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História Um passado sem compaixão - Capítulo 4


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Capítulo 4 - 4 - Lembranças


...não.... por favor, me deixa.... para, por favor....


Acordo num pulo ao som do despertador, então me sento e tento assimilar o que sonhei, percebo que estou extremamente ofegante e suada, decido então me levantar e tomar um banho. Assim que saio do banho, passo em frente ao quarto do meu pai e percebo que ele já saiu para trabalhar, então vou para meu quarto, abro o armário e pego um conjunto de moletom e meus tênis. Penso em comer algo, mas meu estomago ainda está enojado do sonho que eu tive, então só pego minha mochila e minhas chaves e saio porta a fora, assim que termino de trancar a porta escuto a voz do Miguel.


- Finalmente a Bela adormecida apareceu - ele diz, enquanto desço as escadas e vou em sua direção, ele vem para me dar um abraço, porém eu recuo.


- Vai se ferrar, fui dormir tarde ontem ta bom?! - digo, e em seguida dou um soquinho no ombro dele e nós começamos a rir.


O caminho até o ponto de ônibus foi tranquilo, podia ser em frente de casa como o do ônibus comum, porém nem tudo é perfeito.  No caminho eu e Miguel fomos discutindo sobre Harry Potter, ele insiste em dizer que Grifinória e melhor que Sonserina.... Bom, quem pode avisar ele? Ele também me zoa por estar de moletom em pleno calor de 30° graus, então digo algo sobre não saber que ele era consultor de moda e subimos no ônibus. Assim que o ônibus estaciona, uma renca de pessoas descem, e assim que coloco meus pés para fora do ônibus consigo perceber um mar de olhos em minha direção e minhas mãos começam a suar, e assim que entramos na escola parece que as coisas pioram drasticamente, poderia até ousar dizer que o tempo parou. É quando eu percebo que REALMENTE estão olhando pra mim e para o Miguel, uma dúzia de pessoas chegam até apontar e fofocar, e é nesse exato momento que eu tenho certeza de que estou prestes a vomitar, então corro em direção aos banheiros, e no meio do caminho dou uma ombreada em um menino, e a única coisa que consigo ouvir é ele falando para eu olhar por onde ando. Assim que entro no banheiro corro em direção as cabines e me jogo contra o chão de joelhos, apoio minhas mãos bem firmes na borda do vaso e fecho os olhos, e nesse momento tenho certeza que a gravidade parou de agir contra a terra e que eu estou rodando junto dela. Depois de uns 5 minutos consigo me recompor e levantar, não vomitei mas juro que tentei, vou até a pia e começo a enxaguar meu rosto, e lembranças começam a surgir em minha mente e sinto meus olhos começarem a encher de lágrimas.


...você viu?....não é aquela menina?...como ela ainda tem coragem de aparecer aqui depois de tudo?.....


Então de repente uma voz interrompe meus pensamentos.


- Seu primeiro dia?! -diz uma voz doce e suave, ela só deve estar perguntando pois percebeu meu estado.


- Tipo isso.... - digo, e forço um sorriso de lado. 


- Já passei por isso também.... - então ela termina de lavar as mãos e vai em direção ao porta papel para secar as mãos, e eu faço o mesmo para poder secar meu rosto. Então andamos em direção a porta juntas, e eu resolvo perguntar o nome dela.


- A propósito qual seu nom..... - mas antes de terminar a frase sou interrompida pelo Miguel que estava me esperando ao lado de fora do banheiro.


- Samantha! - ele pareceu surpresa em vê-la, tanto, que a sua resposta pareceu mais uma pergunta do que uma afirmação, então olho em direção a Samantha e percebo que ela estava chocada ao vê-lo também.


- Hãm... Oi, fico feliz em ver que você já está bem.... Bom estou atrasada para a aula, mas nos vemos depois. - ela sai meio desnorteada.


- Acho melhor eu nem perguntar o que rolou aqui...


- É eu também acho... - ele diz enquanto passava a mão pelos cabelos, mania da qual ele fazia quando estava nervoso ou sem graça. Apenas resolvo mudar de assunto e vamos andando em direção nossas salas.


- Mas fala aí, como você tá? Você saiu correndo do nada, fiquei preocupado.


- A eu to bem, deve ter sido algo que eu comi hoje mais cedo...


- Ata... Então senhora mistério... eu ainda não terminei meu interrogatório, está preparada?


- Ai meu deus, você não cansa de ser chato?! Fala logo o que você quer saber - depois de dizer isso nos dois começamos a rir.


- Então da onde você veio?? Pelo sotaque sei que você não é daqui


- Nossa senhor espertinho... mas respondendo sua pergunta, sou de Traverse City, Michigan


- UAU, e o que OCÊ está fazendo do outro lado do país?? - ele diz, imitando um ''você'' caipira, fala sério esse pessoal da Califórnia jura que nós falamos assim né.


- HAHAHA engraçadinho... - digo enquanto reviro os olhos. - Provavelmente estou tentando fugir dos meus problemas, ou quase isso....


- Bom, acho melhor eu nem perguntar o que rolou então... - ele diz, me imitando um pouco antes.


- É eu também acho - então resolvo o imitar também.


Depois disso nós dois rimos e Miguel para em frente a uma sala, e diz que nos encontrávamos mais tarde, então eu continuo andando e me viro para dizer que nem pensar, e assim que me viro novamente para frente percebo, já tarde demais, que bato com tudo em um garoto que estava pegando alguns cadernos dentro do armário, que a propósito eu faço ele derrubar todos no chão, e assim que ele se vira eu percebo que era o mesmo garoto da praia e engulo em seco, ele estava com um olhar assassino em seus olhos, mas parece que ele me reconhece e muda seu olhar para algo malicioso e da um sorrisinho de lado, fala sério lá vamos nós de novo.


- Caralho, já é a terceira vez que nos encontramos assim... Já está na hora de parar não acha? - ele diz, enquanto me analisava de cima a baixo e passava a língua pelo lábio inferior, então noto uma cicatriz em seu lábio e.... pera aí PORQUE EU TO OLHANDO PRA BOCA DELE???


- Terceira vez ?? - digo, e levanto uma das sobrancelha e ele parecer gostar disso.


- Aham, ou já se esqueceu de hoje mais cedo? - ele diz e cruza os braços, ai que merda então era nele que eu esbarrei mais cedo.


- Bom, é que você é tão insignificante que eu já nem me lembrava mais. - eu digo, e dessa vez quem parece gostar da situação sou eu.


- Ata - ele diz, e em seguida solta uma gargalhada, a risada dele é tão contagiante que até sinto vontade de beijar ele.... QUER DIZER AI MEU DEUS dar RISADA, eu disse R-I-S-A-D-A.


Ele estica o braço em minha direção, e tenta colocar um cabelo que estava em meu rosto atrás da minha orelha, mas eu dou um tapa na mão dele.


- Engraçadinho - digo isso, e volto a seguir meu caminho, mas consigo ouvir ele dizer.


- Não vai nem me dizer seu nome?


- Prazer, senhora vai toma no seu cu! - assim que digo, escuto ele rir novamente e bater a porta do armário dele, e dessa vez até eu me desabo a rir da situação.



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