História Um salto para a liberdade - Capítulo 1


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Categorias Naruto
Personagens Naruto Uzumaki, Sasuke Uchiha
Tags Amor, Anjo Caído, Consequencias, Crise De Identidade, Drama, Escolhas, Fantasia, Mistério, Naruto, Queda, Romance, Sasuke, Sasunaru
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Palavras 6.791
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Magia, Musical (Songfic), Romance e Novela, Seinen, Shonen-Ai, Sobrenatural, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 1 - Vejo Enfim a Luz Brilhar


Os olhos intensamente azuis observavam compenetrados a imensidão abaixo de si. Entender que o que estava prestes a fazer não teria volta causava um misto de medo e excitação, foram longos anos para decidir em qual mundo queria estar e precisou entender o que sentia e o que buscava. Estar ali, no limite dos céus, olhando para a terra embaixo de si, era um fechamento de um ciclo. Estava abrindo mão das suas asas, da sua essência e de tudo o que sempre conheceu, em prol do desconhecido.

Estava abrindo mão de si mesmo para ser algo novo, único.

Levantou o rosto, o medo se espalhando como uma maldição, e antes que perdesse a coragem, abriu os braços e fechou os olhos com força. Suas longas asas de penugem branca e pontas azuis se agitaram, era uma despedida a elas também. De tudo o que deixaria para trás, somente a perda das suas asas lhe doía.

“Sacrifícios são necessários para atingir um bem maior”. sempre escutou aquelas palavras e, no entanto, somente agora poderia dizer que as entendia.

Respirou fundo e sorriu, sussurrou um ‘Adeus’ antes de se jogar.

Suas asas lhe encobriu, o protegendo da queda e, enquanto caía, suas penas se desprendem e viram pequenas luzes douradas; esses pequenos pontos formando um rastro no céu escuro, marcando a morte de um anjo.

 

 

 

Escutou uma voz suave ao longe, porém não conseguia compreender o que ela dizia e não fazia ideia a quem pertencia. Tentou abrir os olhos, mas uma intensa luz o cegou, virou um pouco o corpo para a direita, ficando assim de perfil e gemeu de leve quando sentiu a lateral do corpo queimar. De repente, se deu conta das várias vozes que o cercava, abriu primeiro o olho direito e tudo o que pode ver foi um chão pavimentado, levou sua mão esquerda ao seu ombro direito, seus dedos tocaram em algo viscoso. Recolheu o toque e levou seus dedos sujos ao alcance dos seus olhos ficando confuso com o líquido de uma intensa cor vermelha.

Sangue...? Por que estava sangrando?

— O que aconteceu...? — murmurou, tentando levantar.

Sentiu um gentil toque no meio das suas costas, mãos firmes lhe ajudando a se sentar. Por um segundo, sentiu falta de ar, os pulmões queimando e o nariz ardendo, sentiu o sangue escorrendo pelo rosto e pingando nas suas coxas.

Olhou para seu torso nu e para suas partes baixas cobertas por um pano fino, atordoado, olhou ao redor, não reconhecendo absolutamente ninguém. Como foi parar ali? Por que estava praticamente sem roupa?

— Não sabemos, — uma mulher que estava ajoelhada ao seu lado respondeu a pergunta que nem percebeu que havia feito. — Você caiu do nada.

— Do que você se lembra? — o rapaz que segurava suas costas perguntou.

Naruto balançou a cabeça em negativa, o movimento causou dor em seu pescoço e cabeça, ele tentou lembrar de algo, de qualquer coisa! Mas nada veio em sua mente confusa. Sentiu-se tonto, seu estômago embrulhou e, se tivesse alguma coisa nele, Naruto teria posto para fora naquele momento.

— Não consegue se lembrar de nada? — outra voz, que Naruto não conseguiu identificar de onde vinha, perguntou com preocupação. — Deve ser por conta da queda, — a voz disse para alguém.

Um rosto, tão familiar quanto os outros, entrou em seu campo de visão, um homem já em uma idade avançada, ele colocou uma luz incômoda em seus olhos e Naruto quase pensou que ficaria cego.

— Não há sinal de midríase. — o senhor constatou.

Atordoado, Naruto afastou todos os que estavam ao seu alcance; ele estava se sentindo sufocado.

O barulho de sirenes quase o ensurdeceu, seus ouvidos sensíveis demais para sons naquela altura.

— Eu... Eu p-preciso sair daqui. — murmurou em pânico, mas antes que pudesse se levantar, várias pessoas o cercaram e uma mulher vestida em um macacão azul forçou seu corpo para baixo, o fazendo repousar em uma superfície gélida. Se assustou quando foi amarrado, levantado e levado para a ambulância, sendo colocado dentro dela e assistindo impotente as portas fecharem.

A mesma mulher que o amarrou estava ao seu lado agora.

— Pra onde estão me levando!? — perguntou assustado, a cada palavra que Naruto dizia sua garganta ardia mais.

Ela lançou uma olhadela em seu rosto e depois voltou a verificar os cortes e lesões em seu corpo.

— Para o hospital, — respondeu depois de um momento. — Não se pode saber a profundidade dos seus machucados ou os traumas que seu corpo sofreu na queda, por isso você precisa de atendimento médico urgente.

Não entendeu muito bem do que ela estava falando, mas preferiu ficar calado e fechar os olhos. Ele apagou em poucos segundos.

 

 


Suas pálpebras tremeram e, devagar, seus olhos azuis apareceram. Olhou perdido ao seu redor percebendo que estava em um quarto irritantemente branco com aparelhos ligados a si.

Quando tinha chegado ali? Não se lembrava de sair da ambulância. Quando foi que ele dormiu?

Retirou o lençol e subiu a estranha vestimenta que o cobria conseguindo ver vários curativos espalhados pelo seu corpo, levou suas mãos ao seu rosto e sentiu os curativos em cada bochecha então seguiu para sua cabeça e a encontrou enrolada com faixas. Foi quando notou todo seu corpo tremendo e buscou se sentar na pequena cama, lágrimas inundando seus olhos, atrapalhando sua visão.

O que estava acontecendo?

Soltando um soluço, tampou o rosto, o choro compulsivo o tomou e seu corpo balançava no mesmo ritmo que as lágrimas caiam. Não sabia como foi parar ali, nem ao menos quem era, tudo do que se lembrava era da sensação desesperadora e do terrível medo, mas sobre si mesmo Naruto sabia apenas seu nome e nada mais.

— Vejo que já acordou, — uma mulher vestida de branco adentrou no quarto. — Sou a enfermeira Ino, estou aqui para cuidar de você. — ela informou enquanto injetava alguma coisa no soro que hidratava suas veias. — A Dra. Senju já vem lhe ver, peço que espere pacientemente.

Naruto não olhou em sua direção mesmo quando a enfermeira ficou um tempo esperando sua resposta, o homem não parecendo ter consciência da sua presença ali. Ela suspirou e quis dizer algo para reconforta-lo, mas deveria se portar como uma profissional e somente isso então Ino anotou na prancheta a aplicação do remédio para a dor e saiu do quarto.

Após alguns minutos que pareceram intermináveis horas, uma senhora loira entrou no quarto e ficou parada ao lado da sua cama e se apresentou:

— Meu nome é Tsunade e eu sou a doutora cuidando de você. Como está se sentindo?

Naruto olhou para ela por alguns segundos, mas depois voltou seus olhos para a parede branca à sua frente. Tsunade cruzou os braços e observou o seu comportamento, talvez devesse o encaminhar para um psicólogo apenas para ter certeza que o choque da queda não o havia afetado psicologicamente também. A atitude alienada do rapaz a preocupava e Tsunade se perguntou se a queda havia sido intencional. Se fosse esse o caso, Naruto teria que passar por um intenso tratamento.

— Não sei o que está sentindo nesse momento, mas preciso que responda algumas perguntas. Pode fazer isso? — perguntou calmamente, mas Naruto negou. Ela esperou que ele dissesse mais alguma coisa, porém ele permaneceu calado e Tsunade semicerrou os olhos caramelos. Não soube dizer o que ele estava pensando, para falar a verdade, ele apenas parecia terrivelmente perdido.

Tsunade franziu as sobrancelhas bem feitas, fazendo um diagnóstico rápido da situação e concluiu que a perda de memória era possível, mesmo que os exames não tivessem mostrado nenhum trauma cerebral. Ainda assim ela resolveu apostar.

— Você se lembra de alguma coisa?

Naruto negou mais uma vez e Tsunade procurou os olhos azuis, buscando hesitação, mas tudo o que encontrou foi um olhar desfocado, então era por isso que ele estava agindo de forma estranha. Ele estava muito atordoado.

Suspirou. Menos mal.

— Poderia me dizer o seu nome?

Tsunade assistiu enquanto ele olhou para si e depois ao seu redor, franzindo o cenho, parecendo se concentrar.

— Naruto…

O tom foi de dúvida, mas Tsunade resolveu por não questionar mais nada e, depois de mais algumas avaliações, saiu do quarto deixando um Naruto perdido para trás.

Os dias foram passando e, com eles, a paciência de Naruto diminuía. Nada fazia sentido, mesmo após dias fazendo exames e conversando com pessoas diferentes, ele ainda não se lembrava de nada a respeito da sua vida ou do porquê havia caído, ou especificamente de onde tinha caído. Sua mente ainda estava nebulosa, como se tivesse um véu o impedindo de se lembrar de alguma coisa e, sem saber o seu sobrenome, também não havia nada que a polícia pudesse fazer por si.

Enfezado, se levantou da cama e apertou o botão na parede ao lado da cama, a enfermeira que tinha chamado entrou no quarto segundos depois.

— O que deseja, Naruto?

— Quero sair desse hospital.

Ela lhe encarou por um tempo, imaginando que ele estava brincando.

— Sabe que não pode sair até que sua memória volte.

— Não vou ficar aqui. — declarou, decidido.

— Vou chamar a doutora. — informou a enfermeira percebendo que Naruto falava sério e saiu do quarto.

Minutos depois, Tsunade falou com ele, mas Naruto era teimoso e assim que ela o avaliou e concluiu que estava saudável o suficiente, lhe deu alta. Ela não poderia mantê-lo ali contra vontade e perda de memória não era motivo forte o suficiente para manter ele no hospital visto que sua saúde estava em ótimo estado mesmo que a memória não houvesse retornado.

Vestindo uma roupa doada pelo hospital,  Naruto saiu e andou por um tempo, reconhecendo o local onde estava. Sentia que conhecia aquelas ruas, lojas e as pessoas transitando, mas não conseguia se lembrar daquelas coisas. Uma angústia preencheu o seu peito, ele não gostava de se sentir daquela forma; perdido e incompleto. Algo lhe faltava e Naruto não sabia o que era e estava aterrorizado por isso.

Seguiu então para a delegacia, como foi orientado por Tsunade, de acordo com ela, seu sangue foi levado como amostra para ser reconhecido no banco de dados no dia em que o encontraram. O secretário logo o reconheceu e chamou o delegado. Sempre que o via, a cabeça de Naruto doía ao ponto de se sentir tonto, a impressão de que conhecia o velho senhor de olhos e cabelos negros o atordoou.

— Não tenho boas notícias pra você Naruto. — o delegado Uchiha falou, gesticulando para Naruto se sentar nas cadeiras em frente à sua mesa. — Seu sangue não foi reconhecido no banco de dados.

Naruto apertou o tecido jeans da sua calça, o sentimento de impotência tomado seu corpo. Era horrível não saber nada sobre si mesmo, mas agora parecia que ele nem mesmo existia?

— E o que eu devo fazer?

Fugaku olhou com pena para Naruto que se encolhia contra a cadeira, ele parecia completamente desamparado. Tudo o que rodeava o rapaz era um mistério; a queda, a falta de memória, a identidade desconhecida e o fato de que ninguém havia informado uma pessoa desaparecida com as características do rapaz loiro.

— Você vai ficar em um abrigo do governo, por enquanto. — informou Fugaku observando os olhos azuis caírem tristes, mas Naruto assentiu.

Coitado, o delegado pensou. Naruto era tão novo e estava tão sozinho, ele queria poder ajuda-lo mais, contudo, não havia nada que pudesse fazer em sua situação, tudo o que estava ao seu alcance já havia sido feito.

Naruto foi então levado ao abrigo pelo delegado Uchiha. Aquele seria seu lar agora.

Aos poucos ele foi aprendendo mais sobre as pessoas ao seu redor, coisas que ele nem sequer sonhara fazer, mas ele aprendeu com uma facilidade espantosa. O convívio com as crianças e os responsáveis pela instituição era agradável, todos tinham paciência com ele e o tratavam com respeito e gentileza, mas o tempo estava passando rápido demais e a cada dia Naruto se sentia mais incompleto; o vazio em seu peito provocando uma angústia sem fim. Ele sentia que não estava ali para isso, que queria se reencontrar, lembrar quem era e o porquê de estar ali, mas por mais que doesse, Naruto teve que seguir em frente.

Ele criou novas lembranças e conheceu novas pessoas, fazendo amizades com pessoas como Sakura; uma garota de treze anos que era espantosamente inteligente e forte; Gaara, o padeiro que gostava de elogiar seus olhos azuis e seu sorriso aberto e Shikamaru, um assistente social que comumente vinha lhe visitar; mesmo que não precisasse, já que haviam encontrado um homem para ser seu tutor legal.

Quando o viu pela primeira vez, Naruto sentiu uma conexão esquisita com ele. Era como se estivessem ligados por alguma coisa invisível e Iruka, o homem que o “adotou”, parecia sentir o mesmo.
A primeira semana foi estranha, estavam desajustados a companhia um do outro, agindo cautelosamente, eles não se conheciam e tinham vergonha demais para forçar uma aproximação mais profunda, mas na semana seguinte, o clima já estava mais ameno e Naruto já conseguia manter uma conversa mais longa com o homem mais velho e agora Iruka lhe perguntava como andava suas aulas particulares, aulas essas que Naruto apenas tinha graças à ele.

 —  Você precisa relembrar as matérias básicas para poder entrar no mundo adulto. —  Iruka havia explicado amigavelmente.

E Naruto era muito grato por tudo o que seu guardião fazia e mesmo que aquele vazio no peito misturado a um intenso sentimento de deslocamento não houvesse ido embora, Naruto podia dizer que gostava de estar vivo. Porém esse sentimento de paz foi engolido quando um terrível acidente aconteceu bem na sua frente.

Um carro atravessando o sinal vermelho, atingindo outro carro que vinha pelo cruzamento.

O que o chocou não foi o acidente em si e sim a cena que se desenrolou segundos antes dos carros colidirem: um ser com aparência humana e enormes asas pousou no capo do carro, se ajoelhou com uma perna e se inclinou para a frente. As asas, que antes estavam abertas, envolveram a frente do automóvel. Depois do estrondoso barulho que soou como uma explosão para Naruto — seus ouvidos ainda eram sensíveis mesmo depois de escutar crianças animadas e barulhentas durante a maior parte do dia — o ser desconhecido se levantou e Naruto assistiu com horror que ele estava nu, ficando ainda mais chocado pela falta de membros sexuais da criatura.

Logo em seguida, alguém saiu do carro que foi atingido por imprudência do outro. O homem, um adulto pelo que ele pode notar de longe, parecia que estava bem tirando algumas escoriações, já o motorista do outro carro não teve tal sorte.

Naruto sabia que Iruka estava o chamando ao longe, porém não conseguia se importar com esse fato porque tudo o que importava no momento era a criatura incompreensível que olhava de volta para ele. Foi então que a criatura bateu as asas, levantando voo e Naruto sentiu uma forte pontada no peito, não conseguindo controlar o choro intenso que o tomou. Iruka o acolheu em um abraço protetor e o tirou dali, na mente dele, Naruto estava chorando por causa do choque ao presenciar a morte do imprudente motorista, no entanto, nem Naruto sabia o real motivo do crescente desespero que esmagava seu peito e causava sua falta de ar.

Foi graças a isso que Naruto precisou, depois de meses, usar a velha medicação para dormir. Tudo parecia no controle até que, inexplicavelmente, ele acordou no meio da noite. Isso nunca acontecia, seu remédio para insônia e ansiedade era forte e sempre o deixava apagado a noite inteira.

Meio perdido, Naruto demorou para perceber a sombra ao lado da sua cama, mas quando a viu ele colocou as mãos na sua boca, impedindo assim que o grito de puro terror saísse e se transformasse em um berro aterrorizado.

— Então você realmente pode me ver, — a criatura murmurou admirada. — Por quê?

Ele — ou seria ela? — se aproximou mais e Naruto se arrastou para o mais longe que pode, se encostando na parede.
Sem parecer perceber o pavor nos olhos azuis de Naruto, o misterioso ser subiu na cama e ficou cara a cara com o objeto da sua curiosidade. Naruto tentou se acalmar, visto que a entidade não parecia querer o machucar, ele respirou fundo três vezes e, mais confiante de sua própria voz, retirou as mão que tapava a boca.

— O que é você? — ele perguntou com a voz trêmula.

A criatura de longos cabelos castanhos e olhos perolados se aproximou ainda mais dele, o rosto quase colado ao seu. O corpo de Naruto tremeu e ele segurou o edredom com força, tentando refrear a crescente vontade de sair correndo pedindo socorro. A cabeça dele (dela?) caiu para o lado e ele (ela?) pareceu genuinamente confuso, como se a ideia de Naruto não saber o que era fosse descabida.

— Ora, eu sou um anjo da guarda. — disse com um tom de diversão. — O que mais eu poderia ser tendo asas? — questionou.

Um anjo? Como assim estava conversando com um anjo? E por que diabos poderia ver um anjo?

Se arrastou pela cama e, assim que seus pés tocaram o chão, Naruto passou a andar de um lado para o outro. Sentia uma descarga de adrenalina atravessar o seu corpo, a ansiedade por não saber o que estava acontecendo corroía seus nervos, era basicamente o mesmo sentimento que sentiu quando acordou depois da queda.

Queda…

... Não. Era loucura. Não poderia ser isso...
... Por Deus, que não fosse isso!

— Anjo... Vocês tem um nome o-ou algo assim?

Ele (ela?) observava seus passos repetitivos com incerteza. Naruto se sentiu melhor por saber que não era o único perdido com aquela situação. O anjo finalmente respondeu:

— Eu fui batizado com o nome ‘Neji’ após minha criação.

Naruto estalou cada dedo para liberar um pouco de energia acumulada. Todo anjo recebia um nome ao ser criado, isso explicava o porquê ele se lembraria do seu. “Se eu realmente me joguei, isso explica a faltas das asas”, pensou freneticamente. Toda e qualquer história que envolviam anjos dizia exatamente isso: Anjos que se jogam perdem as asas e viram humanos.

Ok, a ideia que de se jogar do céu era quase aceitável, entretanto, não explicava o por que ele poderia ver outro anjo ou o de ter levado meses para vê-lo.

— Alguma ideia do motivo que me faz poder te ver?

Neji, que estava agora sentado na cama, se levantou e parou em sua frente. Contrariado, Naruto parou de andar pelo quarto.

— Eu nunca ouvi falar de um humano que já tenha nos visto, — confessou. — Muito menos sobre existir uma forma de vocês humanos nos verem.

Naruto cruzou os braços e respirou fundo. Subitamente, sentiu uma ânsia de choro que o obrigou a fechar os olhos. Ambos ficaram em silêncio por um tempo e Neji tinha cada vez mais curiosidade em relação aquele humano.

— Eu acho que já fui um anjo, como você. — Naruto finalmente revelou, se sentindo inseguro. — Em um dia qualquer, eu simplesmente cai no meio da rua, completamente atordoado e sem memória. A única coisa que eu lembrava era meu nome.

Neji acenou como se concordasse com ele, o observando enquanto parecia pensar. Naruto estava tão nervoso que seu estômago queimava, mas de repente os olhos perolados se arregalaram.

— Eu fui criado para substituir um anjo da guarda. Nunca me disseram o que aconteceu com ele e sempre estranhei o segredo que guardam em torno desse assunto. Se você realmente foi o anjo que guardava a vida de Sasuke, faz todo sentido você poder me ver. — Neji disse entusiasmado. — Afinal, mesmo que você seja um humano comum agora, sua essência sempre estará ligada com a vida dele. — o sorriso dele esmoreceu um pouco, — Ou você já tinha visto outro anjo antes?

— Não, você foi o primeiro.

O sorriso voltou ao rosto dele, mas Naruto não conseguia ver um motivo plausível para o anjo estar tão feliz. O único sentimento que o preenchia agora era um forte arrependimento e uma enorme incerteza.

— Preciso que me deixe sozinho, Neji. — Naruto murmurou.

O anjo ficou nitidamente triste, porém não rebateu, suas asas bateram e logo a criatura havia desaparecido.

Todo aquele vazio dentro de si agora fazia sentido. Naruto nunca se sentiu completo, e descobrir que, na verdade, a culpa era sua; por uma decisão imatura de renegar quem realmente era, o consumia por dentro como se ele estivesse afundando em um lago escuro e não pudesse nadar.
O que tinha feito? Nunca mais poderia ter a alegria de voar novamente. Quem era agora? Trocou sua essência pelo quê? Para se tornar um ser falho, imperfeito e indigno?

Se sentou na cama.

— Lembre-se — murmurou enquanto batia na lateral da sua cabeça. — Lembre-se, droga!

Mas por mais que tentasse, se batendo, chorando e clamando, suas lembranças ainda estavam encobertas por uma névoa sem fim.


 

 

Era curiosa a forma com que os humanos se portavam.

Os conflitos, as preocupações, os amores e as decepções; tudo parecia ser tão intenso e mágico. Em toda a sua existência, Naruto desejou poder sentir o que eles sentiam. Dor ao cair no chão e ralar o joelho, assim como ele viu acontecer com Sasuke quando ele era somente uma criança; amar completamente outras pessoas ao ponto de chorar por elas, assim como Sasuke – que nunca chorava – o fez na morte da mãe.

Qualidades e defeitos eram somente uma pequena e insignificante parte da complexa formação humana. Pensamentos, sentimentos, decisões e atitudes mostravam o quão profundos aqueles seres poderiam ser enquanto ele, um mero anjo, não fazia nada além de guardar uma vida.

Naruto não possuía capacidade para sentir, desejar ou ansiar por alguma coisa então a vontade de evoluir e se tornar algo completamente diferente se fixou na sua mente. Mas valeria a pena deixar tudo o que conhecia para trás, recomeçar do zero sem ajuda alguma?

Naruto não poderia dizer com certeza que sim e por isso não deu o salto necessário.

Por um tempo, ser um anjo da guarda não era muita coisa, mas então Naruto aprendeu a apreciar o privilégio de ver Sasuke crescer. Quis confortá-lo nas inúmeras noites onde ele se encolheu na cama e chorou, a ânsia por abraçá-lo, de repente, tomando conta de si fazendo com que Naruto se assustasse com as estranhas sensações que tomavam conta do seu peito, sensações que cresciam conforme o tempo que passava observando Sasuke.

E então, depois de anos, os sentimentos desconhecidos e intensos tomaram completamente a sua existência. Ser um anjo já não fazia sentido para Naruto.

Não foi tão difícil finalmente abrir mão das suas asas.

Finalmente Naruto deu o salto que precisava para se tornar um novo ser.
 


Acordou assustado; a respiração trêmula, o corpo suado e o coração batendo forte demais para ser saudável. Naruto se sentou com pressa, chutando de forma afobada o cobertor para longe, ele passou a mão nos cabelos bagunçados e depois escondeu o rosto, aquilo era informação demais para digerir em tão pouco tempo.

Seu dia passou em um incômodo silêncio. Iruka o olhava de tempos em tempos, ele podia ver através dos gentis olhos escuros que o homem estava preocupado, contudo, Iruka respeitou o seu espaço e não o pressionou a contar o que estava lhe fazendo mal.

Com uma agitação incomum, Naruto esperou o dia passar. Queria ver com seus próprios olhos o que o sonho tinha lhe mostrado então esperou o fim do dia. Assim que a noite caiu e as luzes da cidade apagaram, Naruto saiu de casa, silenciosamente para não acordar Iruka, e olhando para o céu escuro ele conseguiu ver, totalmente desacreditado, as finas linhas no céu com um brilho intenso. O rastro da sua queda ainda estava lá e parecia estrelas distantes, mas Naruto sabia que era a sua essência, as asas das quais ele abriu mão.

A crescente agonia e o tormento das suas impensadas decisões causou uma careta dolorosa e, em questão de segundos, Naruto já não enxergava mais nada. Ele caiu de joelhos no meio da calçada, em frente a sua casa e se abraçou, soltando um grito de pura dor.

— Naruto? — Iruka gritou, aparecendo na porta de entrada da pequena casa. Quase pulou ao vê-lo de joelhos chorando. — O que está fazendo aqui fora? — perguntou nervoso. — Está fazendo menos que cinco graus!

O homem então pegou Naruto pelos braços e o levantou, o guiando para dentro de casa e subindo para o quarto dele. Como em todas as vezes que Naruto tinha uma crise, Iruka sentou na cama dele e pôs a cabeça de cabelos dourados no seu colo.

— Sei que é difícil pra você não se lembrar da vida que tinha antes do acidente — Iruka murmurou suavemente, os dedos longos e finos se embrenhando entre as mechas bagunçadas, fazendo um doce carinho. — Mas ao invés de se martirizar pelo o que você já foi, eu acredito que você deva se permitir uma nova chance.

Naruto olhou para cima, encontrando os bondosos olhos escuros do seu guardião legal antes de voltar a fechar os olhos quando as lágrimas quiseram banhar sua face novamente. Ele se aconchegou melhor no colo de Iruka, precisando daquele contato mais do que tudo.

— Eu só quero o melhor para você, Naruto. — Iruka sussurrou e Naruto piscou lentamente, sonolento e exausto. — Você tem o que muitas pessoas querem; o poder de renascer, de ser o que você quiser e, seja lá o que for que decidir, eu estarei do seu lado para te apoiar.

Naruto inconscientemente abraçou a cintura de Iruka e o mais velho sorriu com ternura. Ah, como seu menino estava sofrendo e o ver assim doía, era triste não poder fazer muito por aquele garoto, mas ele prometera há muito tempo que tentaria fazer tudo o que pudesse por Naruto.

Começando por ficar ao lado dele.

Iruka cantarolou a música que Naruto mais gostava sem saber se ele ouvia ou não e Naruto, por sua vez, sonhava com as estrelas e o quanto elas poderiam brilhar, assim como a sua música preferida dizia.
Preenchido pelo apoio de Iruka e cansado de se culpar por um ato que não teria mais volta, Naruto decidiu por encontrar o pivô de todas as suas decisões.

A verdade é que Naruto precisava entender o que o levou a se jogar dos céus. Em teoria, a vontade de ter sentimentos humanos e seus intensos e desconhecidos sentimentos por Sasuke era a resposta para suas perguntas, no entanto, Naruto perdeu esses sentimentos em algum momento durante a sua queda. Em suma, ele não podia compreender a si mesmo quando já não entendia como sua mente e coração funcionavam e concluiu então que buscaria em Sasuke – sua maior razão – o que foi perdido na queda.

Não foi difícil de encontrá-lo, Sasuke era bem popular e a internet deixando tudo incrivelmente mais fácil, também não foi uma grande surpresa saber que Uchiha Fugaku, o delegado que tanto lhe ajudou, era na verdade pai do Sasuke. Naruto percebeu que foi por isso que o homem lhe pareceu tão terrivelmente familiar.

A dificuldade maior, na verdade, foi Naruto se aproximar dele.

Havia algumas garotas que sempre o rodeava, elas eram barulhentas e invasivas e Naruto as detestava, mas ele ainda assim seguiu o Uchiha por vários dias. Observava-o de longe; quando ele estava na cafeteria ao lado da faculdade onde cursava direito, Naruto se escondia em uma mesa longe assistindo com atenção o outro rapaz, seguir Sasuke para onde quer que fosse havia se tornado uma rotina na sua vida e teve até uma vez em que se arriscou a ir na boate que Sasuke frequentava nos finais de semana – mesmo que a música alta ferisse seus tímpanos sensíveis. Apesar da eficiência do seu plano, Naruto se entristecia com o fato de que sempre que tentava se aproximar ele ficava inacreditavelmente nervoso, correndo para longe, e se continuasse com aquele comportamento ele nunca seria notado, ou seria notado e preso por perseguição e assédio.

Já Iruka escutava suas narrativas dos pré encontros frustrados gargalhando até chorar – Naruto havia decidido ser sincero e contar para ele que lembrava vagamente do Uchiha, Iruka havia ficado verdadeiramente feliz por ele, o apoiando em sua tentativa de se aproximar de Sasuke, no final, se abrir para o homem havia sido a melhor decisão que tomara, embora não pudesse dizer toda a história com medo que Iruka infartasse, a idade já um pouco avançada para o homem experimentar fortes emoções, mesmo que ele ficasse bravo quando Naruto falava da sua idade, o mais novo fazendo isso apenas por implicância.

Foi só quando ele acreditou piamente que a parte da sua antiga existência estava perdida – visto que não conseguiu chegar perto do Uchiha – que Sasuke o surpreendeu.

— Eu realmente tentei lembrar se te conhecia, já que tem semanas que você está me seguindo, — o rapaz falou enquanto se sentava na sua mesa. O queixo do Naruto quase caiu no chão, ele realmente pensou que estava sendo discreto. Sasuke deu um sorrisinho lateral bem estranho, a expressão presunçosa. — Oh — colocou a mão no peito de forma teatral. — Eu não deveria ter percebido?

Naruto olhou ao redor, sem saber bem o que fazer ou dizer enquanto Sasuke continuava o encarando intensamente, aqueles olhos negros deixando Naruto nervoso.

— Eu não estava te seguindo... — ele respondeu, mas a sua voz não tinha um pingo de firmeza.

Sasuke levantou uma sobrancelha.

— Desculpe, era pra acreditar nesse seu miado?

Naruto inflou as bochechas e fez um biquinho. Às vezes tinha esse comportamento manhoso e infantil quando confrontado.

— Não sou um gato para tá miando. — resmungou.

Os olhos negros adquiriram um brilho estranho e Naruto sentiu um arrepio subir pela sua espinha; era como se Sasuke fosse devorá-lo, mas Naruto tinha certeza que eles, os humanos, não comem a própria carne. Mesmo assim sentiu medo daquele olhar.

— Ah, você é um gatinho sim.

Sasuke abaixou o tom da voz e Naruto se sentiu ainda mais desconfortável, o fazendo se remexer na cadeira e desviar o olhar, encarando o cardápio sem realmente o ver. Enquanto Naruto sofria envergonhado, Sasuke se divertia com a timidez e inocência que o outro garoto emanava.

— Você parece ser uma pessoa interessante. — mudou o foco da conversa. Não queria que o loirinho fugisse ou se assustasse. Ele era bonitinho demais pro Uchiha se arriscar a perder de vista. — Qual o seu nome?

— Naruto. — o outro praticamente sussurrou em resposta.

Ele não se lembrava de Sasuke ser assim, o comportamento de predatoriamente sexual incomodava Naruto que havia observado aquele garoto perdido preso no corpo de um adulto por tempo o suficiente para saber que Sasuke estava fingindo aquela aura confiante. Esse na sua frente não era o Sasuke por quem Naruto se apaixonou enquanto era um anjo e se ele continuasse se portando assim Naruto jamais recuperaria o intenso e bonito sentimento que havia tido por ele.

— Vamos dar uma volta, Na-ru-to?
Sasuke perguntou com um sorrisinho lascivo e Naruto fechou a cara na hora. Vendo a reação negativa, Sasuke ficou sério ao perceber que o rosto fechado não era por timidez e sim por verdadeiro desagrado.

— Não, muito obrigada. — o loiro respondeu com uma careta. — Não vou ser mais uma conquista sua, Uchiha. Muito menos um brinquedo na sua cama.

Ele o chamou de Uchiha, então Sasuke estava certo sobre o loiro saber quem ele era, de início pensou que Naruto era só mais um fã com tesão reprimido o stalkeando e, já que ele não era de se jogar fora, Sasuke decidiu dar o que ele parecia estar querendo fazia semanas. Não imaginou que se sentiria surpreso ou ofendido com a rejeição do rapaz, mas com certeza não deixaria uma pessoa de personalidade tão forte escapar. Não mesmo. Sasuke esperou demais por alguém como Naruto; decidido, centrado e que sabe o que quer.

— Ora, que surpresa agradável. — ele disse, sua voz agora em um tom normal, em seu nada além de um sincero sorriso fechado. Aquele tom de voz e aquela expressão fizeram, sim, com que o coração de Naruto batesse mais rápido. — Eu realmente quero sair com você, — Sasuke apoiou o rosto na sua mão direita; o cotovelo apoiado na mesa. — Estou curioso para saber o por que de você estar me seguindo por semanas já que deixou claro não ser interesse sexual.

Desconfiado, Naruto esquadrinhou o rosto branquelo do Uchiha, mas Sasuke continuou a olhar para ele de forma tranquila, sem se preocupar com os olhos azuis afiados e intensos.

— Se é dessa forma, eu aceito sair com você. — Naruto finalmente disse, decidindo dar uma chance ao Uchiha. Eles então saíram do café.

Para a surpresa de Naruto, Sasuke escolheu dar uma caminhada pelo parque, eles fizeram um piquenique improvisado e quando Sasuke perguntou o motivo do loiro o seguir, Naruto mentiu, dizendo que estava curioso para conhecer o filho do delegado, já que havia sido Fugaku que mais o ajudou além da Dra. Senju que havia sido como um anjo em sua vida. Ele explicou que ao encontrar o Uchiha, não teve coragem de falar com ele.

Sasuke ficou abismado com tudo o que aconteceu com Naruto enquanto ele contava pelo o que passou, conforme escutava o outro rapaz, o moreno admirava mais e mais os olhos azuis brilhantes e o sorriso cheio de dentes de Naruto que transmitia paz e sossego. Sasuke se viu perdido no intenso desejo de se aconchegar cada vez mais no calor gostoso que o outro transmitia.

Depois disso as coisas evoluíram rapidamente.

Sem que eles percebessem, os encontros viraram uma necessidade, quando não estavam juntos fisicamente, eles iriam se entreter em uma duradoura ligação telefônica, conversando por horas, e, quando não podiam ligar um para o outro, iriam trocar mensagens madrugada a dentro.

Sasuke não conseguia entender o motivo de se sentir tão à vontade com Naruto, mas a cada dia que passava, ele queria mais e mais contar tudo sobre si para o loiro, até mesmo as coisas que somente seu irmão mais velho sabia então Sasuke contou para Naruto os seus medos, suas dores e o quanto sofreu quando sua mãe morreu, ele contou como sofria com a família fria que tinha, mas que era grato por ter seu irmão para cuidar de si mesmo já tendo 21 anos. E Naruto se sentiu a pessoa mais sortuda do mundo por ter a confiança de Sasuke, ele também lhe contou tudo, sobre como ainda passava noites solitárias, onde sofria, mas não chamava Iruka para não o preocupar. Era um conforto mútuo e ambos estavam felizes por terem uma base sólida um no outro.

Iruka gostava muito de escutar sobre seus encontros e de o aconselhar quando Naruto tinha alguma dúvida, era muito bom ver a felicidade tão transparente no rapaz e Iruka se encontrava perdido no sentimento intenso que tomava seu peito sempre que Naruto sorria ou ficava vermelho ao ele admitir com que frequência ele começara a sair com Sasuke. Iruka não teve um filho biológico, mas estava tudo bem, ele não se importava porque Naruto era o melhor filho que alguém poderia ter.

Naruto não poderia esquecer dos amigos que fez enquanto ainda estava no abrigo e marcou com eles para lanchar e assistir algum filme no cinema. Shikamaru era silencioso, Gaara estava sempre com um olhar gentil e Sakura reclamava dos meninos burros e agitados da escola, quem visse de longe não entenderia um grupo tão diferente: Um homem velho de terno; um jovem adulto vestido com calças rasgadas, um suéter e batom escuro nos lábios; uma pirralha que ainda não havia nem entrado na adolescência e, claro, um loiro sorridente e barulhento que estava apenas começando a entender suas próprias ações do passado. Era sem dúvida um grupo estranho, mas era o grupo de Naruto, sua família, e isso era tudo o que importava.

Se questionou então se havia sido aquele calor que uma boa amizade trazia que havia o seduzido a cair? Ou será a premissa de um romance intenso e verdadeiro que o guiou? Foi uma família residindo em uma casa com muito amor e companheirismo que cercou sua mente até que estivesse na beirada dos céus e, então, por todos esses motivos, ele saltou? Ele não sabia, talvez nunca soubesse, mas Naruto agora entendia muito bem o que fizera com que ele tomasse uma atitude radical quanto à própria existência.

Ter suas asas era bom e ele sempre sentiria saudades de poder voar, era algo que, sem dúvida, faria falta nessa sua nova jornada, mas nada se compararia com as intensas sensações e sentimentos que habitavam seu peito porque estar vivo era isso; poder sentir e compreender esses sentimentos.

E Naruto gostava de estar vivo.

 

 


A noite de ano novo veio e Naruto mal poderia acreditar que já se passara um ano, tanta coisa aconteceu.

Sasuke, Iruka e ele estavam no terraço que ele e Sasuke haviam construído na laje da casa, os três conversavam com entusiasmo e Sasuke amava fazer perguntas para Iruka sobre o seu curso de direito, o homem sendo um juiz aposentado com experiência na área, Naruto revirava os olhos hora ou outra, mas achava divertido. Ele acabou de entrar na faculdade e com certeza seu curso não chegava nem perto de ser algo chato como direito. Papeladas e um escritório fechado? Seu corpo tremia repudiando completamente a ideia. Medicina veterinária havia sido a melhor opção para ele já que amava animais – principalmente aqueles que tinham asas.

A conversa casual foi interrompida quando escutaram as vozes dos vizinhos que contavam animadamente.

— Oh, já é contagem regressiva. — Iruka disse com assombro. A noite estava tão calorosa que eles nem ao menos perceberam as horas passarem. — Itachi-san não poderá vir?

Sasuke negou enquanto entrelaça suas mãos as do Naruto. — Infelizmente hoje é plantão dele no hospital já que ele passou o natal em casa conosco.

— Mas o Fugaku-san já está chegando. — Naruto informou.

Foi complicado o início da sua relação com o sogro, Naruto deveria admitir, mas o loiro sempre conquista a todos por onde quer que passava, e com o Uchiha mais velho e durão não foi diferente, com a aceitação de Fugaku, Sasuke e seu pai se aproximaram por intermédio do loiro e até nisso Naruto ajudou em sua vida. Sasuke havia se espantado no começo, Fugaku sempre havia sido ausente e nunca o tratou com carinho, mas depois que Naruto entrou na sua vida, Fugaku era bem mais presente e sempre soltava um ‘estou orgulhoso de você, filho’. Sasuke era ou não era sortudo?

O primeiro fogo de artifício subiu aos céus e Naruto olhou para Sasuke ao mesmo tempo em que Sasuke olhou para Naruto.

Iruka, que adorava ver a troca de olhares cheios de amor, paixão e carinho entre os homens mais jovens, ele andou até o pequeno som portátil e o ligou. Os primeiros acordes da música Vejo enfim a luz brilhar, do filme preferido de ambos, preencheu o ambiente e Naruto sorriu, se levantando e ficando na frente do amado.

— Me concede a honra? — perguntou risonho enquanto oferecia sua mão.

Sasuke sorriu de lado e se levantou também aceitando a mão estendida.

Se alguém algum dia lhe dissessem que ele estaria dançando à luz do luar, embaixo de fogos de artifício e ao som da música que sua mãe sempre cantava para ele dormir, Sasuke iria revirar os olhos e chamaria a pessoa de louca.

Bem, que bom que o destino sempre o surpreendia.

Fugaku, que havia acabado de chegar, se encontrou paralisado observando em silêncio, ao lado de um emocionado Iruka, o casal que bailava suavemente, abraçados e de rostos colados; a música que parecia muito com suas histórias de vida. Aquela sim era uma bela imagem de uma família feliz e Fugaku sorriu, aliviado.

“Mikoto com certeza iria gostar do genro dela”, foi o pensamento de pai e filho.
 

 

“Tantos dias olhando das janelas
Tantos anos presa sem saber
Tanto tempo nunca percebendo
Como tentei não ver?


Mas aqui, a luz das estrelas
Bem aqui, vejo o meu lugar
Sim, aqui consigo sentir
Estou onde devo estar


Vejo enfim a luz brilhar
Já passou o nevoeiro
Vejo enfim a luz brilhar
Para o alto me conduz
E ela pode transformar
De uma vez o mundo inteiro
Tudo é novo pois agora eu vejo
É você a luz


Tantos dias, sonhando acordado
Tantos anos, vivendo a vida em vão
Tanto tempo nunca enxergando
As coisas do jeito que são


Ela, aqui, à luz das estrelas
Com ela aqui, vejo quem eu sou
Ela que me faz sentir que eu sei pra onde vou


Vejo enfim a luz brilhar
Já passou o nevoeiro
Vejo enfim a luz brilhar
Para o alto me conduz
E ela pode transformar
De uma vez o mundo inteiro
Tudo é novo pois agora eu vejo
É você a luz
É você a luz”


Notas Finais


Comentem ^^


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