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História Um novo recomeço - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Tempo


Henrique Fogaça

Passou-se um ano que Paola havia me deixado. Um ano de um mal entendido. Tentei procurá-la pra conversar, mas não a achava em lugar nenhum, vasculhei em todos os hotéis da cidade e até os de fora, mas ela não estava em nenhum deles. Ela tinha ido embora.

Com esse tempo chorei muito, Paola costumava fazer coisas malucas quando estava de cabeça quente, e o que me deixou mais preocupado foi o bebê. Sua saída de casa foi repentina, ela simplesmente se foi sem esclarecer as coisas, sem deixar eu conversar com ela e dizer o motivo daquele mal entendido.

Ela carregava uma criança dentro do seu ventre que era minha também, não poderia ter ido sem explicar.

Nesse período tentei conversar com Ana para me contar aonde ela estava, mas foi em vão, a baixinha sempre trocava de assunto ou corria dele.

Entre mágoas e dores, decidi me afogar no trabalho, provavelmente eu teria perdido a mulher da minha vida para sempre. E isso era de partir o coração, porque Paola foi a única mulher que fez meu coração bater mais forte, e por conta de uma outra mulher maluca, tudo isso acabou.

Flashback on

— Titia eu tenho que ir, vou ir na ultrassom de Paola, não posso perder. – Falei descendo as escadas.

— Sua tia foi comprar umas decorações para a nova doceria, em torno de uns vinte minutos ela volta. – Carine, uma mulher loira que ajudava minha tia dizia.

— Ah sim… Então você pode dizer a ela que eu saí, por favor? – Me posicionei de frente para ela.

— Claro tatuado. – Sorriu maliciosa e com as mãos cheias de doce lambuzou minha boca. — Bem melhor assim. – riu e eu fiquei incrédulo com a atitude aleatória da mulher. — Brincadeira, deixa eu tirar. — Ela posicionou uma mão em meu peito e a outra em minha boca limpando o doce.

E de repente Paola abriu a porta presenciando aquela maldita cena. Seus olhos estavam marejados e sua respiração descompassada.

Foi a pior cena vê-la chorar, era cruel como em questão de segundos, tudo mudou. Tentei chegar perto dela, porém a mesma se distanciou e saiu batendo a porta.

— Viu só o que você fez! – Gritei e saí correndo atrás de Paola.

Ela já estava no carro e chorando, meu mundo desabou quando a minha esposa saiu cantando pneu pra algum lugar que eu não fazia ideia.

Me xinguei mentalmente por não ter vindo de carro.

— Droga! – Dei um soco no vento e passei a chorar.

Dentro de alguns minutos titia chegou e a expliquei tudo, a mesma ficou incrédula ao ver o que Carine era capaz de fazer, a despediu e ordenou para ela que nunca mais voltasse a pisar seus pés dentro daquela casa.

Chorei horrores e titia tentou me acalmar, mas era em vão. Assim que fiquei menos pior, peguei um táxi e fui para casa na esperança de Paola chegar, já era tarde. 

Tentei ligar para ela, mas só dava caixa postal. Foi aí que lembrei de Ana, obviamente ela estaria com ela, mas já era muito tarde. Decidi ir somente no dia seguinte, não queria me estressar com Paola.

Mas como era de se esperar, o dia seguinte chegou e ela não quis conversar. Liguei muitas vezes, mas sem resposta.

 Ana veio pegar uns pertences de Paola, tentei conversar com ela e fazê-la me tirar alguma informação, mas a baixinha disse apenas que Paola passaria num hotel e que era melhor conversar com ela outra hora.

Relutei para fazê-la mudar de ideia, mas nada. Era melhor deixar para conversar outro dia.

Flashback off

Só que esse dia nunca chegou. Tentei ir à casa de Ana para ver se Paola estava lá, mas não existia nada além de fotografias e uma Ana Paula triste. Foi quando percebi que minha mulher tinha sumido, para sempre.


_____


Paola Carosella 

Passou-se um ano que fui embora do Brasil. Foram meses exatamente tristes para mim. Assim que cheguei em Buenos Aires aluguei um apartamento, como era minha cidade natal, já a conhecia como a palma da minha mão.

Marquei consultas com outros médicos e assim que pude, fui descobrir o sexo do bebê. Era uma menina.

Com o passar dos meses as tonturas e enjoos foram se intensificando, minhas costas não aguentavam mais. Entretanto o que me dava mais dor, era o fato de não ter ninguém comigo, ninguém que pudesse me acolher, ninguém que pudesse segurar minha mão e dizer que logo tudo passaria.

Foram meses difíceis para mim, eu só chorava, meus pensamentos ainda faziam questão de focar em Henrique e no dia em que ele me traiu com aquela loira.

Próximo ao mês do nascimento da minha filha, conheci uma pessoa maravilhosa no mercado central, Zoe. Ficamos amigas e a mesma me acompanhou até o nascimento da minha bebê, junto com seu marido Ramiro.

Luna, minha filha, nasceu ao lado de duas pessoas maravilhosas. No começo senti medo por conta do pior assunto, Henrique. Ele era o pai, e de qualquer jeito tinha todo direito de saber, mas eu não cogitava contar a ele tão cedo.

Ele foi o motivo da minha dor, e ele tinha toda a culpa.

Durante todos os dias liguei para Ana, eu estava morrendo de saudades da minha baixinha jornalista predileta. Como prometido, apresentei Luna para Ana, e a mesma não deixou de notar que minha filha era a cara de Henrique. Realmente Luna parecia bastante com o pai. 

Luna era a minha única razão de felicidade, eu só teria suportado tudo por conta dela, e claro, de Ana, Zoe e Ramiro. Somente eles me acompanharam e me suportaram sem me julgar. 

Quando Luna fez dois anos, voltei a estudar, me formei e passei a me intensificar na gastronomia. Fiz muitos estágios e vários cursos, mas o que eu realmente queria era abrir um restaurante. Era um dos meus maiores sonhos. Mas eu não queria abrir em Buenos Aires, então decidi esperar mais um pouco.

Nesse tempo fui amadurecendo, minhas feridas cicatrizaram, fui me tornando mais forte e mais segura, precisava voltar a ter determinação e coragem por conta de Luna. Nada era culpa dela, e eu precisava demonstrar isso para ela.

Com quatro aninhos de idade, Luna já era uma garotinha muito esperta, tagarelava sem parar e fazia muitas perguntas. Cada dia mais parecida com Henrique, mas alguns traços eram meus. 

Luna as vezes perguntava pelo pai, sempre era um assunto que me incomodava muito, mas com a ajuda de Zoe, consegui fazer sua cabecinha.

Sempre dizíamos que o pai dela havia viajado com um pônei colorido pra longe, e que talvez um dia ele voltaria para conhecê-la.

Quando Luna  fez cinco aninhos, decidi que iria voltar para o Brasil. Queria conviver com Luna no lugar que decidi passar o resto da minha vida, e deixaria de lado essa história que me magoou por tantos anos.

Pensei em Ana também, eu estava morrendo de saudades e sabia que se eu voltasse eu não estaria sozinha. E a vida continuaria, não deixaria meu sonho de lado por conta de erros do passado.

As consequências com Henrique não me impediriam de tentar recomeçar. 




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