História Um Infinito de Verão - Capítulo 24


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amizade, Amor, Drama, Novela, Romance, Traição
Visualizações 6
Palavras 1.952
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção Adolescente, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Heterossexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 24 - "Ninguém mais pode me consertar..."



Dylan

Se Jennifer soubesse que eu estava dirigindo e bebendo ao mesmo tempo, eu seria a causa de mais um ataque cardíaco. Mas não dava para evitar. Eu também fumei quatro cigarros seguidos. Fazia tanto tempo desde a última vez...

Eu estava exausto, estava com fome e não sabia exatamente o que fazer, então só fiquei rodando pela cidade, dirigindo, bebendo, fumando, até que as três garrafas secaram e fiz a segunda parada para comprar mais bebidas. Seis garrafas dessa vez e eu já estava ficando bêbado. Fiquei assim até o celular avisar que já eram 2h47 da manhã. Eu precisava mesmo descansar. Minha visão estava começando a embaçar.
Lembrei que estava com a chave do Freedom e que a essa hora, ele já estava fechado. Girei o volante para o lado esquerdo, tomei um gole de cerveja que já começava a ficar quente, e dirigi até lá.

Apenas as luzes da frente estavam ligadas, a noite estava fria. Abri a grande porta e logo Paul apareceu. Ele morava lá fazia uns três anos, em um pequeno quarto entre a grande despensa e a adega. Apesar disso, me assustei quando o vi, ele se assustou quando me viu. Só queria algo para comer, Paul fez dois sanduíches de frango e me trouxe Coca-Cola. Não fez perguntas sobre o porquê de eu estar dirigindo por ai e bebendo, mas achei que ele merecia saber, então contei sobre minha briga com Skylar, e foi só. Ele não perguntou nada e eu não acrescentei nada mais.

O quarto de Paul tinha cerca de quatro metros quadrado, uma cama de solteiro confortável, um armário para roupas, frigobar, um espelho médio na parede, uma TV grande e um criado-mudo ao lado da cama. Vi que não havia espaço para mim e já tinha decidido sair de lá e procurar um hotel quando Paul disse que dentro do quarto dele, havia outro quarto um pouco menor - que na verdade era um antigo cofre desativado - onde ficava a cama de cima do beliche dele. Mas acho que Paul não só me ofereceu o quarto por solidariedade ou por se achar na obrigação já que sou seu patrão, mas por saber que estava bêbado demais para dirigir aquela hora ou qualquer hora do dia. Ele ficou preocupado, e para ser sincero, eu também.

Paul me ajudou com as malas, colocou-as dentro do pequeno quarto e pôs roupas limpas de cama no beliche, enquanto tomava um banho.

O resto só lembro de tê-lo agradecido enquanto me jogava naquela pequena cama.


                  *              *             *

A dor de cabeça me acordou, mas foi o calor que me despertou. Aquele quartinho não tinha janelas ou algo assim, então a ventilação era zero. Eu transpirava por todos os poros do meu corpo e minha cabeça parecia que ia explodir. Minha boca estava amarga, olhei no relógio e já eram 11h26 da manhã. Droga.

O Freedom já estava movimentado, tinha certeza disso. Orei para que Sky não tivesse esquecido de jogar alguma toalha na mala. Graças à Deus ela não fez. Uma das minhas toalhas estavam lá. Peguei uma calça jeans, cueca e camisa polo e fui para o banheiro me esgueirando. Banheiro dos funcionários. Tive que voltar para buscar escova de dentes e creme dental. Eu estava precisando. Nenhum funcionário me viu. Tomei um banho demorado e troquei de roupa, qua do voltei para o quarto, havia mais duas ligações de Margot.

Nenhuma de Sky.

Quando fui atrás de Paul, para pedir que não comentasse sobre a noite passada com Johnny ou com meu pai, Margot apareceu na entrada do restaurante, conversando com uma garçonete. Ela perguntava por mim. Tentei me virar rapidamente e  voltar para meu quartinho, mas foi tarde demais.

A gente precisava se resolver, é claro, mas eu não estava com cabeça para isso agora. Eu só queria uma coisa: minha mulher de volta.

- Ben! ____ ela gritou.

Ouvi seus passos altos em minha direção. Ela quase corria.

Me xinguei mentalmente. Me virei para frente, seus passos eram rápidos. Eu ainda não tinha visto meu pai ou Johnny, ainda bem porquê não queria ser visto com Margot.

- Ben... ____ ela agarra meu braço e me leva para uma mesa distante. ____- Sabe quantas vezes eu liguei pra você? Eu estava enlouquecendo sem notícias suas!

- Desculpe, Margot, é que...

- Eu só não deixei mensagens porque...

- Skylar poderia ver. ____ concluí. Sentamos na última mesa. Ela me olha apreensiva.

- Você já sabe?

- Sim. Ela me contou tudo ontem. Sobre o encontro de vocês.

- Eu não diria que foi bem um encontro. Ela roubou seu celular. Me fez ir em um lugar pobreta... Quase arrumou um escândalo naquela espelunca. Você deveria ter visto. ____ Margot me encara. ____- Não vai dizer nada?

- O que eu poderia dizer?

- Qualquer coisa. O que ela disse pra você?

Suspirei.

- Nós brigamos, Margot. Você disse à ela que eu amava você, disse à ela sobre... ____ olho para os lados e digo baixo. _____-... sobre o ex-namorado dela. Mesmo eu pedindo à você que não contasse à ninguém.

- Desculpe. Não fique bravo comigo, querido. Eu... deixei escapar. Só isso.

- Só isso? Nós brigamos, Margot! Nós brigamos e Skylar não quer mais me ver!

- Bom... eu... A Sanderson foi exagerada, não? Quer dizer, nós... nós nem fizemos amor ainda. ____ ela me lança um olhar sugestivo.

Passo a mão no cabelo.

- Margot... nós... nós ficamos, você sabe. Você... tem idéia de como estou me sentindo? Skylar é minha mulher, eu a traí e agora ela quer se separar...

- Como assim? Vocês vão se divorciar?

- Eu espero que não. Eu a amo, Margot... droga...

- Sinto muito por você... ____ seu rosto dizia o contrário. Ela alcança minha mão e aperta. _____- Você sabe que estou do seu lado não é? Que estou com você? Sou toda sua se precisar. Sempre estarei aqui. Basta querer...

- Obrigada, Margot...

- Você está bem? Onde passou a noite?

- Aqui mesmo. Paul me cedeu um quarto.

- "Cedeu". ____ ela sorri. ____- Você é o dono desse lugar. Por que não foi para sua casa? Sou sua amiga, Ben. Precisou de mim, mas não me procurou. Assim você me ofende.

Margot solta minha mão, pega um cigarro da bolsa e o acende.

- Você deveria ter ido para sua casa. Lá é seu lar. Ao lado de sua família. Eu estaria lá para apoiar você, como estou aqui, agora. Mas não, você prefere ficar no quarto de um criado...

- Paul não é um criado. Ele é um garçom e um dos funcionários de confiança do meu pai. E mesmo assim você queria que eu chegasse em casa e dissesse o quê? Que Skylar me botou para fora porquê sabe que você e eu... que... nós...

- Nós?

Bufo.

- Você sabe que minha mãe não iria gostar.

- Ela não iria gostar de ver você aqui. Quer saber, Dylan? Dane-se se a Sanderson soube de alguma coisa ou suspeita ou sei lá o quê! Já estava na hora de vocês pararem de brincar de "casinha". Você é um homem culto, da sociedade... Skylar era só uma aventura. Aposto que mais cedo ou mais tarde você se cansaria dela. Se é que já não estava cansado, porque vamos combinar que ela é bem chatinha, não é?

- Chega, Margot! ____ Bato com as duas mãos na mesa e Margot se sobressalta. ____- Já pedi pra você não a insultar dessa forma. Skylar é minha mulher. A mulher que eu amo e exijo respeito. Ela não é uma criança, ela é forte e guerreira e já passou por coisas que você não aguentaria passar nem por uma hora... Se você não gosta dela, apenas respeite-a.

Margot me olha magoada, fica em silêncio alguns segundos e volta sua atenção para o cigarro.

- Desculpe. ____ sussurra. ____- Não quis ofendê-la...

- Foi a mim que você ofendeu.

- Eu não quis. ____ ela me olha brava. ____- Por favor, não se chateie comigo. Eu não suporto quando brigamos... Mas... não posso não dizer a verdade. Sanderson não era pra você. Nunca foi. O casamento de vocês só foi uma aventura, querido. Você sabe, eu sei, ela sabe. Vocês só estavam com tesão e pensaram ser amor. Ela é jovem, bonita e vai achar alguém para bancá-la...

- Margot... ____ rosno.

- Ela é um corpo bonito e você é um homem. Eu entendo que queria fazer coisas com ela, mas casar foi exagero. ____ ela sorri maldosa.

- Margot... ____ repito.

- Você sabe. Sabe o que é o amor, não é, Ben? O nosso lance é diferente. Diferente dessa sua aventura. ____ ela pega minha mão novamente e tento retirá-la, mas Margot aperta e me puxa para mais perto. ____- Você sabe que me ama. Eu sei disso. Eu também amo você. Posso dizer que amo até mais do que amei seu irmão... Um fogo arde dentro de mim e não posso controlá-lo, porque cada vez que estou perto de você ele me consome. E eu odeio ter que fingir não sentir nada perto de seus pais. Eu odeio ter que mentir que você não significa para mim tanto quanto significa. ____ seus olhos enchem de lágrimas. ____- Eu amo você e não quero mais ter que esconder isso. Não quero! Somos a droga de dois adultos. Eu amei seu irmão, mas ele não está mais aqui. Essa... garota... esqueça ela. Você me ama, eu sei disso. Ela foi só uma aventura, amor. Eu entendo e te perdoo por isso. Mas esse circo acabou. Sabe, foi bom tudo ter vindo à tona, nada mais nos impede agora. Não que antes algo me impedia, mas sei que você é do tipo cavalheiro e não iria ofender aquela... moça...

- Margot, por favor...

A garota de cachos negros aperta com mais força minha mão e olha fixo nos meus olhos. Uma lágrima escorre em seu rosto.

- Você a ama. Pode amar, eu não me importo, mas logo vai passar. Me deixe fazer esquecê-la. Por favor. Eu consigo. A gente recomeça. Você pede o divórcio e enfrentamos seus pais... Caso eles não queiram... Bom, dane-se! A gente vai embora, foge, sei lá... Só me deixe fazer esquecê-la... Por favor...

- Não, Margot... as coisas não são assim. Parece que não adianta eu tentar explicar que Skylar é muito mais que um caso ou uma aventura. Você não quer entender...

- Mas enquanto o que somos? O que somos quando estamos perto. Você sente, eu sei. Para de tentar esconder de si mesmo. Eu sei que você me deseja... eu sei, e eu quero você tanto quanto você me quer. Nada nos impede. Somos adultos...

Eu tento abrir a boca em protesto, mas Margot me silencia colocando o indicador sobre meus lábios.

-Shhhh... Pare de tentar lutar... Para quê? Em memória do seu irmão que não está mais na terra ou de uma garota que não te quer mais? Pare de lutar... Eu quero tanto ser sua... Você sabe que somos atemporal... Diga que me ama...

- Por favor, Margot...

Olho discretamente para os lados atrás de algum olhar curioso. Não há ninguém por perto.

- Diga... Se permita.

- Você está sendo...

- Diga. Diga porque eu o amo, Dylan. Amo... Apenas diga.

Margot em impulso aproxima seu rosto do meu e encosta os lábios na minha boca. Seu aroma me vicia. Não consigo controlar, me odeio por isso e Alex que me perdoe, porque quero aquela mulher a todo custo.

- Diga... ____ ela sussurra e em seguida morde meu lábio inferior.

- Eu amo você, Margot...

Ela sorri.

- Eu sei... ____ sussurra de volta e me beija. E a beijo de volta. ____ - Eu sempre soube.

Abro os olhos depois de alguns minutos. Entre mesas, clientes e funcionários atendendo pedidos de um lado pro outro, vejo Christian e Johnny parados, à alguns metros de nós, em um mar de gente, nos olhando, incrédulos, se perguntando se era aquilo mesmo que estavam vendo.

                                  





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