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História Um Romance Nada Convencional - Capítulo 36


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Notas do Autor


"Decisões são necessárias"

Olá, povo meu! Então, acho que não demorei tanto, e vocês? O capítulo de hoje tem algumas emoções, e é bem mais Fillie que o anterior, um mimo pra vocês, espero que gostem. A partir do próximo capítulo, teremos ainda mais do Fillie nosso de cada dia, e teremos uma nova interação entre a Lia e o Finn - algo que ainda não aconteceu, né?

Um lembrete pra vocês: Todos ficaram tristes e ressentidos com o "sumiço" do Finn, e todos têm pendências para resolver com ele, então é muito importante estar explorando o sentimento de cada um deles, pra vocês poderem ter uma ideia do real sentimento.

Enfim, caso alguém ainda leia essas notas, uma boa leitura, eu espero que gostem!

#FiqueEmCasaeSurteComigo

Capítulo 36 - Thirty Six


Finn Wolfhard 

- Bom, todos concordaram, o que significa que ainda nesse fim de semana você estará vendo todos os seus velhos amigos, que em breve serão também seus atuais amigos - Caleb explicou, sorrindo. - Era para isso ser mais separado, mas não temos tempo. Fiquei sabendo que a Millie contou de você pra Lia, e a pequena quer te conhecer melhor. Eu não posso negar nada à minha sobrinha.

- Millie contou? - Acabei sorrindo, feliz e sem jeito.

- Você não esperava que ela não contasse, esperava? - Caleb franziu o cenho. - É claro que ela ia contar. É a Millie!

- Eu sei mas... bem, eu não estou mais tão próximo dela, sabe? Não sei ainda como ela se sente em relação à tudo - confessei, me sentindo estranho. - Confio no que conheci dela, anos atrás, e estive certo, por muito tempo, que ela nunca mudaria. Mas ela mudou. Isso é bom, mas definitivamente estranho. Ela está mais madura, e decidida. Eu tenho medo de... De não fazer a coisa certa.

- Eu entendo, mas não pode duvidar dela, não com isso - ele sorriu de leve, tomando um gole de suco antes de prosseguir. - Ela evoluiu muito, a Lia foi a causa disso. Quando Winona e David souberam da gravidez e do relacionamento falso que vocês tiveram por um tempo, Millie quis tomar um novo rumo, sabe? Ela queria pensar um pouco mais antes de fazer as coisas, mesmo sendo sensata o suficiente, porque ser mãe lhe exigiria isso. Agora, ela é sempre muito relutante com boa parte das coisas, sempre pensando muito antes de tomar uma decisão, mas continua a mesma pessoa, e nunca te afastaria da Lia.

- Eu sei, eu só... - Respirei fundo, um hábito que se tornava cada vez mais frequente, e acabei por sorrir, balançando a cabeça. - Estou feliz por poder conhecê-la de verdade. Pelo pouco que a conheço, sei que é uma garota incrível e especial, mas eu adoraria não ter perdido tanto tempo.

- Bom, pode não ser suficiente, mas tenho algo que achei que ia gostar - Caleb diz, mexendo em sua mochila, até então despercebida por mim, e tirando de lá um DVD que parecia ser novo. - Sadie e eu conversamos e... Ela também acha que seria bom que você estivesse aqui no nascimento da Lia, e que já que não pôde estar, deveríamos mostrar pra você. Todos temos um desse, mas não deixe a Millie saber, ou ela nos mata. É a gravação que o Noah fez durante o nascimento. Também tem algumas pequenas partes da Millie durante a gravidez, que talvez você goste. É uma cópia, então você pode ficar. 

Minhas mãos trêmulas agarram o DVD estendido no ar. A capa é uma foto de Millie e Lia, pelo que pude supor, já que ambas estavam numa cama de hospital, Millie sorria contente, enquanto segurava a pequenina. Letras desenhadas e decoradas completam a capa, com os dizeres "Lia e seu percurso!". 

- Assiste! Você vai se sentir mais perto da Lia, e vai poder recuperar uma parte desses três anos - ele se levanta e se despede, indo embora antes que eu possa lhe dar tchau. Ainda estou ansioso e animado, mas tento me concentrar no trabalho, para poder ir embora cedo, e por isso, guardo o DVD com cuidado em uma das gavetas, me sentindo mais enérgico pelo resto do dia.

 

 

 

 

 

Shannon já havia saído há alguns minutos, para um encontro. Enquanto isso, eu tomava meu banho e comia qualquer coisa, da geladeira, ansioso e ao mesmo tempo apreensivo. Quando minha própria curiosidade já não cabia mais dentro de mim mesmo, corri para a sala e coloquei o DVD, me aconchegando no sofá enquanto a televisão iniciava o "filme".

Não demorou muito para os mesmos dizeres da capa aparecerem na tela, em letras ainda maiores e uma foto ainda maior, dessa vez apenas de Lia, em seus primeiros dias de vida. A primeira cena, é Noah, que está andando devagar e falando baixinho com a câmera. Reconheço os corredores da casa de David e Winona, e sorrio nostálgico, prestando atenção. 

Essa é a primeira vez em que a Mills dorme desde que completou os três meses - Noah sussurra, sorrindo divertido. - Ela está nos fazendo sofrer ultimamente, mal come, mas adora um chocolate. 

Ele entra no quarto de Millie devagar, e aponta a câmera na direção da cama. Millie está dormindo tranquilamente, umas das mãos apoiando seu rosto, a outra segurando a barriga de modo protetor.

O pequeno bebê não tem dado trégua, mas isso significa que ele está bem, eu acho - ele continua, falando baixinho e saindo do quarto, provavelmente para não atrapalhar o sono da prima. - Quando ele nascer, deveremos chamá-lo de Ronald Weasley, porque ele não quer parar de comer.

Dou risada, e logo em seguida, outra imagem toma conta da tela. Millie está com os olhos vermelhos, assistindo algum filme na televisão, enquanto Noah a grava de longe. Ao seu lado estão Gaten e Lizzy, que olham de modo preocupado, mas risonho para ela, que começa a chorar de repente, levando Gaten a rir e Lizzy a abraçá-la acolhedoramente.

Hoje Millie decidiu assistir Titanic, mas eu avisei que seria uma péssima ideia - Noah divagou, apontando a câmera em sua direção. - Agora, teremos de deixá-la mais feliz, e como o filme acabou, será a prova de fogo para Gaten. 

Noah se levanta e deixa a câmera os gravando enquanto tira do filme e coloca alguma coisa na televisão. Posso ouvir quando os acordes de My Heart Will Go On começam a tocar e Gaten bufa, se levantando do sofá e voltando a aparecer na visão da câmera com um microfone nas mãos.

Lizzy e Millie começam a rir quando Gaten começa a cantar, a voz ainda melodiosa do meu amigo invade o lugar, me fazendo sorrir involuntariamente. Minutos depois, estão todos cantando a parte final, exceto Millie, que observa tudo sorridente. Com uma das mãos, ela acaricia a barriga já evidente, e com a outra, aperta algo com força, como se protegesse não só Lia, em sua barriga, mas também o que quer que fosse aquilo em suas mãos.

No segundo seguinte, a cena muda, uma grande movimentação acontecendo. Posso ouvir gritos de dor, e reconheço a voz de Millie de fundo, enquanto Winona e David correm por um corredor de hospital, sorridentes.

- É hoje o grande dia, pessoal - Noah diz, dessa vez com a voz embargada de emoção. - Millie tem sentido dores horríveis, e está um desastre, toda descabelada, e acabou de entrar na sala de parto. Hoje meu sobrinho ou sobrinha vai nascer, pessoal!

Ele para de andar, virando a câmera em sua direção e sorrindo, enquanto se senta.

Quando Ben nasceu, eu quase desmaiei, e na vez do pequeno Peter, há alguns meses atrás, eu consegui me manter acordado - ele divaga, pensativo. - Dessa vez, vou estar lá dentro assim que ela começar a gritar e vou acompanhar tudo, mas teremos que violar a regra número um da Mills. Ela nos proibiu de fazer essa gravação, e não tinha descoberto ainda que estávamos gravando ela, mas quando descobriu, até que gostou. No entanto, ela nos proibiu de gravar o nascimento.

Ele riu, balançando a cabeça, e eu o acompanhei, querendo muito estar ali. 

Mas eu vou gravar do mesmo jeito - Noah continua, revirando os olhos. - Por isso, pra ela me perdoar, trouxe flores. São camélias, e são bonitas, então acho que ela vai gostar. São parecidas com as que ela ganhou um tempo atrás. Natalia e minha tia tinham iguais, tentem adivinhar quem foi que deu aquelas flores às três...

Inconscientemente, lágrimas descem por meu rosto, me fazendo lembrar amargamente de que havia sido eu a dar três buquês à elas, no dia em que fui até a casa de David e Winona para o nosso primeiro jantar. É uma lembrança bonita, mas só me faz querer chorar.

Sadie e Caleb estão vindo, e pela gritaria, Gaten e Lizzy acabaram de chegar - ele noticia, rindo. - Estaremos preparados. Millie provavelmente vai desandar em lágrimas quando o brotinho dela nascer, então precisamos estar aqui. Queremos tanto conhecer a pequenininha. Eu tenho certeza de que é uma menina, mas a Mills decidiu esperar para descobrir.

Como ela está? - A voz de Charlie se faz presente, e Noah vira a câmera para gravá-lo, arrancando um revirar de olhos do mesmo. - Noah, você realmente tá gravando tudo?

Você não devia esperar pra quando as dores do parto começarem? - Natalia aparece na gravação, sorrindo divertida com um bebê no colo.

Quero aparecer - dessa vez é Ben, que está pulando para ser gravado por Noah, que atende seu pedido. 

- Grava alguma coisa pra sua futura priminha, Ben - Noah incentiva. - Você também acha que é uma menina, não acha? 

Tenho certeza de que é - o garotinho diz, sorrindo. - Mamãe e eu compramos um boneco do Bob Esponja pra ela, e vamos fazer ela entrar pro nosso clube esponjoso.

- A tia Millie recomendou esse nome? - Noah perguntou, rindo.

Eu disse que ela podia escolher qualquer um - Ben deu de ombros. - Mas, priminha, quando você nascer e puder entender o que eu tô dizendo, nós vamos bagunçar muito... Quer dizer... Vamos brincar muito...

- Ben! - Natalia repreendeu e Noah riu, ainda gravando o garoto.

Desculpe - Ben disse, virando-se pra cima por alguns minutos. - Bem... O Peter também gosta muito do Bob Esponja, então eu acho que você também vai gostar. Né, Peter? 

A câmera sobre um pouco, gravando o bebê nos braços de Natalia, que ri divertido.

Ela vai adorar o Bob Esponja, todos nessa família adoram - Noah diz, voltando a gravar seu rosto. - Agora, vamos esperar pela emoção.

A emoção a que ele se referia não demorou a acontecer. Segundos depois, as imagens mudaram. Agora, Noah alguém gravava os médicos na sala de parto. Essa mesma pessoa apontou a câmera na direção de Noah e Millie. Ela estava cansada, sua testa tinha pingos de suor e ela ofegava, sem conseguir respirar muito bem. Noah apertava sua mão, a incentivando a permanecer firme.

Reconheci a voz da pessoa que estava gravando. Era Winona, que repetia palavras de encorajamento para a filha.

Você precisa fazer força - uma das médicas falou, docemente, olhando para Millie, que assentiu com cuidado.

Vamos lá, Mills! Você consegue - Noah incentivou, sorrindo abertamente.

Gritos preencheram o local, enquanto Millie fazia esforço, sua cabeça tombando para trás. Ela não desistiu, lágrimas tomaram conta de seu rosto, misturando-se com suas feições de dor, mas ela não desistiu. Minutos depois, Millie cai para trás, cansada e chorando, enquanto Winona se apressa em gravar mais de perto, Noah sorrindo, enquanto um chorinho invade o espaço.

É uma menina - a mesma médica de antes anuncia, sorrindo para todos. 

Ah meu Deus! - Winona diz, sua voz de choro se intensificando. - Eu sou avó de uma menininha! 

- Eu sabia, eu sabia, eu sabia! - Noah comemora, enquanto a médica enrola Lia em alguns paninhos coloridos, estendendo-a com cuidado para Millie, que a toma nos braços, chorando em meio a um sorriso iluminado, que quebra meu coração ao mesmo tempo em que o deixa aquecido. 

Oi, pequena - ela diz baixinho para a bebê, que cessa o choro para prestar atenção na voz. - Oi, meu amor! Eu esperei tanto por você, meu brotinho.

- Você já sabe que nome dar, querida? - Winona pergunta baixinho, docemente, e Millie levanta o olhar para ela.

Noah! Eu disse que não queria gravações - Millie o repreende, embora um sorriso ainda esteja tomando conta de seu rosto.

- Eu sei, mas te trouxe uma coisa, pra me perdoar - ele sorri, beijando sua testa antes de lhe mostrar o buquê, de longe, porque a bebê podia ser alérgica, então a médica não permitiu que ele chegasse muito perto com as flores. - São camélias, você gosta não é?

- Eu amo - Millie assentiu, então Noah estava perdoado. - Acho que é um bom nome, né? Uma flor que representa muita coisa...

- Não faça isso com a pobre criança, Millie! - Noah diz, parecendo sério. - Pobrezinha, o quanto ela não sofreria se chamando Camélia? 

- Seu primo tem razão, Mills - Winona ri divertida.

Então... Que tal, Amélia? - Millie desvia o olhar para a bebê em seus braços, que agora parece mais confortável e aconchegada. - É lindo... Será que ela gosta? Podemos chamá-la de Lia, como apelido.

Esse sim - Noah confirma, sorrindo emocionado. - Lindo!

Millie assente, e então beija suavemente o topo da cabeça de Lia.

As imagens mudam. Não consigo me concentrar, porque as lágrimas tomaram meu rosto e embaçaram a minha visão, mas consigo escutar as vozes dos meus amigos, parabenizando Millie e conhecendo Lia. Eu estava faltando ali. Adoraria estar vendo a mim mesmo, conhecendo minha filha, e dando amor à ela, protegendo-a e protegendo Millie, cuidando das duas. Mas eu não estava.

E mesmo sabendo que eu ainda faria parte daquilo, e que nada do que aconteceu havia sido minha culpa, eu comecei a chorar desesperadamente, porque doía ter perdido aquilo, doía saber que minha garota sofreu também, doía saber que enquanto minha filha nascia, eu estava longe, sequer sabendo de sua existência.

Doía, e eu precisava chorar, sozinho, tentando aguentar aquela dor que se instalava cada vez mais forte no meu peito.

 

 

 

 

Millie Bobby Brown

- Muito bem, mocinha! - Digo, colocando as mãos na cintura enquanto olha para a pequena, vestida num vestidinho vermelho e aquecida por uma calça da mesma cor e uma blusinha branca, que combinava com suas meias e sapatos. - Eu vou ficar fora essa noite, então você vai ficar com a vovó e o vovô.

- Eu sei mamãe - Lia riu, brincando com a barra do vestido. - Já até 'sepalei meus 'binquedos. 

- Muito bem, muito bem - sorri de lado, ainda a olhando seriamente. - Mas eu sei muito bem o que acontece quando você fica sozinha com os dois. Então, vou ser bem clara: nada de pedir bexigas e chicletes, muito menos pirulitos!

- Mas, mamãe... - Ela diz manhosa, estreitando os olhos para mim. - O vovô gosta de brincar com as bexigas.

- E da última vez ficamos com a casa lotada de bexigas coloridas por todos os cômodos, porque você fez seu avô comprar cinco pacotes de cada cor - cruzei os braços.

- Mas e o chicletes? - Ela insistiu.

- Você mal tem dentes, como quer mastigar chiclete? Vai acabar engolindo e se engasgando - neguei.

- E os pirulitos, mamãe? - Ainda havia esperança em sua voz.

- São muito duros pra você, que não tem dentes, querida - nego mais uma vez. - Se quer extorquir seus avós, faça como eu fazia. Peça doces como chocolate, balas, brinquedos pequenos e algum bolo ou torta.

- Então eu posso comer doces? - Seus olhinhos brilharam. 

- Desde que não sejam chicletes e nem pirulitos - decretei, dando o assunto como encerrado.

Lia assistia seu desenho enquanto eu terminava de arrumar suas coisas. Uma hora depois, meu pai chegou para buscá-la, e depois de conversarmos um pouco, levou Lia e suas coisas para o carro, despedindo-se de mim e partindo em seguida.

Quando fiquei finalmente sozinha, gritei histericamente comigo mesma, correndo até a cozinha e pegando meu tablete de chocolate cremoso, o abrindo rapidamente e mordendo em seguida, ainda sem conseguir relaxar. Eu tremia, ansiosa, embora estivesse repensando sobre aquilo. Quando Caleb me ligou, dias atrás, dizendo que estava com a ideia de fazer uma festa entre os amigos mais próximos, e eu aceitei ir, tudo parecia um mar de rosas.

Até ele me ligar de novo, dizendo que Finn também iria.

Não me levem a mal - eu mesma tentava não me auto levar a mal -, mas eu não estava preparada ainda. Depois de ver Finn uma única vez desde sua volta e nessa única vez ainda ter lhe contado sobre Lia, eu me sentia extremamente nervosa. É claro que eu queria vê-lo, porque senti sua falta por muito tempo, mas eu simplesmente não sabia o que dizer. 

Ou vestir...

- Tudo bem, relaxa, garota, relaxa - falei pra mim mesma, pegando outro tablete e indo com ele para o andar de cima. - Você é linda, sem pressão!

Mordi um pedaço do chocolate e fui até o guarda-roupa, acabando por escolher um vestido de manga longa de cor roxa, que ia até meus joelhos e me deixava confortável. Iria esfriar mais tarde, mas eu gostava de usar aquela peça, então não liguei de imediato para àquilo. Depois de tomar um banho demorado, me vesti e coloquei um sapato confortável. Fui até a cozinha e acabei com mais um tablete de chocolate, suspirando enquanto pegava minhas chaves e celular de cima da mesa, ouvindo quando buzinas soaram do lado de fora.

Noah e Jack tinham combinado de virem me buscar, e depois viríamos juntos pra casa de volta, porque eles passariam o final de semana comigo e Lia, que voltaria no dia seguinte, de manhã. Respirei fundo uma última vez, antes de me livrar das diversas embalagens de chocolate e sair de casa.

Assim que adentrei o carro, fui recebida por Noah e Jack e palavras acolhedoras. Noah sempre fora extremamente carinhoso, e desde o nascimento de Lia, tem sido ainda mais cuidadoso e prestativo. Jack, desde que o conheço, é gentil e educado, ao mesmo tempo em que é maluco e festeiro, talvez daí tenha nascido a maior ligação entre ele e Noah, mas ambos têm sido tão bons comigo e Lia, que é como se fossem o mais normal possível - embora Noah já tenha passado muita vergonha na frente de Lia.

Os dois são carinhosos um com o outro, e com todos os que conhecessem. Foi graças à Jack que eu conheci - reconheci, na verdade - Íris Apatow, que agora é uma aliada. Não a chamo de amiga porque acho que não temos esse nível de afinidade, mas podemos ter conversas vez ou outra sobre a maternidade, e eu não quero mais matá-la quando a vejo alguma vez.

O percurso foi tranquilo, pelo menos enquanto eu me distrai, olhando pela janela, enquanto Jack e Noah, vez ou outra, puxavam assunto, percebendo o quão tensa eu estava. Tentei dizer para mim mesma que não importava o que fosse acontecer, ao final da noite, eu ainda estaria muito bem.

 

 

 

 

 

Assim que o carro estacionou em frente à casa de Sadie e Caleb, parei de respirar por alguns segundos, a ansiedade me dominando, e eu me auto-amaldiçoei por não ter levado nenhum chocolate para me livrar do estresse. Voltei a respirar quando desci do carro, acompanhada por Jack e Noah, meu coração batendo mais rápido que o necessário.

Caminhei ao lado do casal ao meu lado. Jack tocou a campainha e segundos depois eu estava sendo rodeada pelos braços de Sadie, me apertando com força. Retribui da mesma forma, sorrindo feliz, o desespero e ansiedade sumindo de mim por aqueles momentos, enquanto eu me sentia em casa.

- Primeiro de tudo, ele já chegou, e está se resolvendo com Caleb e Gaten, isso pode demorar um pouco - Sadie diz, ainda sem me soltar, e eu sinto que preciso disso. - Lizzy não quer falar com ele, e nós precisamos falar com ele, pra vocês poderem entrar em acordo sobre o que querem fazer a partir de agora, então por favor, me ajuda a convencê-la. 

Assenti, quando finalmente nos soltamos, notando que Jack e Noah já não estavam mais ali. Suspirei antes de entrar, esperando por Sadie, que fechou o portão e me arrastou para o andar de cima, me levando até seu quarto, que era dividido com Caleb, onde Lizzy estava, dividida entre chorar e gritar com raiva.

Me aproximei devagar, tocando em seu ombro, vendo quando ela pareceu se acalmar, virando-se pra mim com seus olhos vermelhos e inchados, ainda chorando, não sei se por raiva ou por tristeza, mas insistia em pensar que era por ambos. Acho que aquela sensação era comum entre nós duas tanto quanto era para Sadie, porque existiam muitas formas de sentir a saudade de alguém, e cada uma de nós sentiu de uma forma.

- Oi - Lizzy diz, sua voz saindo trêmula e falha.

- Oi - sorri, a abraçando de lado, Sadie se sentando do outro lado e repetindo o gesto. - Você está horrível.

- Mas continuo bonita, não continuo? - Ela sorriu de lado, seus olhos brilhando em uma falsa esperança, brincando como se aquilo fosse lhe acalmar.

- Continua - assenti rindo. - Mas sabe o que precisa fazer, não sabe?

- Eu não quero - ela negou, fechando os olhos. - Ele nos abandonou, e agora está aqui, esperando alguma coisa de nós.

- Ele não queria ter ido, Liz - Sadie disse, calma e tranquilamente, tomando cuidado com as próprias palavras. - Nós lhe dissemos para ir, para o bem dele. E ele foi, e não foi culpa dele o que aconteceu.

- Poderia ter acontecido com qualquer um - prossegui assentindo, tomando aquelas palavras para mim, como um consolo próprio. - Acidentes acontecem, e você sabe disso. Todos sofremos quando ele sumiu, de repente, mas ele voltou, e se está aqui, é porque ama cada um de nós e sente nossa falta.

- Nós tentamos... Por cinco meses achá-lo - sua voz saiu fraca, e eu assenti concordando. - Será que ele tentou também? Será que em algum momento não desistiu de nós?

- Nós desistimos dele, Liz - disse Sadie, sua voz parecendo tão falha quanto a de Lizzy. - Fizemos isso pelo nosso próprio bem, e não podemos culpá-lo caso tenha feito o mesmo.

- Lia acha que você não gosta dele - eu disse, depois de alguns segundos em silêncio, atraindo o olhar das duas sobre mim. - Ela acha que você não gosta dele, porque você se enfurece e fica triste quando vê as fotos dele. Mas, entenda uma coisa, Liz... Devemos muita coisa à nós mesmas, e Finn também nos deve, mas nós devemos muito mais para Lia, que nunca soube de nada sobre o próprio pai, além de que ele tinha ido embora. Ela só teve fotos, enquanto nós tivemos lembranças, ela só teve isso, e a única herança que teve do pai a vida toda, foi o meu colar. Isso não é suficiente, Liz, é? Ela merece ter um pai, e merece viver em paz com uma família amorosa que a ame e ame o pai dela.

Mais algumas lágrimas rolaram por seu rosto antes de ela as enxugar, assentindo em concordância, enquanto nos abraça de volto, rindo baixinho e nos fazendo rir também, sem motivo aparente. 

Antes que pudéssemos dizer alguma coisa, Caleb entrou no quarto, chamando pro Lizzy e Sadie, que assentiram e beijaram minhas bochechas antes de deixar o quarto com as mãos entrelaçadas, passando confiança uma para a outra. Caleb deixou o quarto segundos antes de Noah entrar, me abraçando de lado, conforme fazia carinho na minha cabeça, me mantendo segura e bem.

- Você acha que está pronta pra isso? - Ele perguntou, sua voz transmitindo preocupação.

- Teoricamente sim. Eu quero isso, sabe? Preciso arrumar a minha vida do jeito certo e essa parece a melhor forma - suspiro, deixando que minhas preocupações passem para ele, porque sei que ele entende o que eu sinto e está me apoiando. - Mas, na prática... É como se eu pudesse infartar a qualquer momento.

- Devem ser gazes, não se preocupe - ele brincou, me fazendo rir e aliviando a tensão momentaneamente. 

Não sei ao certo quantos minutos se passaram, mas sei que logo, Noah já estava se levantando e eu fazia o mesmo. A diferença é que ele deixou o quarto, e eu fiquei ali, de pé, encarando a pessoa que provavelmente fez total diferença na minha vida, e que ainda fazia, de inúmeras formas, e até os dias atuais, me fazia tremer, sentir aquela sensação que senti na primeira vez em que o vi, quando me senti aceita e bem cuidada pela primeira vez. Aquela sensação que veio de um estranho, estranho esse que passou a ser boa parte da minha felicidade, e boa parte da minha tristeza também.

Tudo estava claro na minha mente agora. Eu não o culpava, por isso, sabia que não precisaria perdoá-lo. Eu não tinha medo de uma conversa, mas com certeza sentia receio do que podia vir dali. Meus pensamentos se organizaram, para a minha felicidade, e eu pude relaxar quando ele se aproximou, sorrindo de lado, talvez tão tenso quanto eu, mas feliz de qualquer forma.

- É bom te ver de novo - Finn toma a iniciativa, mantendo certa distância de mim.

- Eu também acho - sorri levemente, sem saber o que fazer com minhas próprias mãos. - Eu... Falei com a Lia... Sobre você.

- Caleb me contou - ele assentiu, sorrindo mais abertamente dessa vez. - Obrigado por isso.

- Devia isso à ela - dei de ombros, sem conseguir me mexer mais do que isso. - Ela quer te conhecer melhor, e eu prometi que permitiria isso.

- Eu quero muito falar sobre a Lia, e entender tudo sobre ela, e eu juro que a achei tão incrível que poderia passar a noite toda apenas citando todas as coisas de mais incríveis que encontrei nela mas... - ele se interrompe, como se pensasse se aquilo era mesmo certo. - Mas quero falar sobre você, entende? Preciso corrigir meus erros de pouquinho.

- Eu não estou com raiva de você, Finn - o interrompo, e ele parece surpreso com minha fala. - Senti raiva no início, sabe? E eu fiquei triste também, fiquei com medo, e fiquei sentida com tudo o que aconteceu. Mas, eu entendo que existem dois lados numa moeda, entende? Eu entendo que eu sofri muito aqui, assim como você sofreu muito lá. Não posso ficar com raiva de você quando, na verdade, você não me fez nada.

- Sei que não tenho culpa, não necessariamente, mas ainda assim, me sinto um idiota - ele parece perdido nos próprios pensamentos, lutando para colocar tudo pra fora. Do lado de fora do quarto, eu podia ouvir algumas risadas, então sabia que estava tudo bem. - Eu sinto que fui incapaz de insistir em vocês do jeito que eu queria, do jeito que eu deveria ter feito. Eu deveria ter tentado mais, e quem sabe pudesse ter conseguido alguma coisa. 

- Você está aqui agora, e isso é o que importa realmente - tentei sorrir, abaixando a cabeça e encarando os meus pés, porque aquilo parecia mais fácil do que encará-lo. - Eu quero que faça parte da vida da Lia. Quero que vocês recuperem esse tempo perdido e eu espero que consigam se conectar.

- Eu também - ele confirmou, dando alguns passos mais à frente. - Mas e quanto à você?

- Finn... - murmurei, levantando o olhar. - Eu realmente adoraria te ter na minha vida de novo... Mas eu vou precisar de tempo.

- Eu posso esperar, Mills - não demorou para que ele estivesse ainda mais perto, e eu permiti que ele me abraçasse, porque eu sentia sua falta. - Só preciso saber se você ainda quer que eu espere.

- Você é ainda é um babaca - eu disse, sorrindo quando ele riu, me lembrando de quando ele zoava meu tamanho e eu o chamava de Finnie ou babaca. - Se puder esperar, eu estarei aqui, e vou estar pronta pra isso um dia.

- Então eu vou esperar - ele disse por fim, me balançando de um lado para o outro com calma, e eu gostei de sentir seu cheiro familiar tão próximo outra vez.

Embalada por seu aroma, sendo tranquilamente abraçada, estando completamente tranquila comigo mesma, pude entender que era a mais pura verdade, não importava o que aconteceria até o fim daquela noite, eu ainda estaria muito bem. 

 


Notas Finais


Bom, e então, fui aprovada? Eu realmente não tenho nada pra dizer, então, espero que tenham gostado, e até a próxima, pessoal!


#FiqueEmCasaeSurteComigo


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