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História Um novo recomeço - Capítulo 5


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Capítulo 5 - Pensamentos confusos


Paola Carosella 

Havíamos chegado na casa de Ana, fui até o quarto de hóspedes e arrumei todas as coisas que tinha que arrumar, depois desci as escadas indo me encontrar com a dona da casa. Como imaginei estava tudo no lugar, as fotografias, os vasos e os livros na estante. 

— Ela dormiu, deve tá cansada. – Ana apontou para Luna que dormia no sofá.

— Ela passou a manhã inteira acordada, só dormiu no avião. – Expliquei. — Como é bom estar de volta! – Admiti.

— Achei que não viria mais, desde que você foi embora, confesso que não criei esperanças de você voltar. – Admitiu. — Mas agora você está aqui. Uma nova mulher forte e determinada, com uma filha linda e com um sonho pra se realizar. – Sorriu. — Senti tanto a sua falta, mana.

— Eu também Ana. – Concordei. — Você não sabe o quão difícil foi ficar longe de você. – Sentei no sofá aonde Luna dormia. — Ei minha Lua, não era pra você dormir agora, e o seu banho? – Sussurrei passando a mão em seus cabelos castanhos.

Ana me olhava admirada, provavelmente nunca me viu assim babona e com um sorriso de canto, a maternidade foi uma experiência maravilhosa para mim. 

— Pretende contar a ele? – Ana questionou.

— Quem sabe um dia. – Suspirei. — Por mim eu não contaria, mas ele tem o direito de saber, ele é o pai. 

— Por que vocês não tentam conversar? Tentar manter uma relação amigável, hum? – Sugeriu.

— Eu não quero manter nenhuma relação com ele, Ana. A nossa relação acabou a cinco anos atrás. – Suspirei. — Não quero falar dele.

— Quer discutir sobre restaurantes? Dizer algumas ideias suas... – Supôs.

— Eu estava pensando em abrir num lugar bem movimentado, eu estava vendo alguns terrenos na imobiliária pela internet, aquela perto da feira cairia bem. 

— Lá é bem movimentado mesmo, achei uma boa. Mas e o nome do restaurante, já escolheu? – Perguntou.

— Vai se chamar: Arturito. – Ilustrei com a mão e abri um sorriso, sendo seguida por Ana.

— Até que eu gostei hein guria. – Rimos.

Passamos a tarde conversando sobre negócios e deixamos o papo em dia, como era bom ter Ana por perto. 

Liguei para Zoe e Ramiro, contei sobre a viagem e trocamos uns papos aleatórios. Assim que Luna acordou, dei um banho nela e deixei-a brincando com Ana enquanto tomava o meu.


_____


Henrique Fogaça

— Chef, a senhorita Ana Paula cancelou o delivery de hoje. – Um cozinheiro avisou.

— Estranho... – Respondi para mim mesmo. — Beleza mano, obrigado.

Quando o serviço na cozinha acabou, com a ajuda de alguns cozinheiros limpei a cozinha inteira. Despedi os profissionais e fiquei sozinho no restaurante.

Peguei um vinho em meu escritório e o abri por ali mesmo. Assim que a bebida desceu pela garganta, lembrei de Ana Paula.

A mulher nunca recusava o delivery do Sal, a nossa conversa foi tão brusca assim? Ela estava com raiva? Resolvi ligá-la e a baixinha atendeu no terceiro toque.

— Alô, Fogaça? – Perguntou.

— Quem mais seria? – Concluí o óbvio.

— É... é que... é... Eu n-não posso falar agora, pode ligar mais tarde? – Ana parecia nervosa.

— Tá tudo bem Ana? – Perguntei desconfiado. Antes da jornalista responder, ouvi uma voz infantil perguntar: “Quem é no telefone tia Ana?” — Ana, quem é? – Perguntei estranhando o fato de Ana estar com uma criança.

— É... Fogaça, eu preciso desligar. Me liga mais tarde, ok?! – Desligou nervosa.

— Nossa... – Tirei o telefone da orelha e encarei o celular. — Ana Paula Padrão de babá? – Ri sozinho. — Quem diria, mil e uma profissões. – Gargalhei levando a garrafa de vinho até a boca.

Antes mesmo do álcool fazer efeito, fechei o restaurante e conduzi minha moto para casa. Eu estava exausto e um belo banho e uma cama resolveriam tudo.

Assim que acabei os meus afazeres, deitei na cama pensando em tudo que aconteceu no passar do tempo.

Toda noite eu relembrava o quão infernal tinha sido esses últimos anos, o quanto eu procurei por Paola, o quanto que eu me preocupei em saber se nosso filho ou filha estava bem. Mas como sempre, o que sobraram foram fotografias e uma amiga jornalista que não facilitava minha vida.

Talvez seja isso, vida fácil. Nunca nada foi fácil para mim, e eu poderia dizer com convicção que se um dia Paola voltasse, eu tentaria resolver tudo com ela, ela era o assunto mais difícil da minha vida.

Decidi não ligar para Ana, deduzi que ela estava de babá e cuidar de criança não era uma tarefa fácil. Mas o que mais me chamou atenção é que eu nunca tinha notado que Ana ficava com crianças.


_____


Paola Carosella 

Depois do banho, desci as escadas pela milésima vez naquele dia e sentei ao lado de Luna que estava entretida com algum desenho da TV.

— Ana, você não... Ana? – Olhei para Ana e ela estava branca como a neve. — Ana tá tudo bem?

— Está s-sim... – Gaguejou.

— Desembucha logo Ana Paula. – Falei sem paciência, sabia muito bem quando Ana estava escondendo algo.

— Mamãe deixa a tia Ana, ela tava conversando com alguém no telefone. Acho que era o namorado masculino dela, ela tava nervosa. – Luna falou com antecedência e logo me toquei, ela estava falando com Fogaça.

Arregalei os olhos e encarei Ana Paula balançando a cabeça negativamente tentando me passar a mensagem, e eu esperava que fosse uma resposta positiva.

— O que foi mamãe? A tia Ana não pode ter um namorado masculino? — Luna questionou.

— Claro que p-pode, meu anjinho. – Foi minha vez de gaguejar.

Ana não teria deixado Luna conversar com ele, teria?

— Lua, eu e a tia Ana vamos na cozinha preparar o jantar, fica quietinha aí viu. – Levantei puxando Ana Paula até a cozinha. — Você enlouqueceu Ana? – Sussurrei como se estivesse gritando.

— Calma Paola, não foi nada disso. – Adiantou. — Ele me ligou sim, mas em nenhum momento falou com a Luna, confia em mim. Eu já te falei que quando essa hora chegar, você é a pessoa que irá contar tudo.

— Essa hora não vai chegar Ana! – Falei.

— Você não vai esconder a filha dele para sempre, Paola. A Luna irá crescer e toda essas fantasias que você contou a ela, não vão ser válidas. – Alertou. — Ou você acha que ela vai acreditar que o pai dela viajou com um pônei para sempre? – Questionou e eu suspirei.

Ana estava certa, e eu odiava concordar com ela.

— Amanhã a gente vai olhar as casas, tudo bem pra você? – Perguntou-me.

— Claro. – Dei de ombros. — Estou preocupada. – Admiti.

— Com o quê? – Interrogou Ana.

— Com essa história, e se eu resolver conversar com ele sobre Luna e ele quiser fazer alguma coisa? – Pensei na hipótese.

— Mais fácil vocês dois se casarem do que terminar na justiça. – Zombou. — Fogaça não faria isso Paola, ele pode ter todos os erros que for, mas ainda assim não seria capaz disso.

— Dele eu não espero mais nada. 

Fizemos o jantar e chamamos minha filha. Luna e Ana Paula juntas poderiam trabalhar na rádio de tanto que tagarelavam. Sorri ao ver que as duas se davam bem. 

— Mamãe conta uma história pra mim hoje? – Implorou Luna.

— E quando que eu deixei de contar, meu amor?! – Sorri. — Vem, dá boa noite pra sua tia Aninha e vamos pra cama, já tá muito tarde pra criança estar acordada. – Avisei.

— Mas eu sou uma menina feminina grandinha já mamãe! – Fez bico. — Boa noite tia Aninha, até amanhã. – Se despediu de Ana.

— Boa noite, princesa. Boa noite Paola.

— Boa noite Ana. – Me despedi e subi com Luna.

Coloquei-a na cama e contei uma curta história, não demorou muito para Luna adormecer. Beijei sua testa e deitei ao seu lado.

— Eu te amo, minha Lua. – Sussurrei. — Espero que um dia você entenda toda essa situação, e espero que você não vá pra longe de mim. – Soltei o ar que prendi.

Eu tinha medo. Medo de Fogaça saber sobre nossa filha e querer tirá-la de mim. Tinha medo de Luna me odiar por saber que o pai dela sempre esteve no mesmo lugar que ela. 

Luna sempre foi uma garota esperta, com cinco aninhos já aprontou bastante. Mas o que mais se destacava nela, era o típico dom de saber se uma pessoa estava bem ou não pelo seu rosto. E isso fez com que eu nunca escondesse nada dela, exceto sobre o pai dela.

Desliguei-me dos pensamentos e adormeci.


_____


O sol atravessava as cortinas me despertando de meu sono. Luna ainda estava dormindo, estranhei pois, quase sempre ela acordava primeiro que eu. Provavelmente estava cansada com a rotina.

— Lua, Lua meu amor, acorda! – Passei a mão por cima de seus cabelos bagunçados e a vi abrir os olhinhos. — Bom dia, meu amor. – Sorri.

Ela nada disse, apenas me olhava. Luna não era de falar muito quando eu a acordava. Cheguei mais perto dela e a abracei, eu a amava com todas as forças que eu tinha.

— Bom dia mamãe! – Falou assim que se sentiu estável. 

Peguei a garotinha no colo e segui para o banheiro, a manhã seria cheia.


_____


Henrique Fogaça

Acordei com um pouco de dores na cabeça, resultado do vinho que ingeri ontem. Decidi tirar um dia de folga hoje, ir ao parque respirar um pouco, talvez eu melhorasse o humor.

Fiz minhas higienes e desci as escadas encontrando Olga dançando com a música que tocava baixinho em seu rádio.

Fingi limpar a garganta, fazendo com que Olga parasse de dançar e olhasse para mim.

— Bom dia, dançarina de São Paulo. – Zombei.

— Bom dia, zangado. – Rebateu. — Vai trabalhar hoje?

— Não, hoje é meu dia de folga, prepare-se para me aturar Olguinha. – Sorri sarcástico.

— Pode procurar um lugar pra ir, hoje eu limpo a casa e você só pode voltar se souber voar, para não pisar no chão limpo. – Advertiu.

— Nossa, pra se livrar de mim você é rápida hein? – Reclamei e peguei meu café.

— Só a Ana Paula pra te aguentar. – Respondeu indo para a dispensa.

— Bem lembrado, Olguinha. – Falei sozinho assim que lembrei de Ana.

Ligaria pra ela ainda hoje para saber o que a fez cancelar o delivery, ela amava minha comida e pedia todos os dias. A não ser que... Que ela estivesse namorando!

Bom, era melhor não interrompê-la, caso ela se sentisse aberta para contar, ela contaria.


_____


Paola Carosella 

Passamos a manhã inteira vendo casas, até eu escolher a que eu queria. Era perfeita, tinha basicamente tudo que eu desejava.

— É Paola, agora vamos ver o terreno do restaurante e vamos pra casa. Eu tô morrendo de fome. – Ana avisou.

— Eu também mamãe, será que aqui não tem um restaurante titia? – Luna perguntou.

— Tem sim, prin... – Ana me viu semicerrando os olhos. — Melhor comermos em casa mesmo Luna. 

— Mas eu estou morrendo de fome. – Cruzou os bracinhos e de repente a sua barriga roncou. — Viu só mamãe? Minha “rabiga” tá roncando.

— É barriga, Lua. – Corrigi. — Ai quer saber, vamos logo comer. Mas é claro, – Adiantei – Tem um restaurante pequeno aqui perto, que tal irmos lá? – Sugeri.

Ana me olhou com cara de poucos amigos, sabia bem o que a jornalista estava aprontando, mas eu sentiria muito em informá-la, mas nada daria certo. Se ela achava que eu iria me aproximar de Fogaça, ela estava muito enganada.

Entramos no restaurante e almoçamos. Por fim resolvemos as coisas com a imobiliária para a construção do restaurante e fomos para casa.











Notas Finais


por hoje é só :)
comentem o que acharam! ❤️
desculpa qualquer erro :/


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