História Um Presente Indesejado - Vkook/Taekook - Capítulo 52


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Categorias ASTRO, Bangtan Boys (BTS), Monsta X
Personagens Eunwoo, Jeon Jungkook (Jungkook), Jinjin, Joo Heon, Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Hyuk, Min Yoongi (Suga), MJ, Moonbin, Park Jimin (Jimin), Personagens Originais, Rocky, Sanha
Tags 95x97, Bangtan Boys (BTS), Bottom!jk, Hatexlove, Híbrido, Hybrid, Jihope, Jungkook Híbrido, Jungkookbottom!, Kooktae, Kookv, Mpreg, Namjin, Taegguk, Taehyung X Jungkook, Taehyung!top, Taekook, Top!tae, Universo Alternativo, Vkook
Visualizações 1.073
Palavras 10.692
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Famí­lia, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


oi meus amorecos <3
demorei de novo pra variar HAUVESUHESH
tava com preguiça e sem ideias, nada de novo por aqui

consegui fazer um capítulo grandinho então aproveitem :)

OBS: Tem uma quebra de tempo de mais ou menos três semanas nesse capítulo aqui, ou seja, não é o dia seguinte do capítulo anterior e tem o ponto de vista tanto do Kook quanto do Tae.

Boa leitura e obrigada por todos os comentários e favoritos, eu amo vocês <3

Nos vemos nas notas finais ^^

Capítulo 52 - Sorvete sabor confusão


(Jungkook Point of View)

— Tae, cê vai vir me buscar hoje? — Havia chegado na escola um pouquinho mais tarde que das outras vezes, por hoje ser sexta-feira acabei confundindo os dias e acordei alguns minutos atrasado por achar que era sábado. Mas não foi algo drástico, eu ainda estava no horário correto só que dessa vez não consegui chegar antes do portão abrir como é de costume.

— Eu sempre venho te buscar, ué. Mas se você quiser, sim. Eu passo aqui pra te pegar.

— Tá bom, então eu quero.

— Engraçado, quando eu ia pra escola odiava quando meus pais ou meu irmão vinham me buscar porque me sentia um bebêzinho. Você é o primeiro adolescente que eu conheço que pede isso, sabia?

— Ah, é que eu gosto de andar por aí de mãos dadas com você… — Nós ainda estávamos com os dedos entrelaçados um no outro e eu balancei nossos braços para deixar claro que eu gostava mesmo de sentir sua palma contra a minha, achava fofo e me sentia protegido de alguma forma. — É legal.

— Ai eu não me aguento com você sendo carinhoso assim, me dá vontade de te beijar até eu ficar com a boca dormente! — Segurou meu rosto com ambas as mãos e me deu cinco beijinhos rápidos como ele costuma fazer sempre que faço algo considerado "amável" por ele. — Coisa fofa do pai.

— Tá bom, hyung… já entendi. — Falei com dificuldade pois minhas bochechas ainda estavam sendo esmagadas por ele. — Vou ir entrando antes que eu me atrase de verdade. — Me apoiei em seus ombros e fiquei na ponta dos pés para lhe dar um selar rápido.

— Tchau, amor meu. Até mais tarde. — Ele me apertou em seus braços e eu ri, achava graça por ele sempre se despedir assim desse jeito tão dramático, parece até que não vamos nos encontrar nunca mais. — Boa aula, neném.

— Obrigado, pra você também. — Dei um leve beliscão na sua orelha porque ele não queria me largar mais e o inspetor da escola já tava começando a estranhar nossa melação na frente do portão, por mais que não estivéssemos tão perto dele assim. — Me deixa entrar logo, menino!

— Mais um beijo e eu te deixo ir. Juro.

— Oh meu Deus… por que você é assim, hein? — Revirei os olhos enquanto encarava seu rostinho cínico com os lábios repuxados em um meio sorriso. — Chatinho demais você. — Dei dois beijinhos nele para não correr o risco de ouvir reclamações e aproveitei que o aperto ao redor do meu corpo se dissipou para fugir dele, ficando numa distância considerável. — Tchau, Tae. Agora estou indo de verdade e você não vai me impedir de novo! — Continuei andando de costas.

— Ok, eu não vou. Tenho que pegar o meu busão. — Acenou para mim e como eu já estava um pouco longe ele disse um "eu te amo" apenas movendo os lábios. Eu ri e fiz um pequeno coração, acenando pra ele antes de voltar a andar normalmente.

Passei pelo porteiro e disse um "bom dia" baixinho, ele ainda me olhava estranho por causa da minha cena de melação com o Taehyung, mas não era um olhar desconfortável ou preconceituoso. Acho que ele só estava curioso para descobrir se ele é meu namorado ou algo assim.

Antes de ir para a sala mudei o rumo do percurso para um dos bebedouros do pátio para encher a minha garrafinha do Homem Aranha com água – tive que comprar essa porque não tinha mais nenhuma do Iron Man na loja – pois havia me esquecido de encher antes de sair de casa por ter acordado um pouco atrasado.

Depois de terminar, guardei a garrafinha de volta na mochila e continuei o caminho para a minha classe, tomando cuidado para não esbarrar nas crianças que corriam para lá e para cá. Não entendo porque elas ficam fazendo baderna no lado de fora ao invés de entrar logo nas salas. Eu ainda não me acostumei com o barulho desnecessário que o pessoal faz aqui, tanto dos alunos do fundamental quanto o do médio.

— Oi pessoal, bom dia! — Cheguei na sala e os meninos já haviam chegado e estavam conversando uns com os outros numa rodinha. Larguei minha mochila no meu lugar de sempre e cumprimentei todos com um abraço, porém estranhei o fato de que Eunha não estava ali e sua carteira estava vazia. — Cadê a Eunha? Ela não chegou ainda? — Perguntei tentando ignorar o Eunwoo que me puxou pelos ombros para me abraçar só para poder me usar de apoio por eu ser um pouco mais baixo que ele.

— Ah, ela mandou mensagem no grupo avisando que não vem hoje porque tem médico. — JinJin prontamente me respondeu, mas com um pouco de desinteresse. Ele se mantinha concentrado nos cabelos de Rocky, o outro não parecia se importar com ele bagunçando seus fios e apenas permanecia encarando um ponto fixo no chão sem prestar atenção na conversa.

— Foi hoje de manhã? — O loirinho assentiu. — Não mexi no celular quando acordei, por isso não vi. Mas é algo sério? Ela tá bem?

— Tá bem sim, é só uma consulta de rotina. Segunda ela já tá de volta. — MJ disse antes de colocar sua blusa do uniforme sobre a cabeça, dando a entender que iria tirar um cochilo.

Todo mundo é meio morto nas primeira aulas do dia, ainda mais se for sexta-feira porque geral só quer que o fim de semana venha logo. Já acostumei com essa preguiça coletiva deles e as vezes até eu sou contaminado com ela e acabo tirando um cochilo nas aulas de filosofia – a pior matéria de todas junto com sociologia, os professores são um tédio total o que deixa tudo mais desinteressante ainda. Não me dou muito bem com essa parte de humanas, mas gosto bastante do lado de gramática e literatura.

— Menos mal então. — Suspirei aliviado. Mesmo que ela seja minha amiga a pouco tempo, eu já me importo muito com ela e entre os meninos ela é a pessoa que eu tenho mais intimidade e converso com mais frequência.

Quando a Eunha falta eu até posso dizer que me sinto mais deslocado, como se ela tivesse a capacidade de tirar minha timidez com sua doidice espontânea. Ela já é muito importante pra mim e mesmo que eu reclame por ela ser um grudinho que não sai do meu pé, no fundo eu amo aquela garota.

— Jungkookie, você fez a lição de química? — Sanha mudou o assunto, ele estava jogado sobre a sua carteira e sua voz saiu meio abafada por causa do seu braço.

— Fiz, por quê?

— O professor vai dar visto hoje mas eu nem fiz nada, deixa eu copiar tuas respostas?

— Não passa, Kook. O Sanha é vagabundo e tem mais é que se foder mesmo. — O platinado disse. Ele estava sentado na frente do outro e Sanha levou um tapa na nuca que o fez se erguer em dois tempos e lançar um olhar sonolento e ao mesmo tempo emburrado para Moonbin.

— Credo, Moonbin. Tá me xingando assim de graça… nem fiz nada pra tu. — Pensei que ele iria revidar o tapa mas ele só se espreguiçou enquanto bocejava exageradamente.

— Por enquanto, né. Não tem um dia que você não torre minha paciência. — Pior que ele tinha razão, o Sanha enche o saco dele diariamente só por causa da cor de seu cabelo, que na minha opinião nem é tão estranho assim, aquela coloração combina com ele. No começo era até engraçado e confesso que eu dava umas risadas com isso, mas depois ficou forçado demais e ninguém liga mais para as piadinhas dele. Só ele acha graça e por isso continua fazendo.

— Então, Jungkookie… como eu ia dizendo antes do cabelo de vovó se intrometer na conversa, me empresta teu caderno? — Ele juntou as duas mãos e começou a piscar várias vezes pra mim, era pra ser fofo mas só ficou esquisito. — Dou até umas bitocas em você como pagamento se você quiser. — Fez um biquinho e jogou um beijo no ar pra mim, eu só ri e balancei a cabeça em negação.

— Para de me chamar assim, inferno! Espera só, quando você aparecer de cabelo pintado eu vou fazer a mesma coisa, quero ver se tu vai gostar dessas gracinhas.

— Foda-se, eu não ligo. Agora cala a boca aí que eu não tô falando contigo.

— Sim, Sanha-ssi. Eu te empresto. — Revirei os olhos e respondi logo o garoto antes que aquela briguinha boba durasse o dia todo. Eles sabem ser bem implicantes um com o outro quando querem e as vezes nem eu aguento, e olha que sou bem paciente com eles. — Licença aqui, Eunwoo. Deixa eu ir pegar meu caderno pro coisinha. — Dei uns tapinhas leves na sua mão para sinalizar que eu queria sair.

— Ah não, deixa que ele pega. Você já tá fazendo demais por ele passando as respostas. — Como se não bastasse ser usado de apoio para um dos seus braços, Eunwoo decidiu que seria ótimo apoiar o queixo no meu ombro. Tava bem óbvio que ele não queria me largar e por isso sugeriu que o Sanha se levantasse por conta própria.

Digo e repito, ser baixinho não é muito legal. As pessoas sempre irão se aproveitar disso de alguma forma – por mais que Eunwoo não seja tão alto assim.

— Aish, já entendi que todo mundo fica contra mim nesse inferno. — Sanha bufou, se levantando do seu lugar a contragosto para poder pegar o caderno. Ele demorou um pouco para encontrar porque minha mochila é cheia de bolsos e de vez em quando até eu me confundo. — Quando que vai ser a aula dele?

— É depois do intervalo, melhor você fazer rápido pra dar tempo. São mais de vinte questões e as respostas são enormes… — Respondi rindo ao ver o desespero dele tentando achar a matéria certa no meu caderno, e quando ele achou quase rasgou as folhas do seu próprio caderno com o desespero para terminar tudo logo. Eu tinha certeza que sairia tudo tão mal escrito que a letra dele poderia ser assemelhada a um código morse que ninguém conseguiria decifrar de tão ruim que aquilo ficaria.

Graças a Deus me considero um aluno organizado e por enquanto não tive que passar por isso, fazer tudo em cima da hora é horrível e eu não sei como eles conseguem essa façanha. Posso ser preguiçoso pra qualquer outra coisa, menos ao ponto de deixar lições acumuladas. As atividades são algo que eu nunca deixo de fazer porque morro de medo de ficar com nota vermelha ou levar bronca dos professores.

— Bom dia, alunos. Eu preciso dar um comunicado a vocês. — Ouvimos uma voz mais alta e que parecia com um timbre de adulto e nos viramos em direção da porta, vendo um dos inspetores ali esperando que todo mundo fizesse silêncio e prestasse atenção no que ele iria dizer a seguir. Quando todo mundo se calou ele pigarreou e continuou a falar. — A professora Hwayoung que daria a primeira aula de inglês aqui com vocês não irá vir hoje por problemas pessoais. Por isso, vocês estarão de aula vaga porque todos os outros professores eventuais já estão ocupados em outras salas. Vocês têm a opção de escolherem continuar aqui na sala, ficar na biblioteca ou na quadra. Mas por favor, não fiquem no pátio ou nos corredores fazendo barulho porque as outras classes já estão em aula. Era só isso que eu tinha pra dizer, alguma pergunta?

— Eu! — Sanha levantou a mão. — Vão dar o que de comida hoje?

— Sopa de carne com legumes. — Assim que ele disse o cardápio todo mundo ficou com cara de nojo e começou a reclamar e a vaiar, alguns mais dramáticos até fizeram som de vômito. Eu até concordo com eles, sopa é a coisa mais horrível de todo o mundo e eu só como se eu estiver doente ou ruim do estômago.

— Ai, puta que pariu… o dia em que essa escola der comida boa vai ser o dia que Jesus vai voltar pra terra. — Sanha falou alto o bastante para o inspetor ouvir e o homem se fingiu de sonso, dando um sorriso amarelo e indo embora sem dizer mais nada.

— Sério que ninguém aqui gosta de comer sopa? — Eu sei que muita gente ama sopa, afinal existe doido pra tudo. Mas estava chocado por literalmente todos terem começado a reclamar.

— Gostar a gente até gosta, Jungkookie. O problema é que a sopa dessa escola parece mais uma lavagem de porco do que qualquer outra coisa. Eles literalmente pegam a carne, jogam batata e cenoura dentro e fazem um caldo super aguado que só de pensar já fico todo enojado! — Rocky disse mantendo uma careta desgostosa.

— Credo, nem me fale. Hoje não vou nem me dar o trabalho de pisar no refeitório. — JinJin concordou com o outro. — Você vai querer provar a sopa, Kook? Eu te aconselho a não comer essa gororoba, mas você quem sabe.

— Mas nem morto! Odeio sopa e não como isso nem se me pagassem um bilhão de wons. — Falei convicto e eles deram risada. — O triste é que eu vou ficar com fome, esqueci de pegar dinheiro antes de sair de casa então não vou poder comprar nada na cantina.

— Relaxa, eu compro o que você quiser. — Eunwoo finalmente desfez o abraço e apertou minha bochecha, indo até a mesa vazia do professor para se sentar nela.

— Oxe, Eunwoo… que porra é essa?! Tu nunca se oferece pra pagar nada pra gente! — Sanha reclamou, mantendo as sobrancelhas franzidas.

— Vou fingir que não tô percebendo esse seu favoritismo com o Jeon... — Rocky comentou, rindo soprado.

— Não é favoritismo, ok? Tô fazendo isso pro nosso próprio bem. O Kook fica igual a um bichinho raivoso quando tá com fome e eu fico com medo dele.

— Isso é calúnia, eu não fico raivoso coisa nenhuma! — Tratei de desmentir logo a fala do Eunwoo. — Eu fico um pouquinho emburrado sim, mas não o suficiente para dar medo em alguém!

— Eu sei que não é esse o motivo mas vou ficar quieto porque sou muito novo pra morrer... — Moonbin disse cantarolando enquanto encarava a paisagem do lado de fora da janela. Não entendi o que o platinado quis dizer com isso então resolvi ignorar, não deveria ser nada muito importante ou era apenas alguma piadinha interna dos dois.

— Melhor ficar calado mesmo. Mas enfim, Jungkookie… se você quiser, eu pago seu lanche hoje.

— Meu bom senso está pedindo para recusar sua oferta, mas o meu estômago fala mais alto então eu vou querer sim. — Eunwoo riu com minha explicação. — Mas só vou aceitar com uma condição...

— E qual seria?

— Você vai ter que pagar um lanchinho pra todo mundo, não quero ver nenhum dos meninos passando vontade! Fora que não é certo oferecer só pra mim, você deveria ter perguntado para eles também, Eunwoo-ssi…

— Aí eu dou valor! Eu voto em Jeon Jungkook para ser o novo líder do grupinho! — Sanha comemorou levantando um dos braços já que o outro permanecia ocupado por ele ainda estar copiando minhas atividades.

— Assim que eu gosto, Jungkookie é tipo um anjo da guarda que ajuda os menos favorecidos! — Rocky disse.

— Jeon é um amorzinho, não consigo lidar com a fofura desse ser! — Jinwoo me elogiou e obviamente eu fiquei envergonhado, não esperava ouvir algo desse patamar.

— Para, gente… Também não é pra tanto. — Ri com o exagero deles por uma coisa tão pequena. — Só estou sendo justo.

— Pode ser, eu vou pagar o lanche de todo mundo. Agradeça por eu estar de bom humor e com dinheiro suficiente hoje, Jeonggukie.

— Obrigadoooo! — Fiz um joinha pra ele.

— Cês vão ficar aqui na sala? Tô afim de jogar um vôlei lá na quadra, quem anima de ir comigo? — Moonbin se levantou e só aí eu percebi que não tinha quase ninguém na sala, apenas a gente e outras três meninas que dormiam no fundão lá do outro lado.

— Eu! — Rocky e JinJin disseram em uníssono

— Queria muito ir mas não dá, tenho que terminar essa porra aqui pra eu ficar livre de uma vez. — Sanha respondeu sem tirar os olhos da atividade.

— Vamo. Pergunta pro defunto aí se ele quer ir também. — Eunwoo apontou para Myungjun que ainda dormia em seu lugar sem ouvir nada do que estava acontecendo.

Jinwoo foi até ele e retirou o casaco de sua cabeça, dando alguns tapinhas no ombro dele até que o mesmo despertasse. MJ levantou a cabeça e olhou para os lados um pouco desnorteado e com uma careta no rosto por conta da claridade.

— Oxe, cadê todo mundo? — Ele perguntou enquanto coçava os olhos para dissipar o sono.

— Tu não ouviu nada que aconteceu, né? — Rocky perguntou e o outro apenas negou com a cabeça. — É aula vaga, vai querer jogar vôlei com a gente na quadra?

— Bora, minhas costas estão doendo por ter ficado todo torto aqui.

— Que vida triste a minha, vocês indo se divertir e eu aqui tendo que ficar fazendo esse inferno de lição de química.

— Cada ato tem uma consequência né, cara. Não fez antes de besta porque o professor deu tempo o suficiente pra responder isso. — O platinado disse e foi o primeiro a ir embora ao ouvir o "vai se foder" vindo do Sanha.

— A gente tá indo lá, daqui a pouco estamos de volta. — Jinwoo foi me puxando de um lado enquanto arrastava MJ do outro e Eunwoo e Rocky vieram caminhando atrás de nós com um pouco de pressa porque o loirinho tava praticamente forçando a gente pra correr até a quadra e eles não queriam ficar pra trás.

Saímos da parte interna da escola e fomos caminhando pelo corredor do jardim, avistando as duas quadras no fim dela. Uma é um campo aberto com gramado exclusivamente pro futebol e a outra é uma quadra com piso liso e com cobertura que a gente pode jogar vôlei, futebol de salão, basquete e tal. Essa escola é terrivelmente grande e até hoje eu sinto que não fui em todos os cantos dela.

— Eunwoo oppa! MJ oppa! Vocês podem nos ajudar a estender a rede de vôlei? — A maioria das meninas da nossa sala estavam na quadra e o resto dos alunos optaram por ficar na outra quadra jogando futebol e algumas raras exceções foram para a biblioteca.

Como eu não queria jogar, apenas deixei eles lá e fui caminhando até a arquibancada, só ficaria sentado ali ouvindo musica e observando os outros jogarem.

— Ué, você não ia ajudar as garotas? — Perguntei quando vi Eunwoo se aproximando de mim para se sentar ao meu lado.

— Sim, mas os meninos podem fazer isso por mim, eu nem vou jogar mesmo.

— Acho que elas não gostaram muito. — Apontei para elas com a cabeça de forma discreta, elas estavam olhando para nós dois com uma cara de dor de barriga imensa. Muitas das meninas ainda não se acostumaram comigo e percebo que elas não vão com a minha cara por eu ter ficado próximo dos meninos tão rápido. — Você deveria ir jogar.

— Não ligo, prefiro ficar aqui te fazendo companhia. — Ele levantou meus braços que estavam apoiados nas minhas coxas e se virou para poder deitar sua cabeça nelas. — Seria muito abuso da minha parte eu pedir um cafuné? Tô morto de sono...

— Tudo bem, mas já digo de antemão que sou um desastre nisso. Tenha ciencia de que você vai sair daqui com o cabelo todo desgrenhado. — Ri levemente me lembrando do quão engraçado o Taehyung fica quando eu lhe faço carinho no cabelo, parecendo que ele tomou um choque dos grandes porque fica tudo arrepiado.

— Sem problemas, acho que vale a pena correr esse risco. — Ele riu, colocando uma das minhas mãos sobre a sua cabeça. Não disse mais nada e comecei um carinho leve entre seus fios escuros e lisinhos, dessa vez eu tentaria ser mais curioso para não deixar seu penteado se transformar em algo lastimável. — Você leva jeito pra isso, quando eu peço cafuné pro Jinwoo ele só falta arrancar meu cabelo fora com tanta violência que aquele guri usa.

— Eu já percebi que ele tem uma maneira estranha para demonstrar carinho… — JinJin é aquele tipo de pessoa que não pode ver nada fofo ou bonitinho que já quer apertar até esmagar.

— Ele é doido, isso sim.

— Um pouquinho, admito. — Nós dois rimos.

Percebi que a conversa não duraria muito, Eunwoo estava todo molinho e eu sabia que ele ia acabar dormindo mais cedo ou mais tarde. Por isso tirei meu celular do bolso e liguei os dados móveis para mexer na internet, assim que o sinal conectou apareceram algumas mensagens da Eunha que foram enviadas há alguns minutos e eu cliquei no chat para respondê-la.

Gatinha <3

Jungkookie…?

Espero q vc não esteja fazendo nada de importante aí

Aqui tá um tédio total e eu preciso me distrair ._.

Help

Oi Eunha-ssi

Como foi a consulta?

Gatinha <3

Não foi né

Ainda tô na sala de espera

Já passou da hora da minha consulta e até agr nd >:(

Tá super lotado aqui e n sei por quanto tempo vou ter q ficar esperando

Normal, de manhã cedo sempre é bem cheio

Gatinha <3

Aff, se eu soubesse teria pedido pro meu pai marcar isso no período da tarde

Não gosto de perder aula p ir em médico

Enfim fodase já faltei msm

Oq ce tá fazendo ai de bom?

Por enquanto nada

Gatinha <3

Como assim "nada"???

[Mídia]

É aula vaga e tô vendo o pessoal jogar vôlei

Gatinha <3

Mas q porra hein

Quando eu vou p escola os professor nunca falta

Aí é só eu faltar que acontecem milagres

KKKKKKKKKKKKKKK que exagero

Aproveitei que Eunwoo estava de olhos fechados e não prestava atenção em nada e tirei uma foto dele, provavelmente ele tava cochilando porque seus lábios estavam entreabertos.

[Mídia]

E tô fazendo cafuné nesse dorminhoco aqui

Hoje ele tá mais folgado que o normal n sei pq

Gatinha <3

Iti q fofo

Mas…

@Taehyung veja isto

KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

Se ele visse ele ia surtar muito e não de um jeito legal

O Tae implica muito com o bichinho, dá até dó

Gatinha <3

Sou #TeamTaehyung nessa

Eunwoo tem uma carinha de talarico em potencial

Vou ficar de olho

De olho no que???

Gatinha <3

Se ele ficar muito assanhado com você eu vou ir fofocar pro seu namorado :p

Adoro ver o circo pegando fogo bjs :*

KKKKKKKKKKKKKKKKKK coitado

O Tae ia fazer picadinho dele

Gatinha <3

HAHAHAHAH simmm

Aliás, qd tu vai falar pros mlk q tu conhece o Taehyung?

Tá doida?

Se depender de mim, nunca

Vai dar briga demais

É melhor eles ficarem sem saber disso

Gatinha <3

Mas teu hyung sabe né?

O TaeTae sabe

Ele não gostou nadinha inclusive

Mas disse q não ia se intrometer nas minhas amizades pq quem tem q gostar deles sou eu

Amo um namorado compreensível :(

Gatinha <3

Eu morro com você chamando ele de "TaeTae" :(

É muito fofo o jeito que você eh boiolinha por ele :(

Qd vc tá falando dele pra mim seus olhinhos até brilham

Aaaafff mto apaixonadinhooooo :c <3

Garotakkkkkkkkkk?

Eu nem falei nada de mais

Gatinha <3

Eu sei, é q eu sou besta mesmo hehe~

gLÓRIA A DEUS CHAMARAM MEU NOME!!!

Vou ter q ir agora, kookoo

Dps a gente se fala melhor <3

Tá bem :)

Até mais tarde <3

— Continua aí, Kook… Tava tão bom. — Eunwoo murmurou com a voz arrastada e sonolenta.

— Oras, cê não tava dormindo? Como percebeu que eu parei? — Tive que cessar o cafuné para poder conversar com a Eunha, meu celular é grande demais e eu não consigo digitar usando uma mão só.

— Eu tô meio acordado e meio dormindo… Agora vai, faz carinho em mim. — Deu alguns tapinhas na minha mão, indicando que estava impaciente.

— Vou começar a cobrar… dizem que nós temos que cobrar aquilo que a gente faz bem.

— É justo. Te pago dois lanches na cantina e ainda te dou suco e docinho depois, serve? — Ao ouvir sua proposta não pensei duas vezes e voltei a acariciar seu cabelinho com toda a atenção do mundo.

— Ô se serve, pagamento mais que aceito!

(…)

— Até segunda-feira pessoal, já estou indo! — O sinal tocou e apressadamente apanhei minha mochila, mas quando dei o primeiro passo Moonbin me puxou de volta pela alça da bolsa, fazendo com que eu fosse obrigado a voltar um pouco para trás.

— Espera a gente, Kook! Você sempre sai correndo que nem doido.

— É q-que eu tô com pressa… — Tentei sair de novo porém o Moonbin ainda tava me segurando. — A fome é grande, sabe...

— Relaxa que a gente também tá saindo, vamos todos juntos.

E dito e feito, todos eles recolheram seus materiais em dois tempos e eu me vi sem saída, resolvi ficar calado e aceitar que não tinha conseguido me livrar deles dessa vez.

Eu passei um pouco mais de três semanas tentando despistar os dois para que eles não trombassem um com o outro, e estava dando certo até então. Eu sempre saía mais adiantado que os outros meninos e pedia para o Tae me esperar um pouquinho mais longe do portão para ele não ser visto, mas claro que eu não lhe disse qual era o motivo. Dizia que era para ele "andar menos e poupar as pernas de caminhar mais", por incrível que pareça essa desculpinha esfarrapada foi o suficiente para convencer Taehyung e ele não me contestou sobre isso em nenhum momento.

— D-Droga… — Resmunguei baixinho ao ver Taehyung me esperando do lado de fora, eu não queria que ele se encontrasse com o Eunwoo e os outros. Eles não se bicam e sabia que isso traria algum tipo de confusão.

Pelo jeito tudo se virou contra mim hoje, não consegui me livrar dos meninos e Tae se esqueceu do nosso combinado. Eu não podia sair correndo e muito menos fingir que não o conhecia, por isso continuei andando na direção dele naturalmente.

Taehyung sorriu assim que viu que eu estava me aproximando, porém seu sorriso foi sumindo aos poucos quando ele percebeu a presença dos outros garotos ao meu lado. Suspirei derrotado, aquilo não daria em boa coisa.

— Eunwoo, saca só quem tá ali fora… O carinha que roubou tua namorada. É Taehyung o nome dele, né? — Para minha tristeza o Rocky também avistou Taehyung e chamou a atenção dos meninos que pararam de caminhar no mesmo instante para conferir se era verdade mesmo.

— Não precisa jogar na minha cara, ok? E eu ainda me lembro muito bem desse moleque. — Ele ainda estava segurando minha mão só que ele ficou com tanta raiva por ver Taehyung ali que involuntariamente sua mão começou a apertar a minha com muita força.

— E-Eunwoo… v-você tá me machucando. — Lhe avisei tentando não soar grosseiro demais.

— P-Perdão, Kook-ah! Eu não fiz por mal… Na verdade eu nem percebi, me desculpa. — Ele imediatamente me soltou e alisou o dorso da minha mão. — É que esse cara me tira do sério, meu sangue ferve só de olhar pra ele.

— T-Tudo bem, eu entendo. — Sorri fraco para demonstrar que não estava bravo com isso. O que me deixava incomodado mesmo era essa rivalidade entre o Taehyung e o Eunwoo, não queria que as coisas fossem assim.

— O que será que ele veio fazer aqui? — MJ perguntou.

— Provavelmente veio dar ideia em alguma garota aleatória, ele sempre fazia isso e pelo jeito não mudou nada depois de acabar a escola. Mas por que logo aqui? Credo, parece até que faz de propósito. — Jinwoo disse com um tom de desdém.

— Sorte que ele não repetiu o terceiro ano, eu ia irritar tanto esse fodido que ele ia sair daqui chorando. Me arrependo até hoje de não ter dado uns socos nele quando tive oportunidade. — Engoli em seco ao ouvir tais palavras do Eunwoo, Taehyung tinha razão quando me disse que ele pode ser bem malvado com quem ele não gosta.

— Não ia ser muito fácil, ele fica pagando de durão na nossa frente... Mas aí, cês vão querer falar com ele? — Rocky sugeriu e eu quis chorar por dentro, tudo tava indo para o pior caminho e eu só rezava para que esse encontro não se tornasse uma confusão gigantesca.

— Bora, dar uma zoada nunca é demais. Quer ir também, Kook? — Moonbin me perguntou e eu apenas assenti, mas não iria falar nem fazer nada até porque nem tem sentido eu zoar meu próprio namorado na frente dos outros.

Continuamos a andar na direção de Taehyung e eu fiquei um pouco mais afastado, sendo o último a chegar perto do meu hyung. Estava com muito medo do que viria a seguir, nenhum deles mantinham um semblante amigável.

— Ora ora, vejamos quem está aqui… Kim Taehyung, o ladrão de namoradas. — Eunwoo provocou, mantendo uma pose debochada.

— Ainda nisso? Supera o chifre, cara. — Tae murmurou desinteressado, enfiando as mãos nos bolsos da calça. Ele não parecia abalado ao ver o outro, talvez já esperasse que isso fosse acontecer algum dia. — Você e sua turminha não mudaram nada, pelo visto. Continuam um bando de escrotos...

— Chifre o caralho! Me respeita que tu não tá falando com os teus amiguinhos, não te dei essa liberdade.

— Desculpa aí, corninho. — Foi a vez de Taehyung falar com deboche, sem baixar a guarda pra ele.

— Você realmente não sabe com quem tá mexendo… — Eunwoo riu nasalado, mas não por ter achado graça, era o oposto disso.

— Uau, e você vai fazer o quê? Usufruir do seu poderzinho de merda para me expulsar da escola? Ah é… esqueci que eu não estudo mais aqui e que você não manda em NADA aqui fora. Então abaixa a bola aí que cê não é porra nenhuma, moleque. — Mesmo que Taehyung estivesse relativamente calmo, ver ele brigando assim me deixava assustado.

Fazia muito tempo desde a última vez que presenciei ele usando esse tom sério e irritado com alguém – e esse alguém era eu, quando cheguei na casa do Tae ele sempre falava com a voz mais grave e raivosa para me botar medo, e funcionava em todas as vezes.

— Eu não teria tanta certeza disso se fosse você.

— Não adianta, Eunwoo. Esse seu rostinho de porcelana não bota medo nem em uma mosca. E se você quiser sair no soco comigo é só falar o dia e a hora que eu vou adorar te deitar na porrada. — Taehyung sorriu ladino e cruzou os braços de forma vitoriosa ao ver que tinha conseguido desestabilizar o outro.

— Sua sorte é que estamos na frente da escola, caso contrário eu te daria uma surra agora mesmo.

— Muito bom o que você falou, só perde pro silêncio.

— O que cê tá fazendo por aqui, afinal? Veio dar uma de talarico de novo? — Dei graças a Deus por MJ ter se intrometido na conversa, mesmo que sua pergunta não tenha sido das mais gentis, aquilo seria o suficiente para acalmar os ânimos dos dois mais briguentos antes que eles realmente travassem uma briga ali.

— Não que eu te deva algum tipo de satisfação, mas eu vim buscar uma pessoa.

— Ui ui ui, namoradinha nova? E desde quando cafajestes como você entram em relacionamentos? Tenho dó da pessoa que tá contigo, sinceramente… — Foi a vez do JinJin dizer algo, o que não foi muito distinto das falas anteriores, todos queriam irritar o Taehyung de alguma forma.

— Ai vai tomar no cu, não vou ficar aqui ouvindo vocês falando merda pra mim. Vamos embora, Kook-ah. Já perdi tempo demais com essa ladainha. — Tae estendeu a mão para mim e assim que eu a segurei ele me puxou para longe dos meninos, me abraçando pela cintura.

— Como assim você conhece o Jungkook?! Não é possível… — Eunwoo riu desacreditado e todos os outros estavam surpresos por não esperarem que eu já tivesse contato com Taehyung. É compreensível, eu nunca deixei que eles soubessem disso e sempre que eu precisava falar algo que envolvesse o Tae eu nunca falava o nome dele de fato, claro que eles poderiam pensar que fosse outro Taehyung até porque não existe só ele no mundo com esse nome, mas mesmo assim não quis arriscar e preferi ser discreto. — Desde quando?

— Não é da sua conta. E se eu descobrir que você tá ficando de gracinha pro lado do Jeon eu te mato, tá me ouvindo? E isso serve pra todos os cinco galalaus de porra que estão atrás de você.

— Taehyung! — Arregalei os olhos e lhe dei um tapa no braço para repreender sua atitude. Para falar a verdade, todos ali mereciam uns tabefes bem dados por terem sido tão mal educados uns com os outros. — Não diga essas coisas, cadê sua educação?

— Foi pra casa do caralho junto com a minha paciência pra aguentar esses sacos de merda. — Fiz uma leve massagem nas minhas têmporas ao ouvir sua resposta desbocada, parecia que eu estava lidando com um monte de crianças desobedientes de um jardim de infância.

— Não precisa dar uma de irmãozinho protetor, Kim. O Kookie tá em boas mãos. — Ele disse e Taehyung riu soprado, talvez por ter achado graça porque o Eunwoo pensou que nós fôssemos irmãos.

— Ok, pelo jeito o neurônio de peixe não compreendeu ainda o que eu quis dizer. Vou repetir uma última vez e eu espero que essa informação entre direitinho na sua cabeça de vento. Eunwoo, meu querido suquinho de chorume, se você ficar de ideia errada pra cima do meu namorado eu vou te bater tanto que eu te garanto que você vai ficar mais bonito virado do avesso. Entendeu agora ou quer que eu desenhe?

— Como é?! Você é namorado dele, Jungkook?

— S-Sou… — Respondi vendo a cara espantada dele e dos outros, acho que essa era uma das últimas coisas que eles podiam imaginar ser possível.

— Cansei de ficar aqui. Vamos embora, bebê. — O apelido soou mais como uma provocação para deixar Eunwoo mais irritado, o que pareceu dar certo já que ele estava vermelho de raiva, como se estivesse prestes a explodir. — Espero que tenham entendido o recado. Quem mexer com o Jungkook já pode ir preparando o caixão pro velório porque eu não vou ter dó de bater em nenhum de vocês.

— Chega, Taehyung! Já deu de confusão. — Impedi ele de se aproximar mais dos meninos e comecei a empurrá-lo para longe. — T-Tchau, pessoal. Me desculpem por isso. Até segunda-feira… — Me despedi deles um pouco constrangido por causa da situação desagradável.

— Relaxa. Tchau, Jungkookie! — Eles não pareciam tão abalados assim – com exceção de Eunwoo que ainda tava furioso, mas não com medo – como se as ameaças de Taehyung não tivessem surtido efeito. Fiquei mais aliviado por ver que eles não estavam bravos comigo porque tecnicamente o causador da confusão tinha sido eu.

Sorri amigável e acenei para eles uma última vez, e antes de dar as costas por completo consegui ver todos eles mostrando o dedo do meio para Taehyung, este que retribuiu o gesto da mesma forma.

— Que patifaria toda foi essa, Tae?! Custava ficar sem arranjar briga?! — Reclamei quando já estávamos longe do colégio e aproveitei para lhe dar mais alguns tapas, só não continuei porque ele segurou minha mão para andarmos mais rápido.

— Ah, agora a culpa é minha?! Você viu que eu tava de boa quietinho no meu canto e eles que vieram atrás de mim para encher o saco.

— Mesmo assim, você não deveria ficar ameaçando bater neles daquele jeito. Era só ter ignorado!

— Entenda uma coisa, amor. Não é porque você é amigo deles que eu tenho que ser também. Não tenho obrigação nenhuma de ser gentil com aquelas pestes.

— Eu sei! O que eu tô querendo dizer é que você poderia ter sido um pouco menos encrenqueiro, não é difícil...

— Com eles por perto é impossível eu ser calminho e ficar fazendo cara de paisagem, Kook. Não dá mesmo. Eu sei que você não queria ter que presenciar isso, mas não consegui ficar quieto.

— Tae, depois de hoje eu acho melhor você não vir me buscar mais, não quero que essa briga se repita. — Se isso acontecesse todas as vezes que Taehyung viesse me buscar eu acabaria ficando maluco rapidinho.

— Tem certeza? Eu posso tentar ficar na minha.

— Eu te conheço, sei que você arranjaria um jeito de provocar eles e vice versa. Então pode deixar que eu vou sozinho pra casa a partir de segunda.

— É, você tem razão. Eu não conseguiria mesmo ficar calado porque engolir sapo não é comigo, acho que essa vai ser a melhor opção.

— Concordo. E vai ser até bom pra ti, cê vai poder ir direto pra casa e não vai precisar se preocupar comigo.

— Você andando sozinho já é um motivo e tanto para eu ficar preocupado, você é tão avoado que eu aposto que tu vai bater a testa em algum poste por aí ou tropeçar nos vãos da calçada e cair de cara no chão.

— A confiança que você tem em mim é realmente incrível, hyung.

(…)

(Taehyung Point of View)

— Quando eu voltar espero encontrar essa casa inteira e sem nada de bagunça, está me ouvindo, Taehyung?! — Mamãe disse enquanto descia as escadas arrastando uma mala mediana nas mãos, ela e o meu pai iriam viajar para outra cidade por motivos do trabalho e eu ficaria sozinho com o Jungkook porque o Yoongi só veio pra casa para almoçar, catou algumas coisas dele e foi vagabundar com o Woozi dizendo que só voltaria na segunda-feira à tarde.

— Por que só eu recebo ordens? O Jungkook que é o bagunceiro dessa casa! Isso é injusto…

— Não sou nada! — Kook me olhou indignado e bateu um dos pés no chão.

— Ah não? E quem foi o pestinha que largou a toalha molhada em cima da cama agora a pouco?! — Lhe acusei e rapidinho ele desviou o olhar do meu para encarar as paredes, como se magicamente alguma desculpa convincente aparecesse escrita nelas. — O Gasparzinho que não foi.

— Foi sem querer, eu só esqueci de tirar! — Me mostrou a língua.

— Calem a boca e me escutem! — Minha mãe bateu algumas palmas para chamar nossa atenção. — Vou deixar um pouco de dinheiro e um cartão de crédito dentro de uma cestinha lá em cima do armário da cozinha, só usem se houver alguma emergência.

— Tia, e se meus docinhos acabarem? Eu posso considerar isso uma emergência?

— Pode, meu bem. Mas peça para o Tae antes, eu sei que ele é chatinho com isso de doce.

— Sim, ele é.

— Ave Maria, eu tento ajudar e ainda sou humilhado... — Reviro os olhos.

— Melhor eu ir logo, o Hyunbin está me esperando no aeroporto e sei que ele odeia quando eu fico enrolando. — Ela veio até nós e nos deu um beijo e um abraço apertado. — Fiquem com Deus e com roupas, de preferência.

— Mãe! — Arregalei os olhos e ela riu contida.

— Não se faça de idiota, meu filho. Eu sei que os dois vão aproveitar esse tempo que vão ficar sozinhos.

— Você não disse que tava com pressa? Bora, acelera! — Abri a porta de casa e fui empurrando ela para fora junto com sua mala. — Tchau mãe, tenha uma boa viagem. Nós te amamos. — Fechei a porta na cara dela e tranquei a mesma para não correr o risco de apanhar por tê-la expulsado.

— Já entendi que tenho que fingir que vocês são santinhos e não fodem! Jungkookie, dá uma surra de bunda nesse moleque pra ver se assim ele deixa de ser tão azedo! — Ela fez questão de gritar isso do outro lado e eu quis morrer, só torcia para que nenhum vizinho tivesse escutado essas barbaridades.

— Mãe pelo amor do meu caralho, cala a boca!

— Ok ok, não tá mais aqui quem falou. Beijinhos meus amores, estou indo... — Disse por fim e pude ouvir o barulho dos seus sapatos de salto se distanciando pelo corredor.

— A tia Haenim é a melhor! — Nessa altura do campeonato o Jungkook já tava todo estirado no sofá rindo como se não houvesse amanhã.

— A melhor em nos fazer passar vergonha, só se for.

— Disso eu não tenho dúvidas. Mas quando é com você é bem mais engraçado.

— Você adora rir da minha desgraça, não é? — Ele continuou rindo e recebi somente um aceno positivo como resposta. — É, eu já percebi. Mas vamos esquecer isso. O que o senhorito quer fazer agora?

— Tenho uma ideia! Me espera lá na varanda. — Jungkook saiu correndo pelas escadas e eu fiz o que me foi dito.

Alguns segundos depois ele retorna com um monte de caixas dos joguinhos que meus pais haviam trazido de viagem e que nós nunca chegamos a usar nenhum.

— Vamos brincar aqui fora! Tá um dia tão bonito e o vento tá tão fresquinho que seria um desperdício ficar enfiado em casa só na base do ar condicionado. Tá na hora de fazer algo diferente, não dá pra ficar vendo TV e jogando vídeo-game o tempo todo, acaba sendo chato... Não acha?

— Tudo bem, vamos brincar. Não tenho outra sugestão melhor. — Me sentei no chão e ele me acompanhou. — Qual vai querer jogar primeiro?

— Uno! — Disse empolgado, quase rasgando toda a caixinha na hora de tirar as cartas.

E assim ficamos por no mínimo duas horas, jogamos de tudo um pouco e Jungkook ganhou de mim na maioria das vezes, eu tive que aguentar muitas piadinhas dele por ser horrível em praticamente todos os jogos e não podia revidar suas acusações porque ele tinha razão.

— TaeTae, eu quero tomar sorvete… Me leva naquela sorveteria de novo? — Kook me perguntou enquanto arrumava as peças do outro jogo que iríamos brincar.

— Ah não… tô morrendo de preguiça. — Eu tava começando a estranhar o Jungkook por ele ter ficado tantas semanas sem me pedir absolutamente nada que cogitei até a possibilidade dele ter sofrido algum tipo de lavagem cerebral.

Não que eu estivesse triste com isso, longe de mim. Eu amo quando seu instinto consumista fica quietinho e ele não me faz ficar pobre pedindo tudo que vê pela frente. Pena que isso não durou tanto quanto eu gostaria e mesmo que ele esteja me pedindo apenas sorvete eu sei que ele tem a incrível capacidade de me deixar falido por pedir todos os sabores da loja.

— Por favor, hyung... a gente só foi lá uma vez!

— E o que eu ganho com isso? Cê vai me pagar outro boquetão? Se sim, eu posso pensar na hipótese de te levar lá. — Brinquei, me divertindo com a cara espantada que ele fez.

— Não, Taehyungie! Aprenda a me mimar sem querer nada em troca e apenas aproveite o prazer da minha companhia, isso já tá de bom tamanho!

— Por que você sempre usa esse argumento quando quer sair comigo? Não faz o menor sentido porque eu tenho que te aturar toda hora aqui em casa...

— Você é péssimo, garoto… Nem parece que me ama.

— Eu tô zoando, bobinho. Mas sério que não pode ser outro dia? Tô cansadão… — Estava com preguiça e sem nenhuma vontade de gastar meu precioso dinheiro para alimentar a barriga de buraco negro do meu amorzinho esfomeado.

— Se eu tô pedindo agora é porque eu tô com vontade de ir agora! — Soltou os dadinhos do jogo que a gente tava jogando, fazendo com que eles pingassem para longe pela força desnecessária que ele usou. — Quero tomar sorvete!

— Você tava sendo um menino tão bonzinho esses dias… já vai começar a fazer birra de novo? — Disse calmo encarando sua pose emburrada; os braços cruzados e os lábios rosadinhos formando um bico.

— Não é birra, eu só quero que você me leve para comer sorvete! — Chutou o tabuleiro que estava em sua frente e eu constatei que tava certo desde o início, era birra sim. E com isso eu já saquei que ele não iria parar de me irritar até conseguir me convencer.

— E não tinha sorvete na geladeira?

— Disse certo, tinha. Eu comi o restinho que sobrou ontem.

— Pelo amor de Deus, Jungkookie… minha mãe tinha comprado isso não fazia nem uma semana e você já traçou tudo sozinho?!

— Sozinho nada! Você e o Yoon hyung comeram também!

— Ele eu não sei, mas eu só comi uma vez. O resto foi tudo você! Comilão do cacete.

— O quê que tem? Depois que a gente come ele derrete e vira só líquido, nem enche a barriga tanto assim… — Deu de ombros, fazendo pouco caso. — Por favor, vamos lá! Eu prometo que não vou repetir mais de duas vezes! Quer dizer… três! Juro que não vou pegar sorvete mais que três vezes.

— Eu não tô afim de sair… — Achei que ele fosse brigar e insistir de novo mas ele só sorriu e veio andando de joelhos até mim com aquela carinha que ele faz quando está prestes a me pedir algo, e que na maioria das vezes é grana pra comprar besteira.

— Tá bom então, TaeTae. Não quer mesmo ir?

— Hoje não, bebê. Deixa pra próxima.

— Ok. Então me dá o dinheiro aí que eu vou sem você, eu sei o caminho. Vou chamar o Eunwoo-ssi pra ver se ele quer ir comigo já que ele mora aqui perto... Quer que eu traga picolé pra você? Talvez derreta um pouco até eu voltar, mas eu tentarei ser rápido. — O encarei incrédulo com o tamanho da sua petulância, claro que ele tocou na minha ferida para que eu aceitasse ir com ele.

— Não precisa! Eu posso ir contigo. Vai chamar porra de Eunwoo nenhum não, deixa aquele merda no canto dele. — Me dei por vencido e desisti de contrariar antes que ele preferisse ter a companhia do imbecil no lugar da minha.

— Hm... e isso tudo é ciúmes, Taehyungie? — Ele me abraçou pelos ombros e apoiei meu queixo em seu peito para poder olhar para cima já que ele estava mais altinho que eu.

— Nem adianta eu negar porque você sabe que é. Então sim, odeio aquele cara perto de você. — Lhe abracei pela cintura e fiz o se desequilibrar para cair sentado no meu colo.

— Não precisa ficar enciumado, TaeTae… Cê sabe que eu só tenho olhos pra ti, amor. — Ganhei dois beijinhos castos nos lábios e sorri com sua pequena declaração.

— Eu fico porque não confio no Eunwoo, na verdade eu não confio em nenhum daqueles seis, mas o Eunwoo é o pior deles e sempre foi a minha maior dor de cabeça. Tenho receio de que ele possa aprontar alguma coisa.

— Tô começando a achar que isso é paranóia sua, você tem que parar com essa implicância. Ele é legal, tá?

— Fale por si só, porque comigo ele tá longe de ser legal ou simpático.

— Essa briga não tem cabimento, nem no mesmo lugar vocês estudam mais… vocês deveriam tentar ser amigos.

— Particularmente, eu prefiro a morte.

— Que horror, Tae!

— É sério, ué. É impossível nós sermos amigos. Desculpa acabar com sua ilusão, cê presenciou o que aconteceu hoje e realmente não dá pra aguentar aquele moleque. Sinto muito mas não vai rolar.

— Ai ai, tudo bem. Não vou te obrigar a nada. Mas eu realmente ficaria feliz se vocês se dessem bem e deixassem as briguinha bobas no passado.

— Não dá, eu e o Eunwoo somos tipo ódio a primeira vista. Até antes dessa treta toda acontecer eu não ia com a cara dele e nem ele com a minha. O garoto se fazia de bonzinho demais e eu nunca engoli isso, não tem como levar a sério. Como diz aquele ditado lá, quando a esmola é demais até o Santo desconfia.

— Credo, hyung. Isso parece gíria de vovô.

— Talvez seja mesmo, esse termo existe há décadas.

— Quem ainda usa isso hoje em dia?

— Bom, meus pais e meus avós usam, e consequentemente eu acabo usando as vezes também.

— Percebi. Você pensa igual um velhinho de vez em quando.

— Isso! Me zoa mais que eu não te levo pra sorveteria. É isso que tu quer?

— Não! Longe de mim, Taezinho lindo amor da minha vida todinha.

— Alá que puxa saco interesseiro... — Apertei suas bochechas e dei um beijo no biquinho que se formou em seus lábios. — Bora logo na sorveteria antes que eu desista. Vai se trocar enquanto eu arrumo aqui. — Esperei ele sair de cima de mim para me levantar do chão e comecei a catar as pecinhas e as outras coisas do jogo para colocar de volta na caixa, se eu deixasse tudo largado ali era certeza absoluta que o Snow ia morder e rasgar tudo, ou pior, acabar comendo alguma peça.

— Por isso que eu te amo, hyung! — Me deu mais um abraço antes de sair correndo todo aninado para dentro de casa.

(…)

— Onde você vai querer sentar, Jungkookie?

— Aqui! — Apontou para uma das mesas próximas ao grande vidro do estabelecimento, aposto que ele escolheu aquele lugar para poder olhar o movimento da rua no lado de fora, ele também faz isso quando precisamos andar de carro ou ônibus e vive escolhendo o lado que é perto da janela.

— Tá, vai lá pegar o teu sorvete que eu vou ficar aqui guardando o lugar. — Lhe entreguei o dinheiro e me sentei ali, não estava com vontade de comer então não me importaria tanto se ele gastasse tudo.

Fiquei observando o Jeon escolher os sabores e não fiquei surpreso quando vi que ele pegou o maior prato disponível ali e começou a pegar várias e várias bolas de sorvete de chocolate e de baunilha, e como se não fosse suficiente ele ainda jogou um creme por cima – talvez fosse chantilly – e um monte de confeitos coloridos e gotinhas de chocolate para complementar sua gororoba com alto teor de açúcar.

Acabei rindo com a cara de espanto que a atendente fez quando viu a montanha de sorvete que o Kook tinha pegado, era um legítimo prato de pedreiro. E pra deixar tudo ainda mais engraçado ele sorria de um jeito simpático como se não estivesse dando uma de esfomeado que não pode ver um docinho que já pega tudo que vê pela frente.

Depois de pagar a moça do caixa ele retornou para onde eu estava sem desfazer o sorrisão enorme por ter conseguido o que queria e me devolveu o resto do troco que sobrou.

— Não vai comer nada, hyung? — Ele me perguntou enquanto levava uma colher cheia de sorvete em direção à boca, ver isso me deu inúmeros calafrios porque meus dentes são sensíveis e não consigo tomar nem mastigar nada muito gelado porque dói tudo. — Tá tão gostoso… Você deveria provar.

— Tô de boa, depois eu peço algo antes de ir embora.

— Vai pedir o quê? Se for milk shake de morango eu quero beber um pouco também!

— Amor, seu prato ainda tá cheio e você já tá cobiçando algo que eu nem tenho certeza se vou pedir?

— Ok, desculpa… — Ele assentiu e voltou a dar atenção à sua sobremesa. — Hyung, você poderia trocar de lugar? Seu cabeção tá tapando minha visão da rua...

— Ô bichinho fresco, meu pai amado… — Suspirei e saí de sua frente, me sentando na cadeira do outro lado. — Melhorou agora?

— Sim sim, muito obrigado, TaeTae.

Não tinha muito para onde eu olhar então comecei a encarar o pessoal que entrava e saía da sorveteria, até que ao longe uma pessoa se levantou e se virou na direção em que eu estava e quis chorar quando vi quem era o meliante que tava ali justamente na mesma hora que eu.

— Puta que me pariu… eu não mereço isso.

— O que foi?

— Teu amigo pau no cu tá aqui. — Revirei os olhos quando vi que Jeon se virou para procurá-lo e para piorar os dois acabaram se vendo e o traste começou a se aproximar de nós.

— Jungkookie! Que coincidência te encontrar por aqui. — Eunwoo cumprimentou Jeon bagunçando o cabelo dele e eu tive que me segurar muito para ficar quietinho, por mais que ele não tenha feito nada de mais o meu ódio por ele torna irritante tudo o que ele faz.

— Pois é! Você veio com alguém?

— Não, eu ia vir com minha irmã mas ela já tinha marcado de sair com as amiguinhas dela aí resolvi vir sozinho mesmo.

— Entendi… Senta aqui com a gente então, nós chegamos agora a pouco!

— Claro, valeu por convidar.

— Tava demorando… — Murmurei mais alto do que eu gostaria e Eunwoo me olhou de forma neutra, mas sem largar sua pose de fodão que me tira do sério.

— Relaxa, Taehyung. Eu não vou implicar com você, só tô aqui por causa do Kookie. — Disse seco e se sentou do lado do Jungkook, o pior foi que ele ainda teve a audácia de aproximar mais a cadeira dele como se aquela distância não fosse o suficiente.

— Tá, foda-se. — Tranquei o maxilar e desviei meu olhar para a rua, agora mais do que nunca eu queria ir embora o mais rápido possível.

Como eu já imaginava eu fui totalmente excluído da conversa deles, Eunwoo não parava de falar um segundo sequer e quando o Jungkook tentava me introduzir na conversa o leproso do amiguinho dele sempre arranjava um jeito de voltar a atenção só pra ele de novo, aí eu acabava sendo ignorado. Tava nítido na cara dele o quanto ele estava satisfeito por ver que eu não conseguia sustentar um assunto, e se alguém de fora olhasse para nós ali com certeza acharia que o Jeon namora o Eunwoo e que eu sou apenas o amigo solteirão que fica segurando vela.

Chegou um momento em que eu não aguentava mais ouvir a voz de maritaca azeda daquele moleque e decidi me levantar para pegar um sorvete pra ver se pelo menos assim eu conseguiria acalmar meus ânimos antes ďeu acabar descendo o cacete no menino.

Fui até o freezer do estabelecimento para escolher um picolé de fruta pois não tava com muita vontade de comer sorvetes com leite, geralmente eles são mais enjoativos e além disso são mais caros. Peguei um picolé de limão, paguei a moça do caixa e antes de retornar ao meu lugar respirei bem fundo e contei até três para me recompor um pouco.

Quando voltei eles ainda estavam conversando e rindo animadamente, e o pior de tudo é que não dava para ignorar os dois porque além deles estarem falando razoavelmente alto, eu não tinha trazido meu celular então não poderia me distrair com nada e teria que aguentar aquela tortura sabe-se lá por quanto tempo.

Continuei tomando meu picolé sem pressa e fingia que a presença de Eunwoo não me incomodava nem um pouco, o que não era algo muito fácil de se fazer porque a cada "a" que ele dizia era uma vontade diferente de bater nele que surgia em mim.

— Ai, Kook, a gente precisa sair juntos mais vezes… — Eunwoo colocou a mão por cima da de Jungkook e eu olhei para seu ato com tanto ódio que se eu tivesse algum tipo de raio laser nos olhos ele estaria fodido.

— Concordo, da próxima vez vamos chamar os meninos e a Eunha também!

— Com certeza, vai ser bem divertido.

— Kook, olha pra cá por um instante…

— O que foi, Tae?

— Cê tá todo sujinho de sorvete e o outro aí nem te avisou… — Retirei alguns guardanapos que estavam sobre a mesa e passei nos cantos da boca do Jungkook até tudo ficar limpo e no fim lhe dei um selinho para mostrar ao Eunwoo quem era a verdadeira tocha olímpica ali.

— O "outro aí" tem nome tá, Taehyung? Seja um pouco mais educado pelo menos.

— Foda-se, cala a boca que a conversa ainda não chegou no chiqueiro, não sou obrigado a te tratar com educação.

— Para com isso, hyung! — Dessa vez Jungkook não deixou minha ignorância passar desapercebida e tive que ouvir uma pequena bronca dele.

— Tá, parei. Vou lá no banheiro, já volto. — Lancei um olhar mortal para o Eunwoo antes de ir embora, como se eu quisesse dizer um "não apronte nada caso queira viver". — Vai ser chato assim no inferno, que caralho... — Reclamei sozinho quando já estava longe o suficiente da mesa onde eles estavam e adentrei o banheiro. — Deus me dê paciência porque se o senhor me der força, eu mato essa praga.

Inicialmente eu só iria usar o banheiro para lavar as mãos porque o sorvete tinha derretido um pouco e eu tava com aquela sensação grudenta nos dedos, mas decidi aproveitar o caminho e depois de ter lavado as mãos fui tirar a água do joelho e logo após terminar de fazer xixi lavei as mãos novamente.

Quando estava secando as mãos e me preparando para ir embora, um menino que aparentava ter no máximo oito anos entrou no banheiro com uma cara de quem viu alguma assombração, sua mão estava lambuzada de sorvete e ele ameaçava chorar a qualquer momento.

— Ei, carinha. Tá tudo bem com você? — Me abaixei o suficiente para ficar do tamanho dele e toquei seu ombro.

— N-Não… Eu derrubei o meu sor-sorvete e não tenho dinheiro para comprar outro… — O garotinho começou a chorar e fez menção de coçar os olhinhos com a mão suja mas eu não deixei que ele fizesse isso e o guiei até a pia para lhe ajudar a se limpar. Qualquer coisa no momento era mais interessante do que ficar ouvindo Jungkook e Eunwoo falando sem parar, inclusive ajudar uma criancinha aleatória desastrada.

— E como isso aconteceu? Você caiu? — Abri a torneira e coloquei um pouco de sabonete líquido nas mãos do garotinho que começou a se limpar, ele não era tão baixo e por isso conseguia alcançar a pia sem precisar do meu auxílio nisso.

— Não… Assim que eu peguei minha casquinha e comecei a caminhar para sair da sorveteria, um moço grandão apareceu na minha frente do nada e eu não consegui parar de andar a tempo e acabei esbarrando nele e derrubando todo o meu sorvete na camiseta dele. M-Mas a culpa não foi minha, eu juro! O moço não estava olhando para frente e por isso que eu atropelei ele... foi sem querer.

— Não tem problema, acidentes acontecem e eu tenho certeza que ele entendeu isso, certo? — Retirei alguns papéis do suporte e dei para ele poder se secar.

— N-Na verdade não... ele me deu uma baita bronca e eu acho que ele ia me bater porque ele me segurou pelo braço e começou a me chacoalhar assim, ó… — Ele demonstrou em mim como supostamente o cara havia feito consigo. — Ele só não brigou mais comigo porque um menininho coelho veio ver o que estava acontecendo e mandou ele me soltar, aí eu saí correndo pra cá. Mas ainda estou triste, perdi todo o meu sorvete…

— Espera aí... — Abri uma brecha na porta do banheiro e chamei o menino para olhar por ela junto comigo. — Foi aquele cara ali que você esbarrou? — Apontei para Eunwoo que ainda estava em pé ao lado do Jungkook, este que tentava a todo custo limpar a camiseta do outro com alguns guardanapos mas não tava dando muito certo, na verdade só tava deixando a roupa ainda mais suja.

— S-Sim… Eu não quero voltar lá, ele vai brigar comigo de novo… — Ele se encolheu atrás de mim.

— Ele não vai. Não vou deixar ele fazer isso com você. Vem comigo. — Estendi minha mão para ele e saímos juntos do banheiro. — Vou te pagar outro sorvete.

— Mesmo?!

— Mesmo mesmo. — Sorri. — Qual sabor você quer?

— Uma casquinha de chocolate!

— Tudo bem, toma aqui o dinheiro. Pode ir lá comprar. — Tirei alguns trocados do meu bolso e entreguei para o guri que sorria todo empolgado, nem parecia que tava chorando antes.

— Obrigado, moço! — Instantes depois ele volta com o sorvete em mãos e me dá um abraço cuidadoso, com medo de acabar derrubando o doce novamente. — Você é um cara legal!

— Eu que agradeço, você fez meu dia sujando aquele chatinho ali.

— Você conhece ele?

— Infelizmente sim, peço desculpas por ele ter brigado com você. Não liga pra isso, ele é bobão com todo mundo.

— Tudo bem, não tô mais bravo porque já consegui meu sorvete de volta. Tchau, hyung! — Ele se despediu de mim com um toque de mãos e quando passou ao lado do Eunwoo fez questão de chamar a atenção dele para lhe mostrar a língua, e nem preciso dizer que eu ri muito disso.

— Como assim você comprou outro sorvete para aquele moleque?! Você não viu o que ele fez em mim?! — Eunwoo voziferou quando me aproximei.

— Claro. E foi exatamente por isso que eu comprei, a gente tem que agradecer as boas ações dos outros e ver você todo putinho porque sujou sua roupa de marca não tem preço.

— Seu…

— Olha a boca! — O interrompi. — E não precisa ficar pistola por isso, tua camiseta não tá suja com ácido, é só sorvete. Só lavar que ela volta ao normal! Puts… esqueci que tu é um mauricinho de merda que provavelmente não sabe nem limpar a bunda direito, então peça para alguém te ajudar com isso.

— Acho melhor eu ir embora. — Suas mãos estavam serradas em punho, provavelmente ele tava se controlando para não se exaltar comigo. — Tchau, Jungkookie. A gente se vê na segunda.

— Tchau, Eunwoo-ssi. — Jeon se despediu e o outro foi embora a passos pesados sem dizer mais nada. — Que coisa feia, Tae! Ficar provocando o menino desse jeito, vê se cresce! — Eu sabia que ele ia me bater e por isso abaixei minha cabeça para facilitar o tapa que receberia.

— Eu sempre tratei ele assim, se você não gosta eu não posso fazer nada. Não vou ficar sendo falso, já disse.

— Eu fico pra morrer vendo vocês brigando assim… Aí quem fica com vontade de sair no soco com os dois sou eu! — Minha raiva sumiu em segundos só por olhar pra carinha fofa do Jeon tentando ser bravo comigo. — Que coisa chata!

— Nele você pode bater a vontade, mas em mim não porque eu sou seu amorzinho e a única coisa que você tem que me dar é um monte de beijinho. — Abracei sua cintura e lhe dei vários selares que o fizeram rir.

— Pois então cê só vai ganhar meu beijo se tu me der um copão cheio de milk shake de morango!

— Você quem manda, meu príncipe!


Notas Finais


Fiquei com preguiça de fazer as fala do final ai ficou tudo cagado fodaseKKKKKKJK

Tete + Eunwoo = confusão na certa KKKKJKJKJ os dois sao impossíveis digai

Me digam o que acharam ^^ Espero que não tenha ficado tão ruim o capítulo… pq ne, a criatividade tá em falta aqui grr.

Vou panfletar minha one shot nova aqui pq sim: https://www.spiritfanfiction.com/historia/a-vampires-visit-17795907

E vou deixar o link do grupo de upi no zap caso alguém queira entrar: https://chat.whatsapp.com/LPvSm0UNaHuBhsq4aA6keB bora conversar cambadaaa

Então é isso, agora eu tenho quase certeza que só volto ano que vem HAHAHAHAAH o próximo capítulo vai ser um perrengue pra mim irra tô fudida :(

Dia 21 eh meu aniversário heinnn, tô aceitando presentes ahshabsjahjs

Beijinhos e até a próxima :)
Mamãe ama vocês <3


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