História Um Infinito de Verão - Capítulo 3


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amizade, Amor, Drama, Novela, Romance, Traição
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Palavras 1.727
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção Adolescente, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Heterossexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 3 - "A ferida da sua ausência."



Skylar

Abro os olhos sonolenta.
Me viro para o lado direito e Dylan está de costas para mim. O dia já está claro, mas provavelmente ainda é muito cedo.

Ele está gemendo, penso ser apenas impressão minha e me apoio no cotovelo para vê-lo melhor.
Dylan está com os braços cruzados sobre o peito e sua cabeça está enterrada na cama em meio aos travesseiros e lençóis. Seus ombros se sacodem levemente e ele geme.

Ele está chorando enquanto dorme.

Toco em seu ombro.

- Ei, ei? ____ sussurro em seu ouvido.

Ele continua gemendo e chorando.

- Dylan? Amor, acorda...

Ele abre os olhos espantado e se senta. Olha para os lados confuso.

- Skylar? Skylar? ____ ele fala alto me procurando.

- Estou aqui... ____ toco em seu ombro. Ele me olha e seu rosto se alivia.

Dylan pensa um pouco. Seus olhos estão marejados. Ele está ofegante e desnorteado.

- Ei... O que foi?____ deito ele de volta na cama e o abraço. ____- Está tudo bem.

-Eu...

- Você estava chorando.

- Acho... que estava sonhando. ____ ele passa as mãos no rosto e suspira fundo.

- Sim. Era só um sonho. ____ ele assente. ____- Volte a dormir, sim? Ainda é muito cedo...

Dylan me abraça forte como se procurasse abrigo. Meu coração aperta.
Que tipo de sonho ele estava tendo para o deixar aflito dedar jeito?

-Estou aqui... Durma tranquilo, está bem?

Ele balança levemente a cabeça e logo volta à cair em um sono profundo, dessa vez, sem sonhos.

                                    *

Dylan está bem calado. Não comentou nada sobre hoje de manhã. Ele só fala quando falo com ele, ou apenas assente com a cabeça.

Quando tomávamos o café da manhã, ele parecia distante, pensativo... Não tenho certeza mas acho que estava lembrando do sonho.
Ele não disse nada, mas acho que vai sair. Ele se arrumou e pegou a carteira.

Aqui do sofá pergunto:

- Você está bem?

- Sim... ____ ele se senta ao meu lado.

Espero ele falar mais alguma coisa, mas não sai nada.

- Então... O que você estava sonhando? ____ pergunto como quem não quer nada.

- Nada.

- Por que você está mentindo?

- Não estou mentindo.

- Você estava chorando, Dylan. Chorando. É claro que você estava sonhando com algo.

Ele fita o chão.

Para falar a verdade, não é de ontem e nem hoje que Dylan tem estado estranho.
De alguns dias para cá, ele tem ficado mais calado que o normal. Pensativo...

Uma semana atrás, quando Katherine ligou pela vigésima vez implorando para que voltassêmos logo porque ela decidiu que quer se casar o mais rápido possível, achei que Dylan protestaria, diria que não, porque afinal, não tínhamos pressa para voltar. Eu olhei para ele toda desconfiada e lhe disse: "Vamos voltar, amor? Kat não vai se conformar até estarmos em casa..." ele apenas me olhou e disse: "Tudo o que você quiser." Isso foi beeem estranho, mas não disse nada. Talvez eu quisesse mesmo voltar. Katherine quer se casar o mais rápido possível e vai precisar de mim. Segundo ela, sua desculpa é porque não quer se casar com o rosto inchado ou com a barriga grande, mas nós sabemos o quanto ela é grudenta e não vê a hora de estar casada com meu irmão para poder chamá-lo de "seu".

Então aqui estamos, de volta para nossa casa, prestes a encarar uma nova rotina.

Reparo que Dylan fica desconfortável quando falo sobre hoje de manhã.

- Se... se importa se eu sair? ____ ele fala baixo.

- Não. ____ Não quero perguntar para onde ele pretender ir, não quero ser uma mulher grudenta, afinal, Dylan tem a própria vida, mas estou realmente curiosa.

Ele levanta e pega a chave do Audi em cima da mesa de centro.

- Não se importa mesmo? ____ ele pergunta mas não parece estar muito interessado na resposta.

- Não... Tudo bem. Mas... para onde você vai? Vai voltar para o almoço?

- Acho que não.

Ele se vira para mim, e beija meus lábios.

- Mas...

- Não se preocupe comigo. Não estarei longe.

Ele diz me lançando um sorriso, abre a porta e sai.

É a primeira vez que ele age assim, não diz para onde está indo e parece um pouco abatido. Sei que alguma coisa não está normal, não vou pressioná-lo, obrigar à dizer algo que ele não queira.

                                 *

No resto do dia daquela quinta-feira, dia 21, aproveitei para dar uma arrumada na casa e guardar as roupas da viagem. Dylan não mandou torpedo e nem sequer ligou. Tentei manter a indiferença e não me preocupar com nossa "situação".

Às quatro da tarde, Dylan ainda não havia chegado, então tomei um banho e liguei para Kat.

- Você já está em casa?

- Olá, Katherine. Sim, estou bem, obrigada. ____ digo com sarcasmo.

- Ah, Sky. Deixa de drama!

Reviro os olhos.

- Sim, venha em casa. Já chegamos .

Ela dá risinhos do outro lado da ligação.

- Ahhhhhh... Vocês vieram mesmo! Finalmente posso me casar, então!

- É, Katherine. Você já pode se casar. Quer casar agora mesmo?

- Não me diga isso, porque você sabe que se eu pudesse casava mesmo! Ah, mas infelizmente precisamos organizar alguns detalhes ainda...

- Dylan já disse que você pode fazer a festa que quiser, porque ele vai dar de presente à vocês.

- Ah, Sky... Você não tem idéia de como eu gostaria de poder aceitar. Mas mamãe e Josh tem razão, somos adultos agora e somos pobres, temos que nos virar com o que dar. ____ A voz da Kat fica desanimada.

- Kat...

- Esquece isso, Skylar. Está tudo bem, o que importa é que Josh e eu vamos estar casados em poucos dias, e nada é mais importante que isso. Nem que seja só eu de vestido qualquer, Josh e um padre ou juízo de paz.

Sei que Kat está dizendo isso apenas para tentar convencer ela mesma que isso é o melhor.

- Bom, você que sabe...

- Onde está Dylan?

- Ele... saiu. Daqui à pouco está de volta. Venha aqui amanhã. Quero aproveitar os últimos dias de tempo livre antes de voltar para a casa dos Kellan.

- Uhuul!! Você tem presentinhos para sua melhor amiga?!

- Tchaaaaaau, Kat! Até amanhã! Chegue cedo! ____ grito e encerro a ligação.

Vou a para a cozinha e prepraro um lanche da tarde. Olho o relógio. Quase sete da noite e nada de Dylan, então resolvo assistir algo na TV do quarto.

Meia hora depois Dylan chega.

- Hey... Eu... estava ficando preocupada...____ Me sento na cama.

Ele caminha até mim e me beija.

- Tudo bem?____ pergunto.

- Tudo...

-Então... como foi seu passeio?

Dylan se deita na cama e respira fundo. Abro sua camisa e beijo seu corpo.

"Estava com saudades..."

- Normal.

- Você não vai mesmo me dizer onde esteve o dia todo? ____ Tento manter meu tom de voz sereno, para que Dylan não pense que estou pressionando ele.

Ele fica em silêncio de olhos fechados, beijo seus lábios, mas ele não se move.

- Vamos lá, cachinhos dourados, me conte... Sou sua mulher agora.

Ele dá meio sorriso tristonho. Me afasto e sento na cama. Ele fica de costas para mim.

- Está bem. ____ ele suspira.

- Okay...

- Hoje... faz três anos...

Ele fala baixo sem me olhar.

- O que faz três anos?

- Que Alex... Que Alex entrou naquele carro e morreu.

Por um momento não me dou conta sobre o quê Dylan está falando. Penso que ele está dizendo coisas sem nexo.

- Mas quem era...

- Alex era meu irmão.

Pisco algumas vezes.

Como assim irmão?

Dylan não era filho único?

- Como assim "irmão"? ____ falo depois de alguns segundos.

- Irmão, Skylar. Meu irmão mais velho.

- Mas... Eu não entendo. Não sabia que você tinha algum irmão. Ele é só filho de um dos seus pais?

- Não. Era filho de Christian e Jennifer. Era meu irmão mais velho.

Me aproximo dele e o abraço por trás.

- Hoje faz três anos de sua morte.

- Ah, Dylan... ____ O aperto mais contra mim.

- Ele tinha vinte anos quando morreu.

- Eu sinto tanto...

- Eu sei...

- Quer falar sobre isso?

Ele fica bastante tempo em silêncio. Estou me corroendo de curiosidade para perguntar à ele sobre isso, mas ele começa a chorar. Primeiro em silêncio, apenas lágrimas escorrem pelo seu rosto e depois o choro fica mais alto e mais alto... Tanto como uma criança perdida. Ele soluça e seu rosto fica completamente vermelho.

- Amor... ____ ele se vira para mim e me abraça.

- E-eu sonhei com ele, Sky... Sonhei com Alex essa noite... ____ Dylan gagueja em meio aos soluços.

Eu não sei o que dizer. Nunca fui boa em consolar pessoas. Na verdade nunca sei o que fazer quando elas começam à chorar perto de mim.

-... ele dizia para eu não sentir tanto a falta dele, que ele estava bem. Mas eu sei que ele não estava... Ele morreu angustiado... Morreu com mágoa.

Deito Dylan na cama, e ele se encaixa em meu braço, coloco ele sobre meu peito.

- Como foi que isso aconteceu? Por que nunca falou disso comigo?

- É uma história difícil...

- Foi por isso que passou o dia fora? Estava... no cemitério?

- Também.

- Por favor me conte. Quero ajudar você. Se está angustiado, talvez seja melhor conversar um pouco. ____ ele balança a cabeça concordando.

- Ele... Éramos muito próximos. ____ Ele começa a contar baixinho. ____- Ele era a pessoa que eu mais amava, Skylar... Meu irmão era como um herói para mim... Éramos melhores amigos e... Ele lia para mim o tempo todo.

- Ele devia ser incrível...

- Ele era. Vivíamos juntos... E-eu sempre queria imitar ele, ser como ele até que... Dia 21 de Setembro de 2014 ele estava meio que viciado em calmantes já fazia uns meses. Nesse dia ele tomou muito e bebeu também. Saiu dirigindo em direção ao Freedom... Por algum motivo quase meia hora depois de sair de casa ele acabou dormindo no volante. Acabou batendo em alta velocidade em um ônibus...

- Céus...

Ele chora mais, soluça e chora.

- Ele morreu sozinho... Com a força da batida, seu pescoço projetou para frente e quebrou...

Tento falar alguma coisa, mas nada sai. Não tenho o que dizer. Não sei o que falar. Quero apenas ver meu amor bem, sorridente como ele sempre é.

- Meu Dylan...

- Nós não nos despedimos... Eu não o vi pela última vez...

- Amor...

Ele não parece me ouvir, Dylan só me aperta mais e chora. Gostaria de see capaz de entrar dentro dele e arrancar essa dor da sua alma.

Dylan passa praticamente a noite toda chorando, em silêncio...

Ele não me diz mais nada, e dessa vez eu não insisto.

Apenas o consolo com meus abraços e beijos. Amanhã será um novo dia e talvez o pergunte mais coisas. Talvez não...



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