História Um Infinito de Verão - Capítulo 6


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amizade, Amor, Drama, Novela, Romance, Traição
Visualizações 7
Palavras 2.092
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção Adolescente, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Heterossexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 6 - "Eu não te presenteio com estrelas, eu te trago melodias."



Skylar

"2017. 23 de Setembro.

É sábado à tarde. Dylan disse que hoje seu irmão, Alex, faria exatos vinte e três anos. Faria, se não tivesse morrido em uma acidente de carro à três anos atrás. Dylan está abatido, está calado... de novo.

Enquanto estou sentada no chão, encostada na cama, Dylan está sentado em minha escrivaninha perto da janela... Olhando para o nada, perdido em seus pensamentos. Provavelmente lembranças de Alex. De vez enquando ele limpa os olhos e olha para cima, tentando evitar que as lágrimas caem.

Estou triste por ele. Eles realmente pareciam muito ligados um ao outro.

Os pais dele ligaram hoje, ele conversou baixo ao telefone. Não sei sobre o que falaram. Não perguntei. Queria poder ajudá-lo, libertar meu anjo dessa dor... Infelizmente não possuo nenhum poder capaz disso.

Ontem Katherine disse acreditar que seu bebê é uma garotinha.

O meu era um menino...

Ela se casará daqui à dois domingos, estou ansiosa para isso e ela mais ainda.

Vou tentar animar Dylan. Não quero e não gosto de ver ele assim."

Depois de escrever em meu diário, olho para Dylan.

- Ei? ____ ele não ouve. ____- Ei?!

Ele me olha confuso.

- Oi?

- Tudo bem, ai?

- T-tudo...

Ele se levanta e deita na cama.

- Quer saber? Quero comer pizza! ____ levanto e pego o celular em cima da cama.

- É. Eu também. ____ Não há animação em sua voz.

Procuro em meus contatos o número de uma pizzaria mais próxima.

Peço uma grande de mussarela e quatro queijos.

A pizza chega depois de vinte minutos. Comemos ela no quarto mesmo.

Meu alegre e falante Dylan está calado e isso me incomoda, me incomoda muito.

- Hey... Lembra do nosso primeiro encontro no píer? ___ Tento parecer animada e nostálgica.

- Claro que lembro... Você estava linda naquele vestido.

Dou um sorriso sem graça.

- Você me deixou nervoso... ____ Ele comenta. ____- Eu nunca fico nervoso perto de garotas e você... Foi bem estranho...

- Sério?

- Aham... ___ Ele confirma com a cabeça.

- Isso é bom...

Dylan se cala de novo e se concentra em sua fatia de pizza.

Logo desisto de tentar manter o assunto com ele, não quero incomodar.

Às vezes, a dor precisa estar presente, ela faz parte da vida, faz parte de viver e vou deixar Dylan com a sua em paz.

Passamos o resto do sábado em silêncio, não em silêncio, silêncio, mas um silêncio do tipo "Pegue isso para mim?", "Claro", "Está com fome?", "Tá", "Ok", "Aham", "Não", "Talvez", "Hum" e talvez isso seja pior que o silêncio de não falar nada.

A noite foi a mesma coisa, Dylan se virou para o lado e dormiu sem cerimônias. Acordei de madrugada e levantei a cabeça para olhá-lo, ele estava de olhos abertos olhando para o nada.

Foi sinistro.

                   *            *          *

No domingo de manhã, as coisas pareciam melhores, meu anjo já está mais alegre e até engraçado. Lavamos roupas juntos, organizamos nossa casa e Dylan cozinhou. Ao cair da noite, fomos na casa dos meus pais, visitar minha família. Kat, Josh e Leilah se juntaram à nos na pequena cozinha de casa, que logo ficou super apertado e comecei a me sentir desconfortável. Desde o "episódio" onde fui obrigada a passar quatro eternos dias trancada em um compartimento minúsculo, não me sinto nada bem em lugares muito fechados ou com muita gente em pouco espaço. Não quis parecer desconfortável e Kat percebeu como estava me sentindo. Minha Kat, como uma boa amiga, sugeriu que fôssemos todos para a calçada, conversar sob o ar livre. Agradeci à ela em silêncio por isso.

Voltamos antes das onze, e foi maravilhoso passar um tempo com quem amo. Todos estavam leves e alegres, apenas conversando sobre coisas do dia-a-dia e rindo de alguma coisa fofa e engraçada que Jake fazia. Kendall foi sem Matt, que ficou em em sua casa, mas insistiu que minha irmã fosse jantar conosco.

Pude notar meu pais felizes. Minha mãe estava falante e eufórica, já meu pai parecia mais... aliviado. Acho que por ver todos os filhos de volta ao redor de sua mesa de jantar.

Então é assim. Essa é famosa felicidade. Quero dizer, aquele papo de "Felizes para sempre" não existe. É tudo historinha para crescermos acreditando que nossa vida vai ser como em um conto de fadas. Que um príncipe encantado virá aparecer, te pedir em casamento e lhe dar um castelo de mãos beijadas, aí terão lindos filhos e vai passar o resto da vida sorrindo e cantarolando sobre a vida no campo e sobre flores e coelhinhos fofos. Mas isso não existe. Nunca foi real. É tudo uma ilusão, mas talvez não seja tão ruim. Talvez quem criou tudo isso, foi apenas alguém que estava passando por um momento tempestuoso e precisava pensar em algo para aliviar o peso da vida, ou que queria apenas que as pessoas lêssem enquanto suspiravam imaginando a vida perfeita. Mas eu lhes digo uma coisa: A vida é essa. A vida vai lhe trazer dor, desespero, angústia, ilusão e provavelmente muitas lágrimas. E muita mais que isso, ainda vai ter muita dor de cabeça e boletos para pagar. Mas nem tudo é tristeza e desilusão, você também terá momentos assim, como este, momentos simples e que se tornarão tudo para você. Pequeninos momentos de sorrisos descontraídos e um simples jantar em família em uma mesa antiga, mas que você vai olhar ao redor e pensar consigo mesmo que você não trocaria aquele momento por nada na vida, e que tudo o que você deseja, é poder congelar aquele momento, fechar os olhos e saborear ele por muitas horas.

Foi o que desejei.

Mas do quê tudo na vida, quis que aquele momento ficasse ali para sempre.

                               *

Acordo às 7:18 da manhã. Dylan não está ao meu lado. Caminho sonolenta até a cozinha, e o homem mais lindo da face da terra está colocando panquecas em nossa mesa, vestindo apenas calça branca de moletom.

O sono se dissipa de mim e suspiro ao olhar seu corpo, cada parte de daquele lindo e delineado corpo.

Apenas meu...

Dylan me vê e abre seu belo e largo sorriso inocente de sempre.

"Meu Dylan voltou" penso.

- Minha bela dama...

- Meu belo cavalheiro... Posso saber por que já está de pé tão cedo?

Me sento na cadeira e Dylan coloca dois copos de suco de laranja em cima da mesa branca. Ele caprichou no café da manhã. Além das panquecas, há iogurte de frutas vermelhas, torradas e calda de caramelo.

- Ora, hoje minha dama volta para o trabalho e eu começo no Freedom. ____ ele se senta em minha frente.

- É. A vida vai começar de verdade. E já disse que você não precisa trabalhar...

- E eu já disse que obviamente preciso sim. Qual é? Você não vai ser a única que trabalha nessa casa. Sou um homem casado agora, preciso ser responsável.

- Você é responsável.

- Preciso ser mais!

Reviro os olhos.

- Ok "Senhor Responsável". ____ forço minha voz para parecer debochada.

Enquanto estou concentrada em melar minha panqueca com calda de caramelo. Dylan me acerta com pequenos pedaços de torradas.

- Nossa, você é tão infantil!

- É mesmo? ____ ele abaixa a voz. ____- Mas sinceramente, sou tudo o que você quiser.

Sua voz é baixa e sincera. O encaro por alguns segundos.

- Sim. Você é. ____ Olho profundo em seus olhos.

Ele me encara com um meio sorriso torto. Seus olhos me encaram fixamente como se tentassem desvendar algo dentro de mim.

"Vou continuar encarando ele até ele desistir."

Não tiro os olhos dos dele e então finalmente Dylan desiste.

Ele abaixa os olhos e ri.

- Sabe de uma coisa? Eu nunca vou à lugar nenhum. Aqui é meu lugar... Você é meu abrigo e... ____ ele pausa.____- Você é como um pequeno raio de sol entrando por uma fresta de um quarto escuro e frio... Mesmo que nunca tenha percebido, você foi o que eu sempre espere. Você foi o que esperei a minha vida toda...

Eu o encaro. Ele me encara de volta. Seus olhos percorrem meu rosto.

- Por que está falando isso?

- Porque eu amo você...

- Hummm... Só por isso mesmo ou você andou aprontando por ai? ____ brinco com ele.

- Você sabe que eu nunca brincaria com você desse jeito. ____ Seu rosto contínua sério.

- Tudo bem...

A expressão de Dylan se desfaz e em um milésimo de segundo ele volta sua atenção para a refeição.

Encaro ele ainda sem entender sua declaração repentina.

-Prometa para mim. ____ falo. Ele levanta os olhos e me encara confuso. ____- Prometa que nunca vamos mudar. Que sempre seremos um só.

- Eu sempre serei tudo o que você quiser. Eu sempre vou amar você...

- Prometa...

- Eu prometo que nunca vou à lugar nenhum. ____ ele alcança minha mão em cima da mesa e aperta. A liga de cabelo colorida está em seu pulso. ____- Em seus braços é o meu lugar e você é meu amor.

Sorrio.

- Obrigada.

Ao chegar na residência Kellan, tinha a esperança de encontrar as crianças e os pais delas, mas todo já haviam saído.

Toco a campainha várias vezes mas ninguém atende. Giro a maçaneta de metal e a porta.

Uma música toca inundando todo o apartamento. Está tocando One Last Time da Ariana Grande.

Fecho a porta e deixo minha bolsa dentro do armário de casacos.

-Oooi?? ____ Grito. ____- Oláaaa?

Olho ao redor e nenhum sinal de algum morador até ouvir uma voz vinda da cozinha.

Vou até lá e encontro Alayne de costas lavando louça e cantando alto. A cena é hilária.

Chego de mansinho atrás de Alayne. Toco com as duas mãos nas costas dela.

- BUUUH!____ grito.

O corpo dela se extremesse e ela vira rapidamente para frente.

- Você me assustou!

Caio na gargalhada.

- Que animação toda é essa? Ganhou na loteria?

- Não é pra tanto. Mas seria uma boa se isso acontecesse. ____ Ela me acompanha nas risadas e me abraça sem encostar as mãos molhadas em mim. ____- Senti sua falta. Que bom que está de volta.

-Ah, eu também...

- Se você chega um pouquinho antes, você encontra com Sophie e as crianças.

Ela se volta para a pia e continua seu serviço com pratos e copos.

-Então... como foi a lua de mel, garota? Achei que demoraria mais alguns dias?

- Que pena. Esperava encontrar meu amores por aqui... Pois é, a lua de mel foi maravilhosa, mas Katherine vai se casar semana que vem, e com muitas ameaças ela me convenceu à voltar...

Alayne ri.

- Posso até imaginar.

- Então, como as coisas estão por aqui?

- Na verdade estão muito bem. Ryan se meteu em uma briga na escola semana passada. Chegou com o olho roxo mas parece que deu um soco no coleguinha e Sophie teve que ir à escola. Rennie ia se apresentar na segunda-feira passada em um show de balé, mas ficou com tanta vergonha que chorou pedindo para não fazer parte da apresentação.

- Tadinha... E Ryan? Qual foi o motivo da briga?

- Parece que o garoto já estava provocando Ryan à um tempo.

- Espero que Sophie tenha resolvido isso.

A segunda-feira foi bem atarefada. O lugar estava bem empoeirado e tinha brinquedos por toda parte. Quando as crianças chegaram, seus rostinhos se iluminaram quando me viram e pularam para me abraçar. Rennie chegou a apertar tanto meu pescoço que machucou. O dia se tornou uma disputa de quem falava mais e mais rápido. O casal de irmãos não paravam de falar nem um segundo querendo contar tudo sobre o que fizeram o tempo que estive fora. Rennie só parava para tomar fôlego e começava um falatório infinito novamente. Às vezes Ryan se irritava com ela por ela não dar tempo à ele para cantar suas histórias, ele à olhava irritado e impaciente, mas sempre muito educado, deixava a pequena ruivinha falar.

Pensei chegar a sentir do nos ouvidos com tanto falatório. Eles não saíram um segundo do meu pé tagarelando o tempo todo sobre tudo ao mesmo tempo. Cheguei a me irritar algumas vezes mas respirei fundo e tive paciência com eles.

Um pouco depois das cinco, as crianças me deram uma folga e foram para o quarto fazer a tarefa de casa, aproveito o pequeno tempo livre para ir ao banheiro e acabei tomando um banho rápido. Percebi que minha calcinha estava manchada de sangue. Eu não tinha absorvente extra na bolsa, apenas uma calcinha, então lavei a suja e espremi até ela ficar quase seca. Enrolada em uma toalha, subi ao quarto de Sophie e procurei por um absorvente emprestado, tenho certeza que ela não vai se incomodar.

Quando a noite cai totalmente sobre o dia, Sr. e Sra. Kellan chegam, ainda fiquei uns bons quarenta minutos com eles conversando.

Ao sair, parei em um grande supermercado que tem três ruas depois do apartamento de Sophie. Comprarei absorventes e algo para a janta.



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