1. Spirit Fanfics >
  2. Um Romance Em Tom De Salgado >
  3. "Pensando bem, eu aceito"

História Um Romance Em Tom De Salgado - Capítulo 9


Escrita por:


Notas do Autor


Hellousss, estou de volta para tornar a quarentena de vocês mais suportável kkkk

Capítulo 9 - "Pensando bem, eu aceito"


Sem nada para fazer, Joe decidiu ir na pracinha, já que não estava chovendo. O mormaço era grande, o que significava que só iria chover mais tarde.

Pegou sua mochila, pôs seu exemplar de Me Chame Pelo Seu Nome dentro, junto com um tablete de biscoito e saiu. Ainda não tinha começado o livro mas tava morrendo de vontade de lê-lo. 

David ainda não havia te respondido, então decidiu não passar no Cinquentudo para falar com ele. Foi direto para a praça. Ao chegar, se sentou na grama, no menso lugar de sempre, abriu a mochila e pegou seu livro. Dentro dela, ainda tinha seu caderno de anotações e algumas canetas.

Um coisa que quase ninguém sabe a seu respeito é que ele gosta de escrever. Não como um diário, mas passagens. São refrões de músicas, versos de poemas de autores que gosta, trechos de música e alguns pensamentos dele mesmo. Coisas que o fizeram sentir algo bom e que não quer esquecer. Seu caderno é bem guardado e as únicas pessoas que sabem da sua existência - Carlinhos e Iza - não se atrevem a chegar perto dele. 

Logo de início, ele transcreve um trecho que está na capa-verso, em seu caderno. "Sei reconhecer o desejo". E começa sua leitura.

****

David passara o dia inteiro invocado. Se masturbou pensando em outro cara. Isso não pode ser normal. 

Também não respondeu a mensagem de Joe e se culpa por isso.

Está sentindo coisas que nunca sentiu antes. Ou já tenha sentido e não notou. Coisinhas simples. Pequenos detalhes. O olhar direcionado à um amigo enquanto ele trocava de bermuda, ficando só de cueca em sua frente. O toque no braço de outro amigo enquanto jogavam vôlei na praia. Ou até, uma sútil vontade de se aproximar mais de um terceiro amigo enquanto mergulhavam juntos no lago. Coisas sútis que aconteceram e que agora têm um significado maior. Naquela época parecia normal. Mas e agora?

- Você parece distraído. 

Ele tira os fones de ouvido e olha pra sua mãe que está em pé no vão da porta da cozinha do Cinquentudo. Ela tem um lenço amarrado na cabeça e usa o bendito avental rosa. 

- É... - diz, olhando para nada em específico. 

- Onde estava? - ela tira o avental, puxa uma cadeira e se senta defronte ao filho.

Essa é uma pergunta bem típica da sua mãe. Sempre que David se aquieta de mais, significa que seus pensamentos não estão no mesmo lugar do seu corpo e essa pergunta é um ótimo jeito de começar uma conversa. Ela é sempre acompanhada da mesma resposta: 

- Bem longe daqui - David abre um sorriso. Conhece a jogada da sua mãe. 

- Saudades? 

- Hoje não - Ele entendeu que ela se referia à vida antiga, na capital e aos seus "amigos"

- Então o quê?

- Não sei - ele torna a olhar para o lado de fora. - Eu realmente não sei explicar. 

- Tem relação com a Florzinha? Você conheceu outra pessoa? 

- Já falei pra não chamar mais ela assim. O nome dela é Maria Flor. Me da agonia ouvir você chamar ela por apelido fofo como se nada aconteceu.

- Desculpe. 

- E não, não tem relação com ela. Na verdade, não quero conta com ela. 

- David, você não pode guardar essa mágoa pra sempre, filho. 

- O que há com você? Olha tudo o que ela fez. Todas as crises de ciúmes que aguentei; tudo o que deixei de fazer por causa dela, para no final, quando mais precisei, ela ficar do lado do Otto? Não entendo porque você passa tanto pano pra ela, mãe. 

- Não pode julgar alguém só por seus erros. Ela gosta de você, filho. Você deveria reconsiderar. 

- E, mesmo assim, ela me deixou passar a noite na cadeia - David levanta. - Quero nem pensar no que faria se não gostasse. 

- Mas lembre que você foi parar lá por causa das suas amizades erradas. 

- Olha, painho vem pra cá daqui a pouco - Ele desconversa - Pode fechar com ele hoje? Preciso dar uma volta. 

- David, vai escurecer daqui a pouco.

- Pelo amor de Deus, são quatro horas da tarde.

-Você não pode fugir assim e me deixar falando sozinha. Eu quero o seu bem, filho.

- Não posso, mas vou. 

E saiu pela porta principal em direção ao carro. 

Ele odeia brigar com a sua mãe, mas ela querer se meter em suas decisões o irrita. É quase inevitável. Não vê a hora de voltar para a capital e ficar longe de qualquer discussão.

  Mas isso significa ficar longe do Joe também.

Que merda!

Sente o estômago embrulhar. Merda!  Não quer ficar longe de Joe. Merda!  Merda! 

Pega o celular, abre o chat de mensagens com Joe e começa a digitar. 

- Oi! Desculpa não te responder. Aconteceram umas coisas. Onde você está agora? 

Envia, a mensagem é recebida mas não obtém resposta. Joe deve estar furioso com ele. 

É estranho mas queria encontrar com Joe. Com certeza, ele diria algo que o faria rir. 

Sai do carro. Decidiu ir a pé. Queria andar para espairecer. Depois voltaria e pegaria o carro para ir para casa.

Sai andando, pensando na vida e com os fones no ouvido. Entra na avenida principal, passa pelo banco e vai em direção à praça da igreja. Um lugar aberto, bem arejado com bancos baixos de madeira vernizada pintada de branco, grandes árvores, bastante grama e uma grande estátua no meio. Também há um círculo de areia com um escorrega e três balanços. É um lugar bonito. 

Ao se aproximar, percebe alguém sentado na grama, quase escondido atrás de um grande arbusto florido, com a cara enterrada em um livro de capa meio esverdeada. David o reconhece na hora e, por impulso, vai até o rapaz.

- Me disseram que é um bom livro.

Joe se assusta e levanta com um pulo 

- Eu ah... Eu... Eu não vi você se aproximar.

- Desculpe - David não consegue conter o riso -. Não queria assustar você.

- Tudo bem - Joe também ri - Espera, não era pra você estar no trabalho?

- Bom, era. Mas precisava sair um pouco. Eu te mandei uma mensagem.

- Ah, deixei meu celular em casa. Queria ficar um pouco sozinho, sem distrações.

- Ah, então estou atrapalhando? Desculpe, vou nessa então. 

- Não! Espera. - Joe abre um sorriso - calma, não está atrapalhando. Pelo contrário, estou feliz em te ver.

- Sério?

- Sim. 

- Olha... Desculpe não te responder...

- Não, tudo bem. Deixa pra lá. Quer sentar? Eu tenho biscoito.

- Pensando bem, eu aceito.



Notas Finais


Ooi, gente, o que estão achando?
Comentem e favoritem. Isso ajuda muito.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...