História Uma agente em Hope County - Capítulo 2


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Categorias Far Cry
Personagens Faith Seed, Grace Armstrong, Jacob Seed, Jerome Jefferies, Jess Black, John Seed, Joseph Seed, Nick Rye
Tags Familia Seed, Farcry 5
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Palavras 2.174
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, FemmeSlash, Ficção, LGBT, Luta, Mistério, Policial, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - A seita religiosa de Joseph Seed


Fanfic / Fanfiction Uma agente em Hope County - Capítulo 2 - A seita religiosa de Joseph Seed

Era uma tarde quente de sábado e o expediente já estava quase no fim, o silêncio da delegacia foi interrompido de modo abrupto por uma discussão entre o xerife e o delegado Burke que ecoava pelos corredores.

-De novo isso?- esbravejou o xerife

-Tô falando, esses crentes tão passando dos limites, tenho que colocar essa gente no seu lugar- respondeu o delegado.

O delegado era o macho escroto que eu mais odiava em toda a minha vida, ele tinha uns 40 anos, era baixinho, quase careca, tinha a pele negra e uma circle beard, ele vinha do departamento U.S Marshal que considerava ser uma alta patente por ser federal. Ele queria entrar para o FBI, mas por algum "motivo misterioso" foi rebaixado a um simples delegado de cidade pequena, acho que ele ainda não superou totalmente isso porque age como se tivesse liberdade para fazer o que bem entendesse e isso já prejudicou várias operações. Tanto que ele não tem mais crédito algum na U.S e por isso infernizava as delegacias das redondezas. 

-Eu já disse que não! Não vou dispor do meu pessoal, tivemos muitas ocorrências hoje, tá todo mundo ocupado- disse o Xerife

-Acho que você não tá entendendo -disse o delegado- isso tá maior, tá crescendo.

-Não, quem não tá entendendo é você! Sequestros … desaparecimentos... isso sempre existiu naquela região, não é de hoje, eu não vou mandar meu pessoal para uma operação em um fim de semana apenas para interrogar uns hippies fanáticos, com licença, vai achar o que fazer! 

O Xerife entrou no corredor que dava acesso ao setor de arquivos, quando me viu acenou e veio na minha direção, mas foi impedido pelo delegado novamente.

-Dá uma olhada nisso- disse o delegado entregando uma pasta amarela com papéis ao xerife

      -Sumiu gente da nossa área também, olha aqui, vários veículos que estavam a caminho de Melville foram interceptados quando atravessavam a ponte do Rio Herbane e tem mais - disse folheando as páginas.

Percebi quando o Xerife ficou vidrado em uma das páginas e depois de alguns segundos levantou a cabeça e me encarou nos olhos, mas seus pensamentos estavam distantes. Fiquei ali, do outro lado do balcão, encarando-o de volta e sem entender nada. Tinha alguma coisa errada.

-Quer enfrentar fanáticos religiosos? Pois vá, mas não meta meu pessoal nisso, essa luta é sua, boa sorte - disse o Xerife devolvendo a pasta e indicando a saída ao delegado.

-Eu vou! - falei de supetão fazendo os dois virarem na minha direção - eu tô no último ano da academia e preciso participar de algumas operações e entregar relatórios no fim ano, essa parece ser bem interessante e eu só vou acompanhar mesmo.

     Embora fosse verdade, não era o real motivo pelo qual eu me voluntariei, precisava saber o que tinha naquela página que deixou o Xerife tão imerso em pensamentos, mas eu sabia que não ia ser fácil arrancar isso dele. 

-Qual a sua idade?- perguntou o delegado com desdém

-vinte e seis- respondi

-Não tem nada para você lá- intrometeu-se o Xerife

-Com todo o respeito senhor, não cabe a você decidir isso- respondi com firmeza

-Tem razão, então não tenho outra opção a não ser ir junto- disse ele 

-Boa iniciativa recruta- disse o delegado para mim- vão apenas os dois?

-Sim- respondeu o Xerife com cara de derrota

-Ótimo, vou solicitar um mandado de prisão, iremos hoje a meia-noite- disse o delegado

-Porque meia noite?- perguntei

-É o horário do culto- respondeu o Burke e saiu porta afora.

-Você vai desejar nunca ter se envolvido nisso- respondeu o Xerife desanimado

-Por alguma razão que não sei explicar, acho que que já estou envolvida - respondi baixinho e voltei para os arquivos.

Exatamente a meia-noite eu e o Xerife chegamos na US Marshal, o delegado já estava do lado do helicóptero que nos levaria até o Condado de Hope County. Ele andava de um lado para outro e parecia ansioso, Pratt também estava lá, era um grande piloto e extremamente gentil com qualquer pessoa. 

-Vamos ter que aguardar mais um pouco, consegui um reforço de última hora- disse o delegado

Os três entraram no helicóptero e ficaram lá discutindo sobre o último jogo de baseball, caminhei até uma cerca de metal nos fundos e olhei o horizonte, a temperatura tinha caído e o vento norte soprava frio, fiquei contemplando a lua cheia, era o meu hábito favorito, mas aquela noite tinha uma essência misteriosa que me deixou intrigada, fiquei ali por uns bons minutos até que o delegado me chamou de volta para o helicóptero. Quando me aproximei, vi uma mulher entrando na cabine do piloto junto com Pratt. 

-O que caralhos Joey Hudson estava fazendo aqui? - gritei na minha mente enquanto embarcava no veículo. 

Ela simplesmente era uma das melhores agentes de Montana, além de ser gata pra caralho, tinha a pele morena, cabelos pretos trançados e olhos verdes, ela também deu algumas aulas de defesa pessoal na academia, mesmo assim ela não deve fazer ideia de quem eu sou. 

Já estávamos sobrevoando há quase duas horas, eu me mantive tranquila e tentei parecer profissional, então peguei o GPS para fazer algo de útil, mas apenas aparecia o horário: 02:37 A.M e  uma mensagem na tela dizendo "Service Lost". Lembrei da primeira lição no curso de informática "Software é o que você xinga, Hardware é o que você agride" então sacudi e dei uns tapas no aparelho para ver se funcionava, parei apenas quando ouvi o Xerife no assento contrário gritando comigo, tentando sobrepor o barulho do helicóptero. 

-Recruta … recruta, tá perdendo tempo, sem sinal aqui.

Larguei o GPS e olhei para o delegado sentado a minha frente, ele estava com olhos fixos em um papel que trazia consigo.

     -Cruzando o Herbane agora- anunciou o piloto

Todos olharam para a paisagem do lado esquerdo, a lua iluminava com esplendor uma gigantesca e assustadora estátua de mármore no topo de um monte, tão alta quanto a Estátua da Liberdade ou o Cristo Redentor no Brasil, era a imagem de um homem com um livro nas mãos ensinando algo, um pastor. 

-Ah porra, ele tá ali- disse Hudson olhando para a estátua

Fiquei refletindo sobre o simbolismo religioso e sobre o quanto aquela estátua era imponente e intimidadora. Comecei a pensar em como deveria ser a vida das pessoas que moravam ali e eram submetidas a isso. 

-Oficialmente na terra dos edenetes- continuou Hudson.

-Falta muito?- perguntou o delegado

-Tempo suficiente para você mudar de ideia e darmos meia-volta- respondeu o Xerife

- Devo ignorar um mandado federal Xerife? -disse o delegado mostrando o papel que trazia consigo. 

-Não senhor- respondeu o Xerife- eu quero que você entenda a realidade da situação, Joseph Seed … não dá para mexer com esse homem, já brigamos com ele antes e nem sempre as coisas acabaram bem, por isso as vezes é melhor deixar as coisas como estão.

-É, bem … temos leis por um motivo Xerife e o Joseph Seed vai aprender- encerrou o delegado

-Pratty, ligue para a central- ordenou o Xerife ao piloto

-Entendido- respondeu ele

-Whitehorse para a central, câmbio… - disse o Xerife

-Pode falar Earl … - respondeu uma voz feminina

- Próximos ao complexo, Nancy ... câmbio - respondeu o Xerife

Earl Whithehorse? esse era o nome do Xerife, sério?- pensei boquiaberta

-Copiado Xerife, entendido- continuou a moça - pretende seguir com o plano ainda? … câmbio. 

-Sim, infelizmente tentando colocar juízo na cabeça do nosso amigo … câmbio- retrucou o Xerife esperançoso

-Certo, ele tem sorte de eu não estar aí - respondeu a moça com humor - se vocês se meterem em apuros me avisem … câmbio. 

-Certo … câmbio … desligo - disse o Xerife.

Uma pausa de silêncio e dessa vez foi o momento do piloto comentar:

-Deviam ter trazido a Nancy ao invés da novata aí, os edenetes não mexeriam com ela. 

e foi logo repreendido pela Hudson

-Porque os chama de edenetes?- perguntou o delegado

-Projeto do Portão do Éden, éden, edenetes- respondeu o Xerife- é como os chamam, começaram inocentes há alguns anos, mas agora que estão armados até os dentes … tão procurando briga.

-Tá com medo Xerife?- desdenhou o delegado

O Xerife não respondeu e eles apenas ficaram se encarando até que Pratt anunciou:

-Chegamos, o complexo é logo abaixo. 

Conforme a neblina se dissipava com a aproximação do helicóptero, ia revelando um verdadeiro cenário de guerra, o que antes deveria ser uma bela representação da simplicidade das pequenas cidades, agora era algo macabro. Havia algumas casinhas e estufas e uma pequena igreja de madeira branca que se destacava na paisagem, ao redor havia cercas altas de arame farpado, latidos de cachorro, barricadas, fogueiras e inúmeras pessoas distribuídas em pequenos grupos. Todo esse conjunto era rodeado por uma densa floresta de pinus, sentia como se estivesse indo visitar a própria Al Qaeda.

          -ai meu Deus- exclamou o piloto ao dar início ao pouso do helicóptero

          -Isso é uma má ideia- disse Hudson

          -Última chance delegado- disse o Xerife 

  O delegado respirou fundo e me encarou - estamos entrando- disse em seguida

           -Pode pousar- gritou o Xerife para Pratt

   O helicóptero pousou e dois homens armados com fuzis vieram em nossa direção.

-Central? Ainda aí? - perguntou o Xerife- se não tiver notícias nossas em 15 minutos mande alguém e ligue para a guarda nacional … câmbio. 

-Sim senhor Xerife … vou rezar por vocês- respondeu Nancy do outro lado da linha.

  Todos retiramos os headsets, soltamos os cintos e ouvimos as instruções do Xerife.

    -Escutem- gritou ele  -três regras: fiquem próximos, mantenham as armas no coldres e deixem que eu falo… entenderam? RECRUTA

  Eu não entendi o porquê ele gritou comigo, eu estava prestando atenção, além disso, eu só estava lá para acompanhar, não ia executar nenhuma ação e por essa razão eu não trouxe arma nenhuma comigo, mas deixei essa última parte em off. 

-Tudo bem pessoal, fiquem atentos … vamos lá! - gritou o Xerife e todos saíram rapidamente do veículo. Esperei uns segundos para que eles passassem a frente, o Xerife caminhou  segurando o chapéu para que não voasse da cabeça, comecei a segui-los. Pratt permaneceu no helicóptero.

      -Recruta! Comigo, fica junto tá- disse a Hudson baixinho

-O que tão fazendo aqui? - gritou alguém

       -Calma - respondeu o Xerife- todo mundo! Calma, cuidem da sua própria vida, isso não tem nada a ver com vocês.

         -Xerife, não gosto disso- comentou Hudson

    -Tá tudo certo Hudson, não tem problema nenhum

Caminhamos por um curto caminho de lama e arcos de metal, todas as pessoas ao redor pararam para nos ver passar e TODAS estavam armadas. Fiquei impressionada com o autocontrole do Xerife, desde o início ele deixou visível sua ansiedade e seu medo e mesmo assim se mantinha calmo para que nós nos mantivéssemos calmos, isso era ser um verdadeiro líder. Me odiei por tê-lo feito vir junto, ainda que sem querer, ao mesmo tempo me senti grata por ele estar aqui e estava por minha causa, se algo acontecesse com ele eu nunca me perdoaria. 

        -Jesus Cristo, vocês vieram com os distintivos né?- perguntou o delegado

      -Então … eles não respeitam muito distintivos por aqui- respondeu Hudson

      -Vão respeitar uma 9 milímetros … - continuou o delegado

     -Nem tudo pode ser resolvido a bala delegado - acrescentou o Xerife

Eles aceleraram o passo, os latidos aumentaram, estávamos nos aproximando da entrada da igreja. Quando chegamos na grande porta de madeira ornamentada o delegado já foi se adiantando, começou a abrir a porta com uma mão já no coldre prestes a sacar a arma quando foi impedido pelo Xerife.

-Calma delegado- disse o Xerife segurando a porta- vamos fazer isso do meu jeito, em silêncio, com calma, certo?

-Certo - respondeu o delegado impaciente

Era possível ouvir um coral entoando alguma canção gospel conhecida, mas eu não sabia dizer qual. 

-Hudson … na porta - continuou o Xerife- tomem cuidado, não deixem ninguém entrar … recruta … comigo.

-E você … apenas tente não fazer nada idiota- disse o Xerife ao delegado

-Relaxe Xerife, você está prestes a virar notícia- respondeu o delegado em tom de deboche e pôs a mão no ombro do Xerife

-Vai se sair bem- me encorajou Hudson já tomando seu posto.

Os dois homens entraram ao mesmo tempo e eu os segui, a música se intensificou e depois diminuiu. O ambiente era sombrio, iluminado por um único foco de luz central, havia algumas pessoas sentadas e outras em pé, a maioria vestia branco e todas estavam armadas também. 

O fanatismo religioso tem consequências terríveis.

-Algo está chegando- disse um homem no altar- conseguem sentir, não é?

Em uma outra realidade, essa mesma cena seria um casamento, duas pessoas entram em uma igreja a passos lentos, todos os convidados se levantam e os assistem passar e um padre diz coisas bonitas. Mas não era um casamento, não havia nada romântico naquele momento, apenas uma crescente hostilidade por todos os lados



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