História Um príncipe destruiu a minha vida - Capítulo 2


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amizade, Amor, Castelo, Dinheiro, Drama, Escola, Namoro, Novela, Plebéia, Pobre, Principe, Romance
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Palavras 2.117
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Festa, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Adultério, Estupro, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Mais um capítulo para vocês! Eu espero que gostem, comentem, favoritem! <3
O dicionário de palavras está nas notas finais.
Boa leitura!

Capítulo 2 - Segundo capítulo


Nos primeiros tempos do cativeiro eu esperava a cada dia, a cada hora, que a porta se abrisse e alguém me resgatasse.

Os dias foram passando e eu já estava ficando acostumada com a minha nova rotina. Às vezes chega a ser irritante e exaustivo não ter minha liberdade, mas logo Fazza aparece e me diverte. É sempre assim; ele me diverte, eu me sinto feliz, acredito que vamos conseguir ter uma vida normal e ele me tranca novamente.

Ele me tratava como uma hóspede e trazia tudo o que eu quisesse comer - e eu me comportava como se estivesse passando a noite na casa de algum familiar.

Assim, na segunda manhã, ele me perguntou o que eu queria comer. Pedi chabab¹ e vimto². Outra vez, pedi saluna³ e água, mas ele trouxe tanta coisa que não consegui comer tudo. Essas "ordens" eram prontamente atendidas. Parecia muito esquisito que aquele homem satisfizesse todos os meus desejos, já que tirara todo o resto de mim.

Eu me resignava a desempenhar meu papel. Quando o sequestrador voltava ao cativeiro para me trazer comida, eu fazia de tudo para ele ficar. Pedia, implorava, chamava a atenção dele para que ficasse e falasse comigo. Ficar sozinha ali estava acabando com meu psicológico.

Em suas visitas sempre trazia coisas novas. O cativeiro começou a ficar lotado.

Pelas minhas contagens duas semanas se passaram. Eu espero ansiosamente mais um dia pelo meu sequestrador. Quando ele entra, faço um esforço para ser calma e amigável.

— Você pode me levar para fora desse porão? Pelo menos que eu possa andar pela casa. Isso é uma tortura. Se for pra continuar assim peço que me mate. Me mate logo, não quero viver assim. Por favor, eu peço.

Ele senta na cama e parece tentar ler o que eu estava pensando, olha para o teto e diz que não. Peço e imploro, e recorro ao que imagino que ele pensa:

— Juro que não fugirei de você. Apenas me deixe andar pela casa.

Eu encontro novas razões para justificar querer sair daqui e asseguro que nada irá acontecer se ele permitir. O sequestrador diz "não" por um longo tempo - e então, subitamente, muda de ideia e promete me levar a um novo quarto no andar acima do solo.

Ele caminha até a entrada do cativeiro e para logo na frente. Dá mais algumas ordens; não tentar fugir, não falar com ninguém, não ficar andando a hora que quiser pela casa e mais um monte de baboseiras.

Quando ele me ergueu como um embrulho e abriu o cativeiro, o pânico tomou conta de mim. Perguntas vinham na minha cabeça, não sei se deveria fugir se deveria ficar, se deveria conquistar sua confiança, eu estou totalmente perdida.

Tentei não esboçar expressão alguma, o que era quase impossível pelos meus olhos arregalados, minhas mãos comprimidas entre as pernas, minha respiração desregulada, meu jeito de andar, sentia muita energia e meu corpo tremia inteiro enquanto subia os degraus da escada – tudo a comando de Fazza – pedi a ele para ir ao banheiro.

Ser novamente livre me fez sentir saudade da minha família, uma saudade incontrolável. Pensava como seria se me vissem novamente depois de tanto tempo sem telefonar. Tentava imaginar se sentem falta de mim ou se a vida deles ainda está normal; preferia sem dúvidas a segunda opção.

O lugar é evidentemente enorme, as vidraças da enorme sala evidenciava algo que já pensava; Fazza realmente deve ser alguém importante. Em frente ao sofá branco - que era do tamanho do quarto que eu dormia na casa da minha tia – estava uma televisão enorme. Examinava tudo, e isso não parecia incomodar o meu sequestrador; certo, ao menos isso eu posso fazer. Há alguns quadros de um homem de barba preta e com uma roupa parecida da qual Fazza usa – se parecem muito, então concluo que devem ser parentes. Meu olhar se atenta pela vista lá fora, e como um raio, não consigo conter minhas lágrimas de escorrer. Dói muito saber que talvez eu nunca passe daqui pra lá. Mas pensar que já dei um ótimo passo em conseguir sair daquele porão me anima.

Fazza parece se irritar um pouco quando percebe que estou chorando e pede para eu andar logo.

O sequestrador parou diante da porta e aguardou. Girei a chave imediatamente e suspirei. Mas o momento de alívio durou poucos segundos: o banheiro não tinha nada que eu pudesse me erguer para pular a janela. Eu estava presa. A única saída era a porta, e eu não podia ficar trancada ali eternamente. Seria fácil para ele derrubá-la.

Quando saí do banheiro o sequestrador novamente me guiou; dessa vez para um corredor com vasos grandes de flores na passagem e quadros pregados na parede.

Sob o olhar de Fazza, caminho ao seu lado por aquele lugar estreito.

De repente paramos em frente de uma cozinha super moderna, com mármores brancos, uma geladeira enorme, cinco funcionárias se movimentando pra cá e pra lá. Pergunto-me porque ele me trouxe até aqui.

— Você trabalhará aqui, claro que pagarei pelos seus serviços, a partir de hoje você não dormirá mais naquele lugar que você estava. Depois Haifa te guiará para o novo quarto. Espero que você se sinta bem. 

— É para isso que você me sequestrou? Para me fazer de escrava?

— Não... Eu quero te mostrar quem manda aqui!

— Nunca escutei algo tão infantil em toda minha vida. Não consigo acreditar que alguém sequestra uma imigrante apenas porque não concorda com suas ideias.

— Pois agora você pode começar a acreditar. Se acostume, essa é a sua nova vida.

Estava quase explodindo de tanta raiva e a única vontade que tinha no momento era falar tudo o que estava sentindo ao ter minha liberdade reprimida. Antes que eu pudesse fazer qualquer besteira, uma mulher baixinha de cabelos pretos que usa óculos e um avental diferenciado de todas as outras se pronúncia:

— Me chamo Haifa. Como é o seu nome?

— Laila.

— Ela vai ajudar vocês aqui! — Fazza interfere. — Ensine-a sobre tudo. Se tiver alguma reclamação, comunique ao meu pai.

Ele sai da cozinha. Todas as funcionárias viram para me olhar e noto alguns sussurros. Haifa pede para elas voltarem com as tarefas e volta a falar comigo:

— Haja naturalmente. Você vem de outra nação e está sem comunicação com o povo de seu país, então qualquer atitude que você tomar eles poderão te matar ou levar ao calabouço. Faça tudo o que pedirem, não contrarie ordens e evite ao máximo fazer algo que seja contra nossa cultura. Quero te deixar ciente disso tudo, habibti⁴.

— Shukraan⁵, seus conselhos será muito útil para mim.

— Agora vamos, yalla⁶! Não queremos atrasar esse almoço não é mesmo?

— Sim! O que posso fazer para ajudar?

— Pode começar colocando os talheres na mesa. Adina, Delaila, Falak e eu preparamos a comida. Você irá apenas servir com a ajuda de Farah.

— Certo.

Organizamos os talheres nos devidos lugares na mesa. Haifa pediu que eu levasse a comida.

Enquanto estava levando um pequeno pote de salada de frutas até a mesa, Fazza estava parado em minha frente com uma calça preta, bem diferente das roupas que costuma usar. Seu cabelo estava perfeitamente alinhado e o rosto estava um pouco corado. Engoli seco e ouvi uma risadinha. 

— Gostou do que viu? 

Encarei assustada encontrando o olhar dele malicioso.

— O que? Você não é tão bon...

— Estou falando da cozinha.

Arregalei os olhos. Fazza se aproximou ainda mais e eu recuei.

— Sim...

O encarei espantada e ele deu um risinho. Deu mais alguns passos em minha direção, dei tantos passos para trás que senti minhas costas baterem na parede. Fazza estava quase totalmente encima de mim e nosso rosto perto demais.

— Eu vim apenas te ajudar porque mais tarde vou sair e chego apenas de noite. O que você está fazendo?

Olhei o piso de porcelanato mais confusa ainda e pisquei diversas vezes. Ouvi um suspiro e ergui o rosto encontrando os olhos cantanhos que me encaravam pensativos. Ele está quase me prensando contra a parede e de alguma forma estou gostando disso. Ofeguei um pouco. Fazza começou a sorrir.

— Não, eu não posso deixar você me ajudar. Min fadlik, volte para a sala. Nem posso imaginar o que o Sheikh Mohammed faria se nos visse juntos.

— Porque ele faria alguma coisa? Eu apenas vou te ajudar, não tem motivo pra ele tomar partido de fazer algo.

Senti uma das pernas dele se enfiar no meio das minhas. Soltei um gritinho por causa do susto. Ele riu. Tentei empurrá-lo, mas tudo o que consegui foi um risinho na sua orelha. Óbvio que Fazza é mais forte que eu.

— Fazza... Eu não quero sua ajuda, não posso ter sua ajuda, não posso ficar perto de você! — Tentei me recompor rapidamente.

— Porque você diz isso?

— Por que... Por que... Você é o príncipe! Não pode se misturar com os empregados. Agora, min fadlik⁷, volte para a sala.

Ele arrumou a postura e se distanciou um pouco, perdendo a malícia.

— Se não gosta da minha companhia, tudo bem, é só falar. Seja sincera!

— Eu gosto é que...

— Não precisa falar mais nada. Eu vou sair daqui a pouco, então até à noite.

A hora passa tão depressa que em um piscar de olhos Haifa me guia até o quarto.

Avisto um relógio sobre a cômoda encima da enorme televisão e logo me lembro que Fazza chegará às sete horas da noite, mas ele não parece pontual e chega trinta minutos depois.

O burburinho dos funcionários enfrente à porta do meu quarto e um carro gigante parando no quintal da mansão indica que ele já chegou. Penso em falar com algum deles do que está acontecendo, mas mudo de ideia imediatamente ao vê-lo em minha frente.

Erguendo um pouco mais a cabeça, noto uma caixa preta em suas mãos. Ele caminha até a minha direção.

— É para você!

— Sério?! Você está me dando um presente?

— Sim! Passei na joalheria e comprei. Achei incrível e pensei que você iria gostar.

— Eu gostei. Mas não posso aceitar, me desculpe.

— Como?!

— Não posso aceitar isso, você priva a minha liberdade, tira-me dos meus amigos e depois quer me dar um presente caríssimo. Eu realmente nunca vou te entender. Eu queria muito ver como todos estão, queria poder terminar o último ano da minha faculdade e depois voltar para o Brasil, mas sabe o que aconteceu? Você apareceu na minha vida pra estragar com tudo. Fazza, você terminou de destruir o que eu costumava ser.

— Eu achei que você fosse gostar...

— Eu gostaria. Se não tivesse caráter e amor próprio, mas essas são duas características que eu tenho de sobra. Portanto leve esse teu colar e essas joias pra longe de mim porque eu não quero nada que venha de você! Você arruinou a minha vida!

— Eu arruinei? Eu te dei tudo do bom e do melhor, te dei amor, atenção, banco seus luxos e ainda você nunca me agradeceu por conta disso.

— Nunca te agradeci porque você não merece! Eu estou acabada fisicamente e mentalmente por sua culpa, nunca sei se está sendo sincero porque você pode simplesmente mudar de ideia e querer praticar um novo castigo três vezes pior que o anterior!

— Tudo bem... Já percebi o quanto você é orgulhosa.

Fazza sai do quarto e por um momento eu agradeço mentalmente por ele não ter sido agressivo escutando tudo o que coloquei pra fora depois de tanto tempo. Um minuto depois ele reaparece.

A súbita explosão de raiva não me atingiu fisicamente, mas o acidente me deixou muito impressionada, porque mostra uma nova dimensão no relacionamento com o sequestrador - agora eu sei que ele irá me machucar se eu não obedecer e isso me deixa ainda mais assustada e submissa.

Deitei-me no colchão da cama do porão novamente. O ar frio sopra diretamente sobre meus pés. Por mais que eu tente dormir não consigo, a cada minuto me lembro daquelas cenas horríveis. Eu não entendo como Fazza, um homem que apesar de tudo o que fez para mim, ter se apresentado com alguém bom e cauteloso, um pouco obcecado talvez, mostrou-se uma pessoa impulsivo diante de uma conversa tão simplória. Ou seja: ele quer que eu seja um bichinho de estimação que ele mantém preso, mas não quer reclamações.

Minha cabeça gira, meus olhos latejam para tentar dormir, meu corpo dói, minha vida foi arrancada de mim tão rapidamente que eu nem pude fazer nada para tentar impedir.

As frestas de luz passam através da janela repleta de madeiras, indicando o tanto de tempo que já se passou e que daqui a pouco Fazza aparece. Não, eu realmente não quero continuar aqui. Eu tenho que ser forte. Eu devo fugir.


Notas Finais


chabab¹:A tradicional panqueca dos Emirados leva farinha, ovos, açúcar e especiarias, como o cardamomo. A cor amarela é graças a pitada de açafrão. O prato é servido com xarope de tâmara.
vimto²: Muito popular, é uma mistura de uva, framboesa e groselha.
saluna³: É um ensopado de legumes e carne sazonais, frango ou peixe. Servido na maioria das vezes com arroz branco cozido.
habibti⁴: Querida
shukraan⁵: Obrigado
yalla⁶: Se apressar, andar logo
min fadlik⁷: Por favor
Trailer da fanfic: https://www.youtube.com/watch?v=10AjYz7NZtM&t=5s


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