História Um Lar para Lena Luthor - Capítulo 4


Escrita por:

Postado
Categorias Supergirl
Tags Kara Danvers, Karlena, Lena Luthor, Supercorp, Supergirl
Visualizações 822
Palavras 2.867
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Yuri (Lésbica)
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 4 - Mudanças e macarronada


Elas decidiram esperar até o fim de semana para mudar todo o resto das coisas de Lena.

Não que fosse muita coisa, no geral, era apenas muitas roupas de trabalho e livros, pois a maioria dos seus pertencentes ainda estavam em Metrópoles. Ainda assim, quatro grandes bolsas de viagem estavam lotadas com as suas coisas, enquanto a última ficava pela metade com seus acessórios e itens de banho.

Por enquanto, os moveis ficariam ali mesmo, não tinha como por tanta coisa no apartamento de Kara, além do que, caso as coisas saíssem bem durante aquelas duas semanas haviam coisas mais interessantes para ela buscar em Metrópoles do que aqueles moveis monocromáticos. 

Pensar em sua cidade natal, também a remetia a um pensamento animado de como seria divertido levar Kara para essa viagem, elas poderiam visitar seus lugares favoritos e experimentar todas as comidas que ela quisesse. Talvez, aproveitar para visitar alguma praia paradisíaca no litoral, ou até sair do país.

Lena não sabia porque, mas ela queria levar Kara para todos os lugares, principalmente, os mais bonitos. 

O som dos tênis de sua amiga entrando pelo novo piso do seu escritório chama sua atenção de volta ao tempo presente e ela percebe como estava parada no meio de um quarto vazio sem mais nada para fazer. Tudo já estava pronto para irem e aquele espaço havia voltado a ser frio e impessoal, como se ela nunca tivesse vivido ali por quase um ano.

– Tudo certo? – A voz de Kara ecoa atrás dela.

– Sim, só temos mais essa, embora você saiba que não precisa carregar tudo sozinha, certo? Eu poderia estar te ajudado a descer, ou ter chamado uma equipe de mudanças para não te dar todo esse trabalho.

– Eram só algumas bolsas, não tem porque você chamar toda uma equipe para mudar você! Nós demos conta muito bem. – Kara murmura dando de ombros.

Era realmente demais contratar ajudantes só para carregar suas roupas, mas ela não queria incomodar ninguém com aquilo. Acontece que Kara havia insistido que fazer a mudança por elas mesmas, no mínimo, seria divertido e ainda criaria uma boa história para contar mais tarde. Era para isso que eram as amigas.

– Além disso, é um bom exercício físico carregar peso, Alex anda ganhando de todos os meus tempos quando malhamos juntas!

 Lena pensa em comentar que era um tanto injusto querer competir com a sua irmã altamente treinada pelo governo, mas sua amiga abre um de seus sorrisos reluzentes e ela perde a linha de raciocino. De novo. Não era exatamente uma novidade se perder em Kara Danvers.

 – Minhas razões egoístas para ajudar você, também incluem, negociar quantas pizzas vamos pedir para o jantar de hoje! A de quatro queijos não está sob discussão.

– Você é impossível, Kara Danvers! – Responde Lena com falsa descrença. – Seria pedir demais nesta amizade que comêssemos algo saudável pelo menos uma vez? Nós jantamos pizza ontem! Sua irmã vai continuar vencendo nos seus treinos se você não começar a comer algo natural sem queijo por cima.

O rosto de Kara se transforma em um bico manhoso e Lena sabe que está condenada a comer pizza no jantar outra vez. Ela podia ser ótima em argumentos, mas péssima para negar qualquer coisa a aquela garota.

– Eu prometo que podemos comer coisas saudáveis amanhã, mas hoje é um dia especial! Estamos celebrando! Somos oficialmente colegas de quarto e não vai ter graça nenhuma comemorar isso com peito de frango grelhado e salada de couve!

– Ao menos vamos ter iogurte congelado para a sobremesa? – Lena barganha.

– Ah, nãoo! Você sabe o que eu penso sobre iogurte e o porquê de ser um crime comer congelado!

– Como você pode dizer isso se nem experimentou? É tão gostoso quanto sorvete, mas você nunca vai poder comparar se não tentar dar uma chance. 

Kara dá de ombros derrotada. Era impossível ganhar um debate contra Lena.

– Ok! Eu aceito seus termos! Mas vamos ver Titanic de novo e você não vai poder reclamar quando eu estiver cantando Celine Dion o filme inteiro.

– Kara, querida, se você trouxer meu iogurte nós podemos ver até os comentários redundantes do diretor.  

Kara gargalha, jogando um braço ao redor dos ombros de Lena e puxando-a para a porta.

– Eu tenho a sensação de que essa coisa de colega de quarto vai funcionar muito bem.

- - - -

Kara insiste em carregar toda a sua bagagem até o apartamento, o que Lena não consegue criar oposição ao observar como os músculos do seu braço pareciam maravilhosos ao agarrar todas aquelas alças juntas. Ela não faz a menor ideia de como sua amiga conseguiu levar tudo de uma vez, mas a lésbica inútil dentro dela agradece de joelhos.

Ok, elas são amigas. Melhores amigas.

Mas Lena não é cega.

Kara é gostosa. Muito gostosa.

A tal rotina de exercícios com Alex realmente funcionava, pois, aqueles bíceps parecia os de uma atleta de elite com anos de treino. Ela mal pode imaginar como não deve ser o resto daquele corpo.

Lena balança a cabeça, tentando esquecer todo o emaranhado de absurdos que passava em sua mente, quando Kara destranca a porta e deixa suas bolsas na sala.

– Bem-vinda ao seu novo lar! – Kara murmura com os braços estendidos com um enorme sorriso no rosto. – Basta colocar suas coisas onde quiser. Tenho certeza que você tem um gosto muito melhor para decoração de interiores do que eu! E oh! Antes que eu esqueça...

Ela procura algo no bolso de seus jeans por um momento, antes de alcançar um pequeno chaveiro. 

– Eu fiz essa chave extra pra você!

Lena aceita com uma alegria genuína no rosto, colocando o objeto na palma da mão para sentir o seu peso. É azul, com um chaveiro verde, e é a única chave que ela tem. Tudo na L-Corp é biométrico e seus motoristas é quem ficavam com as chaves dos seus carros, por isso, era muito significativo ganhar algo como aquilo.

Simbolizava muito, era reconfortante, era acolhedor. Era como Kara Danvers.

– Obrigada, Kar. Você não precisava.

– Sem problema, little Luthor.

Lena não pode deixar de gemer e revirar os olhos para isso. Kara era especialista em incrementar seus momentos mais emocionantes com piadas fora de lugar. Ela achava adorável.

– Little Luthor? Sério? Os apelidos de Maggie pegaram pra você?

 

– Ah, claro que sim! Eles fazem você parecer adorável e inofensiva!

– O que é ótimo para uma CEO. – Responde ironicamente. – Vou ignorar o que você acabou de dizer e desempacotar minhas coisas.

– Ótimo, você se instala e eu vou buscar nossa comida.

– Não se esqueça que você prometeu experimentar meu iogurte congelado! 

– Pode deixar, eu não vou esquecer

O tom de Kara é de uma promessa, mas Lena pode jurar ter visto seus dedos cruzados ao passar pela porta.   

- - - - - -

As coisas de Lena se harmonizam com todo o resto do apartamento, muito melhor do que ela poderia esperar.

Seus livros se empilham no espaço vazio do criado-mudo, seu aparelho de som portátil é preso ao lado do cavalete de Kara e embora não haja nenhum espaço para guardar as roupas de Lena ali, basta um simples pedido on-line e um novo cabideiro estava sendo entregue na porta da sua nova casa.

Claro, o móvel vem dentro de uma caixa minúscula, todo desmontado, levando quase todo o dia para ficar pronto, embora seja até divertido. Bom, não divertido de verdade, mas é ao menos um bom trabalho em equipe das duas, onde ela aprende coisas curiosas sobre sua amiga – como o fato de Kara saber ler tão bem em japonês.

No fim, o novo cabideiro está ao lado do de Kara e elas comemoram o fim daquela noite com mais pizza e iogurte congelado.

A primeira semana morando juntas praticamente voa. Lena ainda está muito ocupada com todo o trabalho extra que o bombardeio causou a ela, e Kara ainda está trabalhando em histórias que cobrem as consequências da invasão da Daxamita.

 Elas ainda encontram algum tempo para almoços ocasionais juntas, porém, a grande novidade dos seus dias era agora poder voltar para uma casa sabendo que tinha alguém a esperando. Lena começa a desconfiar que também está se viciando a acordar com o calor de Kara Danvers.

Naquele sábado, ela finalmente faz uma pausa de verdade e decide trabalhar apenas meio período. Se há algo que Kara vive insistindo é no seu descanso no fim de semana, uma forma de manter sua saúde em ordem e renovar suas energias, com o argumento de que ela nunca conseguiria dar o melhor que a L-Corp exigia se acabasse doente de tanto trabalhar.

Ela ainda era só uma humana, no fim das contas, e merecia se dar um dia relaxante, com o telefone desligado e uma boa refeição – uma que não é vem acompanhada de uma camada de queijo no topo.

Uma boa refeição caseira.

Ela não consegue se lembrar da última vez que fez uma daquelas para si mesma. Certamente, foi antes de se mudar de Metrópoles, já que sua suíte no escritório não tem exatamente um fogão.

Infelizmente, a geladeira (delas) de Kara não tem nenhum alimento de verdade. 

Só havia uma caixa de leite, alguns ovos vencidos há uma semana e um ponte de iogurte de soja com um bilhete em cima dizendo “eu sei você não vai comer, apenas não jogue fora – Maggie”. Lena ri do recado, embora a sensação de estar se intrometendo no espaço de Kara ainda fosse presente.

Ela sabia que era bem-vinda, como sua amiga realmente apreciava sua companhia, mas ao mesmo tempo, tudo no apartamento de Kara gritava familiaridade. Amizade. Amor. Coisas que não a pertencem.

Na própria porta da geladeira, existem diversas fotos grudadas com imãs de letras do alfabeto. Havia Kara com Alex. Outra com Kara com James Olsen e Winn.

Kara e Alex com um casal de meia idade que Lena assume ser seus pais adotivos. Um recorte de seu primeiro artigo com um "Estou orgulhoso de você, irmazinha!" escrito na borda.

E bem no meio de todas está uma tira de três fotos, tiradas em uma cabine automática, na última ação de caridade da L-Corp, feita com o objetivo de arrecadar doações para os orfanatos locais. Nesta, Kara e ela sorriem, com os rostos colados e os olhos brilhantes, fazendo poses engraçadas na foto do meio e com Kara dando um pequeno beijo na sua bochecha na última.

Ela lembra muito bem daquele dia. Havia sido ideia de Jess que a festa não fosse uma noite de galã tradicional e sim uma bela tarde em um parque de diversões. A ideia foi um sucesso e a repórter da CatCo, para toda a sua felicidade, escalada para cobrir o evento era Kara.  Até hoje, Lena não sabia como ela foi capaz de escrever uma matéria tão boa sobre toda a organização do evento se toda a tarde ela ficou a arrastando pelos brinquedos do parque, parando para ganhar brindes de ursos e, eventualmente, a levando até uma das cabines de fotos automáticas. 

Era uma memória incrível de um dia perfeito, mesmo que ela soubesse que também tinha tido dor de barriga naquela noite por comer muito algodão doce e bolos de pote. Havia válido a pena. E como havia!

A pequena voz negativa dentro de sua cabeça (que parece demais com a de Lillian), que costuma a confrontar com dúvidas sobre ela merecer todo o amor e a amizade que Kara oferece sem hesitação, se emudece. É uma pequena vitória, mas ela comemora.

E antes que ela possa mudar de ideia, Lena sai com um sorriso grande do apartamento, ligando para Marcus ir busca-la mais tarde.

Ela tem que fazer uma visita ao supermercado.

- - - - - -

Fazer compras de supermercado é outra coisa que ela não faz há tempos, o que acaba sendo quase catártico.

Lena escolhe uma enorme variedade de temperos, legumes e frutas, alguns que ela vai usar para o jantar daquela noite e outros para as demais refeições da semana. Claro, para isso ela está reunindo suas esperanças de conseguir convencer Kara, de ao menos, provar o prato saudável que ela cozinharia. Seria uma missão complicada e de baixa expectativa de sucesso.

Seu motorista a ajuda a levar todas sacolas até o apartamento, oferecendo-lhe os desejos de um bom dia antes de deixá-la rodeada de alimentos frescos. Ela sorri e verifica seu relógio. Duas horas até Kara chegar em casa, o que era tempo suficiente para ela conseguir terminar algo gostoso para jantar delas.  

Lena coloca uma calça de moletom e uma camiseta básica, antes de cobri-los com um avental (de Kara) cheio de girassóis e prender seu cabelo em um rabo de cavalo despojado. Ao abrir o Spotify, ela seleciona uma playlist que parece combinar com todo seu súbito bom humor.

Sim, ela está feliz, muito feliz. De uma forma, que não se sentia há muito tempo, e a música pop dos anos 90 parece perfeita para elevar sua energia ao próximo nível, enquanto ela cortava alguns legumes.

É fácil perder-se no processo divertido de cozinhar, principalmente, quando ela está infectada pelo ritmo divertido de sua playlist, juntando os seus preciosos tomates frescos aos pimentões cortados, para terminar o molho. O cheiro estava divino e ela está prestes a checar o ponto do macarrão cozido quando Backstreet Boys começa a tocar e Lena se empolga com sua pequena perfomace individual, voltando a cantar sozinha à plenos pulmões.

– You are . . . my fiiire. My one . . . desiire, believe . . . when I say, I want it that waaay.

Ela paralisa com sua colher no ar ao ouvir os passos de Kara. Sua amiga está parada na porta, estática, olhando para ela de queixo caído, com a bolsa de couro deslizando pelo seu ombro. Lena olha para baixo para ver a colher de madeira que ela estava usando como um microfone, pingando restos de molho no chão.

– Uou, o que está acontecendo? – Kara pergunta, mas sua voz fica quase inaudível através da música alta.

– Estou fazendo nosso jantar. – Responde diminuindo só um pouco o volume do seu celular, pois ela realmente gostava daquela música.

– Eu não sabia que você sabia cozinhar. – Kara comenta com uma verdadeira surpresa, enquanto ela coloca a colher de volta ao molho e lambe a porção que havia ficado nos nós dos seus dedos.

– Oh, lá vem o refrão de novo! Vamos cante comigo. – Diz Lena, embora Kara ainda pareça chocada com sua súbita expontaniedade. – Tell me why ain't nothin' but a heartache!

– Tell me why ain't nothin' but a mistake, tell me why I never want to hear you say, I want it that way!

Eles dançam ao redor da cozinha enquanto cantam, e Lena suspira ao perceber que estava impossivelmente mais feliz do que antes. Como Kara conseguia feitos como aquele?

. Quando a música termina ela realmente abaixa o volume para que elas possam falar sem ter que gritar.

– O que você está cozinhando? – Kara pergunta roubando uma colherada de molho que estava, literalmente, fervendo. – Uau! Isso é bom!

– Cuidado, Kara! Isso está quente! Merda, como você não queimou a língua provando isso?

 – Eu não sei, mas caramba, isso está bom demais! Onde diabos você aprendeu a cozinhar assim?

Lena não a responde de imediato, passando por Kara com um ralador de queijo.

– Lillian queria que eu fosse bem-educada em várias coisas, mas eu acabei tendo uma fase rebelde.

– E você se rebelou aprendendo a cozinhar? – O tom divertido de Kara acompanha um sorrisinho de lado. Sua amiga achava que ela não tinha sido rebelde o suficiente? Oh, pobre, Kara. Não sabia de tantas coisas ainda.

– Não, eu só acabei passando muito tempo com os empregados, ao invés das aulas de piano.

– Ahh. – Kara concorda com a cabeça como se a criação estranha de Lena fosse perfeitamente normal. – Então vamos jantar o que exatamente?

– Macarronada com espinafre, brócolis e parmesão. Com uma torta para a sobremesa!

– Torta? – Os olhos de Kara se arregalam ao ouvir aquela palavra mágica e Lena sorri.

– Sim, torta. Torta de nozes com chocolate, para ser exata.

Kara comemora batendo palmas e praticamente pulando de alegria.

– Lena Luthor, você é a melhor amiga que uma garota poderia ter, eu juro - uau! Torta de nozes com chocolate! E nem é o Dia de Ação de Graças! – Kara lhe dar um beijo surpresa na bochecha e seu coração automaticamente acelera. Lena tenta se convencer que é pela surpresa. – Sério, eu te amo! Deixa só eu trocar de camisa que eu vou ajudar!

Kara sai em direção ao quarto delas, parecendo não notar o jeito que Lena congela com suas palavras.

Amor.

Kara já tinha dito que a amava antes, mas isso não a impede de surtar internamente todas as vezes. Pensar que alguém a amava por quem ela realmente era, sem pedir nada em troca, parecia quase irreal. A Lena de alguns anos atrás não acreditaria que receberia tanto amor só por causa de coisas como uma torta de nozes.

Ela sorri e volta a preparar o macarrão.

Ter aceitado dividir apartamento com Kara era a melhor decisão que ela já tomou desde que mudou o nome da sua empresa para L-Corp.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...