História Um Selvagem Diferente - Capítulo 6


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Categorias Justin Bieber, Lucy Hale
Personagens Chaz Somers, Jeremy Bieber, Pattie Mallette, Personagens Originais, Ryan Butler
Tags Alternativa, Comedia Romantica, Fantasia, Ficção
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Palavras 6.497
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Famí­lia, Fantasia, Ficção, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Cross-dresser, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


E depois de anos... olha quem voltou!
Pois é, sei que devo milhões de explicações, e irei explicar nas notas finais.

Enquanto isso, desfrutem do retorno da fanfic mais louca da minha vida. ❤️

Capítulo 6 - Sorte no Azar


Fanfic / Fanfiction Um Selvagem Diferente - Capítulo 6 - Sorte no Azar

Narração - Alice: 


- Co-como... você fez isso? - Milhares de perguntas surgiram na minha cabeça.

- ALICE! - Gritou Chaz, angustiado. - SAI DAÍ!

Olhei para trás e meus amigos estavam na saída da mansão, só esperando por mim para se mandarem como o restante do pessoal.

- Está tudo bem, o puma não vai atacar. - Gritei, vendo que o felino estava totalmente domado. - Estou certa, não é? - Encarei Justin. Ele confirmou com a cabeça e pude respirar aliviada. - Acha que consegue prender o animal em algum lugar até conseguirmos ajuda?

O cara refletiu um pouco, então, se aproximou vagarosamente do animal. O estudou por alguns segundos, então, com cautela, tocou o topo da cabeça do felino. Temi por sua segurança, mas o sujeito parecia experiente. Talvez já tivesse feito aquele tipo de coisa antes.

- Não se arrisque. - Pedi em um fio de voz. Não queria ver ninguém desmembrado.

Justin me ignorou e fez um carinho atrás da orelha do animal, o qual reagiu como um gatinho doméstico.

- Vamos embora! - Chaz, se borrando de medo, puxou minha mão.

- Sou a única a ver isso? - Apontei para o selvagem. - Como ele consegue?

- Charles não quer saber.

- Segura minha pedra. - Joguei o diamante e ele guardou-o no bolso.

- Esse é o puma que fugiu do zoológico? Aquele de que falaram nos noticiários? - Ry questionou ao se aproximar.

- Só pode. - Confirmei. - Por que ele não está nos atacando?

- Esse puma foi criado em cativeiro, isso deve ter reprimido os instintos dele. O tornou mais manso do que os felinos selvagens. Animais assim só atacam se forem ameaçados ou estiverem com fome. O bicho devia estar confuso com a cantoria e a multidão. Graças a Deus, não está faminto. - Ryan afirmou com convicção.

- Como pode ter certeza que ele não está com fome?

- Se estivesse, você agora não teria rosto. - Um nó se formou em minha garganta só de imaginar a cena. - Parece que nosso amigo da selva saca muito de animas. Acho que ele percebeu que o puma não era uma ameaça tão perigosa.

- E você? Como sabe dessas coisas?

- Assisto muito o Animal Planet. - Deu de ombros.

- O que vamos fazer? - Isa perdeu o medo e veio até nós.

Assistimos Justin conduzir o animal para debaixo de uma árvore, dando leves empurrões na parte de trás da cabeça dele. O seguimos, sem saber o que fazer.

O esquisitão baixou-se e estudou com cuidado uns ferimentos que tinham na barriga do felino. Alguns eram recentes e outros já tinham virado cicatrizes, não precisava ser um gênio para entender que o animal sofria maus tratos.

- Hora de ligar para o zoológico. - Falei.

Justin olhou para mim e gesticulou com uma mão.

- O que ele quer, Lice? - Ry ficou confuso.

- Acho que quer escrever. Rápido, Isa. Vai buscar meu bloco de notas.

Ela foi e voltou num pulo. Entreguei o bloco a Justin e esperamos ele terminar de rabiscar.

Vou cuidar do puma aqui até meu pai voltar.

- Sem chance! - Logo cortei o barato dele.

O cara insistiu.

Vão ser só alguns dias. O animal não vai machucar ninguém. Só fiquem longe.

- É muito arriscado. - Isa comentou. - A gente pode se encrencar.

Justin, com cuidado, obrigou o puma a deitar-se.

- Charles já ouviu falar de pessoas que criam felinos selvagens em casa, até assistiu vídeos, mas ver alguém se impor diante de um animal desse porte, é realmente impressionante. - Meu irmão tagarelou, ainda embasbacado.

- Concordo. Caramba, quantas pessoas não pagariam para ver isso? - De repente, os olhos de Ryan arregalaram-se e eu até podia ouvir o som da caixa registradora soando na cabeça dele.

- Nem... pense... nisso! - Fechei a cara.

- Reunião! - Voltamos para a chuva, nos afastando do selvagem. - Acompanha o meu raciocínio, galera. O puma é do zoológico, ninguém contesta isso, só vamos pegá-lo emprestado por umas semaninhas. Justin da Selva e seu pai que cuidem disso depois. Não é o que ele quer? Eu arranjo uma gaiola grande e Justin pode cuidar do animal no recanto do jardim. Conheço vários guias turísticos que pagariam uma nota para trazer seus clientes aqui. Algumas fotos não vão matar ninguém. Estamos em Orlando, minha gente, respiramos turismo. Ninguém vai se importar se fizermos uma graninha às custas do puma e seu domador.

- Charles acha que é loucura.

- E Isabella concorda.

- Prefiro nem comentar. - Cruzei os braços.

- Imaginem só o cartaz ... - Abriu os braços teatralmente. - Jus, O Rei da Floresta.

Não deu para aguentar, caí na gargalhada. Soava muito ridículo. Parecia o título de um filme idiota.

- Até parece que Justin vai concordar. Ele nunca concorda com nada. - Revirei os olhos. - Chega, Ryan, você está viajando.

- Vamos votar. - Apelou. - Chaz, pense em quantas calças boca-de-sino você poderá comprar, em quanta cerveja vamos estocar... e dinheiro, cara, atrai mulher. - Sussurrou persuasivo no ouvido do meu irmão. - Isa... - Se aproximou dela. - Compras. Pense nas compras que fará. - Notei que minha amiga realmente imaginou. - Licezinha... - Ele veio passar a lábia em mim. - O que Brad pensará do seu namorado domador de felinos? Isso intimida, viu? Justin  vai ficar com a moral lá em cima. McFoden vai enlouquecer quando souber que não será mais a atração principal do nosso resort.

Só pensava no quanto queria magoar Brad. Desejava ver sua expressão de desgosto e raiva ao notar que ele não seria mais o centro das atenções, coisa que sempre foi essencial para o ego de pop star dele.

- É isso, vamos manter o puma aqui. - Falei decidida.

- Legal! - Ryan vibrou.

- Tou dentro. - Disse Isabella.

- Charles não pega ninguém há muito tempo. Calças novas vão ajudar.

Voltamos para a árvore e Ry expôs suas intenções, escrevendo:

"Véi, nós concordamos em deixar você ficar com o puma, só que tem um porém. Esse bicho come vários quilos de carne por dia, precisamos de dinheiro e o único jeito de arranjar isso é se você concordar em tirar algumas fotos com ele quando um pessoal bacana vier vê-los."

Claro que Justin da Selv... quero dizer, Justin não gostou da idéia. Então me impus, pois já não o temia.

- É pegar ou largar.

Ele olhou para o animal e refletiu. Ficamos na expectativa, até que balançou a cabeça, concordando.

- Beleza! Vou dar uns telefonemas e arranjar uma jaula. - Ryan conseguia tudo, a qualquer hora. Obviamente, seus contatos não eram confiáveis e muito menos legais, mas já estávamos acostumados.

Minha manhã não foi tão desastrosa quanto a noite passada. Acordei cedo, ajudei dona Bogdanov e Isa a servirem o café da manhã e depois arrumamos os quartos.

Estava sozinha na sala de jantar preparando uma lista de compras quando vejo minha amiga chegar correndo.

- Não sabe... - ofegou, gesticulando. - Quem está na sala... de amassos... com uma das gêmeas.

- Quem?

- Justin.

- O QUÊ?

- Brincadeira. - Riu. - Ora quem, Lice! O Brad!

- Filho da puta! - Soquei o ar.  - Preciso espiar, ainda não estou acreditando.

Assim o fizemos. Ficamos abaixadas, nos escondendo atrás da parede da sala de jantar e de lá, podíamos ver Brad espremendo a loira no sofá, ao lhe dar um beijo obsceno.

- Oh, meu Deus. - Choraminguei colocando a mão no peito. Não queria me importar, mas a verdade é que doía muito ver aquilo. - Por que justo dentro da minha casa?

- Tenho que concordar, isso é sacanagem.

Desisti de espiar e me sentei no chão, encostando-me na parede. Então, o maldito soluço veio à tona.

- Que droga! Era para eu fazer o Brad sofrer e não o contrário. - Bati a cabeça na parede, angustiada. - Fingir namorar Justin não está adiantando.

- Espera aí. - Isa refletiu.  - Está adiantando sim. Pensa comigo, por que Brad não levou a gêmea para o quarto? Por que escolheu justamente a sala, onde todos podem ver?

- Para que eu soubesse. - Completei sorrindo.

- O cara está tentando te afetar como está afetando ele.

- McFadden quer jogar? Ok, vamos jogar! Bel, vai buscar o cara da selva.

- Ah, claro. E ele é um objeto? Como vou convencê-lo a vir?

Escrevi rapidinho no bloco de notas:

Machuquei meu braço. Socorro!

- Talvez isso dê certo. - Entreguei o papel a ela.

A doida saiu correndo e eu esperei, soluçando muito. Minutos depois, retornou e trouxe consigo o selvagem, que estava só de bermuda, cabelo muito bagunçado e mais barbudo do que nunca. Era quase impossível fingir que estava apaixonada por aquilo.

Ele foi logo pegando em meus braços e, ao notar que eu estava bem, ficou bastante aborrecido.

- Não faça essa cara. Não tenho mais medo de você. - Tinha só um pouquinho. - Preciso de sua ajuda. - Falei como se fosse uma ordem.

O sujeito me deu as costas e saiu.

- Faz alguma coisa. - Disse Isa, aflita.

Antes que ele saísse do cômodo, corri e ajoelhei-me, agarrando sua perna. Tomada pelo desespero, decidi que era melhor me humilhar do que ser humilhada pelo homem que eu mais odiava. O cara me fitou, visivelmente chocado e não reagiu.

- Por favor, me ajude.

- Não vai precisar mentir. - Isa o lembrou.

- Te dou o que quiser em troca. Prometo. - Fiz cara de coitadinha. Ele pareceu aturdido com o nosso desespero e insistência. - Não vou forçá-lo a nada, só precisa ficar perto de mim e parecer um pouquinho simpático.

Justin bufou e me ajudou a ficar de pé, revirando os olhos.

- Isso é um sim? - Minha amiga questionou.

O encarei e percebi que era.

- Sinto que minha sorte está voltando. - Informei, vitoriosa.

Abracei-a, comemorando e fui até meu namorado de mentirinha. Peguei sua mão e o conduzi até a sala, onde Brad ainda estava agarrado à hóspede. Bastou entrarmos no cômodo para eu começar a gargalhar.

- AHAHAHAHAHAHA!

Isa ficou ao meu lado e riu de minha atuação. Minha gargalhada chamou a atenção do casal, que logo se levantou.

- Oi. - Disse Brad, passando um braço em volta do ombro da garota.

- Oi. - Respondi. - Divertindo-se?

- Muito. - Lançou-me seu sorriso ousado e cheio de desdém.

- Já está sabendo da novidade, Brad? - Perguntou Isabella.

- Que novidade?

- Justin é a mais nova atração do nosso resort.

- Como assim? - Franziu o cenho.

- Ele é um excelente domador de felinos selvagens. Lembra do puma que invadiu a festa ontem? Bem, agora é do meu namorado. Muita gente vai vir aqui ver o puma e seu incrível domador. - Falei sorridente.

- Sério? - McFadden gargalhou. - Vão se dar bem, as pessoas adoram ver essas aberrações. Estreitei os olhos, enojada pela forma que se expressou.

- Vocês vão para a Disney World hoje? - Bel mudou de assunto rapidinho. - Chaz falou que vamos sair logo após o almoço.

- Nós iremos. - A hóspede, da qual eu nem sabia o nome, respondeu feliz. - Aquilo é muito grande, não dá para curtir tudo em um único dia.

- Organizamos vários passeios para lá. - Informei, encarando Brad.

- O alpinista não curte a Disney? - Meu ex falou diretamente com Justin, que continuou parado, apenas observando.

- Iremos na próxima. Hoje, meu gatinho e eu - fiz questão de dar ênfase em “meu gatinho”, porque Brad odiava ser chamado daquele jeito. Quando namorávamos, me proibiu várias vezes. - Queremos ficar sozinhos e relaxar. - Com cautela, juntei meu corpo ao do esquisitão. Nunca que eu ia levar o selvagem para a Disney. Eu era louca, não burra.

- Qual o problema do seu namorado com camisas? - Brad riu, provocando. Também não entendia porque Justin insistia em ficar seminu.

- É que ele é nudista. - Respondeu a gêmea. Isa e eu embasbacamos, pois tínhamos esquecido completamente que inventamos aquela mentira.

- Deixa eu ver se entendi. - Meu ex arqueou uma sobrancelha. - Ele é alpinista, nudista e domador de pumas?

- Aham. - Baixei a cabeça, constrangida. Estava enganada, continuava azarada.

- Qualé, isso é besteira! Como sabe que seu gatinho não está inventando tudo isso?

Solucei alto. Isa também não sabia o que falar, no entanto, a expressão de Justin mudou, pareceu bastante zangado. Ele inclinou o pescoço, estalando-o e caminhou lentamente em direção a McFadden. Minha sócia e eu quase entramos em pânico, não estávamos preparadas para uma reação agressiva do selvagem. Ia todo mundo entrar na faca?

Na expectativa de uma briga, meu ex ficou na defensiva, encarando Jus. O surdo-mudo parou há centímetros dele, ergueu uma mão e a passou no ombro esquerdo de Brad, como se tirasse uma poeirinha. Em seguida, sorriu e lhe deu um tapinha amigável no braço.

Minha boca devia estar escancarada. Não entendia porque Justin fez aquilo. Será que tinha desistido de bater no meu ex? De qualquer forma, Brad ficou um tanto intimidado e resolveu cair fora.

- Nos vemos no jantar? - Questionou, afastando-se.

- Pode apostar que sim. - Eu que não ia perder a oportunidade de exibir meu namorado de mentirinha.

Assim que ele e a lambisgóia saíram, Isa e eu relaxamos. Cada encenação daquele namoro nos causava um tremendo estresse.

- Me pegue no quarto às 19:00h. Precisamos manter as aparências. – Tentei convencer Justin com um sorriso forçado.

- Te pegar no quarto? – Isa tirou sarro.

- Justin da Selva, estava te procurando. - Ryanchegou com uma câmera digital nas mãos. - Preciso tirar umas fotos suas para os pôsteres de divulgação. - Avisou, já bancando o fotógrafo. Os flashes deixavam Justin meio incomodado, mas ficou parado.

- Não precisa levar ele lá para fora? Criar todo um ambiente temático... sei lá? - Perguntei.

- Não, Chaz vai fazer um lance legal no computador. Queremos parecer profissionais.

A sessão de fotos do rosto do "Justin da Selva" continuaram até a câmera ficar sem baterias.

Isa estava preocupada em como Justin iria se portar no jantar e eu em com o que ele se vestiria. Precisava que parecesse mais sociável. Decidimos dar a ele uma muda de roupa, que mais uma vez roubei de Chaz.

A tarde passou rápido. A mansão ficou silenciosa e pude arquitetar como atingir Brad.

Por volta das 19:00h, vasculhei meu armário em busca de uma roupa legal. Experimentei várias, e acabei escolhendo um vestidinho azul escuro. Enquanto prendia o cabelo em um rabo de cavalo, ouvi o zumbido de uma abelha. Logo assustei-me, pois sou alérgica. Ela ficou me rodeando e tentei arduamente matá-la com a escova de cabelo. Então, ela finalmente sumiu, me fazendo concluir que havia saído pela janela. Me posicionei em frente ao espelho e chequei o visual. Nesse momento, senti algo dentro do meu vestido.

- AAAAAAHHHHHHHHH! - Gritei me chacoalhando. - ABELHA! ABELHA! - podia ouvir o zumbido. - AH, MEU DEUS! - Bati em mim mesma tentando matá-la. Em busca de ajuda, rompi porta afora e dei de cara com Justin, que imediatamente se assustou com o berreiro. - ABELHA! MATA! MATA! - Ergui parte do vestido sem me preocupar se estava mostrando a calcinha, pois sentia a maldita abelha roçando em minhas costas. - SOCORRO! SOU ALÉRGICA!

Minhas últimas palavras fizeram Justin meter as mãos no meu decote e rasgar o vestido, deixando minha lingerie à mostra. Ambos assistimos a abelha voar por cima de nossas cabeças e ir embora.

O som de botas no piso nos fez olhar para a mesma direção, e foi quando Brad surgiu no início do corredor. Ele parou ao ver o estado de minhas vestes. Revezei olhares entre meu ex e o cara da selva. Então, simplesmente falei:

- É difícil controlar o apetite sexual de Justin. - Sorri e o puxei para o quarto, batendo a porta com força.

Dentro do cômodo, caí na gargalhada não só pelo mico que paguei, mas também por causa da cara de banana que McFadden fez. Parei de rir ao perceber que o esquisitão não tirava os olhos de mim.

- Caramba, que falta de respeito é essa? Tape esses olhos agora! - Ordenei ofendida... Ok, não tanto, mas tinha que me impor. - Estou falando sério. - Fiz cara feia. O maluco obedeceu, colocando as mãos nos olhos. Quase ri da expressão desnorteada dele. - Vou pôr outro vestido e não ouse espiar.

Fui até o armário, peguei uma roupa e virei-me para Justin. Fiquei surpresa ao notar que um de seus dedos estava um pouquinho afastado. Tava na cara que ele me espiava. Era pra eu ter ficado chateada, mas ele não parecia um tarado ou sem vergonha... só curioso. Existia uma certa inocência naquele homem.

Fingi não perceber nada e me troquei rapidinho. Ao terminar, o rodeei, examinando suas vestes. Nem conseguia acreditar no que ele foi capaz de fazer com as roupas que lhe dei. As mangas da blusa foram arrancadas e usava a peça com todos os botões abertos, não modificando em nada o seu visual “mendigo”. Nem as calças escaparam, já que as transformou em uma bermuda vagabunda.

- Oh... - Choraminguei. - Você gosta de me ver sofrer?


(...)


Isa, Brad, a gêmea, Justin e eu jantamos na cozinha, longe dos hóspedes. Lá era menos formal e melhor de papear.

Minha amiga e McFadden ficaram conversando sobre as futuras festas e eu tratei de comer para esconder o nervosismo. A dona Bogdanov entregou-me um prato com strogonoff de frango e eu caí de boca, prestando bastante atenção no que o pessoal falava.

- Hum, isso está muito bom. - Comentei indicando a comida.

Bel olhou para o prato e perguntou:

- Tappa kana?

Aí, que nojo!

Meu estômago embrulhou, corri até a janela e vomitei. Quando terminei, não tive coragem de olhar para trás, sabia que tinha acabado de estragar o jantar de todo mundo.

Coragem, Alice coragem!

Virei-me, dando um sorriso forçado e indaguei:

- Vamos pedir pizza?

- De frango? - Disse a loira.

Coloquei a mão na boca e mal deu tempo de enfiar a cabeça na janela.

- Você está bem? - Isa veio me socorrer.

O vômito cessou, respirei fundo e implorei:

- Me mata!

- Ela está bem, pessoal. - Informou em voz alta.

- Socorro. - Murmurei.

De repente, Ryan entrou na cozinha chamando a atenção de todos.

- Pessoal, pessoal. O pôster do Justin ficou pronto. - Sorriu com o troço embaixo do braço.

- Já? - Isa se aproximou dele e eu acompanhei.

- A impressão foi rápida, só a arte que demorou. Preparem seus corações para conhecerem o grande, audaz e único “Jus, O Rei da Floresta”. - Ryan desenrolou o gigantesco pôster. 

Fiquei ligada em Justin  e o assisti arregalar os olhos, deixando o copo de água deslizar de sua mão. Fitei o pôster e não contive o xingamento:

- Puta que pariu! - Tapei a boca. O restante do pessoal caiu numa estrondosa gargalhada.

Não dava para acreditar que colocaram o rosto de Justin no corpo de um cara qualquer que interpretou Tarzan. Haviam muitos músculos lambuzados de óleo, e a tanguinha apertada de couro se destacava. Os animais em volta dele nem eram um grande problema, comparado ao cipó que o Jus-Rei-da-Floresta segurava.

- Gente, pára de rir. Ficou irado! Deu um ar cinematográfico ao nosso amigo domador.

O selvagem ainda estava bestificado. Talvez não entendesse como a imagem dele fora tão distorcida.

- Com licença, Ryan querido, posso falar com você lá fora? - Sorri.

- Claro, Lice.

Assim que chegamos à sala, lhe dei vários tapas no braço. O idiota encolheu-se, resmungando.

- O que foi? Ficou doida, mulher?

- O que foi? - Indignei-me. - Como foi capaz de nos ridicularizar tanto? Eu vou te matar!

- Ei, ei. Parte da ideia foi do seu irmão. Não desconta tudo em mim.

- CHAAAAARLEEES! - Explodi em raiva. Ouvi um estrondo vindo do andar superior e sabia que o maldito estava fugindo.

Parecendo muito tranquila, voltei à cozinha, peguei o resto de strogonoff que ficou no prato e depois corri até o quarto do hippie retardado. Entrei chutando a porta e ele, sabendo que estava encrencado, usou um travesseiro como escudo.

- Não ficou ruim. Charles gostou do estilo Tarzan. Caprichei, poxa.

- Já não bastam todas as humilhações que ando passando? Agora que anunciei meu namoro com Justin, você faz um pôster em que ele parece um stripper de boate gay?

- Stripper de boate gay? - Ele refletiu, baixando a guarda. - É... Agora que você falou, até que parece um pouquinho.

- AAAIIII, QUE ÓDIO! - Irada, puxei o travesseiro e esfreguei o prato na cara dele.

- Hum... - Lambeu o canto da boca. - Isso aqui está gostoso.

Rosnei com as mãos na cabeça.


(...)


Assim que desci as escadas, Isa me abordou, nervosa.

- Brad está zoando Justin lá na cozinha, precisa defendê-lo.

- Droga! - Corremos até lá.

Logo que entrei no cômodo, vi McFadden falar debochadamente para Ryan:

- Sem querer ofender, mas onde conheceram esse cara? É hilário! Diz para mim, foi em algum circo? - Gargalhou.

Justin ficou comendo sua salada, de cabeça baixa, como se estivesse totalmente sozinho.

- Jus é "manêro". - Justificou Ry.

- Claro que é, mas será que também é malabarista?

Preparei para intervir, mas paralisei quando vi Brad jogar, com força, uma maçã em direção ao rosto de Justin. Não deu tempo de gritar “cuidado”, pois ele pegou a fruta no ar com uma única mão. Nem sequer tirou os olhos de sua refeição. Todos ficamos surpresos com o reflexo do cara. Ele depositou a maçã na mesa e continuou a comer.

O silêncio pairou no ar por uns três segundos, até que Isabella disse:

- Vamos para o jardim. Está uma noite de lua cheia linda. Brad, chama seus amigos pra tocarem algo enquanto bebemos alguma coisa.

McFadden fez o que a minha sócia pediu e saiu, agarrado à lambisgóia loira. Ryan e Isa o seguiram. Apenas gesticulei, deixando claro que, em breve, me juntaria a eles.

Tristonha, sentei-me à mesa, de frente para o selvagem.

- Desculpe por isso. - Murmurei, me sentindo um pouco culpada. Não imaginava que fazer de Justin meu namorado o transformaria no alvo principal das brincadeiras bobas do meu ex. Suspirei com pesar e mudei de assunto. - Argh! Como consegue comer isso? Posso provar? - Pedi, pegando um garfo que ficou jogado na mesa e o enfiei na salada. - Hum... - Analisei o sabor sem graça. - Não é ruim, mas me sinto comendo capim... sei lá. Quem sabe não me acostumo? Talvez eu tenha vocação para vaca. - Sem que eu esperasse, ele deu um largo sorriso. - Ei... - Sorri também, estreitando os olhos. - Gosta quando me dou mal, não é? Se sente meio vingado? - Justin riu, passando a mão nos cabelos. - Já desconfiava. - Comi mais um pouco da salada. Então, voltei ao assunto inicial. - Não se preocupe com Brad, eu vou cuidar dele. - Meu namorado de mentirinha voltou a ficar sério. Percebi que ele estava pensando sobre o assunto.

De repente, levantou-se, foi até o balcão e lá pegou uma caneta. Depois, retornou à mesa. Abriu a palma da minha mão e escreveu:

Eu não me importo.

- Não se importa com Brad e suas piadinhas imbecis? - Fiquei surpresa.

Ele balançou a cabeça, sinalizando que não. Então, escreveu na outra palma:

Só está inseguro.

- Também percebeu isso? - Sorri contente. - Nossa... - Meu humor mudou em um piscar de olhos. - Como quero que aquele sujeito sofra!

Justin estudou meu rosto e não escreveu mais nada.

Reunimos-nos em volta do Link 69, o qual tocou baladas perto da piscina. Isso alegrou a noite dos hóspedes. Isa sumira completamente e quando retornou trouxe consigo uma mulher careca muito estranha. Ela me obrigou a receber a estranha no escritório de meu pai.

- Lice, lembra da minha prima Tina? - Disse Bel.

- Ahmm... - A mulher tinha muitos piercings no rosto. - Não é a que estava presa? - Tentei não ser grosseira.

- Sim. - A própria respondeu.

- A trouxe aqui para acabar com sua má sorte. - Minha amiga estava muito empolgada. - Ela agora é Guru e tem um tipo de poção que vai te trazer sorte.

- Isso é brincadeira, certo? - Não acreditava naquele tipo de coisa, muito menos vindo da prima estelionatária de Isa.

- Não me façam perder tempo. - Tina acendeu um cigarro. - Saí da cadeia essa semana e preciso de dinheiro. - Pegou em sua bolsa um frasco e borrifou um líquido mal cheiroso em mim.

- Que negócio é esse? - Parecia vinagre misturado com algo adocicado, o qual não sabia definir o que era.

- Pronto, está curada. - Estendeu a mão na direção de Isa. A idiota lhe deu 50 dólares, muito satisfeita.

- É só isso? - Fiquei indignada. - Borrifou esse troço em mim e acabou?

- Sim.  - Abriu a porta pronta para sair. - E... - Pensou rápido. - Beije um homem de olhos claros antes da meia noite ou seu azar será dobrado.

Assim que a careca saiu, encarei minha quase ex-amiga.

- Opa. - Ela sorriu envergonhada.

- Fique feliz por eu não acreditar nessa baboseira, pois eu devia era te encher de porrada.

-  Mas se ela estiver certa, Alice? Você vai ficar ainda mais azarada.

- Impossível. - Garanti.

- Imagine as coisas ruins que podem te acontecer. - Visualizei algumas, como Brad descobrindo nossas mentiras. - Vai mesmo correr o risco? Vai apostar sua sanidade e futuro nisso?

- Vou. - Solucei, em seguida, saí do escritório.

De repente, ouvi um zumbido. Olhei para cima e outra vez a maldita abelha estava me seguindo.

- Xô! Xô! - Tentei espantar, à toa. Andei rápido em direção ao jardim e assassina me seguiu. Seja lá o que a Guru borrifou em mim, parecia estar atraindo o bicho. - Ai, não. - Choraminguei sendo perseguida. - ABELHA! ABELHA! - Saí da casa feito uma bala.

- CHARLES MATA! - Meu irmão tentou acertar o inseto com o banner ridículo que ajudou a fazer. Ele fora testemunha da última vez em que fui picada. Meu corpo ficou todo inchado e fui parar na emergência de um hospital. - Não consigo acertar.

- Mata! Mata! Mata! - Fechei os olhos e encolhendo-me. - Mata! Mata! Ma... - Engasguei.

- Caramba, a Lice engoliu a abelha. -Ryan alarmou.

A bicha ficou presa na minha garganta. Com medo de ser picada, fiz força e engoli. Como não senti dor, constatei que não havia sido picada. Respirei aliviada, então enfrentei os olhares chocados e enojados de todos.

- Com licença. - Baixei a cabeça e fui para o escritório. Sabendo que Isa ainda estava lá, entrei abruptamente. - Eu faço qualquer coisa, em qualquer hora e em qualquer lugar. Se eu ficar mais azarada do que já estou... É CAPAZ DE EU MORRER!

- Não se desespere. Vamos achar uma solução.

Depois que me acalmei, resolvemos fazer uma lista de homens que possuíam olhos claros.

- Como só temos um pouco mais de uma hora é melhor descartarmos os carinhas do colégio e estranhos. Então, só nos restam os homens do resort.

- Ah, fala sério. - Resmunguei andando de um lado para outro. - Vou ter que beijar o Brad? Eu odeio ele! - Quanta contradição emocional.

- McFadden é o primeiro da lista, tem olhos azuis, mas logo em seguida vem o Ryan, com olhos verdes e depois... - Sorriu pesarosa.

- O quê?

- Depois... o tiozão que vive te cantando. Lamento, mas os olhos dele são bem azuis.

- Ah, é. - Fiz careta ao lembrar da fisionomia dele. - Mais alguém?

Tentamos puxar pela memória, infelizmente não surgiu mais nenhum nome.

- Engraçado, tenho a impressão de que estamos esquecendo de alguém. - Isa mordeu a caneta.

- Também, mas não temos tempo para pensar. Precisamos agir. Vamos acertar nossos relógios. - Colocamos para despertar a meia noite. - Agora é oficial, temos apenas uma hora.

- Quem vai beijar?

A pergunta chegava a ser dolorosa.

- Querida, sinta o meu drama: não sei se beijo Brad, o qual logo chegaria à conclusão de que ainda sou caidinha por ele. - Eu tenho o meu orgulho, poxa. - Ou... Ryan, o que seria muito desagradável, pois seria como beijar o meu irmão. Por fim, o tiozão gripado... Eca! - Respirei fundo. - Tem uma corda?

- Pra quê?

- Vou me enforcar.

- Não enrola, quem vai ser o sortudo?

Revirei os olhos.


(...)


- NÃÃÃÃOOOOO! - Ryan corria pelo jardim tentando fugir de mim. - ME DEIXA EM PAZ!

- Só uma bitoquinha. - Ofeguei, já ficando cansada.

- É nojento, você é uma pervertida. Somos quase irmãos.

- Deixa ela te beijar, idiota. - Bel o perseguia junto comigo. 

Ryan querendo me vencer pelo cansaço, ficou dando voltas em torno de uma árvore.

- Seu covarde, se não me beijar vou descer o braço em você.

- Ótimo, agora estou enojado e com medo. - Continuou fugindo.

- Chega. - Sem ar, parei colocando as mãos nos joelhos.

- Grande amigo que você é bobalhão. A Lice vai ficar ainda mais azarada por sua culpa. - Isa fez chantagem emocional pela quarta vez. - Quando começou a ter medo de mulher?

- Não tenho medo. - Ficou emburrado. - Só não quero traumatizar. E se depois desse beijo sempre que eu for “pegar” uma garota me lembrar da Alice? - Estremeceu.

- Até parece que você “pega” alguém. - Estreitei os olhos.

- Mas pegarei. - Justificou-se.

- Ryan...! - Quase implorei.

- Tá bom, tá bom. - Enxugou o suor da testa. - Vamos nos beijar.

- Isso! - Isa comemorou.

Ficamos a centímetros de distância. Fizemos biquinho e aos poucos fomos aproximando os rostos. Fiz um enorme esforço para continuar com aquilo, e pelas expressões bizarras de Ryan, dava para notar que também lutava. Quando faltava pouco para nossos lábios se tocarem, não aguentei e cedi.

- Que merda. Não consigo. - Travei completamente. Também traumatizaria.

- Graças a Deus. - Ele jogou as mãos para o alto.

- Plano B? - Perguntou Isa.


(...)


Bati na porta do quarto 3. Minha amiga ficou do meu lado para dar apoio moral.

- Lembre-se: não pense. Feche os olhos e dê um beijo rápido. Depois, passamos álcool na sua boca. - Ela riu da minha desgraça.

Dei outra batida na porta.

NÃO PENSE! NÃO PENSE! NÃO PENSE!

Me concentrei nisso, porém ficava na dúvida se falar mentalmente “NÃO PENSE!” Podia ser considerado um pensamento.

De repente, a porta se abriu. Fechei os olhos, agarrei a cabeça do tiozão e pressionei meus lábios contra os dele.

EU QUERO MORRER!

O soltei e cambaleei para trás. Esfreguei meus lábios quase os arrancando fora.

- Conseguimos! - Isa me abraçou. - Conseguimos, mulher. Acabou, sua dramática.

- Sim. - Sorri para ela. - Foi horrível, mas acabou.

- O que acabou, lindezas?

Olhamos para o hóspede. Subitamente viramos estátuas, pois nenhuma de nós estava crendo no que via.

- Cadê seus olhos azuis? - Isa balbuciou.

- São lentes. - Respondeu confuso.

Encostei-me na parede, deslizei lentamente até o chão e... chorei.


(...)


- Você consegue. Esqueça o seu orgulho. - Isa olhou para o relógio de pulso. - Tem 10 minutos. Faça acontecer.

Não podia pedir um beijo a Brad, muito menos roubar um. Ele não acreditaria na história da Guru. Eu mesma mal conseguia crer.

- Tudo bem. - Solucei. - Como estou? - Passei as mãos pelo cabelo.

- Nervosa e mal arrumada.

- Oh, obrigada pela sinceridade. - Fui sarcástica.

- Pronta?

- Não. - Quase chorei.

- Vamos nessa!

Entramos na sala de jogos onde o Link 69 curtia um carteado.

- Gente, as gêmeas estão nadando nuas na piscina. - Isa bancou a atriz.

Os rapazes saíram correndo feito cães no cio. Somente McFadden ficou, pois o detive antes que atravessasse a soleira.

- Posso falar com você? - Tentei parecer sensual.

- Pode. - Lançou-me seu sorriso naturalmente debochado.

Caminhei devagar até a mesa de plástico, onde o baralho estava espalhado.

- Gostando de sua estadia?

- Acho que pode melhorar. - Veio até mim.

- Do que está faltando? - Virei-me para ele. Ao fitar seus belos olhos, involuntariamente solucei. Aquele homem me deixa desnorteada.

Brad pegou uma carta e a examinou.

- O que pode me oferecer? - Roçou a rainha de copas em minha bochecha.

Por instinto me afastei, infelizmente fui detida pela mesa. Me apoiei nela, com a respiração acelerada. Brad diminui a distância entre nós com um só passo. E foi assim que fiquei presa na minha própria armadilha.

- Tenho namorado. - Falei abobalhada.

O que eu estava fazendo? Precisava do beijo dele.

- Posso te contar um segredo?

- Sim.

Aproximou a boca do meu ouvido e sussurrou muito sensual:

- Eu não me importo.

Solucei tão alto que meu peito doeu. Dei um sorriso falso e me sentei em cima da mesa.

- Também está namorando? - Idiota, questionei. Não devia estar perguntando aquilo, só que o ciúme falou mais alto.

- Você sabe que só namorei uma vez. - Abriu minhas pernas se pondo entre elas. Inevitavelmente comecei a tremer.

- Posso te contar um segredo? - Rebati.

- Sim.

- Eu não me importo. - Ergui uma sobrancelha.

Brad sorriu apoiando as mãos na mesa. Depois, se inclinou para beijar-me. Solucei em expectativa e senti seus lábios roçarem em minha bochecha. Fechei os olhos ao sentir que sua boca se aproximava lentamente da minha.

De repente, a mesa de plástico desabou, partindo por não suportar o meu peso. A queda foi dolorosa e incrivelmente vergonhosa. O mais absurdo foi que só eu me machuquei.


(...)


Marchei para o jardim e Isa me seguiu tagarelando.

- Conseguiu? Como foi? Me conta tudo!

- Isso responde a sua pergunta? - Indiquei meu cotovelo sujo de sangue. - Não teve beijo. Eu me espatifei no chão.

- Uau. - Murmurou.

Ergui a cabeça e fiquei olhando para a lua.

- Estou cansada de me dar mal.

- Não desiste, você ainda tem 20 segundos. Vamos tentar com Ryan novamente.

- Esquece, já era. Eu desisto, vou me entregar a esse azar.

- Já vai dormir Justin? - Alice falou alto. Ele saía da casa rasgando seu pôster em vários pedaços. - Boa noite, Jus. - O selvagem olhou para nós e acenou, depois seguiu seu caminho. - Tou pasma... - Balbuciou. - Você viu aqueles olhos cor de mel, quase amarelos de tão claros?

- Como deixamos isso passar? - Eu estava tão perplexa quanto ela. - Quanto tempo ainda tenho?

- Cinco segundos. - Me empurrou. - Vai!

O cara da selva estava a uns dois metros de mim. Por isso corri gritando:

- JUUUUSTIN!

Ele virou-se, e sem pensar, me joguei em cima dele. Caímos no gramado. O que veio a seguir surpreendeu a nós dois. De olhos abertos, pressionei meus lábios contra os dele, roubando-lhe um beijo que supostamente me salvaria do azar. Eu estava feliz, tinha alcançado meu objetivo. Por isso, nada importava. Não liguei para contato com a barba horrorosa ou as duvidas estampadas nas íris cor de mel.

- Bem a tempo! - Isa chegou gritando. - Não acredito! - Pulou.

- Consegui? - Ofeguei. Justin continuou me olhando, totalmente deslocado.

- Sim! Aquele foi um tremendo salto. - Riu batendo palmas.

Isa me ajudou a levantar. Ruborizada, arrumei o cabelo e Justin ficou de pé. A expressão dele era quase cômica. O coitado estava desnorteado. Pudera, praticamente o ataquei.

- Jus, acho que Alice tem uma boa explicação para o que aconteceu. - A pilantra me empurrou na direção do cara.

- Aaahmmm... - Estreitei os olhos torcendo para pensar numa boa mentira. Ele esperou, coçando a nuca. - Er... hã... Muito obrigada e boa noite. - Saí quase correndo. Alice me seguiu gargalhando feito louca.


(...)


Já passavam das 2:15h da amanhã. Não conseguia dormir, pois me perguntava constantemente se já estava livre do azar. Isa, preocupada comigo, resolveu dormir no resort e acampou no meu quarto, se apossando da cama auxiliar. De repente, um cheiro de queimado me colocou em alerta. Fui até a janela e pus a cabeça para fora, tentando rastrear o cheiro que parecia vir do jardim. Apavorei-me quando vi fumaça no céu.

Só de pijama, saí do quarto e corri pela casa até chegar ao jardim. No escuro, tudo que vi foi a fogueira perto da casa na árvore. Corri até lá e dei de cara com Justin, sentado em volta do fogo de olhos fechados. Ele estava com parte do rosto pintado de branco.

Ao ver que uma das cadeiras da sala de jantar estava sendo usada como lenha, me aborreci.

- O que pensa que está fazendo? Apaga isso agora. Quer pôr fogo na mansão inteira? - O maluco continuo de olhos fechados como se estivesse muito concentrado. - Alôôô... Vou chamar os bombeiros. - Esperei a reação dele. Justin lentamente abriu os olhos, colocando o dedo indicador junto à boca. - Por que devo me calar? Você é que está nos pondo em risco. Ah, que saber? Que se dane tudo... O que mais de ruim pode acontecer? - Mal humorada, sentei-me no chão. Não adiantava discutir com aquele sujeito, a solução era esperar ele terminar com suas esquisitices e eu mesma apagar o fogo.

Fiquei olhando para as chamas por um bom tempo e o cara da selva voltou a fechar os olhos. Às vezes eu tinha vontade de perguntar como ele tinha ficado mudo, só que me parecia um tanto cruel. Se eu tivesse as deficiências dele, não gostaria de ficar falando sobre elas.

O analisei com paciência e quase ri, pois nunca tinha visto um aborígine. Era exatamente isso que ele parecia naquele momento.

Quanto mais tempo ficava ao lado de Justin, menos medo sentia. Ele já não era um desconhecido vindo da selva. Era só um cara que foi criado no ambiente errado. De qualquer forma, eu lhe devia algumas desculpas e precisava agradecer por ter me salvado do puma. Perguntei-me como poderia fazer aquilo sem... sem soar falso.

Bem, não custava tentar. Sabendo que de olhos fechados ele não poderia ler meus lábios, secretamente murmurei:

- Desculpa e... obrigada por tudo.

Suspirei me sentido melhor, em seguida voltei a observar a fogueira.

- Disponha.

- Valeu. - Bocejei. A ficha demorou para cair  - AAAAAAAAAAAHHHHHHHHHH! - Levantei num pulo. - OH... OH... MEU... DEUS! VOCÊ FALA! - Eu estava em choque.

- E por que não falaria? - Franziu o cenho.

- Porque é um surdo-mudo. Você não pode... - Engoli em seco. - Também ouve? - Tinha medo da resposta.

- Sim.

- Tou boba.- Não sabia o que fazer. - Eu vou... vou... - Precisava ter certeza de que minha nova onda de azar não estava me fazendo ter alucinações. - Vou... AAAAAAAHHHH!... ISAAAAAA! - Corri para dentro da casa o mais rápido que pude. Dei até uma escorregada no meio do caminho, mas não importava, afinal, o selvagem falava.

Entrei no meu quarto gritando:

- ACORDA! ACORDA! - A chacoalhei. - VOCÊ PRECISA VER ISSO!

- Que foi, Lice? - Disse sonolenta.

- RÁPIDO!

A reboquei até o jardim. Isa parecia um zumbi me questionando o motivo da histeria, só que não conseguia explicar. Fomos até Justin, o qual estava de pé ao lado da fogueira.

Posicionei minha amiga de frente para ele. Aquilo tudo era tão... surreal.

- Muito bem, lá vai. SURPRESA! - Abri os braços, sorrindo. - Fala. - Murmurei pelo canto da boca. Jus continuou caladão.

- Lice, ele não fala. - Bel riu. - Amiga, volta para cama. Você deve ter sonhado.

- Não sonhei. - Fiquei na duvida. - Justin fala.

- Vamos dormir.

- Por favor. - O encarei. - Fala!

- Falar o que? - Ele perguntou.

- AAAAAAHHHHHHHHHH! - Isa teve a mesma reação que eu. Depois, explodiu de alegria. - ELE FALA! ELE FALA! ELE FALA! - Saltitou em volta dele.

Justin balançou a cabeça, certamente pensando que éramos retardadas. O problema é que ele não estava vendo o mesmo que nós. O fato dele falar dava uma guinada radical em nossos planos. Agora sim Brad ia comer o pão que Jus-rei-da-floresta amassou.

- Espera. - Minha amiga subitamente ficou séria. - Por que só está falando agora?

- Ei. - Notei que ela estava certa. - Nos enganou?

- Não. - Se ofendeu.

- Explique. - Exigi cruzando os braços.


Notas Finais


Então... Eu acabei excluindo Um Selvagem Diferente porque não estava tendo uma boa recepção. Por ser uma história completamente fora do habitual, eu achei que não foi bem recebida e isso acabou me desmotivando mostruosamente. E assim, apesar da história já estar totalmente concluída, eu decidi apagá-la.
Porém, hoje, fui dar uma limpada no meu notebook, acabei achando a história no na minha pasta de história concluídas e acabei me apaixonando novamente pelo Justin da Selva e resolvia reatar a história e atualizá-la.
Só espero que seja melhor recebido desta vez.
Eu sei que é chato ficar cobrando favoritos e reviews, mas receber dá um baita incentivo, que é escritora assim como eu sabe!
Então peço que deixem uma review, nem que seja um simples "legal" ou "continua", já me deixa feliz e muito animada.

Só isso mesmo, já tagarelei demais.
Beijocas, e até o próximo capítulo!
Eu amo vocês ❤️


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