório do azulejo. 

Era tão estranho estar em casa depois de tudo o que passei, quando parti, jamais pensei que um dia retornaria, acreditava que morreria na guerra. Bom, uma parte minha definitivamente morreu.

#Flashback Onn - 7 Anos atrás 

Estávamos caminhando no sol quente do deserto sem rumo nenhum a seguir, com a esperança de que acharíamos uma cede em breve, mas sem saber de fato se chegaríamos vivos até ela. O capitão racionava a água, minha garganta estava seca e a sede era gritante dentro de mim, entretanto eu teria que aguentar mais um pouco, precisava aguentar. Estávamos em torno de mais ou menos quinze homens, todos no seu limite, ao meu lado, Rony, o cara que conheci no caminho para cá que acabou sendo do mesmo batalhão que eu suspirou exausto 

- Não vamos aguentar por muito tempo, nem temos água o suficiente- Harry que andava junto de nos deu um risinho sarcástico, estávamos distantes da maioria, andando um pouco mais atrás 

- E o que você sugere ? Que nos sentemos nesse sol de matar e aguardemos o nosso fim?- Engoli em seco, ela não tardaria a chegar 

- Fomos bombardeados ontem a noite, Rony. Metade dos nossos soldados foram mortos. Nossos meios de transportes destruídos, tivemos sorte, apenas isso - O ruivo virou o rosto para me encarar, ele estava do meu lado esquerdo enquanto o Harry andava do direito 

- Sorte é a última coisa que temos se quer saber a minha opinião. - Minhas pernas doíam e meu corpo parecia cada vez mais tentado a simplesmente parar de funcionar, o comandante pronunciava palavras de encorajamento, mas isso era tão irônico considerando que a maioria ali não tinha mais esperança

- Vocês eram casados? Antes disso aqui- Encaramos Harry com as expressões confusas, ele balançou a cabeça em negação, rindo - Estatísticas dizem que se você manter uma conversa descontraída talvez sua mente esqueça do quanto seu corpo está sofrendo - A mochila pesada em minhas costas me fazia querer gritar 

- Quem disse isso pelo amor de Deus ?- A indignação de Rony me fez rir pela primeira vez no dia 

- Eu - Segurei firme na arma em minha mão, não querendo participar daquela conversa 

 - Sou casado. - Rony se pronunciou - Deixei minha esposa grávida- Ele abaixou a cabeça, visivelmente afetado com aquilo.

- Eu sou gay - A revelação de Harry fez com que eu e Rony o encarássemos de literalmente boca aberta, não que fossemos preconceituosos ou que nunca vimos um homossexual na vida, é que no exército, bom, alguém raramente se assumiria 

- E você tinha alguém?- Perguntei ignorando sua orientação sexual 

- Matheew. - O moreno passou a língua por entre os lábios- Vocês precisavam ver aquele homem, faria sua masculinidade ir pro brejo - Rony lhe mandou o dedo do meio 

- Isso nunca aconteceria- Eu concordei com o ruivo 

- E você Justin?, tinha alguém?- A dor física agora não era nada comparada ao incômodo presente em meu peito depois de ouvir tal pergunta, porra, eu preferiria carregar todos esses homens nas costas do que ter que responder aquilo 

- Não quero falar sobre isso - Os dois não tentaram se aprofundar no assunto e louvei aos céus por isso 

- VAMOS HOMENS! FORÇA ! Já já conseguiremos ajuda ! - Tive de segurar a risada com o empenho de George em nos manter de pé 

A conversa cessou por um momento,pois a água havia finalmente chegado em mim, como o protocolo ordenava, dei apenas dois goles, foi o suficiente para que eu me mantivesse de pé, mas nem de longe a quantidade necessária para matar a minha sede. Passei a garrafa para Rony que agarrou o objeto como se sua vida dependesse daquilo. Respirei fundo, observei o semblante cansado do Harry, ele tinha ficado de vigia na noite anterior, por um fio uma bala não o atingiu, imagino o quão fodido psicologicamente ele está.

Andamos por mais horas a fio, até que no momento em que as esperanças estavam para se esgotar, ao anoitecer, achamos uma cede. Soltei um suspiro de alívio, nem estava acreditando naquilo. Para você que não sabe bem do que estou falando, quando uma guerra acontece, homens são levados para o campo de batalha, no meio do deserto, alguns pontos são escolhidos para abrigar os soldados de determinados países, contando com tanque de guerras, comidas e toda uma assistência necessária, esses locais são chamados de cede. Geralmente elas se locomovem diariamente, por isso é tão difícil achar ao menos uma.

Assim que entramos no local fomos atendidos por alguns dos soldados que ali descansavam. Nos alimentamos e enfim bebemos uma quantidade considerável de água. Os capitães de cada batalhão foram se reunir em uma tenda para decidir o futuro dos soldados, quando amanhecesse iríamos para partes diferentes. Esperava que continuasse com Rony e Harry, havia realmente gostado dos dois. Depois de preparar um canto para mim dormir na enorme barraca, coloquei uma jaqueta e fui lá pra fora, me aproximei dos meus recentes amigos que conversaram com uma médica, ela parecia assustada 

- Não temos suporte pra todo mundo, já avisei a eles que precisamos ir na cidade- A noite estava congelante, diferente do dia infernal. Infelizmente essa era a realidade da temperatura no deserto 

- Acha que vamos conseguir localizar um abrigo ?- Estávamos em busca de russos escondidos no deserto, parecia na minha opinião uma missão impossível. 

- Não sei, eles estão muito bem preparados e parecem sempre estar um passo na frente de nos - Rony se auto abraçou e começou a esfregar as mãos nos braços na tentativa de esquenta-los 

- Como os meios de comunicação estão funcionando ?- Perguntei a mulher chamando sua atenção para mim, ela descaradamente passou os olhos pelo meu corpo inteiro 

- Não estão, essa é a questão e além do que...- Sua fala foi cortada pelo alto barulho de um helicóptero se aproximando, ficamos na defensiva é claro, mas o transporte era aliado, pois se não fosse, certamente já teriam nos jogado uma bomba  e acabado com a brincadeira antes dela realmente começar. Encerramos nossa conversa por ali, eu, Rony e Harry corremos em direção a grande aviação que se aproximava, assim que pousado, a porta foi aberta e de lá, saíram mais alguns soldados 

Nos cumprimentamos sem muita delicadeza, em seguida os ajudamos a tirar alguns mantimentos do helicóptero, tal movimentação chamou a atenção dos chefes de batalhão, que depois de horas dentro de uma tenda finalmente se expuseram novamente, George nos chamou para uma conversa particular,  todos que tinham caminhado comigo o dia inteiro no deserto se colocaram perto do homem, ele pigarreou algo antes de começar a falar 

- Nosso batalhão foi selecionado para voltar a cidade - Arregalei os olhos, se no deserto estávamos correndo perigo, ao voltar para a civilização estaríamos assinando a nossa sentença de morte - Por enquanto será por tempo indeterminado. 

- Todos nós?- Rony o questionou, ele confirmou com a cabeça

- Basicamente faremos a mesma coisa que aqui, buscaremos abrigos 

- A diferença é que lá seremos atacados 24 horas por dia - Um dos soldados se pronunciou, George voltou a atenção ao homem, ele estava com uma arma em mãos, sem pensar duas vezes apontou para o soldado 

- Algum problema?- O cara engoliu em seco e negou rapidamente- Vocês sabiam que as coisas não estavam fáceis, vão ter que aprender a lidar- Ele saiu andando em direção a tenda, sem dizer absolutamente mais nad

- A gente vai morrer, não vai ?- Rony encarou a mim e ao Harry, ele buscava amparo, buscava esperança, o único problema era que nenhum de nós dois tinha aquilo para lhe fornecer - Não vou conseguir conhecer a minha própria filha 

- Calma caralho- Harry tentou o tranquilizar, sem sucesso. Os outros soldados também estavam surtando entre si, aproveitei a deixa para me afastar, o vento frio congelava todos os meus poros, olhei para o céu estrelado, tentando inutilmente buscar algum conforto nele. 

Tateei o meu bolso com o intuito de pegar a minha carteira, assim que o fiz, abri ela me deparando com a usual foto de Isabelle. Ela sempre estava linda, era impressionante como a beleza lhe rondava mas naquela imagem em específico a garota tinha simplesmente ficado impressionante. Ela olhava o horizonte, eu havia capturado o momento enquanto a loira se encontrava distraída em seus próprios pensamentos, com um sorriso estampado no rosto aquela era a mulher mais estonteante que eu já tive o prazer de ver na vida. 

Me perguntei internamente se um dia a reencontraria. 

Senti uma presença do meu lado, virei o rosto e acabei dando de cara com Harry, ele olhava a imagem em minhas carteira, prestativo, colocou uma mão em cima do meu ombro e o apertou, tentando em vão me passar uma força que nem mesmo ele tinha naquele momento. Estávamos ali pra defender os EUA, era suposto que esquecêssemos todo o resto e acabássemos com a Rússia, era suposto que mantivéssemos o foco. 

Mas aquilo era praticamente impossível, ela estava em meus pensamentos 24 horas por dia. 

- Ela é linda - O moreno enfim se pronunciou 

- Acha que um dia vai ver o Matheew de novo ?- Harry ponderou antes de me responder e quando o fez, foi surpreendente 

- Espero que não, o homem que ele amava morreu. Isso aqui..- Fez um gesto com as mãos apontando ao redor - Fode com a gente. - Concordei com a cabeça 

Abri a boca para responde-lo quando um barulho de tiro invadiu o ambiente, logo outros vieram, os soldados ao redor começaram a correr para pegar as armas, guardei a carteira as pressas na calça e arregalei os olhos ao ver a quantidade de pessoas que estavam vindo ao nosso encontro, era oficial, eles tinham nos achado.

#Flashback Off

Terminei o banho e fui de encontro a toalha estendida ali, me sequei vestindo a calça de moletom em seguida. Depois, peguei a roupa suja no chão, tateando os bolsos para tirar de lá minha velha carteira, ao abrir ela meu coração se apertou, a foto de Isabelle continuava ali. Tinha sobrevivido a tudo aquilo comigo e muitas das vezes havia sido o motivo de eu não desistir. Fechei a carteira a guardando no moletom, de nada adiantava ficar remoendo o meu romance com a garota agora. 

Sai do toalete e desci as escadas, pediria uma pizza, visto que a comida no armário provavelmente já estava vencida. Fui até a lavanderia e coloquei a roupa suja lá, depois eu esvaziaria a minha mochila. 

Decidido voltei a sala, pegando o velho telefone ali, minha mãe tinha ficado responsável por vir dormir aqui em casa algumas vezes no mês e pagar a conta do aparelho, claro que eu lhe mandava dinheiro sempre que podia. Aliás, dona Pattie, ela vai surtar quando souber que eu voltei. Liguei para o Ryan e pedi pra ele encomendar uma pizza pra mim, além de não lembrar o número da pizzaria eu nem ao menos tinha um celular pra pesquisar. Liguei a TV e me joguei no sofá, esperando a comida chegar. 

Demorou cerca de mais ou menos 40 minutos para a campainha tocar, levantei e me preparei mentalmente para comer 8 pedaços de Pizza, entretanto, ao abrir a porta, não era o entregador que aguardava do outro lado. Franzi o cenho ao notar a presença de Bárbara ali, mantendo a usual educação ela entrou sem nem mesmo ser convidada, fechei a porta atrás de mim e apontei para o sofá, indicando que se ela quisesse se sentar poderia ficar a vontade, não que eu achasse que precisava ser formal com Babs, ela sempre fazia o que lhe dava na telha

- Você precisa salvar a Izzy - Ela soltou sem me dar nem tempo de raciocinar, caminhei em sua direção, do que ela estava falando ?

- Preciso que seja mais específica- Bárbara revisou os olhos com a paciência totalmente nula 

- Ela está infeliz há muito tempo, Justin. Na verdade está infeliz desde que você partiu - A revelação fez meu coração acelerar, se controla porra. 

- Ela casou, como isso é possível? - Bárbara se sentou no sofá, cruzando as pernas em seguida, ela me encarou decidida, parecia ter a certeza do que estava fazendo, bom, ao menos alguém ali naquele cômodo tinha que ter 

- Você sabe como a família da Izzy é religiosa, então quando ela engravidou não deram muitas chances dela dizer não ao casamento - Eu me encontrava em pé no meio da sala sem saber o que fazer - No começo o Samuel não era tão babaca, até começar a beber, bom, ele virou um alcoólatra pra falar a verdade. - Fechei as mãos em punho, nunca imaginei que Clark terminaria com um cara assim, não fazia o estilo dela ficar presa em um relacionamento merda - Você precisa urgentemente ajudar ela, Justin 

- Você sabe mais do que ninguém que ela me odeia agora- A campainha novamente voltou a tocar, fui atender, dessa vez batendo de frente com o entregador de pizza. Peguei o pacote e lhe paguei, havia pedido de frango, a minha favorita. Céus, fazia tanto tempo que eu não provava daquela maravilha. Voltei a sala, colocando a pizza em cima da mesa de centro, fui até a cozinha, peguei uma faca e voltei, Babs já estava com um pedaço em mãos- Pode ficar a vontade - Ironizei vendo ela revirar os olhos 

- Da pra entender porque ela te odeia  - Falou entre intervalos de comida 

- Eu fui convocado pra guerra ! - Bárbara deu de ombros como se eu tivesse falado que tinha ido comprar leite 

- Não foi pelo que aconteceu, Justin. Foi a forma de você lidar com isso. Tu simplesmente disse pra ela que estava partindo, não questionou, não deu a mínima para a opinião dela - Achava aquilo ridículo, eu tinha de servir o país, o que Isabelle queria que eu tivesse feito ?fugido com ela ?

Não revelarei que essa opção passou pela minha cabeça durante todas as noites por entre esses oito anos. 

- Ela já sabe que eu voltei ? - Bárbara não olhou pra mim, foi dar atenção ao seu pedaço de pizza, apesar do tempo ter passado, eu sabia que aquela era a usual reação da garota quando ela tentava fugir de um assunto- Butler... - A morena bufou, se rendendo 

- Ela não reagiu muito bem a isso - Puxei o canto da minha boca num pequeno sorriso, ao menos ela teve uma reação.

- O que ela disse ?-  Bárbara me encarou, ponderando se deveria me revelar ou não, enquanto a morena tinha uma crise interna eu fui me servir de um pouco de pizza, peguei o pedaço em mãos mesmo, estava pouco me fodendo pra etiqueta 

- Está feliz por você não ter morrido - Ao mastigar quase tive um treco com o sabor do frango se dissolvendo na minha boca, que saudades eu estava daquilo porra, sem condições. 

- Ela vai estar na festa, sexta feira ? - Eu não poderia realmente estar cogitando uma ideia da Bárbara não é? A garota sempre teve os piores planos desde a porra do ensino médio. Aliás, as chances de eu levar um fora eram consideravelmente altas 

- Ela não está querendo, mas posso tentar convence-la - Tentei não demonstrar o quão afetado tinha ficado com aquela reação, porra, fazia quase uma década que nós não tínhamos nos visto, será que ela não se lembrava mais de mim ?

Ou talvez até lembrasse, só não se importava mais. 

A hipótese de que por um momento Clark esteja cagando pra minha existência fez com que eu engasgasse com a comjda na boca. Tossi inúmeras vezes, colocando a mão para impedir que alguma saliva saísse, Babs se levantou rapidamente e começou a acariciar minhas costas, me ajudando na missão de conseguir voltar ao normal. Assim que o objetivo foi alcançado, a morena pegou outro pedaço de pizza, depois voltou ao sofá como se nada tivesse acontecido 

- Vai me ajudar ou não vai ?- Aquela pergunta fez com que questionasse mentalmente tal situação. O certo e digno seria que eu não me metesse na vida de Isabelle, nos tivemos alguma coisa, mas está no passado. O certo e digno seria que eu mandasse Babs embora e deixasse enterrado o que está enterrado. O certo e digno seria que eu não aceitasse aquela proposta. Mas caralho, fui um homem certo e digno durante toda a minha vida e o que isso me trouxe ? Porra nenhuma. 

Resolvi que testaria a sorte com o universo, afinal, o que mais ele me faria perder ?

- Vou me arrepender disso...- Bárbara me lançou um sorriso enorme, ele ocupava praticamente o rosto inteiro da garota, terminei de comer a pizza em silêncio, a possibilidade de voltar pra vida de Isabelle rondando minha mente sem deixar que eu ficasse um minuto em paz 

- Então, oito anos sem transar ?- Babs nunca foi conhecida por sua gentileza e vocês já devem ter entendido o porquê 

- Não- Respondi sincero finalizando o meu terceiro pedaço, sentei no sofá ao lado da garota e sorri para ela, por um momento pareceu que o tempo não tinha passado, me permiti pensar que ainda éramos jovens, que ainda éramos amigos. 

Porque depois de tanto tempo, eu sou apenas um cara que ela já conheceu, se levarmos em conta que aquele Justin não existe mais 

- O quee? Puta que  pariu loirinho e eu jurava que você tinha passado todo esse tempo chorando pela Izzy - Balancei a cabeça em negação, Babs depositou um leve tapa no meu braço, não fez nem cócegas mas senti que ela colocou forças naquele ato 

- Eu não achei que fosse sobreviver Bárbara, cada dia era como se fosse o último dia. Vivi ao máximo esses oito anos, mas nunca tirei a sua amiga da minha cabeça- Babs sorriu com o meu pronunciamento 

- Lembro que tinha ciúmes de você, porque era mais melhor amigo dela do que eu - Tive de rir ao lembrar das crises da senhora Butler, parecia que estava me recordando de uma vida passada, fazia tanto tempo 

- Como é...a filha dela ?- A morena me encarou, passei a língua preguiçosamente por entre os lábios, ansiando por sua resposta, se a garota tivesse puxado a Izzy, seria literalmente uma criança perfeita 

- Ela é incrível, Justin- Concordei com a cabeça- Você vai amar conhecê -la- Isso se Clark me deixasse chegar perto da criança. 

Haverá um momento, ainda não chegamos nele, em que eu te explicarei como foi o fim do meu relacionamento com Isabelle, por enquanto, basta saber que ele não foi dos melhores, a dor da última palavra que ela me lançou ainda paira sobre mim, a vontade de voltar no tempo e de mudar a minha decisão me corrói todo santo dia. Confesso que apesar de ter aceitado essa ideia louca de Bárbara ainda  sinto que o melhor a fazer seria fugir, uma vozinha dentro da minha cabeça diz que eu estou beirando a insanidade ao sequer cogitar que Izzy vai gostar desse cara aqui. Ela amava o Justin que arrancava gargalhadas dela, o Bieber atual nem ao menos se lembra de como fazer uma piada. Ela amava o Justin que sabia fazer carinho o tempo todo em seu cabelo, o Bieber atual nem ao menos sabe como abraçar alguém. A grande questão é se ela me amaria depois de tudo o que aconteceu, depois das marcas, traumas e noites mal dormidas. 

A grande questão é se ela me amaria depois da guerra.

- É estranho...estar de volta ?- A voz da morena ressoou alta no ambiente me tirando assim dos devaneios, relutei em responder mas no fim acabei assentindo 

- La no deserto o tempo não parecia andar, era como se estivéssemos preso em um pesadelo. Mas ao voltar pra casa percebi que tudo continuou a andar sem mim, que as vidas continuaram acontecendo, de um jeito estranho acho que não faço mais parte disso aqui - Fiz um gesto com as mãos para indicar o ambiente, Babs arregalou os olhos antes de rapidamente começar a negar, ela segurou em meu braço 

- Seu lugar sempre vai ser aqui, Justin. - Não soube como reagir aquilo, por isso não falei nada, entendendo o meu desconforto a garota continuou - Preciso ir embora, tenho que buscar Júlia na escola - Ela se levantou, repeti o seu ato e a levei até a porta, quando abri a garota me deu um abraço que novamente não foi correspondido, não porque eu não queria, e sim porque não sabia como. -Sempre que se sentir sozinho pode ir lá pra casa, ainda somos seus amigos, nunca deixamos de nos importar com você- Lhe lancei um sorriso sem mostrar os dentes, e ela saiu enfim da minha casa. Fechei a porta, limpei a bagunça que havíamos feito na sala e levei a caixa vazia da pizza para o lixo na cozinha, em seguida peguei na mochila que ainda estava no sofá, abri o objeto e comecei a tirar as roupas sujas de dentro, até que me deparei com uma fotografia jogada ali, nela, eu, Rony e Harry estávamos abraçados. 

Aquela imagem foi tirada na primeira semana de guerra, dava pra se notar, devido ao sorriso que estampávamos na cara, ainda tínhamos alma ali, ainda tínhamos esperança de um amanhecer melhor. Tudo isso virou história depois de certo tempo. Acredite, após ouvir gritos de socorro, ver mortes a sangue frio acontecendo na sua frente e homens suplicando por uma segunda chance você começa a entender o quão fodida a vida é.  

Harry e Rony foram os meus melhores amigos durante esses oito anos, passamos por coisas que você não imaginaria nem nos seus piores pesadelos, e onde eles estão agora? 

Bom, eles estão mortos.


Notas Finais


E ai meus amores, o que acharam? to ansiosa com a reação de vocês! Comentem por favor, os comentários são os combustiveis da fanfic!

Vou retornar com outro cap no sabado (agora é sério )

ATENÇÃO! eu to de ferias da faculdade e por isso tenho tempo para focar nas minhas fanfics, quero dizer pra vocês que farei UMA MARATONA de um homem de sorte, a partir do dia 08/07 até 12/07 teremos atualização todo dia. Gostaram, gostaram?

Entrem no grupo do whats, la dou spoilers, aviso os dias das postagens, faço asks e deixo vocês mais proximos dos personagens >>> https://chat.whatsapp.com/BuPSnSuaBKu08jcEUK2YkW

Link da minha nova fic com o jb >>> https://www.spiritfanfiction.com/historia/trust-me-19737433


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...