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História Um Pedaço de Você (One-shot) - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Único


Fanfic / Fanfiction Um Pedaço de Você (One-shot) - Capítulo 1 - Único

A vida de um alfa não costuma ser fácil. Nós somos difíceis de lidar quando crianças, impossíveis quando adolescentes e de certa forma perigosos quando adultos, se não tivermos alguém sempre disposto a nos acalmar. Um ômega. Sabe, eu costumava ter o meu ômega. Seu nome era Jungkook. Ele era o ômega mais meigo que eu havia conhecido na minha vida, apesar de possuir um passado um tanto quanto conturbado e uma personalidade no mínimo instável.

Sua autoestima não era a melhor, e Jungkook era certamente inseguro. Ele temia ser trocado, como já havia sido por algumas vezes antes de nos conhecermos naquele parque.

Ainda me lembro da roupa que o meu amor usava: um moletom amarelo e uma jardineira jeans, juntamente de um par de sapatos brancos e um par de óculos redondos e sem grau, que ele usava por pura diversão. Ele era fofo e engraçado, também.

Nosso primeiro encontro foi em um fliperama. Ele adorava jogar Pacman, dizia que se identificava pois adorava comer, e sua fruta favorita era a cereja. Gastamos mais de cinquenta reais em apenas uma tarde, com jogos de fliperama que, infelizmente, já não eram muito apreciados pela juventude na época. Quanto menos agora.

A segunda vez que saímos foi para a casa dos meus pais. Eu queria que Jungkook os conhecesse. Jantamos e conversamos sobre como eu era uma criança birrenta e mimada quando pequeno. Quando o sol se pôs, choveu. E Jungkook, como morava longe, concordou quando eu o pedi para ficar.

Os meses se passaram e eventualmente o cio do ômega resolveu chegar bem ali, enquanto estávamos deitados no sofá de minha casa, assistindo filmes. Meus pais estavam viajando. Eu estava desesperado para ajudá-lo, e o fiz com muito prazer. Foi uma longa semana, e acho que nunca me cansei tanto na minha vida. Depois daquilo, ficamos cada vez mais próximos. Eu sentia que algo nos unia como dois imãs, algo que eu não sabia explicar.

Apenas algumas semanas depois, recebi uma ligação de meu amor, me dizendo que havia engravidado. Eu nunca fiquei tão eufórico na minha vida. Sempre quis ser pai, quanto mais de um filhote gerado por Jungkook. No fim da ligação, eu o pedi em namoro. Juntamos os nossos salários por alguns meses e conseguimoa comprar uma casa que não era enorme, mas era aconchegante e bem localizada. Mobiliamos nossa casa e começamos a decorar o quarto do bebê. Nós havíamos concordado em deixar que o sexo do bebê fosse uma surpresa até o momento do nascimento, e por isso escolhemos uma cor neutra para tematizar o quarto do nosso filho.

Amarelo. A cor que Jungkook usava quando me apaixonei por aquele sorriso tímido e encantador.

Quando Jungkook atingiu o sétimo mês de sua gestação, sua obstetra nos informou que a gravidez era de risco. Jungkook parecia cada vez mais fraco a cada dia que se passava. Instintivamente, seu organismo transportava todo e qualquer nutriente ingerido pelo ômega para o bebê, afim de mantê-lo vivo durante os últimos dois meses de gestação.

Meu ômega estava morrendo para salvar o nosso bebê, e nenhum médico foi capaz de me explicar o que estava acontecendo. E eu não podia ajudá-lo.

Eu vi Jungkook sofrer durante dois meses, ficava a cada dia mais pálido e frágil. Ele teve de ser internado durante os últimos cinco dias de gravidez. Eu sempre fui ateu, mas juro que orei pela minha família durante todo aquele período de sufoco.

E então chegou aquela manhã quente e ensolarada de verão, quando meu ômega entrou em trabalho de parto. Eu fiquei horas e horas pedindo aos céus para que permitissem que o meu ômega e meu filho saíssem da sala de cirurgia com vida.

Mas às vezes não importa o quanto você reze, não era pra acontecer.

Meus olhos marejavam após receber a notícia de que o meu ômega havia falecido durante o parto. Pedi licença aos médicos e fui até o lado de fora para chorar loucamente. Eu estava perdido, não sabia o que fazer. E aí quando eu voltei para o hospital, a enfermeira me veio com meu filhote em seus braços, um menino.

Eu segurei o pequeno ômega em meu colo e desabei novamente, deixando um pequeno beijo em sua testa.

— Beomgyu. — sussurrei baixinho, secando as lágrimas em meus próprios ombros.

— Appa? — uma vozinha fina e suave chamou, me fazendo levantar a cabeça e olhá-lo surpreso. — O que o appa 'tá fazendo?

— Estou pensando, filho. — disse com um sorriso, contornando o pequeno ômega com meus braços uma vez que este se sentou sobre uma de minhas coxas, deixando um pequeno beijinho em minha bochecha.

— Pensando sobre o quê, appa? É algo bom?

— É algo maravilhoso. — disse com um sorriso meio triste, acariciando os fios lisinhos e negros de meu filho. Ele se parecia demais com Jungkook. Sorriu fofo e cruzou os braços.

— Um ômega? — perguntou malicioso.

— Um ômega. Mas não um ômega qualquer. — Beomgyu se ajeitou em meu colo e passou a prestar atenção. — O único que eu já fui capaz de amar em toda a minha vida. — franziu o cenho. — Não mais do que eu amo você, meu bagunceiro. — baguncei suas madeixas e ele riu baixinho.

— Qual era o nome dele?

— Jungkook. Sabe, filho. Às vezes eu vejo ele, quando olho para você. — acariciei sua bochecha.

— Então o Jungkook era muito bonito!

Eu ri um pouco, confirmando com a cabeça.

— O ômega mais bonito que eu já conheci.

— Onde o Jungkook-hyung 'tá? — perguntou inocente. Nesse momento, tudo o que eu queria era pedir licença ao filhote e ir chorar a minha alma para fora de meu corpo. Me contentei com uma só fungada e logo respirei fundo.

— Ele está em um lugar feliz. — sorri fraco. — Às vezes, Beomgyu, a vida não parece justa. Ela leva as pessoas que amamos para bem longe, e não podemos fazer nada para impedir, na maioria das vezes. — o ômega baixou a cabeça, triste. — Mas isso não é algo totalmente ruim, filho. Elas sempre acabam sendo levadas para um lugar bom.

— Jungkook sente dor?

— Não mais. Pessoas como ele não sentem dor. Elas só vivem tranquilamente.

— Então Jungkook 'tá feliz! — disse sorridente. Droga, seus dentes eram idênticos ao do ômega mais velho. Tão perfeito como o pai. — Appa, posso ir brincar?

— No seu quarto? — o pequeno afirmou com a cabeça rapidamente. — Claro, depois eu te ajudo a recolher os seus brinquedos, sim? — peguei em sua mãozinha e o ajudei a subir as escadas. O ômega riu contente e correu para o seu quarto amarelo, retirando seus brinquedos do baú e fazendo a maior bagunça.

Eu me encostei contra o batente da porta e sorri.

Nunca marquei Jungkook e às vezes eu fico triste por isso mas, se parar para pensar, eu teria partido poucos dias depois da morte do ômega, uma vez que é isso o que uma marca faz com um viúvo. Isso poderia ter resultado em Beomgyu sendo adotado por outros pais, e cedo ou tarde, ele ficaria sabendo sobre o que houve com Kim Taehyung e Jeon Jungkook, seus pais biológicos. Seria um trauma.

Você se foi Jungkook, e infelizmente não há nada que eu possa fazer para mudar isso. Você é apenas a alma de alguém que eu costumava conhecer e, tragicamente, continuo amando. Acho que nunca deixarei te amar, na verdade. Mas ao menos me deixou essa criança maravilhosa que é o nosso filho, Beomgyu. As pessoas me olham torto, sempre que digo que sou pai solteiro. Afinal, se um ômega solteiro criando um filhote por conta própria já não é bem visto, imagine um alfa; que as pessoas julgam serem insensíveis até mesmo com crianças. Mas eu amo Beomgyu de um jeito inexplicável, eu pouco me importo com a opinião alheia quando o assunto é o nosso filho.

É como se ele fosse um pedaço de você, o qual eu protegerei até o fim dos meus dias. Não pude fazer o mesmo por você, infelizmente, mas eu prometo me entregar de corpo e alma, tudo para garantir que nosso pequeno terá uma vida longa e saudável, apesar de imperfeita.


Notas Finais


A ideia surgiu do nada, eu só queria postar o quanto antes. :3


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