História Um Infinito de Verão - Capítulo 26


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amizade, Amor, Drama, Novela, Romance, Traição
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Palavras 2.527
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção Adolescente, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Heterossexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 26 - "Não havia nenhum amor como o nosso."



Dylan

- Por que você nunca me escreveu? ____ Margot afasta seus lábios dos meus e me encara.

- Como?

- Cartas, Ben. Cartas. Você nunca escreveu nenhuma depois que fui embora. Depois do enterro de Alex... você nunca... nunca me procurou. Por quê?

Ela continua me encarando, à espera de uma resposta que eu não tenho.

- Eu... não sei. Não sei, Margot...

- E nem agora... você nunca me escreveu nada legal. Você não sentiu minha falta todo esse tempo? ____ ela fez beicinho, eu gaguejo algumas vezes atrás de algum argumento. Há perguntas que simplesmente não têm respostas. Essa é uma delas. Eu gostava de Margot. Sim, senti sua falta, mas não tive tempo para procurá-la depois de tudo o que houve. Eu estava de luto, ocupado demais chorando pela morte do meu irmão... ocupado demais com a consciência pesada...

- Mulheres gostam disso... de saber que são especiais...

- Não achei que você fosse esse tipo de mulher.

Antes que ela abra a boca para protestar, meu celular toca em algum lugar jogado no chão. Margot enxerga ele em cima de uma blusa próxima a uma das minhas malas e me joga ele.

Margot revira os olhos quando lê o nome.

Era Johnny, mas eu esperava que fosse Sky.

- Oi.

- Oi... ãnn... onde você está?

- No Freedom. Por quê?

- Ah... Por nada. Errr...

- Você está em casa? ____ pergunto. Johnny parece estranho.

- É... estou.

- Tudobem, então... ____ A estranheza de Johnny me faz sorrir.

- É. Tenho que ir.

- Ei, Johnny?! ____ digo tarde demais.

- O que ele queria? ____ Margot volta a se sentar na cama.

- Não sei. Só queria saber onde eu estava?

Ele engatinha até mim e passa os braços pelo meu pescoço.

- Acho que ele estava querendo saber se seu sobrinho preferido estava praticando fazer bebês com a Margozinha... ____ ela sorri maliciosamente e morde meu lábio.

- Não. Acho que não.

- Ele adora vigiar você. Todos eles. É um saco, não é?

Margot tenta levantar minha blusa mas eu a impeço.

- Não, Margot. Paul não gosta de você aqui. Já estamos quebrando as regras dele, seria bem pior se fizêssemos isso...

- Regras foram feitas para serem quebradas. Esse lugar é seu... quem liga se Paul gosta ou não? ____ ela beija meu pescoço. ____- Por que ele não arranja uma namorada? Que faça coisas com ele... Talvez melhore seu humor...

- Ele tem uma namorada. ____ A afasto, mas ela insiste e senta em cima de mim.

- É? Quem liga?

- Você. Você quis saber...

- Não estou interessada nisso...

Por mais que eu queira, por mais excitante que Margot seja, eu não consigo estar com ela nem um segundo sem que a culpa me domine. Porque toda vez que ela está comigo, cada toque seu é a imagem de Sky que vem na minha mente.

- Pare...

- Por que? ____ ela morde meu pescoço. Desce sua mão até meu abdômen e tenta levantar minha blusa novamente.

- Porque não é certo. ____ estou começando a ficar ofegante.

- É? Quem liga?

- Eu ligo.

- Não parece. Não parecia à três dias atrás...

Três dias atrás. Terça-feira. Quase meio-dia, quando meu tio e meu pai nos viram nos beijando na última mesa do restaurante.
Christian ficou assustado mas preferiu fingir que nada tinha acontecido - mas na verdade eu suspeitava que ele já sabia de algo, ou desconfiava -, mas Johnny foi quem tirou satisfação, Margot acabou se metendo na frente quando eu tentava inventar alguma desculpa. Ela acabou abrindo a boca e falando tudo. Pude jurar que se Margot não fosse uma garota, Johnny teria dado um soco nela. Ele praticamente exigiu que ela fosse embora de casa dos meus pais, mas Christian disse que não precisava, que teríamos que ser "civilizados" para lidar com aquele problema. Margot foi embora e conversei com eles sobre o que estava acontecendo. Quando Johnny perguntou sobre meus sentimentos sobre Margot - mesmo sabendo a resposta - eu não consegui menti. Christian não conseguiu disfarçar a decepção, mas não disse nada. Apenas falou sobre Skylar não merecer isso. Nem Alex.

A conversa foi tensa, mas não houve brigas, mas era nítido a decepção nos rostos deles.
Mais tarde, a noite, Margot me ligou e disse que precisava conversar comigo sério e marcou nosso encontro em um hotel próximo aqui mesmo.
A encontrei em um quarto, a conversa durou no máximo cinco minutos, depois Margot já estava tirando as roupas e me jogando na cama. "Nada mais nos impede..." ela sussurrava. Eu cedi. Céus! Que tipo de homem resistiria? Mesmo assim a culpa não me abandonou. Por um momento achei que fosse chorar imaginando o que Skylar diria se soubesse daquilo.

- Você praticamente se jogou em cima de mim. Como poderia resistir se você estava se esfregando em mim e não me deixou ir embora?

- Nossa... quanto machismo para um homem só!

Até eu senti nojo do que acabei de falar...

- Desculpe, eu... Não quis dizer isso. A culpa foi minha...

- ... porque você também queria...

- Sim, Margot, eu queria...

- Eu sei, querido. Não culpo você. Sei o que posso causar em um homem...

Nessa hora ela me beija com toda verocidade. Às vezes eu ainda estranho. Margot é tão diferente de Skylar... principalmente quando me beija, pois seu toque é veroz, urgente e selvagem, já o de Skylar é simples, delicado e repleto de carinho. Doces toques de sutileza.

Margot era uma noite tempestuosa, era conhaque e uma terra selvagem. Skylar era primavera, chuva em uma tarde de verão, era suco de uva e um jardim secreto de flores delicadas...

As duas se pareciam na forma física, mesmo que em uma forma distinta, ainda se pareciam sutilmente. Como o comprimento do cabelo (passando um pouco do ombro), ambos eram negros brilhantes, as duas possuíam olhos azuis, pele clara. Haviam as diferenças, é claro. Margot tinha plástica no nariz e também tinha feito alguma coisa para dar volume aos lábios, Margot era muito mais branca e seus olhos eram quase violetas de tão azuis. Ele era mais alta, e mais magra que Skylar. Os seios também eram maiores, mas posso dizer que as duas tinham um temperamento difícil e ambas eram determinadas.

Não sei ao certo se isso tinha alguma ligação, mas algo nelas, talvez o fato de serem parecidas me atraía...
Mas apesar de tudo, apesar de Margot ser ousada e Skylar ser destemida, apesar de todas essas coisas, era em Sky que eu pensava todos os dias. Mesmo com Margot, mesmo dormindo, mesmo quando não querendo pensar, era nela que minha mente se projetava.

Ela estava em todos os lugares mesmo quando não estava.

- Não, Margot. Não dá... Por favor, desculpe, mas não dá. ____ me levantei e caminhei pelo quarto minúsculo.

- Como assim não dá?

- Não dá, tá legal?

- Por que? O que quer dizer com isso? ____ ela caminha até mim e tenta me puxar de volta para a pequena cama.

- Não.

- Ok. Não vou forçá-lo a nada.

- Me desculpe... é... só...

- É só que a Sanderson não sai da sua cabeça. ____ ela conclui.

- Sim. É isso.

Ela me encara, dá batidas ao lado da cama para eu me sentar. Faço o que ela pede.

- Sabe, eu não me importo nem um pouco de ela estar nessa sua cabecinha o tempo todo. Sou eu quem estou em seu corpo...____ Ela ela me dá um selinho. ____- Pare de se sentir culpado, garoto. Vamos. Vamos deitar. Prometo não lhe provocar.

E assim ficamos, deitados em uma cama pequena jogando conversa fora.

Às nove da noite alguém bateu, Margot se levantou primeiro e correu para abrir a pequena porta do lugar.

"Paul" sussurrei pra ela.

Nessa hora acontece algo estranho, ela simplesmente fica parada com a porta entreaberta encarando o visitante lá fora, depois em um movimento rápido, joga seu peso contra a porta tentando fechá-la. Eu me sento na cama com aquela situação inusitada, uma pequena mão do lado de fora passa entre a porta pedindo passagem, Margot empurra mais uma vez, mas alguém do outro lado empurra com mais força e Margot desiste se afastando. Ela fica parada quase atrás da porta e cruza os braços. Seu rosto se fecha. Tudo acontece muito rápido que mal dá tempo para abrir a boca e perguntar o que estava havendo.

Dou um pulo da cama quando Sky atravessa pela porta, com um blusão cinza e legging preta.

- Skylar?!

Ela para ao lado de Margot e fixa com os olhos cheios de água, sobre em mim. Sky aperta os lábios e seu nariz está vermelho causado pelas lágrimas.

- Olá, Dylan.

- Sky...

- Então é assim? Você me liga pedindo perdão enquanto Margot está na sua cama? Que tipo de homem é você? Que tipo de droga de brincadeira você acha que quer brincar comigo? ____ ela grita.

Olho para Margot e a única reação que eu vejo nela é desdém. Tédio.

- Não. A-a Margot só estava...

- Você vai mentir agora? Que pessoa é você que eu não conheço mais! Eu realmente casei com um completo desconhecido...

- Margot... p-p-p-ode nos dar licença? Por favor?

- Não, não, não, não... ela fica!

Margot não move um dedo. Continua de braços cruzados com cara de paisagem.

- É assim que você me pede perdão? Você é a droga de um cretino! Seu mentiroso! Você nunca me amou! Eu venho aqui para conversar com você, dar uma chance para nossa família como você mesmo disse, tentar ouvir o seu lado e é assim que você me recebe! ____ Sky começa a chorar, com olhos quase fechados e os cantos da boca repuxados de tristeza.

- Não... Não foi assim.

- Não foi assim o quê? Por que você vai mentir para ela agora, Ben? Conte a verdade.

- Que verdade? ____ Sky olha para Margot.

- Cale a boca! ____ rosno para ela.

- Conte!

- Cale essa boca, Margot!

- Verdade que Ben e eu estamos juntos. Como sempre foi para ser. Ele só não quer dizer porque está com medo de você. ____ ela bufa.

Sky me olha com olhos tristes.

- Eu sei que é verdade. Eu só queria que você tivesse sido sincero comigo, Dylan. O que eu fiz pra você? Eu sei que nunca tive muito para oferecer, mas você disse que eu bastava... quando foi que deixei de ser suficiente para você? Para nossa relação? ____ Skylar fala como se tivêssemos à sós no pequeno quarto. Há um abismos entre nós cada vez se abrindo mais.

- Você é... sempre foi suficiente para mim. Sim, eu posso ser todas essas coisa que você disse, mas eu nunca menti pra você. Eu... Você sempre foi tudo o que eu precisei, Skylar...

- O que? Dylan, você está se ouvindo? Se eu sempre bastei pra você, porque estamos aqui agora? Por que ela está aqui?

- Porque ele nunca me esqueceu... ____ Sky não parece ter ouvido Margot.

- Eu... Desculpe, eu não sei o que dizer...

- É. Não sabe. Deveria ter pensado nisso antes de abrir a sua boca para dizer todas aquela ilusões. Eu... tentei fugir de você... eu não queria e porque você não me deixou em paz? Eu estava bem sozinha, porque você não me deixou em paz, Dylan Evans? Para me fazer passar por tudo isso?!

- Eu me apaixonei por você, Sky... Acha que eu posso controlar isso?

- Pois não deveria. Não quando seu coração ainda pertencia à outro lugar.

O silêncio se instala entre nós. Margot encara o chão, Skylar fecha os olhos e levanta o rosto enquanto chora. E eu vejo seu coração se partir.

Deus, o que foi que eu fiz?

- Quantas vezes teremos que nos despedir, Dylan? ____ ela repete o que lhe disse na noite em que saí de sua casa. ____- Eu gostaria nem ter deixado acontecer pela primeira vez, mas esse poder não está nas minhas mãos. Eu me rebaixei tanto... Engoli meu orgulho, quebrei todas as regras por amar você como uma tola. Dirigi por uma hora até aqui... Me rebaixei moralmente tanto por amar você... Para quê? Para descobrir que na primeira oportunidade você desistiria? Sabe de uma coisa? Eu não ligo mais para o que você fez ou deixou de fazer pelas minhas costas, você foi... fez a pior coisa que poderia ter feito: me fez acreditar, me deu esperanças...

Sky começa a soluçar e eu caio de joelhos aos seus pés. Mas uma vez sou a causa de suas lágrimas, tudo porquê não deixei meu passado para trás, tudo porquê deixei Margot me controlar.

- Eu não quis... me perdoe... Eu nunca quis magoar você. ____ abraço sua cintura e ela tanta sair, sem muito sucesso.

- Eu só não queria ter perdido meu tempo com você...

- Não diga isso.

- Eu já chorei lágrimas o suficiente com você, mas isso acabou...

- Não diga, por favor, não diga...

- Eu te amo tanto e isso me consume. Mas acabou por aqui...

- Skylar, não, por favor... Por favor...

- Você foi feliz sem mim, quando eu estava quase morrendo por você, mas o amor não é justo, ninguém vai te amar como eu amei você, mas esse é  o fim. Se eu não sou tudo que você precisa, se eu não sou a única pra você, estou te implorando, por favor, me deixe ir. Se eu não sou tudo que você precisa... Seus olhos só me contam mentiram. Não adianta se ajoelhar ou gritar. O amor acabou aqui.

- Eu sinto tanto... por que teve que ser assim?! ____ sinto meu ombros sacudindo enquanto choro agarrado aos pés de Skylar.

- Você fez suas escolhas e vou respeitá-las. Eu não queria ter que me despedir, mas metade de você é insuficiente pra mim. Eu não vou brigar por você... Não valeria a pena quando você quer estar em outro lugar. Você já não pertence à mim. Me deixe ir...

- Não, não, não, não, não...

- Amar também é deixar partir, Dylan, amar é abrir mão. Eu amo você, por isso o deixo partir, então me deixe ir também, Dylan. Se me ame, me deixe ir...

- Eu não aguento, não posso, por favor, não me peça isso...

Sinto algo me puxando, tentando me reerguer. É Margot, ela me levanta com dificuldade.

- Deixe ela ir, Dylan. Deixe-a. ____ pela primeira vez vejo Margot me olhar dessa forma, com olhos sinceros, sem maldade. Sua voz é calma, sem rancor ou raiva.

Olho para Skylar, seu rosto está repleto de dor.

- É melhor terminarmos por aqui, enquanto ainda não nos odiamos, porque eu amo você demais para odiá-lo. Temos que ser justos com nós mesmo. Acabou, Dylan. Apenas acabou. Acho... acho que o amor da sua vida é sempre o que não podemos ter... Você foi uma parte boa da minha vida, mas acabou por aqui... Vamos providenciar o divórcio. ____ ela engole o seco. Tento me aproximar dela mas Margot me impede. Skylar abre a porta e se e diz sem se virar. ____- Tenha uma boa vida.

E se vai.

Ela se vai e não olha para trás. Não há um último olha, um último beijo e nem um último toque. Apenas acabou. Margot me segura para não correr atrás dela e eu desisto quando sou tomado pelo desespero da consciência do que acabou de acontecer.

Acabou.

Acabou sem nenhum despedida. Acabou por que fui tolo demais para perder alguém que eu tinha por completo. Alguém que era totalmente minha sem nenhuma resistência.

Apenas acabou e não me deixaram ir atrás dela.



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