História Um passo errado - Capítulo 32


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Amor, Dança, Paixão, Vingança
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Palavras 4.264
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Ai...bem, chegamos ao fim da história de Erick e Alicia! embora seja suspeita em dizer, eu amo esse casal.
Espero que gostem do desfecho que dei para cada um dos personagens!

Capítulo 32 - Um passo importante


 

 Fazia duas semanas que Laura voltara para Nova Olimpia, no aeroporto a ocasião foi cheia de emoção, até mesmo Cássio deu um jeito de ir até lá para se despedir e desde então, vivia cercando Erick com perguntas sobre sua mãe.

  Ele se mudara para um hotel, depois de tomar conhecimento sobre o pedido de divórcio, Marcela surtou e a convivência com ela se tornara impossível.

 Com David as coisas não estavam muito diferentes, embora se mostrasse arrependido, ele ainda assim, vinha colocando toda a desgraça que assolava a família, na conta do irmão mais velho.

Nas poucas conversas que tinha com o pai, o tom era sempre de acusação, para David, a intenção de Erick e de Laura, desde o início, fora destruir sua família.

 — Enfim eles estão conseguindo... Aquela mulher está dormindo aqui com você? — David gritou enquanto Cássio se arrumava para uma consulta médica. Estava fazendo um acompanhamento para certificar-se de que tudo estava bem com seu coração, ao menos fisicamente.

 —Você enfiou os pés pelas mãos — ele ignorou a pergunta e virou-se para encarar o filho—, fez merda atrás de merda e agora quer colocar a culpa no seu irmão? Faça-me o favor David, já é hora de se tornar um homem de verdade.

 —Tudo o que fiz foi por amor—o rapaz murmurou com certo constrangimento. —Eu nem imaginava que gostava tanto da Alicia.

 Cássio balançou a cabeça de modo negativo.

— O que você fez pode ter qualquer outro nome, menos, amor. —Ele aproximou-se do filho. — Você agiu como um marginal, roubou dinheiro do supermercado, fez com que eu demitisse pessoas inocentes, isso tudo, depois de quase ter causado uma tragédia onde sua ex-namorada e seu irmão, poderiam ter perdido a vida.

— Não precisa falar desse jeito —David reclamou, aquelas acusações o incomodavam.

— Falo, e vou repetir tudo isso quando for dar o meu depoimento. —Cássio encarou o filho. —Agora vamos, eu não posso atrasar-me para minha consulta.

  David respirou fundo, sabia que o pai tinha razão.

  — Quer que eu o acompanhe? — Ele ofereceu-se enquanto esperavam o elevador.

 Cassio não queria piorar as coisas, no entanto, Erick estava á sua espera, eles já haviam combinado que seria o filho mais velho quem o levaria ao médico.

 —Não há necessidade—ele limitou-se a dizer. Internamente, preocupava-se com um possível encontro dos dois filhos.

  Cruzaram a saída juntos e David viu o jipe de Erick, estacionado do outro lado da rua, por sorte, o rapaz estava distraído, falava ao celular com Alicia.

 — Entendi. —David franziu a testa e deu as costas ao pai. Estava magoado.

 Cássio ficou um tempo observando o caçula desaparecer em meio aos passantes, ele acreditava que  ainda dava tempo de colocar David nos eixos, sabia porém, que não era passando a mão em sua cabeça, por mais doloroso que isso pudesse ser.

  Assim que atravessou a rua, abriu a porta e sentou-se no banco de passageiros do jipe. Erick assustou-se.

 —Nem vi você chagando... —Ele encarou o pai.

 —Pois é, estava grudado nesse telefone...

 —Era a Alicia, ela está no estúdio de ballet, começaram a fazer as reformas —Erick comentou, colocando o carro em movimento.

 —O César me disse, e ele também, me convidou para passar o Natal no haras... —Cássio fixou os olhos no painel do carro.

 —Sim, a Dona Marta está preparando uma festa grandiosa.

 —E você? Vai estar lá? —Cássio indagou um tanto sem jeito.

 Erick balançou a cabeça instintivamente, sabia bem aonde o pai queria chegar.

— Quer saber se minha mãe vem? — Ele aproveitou o sinal fechado para observar a reação de seu pai.

 Cassio franziu a testa estampando um semblante fechado.

— Não...quero dizer, sim... —ele se atrapalhou. —Na verdade, eu queria saber se vocês vão ficar por aqui mesmo. Eu gostaria muito que ficássemos juntos nesse Natal.

 Erick estreitou os olhos.

—Ainda não sei se gosto disso... —Ele resmungou mais para si, do que para o pai.

—Do que está falando?

—De vocês dois e dessa coisa que estão ensaiando ter — Erick confessou. — de qualquer forma, tudo o que quero é que minha mãe seja feliz. —Ele deu de ombros. —E sim, ela vem para as festas de fim de ano.

 Cássio não respondeu nada, apenas sentiu-se feliz.

 Ao fim da consulta, o empresário teve mais uma boa notícia, seus exames não poderiam apontar melhores resultados e ele já estava liberado para voltar á sua rotina.

—Podemos dar uma passadinha rápida lá no estúdio? Estamos tão perto...

—Claro que sim...Depois, você me deixa no supermercado do centro.

Assim que estacionou, Erick viu Alicia, acompanhada de Regina e de outros dois homens uniformizados, eles estavam na calçada. Sua namorada apontava para a fachada do prédio e gesticulava bastante. Ele sorriu.

 —Enxugue a baba... — Cássio deu um leve empurrão no ombro direito do filho e desceu do carro.

  Erick, seguiu-o e aproveitou a distração da bailarina para agarrá-la pelas costas. Enfiou o rosto em seus cabelos e aspirou o cheiro dela.

—Que surpresa boa! —Alicia virou-se para beijá-lo.

—Estávamos aqui perto... — Ele encolheu os ombros e depois cumprimentou a todos.

 —Estamos conversando com os engenheiros sobre a nova fachada... —Regina explicou, colocando-se ao lado de Cássio.

 — Escolheram uma boa empresa... Eles já prestaram serviços para mim. — O pai de Erick elogiou.

— Embora eu esteja relutante, vamos ter que tirar essa vidraça. —Alicia apontou o lugar, que era para ela, era muito significativo.

 Erick ergueu uma das sobrancelhas.

— É Alicia...essa vidraça me traz ótimas recordações. —Ele evolveu-a pela cintura.

— A vidraça, a persiana aberta... —Ela riu.

—Acha mesmo que se não fosse por isso, hoje não estaríamos aqui? —Erick puxou Alicia para o lado, distanciando-os um pouco dos outros, que conversavam sobre tijolos e cimento.

—Quem é que sabe? Disse que se apaixonou quando me viu dançando, pelas frestas.

 Erick suspirou enquanto relembrava aquele dia.

 —Realmente, eu queria poder explicar para você como me senti quando a vi rodopiando com seu collant preto, e depois, quando eu me aproximei de você e o cheiro do seu sabonete dominou o meu ar... —Erick apertou-a contra seu peito, estava nostálgico. —Eu a quis para mim de um jeito, como eu nunca antes quis nada em minha vida.

  Alicia sentiu o coração de Erick acelerar-se enquanto ele fazia para ela, a mais bela das declarações.

   —E me tem... —ela sussurrou em seu ouvido, a voz era fraca, tomada de emoção. — No fundo, eu estava esperando por você, sempre fui sua, mesmo antes de saber.

                                                               *****

  24 de Dezembro, a manhã da véspera de Natal, Erick acordou antes de Alicia, ansioso, olhou para o relógio da parede, faltava um quarto de hora para as sete. Virou-se na cama, a namorada dormia profundamente, perdeu alguns minutos admirando-a e sorriu, depois, delicadamente levantou-se e seguiu para a cozinha, abriu a porta do armário e esticou o braço, bem no fundo dele, havia escondido algumas caixinhas de veludo cor-de-rosa, aquele era o único lugar onde a bailarina não costumava mexer.

  De volta ao quarto, deixou ao lado da namorada a embalagem, encostou os lábios no rosto dela tão levemente que quase não o tocou. Seguiu para um banho.

  Alicia despertou com o som da água batendo no chão, pensou em invadir o banheiro e dividir o chuveiro com Erick. Sentada na cama espreguiçou-se, afagou o gato que dormia aos seus pés e quando se levantou, a caixa retangular em meio aos lençóis, chamou sua atenção.

 Sabia que era um presente do namorado, sentou-se novamente enquanto abria-o. Alicia arregalou os olhos ao se deparar com o conteúdo; sobre o forro de cetim preto, uma gargantilha de duas voltas, feita em ouro branco. O primeiro pingente pendurado tinha o formato de uma sapatilha de ponta, o segundo, uma bailarina saltando, o corpo todo cravejado com pequenos diamantes negros.

 Estarrecida com a beleza da peça, Alicia permaneceu com a mesma expressão até ser tirada do transe ao ouvir a voz de Erick.

 —Gostou? —Ele caminhou até a garota.

 Alicia encolheu os ombros e respirou fundo, queria recuperar o ar.

 — Eu nem sei o que dizer...É lindo! — Ela retirou a gargantilha do estojo.

 — Fico feliz que tenha gostado—ele sentou-se ao seu lado —,deu um trabalhão desenhar essas peças, ainda mais, porque eu estava enferrujado.

  Alicia balançou a cabeça enquanto seus olhos se perdiam nos de Erick.

— Quer dizer que agora eu tenho uma joia desenhada por Erick Carter?

 Ele piscou algumas vezes e tomou a gargantilha para si.

 —Na verdade, não uma, e sim, uma coleção...

 —Uma coleção?

— Desenhei algumas peças, as criei no tempo em que estivemos separados. —Ele baixou os olhos, a voz continha um pouco de tristeza.

 Alicia notou, esticou a mão e acariciou o rosto do namorado.

 —Onde estão as outras peças? Estou curiosa.

 Erick afastou os cabelos de Alicia e ela virou o corpo para que ele colocasse a gargantilha em seu pescoço.

 — Pode segurar a ansiedade —ele afirmou depois de beijar a nuca da bailarina. — Você não vai ganhar tudo de uma vez, as darei apenas em datas comemorativas. E tem outra coisa...

  — Fala. —Ela passou as mãos pelos cabelos molhados do rapaz. — E não vale dizer que só vou ganhá-las se eu for uma boa garota...

  Erick riu.

— Durante o processo de fabricação das suas joias, uma marca se interessou pelas peças e me fez uma proposta. Eles querem ter o direito de comercializar a coleção Alicia by Erick Carter.

 —Você está brincando comigo, não é? — A bailarina duvidou.

 — Parece loucura, mas é sério...Não é nenhuma Tiffany & Co. , mas se eu aceitar, a coleção será comercializada a nível nacional.

  —E por que está em dúvida? Erick, isso é maravilhoso... —Alicia parecia confusa com a atitude do namorado.

 —Sei lá... —Ele encolheu os ombros. — É que fiz pensando em você, para você, queria que fossem exclusivas. Entende?

  — Quando diz que elas seriam vendidas em todo o país, isso inclui até mesmo a joalheria da Camila? —Alicia questionou depois de alguns minutos em silêncio.

 Erick franziu a testa, já se preparava pelo que viria.

— Provavelmente, Alicia, mas que importância tem isso? —Erick cruzou os braços.

—Não, é só que eu fiquei aqui imaginando a cara daquela garota, tendo que vender uma coleção com o meu nome, tendo que mostrar as peças para os clientes e elogiá-las...Isso seria muito hilário! — ela falava como se fosse uma garotinha fazendo pirraça.

Erick puxou-a para seu colo.

—Achei que essa coisa com a Camila tinha passado, ainda mais depois que contei para você o quanto o depoimento dela foi importante para o meu caso.

 —Ela não fez nada além de sua obrigação—Alicia desdenhou. — Lembre-se de que ela tinha uma dívida com você, agora estão quites.

  O filho de Laura permaneceu segurando a namorada em seus braços.

—Você é terrível Alicia...Ter.Rí.Vel—ele intercalou as sílabas com beijos rápidos nos lábios dela.

  —Se não tivéssemos que ir buscar sua mãe no aeroporto, eu mostraria a você que posso ser ainda pior. —Ela provocou-o com voz sedutora.

 Erick olhou para o relógio novamente, achou que ainda tinham tempo...

                                                         ***********

  A noite de natal teve um significado especial para todos os reunidos no haras. A decoração impecável, graças ao bom gosto de Marta, transformou a comemoração em algo mágico. Tudo levava os tradicionais tons de verde e vermelho, o dourado dava o toque final.

 O pinheiro natural com mais de cinco metros de altura, recebeu luzes coloridas de cima á baixo, e ele, era o plano de fundo da mesa da ceia.

  Cássio, que chegara meio sem jeito, aos poucos se soltou e depois de algumas taças de vinho, acabou sendo mais incisivo em suas investidas na ex-namorada.

  Laura também estava mais acessível, trouxera inclusive um presente para o pai de Erick. Uma camisa, segundo ela, uma lembrança que era a cara dele.

 Cássio adorou a peça, e ainda mais o que ela significava. Enquanto abraçava Laura para agradecer, sentiu o cheiro do seu perfume. Um convite para revisitar seu passado, aproveitou o ensejo e chamou-a para uma caminhada; Laura aceitou.

 —Olha lá Erick, seus pais flertando como adolescentes... —Alicia cutucou o namorado que conversava com Eliot.

  —Que gracinha...Eles são lindos juntos. —Jéssica intrometeu-se.

 —Devo admitir...O seu pai mudou muito de uns tempos pra cá. —Vivian endireitou-se entre os braços do namorado. —Só o fato de ele ter me recontratado, de ter me dado um aumento e se desculpado...

 Erick observava tudo atentamente, e concluiu que para ele tudo bem se os pais resolvessem viver o amor do passado.

 —E o David? Eu sei que chato falar dele, mas é meio que inevitável. —Thomas acabou tocando em um assunto evitado por todos, ao menos naquela noite.

 — Acho que mesmo que seja processado e venha a ser condenado, no máximo pagará com uma pena alternativa. — Erick encolheu os ombros.

 —De qualquer forma, acho que ele aprendeu alguma coisa com tudo isso. —Mathias pensou alto. Ele nunca contou para nenhum dos colegas que fora ele a descobrir primeiro, sobre o envolvimento de David com Alison, e mais, que partira dele a ligação denunciando o último encontro dos dois, aquele que culminou nas prisões e na resolução do caso.

   Para Mathias, os meios justificavam os fins, e ele achava que não precisava levar o título de herói ou de salvador da pátria. Para aquele rapaz, saber que a justiça estava sendo feita, era sua melhor recompensa.

 —Sabem que o Alison foi transferido para a penitenciaria de Nova Olimpia, e que antes disso, ele pediu para falar comigo...? —Erick comentou.

 —E você não foi? —Thomas indagou com curiosidade.

 —Não me sinto pronto para falar com ele—afirmou depois de um suspiro.

—Bem...Vamos mudar de assunto. —Alicia colocou-se de pé. —Já é quase meia-noite, e a ceia já vai ser servida. —Ela saltou nas costas de Erick.

 — Quanta empolgação para alguém que vai cear alface... — Thomas provocou a bailarina.

 — Bobo. —Alicia balançou a cabeça. —Nem vou discutir.

   Todos riram e seguiram para a mesa, reunidos, partilharam de momentos tão bons que pareciam ser uma premissa do que estava por vir.

  Os dias e meses passaram e Erick seguiu cumprindo sua promessa, uma joia para cada data comemorativa. Depois da gargantilha no Natal, no dia 14 de janeiro, dia em que se conheceram um ano antes, Alicia recebeu uma pulseira com alguns berloques, todos representavam alguma parte da história deles: um gato, um gramofone, um copo com canudo e um coração, o dele, segundo o namorado.

  Na data em que comemoraram um ano desde que dançaram o tango, embora o desfecho da noite não tenha sido muito bom, o filho de Laura preferiu ater-se apenas ao êxito da apresentação, por isso, Alicia encontrou uma caixinha com um par de brincos também de sapatilhas de ouro branco, no armário do banheiro, quando escovava os dentes para dormir.

  Era fim de julho e seria a primeira vez que a turma de Alicia se apresentaria no teatro de Santo Valle. A Sociedade com Regina vinha sendo um sucesso e sua vida não poderia estar melhor.

 — Precisa se acalmar...Está mais nervosa do que quando é você a se apresentar. —Regina chamou a atenção da namorada de Erick.

 Ele estava do outro lado do camarim conversando com a mãe, falavam sobre sua mudança definitiva para Santo Valle, já que de fato, ela e Cássio estavam namorando. Depois do conturbado divórcio e de muita insistência, ele acabou conseguindo reconquistar a mãe de seu filho mais velho.

—E você? Como se sente? —Laura indagou o rapaz que suava frio.

— Como imagina? Estou até evitando ficar perto dela, tenho medo que Alicia perceba alguma coisa. —Erick tocou o braço da mãe, suas mãos pareciam feitas de gelo.

 —Vivem grudados—Laura balançou a cabeça—, ele vai desconfiar de algo, se você ficar distante.

 Ele concordou, respirou fundo e foi até onde a namorada estava.

 — E então, Laura? Pensou na proposta de nos dar a honra de trabalhar conosco? —Regina questionou a sogra de Alicia.

— Na verdade eu não tinha dúvida alguma sobre isso, mas sim, sobre largar tudo em Nova Olimpia e mudar-me para cá, só que agora que resolvi fazer essa loucura, vou mesmo precisar de um emprego... —Ela riu um tanto nervosa.

—Isso me deixa tão feliz... —Alicia apertou as mãos da sogra. — Agora, eu vou falar com minhas meninas, elas entram em breve.

—Vou para a plateia, espero por você ... —Erick deu um rápido beijo em Alicia e saiu do camarim, antes trocou um olhar cheio de cumplicidade com Regina.

 O teatro tinha sua capacidade de público praticamente completo, Erick correu os olhos pelas pessoas e reconheceu várias delas. Os amigos, os pais de Alicia, os muitos frequentadores do haras e tantos outros conhecidos. Sentiu-se ainda mais nervoso.

  Avistou seu pai sentado bem próximo ao palco, foi até ele.

 — Está pálido, filho... —Cássio murmurou.

— Estou morrendo de medo dela não gostar... —Erick respirou fundo.

—Bem...Logo saberemos. Lá vêm elas... —ele sinalizou com a cabeça, apontando a Alicia e Laura.

  Erick pulou uma poltrona, deixando que a mãe sentasse-se ao lado de seu pai e Alicia do seu.

—Já vai começar... —Ela inclinou-se ao namorado.

—Vai dar tudo certo...Você é uma ótima professora e digo isso com experiência de causa. — Erick entrelaçou seus dedos nos dela.

— Obrigada! Por tudo. Pelo apoio e pelos elogios, que são tantos que nem sei distinguir o real, do que é apenas exagero seu. —Ela beijou a mão no namorado.

 Assim que Regina apareceu no palco á frente da cortina de veludo vermelho, o silêncio se instalou pelo teatro.

—Boa tarde á todos e muito obrigada pela presença e pelo apoio dos aqui presentes—ela começou, ecoando sua voz através do microfone. —É com imenso prazer que anuncio a apresentação das alunas do Ballet de Santo Valle, turma um, da professora Alicia Santteri.

 Ela respirou fundo e apertou a mão de Erick, enquanto ouvia as palmas posteriores ao anuncio.

  A cortina se abriu e para surpresa de Alicia, o cenário mostrou-se diferente do que deveria ser. Em um canto do palco, sobre um móvel antigo de madeira, um toca discos. Alicia o reconheceu, era o que ganhara de sua avó.

 Enquanto tentava entender o que estava acontecendo, uma de suas alunas entrou no palco, vestida em um collant preto, parecia ser uma miniatura dela. Na ponta dos pés, rodopiou até o gramofone e o colocou para tocar.

Quando o som de The close i get to you ecoou por todo o teatro, Alicia se desesperou.

—Érick...o quê está acontecendo aqui? —ela indagou entre os dentes.

—Eu não sei... — Ele encolheu os ombros.

 Alicia buscou Regina com os olhos, mas não a encontrou. Voltou á atenção ao palco e quando duas outras bailarinas entraram segurando uma moldura retangular, que imitava a antiga vidraça do estúdio de ballet, Alicia foi ás lágrimas.

  Ajeitou-se na poltrona, o coração batia mais do que ela achava que ele era capaz. Atrás da moldura a pequena bailarina rodopiava uma coreografia que não fora ensaiada por ela. Quando o palco estava completo por todas as suas alunas, elas fizeram um pequeno trecho do tango, e depois uma parte de sua apresentação quando dançou Gisele.

—Eu não estou acreditando! —Alicia encarou o namorado que também estava emocionado. —Até onde está envolvido nisso?

— Pare de reclamar e assista... —Erick a repreendeu.

 As pequenas bailarinas ainda coreografaram com malas de viagem, simbolizando a partida de Alicia, momento que a fez desabar. Depois, seu retorno fora representado por balões coloridos que foram soltos pelas meninas. Por fim, após de uma bela sequencia de passos impecáveis, as pequeninas fizeram uma roda bem ao centro do palco e, quando voltaram a encarar o público, segurando pequenos cartazes com letras estampadas, formaram a frase: ALICIA, CASA COMIGO?

  Em pé, bem em sua frente, Erick abriu a última das caixinhas de veludo cor-de-rosa. Suas mãos tremiam enquanto ele oferecia a ela, um belo anel de noivado.  Todos aplaudiram, até mesmo quem não era tão fã do casal, como Olívia. Em meio a assovios e gritos de sim, Alicia se jogou nos braços no rapaz que estava ansioso pela resposta.

—Esse é o passo mais importante que dou em minha vida... Eu nunca estive tão certa uma coisa, como estou agora, quando afirmo pra você Erick Carter, que sim, pra você sempre será sim.

 Entregaram-se a um beijo assistido por muitos que em outra ocasião, presenciaram a mesma cena, só que daquela vez, não era errado.

De volta ao camarim, lugar onde Alicia mais cedo imaginava que receberia congratulações pela apresentação de sua turma, lá estava ela, recebendo os parabéns porque iria se casar.

—Todos sabiam...Conseguiram me enganar... —Ela ainda estava emocionada.

—Não imagina o trabalho que deu, fazer as pobres meninas ensaiarem o dobro. —Regina contou depois de abraçar Alicia.

—Elas foram demais, fizeram tudo certinho! — Laura elogiou.

—Aquele ramalhete de flores foi ofertado pela Martina, nós a convidamos, mas ela não pôde vir, no entanto, garantiu que estará presente em nosso casamento. —Erick mostrava-se orgulhoso.

—Viu só, Tom...?Vai aprendendo como ser romântico, com o Erick! —Jéssica cotovelou o namorado.

 —Vai ser difícil superar isso... —Thomas fez uma meia careta.

—Será que eu posso parabenizar o casal? —Uma voz tímida chamou a atenção de todos no camarim.

—Miguel! —Alicia surpreendeu-se ao ver o amigo. —Não acredito que você veio...

 Alicia soltou-se de Erick e abraçou o rapaz, que estava acompanhado de uma bela garota.

—Essa é a Nina. —Miguel disse com um sorriso largo no rosto. — Eu já falei dela, se lembra?

Alicia balançou a cabeça de forma positiva, Miguel e ela sempre conversavam, aquela era uma amizade que a bailarina fazia questão de manter, mesmo sob certa implicância de Erick, ao menos no inicio, depois, ele percebeu que não tinha motivos para se preocupar.

— Oi Nina. —Alicia abraçou a garota. —Cuide bem do meu amigo...Ele é muito especial.

—Eu sei disso... —Nina trocou um olhar apaixonado com Miguel.

Em seguida, foi a vez de Erick se apresentar formalmente, e, embora não tenha dito nada, ficou feliz ao ver o rapaz acompanhado.

 Seis meses depois, Erick e Alicia se casaram em uma bela cerimonia ao ar livre, realizada em um mês de janeiro quente demais, no haras, dois anos depois de terem se conhecido. Viveram tantas coisas nesse tempo, que parecia fazer muito mais.

 Decidiram viajar em lua de mel para Londres, Alicia queria tirar a má impressão que ficara do lugar, sabia que ás vezes era preciso revisitar o passado, mexer em algumas feridas, para só então poder verdadeiramente seguir em frente.

 Foi dessa forma que Erick agiu quanto a David, também.

 O irmão, como já era esperado, acabou sendo condenado a uma pena alternativa, já que seu envolvimento com aquele crime fora considerado, de forma indireta. Quando David o procurou para um formal e honesto pedido de desculpas, Erick aceitou. Não houve nenhum abraço emocionado, mas sim, a promessa de uma página virada.

                                                       

                                                    *********

 —Sim Regina, daqui a pouco eu vou para o hospital... —Erick avisou enquanto manobrava o carro em frente a uma floricultura recém inaugurada, em Santo Valle. —Eles estão bem, o bebê nasceu com mais de quatro quilos.

   Assim que desligou o telefone, desceu e parou em frente a grande vitrine que exibia  arranjos e cestas cheias de guloseimas.

 — Vou querer uma daquelas. —Ele apontou para um vaso de vidro que ostentava um buquê de rosas brancas, achou o ideal para a ocasião.

 —Alguma data especial? —A moça que estava o atendendo, questionou enquanto montava o vaso.

 —Sim, um nascimento. —Erick sorriu, correndo os olhos pela floricultura. — Tem como fazer outro igual, só que com aquelas enormes rosas vermelhas?

— Sim, são as colombianas.

—Então pode fazer, quero algo bem apaixonante. —Erick pediu um pouco sem jeito.

 Saiu da floricultura com os dois belos vasos nas mãos, seguiu então para o estúdio de ballet.

  Era tarde de domingo e não deveria haver ninguém ali, só que ela amava aquele lugar. Erick girou a maçaneta e a porta estava destrancada.

“Não aprende, mesmo!”, o rapaz pensou.

  Caminhou devagar, não queria fazer barulho. Parou na porta e ficou observando-a dançar, um pouco desajeitada, o que era normal, afinal, tudo era novidade para ela.

—Quer me matar do coração? — A bailarina levou as mãos ao peito assim que o viu segurando o vaso de rosas vermelhas.

 — São pra você... — O rapaz entregou-lhe o arranjo.

 —Erick...São lindas, mas essas flores não deveriam ser para outra pessoa?

—Comprei para ela também... —Ele puxou-a para seus braços. —Só que não resisti quando vi essas rosas, só consegui pensar em você.

 Ela sorriu, depois, delicadamente encostou seus lábios nos dele e o beijou com paixão.

 —Vamos... não vejo a hora de conhecer meu irmão. —Erick sussurrou em seu ouvido.

—Eu também estou ansiosa para conhecer meu cunhado. —Alicia riu. —É estranho, não acha?

 Erick respirou fundo, demorou muito até se acostumar com a ideia de que a mãe, vinte e seis anos depois, engravidara novamente.

 — Fico pensando em como vamos explicar ao nosso filho, que o tio é apenas dois meses mais velho do que ele. — Ele sorriu acariciando a barriga de sete meses de Alicia.

  —Eu sempre penso nisso... E acho que vai ser incrível, seu irmão e nosso bebê crescerem juntos...

 Erick parou por um instante e vislumbrou o futuro. Suspirou enquanto a bailarina barriguda o encarava.

— Nunca imaginei que poderia ser tão feliz... —Ele abraçou Alicia.

—Nem eu... — A bailarina, ainda tentando se adaptar àqueles abraços, que como ela mesma dizia, estavam separados por uma “melancia”, pendurou-se no pescoço de Erick.

 Nos braços do esposo, agradeceu outra vez, pelo momento em que Erick se meteu na encrenca que o obrigou a ir para Santo Valle. Alicia, não conseguia sequer imaginar, sua vida de outra maneira.


Notas Finais


E então? Gostaram?
Gente, mais uma vez quero agradecer a cada um que dispôs do seu tempo para acompanhar essa história, mas em especial, minhas meninas de ouro, Lucilaine e Nina... nem preciso dizer o quanto vocês são especiais para mim.
No mais, acho que agora vocês vão ter umas férias dessa que vos fala... Tenho várias histórias perto de serem concluídas, um monte de novas ideias e não sei por onde começar...
Me despeço com muita gratidão por essa plataforma, aqui, é onde recebo os elogios mais gratificantes e queles que me fazem ter vontade de abrir o notebook e escrever como se não houvesse amanhã!
Não vou demorar muito e assim que tiver algo que considere bem bacana para publicar aqui...vou estar de volta!
Um beijo enorme no coração de cada um....


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