História Um Sonho de Padeiro - Capítulo 36


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Categorias Originais
Tags Amizade, Amor, Bissexual, Comedia, Comedia Romantica, Gay, Humor, Infidelidade, Romance, Yaoi
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Palavras 2.772
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Sexta feira é dia do quê???

Capítulo 36 - É dando que se recebe?


Fanfic / Fanfiction Um Sonho de Padeiro - Capítulo 36 - É dando que se recebe?

"Cholar não lesolve" — Jiang Pu (MasterChef)

 

— Vocês devem estar se perguntando porque os reuni aqui nesta sexta-feira. — Me coloquei de pé, com os braços levemente abertos. — A Terra está sendo atacada por alienígenas e apenas vocês podem...

Letícia me puxou pelo braço, forçando-me a sentar de novo.

— Da próxima vez não te convido mais, besta — ralhou, ela, pegando um pouco de vinagrete.

Preciso arrumar outros amigos, já que esses estão ficando velhos.

— Para de enrolar e conta logo o resto. — Então a Lilian tratou de me apressar após eu ter parado no meio do relato que até ali, só a Letícia sabia, para fazer uma palhaçada e melhorar o meu clima.

Falar das minhas brigas com o Gustavo me afetava demais.

Aproveitei para esticar o corpo a fim de apanhar o ketchup que se encontrava no outro canto da mesa retangular e ao lado da Lilian. Em vez de deixar o negócio no centro da mesa para todos usar, ela simplesmente pegava só pra ela.

— Ah, foi só aquilo mesmo. Depois ele me mandou algumas mensagens se desculpando, outras pedindo carinhosamente "responde esse caralho", mas ignorei todas. Inclusive as ligações, assim como tenho feito há seis dias, sete horas e alguns minutos. Quer saber? Cansei do Gustavo. Agora é de verdade verdadeira genuína.

Omiti o fato das mensagens terem parado de chegar há três dias, o que já estava me deixando angustiado. Porém para todos os efeitos, eu desisti daquele estrupício primeiro.

As risadas da Lilian e do Rafael — sentados à minha frente —, enquanto o nanico soltava "só até ele estalar os dedos", com certeza foram ouvidas da outra parte da cidade. Apesar disso somente dei de ombros e me concentrei no pastel de flango, ignorando total.

— E é pra desistir mesmo! No fundo nunca gostei desse Gustavo. — Letícia sempre fez questão de deixar nítido o quanto não apoiava o meu caso conturbado com ele. — Mas você não me ouve porque só gosta de homem que não vale nada.

Que disparate!

— Os que não valem nada cabem no meu orçamento. Sabe comé, né? Brasil está em crise — Pisquei, a fazendo sorrir e balançar a cabeça em descrença.

Sem contar que ela esporadicamente — todos os dias —, dizia "se o Gustavo faz isso com a noiva, um dia pode fazer com você também. Quem trai uma vez, trai sempre". Como se eu quisesse algo sério com aquele cara.

Eu tenho mais o que fazer!

— Só sei que eu não me prestaria a esse papel — se intrometeu, Rafael. — À propósito, para quem se ama tanto, é até engraçado se rebaixar assim. Não sabia que tu tinha fetiche por mau-caráter, moreno.

Confesso que dei um riso interno.

Fetiche eu tenho por luxo, boletos pagos, fila rápida, ônibus vazio, acordar cedo e voltar a dormir porque lembro que estou de folga...

A Letícia eu aturava falando mal do Gustavo pois ela podia, era praticamente uma irmã mais velha, embora tivéssemos a mesma idade, mas aquele pilantra? Quem era o Rafael na fila do meu pão? O cara que perdeu todos os amigos ao se afastar deles por causa de namorado ciumento, e de quebra, se infiltrou nos meus rolês? Esse era o Rafael.

Sobre a estrutura para isso: eu não tenho.

— Fazendo o favor, não fala dele, não, ok?! Até porque eu não falo do fulano de ótima índole que te dá na cara! — Que por sinal, não conheço e nem quero conhecer, obrigado.

Rafael apenas suspirou, cochichando um "bah, ele ainda defende o outro, vê se pode?", fingindo não ter se abalado com o que eu disse enquanto beliscava o pastel. Porém notei pela forma como ele mastigava, o seu constrangimento.

Deve estar doido para me pegar de novo!

— Gente, teve uma treta no grupo da minha família sensacional... Tipo, o meu tio... — Letícia descaradamente tentou mudar de assunto, óbvio que percebendo o aborrecimento ali presente.

Contudo, o meu resmungo "cê não tinha nem que tá aqui, tchê", dirigido ao Rafael, a fez se calar e causou um riso naquele anão.

— Posso falar? — Foi então a vez da Lilian de se pronunciar. — Não acho que o Gustavo seja mau-caráter. Arianos são impulsivos, não têm filtro, fazem e depois se arrependem. But... convenhamos que ele precisa dar um wake up na vida.

Wake up é o que mesmo? Não fiz Fisk.

Eu fiquei feliz pra caramba por pelo menos alguém não atacar o Gustavo? Fiquei. Mesmo estando magoado com o cara de rato, ouvir que ele não prestava me incomodava e muito, pois só eu podia fazer isso. Está aí uma coisa que eu não entendia: como era possível estar com raiva de alguém e não gostar quando o criticam?

Diante disso, levantei para contornar a mesa e dei um selinho estalado naquela peituda, o que me deixou sujo de batom cor de rosa, e logo retornei ao meu lugar.

— Querem falar mal daquele traste dos infernos? Falem, mas longe de mim se não for pedir demais. — Apanhei o celular da mesa a fim de evitar encarar o pilantra à minha frente.

Para que eu fui fazer isso?

O que surgiu no meu feed foi nada mais, nada menos, que uma foto de casal com emoji de coração e tudo! Porra! Certeza que chamas saíram da minha cabeça em conjunto com as ideias maléficas financiadas pelo próprio Lúcifer.

Entretanto, como diz aquele ditado criado pelo Stephen Hawking: ser provocativo é o meu esporte favorito.

Apenas pulei pro aplicativo verde, criei um grupo chamado "Ex Peguetes" e adicionei os contatos mais gatos que se encontravam salvos. Só os hidratados; só aqueles que nos fazem salivar por cima e por baixo; só os proibidos para menores; só os... Parei. Suspirei olhando aquele cabeludinho. Prosseguindo, adicionei sem ao menos me certificar se eu havia realmente ficado com todos eles. Portanto, após verificar se a cereja do bolo estava online, a qual também adicionei no grupo, enviei a minha melhor foto sem camisa aos 143 integrantes, junto com a seguinte legenda:

"quem de vcs esqueceu uma cueca preta na minha casa? se não vir buscar, vou jogar fora"

Como esperado, grande parte deixou o grupo sem responder, outros riram e também saíram. Teve um que avisou sobre a calabresa estar em promoção, depois mandou eu ir procurar Jesus — esse era o pastor e dono da pizzaria que adicionei sem querer —, já outro, deu boa noite e me pediu para vestir a peça e enviar outra foto a fim de ver se reconhecia, quando nesse exato segundo, a cereja do bolo deixou o grupo, e eu, fiz o mesmo, não contendo o sorriso da vitória.

— Tá rindo do quê, palhaço? — me cutucou com o cotovelo, Letícia.

— Nada não, nega.

Não satisfeita com a minha resposta, ela tirou o celular das minhas mãos e de imediato, murmurou "eu não te criei para isso, menino". Sem demora a Lilian pôs os olhos na tela do meu aparelho, e essa riu erguendo a palma da mão, selando um toca aqui comigo enquanto dizia "quero andar contigo no recreio". Como não amar? Rafael por sua vez, só espiou o celular nas mãos dela e logo lançou aquela cara de bunda suja pro nada.

Deve ser amor, só pode.

À seguir, um silêncio tomou conta da nossa mesa. Silêncio não é bem a palavra, pois os sons da garrafa sendo arrastada na mesa; do amassar dos guardanapos sempre que um pastel era retirado da cesta; ou até mesmo dos crecks após as mordidas no alimento gorduroso, estavam é altos demais.

— Mas isso do Rafa ter conhecido o seu boy antes de você parece coisa de novela, né? — revelou Lilian, acabando com a calmaria e me obrigando a arregalar os olhos no impulso, em completo espanto.

Mudei imediatamente a minha atenção ao Rafael, o qual encarava a Lilian da mesma forma que eu havia feito há segundos. Em seguida a garota com pálpebras esfumadas retribuiu o olhar dele, só que com uma certa confusão em meio à testa franzida. Como quem diz "O que foi?".

E eu não estava entendendo absolutamente nada.

— Conhece da onde e em quais circunstâncias?! — interroguei, de modo atento e elevando um pouco o tom sem querer.

Como um foguete, imagens do Gustavo galinhando com outros caras surgiu na minha cabeça, já gerando aquele famigerado ódio. Porque depois de todo aquele cu doce que ele fez, se eu descobrisse que o lazarento já havia ficado com outro homem antes de me conhecer, eu ia pessoalmente contar pra indiazinha sobre a sua galhada, pois: fui possuído por um espírito vingativo ao nascer.

Rafael deu um gole na sua cerveja e tornou a me olhar.

— Tu para de gritar, isso aqui não é feira — soltou o ar pelo nariz de um jeito pesado, parecendo um touro. — Não conheço... Quer dizer, só de vista. Conhecer, conhecer, só o amigo dele — completou, pronunciando o "amigo dele", um tanto baixo demais. Como se não quisesse dizer essa parte.

Então fui eu quem jogou um pouco do líquido amarelado garganta abaixo, por fim limpando o canto da boca.

— Qual amigo? Um gordo com cara de acreano? — continuei com os questionamentos, um pouco mais tranquilo.

— Pare de ser xenofóbico, Erick! — me repreendeu, Letícia.

Fiz aquele revirar de olhos igual o da menina do Exorcista, repousando as costas na cadeira de acrílico tão chique quanto a nova pastelaria a qual estávamos, e descansei os braços nos apoios de metal — nesta cidade tem uma pastelaria a cada rua, às vezes não sei se estou no Brasil ou na China.

— Qual o problema em eu chamar o cara de acreano? Você que está sendo preconceituosa, queridona!

— Você falou "acreano" com desdém, cabeçudo. — Me empurrou com a mão sobre a lateral da minha cabeça.

Letícia quando quer ser chata, pelo amor de Viola Davis! Fica corrigindo a gente toda hora. Outro dia brigou com uma menina numa festinha que nós fomos, porque a fulana disse homossexualismo, sendo que nem eu me ofendi tanto, pois entendi que a burra da garota nem sabia que ismo vem de doença. Posso ser barraqueiro quase sempre, mas arrumar briga gratuita não é comigo. Uma vez que tenho preguiça e isso é coisa de ariano.

Inferno! Por que parece que todo tipo de conversa me lembrava daquele fi duma égua?!

— Terminou, Madre Tereza? — Não esperei ela prosseguir e retornei a atenção ao Rafael. — Qual o nome do tal amigo do Gustavo que você conhece?

— Bah, aquele não é o guri que a gente viu no shopping? Está te secando.

Segui a direção que as esferas castanhas dele observavam, parando na... Praguinha dos infernos! O qual imediatamente baixou os olhos. No entanto não dei ibope e voltei pro meu pastel já quase acabado.

Me chamou de hétero, peguei birra.

— Erick, você tá virando papa anjo? Agora acredito que estamos no fim dos tempos — rindo, me provocou, Letícia.

Ela me conhecia melhor do que a minha própria mãe e sabia muito bem da minha repulsa por adolescentes. Mas preferi ficar quieto para não perder a amizade, me ocupando em virar a garrafa no meu copo vazio.

— Gurias, vocês tinham que ver, ele estava no maior chamego com o piazinho dentro do provador — Depois de soltar essa mentira digna de prisão perpétua, Rafael engasgou-se por causa da boca cheia em conjunto com as risadas, levando alguns tapas da Lilian nas costas.

Castigo de Deus. Aqui se faz, aqui se paga.

As tontas, acreditando, me olharam boquiabertas, já eu, torci a boca após virar o copo de uma só vez e largá-lo forte sobre a mesa, sem deixar de tirar o meu olhar não muito simpático de cima do pilantra.

— Rafael, meu anjo, sabe o cu? Vai lá tomar nele!

Ao mesmo tempo que a Letícia resmungava "crianças, se comportem" e a Lilian ria como de praxe, Rafael na maior tranquilidade curvou-se sobre a mesa e sussurrou, sorrindo "mais tarde eu vou e não só no meu".

Me leva junto, nunca te pedi nada.

No entanto, aquelas palavras me fizeram lembrar que o Rafael é pau pra toda obra...

Versátil.

Multifuncional. 

Álcool ou gasolina.

Põe casaco, tira casaco.

Talvez se eu liberasse, o Gustavo também... Saco! Por que eu cogitava isso? Óbvio que aquele traste nunca iria retribuir! Involuntariamente, em meio àquele dilema passei o braço por trás do pescoço da Letícia e me deixei enrolar aqueles cachos no dedo, dado que não posso ficar perto daquele cabelo que já me batia a vontade de tocar. Nesse momento, ela acabou bocejando e deitando no meu ombro esquerdo.

E durante a conversa deles sobre aquela série modinha que eu não assisto, sem querer acabei olhando para o lado e me deparando com o sorriso do, chinesinho...? Deve ser, não sei distinguir asiáticos. Porém ao me perceber, ele fechou a cara e começou a passar um pano sobre o balcão. Nisso, percebi que com aquele avental escuro sobre uma camisa branca e desprovido das roupas góticas-das-trevas-sombrias, ele parecia mais velho e... O garoto me lembrava muito um tal ator daquelas bandas da Ásia.

Não estávamos muito perto do balcão caixa de madeira onde ele se encontrava me devorando, no entanto, pude notar um ruborzinho nas bochechas deleVou destacar que, somado a isso, o fato do pirralho ficar evitando o contato visual dava a impressão dele ser tímido.

Merda, eu adoro tímidos!

— Pelo visto vamos ir embora sem o Erick, people — constatou Lilian, rindo e me obrigando a parar de olhar pro garoto. Mas, quê? Sorri mesmo sem ter achado graça pois eu esbanjo simpatia. — Porém antes quero fazer uma brincadeira que vi na internet, é assim: digam uma frase que pode ser dita no sexo e em uma churrascaria.

É por isso que adoro aquela gorda, ela sempre puxava os assuntos picantes. Até melhorou o meu humor.

— Eu começo — Porque eu amei a brincadeira. E como só tinham uns dois dedos de cerveja na garrafa, fui bebendo-a no gargalo enquanto pensava e... Já sei. — Não vou por isso na boca, tem muito pelo. Se vira e me dá outra coisa.

O grito de "berro" correu triplicado aos meus ouvidos, quase me causando uma surdez. Logo, Lilian avisou que iria ser a próxima, se ajeitando na cadeira e ganhando toda a nossa atenção.

— Quero ver alguém superar essa. Tantantam: Já? Que papelão, hein! — soltou, erguendo o queixo para cantar vitória.

Criativa, mas a minha foi melhor, não tem nem comparação.

Ao ouvir uma risada baixa, torci o pescoço, encontrando duas garotas sentadas à mesa de trás rindo com a mão na boca. Impressionante como nesse planeta todo mundo é mexeriqueiro.

Parece doença.

— Duvido vencerem a minha. — Letícia deu dois tapinhas na mesa, ganhando a minha concentração. — E a minha frase é: Moço, já posso sentar ou tenho que esperar ficar pronto?

Alá o efeito da cerveja surgindo na Madre Tereza.

— Que isso Letícia? Vá ler a Bíblia — talvez eu tenha liberado uma risada alta demais ao dizer isso.

Rafael e Lilian iniciaram um murmurinho, o qual dizia que a Letícia havia ganho, entretanto eu bati o pé afirmando que a minha ainda era a melhor. Dessa maneira, como só faltava ele, Rafael limpou a garganta e à seguir anunciou com um assobio, que iria falar.

— Não é lá muito engraçada mas foi a única que consegui pensar. Aí vai: bah, na foto essa linguiça parecia maior. Perdi a vontade, me passa a senha do WiFi.

Boa, achei interessante, porém não vou rir porque não te suporto.

Na real eu tentei segurar, contudo não aguentei e caí sem freio nas gargalhadas escandalosas, sendo acompanhado pelos cinco — incluí as garotas enxeridas às minhas costas.

Nisso, me vi lembrando que logo ao acordar e dar bom dia para a minha sombra, decidi passar a noite daquela sexta na rua. Voltar somente para casa de manhã a tempo de tomar um banho, um energético e ir virado pro meu último dia de trabalho antes das férias, já que: não há nada melhor para curar uma frustração amorosa do que cachaça e várias bocas para beijar e fazer outras coisas. Todavia, ao ouvir essas mesmas palavras lá no refeitório do Quase Free, Letícia revelou que estava com desejo de comer pastel e queria muito conhecer a nova pastelaria do canal dela — bairro para os íntimos —, portanto meio desanimado, acabei aceitando.

Mas uma coisa é certa: em nenhuma balada já criada pelo homo sapiens, eu daria uma risada tão espontânea quanto aquela.

Porém alegria de pobre dura pouco.

A risada cessou no instante que o meu celular vibrou em cima da mesa — não só a minha, todos ficaram quietos. Então, hesitante apanhei-o, visualizei a mensagem do Gustavo e bloqueei a tela, fingindo que aquelas palavras não me estraçalharam.


Notas Finais


Aparentemente o Erick não ficou com raiva do Gustavo, mas foi possuído por o sentimento pior: mágoa.


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