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História Um Príncipe do Natal - Capítulo 18


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Notas do Autor


Oi, gente! Eu postei esse capítulo mais cedo (não sei se alguém chegou a ler, pois o spirit não estava funcionando direito pra mim), tô repostando agora com algumas alterações, então se alguém leu antes, sugiro que leia de novo.


Boa leitura e desculpa qualquer errinho.

Capítulo 18 - Capítulo 17


Não tinha como resistir, seria pior para ele, por isso Adrien soltou o braço da mão do pai e sentou na cama.

- Estou ouvindo.

Gabriel observou a postura tensa do filho, o maxilar rígido, os braços cruzados, tentaria conversar com ele, ser o mais compreensível possível para conseguir suas respostas, a cada vez que eles brigavam, Adrien só se fechava, era preciso ser esperto naquela conversa.

- Adrien, acho que você me deve algumas explicações. 

- De que tipo? 

- Do tipo, você sabia que a princesa passou o dia em seu quarto? Você foi visitá-la para saber o que estava acontecendo? O que um bom anfitrião faria.

- Sim, eu sabia que ela não queria ser incomodada e por esse motivo não a procurei, além do mais, eu não tenho intimidade alguma com ela, não é minha convidada. - Parecia que ele estava menosprezando a garota, e odiou isso, não era sua intenção, ela também era só mais uma peça naquele tabuleiro montado pelos pais, mas ela não o entendia.

- Adrien o natal já é na próxima semana, eu esperava mais de você. A princesa Tsurugi está bastante ciente do dever dela enquanto você... - Gabriel passou uma mão no rosto, de forma cansada. - Apenas me diga o motivo.

- Assim que fui informado sobre a vinda dela e a sua razão para convida-la, me mostrei contrário a essa ideia. Não quero um casamento, muito menos arranjado! - Adrien não aguentava mais repetir isso, parecia que toda a conversa com o pai era exatamente igual.

- Apenas entenda que fazer sacrifícios faz parte de ser rei. - Gabriel sentou ao lado do filho. - Eu sei que esses últimos dois anos foram difíceis e sei que você pensa que apenas quero te controlar.

- Eu não penso, pai, eu sei que você quer me controlar, eu estudei e continuo estudando para seguir o caminho que sei que é o meu dever, mas não vou permitir que escolha com quem devo me casar.

- A princesa Tsurugi é uma ótima opção, meu filho. - Gabriel tentou segurar a mão do filho, mas esse levantou e foi para longe. - Eu esperava que você não quisesse usar a aliança da sua mãe para fazer o pedido, então eu comprei uma hoje. 

Adrien não podia acreditar, será que seu pai não ouvia? Ele tinha acabado de dizer com todas as letras que não faria isso, mas lá estava ele, o rei, orgulhosamente colocando uma caixa aveludada em cima de sua cama.

- É um anel exclusivo, qualquer mulher adoraria ser pedida em casamento com um assim, digno de uma...

- De uma rainha? Não vai ter rainha nenhuma porque o rei é viúvo e eu não vou assumir trono nenhum agora! 

Gabriel sentiu o impacto da palavra “viúvo”, odiava pensar que foi deixado, abandonado por Emilie, por que ela tinha ido para longe? Por que tinha ido para onde ele não poderia a seguir? 

- Adrien, eu estou aqui tentando te entender! - Gabriel aumentou o tom da voz e apertou o nariz. - Por que é tão difícil escutar alguém que tem mais experiência, que sabe o que está fazendo e é seu pai?

- Porque você não sabe o que está fazendo, desde a morte da mamãe, você não faz ideia, está perdido! 

- CHEGA! Eu juro que tentei conversar com você, mas é impossível! A sua rebeldia não pode ser maior que seu dever, a sua responsabilidade, você não é qualquer pessoa e seus desejos precisam vir em segundo plano! - Gabriel segurou o pequeno estojo que continha a aliança e empurrou no peito de Adrien. - Pare de brincar por aí, sumir nessas suas viagens e seja o homem que precisamos que você seja! 

Adrien viu chamas nos olhos do pai, ele parecia querer falar muito mais, saiu tão rápido que não deixou uma chance sequer de resposta. Era desgastante, era sufocante não conseguir falar com aquele homem, sentir que sua alma tinha se partido, como ele podia falar que era pai e não entender as necessidades do próprio filho? Como poderia empurrar para aquele precipício e o amarrar a alguém que ele nada sabia e não tinha interesse em saber. Adrien ajoelhou no chão, apertando com força a maldita joia escondida, não usaria aquilo, gostaria de arremessar para bem longe. 

As lágrimas quentes que desciam pelo seu rosto eram de frustração, o peito queimava com as palavras entaladas, não percebeu quando, mas sentiu um braço ao redor dos seus ombros.

- Eu sei que é difícil. - Félix deu dois tapinhas no ombro do primo, que ainda mantinha a cabeça abaixada. - Parecia impossível imaginar o tio Gabriel existindo sem a tia Emilie ao lado dele, quando ela ficou doente, uma parte dele também ficou e quando ela partiu...

- Essa mesma parte foi embora com ela. - Adrien assentiu limpando os olhos na manga da blusa. - Ele se comporta como se a dor fosse só dele, como se ninguém a sentisse, como se eu também não tivesse buraco no meu peito!

- Adrien... - Félix gentilmente tirou a caixa da mão do primo. - Você precisa colocar um ponto final nessa história.

- E como eu faço isso? Eu já falei com a Kagami que não tenho a menor pretensão de seguir as ordens do meu pai.

- Talvez tenha que falar de outro jeito. -  Félix levantou e guardou o anel dentro do seu bolso. - Vou manter isso comigo.

Adrien não respondeu, não queria aquilo com ele mesmo.

 

[...]

 

Marinette acabou caindo no sono, logo após colocar o pijama, não queria sair daquela cama, ela queria poder mandar um bilhete “mande as refeições para o meu quarto, não quero ser incomodada”, mas aquilo parecia tão infantil, principalmente, porque era óbvio que algo tinha acontecido, ele não simplesmente deixaria de encontrá-la assim, deveria ter um motivo. A urgência de vê-lo foi maior que a decepção da noite anterior, ficou em dúvida se deveria perguntar a Kagami se queria companhia para o café ou se deveria seguir seu caminho e rezar para encontrar com Adrien, mas apesar de toda a sua vontade de correr por aqueles corredores para achá-lo, precisava fazer aquilo que foi contratada, então seguiu até o quarto da princesa.

- Bom dia! - Marinette deu um pequeno sorriso. - Quer companhia hoje?

- Sim, gostaria de companhia pelo dia, ontem já tive tempo o suficiente para pensar, para refletir. - Kagami levantou da cama. - Peça nosso café, por favor.

Marinette não demorou a fazer o que foi pedido e a recebeu o café, arrumando a mesa que ficava no quarto da princesa. 

- Você teve um bom dia ontem? - Marinette sentia o silêncio como uma cobra pronta para dar o bote, precisava preencher com uma conversa agradável.

- Foi um dia revelador, eu diria. Sabe, Marinette, um casamento arranjado não tem nenhuma adrenalina, não faz o seu coração disparar, não provoca medo e desejo porque no final já está tudo acordado. Você não concorda?

- Eu, bem, eu não sei? - Queria acreditar que uma parte da amiga tinha finalmente se convencido que aquela ideia de união matrimonial era um erro, mas com Kagami sempre tinha algo a mais.

- Não existe espaço para paixão, nada queima, é sereno e certo, por isso é desinteressante. É isso que eu percebi ontem... E o seu dia, o que ele te revelou?

Era claro que Kagami gostaria de receber respostas, mas quais? O olhar analítico, a postura, a forma como mantinha total atenção a Marinette, e isso só era mais uma prova de que aquele momento era crucial, para qualquer que fosse o resultado que a princesa buscasse, o máximo que poderia oferecer era uma resposta sincera, mesmo que não completa, porque também precisava de respostas e entender a razão daquelas palavras.

- Não parei para pensar o que um dia poderia me revelar, mas toda essa viagem me fez perceber que por mais planos que possamos ter, tudo pode mudar, como um sopro.

- Seu destino não era para ser tão frágil para ser mudado por um sopro. - Kagami deu uma leve risada. 

- Quis dizer o meu caminho, esse pode ser afetado de qualquer forma se for para me levar ao meu destino

Touché! - Kagami bateu sua xícara a de Marinette, e a garota surpresa, quase derrubou seu chá. - Nos conhecemos tão novas, em posições tão diferentes e olha como estamos agora.

- Continuamos em posições diferentes.

- É verdade. - Kagami deu mais um sorriso, provavelmente sorrindo mais durante essa manhã que sorriu em todos os outros dias em que elas estiveram tomando o desjejum. - E essa diferença sempre foi um peso em nossa relação, uma pena, algumas coisas são imutáveis, outras não, é difícil dizer.

- Você realmente passou muito tempo refletindo ontem.

- Sim, algumas coisas me levaram a isso, espero que você também tenha seu tempo de reflexão.

Marinette sentia que Kagami poderia saber ou desconfiar, ela era muito inteligente e suas palavras nunca deveriam ser ouvidas de maneira leviana, mas também não poderia abrir o jogo, ela precisava conversar com Adrien e esclarecer as coisas entre eles, saber o que poderia esperar e o que não...

- Seu semblante ficou triste, está com saudades de casa?

- Sinto falta dos meus pais. - Era sua única verdade, sentia falta da mãe e do pai, do cheiro de pão de manhã, da proteção de seu quarto, da certeza que tinha quando estava lá.

- Não se preocupe, agora não falta muito para irmos embora. Logo tudo vai acabar.

Marinette assentiu e olhou pela janela, porque aquelas palavras ficaram gravadas no seu coração “logo tudo vai acabar”.

 

[...]

 

Adrien acordou sentindo-se uma verdadeira merda, tinha ficado em uma fossa de auto piedade e acabou não encontrando Marinette, devia pelo menos ter avisado que houve um contratempo, mas não conseguiu, não naquela hora e agora sentia vontade de socar a própria cara, ele pediu para que ela o esperasse. Como podia ser tão imbecil? Precisava fazer algo para se desculpar. Sabia que não poderia cometer o mesmo erro de ontem, puxar a garota daquela forma foi inaceitável para a situação deles, então teria que esperar até a noite.

O dia passou arrastado, seu pai não dirigiu uma palavra durante o tempo que estiveram juntos, como se estivesse castigando Adrien, mas para ele o silêncio era uma benção, finalmente depois de ler várias propostas de melhoria de uma escola local, pode sair para ir atrás de Alya ou encontrar Marinette logo de uma vez.

- Boa noite, príncipe Adrien! - Kagami apareceu na frente dele, parecia até que o estava esperando.

- Boa noite? - Adrien puxou a manga do pulso para poder olhar o relógio e constatou que eram dezoito horas. - É, boa. 

Eles passaram um tempo encarando um ao outro, como se estivessem testando quem falaria primeiro, quem cederia. O príncipe não estava disposto a continuar com aquele tipo de jogo, estava exausto e só queria poder encontrar com Marinette logo.

- Apesar de termos nascido na mesma terra, não acredito que seja a mim que você queira ver. - Kagami deu de ombros. - É preciso ser cuidadoso quando estamos nessa posição, as pessoas têm expectativas e esperam determinados comportamentos, quando saímos da linha tudo desmorona ao nosso redor, mas continuamos em pé. - Kagami percebeu quando Adrien entendeu suas palavras. - É por isso que eu disse que somos iguais porque não importa o que aconteça dentre essas paredes, continuaremos de pé. 

- Kagami... - Adrien não sabia como colocar pra fora aquelas palavras que precisava dizer, o peso que sentiu quando percebeu que ela sabia.

- Considere meu silêncio sobre os últimos acontecimentos o meu presente de natal adiantado e, ah, antes que eu me esqueça, não se preocupe porque semana que vem tudo acaba.

 

[...]

 

Nada que já estava ruim, não poderia piorar. Agora que desconfiava do conhecimento de Kagami sobre ela e Adrien, precisava falar com ele, não dava para ficar de braços cruzados esperando um chamado, aquele sentimento de impotência que a consumiu durante todo o dia precisava sumir. Ela sabia bem qual era sua ala proibida, o problema era saber qual porta deveria abrir para encontrá-lo. 

Alya era uma ótima professora quando se tratava de saber por quais corredores passar, qual caminho escolher para não ser vista, mas a onda de azar de Marinette daquele dia parecia de dado uma leve trégua quando percebeu que era Nino que estava a postos naquele corredor que a levava ao seu propósito.

- Qual é a porta dele? - Marinette sussurrou para o amigo que primeiro levantou uma sobrancelha para depois estreitar os olhos.

-Vocês só arrumam problema...

-Rápido, Nino! - Marinette estava nervosa parada ali, e se o rei aparecesse? 

-Aquela! - Nino apontou para a porta dupla e lustrosa que ficava no centro do corredor à direita, Marinette deveria saber que não seria difícil adivinhar, era só escolher a mais bonita e rica entre aquelas.

-Obrigada! - A azulada tentou sair correndo, mas foi impedida por Nino.

- Ele ainda não voltou.

- Então confio em você para não deixar ninguém que não seja ele entrar naquele quarto, por favor, Nino. - Marinette tirou a mão que a segurava pelo braço e apertou. - Mais uma vez, por favor, me ajuda.

Nino não sabia o que, mas tinha certeza que alguma coisa estava acontecendo, o que não era uma grande surpresa considerando a bagunça que eles estavam fazendo ao escolher unir seus caminhos daquela forma, mas o desespero nos olhos azuis de Marinette fez com que ele balançasse a cabeça em concordância e empurrasse a garota para a direção a porta do príncipe porque não era uma decisão dele, e qualquer coisa que acontecesse dali em diante seria resultado das escolhas de Adrien e Marinette.


Notas Finais


Acho que a única coisa que posso falar sobre o próximo capítulo que não vai me comprometer é que (o plano é esse pelo menos) o capítulo será inteiramente focado em Adrinette ... Mas me falem aí o que vocês estão pensando 🤭

Ah, olhem a nova fanfic que eu lancei (caso vocês queiram): https://www.spiritfanfiction.com/historia/toca-do-coelho-18332545
Beijos


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