1. Spirit Fanfics >
  2. Um Show De Vizinha - Camren (G'p) >
  3. Vinte e Cinco

História Um Show De Vizinha - Camren (G'p) - Capítulo 27


Escrita por:


Notas do Autor


Olha quem apareceu mas cedo hj, se vc pensou o amor da sua vida, então sim, pensou certo 🤭😊🤭

Capítulo 27 - Vinte e Cinco


               POV Camila Cabello



Austin e Taylor, o lindo e feliz casal, está ensaiando sua entrada triunfal no salão de festas e os pontos em que precisam tirar as fotos.

O ambiente já está todo ornamentado e as flores que ocupam os grandes vasos dourados e de porcelana com pinturas serão substituídas no dia do casamento. Eles parecem ter uma boa sintonia, para o meu completo desagrado.

Conforme oriento os garçons a como servir as mesas e os convidados no dia da festa, percebo que Austin não tira os olhos de mim.

Entre cada flash da câmera e cada pose, seus olhos encontram os meus.

Quando meu trabalho de orientá-los termina, retorno à cozinha e ajudo no que posso para deixar o jantar pronto logo. E ele vem em meu encalço quando todos saem do salão.

— Está se divertindo? — ele cruza os braços e anda devagar até mim.

— Estou trabalhando. É diferente.

— Você pensou no que eu te disse? — ele encosta seu corpo no meu, mas não me toca, porque estamos sendo vistos. E fala baixo também.

— O que há para pensar sobre o que você disse?

Austin ri baixinho e aproxima seu nariz da minha nuca, sobe o rosto devagar até alcançar a minha orelha. 

— Você está incrivelmente linda, Camila.

— Obrigada. Agora, se não se importa, você precisa ensaiar para não fazer feio no dia do seu casamento e eu preciso preparar o que falta para manter esse povo todo de barriga cheia e feliz — o empurro e vou para outra bancada.

O desgraçado, filho de uma mãe, me segue.

— Eu não queria que fosse assim.

Queria que fosse como então, seu animal?

— Quando você pensou em me dizer que iria se casar? — suspiro e continuo a fazer as coisas, aleatoriamente, só para não mostrar que dou tanta importância assim para ele.

— Se eu não te disse, é porque não importa.

— Importa sim — viro-me subitamente, com uma faca na mão.

A abaixo com calma e coloco na bancada e cruzo os braços.

— Você me enganou, Austin. Me fez ser “a outra”, quando eu me sentia “a única”. Eu pensei que você realmente gostava de mim, mas agora me pergunto se eu sou uma piada para você!

Austin concorda e me olha com muita calma. Seu olhar parece até abatido por um instante.

— Eu deveria ter contado.

— Deveria, sim. Seria justo com você, com a sua noiva e comigo.

— Mas é impossível ficar longe de você — ele se aproxima perigosamente, deixando o rosto quase colado no meu. — Estar com você me faz sentir vivo e eu gosto de quem eu sou quando estou junto de você. 

— Pegue a merda das suas frases clichês e enfie elas no seu rabo, seu arrombado — Dinah encosta a frigideira bem quente no paletó dele e Austin dá um grito de dor e se afasta.

— Você me queimou! — ele vocifera e arranca o paletó de um jeito desajeitado.

— Não quer se queimar, não entra na cozinha, porra! — ela diz com tanta calma que fico até hipnotizada. — E vá falar frase copiada e colada da internet no Sarau do “ninguém se importa” — ela completa e joga a frigideira na bancada.

— Você é minha heroína — sussurro.

— Vou reportar isso. E vocês serão demitidas! — Austin avança contra Dinah.

Ela, minha super amiga carnívora, dá uma boa pegada nos ovos dele e aperta, fazendo-o quase se contorcer.

— Você conta a sua versão e eu conto a minha. Com a gravação da sua voz — ela o enxota. — Tá achando que tenho medo de palhaço? Eu sangro uma vez por mês babaca, eu não tenho medo de pouca coisa não!

O noivo, mais conhecido como o meu ex cretino babaca e desgraçado, sai o mais rápido que pode, isto é, com as pernas bem juntas uma da outra, curvado para a frente e com um braço balançando sem parar.

— Obrigada por vir. Lauren não pode estar aqui hoje, porque foi para Nova York buscar o Bernardo. E eu não sei como me viraria sem você...

— Imagina — ela balança o ombro, sorridente. — O natal é minha época favorita porque eu adoro quebrar umas nozes. Esse foi meu natal adiantado — ela me abraça e diz o que é mais importante: — Vai ficar tudo bem! 

Eu espero que sim.

Mesmo que eu saiba que Austin está apenas tentando me encurralar e anular meus passos, suas palavras ainda mexem comigo. Mesmo que, como Dinah disse, sejam falsas.

— Agora vamos! Que esse jantar não vai ficar pronto sozinho! — ela me solta e começa a bater com o rolo de massa na bancada.



                 POV Lauren Jauregui 



— E como vai a sua vida em Miami? — Valentina Evans, a mulher de Ethan, me pergunta, enquanto me serve chá.

— Nunca pensei que voltaria para aquele lugar. Porque eu gosto de Nova York, mas... em Miami eu me sinto em casa. Gosto do clima, gosto das pessoas e das praias... todos esses prédios me atraem porque quando venho para cá eu tenho a melhor visão da cidade — preciso pontuar.

— E certamente pode ter a melhor visão da cidade quando quiser — Ethan pontua. E quando Valentina se senta ao seu lado, ele segura sua mão e a traz para perto de si.

— Sim. Mas o meu coração não parece estar aqui.

— “Aonde estiver o teu tesouro, ali estará o teu coração” — Ethan diz enquanto aponta o rosto para cima. — O que há em Miami de tão valioso Lauren?

Preciso meditar sobre isso por um momento, mas não encontro a resposta. E talvez por não tê-la, eu saiba o que ela significa.

— Como você sabe que ama alguém? — retruco. 

Valentina levanta a sobrancelha e Ethan abaixa o rosto, move os lábios de um lado para o outro.

— Mesmo que busque respostas... nunca há uma concreta.

Basicamente você alcança momentos, ações ou características que te levaram a sentir afeição, empatia e talvez o amor. Mas não necessariamente você ama por esses motivos.

— Eu te entendo — Valentina assegura.

— Miami me dá o seu melhor e pior. Ela me machuca e me cura.

Ela me dá medo e coragem. Agora que estou menos confuso e sei o que quero da minha vida, posso lidar com qualquer coisa. Inclusive com os perigos de viver em Miami. E do meu pai tentando tirar a guarda do Bernardo de mim.

— Você está amando — Ethan por fim diz, após seu longo período de silêncio e análise.

— É o que te parece? — bebo um pouco do chá de maçã com canela.

— O amor é uma coisa bela e terrível. Acrescenta em nós o melhor e tira de nós o pior — ele conserta os óculos do rosto e pega sua xícara. — Quem busca o amor atrás das delícias, não quer o amor. Quer a ilusão, quer a aparência, quer a fotografia do que parece ser o amor e não a realidade dele.

Era basicamente assim que eu estava me sentindo mesmo, nessa altura da vida.

— Amar é mergulhar de cabeça no desconhecido a ponto de se afogar. E descobrir, no último segundo, que você consegue nadar. Ele te deixa vulnerável e a mercê dos predadores mais perigosos. Mas também, diante do maior tesouro que um ser humano pode alcançar em vida.

— Que seria?

— Conhecer a si mesmo — Ethan termina e volta a beber o seu chá.

— Você tem uma visão muito interessante sobre o amor, tio Ethan.

Ethan agradece o elogio com um aceno de cabeça.

— Eu sou observador porque sou cego e preciso entender o mundo ao meu redor. Você é observadora porque precisa entender o seu filho. E no meio disso, nós encontramos alguém que vale à pena se concentrar e observar bem de perto.

— O nome dela é Camila — confesso.

— É um bom nome para uma destruidora de corações — ele pontua.

Não me contenho e preciso rir disso. Ethan termina de beber o seu chá e abraça a sua esposa pelo ombro.

— As melhores são as que têm nome de destruidora de corações  



              POV Camila Cabello   



Austin não me incomodou pelo resto do dia. Também, com Dinah sempre ao meu lado, ele não seria maluco de se aproximar.

Isso não quer dizer que ele fingiu que eu não estava mais lá, porque cada vez que nos encontrávamos, ele não parava de me olhar.

E como “quem não é visto não é lembrado”, garanti que ele me visse em cada canto. Até o momento em que fui embora. 

— A melhor decisão que tomei nesse alvoroço todo foi ter contratado os serviços de vocês — Taylor veio se despedir.

Ela era a simpatia em pessoa.

Devo admitir que estava disposta a transformar esse casamento em um verdadeiro inferno, mas só por ela ser a noiva, desisti. Gentil, educada, tão atenciosa e prestativa.

Diferente das noivas que surtam e brigam com tudo e todos, Taylor estava sempre um poço de calma e tranquilidade, e em tudo ela mostrava o quanto estava grata com cada pessoa que estava ajudando naquele casamento.

— É uma honra, senhorita Morgado — eu disse e ela segurou em minhas mãos.

— Todos estão elogiando a sua comida. Estou triste porque não te pedi para fazer o meu bolo, mas cada elemento do seu cardápio, do café da manhã até os petiscos no fim da noite, vale à pena!

— Estou dando o meu melhor, eu garanto. Vamos tornar o seu casamento o seu grande momento!

Eu digo ou não digo?

Me sinto desconfortável em não ser franca com ela e desabafar: “nós duas temos um dedo podre para homens. Esse cara não te merece, você é incrível e perfeita – e eu não me sinto nem um pouco mal em admitir isso –, mas esse cara não vale à pena”.

Mas não quero passar por invejosa. E já que ela está elogiando tanto, não quero ser eu a parecer a primeira a querer jogar pedras nessa união. 

— Não vi a sua namorada por aqui, algum problema? — ela perguntou antes de se despedir.

— A Lauren precisou viajar, mas amanhã ele estará de volta.

— Ótimo! — ela diz e aponta o indicador para mim. — Vocês ficam muito bem, juntas — e após esse elogio inesperado, vejo-a voltar em direção à mansão.

— Temo em concordar com a noiva, vocês ficam bem juntas mesmo — Dinah põe o cinto de segurança e bate a mão na porta do carro. — Agora leve essa carroça para casa, porque eu preciso descansar!

— Sim, senhora.

— Que pesadelo ficar o dia todo de touca e no meio daquela cozinha quente, não sei como você suporta... — ela bufa.

— Ah... eu gosto.


*


De volta ao meu lar, doce lar, fiquei eufórica ao perceber que Lauren havia acabado de chegar também. Estacionei o carro e deixei Dinah para levar a chave para dentro de casa e fui ao seu encontro.

A olhos verdes saiu do carro, deu a volta até o banco de trás e pegou o filho, dorminhoco no colo.

— Oi vizinha — acenei.

Lauren fez um aceno com a cabeça e bateu a porta do carro com a perna, andou em minha direção com Bernardo em seus braços, certamente num sono bem gostoso, a cabeça encostada no ombro da mãe e as mãos no pescoço dela.

— Como foi a viagem? 

— Muito boa na verdade. Meus momentos em Nova York sempre são bons porque são curtos.

— Que horror! — faço uma careta. — Desdenhando do meu lar e na minha cara!

—... E por serem curtos me deixam morrendo de saudade e vontade de voltar — ela completa.

— Queria ter ido, mas eu tinha trabalho.

— Não se preocupe, teremos outras oportunidades.

— E o que você fez em Nova York?

— Ah, conversei com a terapeuta do Bernardo, depois o levei ao Central Park, jantei com a família e eles me paparicaram muito, com palavras e presentes. E me mandaram de volta em um jatinho.

— Que legal! Não sabia que a sua família morava em Nova York. Mas eles nasceram aqui em Miami, certo?

Lauren fez uma careta, em seguida limpou os lábios com a língua.

— É difícil de explicar, mas digamos que sim.

— Certo. Precisa de ajuda?

— Não quero incomodá-la, você está com cara de que trabalhou bastante hoje.

— Besteira, eu ainda aguento carregar umas malas e o aquário do Bernardo! — não sei de onde eu iria tirar energia, mas eu sabia que valeria à pena.

A minha energia, a minha cabeça, as sensações que eu tinha, eram outras quando eu estava perto de Lauren. E eu queria poder sentir isso mais, mesmo exausta. 

— Já que insiste... — ela aponta a cabeça para a porta do banco de trás. — O aquário está ali, pegue ele primeiro.

— Ok.

— Como foi o seu dia? — ela pergunta e ajeita a pegada de como está segurando Bernardo e me espera pegar o aquário.

— Muito produtivo. A cada dia parece que chega mais gente...aquilo não é uma mansão, né? Parece um hotel!

Ela se diverte, mas ri baixinho.

— E o idiota te importunou?

— Sim, porque ele é um idiota — concluo.

— Tenho certeza que ele está aos seus pés, do jeito que você queria — ela começa a andar em direção à mansão.

— Sim, ele está — penso alto e a acompanho.

Era o que eu queria, sim.

Que Austin atendesse às minhas ligações, respondesse às minhas mensagens e me desse um pingo de atenção. Fizesse o mínimo para mostrar que meus esforços valiam à pena.

Mas agora, tendo tudo isso, percebo que não é o que eu quero. Não mais. Não nesse instante. Austin, mesmo mexendo com algo dentro de mim – e talvez seja assim por um longo tempo, já que não são dez dias, dez semanas ou dez meses, são dez anos...

Uma sensação ofusca o que sinto por ele.

É como um eclipse que apaga o sol por um instante e contorna o céu com novas cores. 

Eu não sou mais a mesma. Mesmo com as mesmas inseguranças e as mesmas vontades, acho que descobri algumas coisas novas sobre mim que eu não me permiti por estar tão concentrada em querer o Austin.

Não me importo mais com esse casamento ou com Austin. Eu o tenho aos meus pés, mas isso não me deixa feliz, nem satisfeita.

Eu quero você, Lauren.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...