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História Um irá morrer antés de chegar lá - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


oii gente,,,,

espero que gostem do meu xodó que venho escrevendo há um bom tempo;

ps: aceito doações de capa pq simplesmente não tenho paciência pra fazer :)

Capítulo 1 - Um.


Mark começou a achar que buscar alimentos no meio da noite talvez tenha sido uma má ideia. Não por falta de avisos incessantes de seus amigos e principalmente do líder do grupo, mas sua teimosia geralmente fala mais alto e a vontade de achar seu salgadinho preferido estava começando a deixá-lo louco. E então, com a maior mochila que achara e o fiel companheiro, seu taco de beisebol, Mark saiu de seu abrigo no meio da madrugada, enquanto todos dormiam, rumo ao mercado que ele e seus amigos haviam avistado no dia anterior.

   A pior parte de viver em um pesadelo é a constante certeza de que não importa quantas vezes você se belisque ou jogue água em si mesmo, aquilo é real e pessoas estão morrendo ou se transformando em criaturas monstruosas que se alimentam daqueles que ainda estão vivos. Fazia um ano desde que a nação se pôs em sinal de alerta para um possível vírus, e fazia seis meses que grupos de pessoas passaram a ter que lutar pela sobrevivência. Nunca foi dúvida para Mark que o mundo um dia acabaria, e talvez por isso ele seja sempre tão descuidado quanto a própria vida, ou talvez seja por que lá no fundo ele ainda acredite estar preso dentro de um simples pesadelo. Um longo e cansativo pesadelo.

   O arrependimento começa a correr pelas veias quando o garoto ouve passos, quebrando o silêncio profundo que se encontrava o mercado. Eram passos arrastados vindos do corredor ao lado, e Mark sabia exatamente o que era. Sua respiração ficou pesada e, se apoiando nas prateleiras, ele fechou os olhou e tentou se acalmar.

   É só um. Você já fez isso milhões de vezes. Relaxa. Uma pancada na cabeça e já era.

   Talvez essa seja a pior parte de sobreviver ao apocalipse: não importa quanto tempo passe, não importa se são cem zumbis ou apenas um, Mark sempre tem a plena certeza de que vai morrer. Mesmo sendo calculista, preciso e sempre mostrando certa tranquilidade ao encarar os mortos-vivos, o medo nunca vai embora. 

   Respirando fundo e tentando ser o mais silencioso possível, Mark colocou a mochila no chão, pegou o taco e seguiu pela direção contrária à que os passos estavam se dirigindo. Ao virar o corredor, ele pode ver a figura se arrastando lentamente. A distância não permitia que a criatura o notasse ali pelo cheiro, então ele precisava ser rápido, mas não podia correr. Seus batimentos ficavam cada vez mais rápidos e tão fortes que parecia ser possível ouvi-los de longe. Enquanto tudo acontecia em segundos na sua cabeça, Mark se movia mais devagar que nunca. O medo deu lugar ao pavor e por mais que estivesse em clara vantagem, ele se despedia mentalmente de seus amigos, querendo profundamente voltar no tempo e não sair da casa em que eles ficavam.

   Chegando à certa distância, Mark correu até o zumbi e acertou sua cabeça em cheio com toda força que conseguiu, olhando-o cair contra a prateleira ao seu lado. O garoto soltou a respiração que prendia em um suspiro longo e pesado, deixando o taco de beisebol de lado e apoiando as mãos nos joelhos, respirando fundo na tentativa de acalmar os batimentos. Ele repetia mentalmente que estava tudo bem e havia acabado, a criatura estava morta e ele podia pegar sua mochila e ir embora. O alívio, entretanto, apenas durou breves segundos, antes de Mark ser atingido e cair no chão, um zumbi caindo em cima de si. Mark se sentia impotente, empurrando e desviando, e não conseguindo pensar em fazer nada além daquilo. Tentara olhar em volta e procurar seu taco, mas as lágrimas que formavam em seus olhos tornavam tudo embaçado. 

   Por um momento, o pensamento de que esse seria o melhor jeito de morrer invadiu a mente do garoto. Ele estava sozinho, então ninguém se culparia. Ele morreria por pura e simples teimosia e a culpa seria inteiramente dele. Ninguém falhara ao tentar salvá-lo e ele não estava falhando em salvar ninguém. Talvez os amigos o perdoassem mais rápido se soubessem que morrer não era problema algum para Mark. O problema era deixa-los para trás; a pior parte de estar prestes a morrer é não conseguir pensar em nada além de como tudo seria diferente se ele ao menos tivesse pensando em deixar um bilhete de despedida caso algo desse errado. Ele nunca esteve tão perto da morte como naquele momento porque nunca havia ficado sozinho desde que tudo aquilo começou. E agora entendia o real motivo de sempre precisar ter alguém por perto. Morrer não era um problema, estar sozinho era.

   Segundos antes de seus braços chegarem ao limite, um tiro acertou o zumbi na cabeça, fazendo com que ele caísse ao lado de Mark. Olhando para o lado, ele avistou Donghyuck com sua pistola em mãos e olhos arregalados. Um suspiro aliviado saiu de seus lábios e ele relaxou o corpo finalmente, ainda deitado no chão. O mais novo o encarava, sua expressão era brava e Mark sabia exatamente o porquê.

   — Foi mal — ele fez um impulso, sentando com uma perna esticada e a outra dobrada, apoiando o braço em seu joelho e encarando o chão, por não ter coragem de encarar o amigo.

   — Cadê a merda do seu taco de beisebol quando você precisa dele? — Donghyuck quase gritou. Sem dizer nenhuma palavra, Mark levantou e o procurou — Você é um idiota Mark Lee — ele continuou.

   — Estava tudo sob controle — mentiu.

   — É, eu estava vendo pelas suas lágrimas.

   — Eu não estava chorando — Mark exclamou — Foi o cheiro que fez meus olhos lacrimejarem — ele ouviu a risada alta do amigo e o olhou, encarando sua expressão debochada — E eu não sou o único idiota aqui — disse, andando em direção a ele.

   — Ah, é? E porque você diz isso?.

   — Por que atrás de você tem uma janela enorme e eu consigo ver pelo menos 5 zumbis vindo nessa direção, provavelmente por causa do barulho que você fez com essa sua arma que você tanto ama — Mark explicou, devolvendo o deboche.

   Donghyuck olhou para trás e soltou no mínimo três palavrões antes de sair andando a passos largos até onde ele imaginava ser a saída dos fundos, gritando para Mark, que pegava sua mochila e enchia com o máximo de coisas que conseguia antes de correr atrás do mais novo.

   — Espera! Hyuck — exclamou assim que saíram do local — A gente precisa passar por eles, a casa é daquele lado.

   — A gente vai dar a volta.

   — Mas é o dobro do caminho e o dobro do tempo — Mark reclamou.

   — Não importa — Gritou — Você já quase morreu lá dentro, nós não vamos arriscar. É só-- Merda.

   Chegava a ser impressionante como um tiro para salvar uma pessoa podia ter o poder de fazê-las morrerem. Atrás dos dois garotos, incontáveis zumbis se aproximavam. O silêncio da madrugada tinha feito um simples tiro parecer uma bomba, e o medo tomava conta de Mark novamente. Ele precisava pensar, e rápido. Enquanto Donghyuck gritava para eles correrem e atirava em quantos conseguia, o mais velho apenas olhava em volta e tentava pensar em como eles poderiam sair dali vivos. Naquele momento, diferente de antes, morrer não era uma opção já que Mark não estava mais sozinho. Ele não precisava apenas se salvar, mas salvar seu melhor amigo que estava ali por sua causa. O tempo passava e os mortos-vivos se aproximavam cada vez mais. O relógio na cabeça de Mark ticava alto, pressionando-o a pensar mais rápido.

   — Hyuck! — Gritou — Está vendo aquela escada? — Ele apontou para a escada externa ao mercado que levava até o telhado. Donghyuck olhou rapidamente e logo voltou sua atenção às criaturas à sua frente — Sobe e me espera lá.

   — O que? — Ele franziu as sobrancelhas — E você?.

   — Eu tenho um plano — Mark ofegava, mesmo parado.

   — Eu não vou deixar você aqui sozinho. Ainda mais sem uma arma.

   — Você precisa confiar em mim.

   — Como eu vou confiar em você com um taco de beisebol Mark? — Hyuck gritava.

   — Você já está quase sem munição. Quanto mais rápido você subir naquela escada maiores são as chances de a gente sair daqui vivos.

   Donghyuck alternava o olhar entre Mark e as criaturas à frente. Por fim, abaixou os braços e correu em direção à escada, pulando para tentar alcançá-la e subindo.

   — Se eu não te ver aqui em cima em cinco minutos, eu mesmo te mato — Gritou, fazendo Mark conseguir soltar uma risada em meio àquela situação.

    Tudo parecia perfeito em sua cabeça, ele só precisava fazer exatamente o que tinha imaginado e torcer para que tudo ocorra como planejado. Mark permaneceu parado, encarando os zumbis se aproximando à sua frente. Seus batimentos aceleraram ainda mais, mas não era como se já não estavam quase incontroláveis antes.  Aquele parecia ser o grande momento. De duas uma: ou seu plano funcionaria perfeitamente e os dois sairiam vivos dali, ou ele morreria e apenas Donghyuck conseguiria fugir.

   — Hyuck? — Gritou — Quando não tiver mais nenhum zumbi aqui, se eu realmente não voltar em cinco minutos, eu quero que você desça pelo outro lado e vá embora.

   — Mark, isso não é uma opção. Me fala o que você vai faze-

   — NÃO! — Gritou quando viu que o mais novo fazia menção de descer do telhado — Você fica aí — Ele o encarou — Eu prometo que eu vou fazer o máximo possível pra voltar pra cá, mas eu preciso que você prometa que se eu não conseguir, você vai sair daqui vivo.

   Os dois se encaram pelo que pareceu uma eternidade. Mark podia ver na expressão de Donghyuck que ele não queria concordar, mas olhando-o implorar com os olhos, viu que para Mark, aquilo era muito mais do que apenas sobreviverem juntos. 

   — Eu odeio você Mark Lee.

   Considerando aquilo a promessa, Mark voltou sua atenção ao seu plano. Os zumbis estavam muito mais perto, quase chegando na calçada da frente. Ele ouviu batidas vindas de dentro do mercado e lembrou que, mesmo que tenham fechado a porta por onde saíram, ele precisava não só se preocupar com o que estava à sua frente, mas atrás também. 

   Assim que sentiu que era o momento certo, Mark correu como nunca havia corrido antes. Seu objetivo era, bom, não morrer, mas além disso, levar os zumbis para o mais longe possível e mantê-los lá; corria batendo em tudo o que via e fazendo barulho para que todos o seguissem. Ele corria e apenas uma coisa se fazia presente em sua mente. Talvez esse seja o melhor cenário para se morrer. Não sozinho, não por ser teimoso, mas se redimindo e salvando quem realmente precisava. Aquilo era um pesadelo e o pior deles, mas pelo menos poderia chegar ao fim finalmente. 

   Ao chegar no fim da rua, Mark parou e olhou para trás. As criaturas estavam relativamente distantes, o que o fazia ganhar tempo. Com o taco em mãos, ele começou a bater e quebrar as janelas dos carros que estavam ali, acionando o alarme da maioria. O taco não parece tão idiota assim agora huh, pensou, sorrindo para a bagunça que havia criado. 

   Donghyuck estava frustrado. Ver Mark correndo para longe atraindo dezenas de zumbis com ele parecia assistir ao seu suicídio. Ele checava seu relógio a cada trinta segundos, sem conseguir manter a calma. Ouvir vários alarmes de carro após um tempo não parecia ser uma coisa boa, mas ele precisava admitir que os planos do mais velho sempre funcionavam. Era nisso que ele se segurava: na esperança de esse ser mais um plano brilhante e que os dois voltariam para a casa à salvo.

    Nunca foi fácil para Donghyuck lidar com o rumo que as coisas tomaram seis meses antes. Mesmo tendo uma arma e sempre se sentindo relativamente seguro, sobreviver era muito mais que isso. Era sempre estar alerta, nunca baixar a guarda; se proteger mas tentar proteger o máximo de pessoas junto. Era contar quantas pessoas estavam com ele para ver se ninguém tinha ficado para trás e principalmente, era encarar as perdas mais do que encarar aqueles que matam. Essa sempre foi a parte mais difícil; depois de seis meses e o grupo pela metade, qualquer mínima situação de perigo faz seu coração apertar em angústia. Talvez seja por isso que ele esteja ali naquele momento. Havia muitas decisões mais inteligentes do que ir sozinho encontrar alguém que também estava sozinho, e mesmo assim Donghyuck foi sem nem pensar duas vezes. Porque sobreviver à um apocalipse era difícil, mas sem Mark poderia ser pior ainda.

   Por favor apareça. Por favor apareça.

   Cinco minutos e nenhum sinal do mais velho. Donghyuck não conseguia se mexer. Ele prometera sair dali com ou sem Mark, mas seus olhos nem ao menos piscavam enquanto ele encarava o caminho por onde o amigo tinha ido. Ao fundo ele conseguia ver o movimento na região onde os alarmes tocavam e o pior passava por sua cabeça. 

   Por favor apareça. Por favor apareça.

   Quase dez minutos se passaram quando ele conseguiu criar coragem e descer do telhado. Com dificuldade, se apoiando nas janelas até atingir uma distância que pudesse pular, Donghyuck lutava contra as lágrimas que ameaçavam cair enquanto uma variedade de pensamentos iam e viam. O que ele diria aos outros? Como ele diria? O que ele faria agora, sem Mark, que fora aquele que estava sempre ali como apoio emocional quando ele mais precisava. E ele sempre precisava. Mark era o grande motivo por ele ter aguentado tanto tempo. O que aconteceria dali para frente?

   — Hyuck! 

   A figura do garoto corria em sua direção, totalmente sujo e foi como se um grande peso saísse de seus ombros ao vê-lo ali, completamente vivo. Correu em sua direção e o abraçou, sem se importar com o sangue e sujeira. Mark foi pego de surpresa mas logo envolveu seus braços, retribuindo o abraço e um sorriso se formando em seu rosto.

   — Eu estou bem — disse, dando tapinhas de leve nas costas do amigo.

   — Acho bom mesmo — Donghyuck respondeu, se afastando e batendo em Mark de repente, que se encolheu e soltou uma risada alta — Se você me der um susto desses de novo eu mesmo pego esse seu taco e te bato com ele.

 

 

 

— Como você sabia que eu estava aqui?.

   Os dois andavam no meio da rua em direção à casa. Mark gostava daquilo; era incrível como ele sempre tentava achar algo bom em tudo de terrível. Sim, o mundo está acabando, mas o quão legal é poder andar no meio da rua sem o medo de ser atropelado? O sol já ameaçava nascer e a claridade tomava lugar nas ruas. Era um bairro muito parecido com onde havia crescido e por um momento, naquele silêncio e andando por ali com Donghyuck ao seu lado, tudo parecia estar em paz. A calmaria depois da tempestade fez tudo parecer mais belo do que realmente era e usando sua imaginação, Mark conseguia ver as casas sem as pichações ou as proteções nas janelas, os carros sem os vidros quebrados e rodas murchas, os jardins verdes e cheios de vida e, se respirasse fundo, poderia sentir o cheiro da comida que sua mãe fazia quando a família se reunia. O verdadeiro pesadelo não era como tudo estava agora, mas como a realidade era que nada mais seria como antes. 

   — Eu te conheço Mark — Donghyuck respondeu — Você consegue ser mais teimoso que o Yukhei, sei lá, deve ser alguma coisa na safra de 1999 por que os dois são insuportáveis. Se te falam não, é aí que você faz mesmo. Quando eu acordei e vi que você não estava no quarto, eu sabia exatamente para onde tinha ido — Ele revirou os olhos — E como você não larga esse taco mixuruca, achei que fosse precisar de ajuda — Sorriu.

   — É, ajudou bastante — disse, sarcástico, lhe lançando um olhar provocativo.

   — Olha aqui — O mais novo parou, virando para encarar Mark — Se não fosse por mim você estaria morto agora, entendeu? E se você morresse...

   — Hyuck — Ele apoiou sua mão no ombro do garoto, apertando — Eu não estou morto tá legal? Eu estou aqui.

   — Graças à mim — Afastou a mão do mais velho, mas soltou um suspiro alto — Olha, a gente não pode perder mais ninguém. Não depois do que aconteceu e, principalmente, a gente não pode perder você por causa de um salgadinho horrível e uma ideia idiota. Só... me promete que da próxima vez você não vai sair sozinho — Ele encarou Mark.

   — Desculpa. Eu prometo — Disse e segurou a mão do amigo. 

   Mark conseguia ver por que as pessoas viam sua relação com Donghyuck como um tanto estranha. Em uma conversa eles conseguiam ser rudes e carinhos um com o outro em fração de segundos. Mas essa era a beleza que ele tanto via neles; era isso que os tornava tão amigos. Havia uma certa graça em abraçar enquanto xinga e talvez seja por isso que o mais novo era tão especial e talvez Mark também gostaria que fosse algo mais.

   — Você também podia usar uma arma de verdade só pra variar — Disse, os dois voltando a andar lado a lado.

   — Será que um dia você vai parar de implicar com o taco? É silencioso. Você por acaso viu o que a sua pistola fez? 

   — Vi — lançou um olhar ao amigo — Minha pistola salvou sua vida hoje — Sorri vitorioso.

   — E você vai jogar isso na minha cara para sempre, não vai? — Mark viu o amigo concordar, soltando uma risada — Eu salvei sua vida também se você se lembra bem.

   Donghyuck fez uma careta.

   — Não conta se eu tive que te salvar primeiro — Rebate, fazendo Mark revirar os olhos.

 

 

 

O sol já aparecia no céu quando Mark e Donghyuck chegaram em seu abrigo. A casa era a maior da rua e já estava totalmente protegida caso zumbis tentassem entrar. Era a única casa que tinha uma porta firme e todas as janelas inteiras, então o grupo aproveitou a chance de viver, pelo menos por um tempo, em um lugar que fosse ao menos um pouco confortável. A porta de entrada e todas as janelas do andar de baixo tinham tábuas de madeira para proteção, fazendo com que todos tenham que entrar e sair pela janela central, que dava na escada da casa pelo lado de dentro. A dificuldade era frustrante, mas pelo menos os fazia sentir seguros.

   — Mark Lee — foi a primeira coisa que ouviram ao passarem pela janela, a voz de Taeyong vinda da sala principal.

   — Se a gente não morreu até agora — Donghyuck sussurrou — Esse é o momento.

   Andando em passos lentos até o cômodo, a luta contra os mortos-vivos não parecia tão ruim quanto encarar um Lee Taeyong bravo naquele momento. 

   — Eu posso explicar! — Mark exclamou assim que passou pela porta, encontrando sete pares de olhos em sua direção.

   — Poupe-se — Doyoung levantou a mão em sua direção — Está machucado?

   — Não. Só sujo e podre.

   — Nada muito diferente de sempre — Donghyuck brincou.

   — Mark, você precisa parar de agir inconsequentemente — Taeyong levantou do sofá em que sentava e andou em sua direção — Você sabe que a gente não pode ficar saindo para te salvar sempre.

   — Não parecia uma má ideia na minha cabeça.

   — Suas ideias nunca parecem ruins, engraçado como sempre acabam em briga.

   Taeyong estava claramente irritado, mas além disso, aliviado. Ele nunca quisera ser a figura de líder do grupo, mas as coisas aconteceram naturalmente e agora ele se sentia responsável por todos. Isso tornara tudo ainda mais difícil para o garoto. Cada perda do grupo caía sobre suas costas. Mesmo com todos o dizendo o contrário, era impossível não se cobrar o tempo todo sobre não ter sido um líder bom o suficiente para manter o grupo todo vivo. A morte de cada um estava marcada em seu corpo para lembrá-lo o tempo todo de que ele era o responsável. As marcas, ao mesmo tempo que o machucavam emocionalmente, eram o que o mantinha são para continuar sempre dando tudo de si para proteger seus amigos. Taeyong puxou Mark para um abraço rápido, agradecendo-o por ter voltado à salvo.

   — Ninguém vai falar nada do Hyuck? Ele saiu sozinho também — Mark arqueou as sobrancelhas, apontando para o amigo.

   — Não há motivos para ficarem bravos comigo— Disse, levantando o queixo — Se não fosse por mim, Mark nem estaria aqui agora — Ele viu o mais velho rolar os olhos e socar seu braço de leve.

   Andando até o balcão que dividia a sala e a cozinha, Mark encontrou Jaemin sentado de costas para o resto do grupo, com o rosto apoiado nas mãos. Sentou ao seu lado e acariciou suas costas, o fazendo levantar o olhar até ele. Era perceptível que havia chorado. 

   Talvez de todos ali, Jaemin fosse o mais frágil. Era sempre o que mais se fazia abalado por toda a situação. Sempre fora muito sensível, e tudo piorara após o grande boom! do apocalipse. Perder família e amigos o deixou em um estado de constante angústia e pavor. Ele sempre era a prioridade de proteção de todos, por não usar nenhuma arma. Depois de ter que usar uma em seus próprios pais que haviam se transformado, ele jurou nunca mais tocar em qualquer tipo de arma.

   — Sinto muito — Mark disse baixo, se inclinando para perto do amigo.

   Jaemin era seu melhor amigo há mais tempo que todos ali, os dois eram os únicos que se conheciam desde antes de tudo começar. Mark viu e o acompanhou durante seus piores e melhores momentos. Os dois eram o porto seguro um do outro e Mark era o grande motivo de Jaemin conseguir continuar vivo durante todo esse tempo, sempre o ajudando com sua habilidade de fuga e rapidez.

   — Tudo bem — Respondeu em um sussurro — O importante é que você está aqui — Ele o olhou — E é até legal ver como você é corajoso. Mas quase me matou de preocupação — Riu fraco.

   — Mas eu achei uma coisa que você vai gostar — Disse, pegando sua mochila e procurando algo dentro. Ao tirar de lá uma caixa de lápis, viu os olhos de Jaemin brilharem e ele abrir um sorriso — Agora você pode voltar a desenhar. Não jogou seu diário fora, né?

   Jaemin balançou a cabeça em negação e pegou a caixa com um sorriso enorme, como uma criança que havia acabado de ganhar o presente que tanto queria. Mark apenas observou enquanto o mais novo pegava seu diário e começava a desenhar. Nunca conseguia entender suas criações, mas era possível ver que era uma maneira de externar seus sentimentos mais profundos. 

   Ficaram ali em silêncio até Doyoung chamar Mark para segui-lo. Os dois subiram as escadas e entraram no banheiro do segundo andar. Doyoung apontou para um balde de água no chão.

   — Separei para você se limpar — Explicou. Mark agradeceu e os dois ficaram ali parados por um tempo até o mais velho quebrar o silêncio com um longo suspiro — O Jaemin pode ter dito que está tudo bem, mas não. Ele ficou muito mal desde que a gente acordou ele. Mark, eu sei que você já se preocupa muito com ele mas você precisa pensar em todo mundo quando vai fazer essas coisas. Principalmente nele.

   — Eu sei. Sinto muito — Olhou para seus pés — É só que, as vezes, sei lá, nada disso parece fazer sentido entende? Tipo, por que a gente tenta sobreviver se o mundo está acabando de qualquer jeito?

   — Eu entendo — Doyoung colocou a mão em seu ombro — Mas morrer não é uma opção. Não enquanto ainda há esperança.

   — Você realmente acha que a gente vai sair dessa?

   —Eu preciso achar. Eu não quero desistir e a esperança é a unica maneira de continuar vivendo e sobrevivendo. Se eu não tiver esperança, eu não vou ter nada.

   Essa era a verdade: viver já não é mais uma coisa única e pessoal. Todos estavam vivendo por si mesmos e pelos outros. O grupo de amigos havia se tornado uma família e a última coisa que queriam era machucar a família. E isso incluía desistir e morrer. Mesmo estando sofrendo, cada um precisava se manter forte para que os outros se mantivessem fortes também. Eles eram a personificação do um por todos e todos por um. Talvez por isso eram um desastre que no final, até que dava certo.

   — Prometo que não vai acontecer de novo — Mark disse por fim, arrancando um sorriso fraco do mais velho, que apertou seu ombro em resposta — Doyoung? Preciso te contar uma coisa. Mas você não pode contar pra ninguém.


Notas Finais


se ficar confusa a quebra de capítulos me perdoem, eu escrevi tudo de uma vez sem separar por capítulo então to indo meio na intuição,,,,


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