História Um Novo Amor? - Marichat - Capítulo 32


Escrita por: e MelodySLynch

Postado
Categorias Miraculous: Tales of Ladybug & Cat Noir (Miraculous Ladybug)
Personagens Adrien Agreste (Cat Noir), Marinette Dupain-Cheng (Ladybug), Personagens Originais
Tags Adrinette, Angst, Dark, Drama, Marichat, Miraculous, Personagem Original
Visualizações 270
Palavras 6.909
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Fantasia, Ficção Adolescente, Hentai, Luta, Magia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá pessoas.

Sim, este é o último, eu juro. E eu dedico ele a todas as leitoras que apoiaram meu final, e entenderam o por quê que tinha que ser assim. Eu só tenho a agradece-las, muuuuito obrigada meus amores!

Eu não tenho muita coisa para falar agora, então os vejo nas notas finais.

Boa leitura!

Capítulo 32 - Bônus


Piscou algumas vezes, tentando se acostumar com a pequena fresta de luz solar que insistia em entrar pelas cortinas dela. Balbuciou alguns resmungos, se espreguiçando e passando seus dedos pela cama de casal por impulso. Mas estava vazia. Sempre esteve. Desde o dia que ele foi embora.

Abriu de vez os olhos azuis e encarou o lugar vazio por uns instantes. E mais uma vez aquela sensação voltava. Não bastava ter se passado seis anos, claro que não, ele sempre tinha que ser seu primeiro pensamento da manhã.

Droga, meu humor já era.

Bufou e se levantou, indo direto ao banheiro para fazer suas higienes matinais. E outro dia começava para a Dupain.

Seus cabelos azulados batiam no meio das costas ao se olhar uma última vez no espelho, já pronta e dando os toques finais na maquiagem, ela passou os dedos suavemente pela extensão e fez uma careta. Precisava cortar.

Pegou seu celular, bolsa e chaves do apartamento, estava atrasada, como sempre. Quando terminava de fechar a porta o celular tocou, e ela precisou ser precisa para que nada caísse de duas mãos desajeitadas. Atendeu quase no último toque.

—Bom dia, Coccinelle.

—Oh, lembrou-se de mim? - Terminou de fechar e correu até o elevador, ainda equilibrando o celular na orelha.

—Nunca esqueço. - Ela parecia poder vê-lo sorrir de canto, provocante. - Demorou para atender. Deixe-me ver… Atrasada de novo?

—Eu? Que calúnia, Yoshida! Nunca me atrasei para nada na minha vida inteira! - Ele gargalhou alto pelo alto falante. - Mas e aí? Que país está agora? Já faz quase duas semanas.

—Onde acha, Mari-chan? Tadaima!

—Você finalmente voltou? Que incrível! - Ela saiu do elevador, dando alguns pulinhos em alegria.

Alguns meses depois que Adrien a deixou Benjamin apareceu em sua casa como DarkTiger e pediu perdão por tudo o que tinha feito. Sua kwami, Nixx, havia feito sua consciência pesar - palavras dele - e o feito se arrepender de tudo. Ela o perdoou, apesar de não saber se deveria, entretanto, até hoje não se arrependeu do que fez. O mestiço havia se tornado o melhor amigo que poderia ter, mesmo que apenas se comunicassem por chamadas de vídeos e voz. Ele queria viajar o mundo todo, explora-lo e encantar-se com as diversas culturas e belezas. E é o que está fazendo agora.

—Sim, eu voltei para o Japão. Estou passando um tempo com meus velhos. É incrível que nossa casa em Tokyo não mudou nada desde o momento em que fomos embora. - Sentiu a admiração que ele transmitia, sentou-se feliz por ele. Segurou o celular com um pouco de força, se atrapalhando um pouco para entrar no táxi. - E como está sendo sua vida de assistente do grandioso estilista Monsieur Charles?

—Sinceramente? Quando comecei a estagiar na Gabriel, minha desculpa era procurar o paradeiro dele. Mas Monsieur Charles é tão maravilhoso que eu pude finalmente enxergar que meu sonho é ser uma estilista de renome, e não uma stalker de um homem que não pensou duas vezes em me largar. Estou muito feliz. Vou completar dois anos lá daqui a um mês! - Benjamin fez alguns barulhos em comemoração.

—Não sabe o quanto me deixa feliz em ouvir isso, Coccinelle. Eu espero que você seja muito feliz. - Suspirou. Ela também gostaria disso. Ela ouviu a mãe dele gritar algo em japonês, não conseguiu entender. - Ahh, Okaasan! - Ele bufou, resmungando coisas em japonês que, obviamente, ela não conseguiu entender. - Droga, eu tenho vinte e quatro anos e ela ainda me trata como se eu tivesse cinco!

—Eu ouvi isso, Yoshida Benjamin! - Nanami gritou ao fundo. Marinette riu.

—Acho que está ocupado, certo?

—Gomenasai, Mari-chan, mamãe inventou que precisa fazer um jantar de boas vindas para mim. E quer que eu seja o cozinheiro! Que injustiça, a festa deveria ser para mim, e não feita por mim! - Gargalhou, já podendo ver pela janela a empresa.

—Certo, cozinheiro Ben-kun, você parece ocupado. Tente me ligar mais vezes, e não só uma vez por mês!

—Prometo que não irei demorar tanto pra dar notícias, ok?  - Gargalhou, ela revirou os olhos, dando algumas notas para o taxista e saindo do carro. Seu apartamento não era tão longe da empresa, para sua sorte. -Tenho que ir agora. Tchau, Mari-chan!

—Até logo, Ben-kun. - Guardou o celular na bolsa e entrou na empresa, dando bom dia aos demais funcionários.

Os pequenos saltos ecoavam pelo corredor, e os poucos funcionários que passavam por lá pareciam extremamente tensos, nervosos. Marinette sabia muito bem o porquê, aquela era a “ID Week”, a semana de Ideias, todos os funcionários, de qualquer seção, poderiam apresentar um design para aquela temporada, e os desenhos seriam julgados pelo próprio estilista e os acionistas. Isso acontecia todos os anos, desde a presidência dele.

De qualquer forma, a Dupain nunca participava.

Monsieur Charles já tentou diversas vezes persuadi-la, e até mesmo Audrey Bourgeois veio pessoalmente pedi-la para participar – como acionista e jurada – mas ela negou. Nenhum de seus desenhos parecia bom o suficiente, e isso a deixava sem nenhum estimulo em querer mostra-los. Suspirou e entrou na sala do estilista.

Como sempre, ele estava sentado em sua enorme cadeira giratória, entre milhares de papeis, documentos, tiras de tecidos diferentes, enquanto mexia algo no notebook quase invisível entre toda aquela bagunça. Tinha um lápis pendurado na sua orelha, e quando a encarou, mexeu nos cabelos com seu habitual olhar de “ainda bem que você chegou!”.

—Bonjour, monsieur. – Fechou a porta e sorriu para o homem.

—Marin~~~ - Ele cantarolou, levantando-se da mesa e correu até ela com três tecidos diferentes na mão. – Petroleum Blue, Tiffany Blue, Royal Blue?

—É inverno, então acho que um Royal Blue ficaria incrível. – Ele encarou o tecido e assentiu. De repente seus olhos brilharam e ele deu alguns pulinhos.

—Oh, o que seria de mim sem você, lady Marin? Sempre cheia de bom gosto! – Ele agarrou seus ombros e girou, rindo e voltando para sua mesa. – Falando em bom gosto...

—Não. – Interrompeu-o, sentando-se na pequena mesa preparada especialmente para ela perto da janela panorâmica da grande sala. Ela tirou seu casaco vagarosamente, enquanto o homem piscou algumas vezes.

Monsieur Charles é um homem de uns cinquenta e poucos anos, cabelos castanhos batendo em cima do ombro e muito extrovertido – que na maioria das vezes parecia mais uma criança. Ele era a diversão em todos os eventos que ia, e é querido por toda a empresa. Assim como é muitíssimo seletivo, detalhista, perfeccionista e de um bom gosto enorme. Todos ali comentavam que ele é um tipo de Gabriel Agreste legal.

—Eu nem disse do que se tratava, chérie! – Ele retrucou, cruzando os braços.

—“Falando em bom gosto, Marin, você               deveria concorrer á IDW desse ano”. – Ela o imitou, e ele abriu a boca em surpresa. Seria exatamente o que ele iria falar.

—Tá, você me pegou. – Ele fez um bico e encarou o outro lado. Para um homem de meia-idade, estava sendo um crianção. – Mas, é uma grande oportunidade! Você cresceria muito dentro da empresa, Marinette. Ganharia reconhecimento e voz. Sabe que o dia que eu me aposentar não vou deixar que ninguém assuma meu lugar se não você. Disse isso desde o momento em que te escolhi na seletiva, e você continua adiando.

Ela suspirou. Aquilo é verdade.

Quase dois anos atrás, houve um concurso na Gabriel´s em que se passasse ganharia um estágio com ele. Marinette havia acabado de terminar a faculdade de design, e queria de qualquer jeito entrar na empresa para procurar Adrien. Pensava que assim seria uma oportunidade de saber seu paradeiro e ir atrás dele. A mestiça candidatou-se, sem muitas esperanças de passar. A prova seria fazer a “roupa dos seus sonhos”, sem qualificações nem temas, só algo que fosse pessoal, intimo. Acabou que ela desenhou Adrien em uma roupa que imaginou combinar com ele, anos antes ela já tinha imaginado alguns rascunhos, mas nada que pudesse realmente gostar. Em sua cabeça não era nada original, entretanto Monsieur Charles, assim que a escolheu a dedo na entrevista, disse que nunca tinha visto um design com tanto sentimento e originalidade. Ainda lembrava-se de seu sorriso brilhante.

“—Senhorita Dupain-Cheng, sabe por que eu a escolhi? – A azulada negou, os dedos se entrelaçando em seu colo, nervosa ao extremo. – No seu desenho eu vi seus sentimentos. Isso, - ele pegou o papel e apontou – não é apenas um rabisco. Não é só um desenho escrito a lápis. São os seus sentimentos, sua historia, seu trabalho. Pode não parecer nada para você, como estou vendo em seus olhos que esta me achando um louco, - ela riu sem graça, ele sorriu de canto – mas, na minha opinião como profissional, isto é algo a ser reconhecido. Todos os que candidataram-se não tinham tanta originalidade quanto você, e estou muitíssimo ansioso para trabalhar contigo. Espero te ver crescer ao ponto de que ocupe meu lugar como estilista um dia, tenho fé que isso irá acontecer, e o dia que acontecer eu serei o primeiro a te aplaudir numa passarela, lady Marinette.”

—Eu sei, monsieur, mas...

—Esse ano eu não vou te dar paz. – Ele levantou-se, batendo as mãos na mesa. – Sabe que quando me proponho a alguma coisa, eu consigo, senhorita Dupain-Cheng. Você vai participar esse ano sim! - Marinette arregalou os olhos com a seriedade dele, mas logo ele gemeu de dor ao ter batido muito forte as mãos na mesa e ela gargalhou alto. – Não se atreva a rir, estou falando sério!

—Ok, ok. – Ela levantou as mãos em rendição. – Você pode tentar. – Ele revirou os olhos e sentou-se.  O celular dele tocou por um momento e ele arregalou os olhos. – Aconteceu algo?

—Marin! Chegou uma nova remessa de tecidos!!!! – Ele pegou sua prancheta com um grande sorriso no rosto, era uma das suas partes favoritas como estilista, ver todos os tipos de panos que chegavam nas novas remessas. Ela levantou-se, pronta para acompanha-lo a inspeção. – Não, você fica!

—O que? Monsieur, eu também posso ajuda-lo...

—Non!! – Ele exclamou em tom manhoso, ela bufou, segurando o riso. – Você fica! Cuide dos documentos que serão levados para a sala de administração, eles precisam revisar o suporte para a semana de ideias. – Disse por fim, correndo para fora da sala, sozinha soltou o riso, mexendo a cabeça.

Depois que entregou Tikki para o Mestre, apenas um ano depois de Adrien sumir - não havia mais akumas para se combater, e os crimes locais podiam ser combatidos pela policia parisiense -, sentiu um vazio tão grande que achou não conseguir suportar. Porém, agora, podia ver que aquilo era passageiro, e sabia que onde estivesse Tikki estaria feliz em vê-la feliz.

Nunca imaginou que fosse ser feliz sem ele, e finalmente estava sendo.

Bateram na porta, ela arrumava os papéis pedidos então só respondeu um “entre!”. Mas ninguém respondeu, e continuou a bater na porta. Ela achou ser Charles cheio de tecidos em mãos e não conseguindo abrir a porta, de novo. Aconteceu tantas vezes que era bem possível.

—Monsieur? Espere um pouco, estou indo! – Ela riu, imaginando ele dando pulinhos com as mãos cheias de tecidos de várias cores e logo gritando “Tchanramm! Marin olhe só!”. Ela abriu a porta devagar, esperando que ele entrasse, mas ao ver quem estava na porta seu coração pareceu parar por uns segundos.

—Mari? – Os olhos verdes tão lindos, cujos ela sonhava todos os dias, estavam na sua frente. Adrien parecia muito mais alto do que antes, vestido em um terno preto e bem arrumado, os cabelos loiros cortados e penteados, o perfume nunca mudado entorpecendo seus sentidos... – V-você... – Ela fechou a porta na cara dele e correu para sua mesa, sentando-se ali e fingindo que nada estava acontecendo. Entretanto, ele abriu a porta em seguida e entrou. – Por que fechou a porta?

—Desculpe senhor Agreste, o Monsieur Charles foi inspecionar a remessa de tecidos que acabou de chegar, deve estar no estacionamento agora mesmo. Irei avisa-lo que o senhor esta o procurando agora mesmo. – Levantou-se sem o olhar no rosto, e passaria direto por ele se o mesmo não a pegasse pelo braço e a esmagasse contra seu torço num abraço.

—Eu senti tanto a sua falta... Tanto, tanto... – Ele murmurou contra seu ouvido. Por alguns segundos Marinette aproveitou daquele abraço, sentindo seu cheiro e ouvindo seu coração bater. Mas logo a verdade fez questão de bater em sua cara como um tapa, e empurrou-o.

—Não encoste em mim! – Ela exclamou, abraçando a si mesma.

—Mari...

—Eu tentei ser profissional, mas já que fez questão de me lembrar do que eu gostaria de esquecer, então vou deixar bem claro algumas coisas pra você. – Seus olhos azuis estavam cheios de ódio, Adrien deu um passo para trás. – Não encoste em mim nunca mais, não chegue perto de mim e muito menos fale comigo! Finja que não me conhece, e me ignore, como você fez pelos últimos seis anos! – Sentiu seus olhos arderem pelas lagrimas que segurava com todas as suas forças.

—Marinette, vamos conversar. – O Agreste tentou, mas a azulada parecia irredutível. Ela riu sarcástica.

—Conversar? Você quis conversar quando simplesmente me deixou sem nem dizer adeus ou dar explicações? Eu te pedi, implorei para que não fosse, e você foi. Aguente as consequências da sua escolha, senhor Agreste. – Marinette curvou-se com arrogância e caminhou até a porta, ao mesmo tempo em que foi aberta e Charles entrava.

—Marin! Você não vai acreditar nas novas peças que chegaram! – Ele sorriu, passando seus olhares dela para o outro homem em sua sala. – Oh? Senhor Agreste! Que honra vê-lo em Paris novamente! – Seu sorriso aumentou e o loiro assentiu, impassível. – Marin, já conhece o CEO Agreste?

—Sim, monsieur. Eu iria chama-lo agora mesmo para conversar com ele. – Seu tom foi mais frio que o esperado, com sorte o estilista estava absorvo demais em apresentar o chefe e não percebeu. – Já que esta aqui, eu vou me retirar...

—Ainda não, chérie! – Impediu-a. – Senhor Agreste, por favor, convença a senhorita Dupain-Cheng a participar da Ideas Week, por favor. Ela se recusa a participar, tendo mais potencial que todos os outros aqui. – Cruzou os braços e encarou a azulada que tinha o olhar de irritação voltada para o homem, que apenas deu de ombros.

—Você não quer participar? Por quê? – Perguntou. Marinette tinha na ponta da língua sibilar um “não é da sua conta, caralho!”, mas segurou-se e deu um sorriso forçado ao loiro.

—Não sou boa o suficiente para isso. – Deu de ombros.

—É mentira! Ela é incrível, senhor. Até mesmo Audrey Bourgeois veio aqui pedir para que ela participasse, e ela recusou. – Adrien sorriu com escarnio, sabia muito bem que ela é incrível, muito melhor que qualquer um, até melhor que ele próprio. Passou anos lidando com pessoas desse jeito, e sabia de um jeito que a faria concordar. Sempre funcionava, pelo menos.

—É mesmo, senhorita? – Cruzou os braços, ela o encarou com os olhos meio cerrados. – Que pena, achava que você tinha potencial, mas você é só mais uma daquelas que gosta de ter o ego inflamado, certo?

—Senhor...? – Charles também o encarava de um jeito cômico. O que aquele pirralho estava fazendo? Invés de ajudar estaria piorando as coisas!

—“Só mais uma daquelas”? – Marinette deu alguns passos até ele. Se ele queria acertar seu orgulho, tinha conseguido. – Você não sabe de nada!

—Sei muito mais do que imagina. – Entendeu a indireta, e estava pouco se fodendo se monsieur Charles ouviria-a mandar seu chefe para a puta que o pariu. Ela abriu a boca para retrucar, ele a interrompeu antes que ela o ofendesse até sua última geração. – Se esta irritada, então prove que estou errado. Prove que eu sou o idiota que esta mesmo pensando e mostre que você é tão incrível quanto os outros dizem. Enquanto isso não acontecer, ainda pensarei que você é uma covarde.

Uma coisa muito importante que Adrien aprendeu sem querer era que, nunca, jamais, chame – tanto Ladybug quanto Marinette – de covarde. Ela vai te provar o contrário, ou te dar um chute nas bolas.

Até agora não tinha recebido chute nenhum – e acredite, dói MUITO – então imaginou que fosse provar a ele o contrário.

—Não preciso provar nada a você! – Disse, com olhar cerrado. Por fim cruzou os braços. – Mas vou participar, para mostrar ao monsieur e todos os outros que eu tenho sim potencial. Agora se me der licença. – Curvou aos dois e saiu batendo a porta.

—Você conseguiu deixar ela puta de raiva e ainda faze-la participar! – O homem riu. – O senhor é realmente milagroso. Marin tem quase dois anos aqui, e eu nunca a vi querer mandar alguém a merda, muito menos sendo esse o presidente da empresa.

—Ela tem quase dois anos aqui? – Perguntou, genuinamente interessado.

—Sim. Foi escolhida no concurso que o senhor mesmo propôs. – O estilista sentou-se a mesa, segurando algumas papeladas importantes. – Ela entrou com muito prestigio, todos aqui gostam dela. – Ele sorriu, tem grande admiração pela mestiça. - Falando nisso, temos coisas a resolver, senhor Agreste.

—Sim, foi por este motivo que estou aqui, Monsieur Charles. – O loiro sentou-se á mesa e o homem sorriu de canto, pronto para mostrar todos seus projetos.

Marinette andava pelos corredores com uma fúria nunca antes vista por ninguém ali. A mestiça sempre foi vista com um sorriso no rosto, apesar de que a reputação de Monsieur Charles diz que ele não é nem um pouco fácil de lidar. Agora, os olhos azuis gentis pareciam soltar fogo a quem os encarasse, alguns tinham até medo de encara-la, como se fosse a própria Medusa.

O único corajoso o suficiente para se aproximar da mulher foi o produtor musical, Luka Couffaine. O homem tinha cabelos pretos, um olhar azul e sorriso jovial. Ela tinha descoberto a pouco que ele era irmão de uma de suas velhas amigas do colégio, Juleika.

—Marinette? – Chamou-a, ela girou seus calcanhares para olha-lo com um pouco de rudez, acalmando-se ao ver que era ele. – Você quer tomar um café comigo?

—Ah, claro... – Voltou a sorrir docemente, e o acompanhou até o refeitório da empresa. Procurou uma mesa desocupada, enquanto ele comprava as bebidas. Ela achou uma perto das janelas e sentou-se vendo o se aproximar com dois copos.

—Então... Você esta bem? Parecia bastante irritada. – Entregou o copo á ela, que suspirou. – Não precisa me dizer se não quiser. – Ele sorriu gentilmente. A mestiça gostava do Couffaine, ele nunca a pressionava e sempre foi extremamente gentil com todos ao seu redor.

—Tudo bem, é que... Tenho problemas do passado que enfim deram as caras, mas eu gostaria de evitar a todo custo. – Tomou um gole generoso da bebida quente, dando de ombros.

De qualquer forma ela deveria ter se conscientizado que ele alguma hora voltaria. Afinal, continua sendo o dono de tudo aquilo. Seria burrice achar que ela nunca mais o veria estando em seu território.

—É só um conselho, mas, acho que você não deveria fugir de seus problemas, e sim resolve-los de uma só vez. – Ele pegou sua mão por um instante, acariciando com carinho. Marinette sorriu, ele tinha razão... Mas, e se o problema fosse grande demais para se resolver?

—Obrigada, Luka. – Ele a soltou e bebeu um gole do seu café, retribuindo o sorriso. – Chega de falar de mim! E o senhor? Grande produtor musical.

—Fala sério, Marinette, sou tudo, menos produtor musical. – Riu, se encostando na cadeira de um jeito mais confortável. – É só um maldito titulo. Eu edito soundtracks dos comerciais, organizo os desfiles, e arrumo algumas edições para promover a marca. Sou mais como um faz tudo da informática. A única coisa que posso me gabar como produtor musical é que sou eu quem produz os vídeo clipes das modelos/cantoras. – Ele bufa. – Gostaria mesmo é estar compondo e cantando por ai.

—Como um rockeiro em uma banda? Combina com você.

—Ah, você é totalmente incrível, Marinette. Obrigado. – Olhou para o chão e sorriu, corando um pouco as bochechas.

—Sinto muito atrapalhar, senhorita Dupain-Cheng, – Arregalou os olhos ao ver Natalie Sancoeur ali. Ela é a encarregada da matriz, quase como uma vice-presidente – estão chamando-a na sala 13 do quarto andar.

—Não precisava dar-se ao trabalho de me chamar, senhora Sancoeur. – Corou e levantou-se, os dois curvando-se levemente em respeito para a superior.

—Não há problemas, eu tinha que vir aqui de qualquer forma. – Deu de ombros e permitiu-se sorrir de canto. – Por favor, se apresse.

—Sim, senhora.

—Eu te acompanho, tenho que ficar no quinto andar. Chloé Bourgeois vai ser fotografada com os trajes especiais de Audrey, soube que são muito caros e praticamente únicos no mundo, e ela exigiu que eu fosse o fotografo. – Revirou os olhos enquanto caminhávamos até o elevador.

—Sério? De produtor musical á fotografo? Uau.

—Só aceitei porque ganharei um bônus enorme. Disso não posso me queixar, o salário é bastante aceitável. – Rimos e as portas se abriram, mostrando o quarto andar.  – Bom, é aqui que você fica.

—Sim, obrigada pela conversa, Luka. Nos vemos depois?

—Claro! Podemos sair para um almoço qualquer dia desses? Gosto de conversar com você.

—Eu também! Iremos marcar assim que acabar esse sufoco da semana de ideias, ok? – Corou, acenando, enquanto a porta do elevador fechava de novo e por fim via-o fazer um gesto positivo com a mão.  Girando os calcanhares, ela caminhou até a dita sala, se perguntando o porquê de terem a chamado ali. Os corredores estavam praticamente vazios, aquele andar era usado apenas para reuniões, e quase ninguém frequentava. Abriu a porta vagarosamente, ouvindo-a ranger ao abrir e novamente fechar. – Olá? – Olhou ao redor e pareceu não ver ninguém. – Será que a senhorita Sancoeur errou o andar? – Disse para si mesma. De repente alguém a puxou pela cintura, a mestiça deu um grito de susto e tentou se soltar dos braços que a rodeavam. Depois que uma cabeça loira deitou em seu ombro ela pareceu finalmente se tocar de quem tinha a chamado para lá. – Seu maldito! Me solte agora!

—Que recepção mais calorosa... Antes você gostava dessa posição. – Ele afrouxou o aperto e Marinette se afastou imediatamente. Claro que era ele, como não imaginou isso antes? A própria “vice-presidente” chama-la entre muitos outros, para um andar vazio? – Percebi que tem se dado bem com o produtor musical. Qual é o nome dele mesmo? Café-com-Leite?

—Qual é a sua? – Exclamou, exasperada. – O que caralhos você pretende ao de repente aparecer e dizer “oh, eu senti tanto sua falta!”? Eu passei tanto tempo tentando superar, e quando finalmente consigo me livrar de toda essa merda você me aparece com esse seu sorrisinho prepotente e me joga indiretas como se nada tivesse acontecido! COMO SE VOCÊ NÃO TIVESSE SIMPLESMENTE IDO EMBORA!

—Eu entendo sua raiva, juro! Então se quiser, pode gritar comigo, me bater, fazer qualquer coisa para extravasar sua raiva. Mas depois disso, me deixe explicar tudo!

—Você é surdo? De que parte do “EU NÃO QUERO OLHAR PRA PORRA DA SUA CARA” você não entendeu?

—Não precisa olhar pra mim, Marinette. Só me escute! – Deu um passo para frente, ao mesmo tempo em que ela deu um para trás.

—Não! – Gritou, tapando os ouvidos com as mãos e fechando os olhos com força.

—Você precisa me escutar sim! – Ele aumentou um pouco o tom de voz. – Pare de fugir de seus problemas! – Ela abriu os olhos na hora, o encarando com escárnio.

—Fugir? – Ela riu baixo. – Eu só entrei nessa droga de empresa pra te procurar, para saber mais sobre você, ou onde você poderia estar. Mas sabe o que eu descobri? Suas viagens, conquistas, amantes, alegrias. E sabe como eu estava? NO FUNDO DO POÇO! Mas eu superei. Sou assistente do designer principal, futura designer. Então... Eu fugi dos meus problemas? VOCÊ que me abandonou e EU que fujo? Hipócrita!

—Você está totalmente certa! Sou um maldito imbecil, hipócrita do caralho, e não mereço seu perdão. – Ele bufou e bagunçou os cabelos loiros. – Fui egoísta, só pensei em mim mesmo quando fui embora. Eu só... Não poderia, não conseguiria ficar aqui! Em todos os lugares que eu ia Gabriel estava ali, me julgando, me dizendo que eu era o vilão, era eu quem tinha o matado.

—Eu tentei te ajudar! Se você tivesse ficado eu teria...

—Tentado me ajudar? Eu sei muito bem disso, Marinette. Você é tão incrível, meu Deus, eu não te mereço por você ser tão extraordinária! – Seus olhos encheram-se de lagrimas. Fazia anos que Adrien não se deixava abater, mas naquele momento parecia que seus anos sozinho exigiram o preço das consequências. E estava sendo muito alto. Só de encarar os olhos azuis dela, tão frios, duros, estava matando-o. Ela não tinha deixado nenhuma gota de lagrima cair, forçando-se a ser forte. – Eu tinha dezoito anos, tinha acabado de descobrir que meu pai era o maior super vilão da França, e ainda por cima o matei acidentalmente. Minha única solução naquele momento foi fugir, antes que eu machucasse outra pessoa. Antes que eu te machucasse.

—Mais do que me machucou ao ir embora? Esse foi o maior sofrimento que você poderia ter me dado. – Abraçou a si mesma, sentindo seu coração doer. - O que você pensou? Que na manhã seguinte eu acordaria, não te veria na cama, dissesse “poxa, ele foi mesmo, que pena” e seguiria com a minha vida normalmente? – O loiro soluçou, sentando-se em uma cadeira, apoiando seus cotovelos nos joelhos e pondo seu rosto entre as mãos. Marinette se aproximou um pouco dele, e o encarou com dor. – Eu nunca mais consegui acordar sem imaginar que você estaria ali, e na verdade acordar e lidar com a realidade. Você não estava.

—Achei que você fosse superar...

—Sim, eu superei. Depois de quase cinco anos esperando que você voltasse! – Ele levantou o rosto e a encarou.

—Você está com aquele cara? O produtor? – Os olhos verdes brilhantes pelas lágrimas pareciam gritar em silencio “por favor, não!”.

—Não te interessa. – Respondeu seca, se afastando enquanto respirava fundo para voltar ao normal. – Se já terminou tudo...

—Perdão. – Interrompeu-a. Ela cerrou os olhos e virou-se para encara-lo. – Por favor, Marinette, me perdoe. – Pela primeira vez sentiu seus olhos encherem de lagrimas, o choro preso na garganta querendo sair a qualquer custo.

—Adrien, eu... – Ia ser difícil falar aquilo. Sua garganta ardeu e ela engoliu em seco. -... Eu entendo tudo o que você passou, também sei que estou sendo egoísta em querer vitimizar somente a mim mesma. Mas só eu sei a dor que eu senti, não posso perdoar o sofrimento de seis anos em um segundo. Eu vou pensar sobre isso. – Ele assentiu. Assim como ela foi difícil superar todo o seu passado, mas o tempo havia sido bom com o mesmo, e o trabalho ajudou para que ele se esquecesse de tudo. – Eu tenho que ir, Monsieur Charles já deve ter dado pela minha falta.

—Espero que você não esqueça da semana de ideias, eu ainda mantenho minha condição. – Rapidamente sua posição mudou, e Marinette surpreendeu-se pelo quanto ele mudava em segundos. Ela não deu uma resposta certa, só saiu.

Adrien estava disposto a esperar por uma resposta, assim como ela o esperou por anos.

...

O Agreste não aguentava mais esperar.

Passaram-se duas semanas desde aquele dia. A semana de ideias seria daqui a algumas horas e ele não tinha uma resposta. Como Marinette conseguiu passar cinco anos assim? Cada vez que ela passava ao seu lado no corredor da Gabriel sentia vontade de agarra-la, e vestir aquelas saias lápis coladas não ajudava com sua situação. Muito menos ver o Produtor Café-Amargo sempre perto demais. Naquele mesmo momento queria soca-lo.

Monsieur Charles já parecia enjoado de ver a cara do CEO mais que o normal – ele só parecia o ver de dois em dois anos, e isso porque viajava atrás dele em suas filiais pelo mundo - em sua sala. Até porque Adrien arrumava uma desculpa para apenas olhar a mestiça de canto de olho todos os dias, o designer estava prestes a expulsa-lo de sua sala de vez.

—Senhor Agreste, com todo o respeito, nós temos apenas seis horas pra planejar os últimos toques da semana de ideias, e ainda temos a papelada com os tecidos do desfile do final do mês. O senhor não está ajudando em nada, então, se me der licença, saia da minha sala agora. – O loiro tentou argumentar, enquanto que parecia ver o produtor dar um sorrisinho de canto, mas o mais velho apenas fechou a porta. Marinette riu alto. – Ah, esse pirralho me dá nos nervos!

—Monsieur, como o CEO Agreste deixa você falar assim? Ele parece sério demais. – Luka perguntou, Charles deu de ombros.

—Fui um grande amigo de Gabriel no ensino médio, vi esse moleque crescer. Ele não pode me demitir, foi exigência do próprio Agreste que eu me tornasse o designer se alguma coisa acontecesse com ele. Eu nunca entendi o porquê disso, parecia que ele sabia que iria morrer... Até hoje me pergunto isso... – Suspirou. Luka tocou em seu ombro, tentando transparecer conforto. – Bom! Temos muita coisa para fazer. Marin, me diga que terminou seu desenho!?

—Quase, Monsieur. Tenho muita coisa para fazer, terá que esperar até os últimos momentos. – Deu de ombros, o homem pareceu perder as cores do rosto.

—Isso é um grande insulto para mim, senhorita Dupain-Cheng! – Ele a encarou com horror.

—Conviva com isso. – Riu e continuou ao que estava fazendo. Mordendo o lábio para esconder o riso que segurava o ver a cara de decepção ao ver Charles fechando a porta em sua cara.

Não imaginou que fosse sentir aquilo de novo. As malditas borboletas do estomago, o rosto corando só de se lembrar dele, ou do sorriso que tentava esconder ao vê-lo encarando da porta do escritório. Tentava sentir raiva de si mesma, mas era quase impossível, ao ver o sorriso dele. Mal conseguia acreditar que o seu coração cheio de cicatrizes bateria mais uma vez pela mesma pessoa que tinha deixado aquelas cicatrizes. Parecia até um filme clichê.

O desenho que iria apresentar estava muito bem guardado na sua ficha de desenhos, e a cada minuto que passava ficava mais evidente o nervosismo em seu rosto. Ela mentiu, aquele desenho estava pronto há semanas. Mas nunca iria admitir que estava insegura, não mais do que já demonstrava.

E se não estivesse bom o suficiente? E se não fosse o suficiente? E se falhasse?        

Aqueles “e se” só aumentavam sua vontade de largar tudo e sair correndo.

—Marin, vaaamos~ - O designer tirou-a de seus pensamentos quando estava prestes a se levantar e correr em seus pensamentos. – Já está na hora de nos arrumarmos.

—O que? Ainda faltam horas! – Ela o encarou confusa.

—Marin, faltam só cinquenta minutos, estamos mais do que atrasados! – Ela arregalou os olhos, pegou sua bolsa e casaco e correu. Tinha tanta coisa para fazer!

O tempo passou diante dos seus olhos! Nem percebeu quando Luka saiu, ou quando o sol começou a descer e deixar o céu em um tom alaranjado. Assim como tudo passou num borrão quando ela saiu do elevador já no térreo, pegou o primeiro táxi que viu pela frente e chegou ao apartamento em tempo recorde.

Não sabia nem o que fazer quando já estava no quarto. Tomou um banho rápido, mas relaxante. Seu dia foi muitíssimo corrido, a água morna escorrendo por seu corpo e o sabonete de cheiro adocicado afastavam um pouco do estresse. Não gostaria de sair tão cedo do banho, infelizmente aquele não era um dia comum e precisava apressar-se.

O vestido vermelho – que tinha sido feito por ela mesma meses antes apenas para ir ao evento – longo e justo no busto com uma pequena abertura na perna direita, suas alças pendiam ao meio do ombro em um detalhe bastante ousado, sem ser vulgar, estava em pendurada em um cabide ao lado do guarda-roupas. Suspirou e o vestiu com cuidado, encarando o espelho com satisfação, apesar do seu nervosismo e paranoia dizer o contrário, aquele vestido estava muito bom em si.

Maquiou-se com cores neutras para destacar o vestido e os lábios pintados de carmim. O salto alto preto a deixava pelo menos uns dez centímetros mais alta – e nem assim conseguia chegar a altura de Adrien -, estava sentindo-se poderosa, como se trajasse o uniforme de Ladybug novamente. Tenho que visitar Tikki e o Mestre qualquer dia desses...

O relógio na parede apitou, mostrando ser oito horas em ponto. Marinette arregalou os olhos e, assim como todas as manhãs, juntou suas coisas rapidamente, conferindo se estava tudo no lugar. A bolsa, celular, algumas notas de euros para o táxi, maquiagem para retocar e as chaves do apartamento. Estava tudo certo? Ah!

O fichário de desenhos.

Fechou toda a casa e correu para o elevador novamente. O porteiro do prédio estava mais do que acostumado a ver a mestiça correndo de lá pra cá todos os dias, mas se espantou ao vê-la correr com um longo vestido vermelho. Como não perceber?

—Boa noite, senhorita Dupain! – O mais velho gritou, enquanto ela abria a porta de um táxi. Ela acenou e sorriu.

—Boa noite, senhor François! Estou atrasada! – Ela gritou de volta, e ele riu alto. Não era uma novidade. O táxi arrancou e Marinette segurou o fichário com mais força. O desenho a ser entregue estava muito bem guardado, inclusive estava plastificado. Pretende guarda-lo, mesmo se não ganhar. Suspirou, o nervosismo estava fazendo suas mãos tremerem.

O motorista avisou que haviam chegado e ela assentiu gentilmente, pagando-o e logo saindo do táxi, vendo muitos fotógrafos na frente da empresa. Monsieur Charles estava na frente da porta de entrada, conversando com a imprensa, quando a viu e arregalou os olhos, deixando todos de lado e correndo até mim.

—Marin, está muito bonita! – Disse, logo todos estavam tirando fotos dos dois. Ele sorriu. – Não me diga... Você desenhou?

—Ah, isso? – Apontou para o vestido. – Não é muita coisa. – Tentou ser modesta, mesmo que soubesse que aquele vestido estava incrível.

—Não tente esconder seu orgulho de mim, chérie. Eu sei que não é “só isso”! – Ele riu e logo desviou sua atenção para as câmeras. – Esta é Marinette Dupain-Cheng. Gravem esse nome, pois ainda será muito comentado no futuro, senhores! – Segurou sua mão e a puxou para dentro, ignorando as perguntas dos repórteres. – Eu preciso ir para a mesa dos jurados agora, Marin. Eu só gostaria de te dizer algo. – Olhou-a no fundo dos olhos. - Não é porque você é minha assistente que eu vou pegar leve. Serei muitíssimo exigente, e você sabe mais do que ninguém que eu nunca deixaria meus relacionamentos pessoais interferirem na minha decisão. Como jurado, como designer, e principalmente como seu amigo, eu serei justo.

—E esse é um dos motivos de eu ter uma admiração muito grande por você! – Abraçou-o. – Sei que vai fazer a coisa certa, e não por amizade. Que vença o melhor!

—Tenho orgulho de você petite coccinelle. – Faziam anos que ninguém a chamava daquele jeito, a azulada sentiu seu coração apertar. – Até mais! – Ele entrou, fechando a porta e deixando-a sozinha com seus pensamentos.

Só com os poucos segundos que ele havia aberto a porta, o som das vozes, a música e todo aquele ambiente pareceu mostra-la que tudo estava sendo real. Se ganhasse, teria respeito, mostraria que também poderia ser alguém, e até tinha podia ser convocada para ser um dos coadjuvantes á estilista – teria mais participação nos preparativos, opinião ao designer das roupas e as temporadas de moda em geral. Uma grande oportunidade e experiência para ela, que sonha em ter participação em tudo, e não só organizar algumas coisas e ajudar o Monsieur, mesmo que fosse divertido.

Mas, e se perdesse?

Mais um ano desperdiçado. Seria vista como incapaz, mesmo sendo a “preferidinha dos jurados”. E Lila Rossi, aquela maldita vadia, daria mais um sorrisinho de vencedora, como todos os anos. Só de pensar sentia raiva. O sentimento de impotência a deixava cada vez mais vulnerável, e o fichário preso entre seu abraço parecia tão inútil.

Talvez fosse melhor deixar para lá. Não estava pronta para tudo aquilo.

Girou os calcanhares para sair do lugar, entretanto acabou dando de frente com alguém.

—Me desculpe, não vi você. – Um par de olhos verdes a encararam confusos, como um gatinho curioso. – Oh, Marinette. Para onde vai? A entrada é ali.

—E-eu...

—Não me diga que vai desistir? – Ela olhou para o chão, seu coração doía. Quando se falava em voz alta parecia muito mais triste. – Que pena, achei que fosse mais corajosa. Como a Ladybug.

—A Ladybug sumiu há anos! – Resmungou, ainda não conseguindo olha-lo nos olhos.

—Não sumiu não, sabe por quê? – Puxou seu queixo para cima, voltando a olha-lo no fundo dos olhos. Ele a empurrou disfarçadamente até um corredor menos movimentado e um pouco mal iluminado. – Porque ela esta na minha frente agora mesmo, vestida num puta vestido lindo, com os lábios muito tentadores, e se não fosse por ser uma competição que eu quero muito que ganhe eu estaria te agarrando agora mesmo contra essa parede. – A apertou contra a parede fria em retruco, sentindo todas suas curvas contra si. – E também porque, não importa se ela esta com os brincos ou não, ou vestida num uniforme vermelho e preto, a Ladybug está aqui, no seu coração, - apontou com o dedo para o coração pulsante dela – faz parte de você. É você. Ela não desiste fácil.

—Adrien... – Suspirou, quando ele trouxe seus lábios para perto do pescoço dela, arrepiando-a com sua respiração perigosamente perto.

—Você vai deixar que Lila ganhe mais uma vez esse ano com um desenho que eu duvide muito que ela mesma tenha feito? – Sussurrou perto do seu ouvido. Chegando ainda mais perto, milímetros de beijar o local alvo e cheiroso do seu pescoço. – Hm?

—Eu estou com medo... – Fechou os olhos e deixou que ele a abraçasse. Adrien a afastou apenas para dar-lhe um selinho, tão rápido quanto um piscar de olhos.

—Eu estou aqui, my lady. – Sorriu.

—Mas e se for embora de novo e eu ter que conviver com meu coração partido? Eu não vou aguentar, de novo não. – Ele apertou mais ainda suas mãos na cintura dela.

—Eu nunca mais vou embora, e se um dia eu for você vai comigo. Nunca mais vou te abandonar, meu coração não aguenta te perder pela segunda vez, Marinette. – Encostou suas testas, com carinho. – Eu juro.

—Essa é a ultima vez que eu vou confiar em você, Adrien. – Sussurrou em seu ouvido. Ele abriu os olhos e a viu sorrindo de canto. Cerrou os cenho como se perguntasse se era de verdade. E então riu, e a abraçou com força.

—Eu te amo, eu te amo! – Ele gritou.

—Shhhh! Estamos no meio do evento, Adrien! Alguém pode ouvir!

—Eu não ligo! – Grudou seus lábios, em um beijo totalmente cheio de saudade, borrando seu batom.

A alegria nos olhos de ambos era tão grande, que foi impossível ninguém perceber. Ao entrar no salão, Adrien estava com os lábios inchados, avermelhados de batom, e os cabelos um pouco bagunçados, mas com um enorme sorriso no rosto.

Os jurados eram Charles, Audrey Bourgeois, a vice presidente Natalie, um acionista da empresa e o representante de todos os departamentos. As apresentações eram basicamente entregar uma copia do desenho para todos os jurados, enquanto que o apresentador segurava o original na frente de uma câmera que passava para o telão, para todos ali verem. Depois que julgado, cada um deles vai dar sua nota e opinião.

Todas as participantes tinham desenhos incríveis, mesmo com o alto nível de critica dos designers. A Dupain é a próxima, depois da víbora Lila, que exibia um sorriso gigante, junto ao decote. Respirou fundo, olhando para o loiro na plateia, ele tinha um sorriso confiante de cheio de deboche, dizia “me prove que estou errado quanto ao seu ego”, e eu iria mostra-lo.

—A próxima participante é Marinette Dupain-Cheng, assistente do designer Charles! – O som dos aplausos ecoou por todo lugar.

Ela caminhou até o palco e entregou o desenho ao apresentador. Todos os jurados tinham um olhar difícil de decifrar. Marinette se forçou a estar confiante. Já enfrentou akumas muito mais perigosos que um simples evento como aquele, iria conseguir.

No fim de tudo. Ela conseguiu.

Com um ponto a mais que a Rossi, apenas, ela tinha conseguido vencer.

O sorriso de Adrien podia ser considerado o maior do mundo naquele momento, assim como o dela. Gritou varias vezes em silencio “eu te avisei, seu imbecil!”, esperando a primeira oportunidade para ficar sozinha com ele e poder gritar mais e mais o quanto ele estava errado.

Depois de tanta dor, tanto sofrimento, ela finalmente tinha conseguido estar com ele, não podia negar que o amava demais, não conseguiria mais viver sem ele.

Adrien Agreste conquistou seu coração de tantos jeitos diferentes, ainda podia se lembrar de todas as noites em que entrava em seu quarto como Chat Noir e conversavam quase a noite toda. Achava que estava tendo um novo amor, quando que na verdade seu amor nunca mudou, sempre foi o mesmo. Sempre foi ele.

E iria continuar sendo pelo resto da vida.

Afinal, não existia o Yin sem o Yang, a criação sem a destruição, o amor sem a dor. Então não poderia existir uma Ladybug sem o seu Chat Noir.

A partir daquele momento, eles iriam construir juntos um novo amor. Sem traumas, ruinas, abandonos ou ódio.

A força do amor irá os salvar, sempre.


Notas Finais


Este capitulo foi basicamente para explicar os paradeiros dos personagens, que talvez vocês se perguntassem para onde foram. Faltou alguns? Sim, mas acho que não foram de grande importância. Qualquer coisa, por favor, me perguntem! Não fiquem envergonhados, eu responderei todos!

Este capitulo não esta revisado, pois eu estou morrendo de preguiça. Meus deuses, são quase 7k! Como foi que eu consegui escrever tudo isso?

Aos meus leitores, muito obrigada por todo esse tempo me acompanhando e lendo todos os 32 capítulos dessa grande trajetória. Graças a esta fanfic eu conheci muitas pessoas incríveis, e que se depender de mim levarei para o resto da vida. Não foi fácil, sempre deixei isso bem claro, mas graças ao seu apoio, eu estou aqui e pude terminar finalmente. Hoje nós somos quase 700 favoritações, e isso me dá muitíssimo orgulho. Imaginem-se abraçados, eu amo vocês demais.

Não, essa não é a minha última fanfic. Tenho muitos projetos a cumprir, e quem quiser ler, tenho algumas one-shots no meu perfil. Estarei sempre a disposição!

Eu odeio despedidas, me sinto impotente e melancólica. Então, a todos vocês...

Até logo.


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