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História Um Longo Dia de Quarentena - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Eu tive essa ideia ontem de noite, quando eu estava quase capotando.
E sim, é o meu primeiro Maylor.

Espero que gostem!

Boa leitura~

Capítulo 1 - Único - O Jason Já Era


Era a décima vez que ele passava álcool gel nas mãos, com os olhos centrados na janela. Seu olhar pairava exatamente onde seu carro – um Mini Cooper vermelho – estava estacionado. Por um instante, o loiro sentiu melancolia e vontade de chorar; não podia nem sair para dar carinho ao automóvel, senão corria risco de pegar a maldita doença. Ele passou três longos minutos xingando tudo e a todos por deixá-lo naquela situação miserável, até que seu marido lhe chamou a atenção:

– Com esse tanto de álcool gel, você não vai só limpar as mãos, mas, provavelmente, a alma também – Brian disse de maneira sarcástica, folheando o jornal de um ano atrás.

Roger olhou para as mãos e se deparou com uma torre de álcool gel, que escorria dentre os dedos.

– Mas que bosta! Desgraça! Puta que pariu! – Ele correu para a pia, sem raciocinar direito, e jogou um tanto ali dentro.

– Seu consumista de uma figa – a voz de Brian soou ao seu lado. – Me dá um pouco, Roger.

– Ah, eu tenho culpa agora? – O loiro ergueu as mãos, e o May pegou um pouco do gel, passando nas próprias mãos. – Esses ricos lazarentos trouxeram essa maldita doença para cá, e eu simplesmente não posso mais cuidar do Henry!

– Ele está bem cuidado no estacionamento do condomínio. E outra, o nome do carro não era Jason?

– Era? – Roger tombou a cabeça. – VIU, ESSA PANDEMIA ‘TÁ ME DEIXANDO LOUCO!

– Você é louquinho por natureza, meu bem – o May riu, se afastando da pia.

– VAI ARRANJAR ALGO PRA FAZER, BRIAN MAY! – Ele jogou a toalha de secar louça na direção do marido.

A manhã se passou de maneira lenta demais para o seu gosto. Ele não parava quieto por um segundo. Se sentia sufocado dentro de sua casa, sem poder sair com Freddie ou John para fofocar sobre o cotidiano. E aqueles putos sequer ligaram para ele durante dois dias, então ele teria que interagir com a pessoa que menos gostava dele naquela maldita casa: seu marido.

Ok, talvez fosse um exagero, mas ele ainda estava full pistola por Brian deixá-lo de lado. Fazia um mês e meio que eles não transavam ou trocavam umas carícias. Se não fosse o velho Brian May de sempre, ele cogitaria que aquele homem estava o traindo.

– Se a vizinha debaixo reclamar dos seus passos pesados, eu não vou apaziguar as coisas, ouviu? – Brian disse, desta vez folheando uma revista sobre astronomia.

– É só eu tossir que ela volta para o inferno bem rapidinho – Roger respondeu, se sentando ao seu lado no sofá.

– Se você diz...

O silêncio retornou ao cômodo. O loiro se sentiu incomodado de novo. Só queria iniciar uma longa conversa, nem que fosse sobre astrofísica – assunto que ele não entendia nadica de nada. E como Brian não parecia interessado em ter uma, ele começou a batucar os dedos no sofá de maneira frenética. Roger até se distraiu por um tempo, tentando recriar Don't Let Me Down, dos Beatles, mas foi interrompido na metade.

– Poderia parar de batucar os dedos, Roger? – Brian pediu num tom calmo.

Aquilo o irritou profundamente. Como aquele homem ousava mandá-lo ficar quieto, sendo que sequer aliviava sua carência? Roger levantou do sofá, ficando de pé na frente do marido. Sua face estava mais vermelha do que um tomate, e uma veia parecia saltar da sua testa.

– ESCUTA AQUI, SERÁ QUE VOCÊ NÃO ENTENDEU QUE EU QUERO A PORRA DA SUA ATENÇÃO?! – Ele abriu os braços, buscando explicações.

Brian calmamente fechou a revista e a colocou empilhada no braço do sofá. Logo após, olhou para Roger, com um sorriso no rosto, quase como se quisesse segurar a risada.

– NÃO É ENGRAÇADO!

O May bateu as mãos no colo – Senta aqui, Roger.

O loiro, de início, cruzou os braços com um bico nos lábios. Mas realmente, a tentação de sentar naquele colinho era muito grande, ele não aguentava. Na sua cabeça, Zé Ramalho cantava ao fundo “ê, ô, vida de gado”.

Sim, meus amigos, ele sentou.

Brian rodeou os braços na sua cintura e deitou a cabeça em seu ombro.

– Desculpa – ele disse.

Por outro lado, Roger não queria parecer fácil – Como? Não escutei.

– Estou pedindo desculpas por não ter te dado atenção. Audível?

– Audível – respondeu o loiro, mais relaxado. – Eu te amo pra caralho, seu chato.

– Eu também te amo, mas uma hora você vai ter que escolher entre mim e o Jason.

– Você está com ciúmes de um carro, doutor May?

– Algum problema?

Roger riu – Eu jamais te trocaria pelo Jason, acredite.

– Hum, vou acreditar.

Desta vez o tempo passou um pouco mais rápido. Ambos se acariciavam preguiçosamente, querendo usufruir mais daquele momento. Roger se sentia um pouco mais satisfeito. Um pouco, já que ele ainda não sentou com força em Brian May até que ele implorasse para Roger ir devagar. Mas ele não se importava de esperar até à noite.

– Roger, sabe que você é a coisa mais amável que aconteceu na minha vida, né?

– O que você quer? – Perguntou direto.

– Depois eu sou o insensível – Brian comentou com sarcasmo. – Faz uma massa para o almoço?

– E eu lá sou do tipo que faz as vontades de macho?

Silêncio.

– É, eu sou – o loiro admitiu com desgosto, se levantando do colo do marido. – Molho branco?

Brian assentiu com a cabeça.

Com um suspiro longo, Roger caminhou até a cozinha – Algo me diz que essa quarentena vai ser memorável...

Como de costume, ele olhou para a janela para ver se Jason estava bem, mas algo lhe chamou a atenção: um homem estava se aproximando dele. Roger foi até a janela e se debruçou ali, analisando os próximos passos do indivíduo. O homem se apoiou em Jason e inesperadamente espirrou. Espirrou alto. E um espirro não bastou, aquele imbecil espirrou mais três vezes até conseguir se recuperar.

Roger Taylor abriu a boca desesperado. Ele pensou em pegar a colher de pau para quebrar a cabeça daquele cara, mas não podia sair de casa. Colocou as mãos na cabeça e gritou:

– BRIAN! BRIAN! – O homem se levantou rapidamente do sofá, correndo dele. – BRIAN, PUTA MERDA! PUTA MERDA!

– O que aconteceu?

– O JASON, BRIAN – Apontou para a janela. – O JASON ‘TÁ COM CORONA!


Notas Finais


rip jason

Gostaram? Eu fiz essa correndo, mas foi de coração.

Beijos~ 💞


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