História Um Infinito de Verão - Capítulo 7


Escrita por:

Postado
Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amizade, Amor, Drama, Novela, Romance, Traição
Visualizações 6
Palavras 2.910
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção Adolescente, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Heterossexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 7 - "Você sabe que pode ficar difícil algumas vezes."


Depois de circular por alguns minutos tentando achar um vaga próximo à saída para estacionar o carro, entro no supermercado que está sem movimento, apenas com alguns funcionários andando para lá e para cá arrumando prateleiras ou discutindo sobre o local. O lugar é imenso. Já estive aqui algumas vezes para comprar coisas para as crianças ou produtos de limpeza, mas normalmente é Alayne que vem. Pego o celular no bolso de trás da calça e digito uma mensagem para Dylan enquanto procuro o corredor onde estão as prateleiras de absorventes.

"Meu adorável marido já chegou em casa?"   ____ Skylar.

Ando em círculos e acabo passando duas vezes pelo corredor que procuro para finalmente encontrar meu objetivo.

Meu celular vibra na mão avisando uma nova mensagem. Paro em frente a muitos pacotes pequenos de absorventes de todos os tipos e tamanhos.

"Seu adorável marido chegou faz quase duas horas. Esqueci de checar se tinha janta e não tem, compro alguma coisa? O que você quer comer?"   ____Dylan.

Digito de volta uma mensagem rápida.

"Estou no supermercado. Estarei em casa em poucos minutos. Levo a janta. Amo você."     ____Skylar

Depois de olhar algumas opções, pego um absorvente para noite e dois para o dia. Normalmente o para noite é mais caro.

Apesar de estar um tanto distraída em pensamentos de quê levar para o jantar e quanto vai custar minha pequena compra, tenho a sensação de estar sendo observada. Olho para o lado esquerdo é há um homem à uns seis metros de mim com um carrinho quase cheio de coisas. Ele me encara com uma expressão estranha e parece confuso. Fico desconfortável e finjo ler a embalagem do pequeno pacote que seguro. Não consigo ler uma palavra do que está escrito no verso do pacote porque estou atenta ao som das rodinhas se aproximando. Olho de novo rápido e o homem se aproxima devagar e parece estar meio sem jeito. Coloco na cestinha apenas os pacotes de absorventes que irei comprar e me viro para o lado oposto.

- S-Senhorita Skylar?____ Uma voz suave e tímida me chama, apesar  da voz ser grossa, não parece de um homem adulto. Me viro lentamente para o lado direito e encaro o homem parado a poucos metros de mim.

O carrinho em sua frente bloqueia minha visão de sua calça que só dá para perceber que é preta. Olho seus ombros e vou subindo até encontrar seu rosto com os olhos. Na verdade não é exatamente um homem. É um homem, mas em forma de rapaz ainda. Um jovem muito alto. Alto e musculoso. Sua camisa azul escura fica extremamente apertada em volta de seus grandes e grossos braços.

- Sim? ____ Respondo.

Ele arqueja e vejo quão jovem ele é. Seu rosto é juvenil e limpo. Há uma camada muito fina de barba recém cortada. Seus olhos são castanhos muito claro e cílios longos escuro. O nariz é pequeno mas achatado dando um charme particular em seu rosto de garoto. O cabelo está bem cortado e é mais escuro que seus olhos.

O rapaz é uns bons trinta centímetros mais alto que eu e seu corpo é grande e musculoso. Diria que ele tem cerca de vinte e cinco anos se não fosse pelo rosto de bebê.

Ele se aproxima de mim parando a dois metros. O rapaz abre a boca várias vezes tentando falar com um leve sorriso no rosto. Olho para os lados e há apenas dois funcionários muito distante no longo corredor.

- Nossa! A senhora... você mudou. Eu quase não a reconheci.

Ele me chamou mesmo de "Senhora". O cara tem duas vezes o meu tamanho!

Franzo a testa porque tenho quase certeza que já vi esse rosto antes, mas não consigo me lembrar.

- Desculpe, eu...

- Não lembra de mim? ____ ele fala alto, então abaixa a voz. ____- Cameron, lembra? A senhora foi minha babá algumas vezes. Eu morava no fim da sua rua com minha família. Minha mãe pagava você para cuidar de mim a noite.

Céus...

- Cameron Jensem?! ____ Olho o garoto dos pés à cabeça várias vezes. Seus rosto se ilumina quando percebe que o reconheço. ____- Oh. Meu. Deus. Garoto é você mesmo?

- Sim! ____ Ele abre um sorriso.

- Mas como? Céus, da última vez que eu o vi, você ainda era uma criança!

- Bom, as crianças crescem... ____ ele fala tímido.

- E pelo jeito crescem muito! Eu não sou muito mais velha que você e olhe o seu tamanho! Que idade você tem?!

Não consigo disfarçar o quanto estou boquiaberta com a situação. Eu cuidava desse garoto, na verdade dele e da irmã mais nova. Quer dizer, não cuidava, cuidava, penas ficava de olho neles enquanto os pais saíam por algumas horas. Eu tinha uns quinze anos e ele era uma criança tímida e inteligente.

- Acabei de fazer dezesseis, senhora.

- Meu Deus! Você é um homem agora! Como foi que cresceu tanto? Como está sua irmã?

- Hilary vai fazer doze anos semana que vem. Estamos bem,  moramos aqui perto. Dá para ir andando.

Lembro da pequena Hilary, ela era tímida como o irmão e curiosa. Sempre que ia cuidar deles a noite, ela corria para o quarto com seu gatinho e não saía de lá para nada. Às vezes eu tinha medo porque ela se trancava no quarto e não fazia um som sequer e de vez enquando gritava para saber se ela estava bem. Ela apenas respondia com um "Aham". Geralmente, Cameron ficava vendo documentários na tv ou lendo algum livro até os pais chegarem, eu o acompanhava. Basicamente eu era paga apenas para ficar sentada no sofá por no máximo três horas e as vezes fazer algum lanche para as crianças e só. Cameron era muito bonzinho. Sempre quieto e atento à tudo.

- Nossa... Eu... faz tanto tempo que não via você. Olhe só, você é um homem agora. Você está imenso! Como você cresceu tanto em quatro anos??

- Eu fiquei doente logo depois que nos mudamos para cá, a senhora deve lembrar, eu era gordinho mas emagreci muito depois de adoecer. Minha mãe teve que me dar muitas vitaminas para ganhar peso e ficar saudável. Depois de alguns meses acabei crescendo e ganhando massa. ____ ele dá de ombros. ____- Mas a família do meu pai tem essa genética mesmo. São todos grandes.

Eu lembro. O Sr. Jensem era realmente alto.

- Uau. E como sua mãe está?

- Ela está bem. Meus pais se separaram logo depois da mudança. Meu pai casou de novo e mora em outro estado. Ele tem um filho de dois anos. Hilary e eu vamos para lá todos os verões. Minha mãe casou de novo também, mas meu padrasto tem a própria casa. Apesar de tudo estamos felizes assim. Temos uma vida boa.

- Entendo. Sinto muito por seus pais, mas fico feliz em saber que estão bem.

- Obrigado, senhora. ____ ele sorri.

- Por que está me chamando de "senhora", garoto? Sou tão jovem quanto você e não sou mais sua babá.

Cameron fica sem graça então gargalho para aliviar a situação.

- Cara, estou brincando com você! Mas sério, sou só a Skylar de antigamente. Nada mudou, quer dizer, muitas coisas mudaram, mas... ah você entendo o que quero dizer.

- Sim, entendo. ____ rimos juntos. ____- E você ainda mora no mesmo lugar?

Meu celular vibra. Olho visor.

"Quando você chegar aqui, não estranhe se apenas o pó de meus ossos estiverem sobre o sofá... Você está demorando muitooooo. Cadê você?" ____ Dylan

Volto a colocar o celular no bolso.

- Ah, não. Não moro mais com meus pais. Agora tenho minha própria casa. Moro com meu namor... Quer dizer, marido.

Ainda é estranho dizer isso em voz alta. Dylan e vivemos brincando dizendo "mulher" e "marido" um para o outro, mas quando se trata de falar isso pra valer ou dizer às pessoas, soa muito estranho.

Cameron arquea as sobrancelhas quando digo "marido". Seus rosto assume uma expressão confusa.

- Marido?

- É, pois é. Eu casei. Agora sou a Senhora Evans.

- Nossa... ____ ele pisca algumas vezes. ____- Você casou mesmo? Mas é tão jovem.

- Ai, eu sei Cameron. Mas não sei, não havia motivos para não casar, entende?

- É, talvez. Nossa, eu realmente fiquei de coração partido agora. Sabe, eu passava dias torcendo para minha mãe ter alguma coisa para resolver e chamar você para cuidar de nós. Eu era um apaixonado por você e queria qualquer desculpa para tocar na garota que eu esperava o momento certo para pedir em namoro.

Cameron ri de si mesmo, um riso tímido mas sei que é sincero. Eu nunca soube que ele era afim de mim, ele era tão tímido e calado, ele ainda continua tímido, mas está mais solto e a vontade consigo mesmo.

- Esperei tempo demais! Agora perdir chance totalmente.

- Você era apaixonado por mim?! Eu nunca soube disso!

- Acho que todo mundo já foi apaixonado pela babá alguma vez na vida! Eu achava você o ser mais puro da face da terra. Para mim você era a linda e intocável Skylar Sanderson... Eu ficava treinando o que dizer para você toda vez que sabia que você ia em casa, mas chegava na hora eu ficava tão nervoso que acabava não dizendo nada! Mas, você ainda continua linda...

Sinto que coro, então desvio o olhar. 

- Obrigada, Cameron. Você também está incrível!

A conversa se prolongou por mais uns vinte minutos. O tímido Cameron me fazia rir de cada história relembrada. Ele mudou muito e para melhor. Posso ver que ele ainda é uma criança, uma criança grande, mas de uma forma madura. Ele nunca altera seu tom de voz e há sempre um sorriso tímido e fácil em seu rosto. Ficamos ali, um de frente para o outro em pé como dois velhos amigos. Cameron me contou que é  jogador de futebol na escola particular de Diamond Withe e que Hilary namora escondido com um garoto de quatorze anos. Ele me fez prometer que visitaria sua família qualquer dia desse.

Cameron me contou uma história do dia em que ia me pedir um beijo, foi uma das últimas vezes que cuidei dele. Lembro desse dia, ele estava inquieto e suava muito, pensei que ele estava passando mal, mas cada vez que eu perguntava à ele o que ele tinha, ele apenas respondia que não era nada e então ele foi ao banheiro tomar coragem para pedir o beijo e acabou vomitando de nervoso e então desistiu.

Trocamos nossos números e acabei dando uma carona a ele para casa.

Cheguei em casa depois das oito e Dylan estava vendo TV.
Vou direto para a cozinha e coloca a lasanha no forno para esquentar. Tiro a blusa e fico apenas de calça e sutiã. Volto para a sala e pulo no colo de Dylan o beijando no pescoço.

- Meu bebê estava com tanta saudade assim?

- É apenas a projeção da minha alma que está aqui. Você me deixou tempo demais esperando. ____ ele faz uma voz chorosa.

- Ah, é claro. Porque você está grudado no sofá e é impossível levantar e procurar algo para comer até eu chegar.

- Mas foi você quem disse que não precisava comprar nada que já estava chegando!

- Mas eu me atrasei. Pare de ser um bebê reclamão que a lasanha já está no forno.

Dylan me afasta de seus rosto.

- Você comprou lasanha para o jantar?

- Sim. Qual o problema?

- Lasanha não é janta.

- É janta quando você come no jantar!

- Seu homem precisa de comida de verdade, Senhora Evans.

- Infelizmente essa noite meu homem vai ter lasanha para o jantar. E não reclame. Comida é comida.

- Argh.

- Não reclame ou devolverei você para seus pais.

- Acho que você não leu as letras pequenas. Estava escrito "sem devolução"

- Céus! Estou perdida! ____ saio do colo de Dylan e tiro a calça. Vou em duração ao quarto e em enrola em minha toalha. ____- Amor! Desliga o forno, por favor?!

- Claro.

Tomo um longo banho e lavo o cabelo. Vou a sala, pego minhas compras e guardo no quarto. Ainda enrolada na toalha, coloco apenas uma calcinha e vou para a cozinha.
Dylan colocou pratos e talheres na mesa e centralizou a lasanha.

- Tem algum suco? ____ digo sentando na cadeira.

Dylan abre a geladeira e tira de dentro um suco de caixa de uva.

- A última.

- Precisamos fazer conpras.

- Urgente. ____ ele se senta a minha frente.

- Então, me diga como foi seu primeiro dia de trabalho.

- Massante. Entediante. Chato.

- Nossa! Realmente deve ter sido incrível!

Dylan respira fundo e se concentra em cortar um grande pedaço de lasanha.

- O que foi?

- Não me vejo trabalhando lá.

- É só seu primeiro dia.

- Meus pais já tem aquele lugar à um bom tempo. Eu sei como tudo funciona. Ia sempre quando era mais novo. Não é nada novidade.

- Então qual é o problema?

Dylan reflete um pouco.

- Sabe quando... quando você sente que ainda não encontrou seu lugar? Eu não quero ser supervisor dos funcionários do Freedom.

Cara. Sério. Parte de mim entende o que Dylan sente. Mas fala sério! Ele é filho dos donos do lugar e vai ser proprietário futuramente! Tenho certeza que ele praticamente não vai fazer nada lá! Não vai ter trabalho nenhum de verdade. Ele faz o próprio horário e se decidir que não quer ir trabalhar ele simplesmente não vai. Ok. Sei que Dylan é muito sério e responsável, e que dificilmente irá agir dessa forma, mas é uma realidade. Quantas pessoas não queriam simplesmente ser um garçom daquele lugar? Dylan vai receber horrores pra fazer quase nada. Ele está reclamando de barriga cheio.

Decido ficar calada e respondo com apenas um "Aham".

Comemos por uns minutos em silêncio.

- Desculpa ser um péssimo marido. Como foi seu dia??

- Maravilhoso. ____ dou de ombros. ____- Estava com saudade da minha rotina. As crianças me estressaram um pouco, mas me senti mal por isso. Elas não pararam de falar nenhum segundo e isso quase me enlouqueceu. Mas sei que é apenas saudade.

- "Rotina". ____ Dylan sorri sarcasticamente. ____- Você ama essa palavra.

Solto meu garfo no prato e olho para ele.

- Sabe qual é o seu problema, Dylan? Desde quando conheço você, você diz que não se sente confortável em nenhum lugar e que ainda não achou sua "vocação para a vida". ____ faço as aspas com os dedos. ____- Mas é que você simplesmente não saí para procurar seus horizontes. Você só reclama e não toma atitude nenhuma. Acho que você só está entediado.

Dylan me olha um pouco surpreso e talvez até magoado. Digo a mim mesma para não me sentir mal por falar dessa forma. Afinal, é para o bem dele mesmo.

Lembro de uma vez quando Dylan me disse que não gosta de ficar muito tempo no mesmo lugar. Talvez esse seja o problema.

- Não me olhe dessa forma. É a verdade. E sabe o que eu acho? Acho que você está a muito tempo no mesmo lugar e ainda não percebeu que isso está te deixando louco.

- O que quer dizer com isso?

"O que você quer dizer com isso, Skylar?"

Respiro fundo.

- Esquece. Eu nem sei o que estou dizendo.

- Diga, Skylar! Fala tudo o que você pensa!

- Okay. Então devo dizer que você reclama estando no Havaí, deitado em uma rede na sombra tomando água de côco. Você é rico, poxa! Tem saúde, é bonito pra caramba, seus pais estão do seu lado o tempo todo e você é casado com uma mulher maravilhosa! Sua vida é linda e você é inteligente! O que mais você quer da vida?

- Você acha que só porque meus pais tem dinheiro, tudo está resolvido! A vida não é assim! Não se resume tudo em algumas notas de dólares!

- "Algumas notas de dólares"?! Você está brincando, não é? A droga dessa mesa que sua mãe comprou é equivalente a um dia e uma noite de que minha mãe fatura na lanchonete. Seus lindos reloginhos de ouro custam mais que a festa de casamento de Katherine. Ela está triste por não ter uma festa linda e grande como sempre sonhou? Ah, sim, ela está, mas ela não se importa sabe porquê? Por que tudo o ela quer é de casar com Josh o mais rápido possível!

Percebo que estou gritando desnecessáriamente.

- Você está bem? Não está falando coisa com coisa!

- Você entende o que quero dizer! A droga da sua vida é perfeita mas tudo o que faz é reclamar! Você vai ganhar quase três mil dólares fazendo nada e está com essa cara de enterro. Acorda para vida, Dylan! Deixe de ser um bebê chorão e aprecie o quanto você tem sorte!

Pego meu prato de lasanha e vou para o quarto. Dylan fica me olhando sem entender nada, mas no fundo sei muito bem que ele entende o que quero dizer.

Que droga. Agora realmente me sinto mal por agir assim. O que deu em mim?

Talvez seja apenas estresse. Só tenho que me habituar na minha nova vida.

Dylan não entra no quarto nem mesmo quase na hora de dormir. Vou até a cozinha e lavo a louça, ele levanta vai até o antigo quarto de Josh e fecha a porta. Depois de enxugar as mãos dou duas batidinhas na porta do quarto.

- Dylan... Me desculpe, eu não quis dizer que a mesa que sua mãe comprou para nós é uma droga... Eu... só estava cansada e... Eu não quis ser rude. Pode me desculpar?

Ele fica em silêncio e reviro os olhos.

"Garoto mimado"

Com o indicador dobrado, dou uma pequena batida de novo.

- Está desculpada. ____ ele fala firme.

- Então venha para cama!

- Vou dormir aqui.

- Faça o que quiser.

Vou para o quarto e bato a porta.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...